INÍCIO

02 maio 2026

ÍCONES COTIDIANOS

FIGURAS ICÔNICAS DIÁRIAS

DESENHO DA FIGURA HUMANA

















DIA DO TRABALHADOR

FELIZ NOSSO DIA!
FELIZ DIA DO TRABALHADOR!



Feliz dia do trabalhador 
(em carácteres chineses)

DIA DA LÍNGUA CHINESA


 

POEMAS CHINESES














POEMAS DA DINASTIA TANG

Fonte

A Dinastia Tang (618-915) é considerada o auge da cultura clássica chinesa. Foram aproximadamente 300 anos de uma sociedade caracterizada por uma vida urbana intelectual e esteticamente sofisticada. A produção poética do período surpreende pela quantidade e qualidade. A popular antologia Poemas completos da Dinastia Tang, compilada posteriormente, no século XVII (Dinastia Qing), por ordem imperial, contém aproximadamente 50 mil poemas, escritos por 2.200 autores, dentre os quais estão 190 mulheres – uma importante tradição feminina sempre existiu na poesia chinesa.

Dentre os nomes mais notáveis desse período de ouro da literatura universal, citam-se sempre Li Bai (Li Po), o grande mestre taoísta da poesia chinesa, e Wang Wei, um dos artistas mais completos de seu tempo – poeta e pintor de renome, mestre budista chan (zen). Na tradição feminina, destaca-se Yu Xuanji, monja taoísta e cortesã. Os textos a seguir, desses autores, são exemplos de um tipo bastante praticado no período: poemas que desenvolvem o imaginário e o ambiente mitológico celestial e de elevação pela meditação em meio à natureza, relativos às tradições religiosas taoísta e budista.

As traduções de Li Bai e Wang Wei abaixo estão entre as que integrarão antologia de poesia da Dinastia Tang que estamos preparando. Os poemas de Yu Xuanji foram já publicados em 2011, pela UNESP, na edição bilingue Poesia Completa de Yu Xuanji – traduções, prefácio e notas realizados por nós.


Bom proveito, e feliz ano do dragão.

Ricardo Portugal e Tan Xiao.


***


Li Bai

No Templo do Cimo

a noite passar no Templo do Cimo
elevar a mão carícia de estrelas
mas baixar a voz não fazer ruído
temer perturbar os seres celestes

.



夜宿山寺

危楼高百尺
手可摘星辰
不敢高声语
恐惊天上人

.

Resposta na montanha

Por que razão morar nestas verdes montanhas
responde só o sorriso o coração sereno
A flor do pessegueiro cai as águas seguem
entrando a um outro mundo além do meio humano

.
山中问答

问余何意栖碧山
笑而不答心自闲
桃花流水窅然去
别有天地非人间

.
[Em homenagem Yang Guifei (lê-se Iân Gueifêi), lendária beleza, concubina do Imperador Xuanzong]

as vestes como nuvens pétalas as faces
que a brisa na varanda afaga ao orvalho vítreo
se ao elevado cimo em jade não é vista
ressurge sob a lua em celestes terraços

.
云想衣裳花想容
春风拂槛露华浓
若非群玉山头见
会向瑶台月下逢

.
Wang Wei

O retiro dos cervos

vazia a montanha ninguém se vê
entanto rumores vozes se ouvem
torna a luz poente até o bosque denso
ainda ilumina o musgo verde sobre

.
鹿柴

空山不见人
但闻人语响
返景入深林
复照青苔上

.
O Monte Zhongnan

obra suprema imitação celeste
cidade aberta entre montanhas mares
as nuvens brancas fecham-se ao olhar
cintilações em verde se dispersam
revolve o pico ao centro aparta estrelas
escuro-claros se desdobram vales
descer e a noite passar entre os homens
ao rio perguntar onde ao lenhador

.
终南山

太乙近天都
连山到海隅
白云回望合
青霭入看无
分野中峰变
阴晴众壑殊
欲投人处宿
隔水问樵夫

.
Na montanha

Riacho Jing as pedras surgem brancas
escassas folhas rubras num céu frio
Chuva não houve à trilha da montanha
molhando as roupas o verde vazio

