INÍCIO

11 setembro 2024

EDUCAÇÃO E NEOLIBERALISMO

“A redução neoliberal da educação ao estado de mercadoria ameaça o homem em sua universalidade humana, em sua diferença cultural e em sua construção como sujeito.”
(Bernard Charlot)

08 setembro 2024

SALVE A SUPREMA CORTE BRASILEIRA!

SALVE A SUPREMA CORTE BRASILEIRA NA PESSOA DO MINISTRO ALEXANDRE DE MORAIS! FORA “X” E ELON MUSK.

The burning of the Library of Alexandria for fandoms
Brazil blocking X could deal a fatal blow to stan twitter.

By TAYLOR LORENZ
AUG 31, 2024

Leio o original AQUI

Ontem à noite, dezenas de contas de celebridades e da cultura pop, páginas de memes e contas temáticas relacionadas a programas de televisão, filmes e animais se despediram de seus milhões de seguidores coletivos depois que um juiz brasileiro bloqueou X após a recusa de Musk em cumprir um tribunal ordem. “Aparentemente o Twitter será banido do Brasil :( não tenho certeza do que fazer, mas bem, lembre-se de me seguir no Instagram e no Bluesky”, tuitou a conta Poorly Drawn Cats, que tem quase meio milhão de seguidores na plataforma, no Twitter. Sexta-feira. Outras contas de fãs lutaram para criar páginas no Instagram e Bluesky, ou para se despedir. A suspensão poderia ter efeitos de amplo alcance na cultura pop em todo o mundo. Se você não está acompanhando, Musk e o governo brasileiro estão travando uma batalha há meses por causa de desinformação e usuários controversos de direita no X, depois que Musk se recusou a remover certas contas que violavam as leis brasileiras. O Brasil também exige que qualquer empresa que opere no país tenha representação legal local. Depois que um tribunal ordenou que X nomeasse um novo advogado dentro de 24 horas ou seria banido, Musk se recusou a obedecer e agora X, uma rede social líder em um país de 200 milhões de pessoas, está prestes a fechar. Bloquear o X no Brasil é como lançar uma bomba nuclear no Twitter e a paralisação já está causando ondas de choque no universo do entretenimento e da cultura pop. Com mais de 21 milhões de usuários mensais, o Brasil é um dos mercados dominantes do X, não apenas medido pelo uso, mas também pelo impacto cultural.

Alguns funcionários de gravadoras e agências de relações públicas de entretenimento disseram que estavam lutando na noite de sexta-feira para avaliar o impacto que a proibição poderia ter nos fãs de seus talentos.

“Este é literalmente o 11 de setembro do Twitter”, postou um usuário, “[Musk] tem alguma ideia de quantos ecossistemas delicados serão destruídos quando os servidores do Brasil caírem? sem fãs imensamente apaixonados defendendo-os ao máximo, o mercado de memes de reação irá quebrar!"

Os internautas brasileiros sempre foram uma força vocal online. O país deu origem ao meme “Venha para o Brasil” na primeira metade da década de 2010, onde fãs de música pop enviavam spam às respostas de postagens de celebridades internacionais com a frase, implorando para que viessem ao país. Os fandoms hiperengajados do Brasil deram aos usuários do país enorme poder na formação de narrativas da cultura pop.

As contas stan brasileiras ressuscitaram sozinhas programas de televisão, filmes, músicas e celebridades americanas e os empurraram para a cultura dominante. “Hora de largar o personagem e dizer que infelizmente sou brasileiro”, disse o administrador do Virginia Woolf Bot, conta que tuíta citações da obra da famosa autora. "Foram ótimos anos com você!" Os fãs brasileiros muitas vezes ajudam a levar músicas ou artistas musicais ao topo das paradas.

Em 2013, durante o lançamento do álbum ARTPOP de Lady Gaga, os fãs brasileiros foram fundamentais na divulgação do álbum. Eles criaram hashtags como #BuyARTPOPoniTunes e mobilizaram campanhas online massivas para aumentar a visibilidade do álbum. Em 2018, o stan twitter brasileiro se mobilizou para apoiar a música de retorno do BTS, “Fake Love”, criando diversas hashtags associadas à tendência do single em todo o mundo. Existem centenas de outros exemplos como este.

Além de tornarem a música tendência, as contas stan também desempenham um papel crucial no ecossistema de celebridades e mídia de entretenimento. Uma pessoa observou que muitas contas brasileiras são basicamente arquivistas não remunerados da cultura pop. Essas contas documentam cada foto, atualização de notícias e projeto relacionado ao objeto de sua posição. Eles trazem à tona notícias e informações sobre celebridades e o mundo do entretenimento que, de outra forma, provavelmente passariam despercebidas.

“Isso é como o incêndio da Biblioteca de Alexandria para fandoms”, tuitou um usuário na sexta-feira.

Amanda Brennan, bibliotecária de internet e especialista em fandom, que criou métricas de fandom no Tumblr, disse que expulsar todo o Brasil do X “vai perturbar a estrutura de toda a indústria do entretenimento”.

“Essas contas stan são as que encontram fotos, postam memes e notícias de última hora sobre o objeto de seu fandom”, disse ela, “e não há realmente outro bom lugar para fazer isso na internet”.

