Blog de Arte e História, Filosofia, Geometria, Astronomia, Ciências, Fotografia alternativa e Política! POR UMA VIDA NÃO FASCISTA.
28 fevereiro 2022
ARTE
Albrecht Dürer (1507).The First Knot.
Art Institute of Chicago: Prints and Drawings Clarence Buckingham Collection
Size: 275 x 214 mm (image); 291 x 231 mm (sheet) Medium: Woodcut in black on ivory laid paper
Pattern from the Series of Six Knots, 1507, Albrecht Dürer
Medium: woodcut
27 fevereiro 2022
GUERRA NA UCRÂNIA
GUERRA NA UKRANIA
Nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (24), no horário russo, Vladimir Putin anunciou que havia autorizado uma operação militar para "proteger a população" no leste ucraniano.
Guerra na Ucrânia.
(Por Viewsridge derivate of Russo-Ukraine Conflict.
Resuminho
A Rússia assume o controle militar efetivo da Crimeia;
Operações secretas realizadas pelas forças armadas russas, autodenominadas "forças de autodefesa da Crimeia";
Fronteiras russo-ucranianas são patrulhadas pelo exército russo até 4 de março;
Tropas russas entram no oblast de Kherson em 8 de março de 2014;
Ucrânia fecha a fronteira com a região pró-russa da Transnístria em 15 de março;
Tropas militares russas invadem a região da Bacia do Donets em 2014, intervindo em favor dos separatistas.
A questão da Crimeia é geopolítica e se refere ao conflito entre a Ucrânia e a Rússia pelo domínio sobre a península situada no mar Negro.
A posição geográfica da Crimeia lhe confere grande importância estratégica.
A crise na Crimeia teve início com a crise política na Ucrânia em 2013, incluindo um referendo realizado na península a respeito da sua anexação ao território russo.
Após a aprovação do referendo, a Rússia ocupou a Crimeia em março de 2014.
A Ucrânia e a comunidade internacional, através da ONU, não reconhecem a agregação do território à Rússia.
Esse conflito é um dos motivos pelos quais houve uma escalada de tensão entre Rússia e Ucrânia em 2021 e 2022.
Em fevereiro de 2022, tropas russas invadem a Ucrânia após reconhecer a independência de Lugansk e Donetsk.
Guerra na Ucrânia
Na segunda-feira (21), Putin reconheceu as autoproclamadas “repúblicas rebeldes” as regiões de Donetsk (Donetskaya Narodnaya Respublika, Донецкая Народная Республика) e Luhansk (Luganskaya Narodnaya Respublika, Луга́нская Наро́дная Респу́блика) como áreas independentes do país vizinho (Ucrânia).
No pronunciamento divulgado nesta quinta, Putin justifica a operação como justiça para o que chamou de "genocídio" e "crimes" contra russos naquelas áreas, e como forma de "desmilitarizar desnazificar" a Ucrânia.
Localização da DPR, Donetsk People´s Republic
(By Oude-rusman, WP)
Localização da LPR, Lugansk People´s Republic
(By Nicolay Sidorov, WP)
Veja a íntegra do discurso de Vladimir que anunciou a invasão. Putin em anuncia a operação militar contra a nazificação da Ucrânia, contra a militarização de grupos extremistas de extrema-direita que matam cidadãos Russos todo ano e contra a ameaça da OTAN na fronteira Russa.
ONU aprova resolução contra o nazismo e só
Estados Unindos e Ucrânia apoiam as ‘viúvas de Hitler’
A Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução que condena o nazismo, o neonazismo e todas as formas de racismo, que foi co-patrocinada pela Rússia. Os dois únicos países do mundo a votarem contra foram os Estados Unidos e a Ucrânia. Com 130 votos a favor, foi aprovada a resolução sobre “O combate à glorificação do nazismo, do neonazismo e de outras práticas” que contribuem para o racismo, a xenofobia e a intolerância, anunciou quinta-feira a missão permanente russa na ONU.
Moscou apresentou a moção anualmente, nos últimos anos, e Washington e Kiev se opuseram sistematicamente.
Patrocinada pela Rússia e mais de 30 outros membros da ONU, a resolução expressa preocupação sobre qualquer forma de glorificar o nazismo, incluindo a montagem de monumentos e realização de paradas públicas em homenagem às Waffen SS, unidades de combate dentro do exército da Alemanha nazista, ou declarando-os movimentos de libertação nacional, entre outras coisas (horadopovo).
Batalhão Azov com símbolo da Waffen SS, bando neonazista da Ucrânia, apoiado por Biden. (Foto Gleb Garanich/Reuter)
Laços indiscretos e apoio dos EUA aos nazistas ucranianos.
Obcecados pela vitória geopolítica na Eurásia, Washington envolveu-se com grupos que defendem a “supremacia branca”, atacando comunistas, anarquistas e judeus.
Politicas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram senador americano John McCain de falar num comício do partido; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse um encontro amigável com líder da agremiação (2014). (outras)
Em meio aos esforços por criar uma histeria de massa sobre a “invasão russa da Ucrânia” a mídia dos países centrais deu enorme publicidade no início da semana à cena de uma idosa ucraniana que “treina para enfrentar os invasores russos”, enquanto faziam de conta que nada haveria de especial em que tal adestramento estivesse sendo dado nada menos do que pelo “Batalhão Azov”, de notórias credenciais neonazistas.
Aliás, o Batalhão Azov, que está concentrando junto ao Donbass rebelado, usa como insígnia a ‘wolfangel’, uma runa que costumava decorar os tanques da SS Panzer-Division “Das Reich”.