.
山中

荆溪白石出
天寒红叶稀
山路元无雨
空翠湿人衣

.
Passando pelo Templo do Perfume Oculto

desconhecido conservou-se o templo
por entre nuvens oculto o perfume
ao bosque antigo resta trilha alguma
aonde o sino à alta profundeza
.
rumor de fonte eretas rochas choro
frescor o sol entre os pinheiros cores
a tarde curva-se ao vazio no tanque
domou-se um dragão venenoso ao Chan*
.
*Chan é o nome, em chinês, da corrente Zen do budismo.

.
过香积寺

不知香积寺
数里入云峰
古木无人径
深山何处钟
泉听咽危石
日色冷青松
薄暮空潭曲
安禅制毒龙

.
A ermida dos bambus

sentar-se ao oco só entre os bambus
assobiando ao toque do alaúde
na densa oca ao bosque desterrar-se
então a lua é vinda: iluminar

.
竹里馆

独坐幽篁里,
弹琴复长啸。
深林人不知,
明月来相照。

.
YU XUANJI
.
O Templo Zifu, fundado pelo eremita Ren
.
Ergueu o templo um homem solitário
e hoje é descanso a viajantes – pouso –
Deixam seus nomes vãos à porta, ao lótus
deitam-se escritos nas paredes brancas
As águas correm para o velho tanque
A relva próxima ao caminho brota
Cem pés é alto o pavilhão de ouro
e em frente ao rio, todo brilho, claro

.
题任处士创资福寺

幽人创奇境,
游客驻行程。
粉壁空留字,
莲宫未有名。
凿池泉自出,
开径草重生。
百尺金轮阁,
当川豁眼明。

.
Resposta a um poema
.
A instável, viva multidão vermelho-púrpura,
e ao sol, serena solidão: o meu poema
Nenhum desejo – a breve fama, o amor urgente
Da fortaleza nasce um canto, ao mais profundo
Agradecida, à simples clara flor inclino-me
Viver reclusa e só, entregue a esta procura
é todo encontro superar em amor mais puro
como elevar-se entre montanhas basta ao pínus

.
和人次韵

喧喧朱紫杂人寰,
独自清吟日色间。
何事玉郎搜藻思,
忽将琼韵扣柴关。
白花发咏惭称谢,
僻巷深居谬学颜。
不用多情欲相见,
松萝高处是前山。

.
A partir de poema de um recém-aprovado
candidato ao serviço público, em luto
pela morte de sua mulher
.
(I)
.
Aos imortais perdem-se as coisas deste mundo
Outonos passam como apenas um momento
Fica às cobertas o calor do amor recente
Do papagaio à jaula o eco ainda circunda
O orvalho cobre as flores, rostos que se velam
O vento verga em sobrancelhas os chorões
Nuvens dissipam-se entre cores, tornam à sombra
Pan Yue1 lamenta e seu cabelo acolhe a neve

.
1 Pan Yue (247-300) foi um poeta da Dinastia Jin (265-316, Jin do
Oeste) famoso por sua beleza e pela poesia de luto e melancolia.
Seus “Três poemas para minha esposa morta” são particularmente
aclamados. Sobre ele se diz que, quando da morte da esposa, seu
cabelo tornou-se branco da noite para o dia. Sua história pessoal é
associada ao amor inconsolável diante da morte e entregue a um luto
infindável – em Yu Xuanji, há um sentido de entrada na imortalidade
pelo luto, que projetaria o amor para além “desta” vida.

