INÍCIO

05 agosto 2025

PATRIOTAS E TRAIDORES

PAÍS SOB ATAQUE
PATRIOTAS E TRAIDORES 
NO BRASIL NEOLIBERAL 

Militarismo e fundamentalismo alimentam guerra contra a soberania, mas despertam identidade nacional-popular

É imperativo vital arrancar a nossa bandeira das mãos dos patriotas traidores para limpá-la da desonra impatriota de traição dos interesses coletivos nacionais.

Impatriota, sem acento gráfico. Trata-se de um derivado prefixal de patriota: im- + patriota, conforme regista o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, que o define como o mesmo que «que ou aquele que não ama a pátria ou não demonstra patriotismo» (ver também Infopédia e Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).(iCiberdúvidas da Língua Portuguesa).





05.AGO.2025

PORTO ALEGRE (RS)
Artigo RONALDO QUEIROZ DE MORAIS (1)

"A águia norte-americana cravou suas garras novamente no Brasil" 
Foto: Alan Santos /PR

Faço uma leitura da pertença identitária nacional perante os últimos ataques advindos da Nação-império Americana contra a soberania brasileira a partir de Mark Twain no afã de navegar com segurança sobre o mar significante da palavra “patriota”. Isto é, reporto-me ao autor norte-americano que teceu crítica social e política aos laços patrióticos belicosos reproduzidos por ideologia imperialista, que arrasta, inexoravelmente, nações para a guerra em benefício do sacrossanto capital. Posto que o patriotismo imperante é produto direto do imperialismo que arrasta as massas ao campo de batalha. Ele refuta a utilização do espírito patriota para fazer a guerra imperialista norte-americana ao afirmar: “Eu me recuso a aceitar que a águia crave suas garras em outras terras”.

Na conjuntura imediata, a águia norte-americana cravou suas garras novamente no Brasil e a reação predominante foi, surpreendentemente, a de retomada da chama nacional-popular registrada nos editoriais de jornais tradicionais e nas pesquisas de opinião. A Pátria em perigo – sob ataque de Trump – produziu importante despertar da identidade nacional-popular. Ao que tudo indica, estamos diante de um novo horizonte de luta política progressista baseado no nacional-popular – projeto de Brasil destruído pelo golpe militar de 1964 – que é fundamental retomar para a defesa e o desenvolvimento do país. Não é Donald Trump que deve – como imperador – decretar o que é o melhor para o Brasil, mas os brasileiros identificados com a soberania e independência da nação.

Nada de novo no front, perante o ataque, o patriota bolsonarista postou-se como traidor dos interesses nacionais. O movimento de defesa da soberania nacional não teve a adesão do patriota verde-amarelo, uma vez que ele representa adesão patriótica servil e abstrata com fortes raízes coloniais. Diante das sanções de Donald Trump à soberania brasileira, a postura dos representantes da extrema direita foi de completa alienação identitária-nacional. Ou melhor, o bolsonarismo retratou política impatriota com manifestações públicas de adesão à águia imperialista. É a exibição do patriotismo degenerado, fenômeno impossível de explicar descolado do impacto da dominação colonial e do efeito nocivo de décadas neoliberais de privatização do público e de enfraquecimento das instituições de bem-estar social.

Sujeito neoliberal imagina a liberdade como lógica de mercado

No imperialismo de expressão neoliberal, há forças de coerção e consentimento que operam no interior das nações e impõem políticas, amiudadamente, contrárias aos interesses nacionais. Em verdade, os interesses nacionais dissolveram-se nas últimas décadas. A privataria brasileira de FHC e o bolsonarismo fazem parte de um mesmo movimento, inclusive refletem o mesmo desejo político eleitoral. Em suma, o sujeito neoliberal totalmente submisso à ordem do capital que imagina a liberdade como lógica de mercado e desconfia da política coletiva dos partidos, sindicatos e movimentos sociais compõe a massa de soldados impatriotas do tempo presente.

