Antoni Tàpies, 13/XII/1923-06/II/2012.
Antoni Tàpies i Puig, marquês de Tàpies nasceu em Barcelona, 13 de dezembro de 1923 e morreu em Barcelona, 6 de fevereiro de 2012. Foi artista gravador e pintor espanhol, considerado como um dos mais importantes do século XX.
Ni portes ni finestres. 1993.
Porta metà-lica i violí, 1956. Fundació Antoni Tàpies.
Tela ventruda, 1964. Foto: FotoGasull. Antoni Tàpies.
Tàpies, Tríptico, 1948.
Ni portes ni finestres. 1993
Ocre per a Documenta, 1963.
Ulleres, 1984. © Antoni Tàpies.
7 de novembre, 1971. Foto: © Parlament de Catalunya.
Seu pai, Josep Tàpies Mestres, era advogado, e a sua mãe, Maria Puig Guerra, era filha de uma família de políticos catalães. A profissão do seu pai, e as relações políticas do lado da sua mãe, proporcionaram-lhe um ambiente liberal durante a sua infância. Em 1942, devido a uma doença pulmonar, passa algum tempo a convalescer num sanatório em Puig d’Olena. Durante este período, dedicou-se a copiar obras de artistas como Pablo Picasso e Vincent Van Gogh. Leu Nietzsche, Dostoievsky e filosofia oriental, nomeadamente o Budismo Zen; ao mesmo tempo, ouvia a música do romantismo e Richard Wagner. Estuda Direito na Universidade de Barcelona. Ao mesmo tempo que estudava Direito, Tàpies dedicou parte do seu tempo à pintura e colagens, de conteúdo existencialista e surrealista 1946-1947, influenciado por filósofos como Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger.
Em 1945, abandona os estudos e, no ano seguinte, abre um estúdio em Barcelona. Os anos seguintes são de contacto com diferentes artistas e intelectuais, e de crescente reconhecimento da sua obra. Em 1953, casa-se com Teresa Barba, situação que o fará abandonar a sua vertente surrealista, adotando a corrente do informalismo europeu. Simpatizante da causa catalã (expressa nalguma pinturas como O Espírito Catalão, de 1971), apoia movimentos de protesto ao franquismo, que o levam à prisão por breves períodos, no final dos ano 1960, princípios de 1970. A década de 1970 é de prestigio internacional. A obra de Tàpies foi exposta em todo o mundo, nos principais museus de arte moderna. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa, e inúmeros prémios, dos quais se destacam a “Medalha de Ouro da Generalidade da Catalunha” em 1983, e o “Prémio Príncipe das Astúrias das Artes” em 1990. Em 1990, é inaugurada a Fundação Antoni Tàpies, instituição fundada pelo próprio Tàpies para divulgação da arte contemporânea. A 22 de abril de 1996, foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, de Portugal.
Em seus trabalhos, cuja poética encara a luta pela liberdade e contra as armadilhas das políticas totalitárias, antifranquista, fervente promulgador da independência da Catalunha, participante dos movimentos estudantis principiados em toda a Europa após o “Maio Francês” de 1968, Tàpies denuncia os crimes da Segunda Guerra Mundial e também, quase 50 anos depois, a limpeza étnica e o genocídio que houve nos Bálcãs, a partir de 1991.
Surrealismo
Em 1948, expõe pela primeira vez no Salão de Outubro de Barcelona. Entra em contactos com artistas e intelectuais vanguardistas, e funda, juntamente com o poeta Joan Brossa, os pintores Joan Ponç e Modest Cuixart, o impressor Joan Josep Tharrats e o filósofo Arnau Puig, o movimento Dau Al Set, “A sétima face do dado” e uma revista com o mesmo nome, de conteúdo surrealista e influências dadaístas.
Nos primeiros anos da década de 1950, a pintura de Tàpies seguiu, exatamente, os padrões do Surrealismo, o movimento criado em 1924, por André Breton, quer na dimensão onírica dos sujeitos representados, quer no estilo: vê-se claramente na homenagem feita ao poeta espanhol Frederico García Lorca (1951), figura que acompanharia o artista em toda a sua trajetória. Ainda em 1950, Tàpies faz a sua primeira exposição individual nas Galerias Laietanes de Barcelona. Após ter obtido uma bolsa de estudo viaja para Paris onde se conhece e se relaciona com Picasso. As suas exposições prosseguem em Madrid, Veneza e Nova Iorque, na galeria de Martha Jackson.