.
和新及第悼亡诗二首
.
(一)
仙籍人间不久留,
片时已过十经秋。
鸳鸯帐下香犹暖,
鹦鹉笼中语未休。
朝露缀花如脸恨,
晚风欹柳似眉愁。
彩云一去无消息,
潘岳多情欲白头。

.
Uma alegoria
.
A primavera às flores de pêssego espalha-se
Em todo pátio à lua cintilam os salgueiros
Cá em cima estou, no quarto, perfeita a maquiagem
recém-vestida, à espera da noite, o silêncio
Ao lago sob as flores de lótus os peixes
Em volta do arco-íris revoam pardais
Tudo nesta vida é sonho, alegria ou pena
vêm-nos aos pares. Possa eu por fim acordar

.
寓言
.
红桃处处春色,
碧柳家家月明。
楼上新妆待夜,
闺中独坐含情。
芙蓉月下鱼戏,
螮蝀天边雀声。
人世悲欢一梦,
如何得作双成。

.
Inscrito em um pavilhão em meio à neblina
.
As flores na primavera, a lua de outono
entram à poesia. Nos claros dias e noites
habitam os deuses. Subo as cortinas, mantenho-as
todas abertas: a cama encare as montanhas.

.
题隐雾亭
.
春花秋月入诗篇,
白日清宵是散仙。
空卷珠帘不曾下,
长移一榻对山眠。



Ricardo Primo Portugal é escritor e diplomata, graduado em Letras pela UFRGS. Está completando sete anos vivendo e trabalhando na China, primeiro em Pequim, depois em Xangai e, a partir de 2010, em Cantão (Guangzhou). Publicou: DePassagens(Ameop, 2004), Arte do risco (SMCPA, 1992), entre outros. Foi co-organizador da edição bilíngue chinês-português Antologia poética de Mário Quintana (EDIPUCRS, 2007), primeiro livro de poeta brasileiro traduzido para o chinês, com o apoio do Consulado Geral do Brasil em Xangai. Em junho de 2011, saiu, pela UNESP, Poesia completa de Yu Xuanji, edição bilíngue da obra da poetisa clássica chinesa (Dinastia Tang), com traduções suas, em parceria com a esposa, Tan Xiao, primeira obra completa de poeta daquele país editada no Brasil, traduzida diretamente do original chinês. 
Ver: 
No final de 2011 publica, pela editora 7 Letras, [Zero a Sem], haicais Ver:

E-mail: 


Tan Xiao é graduada em Letras, com ênfase em língua inglesa e ensino das línguas inglesa e chinesa pela Universidade Zhong Nan, Changsha, Hunan, República Popular da China. Estudou português na UnB. Foi intérprete e tradutora português-chinês da Embaixada do Brasil em Pequim e trabalhou no escritório brasiliense da empresa Huawei. Atualmente, faz o mestrado em linguística na Universidade de Línguas Estrangeiras de Guangdong (“Guang Wai”, 广外).


Fonte 








26 abril 2026

RELEITURA AFRO-BRASILEIRA

ARTE AFRO-BRASILEIRA 
RELENDO LUÍZ 83

A releitura das obras de Luiz 83, especialmente em exposições como "Síntese da Forma" na Arte132, transforma a estética do pixo em volumetrias arquitetônicas, focando na paisagem urbana. O artista utiliza guache, nanquim e grafite para dar volume à letra “S”, criando um diálogo entre a bidimensionalidade da pintura e a tridimensionalidade dos edifícios. 

Segundo da Silva (2022), “Luiz 83 é o nome artístico de Luiz dos Santos Menezes. Luiz nasceu em 1983 na cidade de São Paulo, reside e trabalha nesta cidade. Autodidata, sua formação decorre da experiência adquirida nas ruas da cidade como “pichador” ou “grafiteiro”(?), atividade que ofereceu o princípio de um vocabulário plástico que vem sendo refinado a partir de pesquisas que o artista desenvolve com considerável grau de inventividade em meios mais convencionais, como o desenho, a pintura e a escultura. Sua experiência profissional como montador de exposições de arte também lhe oferece a oportunidade de permanecer em íntimo contanto com obras de caráter clássico e contemporâneo, oportunidade que resulta em conhecimento sensivelmente assimilado. Nas suas obras é possível perceber um concretismo de tipo bastante peculiar e sem dúvida sofisticado nas soluções formais e nos arranjos conceituais e de natureza POP, qualidade também percebida através de um cromatismo que em geral privilegia cores brilhantes de luminosidade intensa. O artista também tem se dedicado a performances onde coloca em questão o lugar social do negro e tematiza a relação do corpo com seu fazer artístico e interações com a cidade. O artista participou de várias mostras individuais e coletivas, entre quais se destacam a individual “Z” na galeria Tato e as coletivas “Tendências da Street Art no Museu Brasileiro de Escultura” e “Pretatitude: insurgências, emergências e afirmações na arte contemporânea afro-brasileira” que ocorreu nos SESC Ribeirão Preto, São Carlos, Vila Mariana e Santos”.