Mark Twain nos apresenta dois tipos de patriotismo, o de caráter servil que postula a submissão incondicional à Pátria, ou seja, o patriotismo como abstração preso aos símbolos castrenses, monárquicos e imperialistas; e outro republicano, baseado na livre manifestação de pensamento, na soberania popular e, sobretudo, na postura anti-imperialista. É na contextura de ameaça nacional ou de postura imperialista que se manifesta o patriotismo servil contrário ao interesse nacional e, também, o patriotismo anti-imperialista de defesa da soberania da Pátria. 
O primeiro pode ser sintetizado para nós na expressão “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, isto é, no alinhamento servil e colonial. Diferentemente da identidade verdadeiramente nacional e republicana que é acionada quando a soberania do país está em jogo por ameaça externa. É uma luta popular em defesa do interesse comum e da independência nacional.

O escritor norte-americano vivenciou a criação das bases belicosas das Nações-império, conjuntura de incremento do militarismo e de preparação à Guerra Total. A contextura era de patriotismo pernicioso, em que o fanatismo nacional ameaçava a civilização moderna. E é essa tipologia patriótica que hoje retorna e ameaça as nações e a paz mundial. Nosso tempo, sem dúvida, é de litígio militar e de guerra por todos os meios. Portanto, é um momento oportuno para ajustar a coesão política interna à defesa nacional, dado que a extrema direita no estágio escatológico – de iminente guerra nuclear e de acidente climático – ameaça objetivamente a existência planetária.

Nação-império arrasta os seres vivos para o fim

Concretamente, diferente da crise cívica vivida por Mark Twain, quando o imperialismo apresentava suas garras de águia, o século XXI marca uma crise civilizacional e planetária profunda, momento no qual a Nação-império arrasta, irresponsavelmente, os seres vivos para o fim. Ele é suicidário e concentra potência de destruição jamais existente na história.

Instrutivamente, em face da contaminação ideológica da palavra, qualifico o esforço de defesa da nação como movimento nacional-popular, deixando aos traidores da soberania brasileira a reputação xenófoba do fervor “patriota”, pois no Brasil o patriotismo, grosso modo, é o refúgio de ódio ao povo, igualmente, do golpismo e da transferência da riqueza nacional à Nação-império. Não há império sem seu outro subalterno, o território colonial sujeitado. Nele emerge um tipo específico de patriota, de consciência colonial e serviçal ao poder norte-americano. É por isso que há uma diferença tênue na gramática política brasileira que dificulta a identificação e o discernimento entre patriotas e traidores.




Em substância, os nossos patriotas de extrema direita imaginam a Pátria como prolongamento do poder da Nação-império, tendo em conta que resistem à construção de uma nação livre, multicultural e popular. Mark Twain afirma que a alma e a substância do patriotismo servil é a covardia moral. De fato, a descarga de violência simbólica e material dos patriotas está centrada nos grupos sociais marginalizados e nos povos miseráveis ou sitiados pelo poder militar das Nações-império. Palavras do autor: “Em qualquer crise cívica grave e perigosa, o rebanho não se preocupa com os erros e acertos da questão, anseia apenas por ficar do lado vencedor”. Nesse sentido, faz parte da lógica do patriotismo servil – tanto o de matriz imperialista como o de inclinação colonial – a covardia moral. Os patriotas do Norte e os do Sul defendem a mesma pauta imoral, visto que são corpos de carne branca produzidos pela mesma matéria-prima social.

Efetivamente, há duas cartografias da nação brasileira, uma que insiste em encontrar novas margens de esperança e outra que impõe traços violentos de retorno à lúgubre paisagem de dominação colonial. Em realidade, o bolsonarismo que ameaça o Estado Democrático de Direito é parte das contradições da modernidade dos trópicos, dessa subserviência colonial à Nação-império posta como política patriota. De forma que o interesse nacional da Pátria Amada não deve colidir com a vontade política do Império Americano.

Declaração de hiperguerra

O tirano do Norte não aplicou sua força imperial porque é angelical e sentimental com o réu Bolsonaro, mas porque a posição do Brasil nos BRICS ameaça os interesses americanos na região. Os Estados Unidos, além de proxy war, também fazem patriotismo por procuração. A imagem pública de lideranças de extrema direita fazendo uso ostensivo do boné vermelho “Make America Great Again”, de Trump, ilustra a subjetividade patriótica neoliberal.