Assim, no que o colunista da RT Tarik Cyril Amar chamou de “exercício de relações públicas” a serviço dos grupos neonazistas ucranianos, os meios de desinformação ocidentais não param de reprisar o treino de manejo de um fuzil Kalashnikov por Valentyna Konstantynovska, de 79 anos, exibida como legítima representante do melhor da sociedade ucraniana, e decidida a deter os russos malvados.
“Quando o Batalhão Azov, um poderoso e conhecido grupo de extrema-direita, organizou o que parece ter sido um espetáculo da mídia sob o pretexto de treinar civis em habilidades militares básicas, muitos meios de comunicação ocidentais se tornaram idiotas úteis para o neonazismo”, registrou o historiador Amar.
O próprio FBI chamou anteriormente o Azov de “unidade paramilitar associada à ideologia neonazista e símbolos nazistas”, acrescentando que seus membros estão envolvidos no treinamento e radicalização de chauvinistas brancos nos Estados Unidos
‘WOLFANGEL’
“Dessa forma, o programa “Eyewitness News” de Nova York na ABC7NY mostrou imagens do treinamento que mostram claramente o brasão de um instrutor com o símbolo “Wolfsangel”, uma runa germânica usada pela SS nazista e adotada também por Azov. No entanto, o programa não ofereceu nenhum comentário sobre essa imagem realmente impressionante e ofensiva”.
Em nome do combate “a Putin”, apesar de admitir saber que o Azov é neonazista, cobertura do Daily Mirror inglês repete a encenação.
Na reportagem da Sky News, a insígnia nazista também é perfeitamente visível. “Os espectadores recebem a mesma história comovente sobre uma senhora patriótica idosa com uma Kalashnikov. Mas seus instrutores são apresentados apenas como ‘forças especiais ucranianas’”.
No golpe que instalou no poder em Kiev um governo pró-Otan em 2014, e derrubou um presidente legitimamente eleito a um ano de novas eleições, os grupos neonazistas tiveram o papel de tropa de choque na Praça Maidan, como o Setor Direita, o Azov e outros bandos inspirados no colaboracionista da ocupação de Hitler na Ucrânia, Bandera, que se envolveu na matança de judeus, poloneses e soviéticos.
Foi essa escória que queimou vivos na sede de uma central sindical em Odessa no dia 2 de maio de 2014 meia centena de manifestantes contra o golpe. Também são os elementos mais agressivos da política de apartheid contra a população de ascendência russa e foram deslocadas exatamente para o leste conflitado do país.
BATALHÃO DE NEONAZISTAS É PARTE DA GUARDA NACIONAL DA UCRÂNIA
Mas a mídia que bate palmas para os neonazistas ucranianos passa ao largo de tudo isso. O colunista observa como o Times of Israel – do qual se imaginaria ser um pouco mais abalado pelos símbolos e ideologia de Azov – faz exatamente o mesmo, mostrando a “idosa de 79 anos” que “empunha uma arma durante o treinamento básico de combate para civis, organizado pela Unidade de Forças Especiais Azov, da Guarda Nacional da Ucrânia.”
Ao que parece, quase ninguém se importa. Afinal de contas, observa Amar, “não é difícil notar primeiro uma braçadeira que praticamente grita “Eu tenho um passado da SS” (como deveria) e depois fazer algumas pesquisas elementares sobre Azov”.
Não há, acrescenta, segredo sobre sua ideologia e política. Uma rede de busca de internet bem básica serve. Se você ligar para alguns especialistas facilmente identificáveis sobre o assunto, dentro e fora da Ucrânia, você também receberá uma bronca deles.
Então, qual é o problema aqui? “Como será que Azov conseguiu se tornar parte da Guarda Nacional da Ucrânia? Isso por si só, para qualquer jornalista que se preze, deveria soar o alarme.
Tal unidade como parte das forças militares oficiais do estado e ainda preservando sua identidade de extrema-direita, como o faz, é um sinal de algo muito perturbador”, adverte o historiador.
Nazificação da Ucrânia
A Busca pela Estabilidade de Putin e os novos Exercícios Militares no
Sudoeste Russo
(Por Matheus Bianco)
No último dia 17 de Julho, o presidente Vladimir Putin promoveu exercícios militares envolvendo 150.000 pessoas e centenas de aeronaves e embarcações navais para garantir a “segurança no sudoeste russo”, segundo o Ministério da Defesa do País.
Dias antes deste exercício, no início do mês de Julho, foi aprovado um pacote de emendas constitucionais que agora permitem Putin se manter no poder presidencial até 2036. Logo após esta aprovação, Putin declarou:
“Não podemos esquecer uma coisa: a partir de uma perspectiva histórica, faz pouco tempo que ocorreu a dissolução da União Soviética […] Ainda somos vulneráveis de muitas formas […] Precisamos de estabilidade doméstica e tempo para fortalecer o país e todas suas instituições.”
A vulnerabilidade a qual Putin se refere estende-se e complementa-se ao nível internacional. A dissolução da União Soviética e os avanços da OTAN sobre o leste europeu e até sobre o Cáucaso, regiões consideradas de influência russa, repercutem em Moscou até os dias de hoje, e certamente perdurarão durante todo o século. Através desta lente histórica pode-se compreender melhor o que significam os últimos exercícios militares executados pela Rússia.
Esta breve análise tratará sobre a contextualização de um dos objetivos específicos deste exercício militar russo, que diz respeito à demonstração de força na região do Leste Europeu, especialmente na Ucrânia. A segundo momento, em uma outra análise, será realizada a contextualização dos interesses russos no Cáucaso, os quais também motivaram o exercício militar em questão.