Alonso Gurmendi, pesquisador de direitos humanos e política da London School of Economics, postou que "o Norte Global ainda não percebeu completamente a grande força que o Brasil é para a mídia... Muitos programas dos EUA realmente precisam de seus fãs brasileiros para promoção boca a boca. . Caramba, alguns dos memes mais famosos são brasileiros"

Um pequeno número de contas de celebridades e meios de comunicação pop como o Pop Crave, que tem uma relação simbiótica com o Twitter, têm construído botes salva-vidas em outras plataformas. Pop Crave lançou um boletim informativo no Substack em abril e tem incentivado o público a segui-lo lá.

Mas o design do Twitter, com foco em informações em tempo real, texto pesquisável, tendências de hashtag e alcance global, é realmente o principal, se não o único, espaço onde os stans podem se mobilizar rapidamente, criar momentos virais e influenciar a cultura popular em massa. escala.

A ausência do Twitter brasileiro sem dúvida criará uma lacuna notável no cenário da cultura pop. Os stans brasileiros são hiperengajados, criativos e frequentemente amplificam as vozes do Sul Global. A remoção de um grupo tão influente de usuários levará a uma cultura menos diversificada e vibrante no Twitter.

Penso que a proibição também poderá ter um impacto a jusante no mundo político. A cultura Stan não é apenas um passatempo, mas uma força social poderosa. As contas Stan muitas vezes se organizam em torno de questões sociais, apoiam movimentos políticos e trabalham para responsabilizar figuras públicas.

Por exemplo, os stans brasileiros têm apoiado ferozmente e abertamente os direitos LGBTQ+, o ativismo ambiental e a justiça racial. Em 2019, quando os incêndios na floresta amazônica estavam em alta, os cidadãos brasileiros criaram a hashtag #PrayforAmazonia para chamar a atenção global para a crise. Em 2020, os fãs brasileiros desempenharam um papel crucial na tendência #VidasNegrasImportam, a versão portuguesa do Black Lives Matter, e organizaram protestos virtuais. A perda do Twitter como ferramenta de envolvimento político poderia, em última análise, privar incontáveis ​​jovens brasileiros com experiência digital, cujas identidades tradicionais estão interligadas com o seu ativismo político.

Há também o potencial impacto económico da proibição. Os fãs brasileiros contribuem para a indústria global do entretenimento comprando músicas, produtos e ingressos para shows. Eles direcionam o tráfego e o engajamento para os projetos dos artistas, e a proibição pode sufocar as vendas de álbuns ou a visibilidade cultural de certos artistas. A natureza hiper-online dos internautas brasileiros os tornou indispensáveis ​​para o funcionamento da cultura pop hoje.

Veremos como a proibição se desenrola e quanto tempo ela durará. O desaparecimento de dezenas de milhões de usuários em um mercado importante é inegavelmente ruim para os resultados financeiros de Musk. Ele pode eventualmente perder dinheiro suficiente e acabar cumprindo a contragosto as leis locais. Entretanto, todo o fiasco é mais um lembrete da forma arrogante com que Musk trata estas comunidades frágeis.

Mesmo que a proibição seja revertida neste fim de semana, a instabilidade da plataforma é um grande golpe para o Twitter, e acho que a maioria das contas migrará permanentemente para fora da plataforma ou desistirá completamente.

“Tantas pessoas deixaram o Twitter e as redes sociais, em geral, tornaram-se muito descentralizadas”, disse-me Brennan. “A perda de contas stan brasileiras é um grande golpe no coração da internet.”

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The burning of the Library of Alexandria for fandoms
Brazil blocking X could deal a fatal blow to stan twitter.

By TAYLOR LORENZ
AUG 31, 2024

Leio o original AQUI





Last night, dozens of major celebrity and pop culture stan accounts, meme pages, and theme accounts related to television shows, movies, and animals said goodbye to their millions of collective followers after a Brazilian judge blocked X following Musk's refusal to comply with a court order.






"Apparently twitter will be banned from brasil :( i’m not sure what to do but well, remember to follow me on instagram and bluesky," the account Poorly Drawn Cats, which has nearly half a million followers on the platform, tweeted on Friday. Other fan accounts scrambled to set up Instagram and Bluesky pages, or say their final goodbyes. The suspension could have wide-reaching effects on pop culture globally.


If you haven't been following, Musk and the Brazilian government have been locked in a battle for months over misinformation and controversial right-wing users on X, after Musk refused to remove certain accounts that broke Brazilian laws. Brazil also mandates that any company operating in the country have local legal representation. After a court ordered X to appoint a new attorney within 24 hours or face being banned, Musk refused to comply and now X, a leading social network in a nation of 200 million people, is set to go dark.

Blocking X in Brazil is like dropping a nuclear bomb on stan Twitter and the shutdown is already sending shockwaves through the entertainment and pop culture universe. With over 21 million monthly users, Brazil is one of X's dominant markets, not only measured by sheer usage, but also cultural impact.

Some staffers at music labels and entertainment PR agencies said they were scrambling on Friday night to assess the impact the ban might have on their talents’ fandoms.



"This is literally stan twitter 9/11," one user posted, "does [Musk] have any idea how many delicate ecosystems will be destroyed when the Brazil servers go down?... C list celebrities and below will be overrun with hate with no immensely passionate fans defending them to the hilt! The reaction meme market will crash!"

Brazilian internet users have always been a vocal force online. The country birthed the "Come to Brazil" meme in the first half of the 2010s, where pop music fans would spam the replies of posts from international celebrities with the phrase, begging them to come to the country. Brazil's hyper-engaged fandoms have given users from the country enormous power in shaping pop culture narratives.

Brazilian stan accounts have single handedly resurrected American television shows, movies, music, and celebrities and pushed them into mainstream culture. "Time to drop the character to say that unfortunately I’m Brazilian," the administrator of Virginia Woolf Bot, an account that tweets out quotes from the famed author's work. "It’s been a great few years with you!" Brazilian fans often help shoot songs or music artists to the top of the charts.