A absurda política de taxação às exportações do Brasil e o aparente recuo devem ser interpretados como uma declaração de hiperguerra ao Estado brasileiro, que consiste antes no disparo de ameaças nas redes sociais para provocar o agenciamento da emoção pública ao fenômeno pânico do que combate tradicional com uso de armas convencionais. O retorno à extrema direita bolsonarista ao poder político, objetivamente, recolocará o Brasil sob o campo de domínio norte-americano.

Militarismo e fundamentalismo religioso

O patriota de carne e osso que veste verde-amarelo nas ruas e nas infovias digitais compõe um quadro de subjetividade singular, de importante ruptura com as marchas nacionalistas e anticomunistas do século passado. É rebento de décadas de neoliberalismo no país. Logo, não é o Estado-nação que cativa o afeto dos patriotas raivosos, já que expressam patriotismo de pertencimento ao mercado hegemônico. O Estado mínimo de bem-estar social produziu um sujeito novo, completamente cético acerca da importância de política pública como vetor de transformação da realidade brasileira. Não é tudo. O patriota ainda carrega uma longa tradição com raízes profundas no militarismo e no fundamentalismo religioso. Não há mito político de extrema direita distante do adestramento belicoso da sociedade e do jogo sagrado da fé. Afinal, Bolsonaro e Trump são percebidos como mito porque foram salvos por Deus, após o fracasso do Estado como escudo de proteção aos presidenciáveis.

A forte concentração do rebanho patriota na esfera militar e religiosa, quer dizer, na população de personalidade autoritária, registra um perfil dominante. Mark Twain vivenciou os primeiros passos do horror desse patriotismo pernicioso e resistiu com as armas da crítica para proteger a bandeira norte-americana da desonra, abrindo trilhas de luta e cidadania. Imagino que devemos arrancar a nossa bandeira das mãos dos patriotas traidores para limpá-la da desonra impatriota de traição dos interesses coletivos nacionais.









































Donald Trump, presidente dos EUA. 
Foto: Alan Santos /PR.

Ronaldo Queiroz de Morais é doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP).


04 agosto 2025

SUTRA DO DIAMANTE

SUTRA DO DIAMANTE 

“Assim como uma estrela cadente, um reflexo, uma chama, um eco, uma gota orvalho ou uma bolha de sabão, um sonho, um relâmpago ou uma nuvem, assim devem ser vistos todos os fenômenos condicionados.”
(Sutra do Diamante)


O Sutra do Diamante: O livro impresso mais antigo do mundo 
e a sabedoria que corta as ilusões

O Sutra do Diamante (Vajracchedikā Prajñāpāramitā Sūtra) é um dos textos mais profundos e reverenciados do Budismo Mahayana. Como um diamante que corta através da ilusão, ele revela a natureza vazia e impermanente de todos os fenômenos, desfazendo nossas percepções distorcidas da realidade. Sua mensagem central é clara: tudo o que percebemos como sólido e permanente é, na verdade, transitório como um sonho, frágil como uma bolha, fugaz como um relâmpago. 

Uma relíquia histórica: O Livro impresso mais antigo do mundo 

Enquanto muitos acreditam que a Bíblia de Gutenberg (impressa em 1455, na Alemanha) foi o primeiro livro impresso, na verdade, esse título pertence ao Sutra do Diamante. Em 1907, o arqueólogo húngaro-britânico Marc Aurel Stein descobriu, nas cavernas de Dunhuang (noroeste da China), um pergaminho impresso em xilogravura datado de 868 d.C., 587 anos antes da invenção de Gutenberg. 
Esse tesouro foi preservado por mais de mil anos em uma das “Cavernas dos Mil Budas”, um complexo de grutas seladas que guardavam manuscritos, pinturas e artefatos budistas. Hoje, essa preciosidade está guardada na Biblioteca Britânica, sendo não apenas um marco espiritual, mas também um testemunho da avançada tecnologia de impressão da China medieval. 

A Sabedoria do Sutra: Tudo é ilusão 

O Sutra do Diamante ensina que a realidade que experienciamos é uma construção mental, uma teia de conceitos e apegos. Um de seus versos mais famosos declara: 

“Todos os fenómenos condicionados são como sonhos, ilusões, bolhas e sombras, como orvalho e relâmpago; Devemos contemplá-los desta forma.”