Cerco no Leste Europeu: O Caso da Ucrânia e do Mar Negro
Os últimos exercícios militares russos, que envolveram mais de 400 aviões de combate e 100 navios, mobilizaram tropas sobretudo no Mar Negro e no Mar Cáspio. O primeiro possui grande relevância aos russos no que tange o acesso a mares de águas quentes. Da mesma forma, é uma via fluvial de extrema relevância para o comércio marítimo e estabilidade para a Europa.
Como resposta às operações militares russas, sua vizinha Ucrânia, antiga república soviética, alertou que também irá conduzir exercícios bélicos na região, conclamando a OTAN, bloco ocidental político-securitário, a participar do movimento. Isto pois o Mar Negro também possui grande relevância para a segurança e para a economia ucraniana.
Mapa centrado no Mar Negro. Acima, visualiza-se a península da Crimeia (Krim)
É preciso entender que as relações entre Moscou e Kiev têm sido tensas desde 2014. Neste ano a Rússia anexou a Crimeia após um referendo questionado pelo Ocidente, iniciando também um movimento de auxílio a separatistas no leste ucraniano.
O movimento de Moscou em 2014 consistiu no ápice de um tensionamento entre os russos, os norte-americanos e a OTAN, motivados pela percepção do governo Putin de consolidação de uma estratégia econômica e geopolítica de contenção e cerco ocidental à Rússia.
Visando não mais tolerar perda de influência regional para o Ocidente em sua periferia ex-soviética – região que considera estratégica à seu país – o Kremlin agiu com maior assertividade, em um momento em que o presidente ucraniano pró russo Viktor Yanukovych foi deposto do governo de Kiev. Assim, diante da ameaça de uma Ucrânia hostil aos interesses de Moscou e favorável à um alinhamento da OTAN, que poderia bloquear o acesso russo ao Mar Negro, o governo Putin em março de 2014 anexou a Crimeia, península que abriga uma importante base naval russa.
A partir de então, amplos pacotes de sanções econômica-políticas foram capitaneadas pelos Estados Unidos sobre a Rússia, na qual esta passou, a partir de 2015, a se aproximar de Pequim como fonte de financiamento de capital e tecnologias agora inacessíveis de seus parceiros ocidentais. Ainda, o desenrolar dos fatos levou a uma escalada de disposição de forças militares no leste europeu.
A sensação russa de contenção ocidental, assim, não cessou mesmo com a chegada de Trump ao poder nos Estados Unidos, país que consiste no principal financiador da OTAN. Apesar de Trump ser abertamente hostil em relação aos gastos norte-americanos desproporcionais em relação aos seus parceiros europeus, e crítico da viabilidade e relevância da OTAN, até agora visualizou-se um reforço dos compromissos securitários estadunidenses no continente, que tornam-se cada vez mais ameaçadores à Rússia.
Neste sentido, a atual administração dos EUA ampliou os investimentos de longo prazo na OTAN, solicitando ao Congresso em 2018 um orçamento de US$ 4,8 bilhões para a Iniciativa de Deterrência Europeia, um programa criado em 2014 por Obama visando a maior presença norte americana na Europa para deter a assertividade russa na Ucrânia. Comparado a 2017, houve um acréscimo de US$ 1,4 bilhões no orçamento. Para este mesmo programa, no ano de 2018, Trump assinou uma lei aumentando o valor da Iniciativa de US$ 4,8 bilhões para US$ 6,5 bilhões.
Estes investimentos aumentaram a capacidade de mobilização de tropas e infraestrutura militar da OTAN nos países do Báltico, na Polônia, Bulgária e Romênia, todas regiões de ex-influência soviética. A administração Trump também reforçou seu compromisso com o sistema antibalístico da OTAN, e em 2018 participou de um exercício militar na Noruega dispondo de uma equipe de 20.000 homens, o maior exercício militar da OTAN desde 2015. O Comando dos EUA na Europa (EUCOM), no final de 2017, reforçou seu compromisso histórico de defesa e proteção dos membros da OTAN contra competidores estadunidenses, que incluíam a Rússia.
Destaca-se também que Washington desde 2015 passou a auxiliar a Ucrânia na modernização e reconstrução de sua frota naval, já que 80% de seus navios foram capturados pela Rússia quando Moscou anexou a península da Crimeia.
Do mesmo modo, a OTAN planejava iniciar, neste ano, o Defender-Europe20, um treinamento de militares considerado o maior dos últimos 25 anos, visando construir prontidão estratégica na Polônia e nos países bálticos (Estônia, Letônia, Lituânia) contra qualquer eventual ameaça. Inicialmente objetivando mover milhares de tropas e equipamentos pesados, tais exercícios foram reduzidos por conta da pandemia do COVID-19. Moscou contrariou fortemente a natureza do exercício ocidental, considerando-o um “ataque próximos às fronteiras russas”.
Não à toa, um dos principais exercícios russos conduzidos este mês envolviam a Frota Marítima Militar do país, que testou suas estratégias, conjuntamente com caças a partir da Crimeia, simulando um ataque de navios da OTAN entrando no Mar Negro através do estreito de Bósforo.
O contexto oferece, assim, uma breve entendimento das motivações russas de ter realizado, recentemente, o enorme exercício que envolveu 150.000 pessoas no sudoeste russo, na qual uma das regiões chaves do movimento foi o Mar Negro.
A demonstração de força sinaliza que a Rússia não mais se encontra em uma posição de extrema fragilidade econômica, como se encontrava logo após a dissolução soviética. Sobretudo, os exercícios militares russos passam a mensagem de que, com a possibilidade de Putin continuar no poder por mais 16 anos, Moscou estará pronta para responder militarmente quaisquer agressões em suas regiões de interesse estratégico.
A estabilidade que Putin relatou estar buscando, logo após ter vencido o plebiscito que incluía sua extensão de mandatário, será buscada, assim, tanto domesticamente quanto externamente. E a demonstração de força militar é um dos caminhos que a Rússia acredita servir ao propósito.