OBRAS DE LUIZ 83


Luiz 83. Da série “Composição_s / azul, amarelo, vermelho”, 2018, tinta acrílica sobre tela, 30×20×03,5cm / cada.

Luiz 83. Sem título. Acrílico sobre madeira. 30x32cm. 2013.

Luiz 83. “Cego”, da série “A flor da pele”, 2017, impressão sobre papel (fine arte), edição de 15 + 03, 40×60cm. (Gallina, 2023).

Imagem 1: Sem título, 2015/2022, escultura em bronze [ed. 2/5], 15,5 x 19 x 17 cm. Foto: Suzana Mendes. Imagem 2: Sem título, 2015, escultura em bronze [ed. 1/5], 20 x 12 x 17 cm. Foto: Suzana Mendes. (Gallina, 2023).


Imagem 1: Sem título, 2014, guache e nanquim sobre papel, 29,7 x 21 cm. Foto: Suzana Mendes. Imagem 2: Sem título, 2014, guache e nanquim sobre papel, 29,7 x 21 cm. Foto: Suzana Mendes. 
(Gallina, 2023).




Luiz 83. Imagem à esquerda: Sem título, 2015, guache e nanquim sobre papel, 29,7 x 21 cm. Foto: Suzana Mendes. Imagem à direita: Sem título, 2015, guache e nanquim sobre papel, 29,7 x 21 cm. Foto: Suzana Mendes. (Gallina, 2023).

Sem título, 2014, guache e nanquim sobre papel, 21 x 29,7 cm. Foto: Suzana Mendes. (Gallina, 2023).

Imagem à esquerda: Sem título, 2014, guache e nanquim sobre papel, 21 x 29,7 cm. Foto: Suzana Mendes. Imagem à direita: Sem título, 2014, guache e nanquim sobre papel, 21 x 29,7 cm. Foto: Suzana Mendes. (Gallina, 2023).

Principais Aspectos da Releitura/Obra de Luiz 83

Pixo como Estrutura: As letras típicas do pixo paulistano são estilizadas e massificadas, simulando edificações.

Paisagem Urbana: A superfície do papel ou tela remete ao muro e à empena cega, com o suporte tornando-se o tema da obra.

Volumetria e Cor: O uso de grafite cria volume (como na obra Fortaleza, 2022), enquanto cores vibrantes (características POP/concretistas) são aplicadas.

Contexto: O trabalho investiga o lugar social do negro, o corpo e as interações com a cidade, refinando a experiência das ruas. 

Luiz 83 (Luiz dos Santos Menezes), nascido em SP em 1983, transita entre a street art e o ambiente de galeria, tendo participado de exposições no MAM-SP e no MuBE.




Fonte















24 abril 2026

TORSO ARCAICO DE APOLO

TORSO ARCAICO DE APOLO

Torso de Mileto (480-470 a.C.) (X)

O torso de Mileto (c. 480–470 a.C.) no Louvre.
Essa obra clássica grega tem sido sugerido como possível tema do poema de Rilke. (WP).

Mármore, 132 x 76,5 x 43 cm, Mileto, estilo neoclássico “severo”, Museu do Louvre, Paris. Este torso clássico inspirou o soneto “Torso Arcaico de Apolo” de Rilke (1).