Essa passagem resume a essência do sutra: nada na existência possui uma natureza fixa e independente. Nossos sofrimentos, desejos e até mesmo nossa noção de “eu” são projeções mentais que podem ser dissolvidas através da sabedoria (prajñā). 

Por que Ele é Chamado de “Diamante”? 

Assim como um diamante é capaz de cortar qualquer material, o Sutra do Diamante “corta” as ilusões que nos mantêm presos no ciclo de sofrimento (samsara). O conhecimento contido no livro revela que: 

O mundo é impermanente  
Tudo muda, nada permanece, tudo flui. 
O “eu” é vazio 
Nossa identidade fixa é uma ilusão. 
O apego é a raiz do sofrimento 
Quando entendemos que tudo é transitório, nos libertamos. 

Um Legado que atravessa séculos

Mais do que um registro histórico, o Sutra do Diamante continua a inspirar praticantes do budismo e estudiosos da filosofia oriental. Sua descoberta em Dunhuang não só reescreveu a história da impressão, mas também nos lembra que o conhecimento espiritual e tecnológico do passado ainda tem muito a nos ensinar. Seja como objeto de devoção, estudo acadêmico ou reflexão pessoal, o Sutra do Diamante permanece como um farol de sabedoria — um diamante que, mesmo após mais de mil anos, ainda corta as ilusões que nos cegam. 

“Assim como uma estrela cadente, um reflexo, uma chama, um eco, uma gota orvalho ou uma bolha de sabão, um sonho, um relâmpago ou uma nuvem, assim devem ser vistos todos os fenômenos condicionados.”
(Sutra do Diamante)


Sutra do Diamante

Sutra do Diamante

História 

Em 1907, um monge do deserto abriu uma caverna selada há mil anos e encontrou um livro impresso mais antigo que Gutenberg, mais antigo que Chaucer, mais antigo que a própria memória. A caverna fazia parte das Grutas de Mogao, um labirinto de templos budistas e câmaras pintadas, esculpidas nos penhascos ao longo da Rota da Seda. 

Aurel Stein ouvira rumores sobre uma biblioteca oculta, trancada e há muito esquecida. Lá dentro, ele encontrou o Sutra do Diamante: um rolo de 5 metros, impresso em 868 d.C., com cada caractere entalhado à mão em blocos de madeira. Seu frontispício mostrava o Buda ensinando seus discípulos; suas linhas finais foram dedicadas por Wang Jie em homenagem a seus pais. Um único livro, esperando em silêncio por mil anos, para falar. 

Sutra do Diamante foi originalmente escrito em sânscrito, um idioma antigo do norte da Índia, e posteriormente traduzido para o chinês. A versão chinesa mais antiga, datada de 868 d.C., foi descoberta entre os manuscritos de Dunhuang e é considerada o livro impresso completo mais antigo do mundo. O texto descreve um diálogo entre o Buda e um de seus discípulos, Subhuti, sobre a natureza da realidade e a perfeição da sabedoria. título completo, “O Diamante que Corta através da Ilusão”, reflete o tema central do sutra. O texto desafia nossa percepção da realidade: “Pensamos que existimos como indivíduos, mas não existimos. Na verdade, estamos em um estado de completa não-dualidade: não há indivíduos, não há seres sencientes”.

O “diamante” no título simboliza a capacidade do sutra de cortar através da ilusão da existência individual, assim como um diamante pode cortar através de qualquer material. Este conceito de não-dualidade é fundamental para a filosofia budista Mahayana. Sugere que as distinções aparentes que percebemos no mundo – entre o eu e o outro, sujeito e objeto, existência e não-existência – são, em última análise, ilusórias. O sutra visa guiar o leitor para uma realização direta desta realidade não-dual.

Na cultura de Wang Jie, copiar as palavras do Buda era considerado um ato meritório; os monges provavelmente cantavam o sutra regularmente a partir do pergaminho. Esta prática contribuiu para o desenvolvimento inicial da impressão na China, já que, se você imprimir múltiplas cópias do texto, fatalmente você disseminará a palavra do Buda mais amplamente, e assim acumulando mais mérito. Os budistas rapidamente reconheceram o potencial da tecnologia de impressão para este propósito.