Referências
The Defense Post: Russia’s Putin Orders Massive Snap Military Drills
The Jamestown Foundation: Russia Tests Combat Readiness Despite Pandemic
OTAN: Defense Expenditure
Créditos Foto de Putin: Aleksey Nikolskyi/Reuters.
Nefelibata
Muito provavelmente tenha sido a única saída de Putin contra todos os acontecimentos que vem ocorrendo na região desde a queda do muro de Berlin em em 1989 e a virada para o capitalismo da URSS em 1990-1991, i.e., do que sobrou da antiga União Soviética, os avanços da OTAN/EUA, a vista grossa da Europa quanto a radicalização de extrema direita na Ucrânia etc, inclusive apoiada pelos EUA, especialmente na escalada espancionista e imperialista dos EUA na região.
O Brasil tem uma dívida humanitária para com a Ucrânia devido às levas de imigrantes ucranianos que vieram para nosso país, contribuindo assim para a formação do povo brasileiro na região sul. As levas de imigrantes iniciaram em 1891 e logo depois novamente antes da primeira guerra e depois antes da segunda guerra. Hoje temos mais de 500.000 brasileiros descendentes de ucranianos. E não somente da Ucrânia também russos vieram para nosso país.
Segundo a Departamento de História da UEPG (2018), Bytsenko (2006) o Memorial do Imigrante de São Paulo estimou que de 1870 a 1953 vieram para o Brasil aproximadamente 118.600 pessoas provenientes do Império Russo e da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
O primeiro movimento migratório iniciou oficialmente na década de 1870, quando chegaram grupos de russos-alemães (alemães do Volga que habitavam a Rússia). Desde o ano de 1763 estes imigrantes habitavam as regiões de Saratov e Samara, próximo ao mar Cáspio, na Rússia (WP).
Outra considerável onda migratória ocorreu na década de 1910, onde muitas famílias deixaram a Rússia por diversos motivos, entre eles, econômicos, políticos e religiosos. Essas pessoas, embora consideradas russas, tinham diversas origens étnicas. Além de russos, entre eles tinham também povos germânicos e eslavos (ucranianos, polacos, tchecos, eslovacos, eslovenos, bielorrussos e búlgaros. WP).
História da região
Colonização grega e fenícias
(1)
Colônias gregas no mediterrâneo
Chersoneso, Quersoneso do grego antigo: Χερσόνησος: Khersónēsos; latim: Quersoneso; russo moderno e ucraniano: Херсонес, Khersones; também traduzido como Quersonese, Quersonesos), em grego medieval contraí-se para Cherson (Χερσών; eslavo oriental antigo: Корсунь, Korsun).
Quersoneso é uma antiga colônia grega fundada por volta de 2.500 anos atrás na parte sudoeste da Península da Crimeia.
Colonos de polis Heraclea Pontica na Bitínia estabeleceram a colônia no século VI a.C.
A cidade antiga está localizada na costa do Mar Negro, nos arredores da atual Sebastopol, na Península da Crimeia, onde é conhecida como Khersones. O local faz parte da Reserva Nacional de Tauric Quersonesos. O nome Quersonesos em grego significa "península" e descreve apropriadamente o local em que a colônia foi estabelecida. (Não deve ser confundido com o Tauric Chersonese, um nome frequentemente aplicado a todo o sul da Crimeia).
Durante grande parte do período clássico, Quersoneso operou como uma democracia governada por um grupo de arcontes eleitos e um conselho chamado Demiurgoi. Com o passar do tempo, o governo tornou-se mais oligárquico, com o poder concentrado nas mãos dos arcontes. Uma forma de juramento feita por todos os cidadãos a partir do século III aC sobreviveu até os dias atuais. Em 2013, a UNESCO listou Quersoneso como Patrimônio Mundial.
Colônias gregas no mundo antigo.
Entre os 248 conflitos armados ocorridos entre 1945 a 2001, 201 foram iniciados pelos EUA, representando 81% do número total", destacam os chineses.
A embaixada da China na Rússia qualificou os Estados Unidos de "ameaça real ao mundo".
Neste sábado (26), os diplomatas chineses retuitaram uma imagem compartilhada anteriormente por Zhao Lijian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, que enumera os países que foram bombardeados por Washington desde a Segunda Guerra Mundial.
"Nunca se esqueçam quem é a verdadeira ameaça ao mundo", lê-se na imagem.
Em 25 de fevereiro a missão diplomática chinesa na Rússia escreveu em sua conta no Twitter que "dos 248 conflitos armados ocorridos entre 1945 e 2001 em 153 regiões do mundo, 201 foram iniciados pelos EUA, o que representa 81% do número total".
Além disso, a embaixada da China ressaltou que Washington é "culpado das atuais tensões em torno da Ucrânia", acrescentando que "se alguém continua jogando óleo na chama enquanto acusa outros de não fazerem o seu melhor para apagar o fogo, esse tipo de comportamento é claramente irresponsável e imoral".
Anteriormente Pequim pediu que as exigências de segurança da Rússia fossem levadas em consideração nas condições de expansão da Otan, disse o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi.(247)
Discurso de Vladimir Putin
Caros cidadãos da Rússia, caros amigos,
Hoje, considero novamente necessário retornar aos trágicos acontecimentos ocorridos em Donbass e às questões-chave sobre a manutenção da segurança da própria Rússia.
Começo com o que disse em meu discurso de 21 de fevereiro deste ano. O assunto aqui é algo que nos desperta especial cuidado e inquietação: as ameaças básicas que, de ano em ano, passo a passo, são criadas por políticos irresponsáveis no Ocidente em relação a nosso país. Refiro-me aqui à expansão do bloco da Otan para o leste e à proximidade de sua infraestrutura militar das fronteiras russas.