In 2013, during the release of Lady Gaga’s album ARTPOP, Brazilian stans were instrumental in promoting the album. They trended hashtags like #BuyARTPOPoniTunes and mobilized massive online campaigns to boost the album’s visibility. In 2018, Brazilian stan twitter mobilized to back BTS's comeback song "Fake Love," making multiple hashtags associated with the single trend globally. There are hundreds more examples like this.

Aside from making music trend, stan accounts also play a crucial role in the celebrity and entertainment media ecosystem. One person noted that so many Brazilian accounts are basically unpaid pop culture archivists. These accounts document every single photo, news update, and project related to the object of their standom. They surface news stories and information about celebrities and the entertainment world that would otherwise likely go unnoticed.

"This is like the burning down of the Library of Alexandria for fandoms," one user tweeted on Friday.

Amanda Brennan, an internet librarian and fandom expert, who created fandom metrics on Tumblr, said that booting all of Brazil off X "is going to disrupt the structure of the entire entertainment industry."

"These stan accounts are the ones finding photos, posting memes, and breaking news about the object of their fandom," she said, "and there isn't really another good place to do that on the internet."

Alonso Gurmendi, a fellow in human rights and politics at the London School of Economics posted that, "the Global North has not yet fully realized what a massive force Brazil is for media… Many US shows really need their Brazilian fandoms for word of mouth promotion. Heck some of the most famous memes are Brazilian"

A small number of celebrity accounts and pop media outlets like Pop Crave, which has a symbiotic relationship with stan Twitter, have been building life rafts on other platforms. Pop Crave launched a newsletter on Substack back in April and has been pushing audiences to follow them there.

But Twitter's design, with its focus on real-time information, searchable text, hashtag trends, and global reach, is truly the main, if not only, space where stans can mobilize quickly, create viral moments, and influence popular culture on a massive scale.

The absence of Brazilian stan twitter will undoubtedly create a noticeable gap in the pop culture landscape. Brazilian stans are hyper-engaged, creative, and frequently amplify voices from the Global South. Removing such an influential group of users will lead to a less diverse and vibrant culture on Twitter.

I think the ban could also have a downstream impact on the political world. Stan culture is not just a pastime but a powerful social force. Stan accounts often organize around social issues, support political movements, and work to hold public figures accountable.


For instance, Brazilian stans have been fierce and vocal supporters of LGBTQ+ rights, environmental activism, and racial justice. In 2019, when fires in the Amazon rainforest were raging, Brazilian stans trended the hashtag #PrayforAmazonia to draw global attention to the crisis. In 2020, Brazilian stans played a crucial role in trending #VidasNegrasImportam, the Portuguese version of Black Lives Matter, and organized virtual protests. The loss of Twitter as a tool for political engagement could ultimately disenfranchise countless young, digitally savvy Brazilians, whose stan identities are intertwined with their political activism.


There is also the potential economic impact of the ban. Brazilian stans contribute to the global entertainment industry by buying music, merch, and concert tickets. They drive traffic and engagement to artists' projects, and the ban could stifle certain artists' album sales or cultural visibility. The hyper-online nature of Brazilian internet users has made them indispensable to the way pop culture functions today.

We'll see how the ban plays out and how long it ultimately lasts. Disappearing tens of millions of users in a key market is undeniably bad for Musk's bottom line. He might eventually lose enough money that he ends up begrudgingly complying with local laws. In the meantime, the whole fiasco is another reminder of how cavalierly Musk treats these fragile communities.

Even if the ban is reversed this weekend, the instability of the platform is a major blow to stan Twitter, and I think most accounts will permanently migrate off platform or give up altogether.

"So many people have left Twitter and social media, in general, has become so decentralized," Brennan told me. "The loss of Brazilian stan accounts is a major blow to the internet's heart."




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03 setembro 2024

ACIS E GALATEA

ACIS E GALATEIA: UM AMOR TRÁGICO

Uma Trágica História de Amor 

A história de Acis e Galatea é uma entre muitas lendas do mundo grego antigo que foram transmitidas ao longo dos séculos, chegando até nos.

Acis e Galatea

O Mito

Acis era um belo jovem, filho de um fauno Fauno e da ninfa Symaethis; Galatea, por outro lado, era uma Nereida, uma das filhas do deus do mar Nereu e Doris. 

Polifemo, era um ciclope, filho de Poseídon (Poseidon, Posidão, Posêidon ou Possêidon), e da ninfa Teosa, vivia sua existência idílica com seus amigos na Sicília. Ele morava em uma caverna junto ao Etna, cuidando de suas ovelhas.

Galatea, Γαλάτεια; aquela que é branca como leite.

Nereu em Grego antigo  Νηρεύς, Nêreús, de νέειν, néein, nadar, na mitologia grega, é um deus marinho primitivo, representado como um personagem idoso, o velho do mar. É filho de Ponto e de Gaia. Desposou a oceânide Dóris e foi pai de cinquenta filhas, as nereiades, e de um filho, Nérites. O seu reino é o Mediterrâneo, e mais particularmente, o Egeu. É conhecido por suas virtudes e por sua sabedoria. Píndaro celebra sua justiça benfazeja, daí seus epítetos "verídico", benfazejo", "sem mentira nem esquecimento".
Tem o dom da profecia e, como outras divindades, pode mudar de aparência. Ajudou vários heróis, como Héracles, que sempre conseguia descobri-lo, mesmo quando mudava de forma.