O ato de encomendar tal texto era visto como uma forma de gerar “bom karma” (dharma) não apenas para si mesmo, mas também para os membros da família, tanto vivos quanto falecidos. Isso explica por que Wang Jie dedicou a impressão a seus pais, uma prática comum nas culturas budistas.

O Sutra do diamante teve uma profunda influência no pensamento e prática budistas, particularmente no Leste Asiático. Seus ensinamentos sobre desapego e a natureza ilusória dos fenômenos moldaram o Budismo Zen (Chan) e continuam a ser estudados e contemplados pelos praticantes até hoje.

Além de seu significado religioso, o status do Sutra do diamante como o livro impresso datado mais antigo o torna um artefato crucial na história da comunicação humana e disseminação do conhecimento. Ele se destaca como um testemunho do estado avançado da tecnologia de impressão chinesa no século IX e o importante papel que as instituições budistas desempenharam no desenvolvimento e disseminação desta tecnologia.

Em suma, o Sutra do diamante é o encontro da moderna tecnologia (de sua época) com os saberes ancestrais, pois, só assim seria possível que a Palavra fosse expandida. Se você acha que isso é pouco ou não tão importante, lembre-se que a larguíssima maioria de textos produzidos na Antiguidade se perdeu nos éons do Tempo, e o prognóstico de encontrarmos estes textos é praticamente nula. Felizmente, senhores, os chineses tinham a tecnologia.


Língua e Tradução
O Sutra do Diamante, originalmente em sânscrito, foi traduzido para o chinês, tornando-se um texto fundamental no budismo Mahayana do leste asiático.

Conteúdo
O texto aborda a natureza ilusória do mundo material e a importância de transcender as categorias racionais para alcançar a iluminação. 

Formato
O Sutra do Diamante apresenta-se como um diálogo, com o Buda respondendo às perguntas de Subhuti sobre temas como a vacuidade, a impermanência e a natureza da realidade. 

Impressão
A cópia mais antiga, datada de 868 d.C., foi impressa em blocos de madeira na China e é um pergaminho de aproximadamente 5 metros de comprimento. 

Importância
O Sutra do Diamante é considerado um texto central no budismo Mahayana e tem sido amplamente estudado e recitado ao longo dos séculos. 


História do Sutra do Diamante 
Vajracchedikā Prajñāpāramitā Sūtra

Descoberta Arqueológica

Em 1907, o explorador húngaro-britânico Aurel Stein descobriu uma cópia do Sutra do Diamante nas Grutas de Mogao (Dunhuang, China). 

O texto, impresso em 868 d.C., é o livro impresso datado mais antigo do mundo, precedendo a Bíblia de Gutenberg em quase 600 anos. 

Foi criado usando xilogravura (blocos de madeira entalhados), uma técnica revolucionária para a época. 


Significado do Sutra

Pertence ao gênero Prajñāpāramitā (Perfeição da Sabedoria) do Budismo Mahayana. 

Ensinamentos centrais

A impermanência (anicca) e a vacuidade (śūnyatā) de todos os fenômenos. 

A famosa passagem: “Tudo que é condicionado é como um sonho, uma ilusão, uma bolha de espuma.”


Contexto histórico

Impresso durante a Dinastia Tang (século IX), uma era de florescimento cultural e religioso na China. 

A dedicatória de Wang Jie revela a prática budista de transferência de mérito para os pais falecidos. 


Legado

- Hoje, o manuscrito está preservado na British Library (Londres). 

- Simboliza a fusão de tecnologia, arte e espiritualidade na Ásia medieval. 



Fontes / Curiosidades
O Sutra do Diamante faz parte dos Prajñāpāramitā Sutras (ensinamentos sobre a perfeição da sabedoria). 
A cópia de 868 d.C. tem uma inscrição indicando que foi impressa "para livre distribuição", mostrando o valor dado ao compartilhamento do Dharma. 
Dunhuang era um ponto crucial da Rota da Seda, onde culturas budistas, chinesas e tibetanas se encontravam.





Referências

1. Whitfield, R. (2004). The Silk Road: Trade, Travel, War and Faith. British Library. 

2. Stein, A. (1921). Serindia: Detailed Report of Explorations in Central Asia. Oxford University Press. 

3. Kornicki, P. (2018). Languages, Scripts, and Chinese Texts in East Asia. Oxford University Press.





(Continuará…)


















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