INÍCIO

14 junho 2025

HISTÓRIA E ORGULHO

IMAGENS VINTAGE E ORGULHO


A História do Amor Homoafetivo: 
Uma Jornada Através dos Séculos

A ideia de que a homossexualidade e as relações homoafetivas são "coisas de agora" é um mito que ignora milênios de história. Desde as civilizações antigas até os dias atuais, o amor entre pessoas do mesmo sexo sempre existiu, embora tenha sido registrado, reprimido ou celebrado de formas diferentes em cada época. 

1. Antiguidade: A Homoafetividade nas Civilizações Clássicas
Na Grécia Antiga, relações entre homens eram socialmente reconhecidas, especialmente no contexto pedagógico e militar. Filósofos como Platão, em O Banquete, discutiram o amor entre homens como uma forma elevada de afeto. Em Esparta, guerreiros formavam laços profundos, chamados de philia (amizade amorosa), considerados essenciais para a coragem em batalha. 

Já na Roma antiga, imperadores como Adriano (que amava Antínoo) e poetas como Cátulo escreveram sobre paixões homoafetivas. No entanto, a sociedade romana valorizava mais o papel ativo ou passivo na relação do que a orientação sexual em si. 

2. Culturas Não-Europeias e a Homoafetividade
• No Japão feudal, os samurais praticavam o shudō (o caminho dos jovens), relações entre guerreiros mais velhos e aprendizes. 

• Na Índia antiga, textos como o Kama Sutra (século III) mencionam a homossexualidade sem condenação moral. 

• Entre os povos indígenas das Américas, muitas tribos reconheciam pessoas de dois espíritos (Two-Spirit), que desempenhavam papéis sociais e espirituais além do gênero binário. 

3. A Repressão Religiosa e a Perseguição
Com a ascensão do Cristianismo e do Islã na Idade Média, as relações homoafetivas passaram a ser criminalizadas. A Igreja Católica condenava a "sodomia" (termo usado para relações homossexuais), e muitos países adotaram leis punitivas. 

Na Europa medieval e renascentista, mesmo com a perseguição, registros mostram casos de amor entre pessoas do mesmo sexo, como as cartas passionais da monja portuguesa Soror Mariana Alcoforado ou a relação entre Rainha Cristina da Suécia e suas damas de companhia. 

4. Séculos XIX e XX: A Patologização e a Resistência
No século XIX, a medicina passou a classificar a homossexualidade como "doença", influenciando leis e preconceitos. No entanto, movimentos começaram a surgir: 
1869: O termo "homossexualidade" é cunhado pelo médico húngaro Karoly Maria Benkert. 

• 1897: Surge o Comitê Científico-Humanitário, na Alemanha, primeira organização a defender direitos LGBT+. 

• 1928: O livro “O Poço da Solidão”, de Radclyffe Hall, desafia a censura ao retratar amor lésbico. 
• 1969: A Revolta de Stonewall (1969), nos EUA, marcou o início do movimento LGBT+ moderno, com protestos contra a violência policial. 

5. Século XXI: Reconhecimento e Luta Contínua
Nas últimas décadas, conquistas como o casamento igualitário (legalizado em vários países desde os anos 2000), a retirada da homossexualidade da lista de doenças pela OMS (1990) e a maior representação na mídia mostram avanços. No entanto, a violência e o preconceito ainda persistem em muitas regiões. 

A homoafetividade não é "moda" nem "invenção recente", é uma parte intrínseca da história humana. Das pinturas rupestres aos casamentos contemporâneos, o amor entre pessoas do mesmo sexo sempre existiu, mesmo que muitas vezes apagado ou silenciado. Reconhecer essa trajetória é essencial para combater a discriminação e valorizar a diversidade como parte fundamental da experiência humana. 


“O amor é tão antigo quanto o mundo, mas não envelhece.” (Provérbio francês)















 

13 junho 2025

IMAGEM DA FORMA

IMAGEM, FORMA E ORGULHO 



CAPTURANDO IMAGEM E FORMA 
A Importância do Desenho da Figura Humana

O desenho da figura humana é um dos pilares fundamentais das artes visuais, desempenhando um papel essencial no desenvolvimento técnico e expressivo de artistas, ilustradores, designers e até mesmo profissionais da área médica, como anatomistas e cirurgiões. 
Desde os primórdios da história da arte, a representação do corpo humano tem sido uma ferramenta poderosa para comunicar ideias, emoções e narrativas, além de servir como base para o estudo da proporção, movimento e expressão. 