Sabe-se bem que por 30 anos tentamos, persistente e pacientemente, chegar a um acordo com os principais países da Otan sobre os princípios de uma segurança igualitária e unida na Europa. Como resposta a nossas propostas, frequentemente nos debatemos ou com enganações cínicas e mentiras, ou com tentativas de pressão e chantagem, enquanto a Aliança do Atlântico Norte, no meio tempo, apesar de todos os nossos protestos e cuidados, se expande sem parar. A máquina de guerra se movimenta e, repito, se aproxima em cheio de nossas fronteiras.
Por que tudo isso? De onde vem esse comportamento arrogante de falar a partir de uma posição de excepcionalidade, infalibilidade e permissividade próprias? De onde vem essa atitude de menosprezo e desdém quanto aos nossos interesses e demandas, absolutamente legítimos?
A resposta é clara, tudo é compreensível e óbvio. A União Soviética enfraqueceu no final da década de 1980 e depois entrou totalmente em queda. Todo o curso dos acontecimentos da época são uma boa lição para nós ainda hoje: ele mostrou, de modo conclusivo, que a paralisia do poder e da vontade é o primeiro passo para a completa degradação e o esquecimento. Foi preciso perdermos, na época, nossa autoconfiança, e pronto: o equilíbrio dos poderes no mundo foi rompido.
Isso levou ao fato de que os tratados e acordos anteriores já não funcionam mais realmente. Ajustes e pedidos não ajudam. Tudo o que não convém à hegemonia e ao poder supremo é declarado arcaico, antiquado e desnecessário. E vice-versa: tudo o que lhes parece proveitoso é apresentado como a maior das verdades, empurrado goela abaixo, de modo grosseiro, por todos os meios. Quem discorda é posto de joelhos.
O que digo agora não diz respeito apenas à Rússia e não desperta preocupação apenas em nós. Isso diz respeito a todo o sistema de relações internacionais e, por vezes, até aos próprios aliados dos EUA. Após a queda da URSS, iniciou-se uma verdadeira partilha do mundo, e as normas do direito internacional criadas até aquele momento - as normas fundamentais e básicas foram adotadas no final da Segunda Guerra Mundial e reforçaram, em muito, seus resultados- passaram a ser estorvadas por aqueles que se declararam vencedores da Guerra Fria.
É claro que, na vida prática, nas relações internacionais, nas regras de sua regulamentação, foi preciso considerar também as mudanças na situação mundial e no próprio equilíbrio de poderes.
Mas era preciso fazê-lo com profissionalismo, harmoniosamente, pacientemente, com consideração e respeito pelos interesses de todos os países e compreendendo sua responsabilidade. Mas não: havia um estado de euforia por sua absoluta superioridade, um tipo próprio de absolutismo moderno e, ainda por cima, contra o pano de fundo de um baixo nível de cultura geral e soberba de quem preparou, adotou e impulsionou decisões benéficas apenas para si próprio. A situação começou a se desenrolar em um outro cenário.
Não é preciso ir muito longe para encontrar exemplos. Primeiro, sem qualquer autorização do Conselho de Segurança da ONU, realizou-se uma sanguinolenta operação militar contra Belgrado, com uso de aviação e mísseis bem no centro da Europa. Foram várias semanas de bombardeio contínuo de cidades pacíficas e de infraestrutura vital. É preciso lembrar desses fatos, já que alguns colegas ocidentais não gostam de se lembrar desses eventos e, quando falamos disso, preferem apontar não para as normas do direito internacional, mas para as circunstâncias, que tratam como lhes convém.
Depois, foi a vez do Iraque, da Líbia e da Síria. O uso ilegítimo da força militar contra a Líbia e a deturpação de todas as decisões do Conselho de Segurança da ONU sobre a questão líbia levaram à destruição completa desse Estado, criando uma enorme concentração de terrorismo internacional ali e mergulhando o país em um desastre humanitário e no pântano de uma longa guerra civil que não terminou até agora. A tragédia a que foram condenadas centenas de milhares, milhões de pessoas, não só na Líbia, mas em toda a região, deu lugar a um êxodo migratório massivo a partir do Norte da África e do Oriente Médio para a Europa.
Destino semelhante renderam também à Síria. A ação militar da coalizão ocidental no território do país sem o consentimento do governo sírio e sanção do Conselho de Segurança da ONU é nada menos do que uma agressão, uma intervenção.
Entretanto, nessa lista tem lugar especial a invasão do Iraque, claro, também sem qualquer base legal. O pretexto escolhido foram supostas informações confiáveis dos Estados Unidos sobre a existência de armas de destruição em massa no Iraque. Para provar isso publicamente, diante dos olhos do mundo todo, o Secretário de Estado dos EUA sacudiu um tubo de ensaio com um pó branco, assegurando a todos que aquilo era uma arma química sendo desenvolvida no Iraque. Depois, revelou-se que era tudo invenção, um blefe: não há quaisquer armas químicas no Iraque. Pode ser incrível, surpreendente, mas o fato é esse. A mentira estava no nível mais alto do governo e da alta tribuna da ONU. O resultado foi um enorme número de vítimas, destruição e um inacreditável aumento do terrorismo.
Em geral, existe a impressão de que, praticamente em toda parte, em muitas regiões do mundo aonde o Ocidente vai para estabelecer sua ordem, o resultado são feridas cheias de sangue que não cicatrizam, chagas de terrorismo internacional e extremismo. Os exemplos que dei aqui eram os mais gritantes, mas estão longe de ser os únicos de negligência do direito internacional.