O chamado “Torso de Mileto” (c. 480–470 a.C.), atualmente conservado no Museu do Louvre, tem sido frequentemente apontado pela crítica como uma possível referência material para o poema “Torso Arcaico de Apolo” (Archaïscher Torso Apollos), de Rainer Maria Rilke. Essa hipótese foi proposta, entre outros, pelo arqueólogo Ulrich Hausmann, embora não haja consenso definitivo sobre a identificação exata da escultura que inspirou o poeta (1).

Publicado em 1908 na coletânea “Novos Poemas” (Neue Gedichte), o soneto inaugura a segunda parte da obra e estabelece um diálogo estrutural e temático com o poema “Apolo Antigo” (Früher Apollo), que abre a primeira parte. Ambos os textos participam de um projeto estético mais amplo de Rilke, influenciado pela escultura moderna, especialmente a de Auguste Rodin, no qual o poeta busca conferir autonomia ontológica ao objeto artístico descrito (2).

Do ponto de vista formal e retórico, o poema constitui um exemplo de écfrase, “ekphrasis”, isto é, a descrição literária de uma obra de arte visual. Nele, a contemplação de um torso fragmentado de uma estátua arcaica de Apolo não se limita à representação passiva do objeto, mas produz uma experiência perceptiva intensificada: mesmo na ausência da cabeça, a escultura preserva uma potência expressiva capaz de sugerir a totalidade perdida (1).

A crítica literária enfatiza que essa operação estética reflete uma concepção segundo a qual o fragmento pode conter, em si, a plenitude do todo, ideia coerente com a reflexão de Rilke sobre a escultura, segundo a qual cada parte do corpo pode adquirir autonomia expressiva e vitalidade própria (1*). Assim, o poema não apenas reconstrói imaginativamente a estátua original, mas também transforma o observador: a obra “olha de volta” para o sujeito, culminando no célebre imperativo ético-estético “tu deves mudar tua vida” (Du mußt dein Leben ändern) (3).

Nesse sentido, o texto de Rilke ultrapassa a mera descrição e assume uma dimensão filosófica, articulando estética, fenomenologia e ética. A obra de arte, longe de ser objeto passivo, torna-se agente de interpelação existencial, redefinindo a relação entre sujeito e mundo, princípio central da poética rilkeana e da modernidade literária.

***

O torso de Mileto (c. 480–470 a.C.) no Louvre foi sugerido como tema do poema.
“Torso Arcaico de Apolo” (alemão: Archaïscher Torso Apollos) é um soneto do escritor austríaco Rainer Maria Rilke, publicado na coletânea Novos Poemas em 1908. Ele abre a segunda parte da coletânea e é uma peça complementar a “Apolo Antigo”, que abre a primeira parte. O poema descreve as impressões transmitidas pelo torso sobrevivente de uma estátua arcaica, que para o poeta cria uma visão de como a estátua intacta deveria ter sido.(WP)

“Torso Arcaico de Apolo” é um soneto com o esquema de rimas AbbA CddC EEf GfG. Trata-se de uma écfrase, um gênero retórico da Grécia Antiga que descreve objetos inanimados, de uma escultura grega arcaica de Apolo, da qual restam apenas o torso e a região da virilha (região pubiana). 
O poema argumenta que, embora a cabeça esteja faltando, as características do corpo remanescente dão uma ideia de como a estátua completa deveria ter sido. Essa impressão cria uma sensação de estar sendo observado e uma necessidade de mudar a própria vida.(WP)


Sobre o poeta Rainer Maria Rilke

Rainer Maria Rilke, nascido René Karl Wilhelm Johann Josef Maria Rilke, foi um dos mais influentes poetas e romancistas de língua alemã do início do século XX. Ele é amplamente reconhecido por sua poesia lírica intensa, mística e pela prosa sensível, sendo considerado um pilar da literatura moderna. 
Rilke nasceu em 4 de dezembro de 1875, em Praga, na época pertencente ao Império Austro-Húngaro (atual República Tcheca). Passou por uma infância difícil, incluindo um tempo em uma academia militar, que posteriormente abandonou. Estudou literatura e arte em Praga, Munique e Berlim. Foi um viajante inveterado, vivendo na Rússia, França, Espanha e, finalmente, na Suíça, onde faleceu de leucemia em 29 de dezembro de 1926.