Informalismo Europeu
Acercou-se rapidamente das formas do pintor italiano Alberto Burri, Mestre do Movimento Informal, com o qual compartilhava as ideias antifascistas e a vivência da Segunda Guerra Mundial em primeira pessoa, mesmo a Espanha tendo uma política neutral. Como as obras de Burri iam se compondo por feridas, costuras, queimaduras, rachaduras, espaços da cor de sangue, eis que as de Tàpies se tornavam “pinturas da Histórias” utilizando os mesmo materiais pobres e industriais: concreto, areia, madeira, verniz que, inclusive, iam deformando as telas, desafiando a força de gravidade com o peso da consciência que o artista jogava à parede, sem medo das reações, tanto do público quanto das forças opressoras do país, outrora sob a ditadura de Francisco Franco.(
dasartes, 2024)
O casamento, em 1953, com Teresa Barba, influencia a sua vida pessoal, e de artista, e muda progressivamente de estilo. Passa a utilizar nas suas pinturas, materiais como cordas, papel ou pó de mármore. Tàpies acompanha assim a corrente europeia do informalismo, caracterizada por pinturas em que a tinta ganha espessura e consistência. A sua obra, neste período, é apoiada pelo crítico francês Michel Tapié, e trabalha, durante a década de 1950 e 1960, com outros informalistas espanhóis como Enrique Tábara, António Saura e Manolo Millares. Exemplo desta nova fase é o quadro Branco com Manchas Vermelhas (1954), Grande Pintura Pinzenta (1955) ou Corpo de Matéria e Manchas de Côr Laranja (1968).
Década de 1970
As décadas de 1950 e 1960 reconhecem o seu trabalho a nível internacional. O final da década de 1960 e a década de 1970 trazem a Tapiès as influências da Arte Povera, e incorpora nos seus trabalhos objetos mais sólidos como mobiliário ou roupa, são exemplos dessa época, as obras, Trapos e cordéis sobre tábua, de 1967; Palha e madeira, de 1969; Peça de roupa, de 1973).
Autodidata, Tàpies, aprendeu sozinho a desenhar e a pintar ainda na escola e, na adolescência, teve seu primeiro contato com a arte contemporânea. Os passos iniciais como pintor foram dados no surrealismo, muito influenciado por Paul Klee e Joan Miró mas foi uma passagem efêmera e logo o artista passou a desenvolver seu estilo com a pintura matérica, uma tendência pictórica, difundida após a Segunda Guerra, onde o emprego de materiais não-artísticos passaram a ser incorporados nas obras. Tal informalismo, nada mais é que um “estilo” que substituiu a arte formal dos anos 1940/1950 e que só faria sentido se causasse espanto. Em 1948, Tàpies ajudou a fundar o primeiro Movimento Pós-Guerra na Espanha, conhecido como Dau Al Set, movimento que estava conectado ao Surrealismo e ao Dadaismo.
Em 1953, Tàpies começou a trabalhar com técnicas mistas, processo considerado mais original para o universo artístico, tendo sido um dos primeiros a desenvolver arte dessa maneira. Argila e pó de mármore passam a compor suas pinturas, além de outros materiais como corda, faca, objetos diversos, papel, barbante e farrapos. A reputação internacional de Tàpies já estava bem estabelecida no final dos anos 1950 e, décadas mais tarde, viria a ser um dos artistas mais revolucionários do século 20, precursor de linguagens, formas e materiais, se tornando o autor de um vasto legado para a história da arte.
“Acredito que toda arte contemporânea foi influenciada pela arte não ocidental. Eu, porém, cheguei à arte oriental através de meu interesse pela ciência, em um momento em que estava curioso com a natureza, com a estrutura da matéria e com os problemas do espaço, do tempo e da causalidade. Tivemos uma espécie de decepção geral com a civilização ocidental. Ela nos levou a guerras terríveis e pegamos um pouco de birra da cultura ocidental; foi isso que me estimulou a estudar a filosofia e a cultura de outras civilizações, especialmente a da Índia, e de forma muito concreta a do budismo da China, a do taoísmo chinês e depois a do Japão”, revela Tàpies.(
gomide, s/d)
Legado
A Fundació Antoni Tàpies é um museu e centro cultural localizado na Carrer d'Aragó, em Barcelona, que se dedica à obra e à vida de Antoni Tàpies. Foi fundada em 1984 pelo próprio Tàpies. Sua intenção era criar um fórum que promovesse o estudo e também o conhecimento da arte moderna e contemporânea. Inclui exposições temporárias, mostras de cinema, palestras, simpósios, bem como diversas atividades e mostras da obra de Tàpies. A fundação possui uma das mais extensas coleções da obra de Tàpies, em sua maioria doadas pelo próprio Tàpies. Contém também uma grande biblioteca dedicada exclusivamente aos artistas do nosso século e à literatura e documentação modernas relativas ao gênero.
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Enfim, a prática da arte, não é somente um ofício ou atividade, mas o começo para uma aventura: é um ato corajoso, ainda mais precioso nesses anos de conflitos sacudindo o mundo; é um hino para resgatar a dignidade da palavra “política” associada à criação; é o despertar da importância de não nos calarmos, um impulso para agirmos na luta com energia contra os abusos que tentam nos empurrar para um rótulo do identificamos, a exclusão, a desigualdade e a falta de liberdade. A arte é um instrumento revolucionário notável lastreado no pensamento crítico, no conceito e nas habilidades de nossa identidade.