Dóris, do Grego antigo: Δωρίς/Δωρίδος significa recompensa, na mitologia grega, era uma deusa do mar. Ela foi uma das 3.000 Oceanidas, filhas do Titãs Oceanus e da tcitaníde Tethys.

Tétis em Grego antigo: Τηθύς. Tēthýs era uma titãnide filha de Urano e Gaia, irmã e esposa do titã Oceanus, e mãe dos deuses do rio e dos Oceanidas. Embora Tétis não tivesse nenhum papel ativo na mitologia grega e nenhum culto estabelecido, ela foi retratada em mosaicos que decoravam banhos, piscinas e triclinia no Oriente grego, particularmente em Antioquia e seus subúrbios, sozinha ou com Oceanus.

A beleza de Acis conquistou o coração de Galatea e os dois se apaixonaram profundamente.

No entanto, o amor deles estava destinado a enfrentar desafios, especialmente porque Galatea era procurada pelo temível Ciclope Polifemo. Ciumento e furioso ao descobrir o romance entre os dois, Polifemo se encheu de raiva e decidiu tomar medidas drásticas.

Certa tarde, enquanto os amantes estavam juntos, Polifemo aproximou-se deles, cheio de raiva e ciúme, jogou uma pedra enorme em direção a Acis, matando-o instantaneamente. 

Em desespero, Galatea, incapaz de suportar a perda de seu amado, usou seus poderes divinos para transformar Acis em um rio, para que este pudesse fluir eternamente na natureza.

Desde então, o rio que leva o nome de Acis tem sido uma representação do amor trágico e da beleza eterna. 

Enquanto isso, Galatea continuou sua vida entre as ondas, lembrando-se com tristeza de seu amor perdido. 

Esse mito como muitos outros na mitologia grega, ilustra as complexidades do amor, do ciúme e da tragédia humana.

LEON FERRARI

Artigo de hoje comemora o nascimento de León Ferrari um dos artistas latino-americanos mais consagrados internacionalmente. Foi aclamado na Bienal de Veneza, em 2007, onde recebeu o Leão de Ouro, em reconhecimento por sua obra.
Sua obra desde a década de 1960, desenhos e esculturas são permeados pelo questionamento ético da religião e a denúncia contra o imperialismo. 
A obra “Nosotros no sabíamos”, 1995, deu nome à uma exposição realizada em São Paulo no período de outubro de 2019 à fevereiro de 2020. O título surge como enfrentamento à atitude “nós não sabíamos”, argumento usado por parte da população argentina, à época, para justificar sua indiferença acerca do terrorismo praticado pelo Estado, contra membros críticos e contrários ao governo militar ditatorial, entre 1976 e 1983. A obra de L. Ferrari é povoada por uma crítica clara e ácida à política (fascista militar) é uma crítica persistente e séria a religião cristã.

A civilização ocidental e cristã, escultura de León Ferrari, 1965. 
MALBA, Buenos Aires, Argentina.

A ARTE POLÍTICA DE LEON FERRARI

Artigo de Artur de Vargas Giorgi. (1)
Artur de Vargas Giorgi é doutor em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor de Teoria Literária da mesma instituição.

León Ferrari nasceu em Buenos Aires, 3 de setembro de 1920 e morreu no mesmo lugar em  25 de julho de 2013; foi um artista plástico argentino. Grande parte de seu trabalho visa denunciar abusos de poder e intolerância na sociedade.
Segundo o The New York Times, no momento de sua morte ele era um dos cinco artistas plásticos mais provocadores e importantes do mundo. Os pilares da o seu trabalho baseia-se numa dura crítica às guerras, à religião e a todas as formas de intolerância.

Há cento e quatro anos, mais exatamente no dia três de setembro de 1920, em Buenos Aires, nascia León Ferrari. Iniciada na década de 1950, sua longa trajetória como artista, incontornável para o entendimento das complexas dinâmicas da arte contemporânea, sobretudo em situação latino-americana, foi de fato notável.

Por diversos caminhos, que vão do produtivo diálogo com os espaços e os agentes institucionais da arte ao confronto mais explícito com os fundamentos e os juízos da sociedade ocidental, com efeito, mesmo algumas de suas obras mais críticas e polêmicas tornaram-se – valha a conhecida ironia da história – canônicas (como A civilização ocidental e cristã, as séries Nós não sabíamos, Releituras da Bíblia e Nunca mais, entre outras). E de maneira também marcante, certos procedimentos, materiais e linguagens parecem fazer ressoar com facilidade, hoje, a ousadia da sua singular fatura: difícil não recordar trabalhos de Ferrari quando nos referimos, por exemplo, a colagens, apropriações e montagens; ao uso de arames, garrafas de vidro, baratas de borracha e letraset; a esculturas, escrituras, performances etc.

Nesse sentido, seria válido dizer que Ferrari teria contribuído significativamente para o alargamento, a dinamização e a atual heterogeneidade do campo artístico, por exemplo; assim como igualmente poderíamos afirmar, mas já em chave diversa, que ele teria trilhado o caminho para a contestação da suposta autonomia da arte, valendo-se do atravessamento ativo por outras esferas sociais e da reivindicação estética e política dos mais distintos fenômenos da cultura, mobilizados em torno da crítica do poder.

Isso significa que, em seu trabalho, Ferrari operava numa zona a rigor indecidível, isto é, um espaço rigorosamente poético, onde uma separação talhante entre os fazeres da arte e os demais fazeres da cultura torna-se, não apenas problemática, mas também dificilmente sustentável.