Principais obras
Destacam-se as Elegias de Duino, Sonetos a Orfeu, o romance Os Cadernos de Malte Laurids Brigge e o clássico Cartas a um Jovem Poeta. 

Importância de Rilke para a contemporaneidade 

A obra de Rilke continua extremamente relevante hoje, quase 100 anos após sua morte, devido a vários fatores: 

Filosofia da Solidão e Introspecção
Em um mundo digitalmente hiperconectado e superficial, Rilke valoriza a solidão como um espaço necessário para a autodescoberta e a criatividade.

Transformação do Sofrimento
Ele ensinou a encarar a tristeza e as perdas não como fraquezas, mas como forças transformadoras e componentes essenciais da experiência humana.

Atenção ao Invisível e ao Cotidiano
Sua poesia convida a frear o ritmo frenético da vida moderna para observar os detalhes e o "invisível" que se esconde sob as aparências.

Espiritualidade Moderna
Rilke oferece uma perspectiva espiritual que ressoa com a sensibilidade contemporânea, focada na busca de sentido em um mundo secularizado.

“Cartas a um Jovem Poeta”
Esta obra permanece um guia espiritual e artístico, focando na coragem de viver as próprias perguntas em vez de buscar respostas prontas. 

Seu legado no Brasil é significativo, com traduções de nomes como Manuel Bandeira e Cecília Meireles, reafirmando sua voz como a de alguém que “anunciou o fim dos tempos modernos” e permanece atual.


Fontes

“Archaic Torso of Apollo”

Archaic Torso of Apollo
Encyclopedia.com

On \ Archaic Torso of Apollo\ 
Academy of American Poets

Encontrei esse post em inglês no X e traduzo para vc 
(descartei as partes já contemplarás no meu texto). 

Torso de Mileto (480-470 a.C.) (X)

O torso de Mileto (480–470 a.C.)

“Não podemos conhecer sua cabeça lendária com olhos como frutos que amadurecem. E, no entanto, seu torso ainda está inundado de brilho vindo de dentro, como uma lâmpada, na qual seu olhar, agora reduzido a brasa, resplandece em toda a sua potência. De outro modo, o peito curvado não poderia ofuscar-te assim, nem um sorriso percorrer os quadris e coxas plácidos até aquele centro escuro onde a procriação flamejava.

De outro modo, esta pedra pareceria desfigurada sob a cascata translúcida dos ombros e não reluziria como a pelagem de uma fera: não explodiria, de todos os seus limites, como uma estrela: pois aqui não há lugar algum que não te veja. 
Tens de mudar de vida."

Rilke havia discutido a relação entre o fragmento e o todo em textos em prosa, notadamente em referência às esculturas de Auguste Rodin, escrevendo que “Rodin sabe que o corpo consiste em tantas etapas para a manifestação da vida... e ele tem o poder de conferir a qualquer parte... a independência e a completude de um todo”. A segunda parte de Novos Poemas contém uma dedicatória a Rodin, logo antes de “Torso Arcaico de Apolo”, e o poema foi interpretado como um tributo a Rodin.

“Apolo Inicial” e “Torso Arcaico de Apolo” funcionam como peças complementares por seus papéis como poemas de abertura, descrições de estátuas de Apolo e similaridades temáticas. O estudioso Charlie Louth escreve que seus respectivos adjetivos são complementares, onde “inicial” torna-se uma promessa sobre a poesia que virá, e “arcaico” refere-se a uma restauração de algo original e completo, o que, segundo Louth, o poema alcança apesar do estado fragmentário da estátua que o inspirou. De acordo com Louth, “Apolo Inicial” cria antecipação e “Torso Arcaico de Apolo” exige que o leitor contribua para um novo começo que possa igualar a realização de plenitude do poema, como expresso em sua frase final: “tens de mudar de vida”.