Nessa lista se incluem também as promessas ao nosso país de a Otan não expandir nem uma polegada para o leste. Repito: eles enganaram, ou, para falar a língua do povo, simplesmente largaram mão. Sim, pode-se ouvir frequentemente que a política é um negócio sujo. Pode ser, mas nem tanto, não até esse nível. Afinal, esse comportamento trapaceiro vai na contramão não apenas dos princípios das relações internacionais, mas sobretudo das normas geralmente aceitas de moral e ética. Onde está a justiça e a verdade aqui? Só há uma completa mentira e hipocrisia.
Aliás, os próprios políticos, cientistas políticos e jornalistas norte-americanos escrevem e dizem que se criou um verdadeiro "império das mentiras" dentro dos EUA nos últimos anos. É difícil não concordar com isso: é assim que é. Mas não é preciso de ser comedido: os EUA são, de qualquer maneira, um país grandioso, uma potência formadora de sistemas. Todos seus [países-]satélites não só fazem coro e eco aos EUA, dócil e resignadamente, mas também copiam seu comportamento e aceitam, entusiasmadamente, as regras que lhes são propostas. Por isso, com toda a base para tal, pode-se dizer com segurança que todo o chamado "bloco ocidental" formado pelos EUA com base em sua própria imagem e semelhança, é também, ele todo, um "império da mentira".
No que diz respeito a nosso país, após a queda da URSS -apesar de toda a abertura, sem precedentes, da nova Rússia moderna e de sua disponibilidade de trabalhar honestamente em conjunto com os EUA e com outros parceiros ocidentais em condições de um verdadeiro desarmamento unilateral–, tentaram imediatamente nos ceifar, acabar conosco e nos destruir de vez. Foi justamente isso que ocorreu na década de 1990 e início dos anos 2000, quando o chamado "Ocidente coletivo" apoiou, da forma mais ativa possível, o separatismo e as gangues de mercenários no sul da Rússia. Que sacrifícios e que perdas isso nos custou na época! Por quais provações tivemos que passar antes de fazermos em pedaços o terrorismo internacional no Cáucaso! Nós nos lembramos disso e nunca nos esqueceremos.
Sim, realmente, nem mesmo nos últimos tempos cessaram as tentativas de nos usar para seus próprios interesses, de destruir nossos valores tradicionais e nos impingir seus pseudovalores, que nos corroeriam, a nós, nosso povo, por dentro -aquelas diretrizes que eles já engendram agressivamente em seus países e que levam diretamente à degradação e à degenerescência, mesmo que isso contrarie a própria natureza humana. Isso não vai acontecer, nunca funcionou para ninguém. E não funcionará agora também.
Apesar de tudo, em dezembro de 2021 tentamos, de qualquer maneira, mais uma vez, chegar a um acordo com os EUA e seus aliados sobre os princípios de manutenção da segurança na Europa e sobre a não expansão da Otan. Tudo em vão. A posição dos EUA não muda. Eles não consideram necessário chegar a um acordo com a Rússia sobre esta questão-chave para nós: eles perseguem seus próprios objetivos e desconsideram nossos interesses.
E, claro, nesta situação nos surge a questão: o que fazer a seguir então, o que esperar? Sabemos bem, a partir da história, como, entre 1940 e o início de 1941, a União Soviética fez de tudo para evitar, ou pelo menos postergar o início da guerra. Para tanto, ela inclusive buscou, literalmente, até o último segundo, não provocar o potencial agressor, não realizar ou adiar as ações mais necessárias e óbvias a uma preparação para repelir o inevitável ataque. E as providências que foram tomadas no final das contas já estavam catastroficamente atrasadas.
Como resultado, o país revelou não estar pronto para enfrentar com completa força a invasão da Alemanha nazista, que atacou nossa Pátria, sem declaração de guerra, em 22 de junho de 1941. Foi possível deter o inimigo e, depois, destrui-lo, mas a um custo colossal. A tentativa de agradar o agressor na véspera da Grande Guerra Patriótica [como é chamada a participação russa na Segunda Guerra Mundial] foi um erro que custou caro ao nosso povo. Já nos primeiros meses de luta, perdemos enormes territórios estrategicamente importantes e milhões de pessoas. Não cometeremos esse erro uma segunda vez, não temos o direito de fazê-lo.
Aqueles que aspiram à dominação mundial, publicamente, impunemente e, sublinho, sem qualquer fundamentação, nos declaram, à Rússia, como seu inimigo. Eles, realmente, dispõem hoje grandes capacidades financeiras, científico-tecnológicas e militares. Sabemos disso e avaliamos objetivamente as ameaças que ressoam frequentemente endereçadas a nós na esfera econômica -assim como nossa capacidade de fazer frente a essa chantagem insolente e permanente. Repito: nós os avaliamos sem ilusões e da maneira mais realista possível.
No que diz respeito à esfera militar, a Rússia contemporânea, mesmo após a queda da URSS e a perda de parte significativa de seu potencial, é hoje uma das potências nucleares mais poderosas do mundo e, além disso, tem certas vantagens em uma série de tipos de armamentos de última geração. Nesse sentido, não deve haver dúvidas de que um ataque direto ao nosso país levaria à derrota e a consequências terríveis para qualquer potencial agressor.
Além disso, a tecnologia, inclusive a de defesa, está mudando rapidamente. A liderança nessa esfera passa e passará de mão em mão, mas se permitirmos a assimilação militar dos territórios adjacentes a nossas fronteiras, ela permanecerá por décadas, talvez para sempre, e representará uma ameaça sempre crescente e absolutamente inaceitável para a Rússia.