Para Ferrari, uma escultura de arames retorcidos, em aparência abstrata, não deixava de ser também uma espécie de armadilha para conter as violências militares que, nas décadas de 1960 e 1970, sobretudo, tomavam conta do Cone Sul. E uma grande e detalhada planta urbana, composta em escala com os mesmos recursos gráficos e o próprio vocabulário dos projetos de arquitetos e urbanistas, era igualmente a imagem mais acabada da insanidade que habita a vida das grandes cidades.

Uma ambivalência assim exposta é fundamental, a meu ver. Ainda mais: ela pode ser considerada a cifra da obra de Ferrari. Pois a elaboração desse espaço tenso – indissociavelmente estético e político – requer a conversão da negação em método, vale dizer, demanda a invenção de um princípio propositivo que, a fim de não se esgotar, deve trazer em si mesmo o seu contrário. Daí a potência da arte de León Ferrari: a força e a contraforça que em simultâneo movem a plasticidade do seu pensamento e dos seus trabalhos, dedicados, por certo, à criação do inaudito, mas por meio da insistente crítica ao já criado.

* * *

Um episódio, provavelmente um dos mais repercutidos, é mesmo emblemático para o que proponho aqui. Em 1965, Ferrari foi convidado por Jorge Romero Brest, então diretor do Centro de Artes Visuais do Instituto Torcuato Di Tella, para participar da exposição do Prêmio Nacional daquele ano. Não era um convite qualquer. No Di Tella ressoavam, então, as experiências mais radicais das vanguardas argentinas: tratava-se, portanto, de um espaço privilegiado, com vocação internacionalista, espécie de centro nervoso no itinerário de vários artistas na década de 1960.

Ferrari fez o envio de quatro obras: em todas, colocava em questão a lógica do poder político-religioso da civilização ocidental, expondo a sua infinita barbárie. Aquela que hoje é, talvez, a obra mais conhecida de Ferrari: A civilização ocidental e cristã, foi censurada na ocasião pelo próprio Romero Brest. Na montagem, via-se um Cristo pregado sobre a grande réplica de um avião de guerra norte-americano (um FH 107, bombardeiro) posicionada como uma cruz. As outras três obras, caixas como mãos, aviões, crucifixos e bombas, tratavam do mesmo tema: a guerra do Vietnã e a escalada da violência militar dos Estados Unidos.

Embora fossem menos impactantes, as três caixas que foram expostas não deixaram de causar efeitos reativos. Ernesto Ramallo, crítico do jornal La Prensa, escreveu escandalizado a respeito da exposição desses “libelos políticos”. A resposta de León Ferrari, um texto de intervenção, isto é, de posicionamento, apareceu nas páginas da revista Propósitos:

Parece que o cronista quer descartar da arte aquilo que seja crítica áspera ou corrosiva e sugere que se impeça a exposição de obras que “não permitem dúvidas sobre sua filiação e portanto sobre seus fins”. Tirar a crítica da arte é cortar seu braço direito, limitar a crítica ao que não seja áspero ou corrosivo é afogá-la com açúcar; proibir a exibição de quadros porque o espectador pode se dar conta de que o autor é comunista, e seus objetivos são a implantação da ditadura do proletariado, é pretender introduzir a discriminação ideológica na arte, é a censura prévia; esta escultura parece ser de um comunista e parece querer dizer “viva Lenin”: fora! Aquela outra não evidencia cor política: dentro. […] Me preocupa que, dada a forma como o crítico descreve meus trabalhos, alguém possa interpretar que sou comunista e me incluam nas listas negras da Secretaria de Inteligência do Estado, com os consequentes incômodos. Me parece prudente então esclarecer que não sou comunista, que não sou anticomunista, e que me preocupa profundamente a guerra dos Estados Unidos contra o Vietnã.

Para além dos juízos de beleza ou de valor próprios do mundo da arte, quer dizer, para além da importância das formas, a resposta do artista se encerra salientando, justamente, a prevalência das forças, isto é, seus sentidos, seus efeitos:

“Ignoro o valor formal dessas peças. Só o que peço à arte é que me ajude a dizer o que penso com a maior clareza possível, a inventar os signos plásticos e críticos que me permitam com a maior eficiência condenar a barbárie do Ocidente; é possível que alguém me demonstre que isso não é arte; não teria nenhum problema, não mudaria de caminho, me limitaria a mudar-lhe o nome: riscaria arte e chamaria de política, crítica corrosiva, qualquer coisa”.

* * *
Para alguns artistas, o radicalismo das vanguardas daqueles anos culminou, com a passagem para a década de 1970, no abandono dos espaços institucionais e das linguagens da arte: a vontade de intervenção política e social deu lugar a ações que redobravam a aposta num horizonte revolucionário anunciado, mas que logo se mostraria bloqueado por censuras, ameaças, perseguições, mortes.

Em 1976, em razão da situação vivida após o golpe militar, Ferrari decidiu se exilar com a esposa Alicia e a família (com exceção de Ariel, um de seus filhos, que opta por ficar na Argentina e acaba sendo morto pelos militares). Partem assim para o Brasil, ainda sem certezas sobre o destino. Após passagem por São Vicente, enfim vivem em São Paulo por vários anos (até seu regresso definitivo para Argentina em 1991).

A civilização ocidental e cristã. Leon ferrari


A civilização ocidental e cristã, escultura de León Ferrari, 1965; obra foi censurada, porém foi guardada e reapareceu amos mais tarde (Foto: Reprodução). MALBA, Buenos Aires, Argentina.