O filósofo Peter Sloterdijk usou o verso final de “Torso Arcaico de Apolo” no título de seu livro Tens de Mudar de Vida, publicado em 2009. Segundo Sloterdijk, o verso expressa um “imperativo absoluto, o comando metanoético por excelência”.

Não se sabe ao certo qual estátua Rilke tinha em mente quando escreveu “Torso Arcaico de Apolo”. O arqueólogo Ulrich Hausmann argumentou em 1947 que o tema do poema era o torso de Mileto (480–470 a.C.), uma escultura de um jovem no Louvre. O estudioso de literatura Paul Böckmann argumentou que isso é improvável e sugeriu outras possibilidades.


VOCÊ DEVE MUDAR SUA VIDA
Du mußt dein Leben ändern.
You must change your life.



Torso arcaico de Apolo
Rainer Maria Rilke, 1875 - 1926

Não sabemos como era a cabeça, que falta,
de pupilas amadurecidas. Porém
o torso arde ainda como um candelabro e tem,
só que meio apagada, a luz do olhar, que salta

e brilha. Se não fosse assim, a curva rara
do peito não deslumbraria, nem achar
caminho poderia um sorriso e baixar
da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.

Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
pedra, um desfigurado mármore, e nem já
resplandecera mais como pele de fera.

Seus limites não transporia desmedida
como uma estrela; pois ali ponto não há
que não te mire. Força é mudares de vida.

(Tradução de Manuel Bandeira)



Não conhecemos sua cabeça inaudita
Onde as pupilas amadureciam. Mas
Seu torso brilha ainda como um candelabro
No qual o seu olhar, sobre si mesmo voltado

Detém-se e brilha. Do contrário não poderia
Seu mamilo cegar-te e nem à leve curva
Dos rins poderia chegar um sorriso
Até aquele centro, donde o sexo pendia.

De outro modo erguer-se-ia esta pedra breve e mutilada
Sob a queda translúcida dos ombros
E não tremeria assim, como pele selvagem.

E nem explodiria para além de todas as suas fronteiras
Tal como uma estrela. Pois nela não há lugar
Que não te mire: Precisas mudar de vida.





VOCÊ DEVE MUDAR SUA VIDA
Du mußt dein Leben ändern.
You must change your life.


Archaic Torso of Apollo
Rainer Maria Rilke, 1875 - 1926

We cannot know his legendary head 
with eyes like ripening fruit. And yet his torso 
is still suffused with brilliance from inside, 
like a lamp, in which his gaze, now turned to low,

gleams in all its power. Otherwise 
the curved breast could not dazzle you so, nor could 
a smile run through the placid hips and thighs 
to that dark center where procreation flared.

Otherwise this stone would seem defaced 
beneath the translucent cascade of the shoulders 
and would not glisten like a wild beast’s fur:

would not, from all the borders of itself, 
burst like a star: for here there is no place 
that does not see you. You must change your life.




We cannot know his legendary head 
with eyes like ripening fruit. And yet his torso 
is still suffused with brilliance from inside, 
like a lamp, in which his gaze, now turned to low,

gleams in all its power. Otherwise 
the curved breast could not dazzle you so, nor could 
a smile run through the placid hips and thighs 
to that dark center where procreation flared.

Otherwise this stone would seem defaced 
beneath the translucent cascade of the shoulders 
and would not glisten like a wild beast’s fur:

would not, from all the borders of itself, 
burst like a star: for here there is no place 
that does not see you. You must change your life.


































TORSOS GREGOS E ROMANOS 






























TORSOS APROPRIAÇÕES DA REDE MUNDIAL 

Apolo no banho

O torso na floresta 

Torso respirando


Torso na academia

Torso posando

Torso ventilando

Torso esquecido no cume de uma montanha

Torso apreciando a vista do Olimpo

Torso reclinado

Torso

Torso manifestando seu amor por Yacinth (Jacinto)

Torso ao anoitecer

Torso látego-dorsal

Torso tentando olhar pela janela

Torso passeando de barco

Torso contemporâneo em movimento


OUTROS



















Sugestão de sites para aprofundamento dessa matéria.