Já agora, à medida que a Otan se expande para o leste, a situação fica pior e mais perigosa para o nosso país a cada ano que passa. Além disso, nos últimos dias, a liderança da Otan fala abertamente da necessidade de acelerar e de forçar o avanço da infraestrutura da aliança rumo às fronteiras da Rússia. Em outras palavras, eles endurecem sua posição. Não podemos mais apenas observar o que acontece. Isso seria absolutamente irresponsável de nossa parte.
A continuação da expansão da infraestrutura da Aliança do Atlântico Norte e a assimilação militar que se iniciou nos territórios da Ucrânia são inaceitáveis para nós.
O caso não está, é claro, na organização da Otan em si –ela é só um instrumento da política externa dos EUA. O problema é que, nos territórios adjacentes aos nossos –noto, em nossos próprios territórios históricos–, está se criando uma "anti-Rússia" hostil a nós, que foi colocada sob total controle externo, intensivamente povoada pelas forças armadas dos países da Otan e cheia das mais modernas armas.
Para os EUA e seus aliados, isso faz parte da chamada "política de contenção da Rússia", são claros dividendos geopolíticos. Mas, para nosso país, isto é, no final das contas, questão de vida ou morte, uma questão do nosso futuro histórico como nação.
E isso não é exagero: é assim mesmo. É uma ameaça real não apenas aos nossos interesses, mas à própria existência de nosso Estado e de sua soberania. Esta também é aquela linha vermelha da qual se fala repetidamente. Eles a cruzaram.
A este respeito e sobre a situação em Donbass. Vemos que as forças que realizaram um golpe de Estado na Ucrânia em 2014 tomaram o poder e o mantêm com sua ajuda, em essência, por meio de procedimentos eleitorais decorativos, e recusaram definitivamente uma resolução pacífica do conflito. Por oito anos, oito anos infinitamente longos, fizemos todo o possível para que a situação fosse resolvida por meios pacíficos e políticos. Tudo em vão.
Como já disse em meu discurso anterior, não se pode olhar para o que está acontecendo ali sem pena. Então, isso tudo já era impossível. Era preciso pôr fim imediatamente a esse pesadelo: um genocídio voltado contra milhões de pessoas que lá vivem e cuja única esperança está na Rússia, pessoas que só têm esperança em nós, ou seja, em mim e em vocês. Foram justamente essas intenções, esses sentimentos, a dor das pessoas o principal motivo de nossa decisão de reconhecer as repúblicas populares de Donbass.
O que eu acho importante enfatizar também: os principais países da Otan, para alcançar objetivos próprios, apoiam de toda forma os nacionalistas extremistas e neonazistas na Ucrânia, os quais, por sua vez, nunca perdoarão o povo da Crimeia e Sebastopol por sua livre escolha, ou seja, a de se juntarem à Rússia.
Eles, é claro, penetrarão na Crimeia, assim como fizeram em Donbass, com uma guerra, para matar –assim como os executores das quadrilhas de nacionalistas ucranianos, colaboradores de Hitler durante a Grande Guerra Patriótica, mataram pessoas indefesas. Eles também declaram abertamente suas demandas por uma série de outros territórios russos.
Todo o curso do desenvolvimento dos eventos e a análise das informações que nos chegam mostram que um choque entre a Rússia e essas forças é inevitável. É apenas questão de tempo: eles se preparam, esperam o momento oportuno. Agora eles também afirmam possuir armas nucleares. Não vamos deixar que isso aconteça.
Como já disse anteriormente, a Rússia, após a queda da URSS, aceitou as novas realidades geopolíticas. Respeitamos e respeitaremos todos os países que se constituíram novamente no espaço pós-soviético. Respeitamos e respeitaremos a soberania deles, e um exemplo disso é a ajuda que prestamos ao Cazaquistão, que enfrentou acontecimentos trágicos, com desafios a seu estadismo e a sua integridade. Mas a Rússia não pode se sentir segura, se desenvolver ou existir com a ameaça constante proveniente do território da Ucrânia contemporânea.
Relembro que, entre os anos de 2000 e 2005, fizemos resistência militar aos terroristas no Cáucaso, defendemos a integridade de nosso Estado e resguardamos a Rússia. Em 2014, apoiamos o povo da Crimeia e de Sebastopol. Em 2015, colocamos em uso nossas Forças Armadas para montar um bloqueio à penetração de terroristas da Síria para a Rússia. Não havia outra maneira de nos defendermos.
O mesmo ocorre agora. Nós, eu e você, simplesmente ficamos sem outra maneira de proteger a Rússia, o nosso povo, além daquela que seremos forçados a usar hoje. As circunstâncias demandam de nós ações decisivas e imediatas. As Repúblicas Populares de Donbass entraram em contato com a Rússia com um pedido de ajuda.
Nesse contexto, em conformidade com o artigo 51, parágrafo 7, da Carta das Nações Unidas, com a sanção do Conselho da Federação da Rússia e cumprindo os tratados de amizade e assistência mútua com a República Popular de Donetsk e a República Popular de Lugansk ratificados pela Assembleia Federal em 22 de fevereiro deste ano, decidi conduzir uma operação militar especial.
Seu objetivo é proteger as pessoas que há oito anos são submetidas a abusos e a um genocídio por parte do regime de Kiev. E, para tanto, buscaremos desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia, assim como levar aos tribunais aqueles que cometeram inúmeros crimes sanguinolentos contra moradores pacíficos, entre eles, cidadãos da Federação Russa.
Mas não estão entre nossos planos a ocupação de territórios ucranianos. Não pretendemos impor nada a ninguém pela força. Além disso, ouvimos recentemente declarações frequentes do Ocidente de que documentos assinados por um regime soviético totalitário consolidando os resultados da Segunda Guerra Mundial não devem mais ser implementados. Bem, o que responder a isso?