Durante esse período de exílio, Ferrari não deixou de trabalhar. Ao contrário, estabeleceu uma grande rede de colaborações e relacionamentos (Regina Silveira, Julio Plaza, Carmela Gross, Alex Fleming, Marcelo Nietsche, Hudinilson Jr., Aracy Amaral, Teixeira Coelho, Régis Bonvicino etc.). Criou esculturas, desenhou, propôs interações e performances musicais, envolveu-se em experimentações com as quais pôde explorar linguagens, materiais e suportes distintos (fotocopias, videotexto, heliografias, arte postal, colagens…), expôs em diversas oportunidades, escreveu, publicou – enfim, fez-se presente e atuante de muitas maneiras.

Em 1991, ele e a esposa retornam definitivamente a Buenos Aires. Também com esse trânsito, a notável vitalidade dos trabalhos de Ferrari segue desdobrando-se, em criação e crítica, até seu falecimento, aos 92 anos, em 2013. Vale destacar: nesse mesmo ano, uma exposição do artista ocupa o Centro Cultural da Memória Haroldo Conti, criado num dos prédios da antiga Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), espaço onde funcionou, durante a ditadura militar, talvez o mais emblemático centro de detenção, tortura e extermínio da América Latina (de lá, entre 1976 e 1983, partiam os hediondos “voos da morte”, que lançavam ao mar, nus e anestesiados, os prisioneiros da “guerra antissubversiva”).

Em certo sentido, seria possível dizer que, nunca fechado em si mesmo, aberto sempre aos contatos e aos contágios mais produtivos e intensos, como artista León Ferrari colocou em movimento uma espécie de experiência exílica, rigorosamente afirmativa da vida. Quer dizer, se há uma pena ou um sofrimento imposto pelas violências da civilização, há igualmente, e sobretudo, um exercício, sempre reposto, de buscar a saída, o atravessamento, a abertura; como a reivindicação reiterada, quem sabe, do que há de inapropriável na existência: do que não pode ser contido em campos, fronteiras ou limites.

Nesse caso, nada seria mais preciso do que um texto escrito durante o exílio, Flasharte: Nascimento (1979), e que foi pensado para ser reproduzido às centenas e enviado pelo correio: como uma sorte de dom, uma dádiva. Nesse texto – ele mesmo uma obra conceitual, mas também uma proposição de leitura para outros trabalhos que o artista vinha desenvolvendo, com base na indecidibilidade dos limites entre as artes – é possível reconhecer essa vitalidade em questão.

[…] Esse desenho de luz entre papel e retina, essa forma em seu crescimento explosivo nos milhares de quilômetros que percorrerá cavalgando aviões e satélites, continuará crescendo e mudando de forma alimentada com sorrisos condutas modificadas e rechaços integrados nessa movediça escultura de papel e pensamentos de burlas incompreensões condenações e regozijos. […] Incorruptível indeformável indestrutível apesar ou devido a sua debilidade e transparência, essa escultura de recordações leituras murmuradas não poderá ser modificada em seu passado: tudo o que ocorreu fica e ficará e não haverá força nem ódio nem reza nem urgência estética que possa alterar um só movimento do papel nem a fração de um sorriso, ainda que se retorçam e manchem com dores ainda que se esforcem arrependidos em apagar o que já foi ainda que persigam e roubem imaginações só poderão alterar a pequena parte do futuro que se aproximou deles. É possível fazer um juízo estético de uma obra constantemente inconclusa? Não, porque bastará que dela se aproxime um par de olhos ternos ou doloridos ou luminosos para que um resplendor repare o dano a ferida o erro.

Com esse nascimento, “flash catalisador de relâmpagos que se repetem se refletem se multiplicam e crescem somando vida cor e distância”, lemos em outro trecho, o que está em jogo, em suma, é uma forma de vir ao mundo: uma maneira de abrir-se, continuamente, à contingência das experiências e à disseminação dos seus sentidos. Incorruptível, indeformável, indestrutível, para Ferrari a potência da arte, da política, da crítica corrosiva, ou que nome isso tenha, coincide com a sua falta de conclusão: ela se afirma, sim, como gesto de abertura insistente. Uma vez, outra, e mais outra, ainda.

León Ferrari


Biografia resumida

León Ferrari nasceu em Buenos Aires em 1920, filho de Susana Celia del Pardo e Augusto César Ferrari.

Em 1946 começou a pintar retratos e a fazer desenhos de flores; nunca estudou formalmente Belas Artes. Formou-se em Engenharia pela Universidade de Buenos Aires em 1947. A partir de 1952 viveu com a família na Itália.6​ onde iniciou sua produção artística como escultor.7​

Em 1955 retornou a Buenos Aires e por alguns anos dedicou-se à profissão de engenheiro. Em 1962 regressou a Itália e alugou uma oficina em Milão. Lá iniciou seus desenhos abstratos, ilustrou poemas de Rafael Alberti e começou a misturar textos com desenhos. A partir de 1963 passou a fazer colagens com fotos e reproduções de imagens religiosas, e a participar de exposições internacionais.8​

Em 1976 exilou-se em São Paulo (Brasil) devido à ditadura militar na Argentina.

Em 1982 viajou para a Argentina, e retornou definitivamente em 1991. Em 1995 obteve a bolsa Guggenheim. Em 2006, uma exposição antológica de sua obra foi apresentada na Pinacoteca do Estado em São Paulo, Brasil, e simultaneamente participou como convidado especial da Bienal de São Paulo.