1. Base para o Desenvolvimento Artístico
Dominar o desenho da figura humana exige compreensão de anatomia, proporção, perspectiva e luz e sombra. Esses conhecimentos devem iniciar pela observação sistemática e criteriosa, como ferramenta para melhorar a habilidade de representar pessoas realisticamente, mas também ampliar a capacidade de criar personagens estilizados, como nos quadrinhos, animações e da arte conceitual. 
Artistas clássicos como Leonardo da Vinci e Michelangelo dedicaram anos ao estudo do corpo humano, produzindo esboços detalhados que até hoje servem de referência. 

2. Expressão e Narrativa
A figura humana carrega em si uma infinidade de significados. Através da postura, gestos e expressões faciais, o artista pode transmitir histórias e sentimentos sem usar palavras. Um desenho bem-executado consegue evocar empatia, seja numa ilustração publicitária, numa pintura acadêmica ou num “storyboard” cinematográfico. 

3. Aplicações Práticas Além das Artes
Além do campo artístico, o estudo da figura humana é crucial em áreas como: 
• Medicina e Anatomia: Ilustrações médicas exigem precisão anatômica para fins educativos. 
• Moda e Design: Croquis de moda dependem do entendimento das proporções e movimentos do corpo. 
• Arquitetura e Ergonomia: Projetos que envolvem interação humana, como móveis e espaços, beneficiam-se do conhecimento das dimensões corporais.

4. Desafio e Superação
Desenhar a figura humana é um exercício contínuo de observação e paciência. Erros comuns, como proporções distorcidas ou rigidez nos movimentos, são oportunidades de aprendizado. Através do estudo de esqueletos, músculos e gestos, o artista aprimora não apenas sua técnica, mas também sua percepção visual. 

O desenho da figura humana vai além da simples representação realista, é uma ferramenta de comunicação, um meio de explorar a condição humana e um desafio técnico que enriquece qualquer forma de expressão visual. Seja para fins artísticos, científicos ou comerciais, dominá-lo abre portas para infinitas possibilidades criativas. 

A FOTOGRAFIA COMO AUXÍLIO NO DESENHO 
MODELOS PARA DESENHO DA FIGURA HUMANA




































 

12 junho 2025

DIA DOS NAMORADOS

PRIDE AND LOVE 

(1)

UMA GRANDE E MEMORÁVEL HISTÓRIA DE AMOR

Publius Aelius Hadrianus e Antinoos

A história de amor entre o imperador romano Publius Aelius Hádrianus e o jovem Antínoo é uma das mais comoventes, enigmáticas e trágicas da antiguidade. 
Hadriano, depois da morte de Trajano, governou o Império Romano de 117 a 138 d.C., era conhecido por sua paixão pela cultura grega, suas viagens extensivas pelo vasto império romano, e seu interesse em arquitetura, filosofia religião e mística gregas. 
Antínoo, por sua vez, era um jovem grego natural da cidade de Bitínia-Claudiópolis (na Anatolia, atual Turquia), que se tornou o grande amor de Adriano.





O Encontro
Hadriano conheceu Antínoo por volta de 123 d.C., durante uma de suas viagens pela província da Bitínia. Antínoo, nessa época, era um jovem de 14-15 anos de extraordinária beleza, charme e inteligência, e rapidamente conquistou o coração do imperador. Nesse momento com o consentimento de seus pais, Antinous foi enviado a Roma para ser educado por um pedagogo imperial. O mais importante papel da educação dos jovens era para incutir-lhes um respeito pela tradição e uma compreensão firme de “Pietas” e devoção ao dever. Para o menino, isso significava devoção à Roma e suas tradições.
Depois de alguns anos, Hadriano regressa a Roma, e reencontrou seu amigo que se tornou não apenas o seu favorito, mas também seu companheiro constante, é seu grande e verdadeiro amor, seguindo-o em suas viagens pelo império.

A Relação
A relação entre Adriano e Antínoo era profundamente afetuosa e, para muitos, simbolizava a conexão entre a cultura romana e a grega. 
Adriano, que admirava profundamente a cultura helênica, via em Antínoo a encarnação da juventude, inteligência, sagacidade, beleza e virtude gregas. 
Antínoo, por sua vez, era devotado e leal ao imperador, e sua presença era uma fonte de grande felicidade para Adriano, bem como para o próprio Antinous, que desenvolveu um profundo sentimento de amor pelo imperador.
Antínoo o acompanhou durante sua participação nos Mistérios de Elêusis anuais, em Atenas, e ambos foram iniciados nesses antigos misterios  e estava com ele, caçando, quando ele matou o leão Marousian na Líbia, um evento altamente divulgado pelo imperador. Sabemos disso, pois no Arco de Constantino, até hoje existente, existe um tondo, mando esculpir pelo imperador, mostrando a caçada. 

