A CLASSE MÉDIA NO OLHO DO FURACÃO.
CONTRA-INFORMAÇÃO E EXTREMISMO DE DIREITA
A classe média, que, embora não seja o proletariado clássico, também sofre os efeitos da exploração e da concentração de riqueza pelos ricos. Ele se vê precarizada e ao invés de se unir aos proletários se atira como massa de manobra dos ricos. Ao mesmo tempo é alvo e agente de sua própria ruína.
No limite, quando sublinhamos o extremismo de direita, como agente direto da guerra em rede, é na contrainformação que apontamos sua força motora e seu alvo de agenciamento está na classe média massificada.
Ela (a classe média) vivencia, diante do crescente avanço neoliberal, a erosão de seu mundo de bem-estar social. Não é tudo. Como parte considerável da burocracia estatal das democracias modernas é composta por estrato de classe média, o enfraquecimento das instituições frente ao avanço do neoliberalismo produziu o terreno favorável ao êxito das guerras em rede, conduzidas, em larga medida, por agentes públicos.
Logo, há uma crescente ruptura de compromisso molecular dos indivíduos com as instituições das quais fazem parte.
A exclusão recente, pelo serviço de informação americano, de parte da guarda de proteção ao Capitólio nos Estados Unidos, em janeiro de 2021, por suspeita de integrar grupos de ciberfascismo é exemplo ilustrativo de que há impacto importante da guerra em rede sobre agentes públicos, principalmente da área de segurança. (GRAHAM, 2016, 32).
A precarização da vida socioeconômica da classe média, como vem acontecendo há algum tempo, pode ser analisada à luz da ideia de Karl Marx, um dos pilares da Sociologia, especialmente em relação à luta de classes e à alienação.
Marx, em sua obra, destacou como o sistema capitalista gera contradições internas que afetam diferentes estratos sociais, incluindo a classe média, que, embora não seja o proletariado clássico, também sofre os efeitos da exploração e da concentração de riqueza.
Um exemplo que ilustra essa dinâmica é a ideia de Marx sobre o “lumpemproletariado” e a classe dos pobres (trabalhadores braçais), que são camadas sociais desorganizadas e marginalizadas, frequentemente vistas como uma ameaça pela classe média. No contexto atual, a classe média, pressionada pela concentração de renda nas mãos da elite econômica (um fenômeno que Marx associaria à acumulação capitalista), sente-se acuada e vulnerável. Esse medo (pânico) de descer na hierarquia social a leva a buscar soluções em discursos extremistas, que prometem restaurar uma suposta “ordem” e protegê-la da pobreza.
Marx também discutiu como o capitalismo cria divisões entre os próprios trabalhadores, impedindo a solidariedade de classe. Na atualidade, vemos isso refletido na forma como a classe média, em vez de se aliar aos pobres, os vê como inimigos, acreditando que são responsáveis por sua própria precarização. Essa é uma manifestação da alienação, onde a classe média, assustada com a possibilidade de cair na pobreza, direciona sua frustração para os mais vulneráveis, em vez de questionar as estruturas econômicas que perpetuam a desigualdade.
Em resumo, a situação atual pode ser interpretada como um reflexo das contradições do capitalismo, onde a luta pela sobrevivência econômica e o medo da degradação social levam a classe média a adotar posturas reacionárias, em vez de buscar uma transformação estrutural. Marx nos lembra que a verdadeira libertação só pode vir da conscientização das raízes desses problemas e da união entre as classes oprimidas, superando a alienação e a divisão impostas pelo sistema.
A precarização da vida socioeconômica da classe média aciona o pânico político. Acossada pelo assalto neoliberal, pois é alvo da concentração via exploração pela elite, a classe média se volta para políticos de extrema direita, na esperança de que estes que prometem a salvação, as livre de caírem no abismo da pobreza. Pois a classe média tem horror e medo da pobreza. Ela passa a atacar os pobres, pois imagina que os pobres são a causa de sua precarização.
O fascismo é um sintoma instrumentalizado do neoliberalismo necropolítico, assim, devemos conhecer o quanto possível a “causa”, real ou imaginária, (ou as causas) daquilo que está provocando a emergência desse sintoma. A análise desse sintoma leva ao conhecimento da verdade sobre o capitalismo neoliberal de máxima acumulação e seus meios. Esses meios drenam a classe média do pouco que tem (embora esta se imagine na iminência de ser ou pertencer à elite), e esteja cada vez mais perto de se ver despossuída de sua segurança e de suas pequenas posses.
O Filme o Poço é emblemático nesse sentido. Mostra que ao invés de se unirem no pouco que possuem (classe média e pobreza) a classe média expropria as migalhas que os pobres possuem, temendo ser identificada com eles. Desta forma exterminam qualquer possibilidade de alguma mudança ou mitigação dos efeitos do neoliberalismo sobre ambos estamentos sociais. É o canibalismo socioeconômico. É o fascismo.































































