Em 2007, a sua obra mais reconhecida, Civilização Ocidental e Cristã, criada em 1965, ganhou o Leão de Ouro na 52ª Bienal de Veneza. Em 2008 expôs no Museu de Arte Carrillo Gil, no México.

Em 2009, o MoMA expôs uma retrospetiva da sua obra que posteriormente foi apresentada no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, em Madrid. 
Em 2010, participou em diversas exposições nacionais e internacionais. Na Argentina, seu trabalho está presente, por exemplo, na exposição Sete imaginários e uma realidade, realizada no Museo del Tigre, e por ocasião do bicentenário, expõe trabalhos em Las Mujeres, 1810-2010, Casa del Bicentenario.

Em 2011, foi iniciado um julgamento contra o jornalista e produtor de televisão Gabriel Levinas, por cerca de 13 desenhos e duas colagens que teriam sido roubadas por Levinas. O julgamento foi continuado pelos herdeiros de Ferrari. 
Em 2014, Levinas foi absolvido pela Justiça Criminal após reconhecer uma dívida com o autor.​ Os herdeiros de Ferrari iniciaram ações na Justiça Cível e finalmente em 2019, Gabriel Levinas foi considerado culpado e condenado a pagar a quantia de US$ 88 mil pela venda das obras.

Em 2012 recebeu o Prêmio Konex Brillante de artista mais destacado da década na Argentina e o Prêmio Platina na disciplina Arte Conceitual: Cinco Anos 2002 - 2006. Também obteve o Prêmio Diploma de Mérito Konex em 1992 e 2002.

No dia 25 de março de 2012, 35 anos após o sequestro, assassinato e desaparecimento de Rodolfo Walsh, o Espaço Memória e Direitos Humanos inaugurou a instalação artística “Carta Aberta à Junta Militar”, baseada numa ideia de León Ferrari A obra, que foi montado na “Floresta de Eucaliptos”, em frente ao Cassino dos Oficiais da antiga ESMA, consiste em uma instalação de quatorze painéis de vidro com a transcrição completa da Carta Aberta de Walsh.

León Ferrari morreu em Buenos Aires em 25 de julho de 2013, aos 92 anos.



ESPANHOL (WP)

León Ferrari nació en Buenos Aires en 1920, hijo de Susana Celia del Pardo y Augusto César Ferrari.

En 1946 comenzó a pintar retratos y a dibujar cuadros de flores, nunca cursó formalmente la carrera de Bellas Artes. Obtuvo el grado de Ingeniero en la Universidad de Buenos Aires en 1947. A partir de 1952 vivió junto a su familia en Italia,​ donde inició su producción artística como escultor.

En 1955 regresó a Buenos Aires y durante algunos años se dedicó a su profesión de ingeniero. En 1962 regresó a Italia y alquiló un taller en Milán. Allí comienza sus dibujos abstractos, ilustra poemas de Rafael Alberti y comienza a mezclar textos con dibujos. A partir de 1963 comienza a realizar collages con fotos y reproducciones de imágenes religiosas, y a participar en exposiciones internacionales.

En 1976 se exilió en San Pablo (Brasil) debido a la dictadura militar en Argentina.

En 1982 viajó a la Argentina, y regresó definitivamente en 1991. En 1995 obtuvo la beca Guggenheim. En 2006 se presenta una muestra antológica de su obra en la Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil, y simultáneamente participa como invitado especial en la Bienal de San Pablo.

En 2007, su obra más reconocida, La Civilización Occidental y Cristiana, creada en 1965, ganó el León de Oro en la 52.ª Bienal de Venecia.9​ En 2008 expone en el Museo de Arte Carrillo Gil, México.

En 2009 el MoMA exhibió una retrospectiva de su obra que se presentó luego en el Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, de Madrid.
En 2010 participa en distintas exposiciones nacionales e internacionales. En Argentina, su obra se encuentra presente, por ejemplo, en la muestra Siete imaginarios y una realidad, llevada a cabo en el Museo del Tigre, y en ocasión del bicentenario, exhibe obra en Las Mujeres, 1810-2010, Casa del Bicentenario.

En 2011 le inició un juicio al periodista y productor televisivo Gabriel Levinas, por unos 13 dibujos y dos collages que fueron supuestamente robados por Levinas.​ El juicio lo prosiguieron los herededos de Ferrari.12​ En 2014 Levinas resultó absuelto por la Justicia Penal luego de reconocer una deuda con el autor.13​14​ Los herederos de Ferrari iniciaron acciones en la Justicia Civil y finalmente en 2019, Gabriel Levinas fue hallado culpable y condenado a pagar la suma de 88.000 dólares por la venta de las obras.​

En 2012 recibió el Premio Konex de Brillante al artista más destacado de la década en la Argentina y el de Platino en la disciplina Arte Conceptual: Quinquenio 2002 - 2006. También obtuvo un Premio Konex Diploma al Mérito en 1992 y 2002.

El 25 de marzo de 2012, al cumplirse 35 años del secuestro, asesinato y desaparición de Rodolfo Walsh, el Espacio Memoria y Derechos Humanos inauguró la instalación artística "Carta Abierta a la Junta Militar”, a partir de una idea de León Ferrari. La obra, que quedó montada en el “Bosque de Eucaliptos”, frente al Casino de Oficiales de la ex ESMA, consiste en una instalación de catorce paneles de vidrio con la transcripción completa de la Carta Abierta de Walsh.​

Falleció en Buenos Aires el 25 de julio de 2013, a los 92 años.