A Morte de Antínoo
A tragédia ocorreu em outubro de 130 d.C., durante uma viagem pelo Egito. Não se sabe como nem porque ele resolveu nadar no rio Nilo, mas o fato é que Antínoo morreu afogado nas águas sagradas do rio, em circunstâncias que permanecem misteriosas até hoje. Alguns historiadores sugerem que foi um acidente, enquanto outros especulam que pode ter sido um sacrifício ritual ou até mesmo um suicídio, possivelmente para proteger Hadriano de algum perigo ou para cumprir uma profecia. Entretanto, a hipótese mais aceita é que o jovem Antinous caiu acidentalmente na água e afogou-se.

O Luto de Adriano
A morte de Antínoo foi devastadora para Hadriano. O imperador ficou profundamente abalado pelo resto de sua vida, e decidiu honrar a memória de seu amado de maneira extraordinária. Hadriano chorou copiosamente sob o corpo de seu amado, e seu luto durou até sua morte oito anos depois. 
Para manter viva a memória e a presença de Antinous, Ele fundou a cidade de Antinoópolis, na margem do rio Nilo, no local onde seu amado morreu e ordenou a construção de templos e estátuas foram erigidas em sua homenagem por todo o império. 
Adriano também declarou Antínoo um deus, deificando-o, sem consultar o senado, um gesto sem precedentes na história, para honrar um jovem e um amor que nada tinha de comum. Até essa data, somente familiares (irmãos e pais de imperadores) eram deificados. 
Assim, Antinous foi adorado tanto no Leste grego quanto no Oeste latino, às vezes como um deus, em grego clássico: θεός e às vezes apenas como um herói, em grego: ἥρως.
No Egito Antinous foi adorado como um Deus da sagacidade, da cura e do amor verdadeiro correspondido, um Deus da felicidade e do amor.

Antinoópolis se tornou um centro do culto para a adoração de Osíris-Antínoo, ou Antinous-Osiris. Hadriano também fundou jogos em sua homenagem que deviam acontecer em outubro, tanto em Antinoópolis quanto em Atenas, a Antinoeia.  Antínoo tornou-se um símbolo dos sonhos do pan-helenismo de Adriano.
 
A adoração a Antínoo provou ser um dos cultos mais duradouros e populares de humanos divinizados no império romano, e os eventos continuaram a ser realizados em sua homenagem, muito depois da morte de Adriano, por todo o reinado de Antoninus Pius e Marcus Aurelius. Sendo esses dois sucessores de Hadriano, que sobretudo mais incentivaram e mantiveram acesa esse culto e essa tradição. 

Antínoo se tornou um símbolo do amor homoafetivo masculino na cultura ocidental, aparecendo em obras de diversos artistas, como Oscar Wilde e Fernando Pessoa e filmes como “Call me by your name”,  Me chame pelo seu nome e também na música. 

O Legado
O culto a Antínoo se espalhou rapidamente pelo império romano, e ele foi venerado como um deus da juventude, beleza e renascimento. Sua imagem foi reproduzida em esculturas, moedas e obras de arte, muitas das quais sobreviveram até os dias de hoje. 
A história de amor entre Adriano e Antínoo continua a fascinar e inspirar, sendo um testemunho do poder duradouro do afeto, da lealdade e da devoção entre dois seres humanos que por acaso eram do mesmo sexo.

A relação entre Adriano e Antínoo é frequentemente vista como um exemplo notável de amor e lealdade na história antiga, transcendendo as barreiras de status e cultura. Sua história permanece como um símbolo de como o amor pode deixar uma marca indelével na memória coletiva e na história da humanidade.

Neste dia dos namorados vamos celebrar esse amor entre humanos, e honrar nosso Deus sempre presente Antinous-Osirus, que nos inspire, mantenha sempre jovem nosso espírito, sempre belas nossas ações e nos dê conhecimento para perseguir somente a luz do amor verdadeiro. 

Ave, Antinous! 
Ave, Oh Deus que habita em mim! 
Ave! Antinous!