AINDA ESTOU AQUI
(E eles também…)
Eu a penso que a discussão é interessante. Entretanto, o filme foca na família burguesa, branca, heterossexual, cisgenero, paulista, o que é verdade. O filme, um longa-metragem, é inspirado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, publicado em 2015, e retrata o caso real vivido pela família durante a ditadura, um drama universal, não apenas pessoal, que toca todos os humanos do mundo.
O autor do livro Marcelo responde bem, é um filme sobre a sua mãe, que sendo dessa burguesia paulistana poderia ter se aproveitado do momento, apesar de ter perdido seu marido e seu amor para a ditadura, e bem poderia ter enriquecido mais com a ditadura, mas não o fez.
O entrevistado só se perdeu e foi infeliz quando diz que se eles não fossem brancos a chegada da polícia não seria a mesma. O que não tem relevância para o contexto do filme pq no final o desfecho é o mesmo. O pai foi torturado, não importa se chegaram com educação ou não. Ele mesmo traz exemplos de outros casos, que retratam negros e que podem ser trazidos para o cinema. A gente sabe que a polícia pouco mudou para os pobre de periferia, que continuam sendo torturados e mortos pela polícia, mas acho que o comentário foi infeliz mesmo.
O filme é baseado num fato histórico que aconteceu com a família do autor e é focado na mãe dele que é a protagonista. Simples.
Não tem como inserir outros personagens porque não é uma obra de ficção. É história real vivida por ele e por sua família.
Se fôssemos enveredar para via do tal jornalista teríamos que dizer o filme foca na família burguesa, branca, heterossexual, cis-gênero, paulista, ou seja é um recorte da sociedade brasileira da época da ditadura. Existem outras histórias? Com certeza existem. História dee negros, Gays, Travestis, Trabalhadores pretos e brancos empobrecidos, Mulheres negras, Mulheres negras lésbicas. Etc, Etc…
Aí todos que não se viram ou não se sentem representados irão reclamar de sua invisibilidade.
Me poupe. O jornalista que é revistou o autor do livro, foi muito infeliz, em sua pergunta e colocação tentando justificar seu raciocínio.
Me poupe. Esse jornalista foi profundamente infeliz e sua colocação é pífia. Seu silêncio seria reconhecido como sabedoria, mas ele optou por mostrar sua ignorância e sua belicosidade.
Triste.