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02 setembro 2024

A SOBERANIA BRASILEIRA NAS MÃOS DE ELON MUSK

MUSK E A DEFESA DO BRASIL


Manuel Domingos Neto
(RED)

A informação de que o militar brasileiro é dependente em suas comunicações é velha. Só a ingenuidade em assuntos de Defesa explica o frisson de alguns comentadores.

O militar brasileiro é estruturalmente dependente de países hegemônicos desde a modernização do Exército e da Marinha, ocorrida nas primeiras décadas do século passado. Essa dependência foi agravada após a Segunda Guerra Mundial.

Quando digo estruturalmente dependente, penso na capacidade operacional, que pressupõe logística e poder de fogo. A locomoção e a comunicação integram com destaque a capacidade operacional.

Mais claramente: o militar brasileiro sempre dependeu de potências estrangeiras para deslocar-se por terra, mar e ar; sempre pensou em Defesa baseada em compras externas. Em que pese rarefeitos e descontínuos esforços em busca de autonomia, nunca se preparou para abater agressores estrangeiros medianamente preparados.

A irritação causada pela notícia de que o militar brasileiro dependia da rede de satélites de Elon Musk, operada por meio da empresa Space X, insisto, deriva da abstração da realidade.

Alguns se espantam com o fato de o principal barco de guerra do Brasil, um navio aeródromo multipropósito (serve para combate e operações humanitárias) batizado “Atlântico”, usar serviços do arrogante bilionário.

Esse navio foi fabricado por secular fornecedor do militar brasileiro, a empresa Vickers, do Reino Unido. Os britânicos utilizaram esse barco durante 20 anos, inclusive para ajudar a destruir o Iraque. Quando entrou em desuso, em 2018, a Marinha do Brasil o adquiriu por cerca de 360 milhões de reais.

Sensores, radares, canhões e aeronaves deste barco são produtos estrangeiros. Trata-se de um instrumento que não operaria sem aporte externo para sua dispendiosa manutenção.

Como estranhar que este barco se comunique com apoio da rede de satélites de Elon Musk?

A informação de que o Exército dependeria de Musk para atuar na Amazônia também causou impacto sem razão de ser: a Força Terrestre brasileira é planejada, organizada e exercitada na condição de integrante do espectro guerreiro ocidental comandado por Washington. O Exército é mais preparado para impor a ordem interna que para submeter inimigo estrangeiro.

Alguns comentaristas acham que Lula deveria cancelar imediatamente os contratos com as empresas de Musk. Dizem até que tais contratos foram firmados por Bolsonaro, como se esse ultrarreacionário fosse capaz de tomar por si só decisões relevantes.

A ruptura com Musk poderia satisfazer nossa autoestima, mas não desfaria a incapacidade brasileira de mostrar autoridade básica na cena internacional.

Musk, espertalhão, sabe provocar. Disse que continuará “apoiando os militares brasileiros”.

Vai que o mal-estar causado pela dependência do militar brasileiro em comunicações pela internet ajude o debate sobre a reforma militar…

O Brasil tem um arremedo de Defesa. Nesse domínio, a República fracassou. Para nossa soberania, precisamos de uma Defesa que revise o papel, a organização e a cultura das corporações armadas. Chamo essa revisão de reforma militar.



Manuel Domingos Neto.
Doutor em História pela Universidade de Paris, escreveu “O que fazer com o militar – Anotações para uma nova Defesa Nacional”
(https://gabinetedeleitura.com/).

Ilustração da capa: Fotos divulgação nas redes sociais e montagem da Redação da RED.

Fonte

PRIMEIRO DE SETEMBRO 2024

SETEMBRO

 Setembro mês da primavera chegou 



FESTIVAL EM POA 

Após ser adiada em decorrência da catástrofe climática no Rio Grande do Sul, a 17ª edição da Parada de Luta LGBT+ acontece neste domingo (1º) em Porto Alegre.. Com concentração a partir das 12h no Parque Farroupilha (Redenção), o evento contará com trio elétricos, atividades culturais e com participação de 40 artistas passarão e ativistas do movimento social da capital e também do interior do RS.

Concomitantemente à concentração e caminhada, a partir das 12h no palco montado na Orla acontece o Festival de Bandas da Diversidade, apresentado por Gaby Quadras e MC Lary.

A partir das 16h, a tradicional caminhada contará com cinco trios elétricos em direção à Orla do Gasômetro, onde um placo montado dará continuidade às atrações musicais.

A edição deste ano tem como tema “Solidariedade à Diversidade”. Nos outros anos, a Parada foi ponto de recolhimento de doações para a Campanha do Agasalho, que acontece no mês de junho. Nesta edição, o evento está receberemos doações de alimentos não perecíveis, que serão encaminhados a ONGs e instituições de apoio aos desabrigados e atingidos pela enchente histórica.

Segundo a Prefeitura de Porto Alegre, a Secretaria da Saúde fará uma ação no evento e terá equipes fazendo aconselhamento, entrega de preservativos externos e internos, lubrificantes e autotestes de HIV.

A caminhada sairá da Redenção para a Orla do Guaíba, com previsão às 16h, passando pela rua LuiZ Englert e pela avenida Loureiro da Silva. As regiões terão vias bloqueadas conforme avança o trajeto.

A edição deste ano conta com apoio institucional do Governo do Estado, que forneceu cinco trios elétricos, e da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, que cedeu a estrutura de palco, sonorização e iluminação. Também apoiam o evento a Festa do Ridículo e o grupo de motoqueiros Soviéticosrs.

Fonte




























RAFA