O resultado da Segunda Guerra Mundial é sagrado, assim como os sacrifícios do nosso povo no altar da vitória sobre o nazismo. E isso não contradiz os altos valores dos direitos humanos e das liberdades do homem, com base nas realidades das décadas do pós-guerra. Isso também não anula o direito das nações à autodeterminação assegurado no artigo 1º da Carta das Nações Unidas.
Relembro que, nem durante a criação da URSS, nem após a Segunda Guerra Mundial, ninguém jamais perguntou às pessoas que vivem nestes ou naqueles territórios que compõem a Ucrânia hoje como elas mesmas queriam fazer suas vidas.
A liberdade está na base de nossa política, a liberdade de escolha para que cada um determine seu próprio futuro e o futuro de seus filhos. E acreditamos ser importante que esse direito -o direito de escolha- possa ser aproveitado por todos os povos que vivem no território da Ucrânia atual, todos os queiram fazê-lo.
A esse respeito, dirijo-me também aos cidadãos da Ucrânia. Em 2014, a Rússia tinha o dever de proteger os moradores da Crimeia e de Sebastopol daqueles que vocês mesmos chamam de "natsik" [como os ucranianos chamam os nacionalistas locais]. O povo da Crimeia e de Sebastopol fez sua escolha: estar com sua Pátria histórica, com a Rússia. E nós apoiamos isso. Repito, nós simplesmente não poderíamos agir de maneira diversa.
Os eventos atuais não estão ligados ao desejo de ferir os interesses da Ucrânia e do povo ucraniano. Eles estão ligados à defesa da própria Rússia contra aqueles que tomaram a Ucrânia como refém e tentam usá-la contra nosso país e o povo dele.
Repito: nossas ações são de defesa própria contra as ameaças que nos são feitas e contra uma calamidade ainda maior do que a que ocorre hoje. Por mais difícil que seja, peço-lhes que entendam isso e clamo pela cooperação para que possamos virar esta trágica página o quanto antes e avançar juntos, não permitindo que ninguém interfira em nossos assuntos, em nossas relações, e sim construindo-as independentemente -de modo a criar as condições necessárias para superar todos os problemas e, apesar da existência de fronteiras estatais, fortalecer-nos a partir de dentro, como uma entidade única. Acredito nisso, justamente nesse nosso futuro.
Devo também me dirigir aos militares das Forças Armadas da Ucrânia.
Caros camaradas! Seus pais, avôs e bisavôs não lutaram contra os nazistas, defendendo nossa Pátria comum, para que os neonazistas de hoje tomassem o poder na Ucrânia. Vocês fizeram um juramento de lealdade ao povo ucraniano, e não à junta antipopular que está roubando a Ucrânia e abusando desse mesmo povo.
Não cumpram as ordens criminosas dela. Peço-lhes que deponham suas armas imediatamente e vão para casa. Deixo claro: todos os membros do exército ucraniano que atenderem a esta demanda poderão deixar a zona de guerra sem impedimentos e retornar para suas famílias.
Mais uma vez, insisto em salientar: toda a responsabilidade pelo possível derramamento de sangue estará inteira e completamente na consciência do regime que governa o território da Ucrânia.
Agora algumas palavras importantes, muito importantes para quem tiver a tentação de interferir, de fora, nos eventos correntes. Quem quer que tente nos impedir, e ainda mais colocar em perigo nosso país e nosso povo, deve saber que a resposta da Rússia será imediata e o levará a consequências nunca enfrentadas antes na história. Estamos prontos para qualquer desenvolvimento dos acontecimentos. Todas as decisões necessárias foram tomadas a esse respeito. Espero ser ouvido.
Caros cidadãos da Rússia!
O bem-estar, a própria existência de Estados e povos inteiros, seu sucesso e viabilidade sempre têm origem no poderoso sistema nativo de suas culturas e valores, na experiência e nas tradições de seus antepassados e, claro, dependem diretamente de sua capacidade de se adaptar rapidamente a uma vida em constante mudança, da união da sociedade, de sua prontidão para se consolidar, para reunir todas as forças para seguir adiante.
As forças são sempre necessárias -sempre, mas a força pode ter diferentes qualidades. Na base da política do "império de mentiras", sobre a qual falei no início de meu discurso, está principalmente a força bruta e direta. Nesses casos, dizemos: "Ter força dispensa inteligência."
Mas você e eu sabemos que a verdadeira força está na justiça e na verdade, que está ao nosso lado. E, se é assim, então é difícil não concordar que justamente a força e a prontidão para lutar são a base da independência e da soberania, são o fundamento necessário sobre o qual se pode construir sozinho seu futuro, sua casa, sua família, sua Pátria.
Caros compatriotas!
Estou certo de que os soldados e oficiais das Forças Armadas russas, devotos a seu país, cumprirão seu dever com profissionalismo e coragem. Não tenho dúvidas de que agirão com coerência e efetivamente todos os níveis de poder, os especialistas responsáveis pela estabilidade de nossa economia, de nosso sistema financeiro e da esfera social, as chefias de nossas empresas e todas as empresas russas. Conto com uma posição consolidada e patriótica de todos os partidos parlamentares e das forças públicas.
No final, como sempre ocorreu na história, o destino da Rússia está nas mãos capazes de nosso povo multiétnico. Isso significa que as decisões tomadas serão implementadas, que os objetivos colocados serão alcançados e a defesa de nossa Pátria será seguramente garantida. Acredito em seu apoio e na força invencível que nos dá o amor que temos por nossa Pátria."
O Final do discurso do Putin ontem (23/03/2022) resume e explica o conflito Rússia X OTAN (e a jogada, via Ucrânia), o qual desencadeou o ataque desta madrugada.
[...] Já houve declarações de que a Ucrânia vai criar suas próprias armas nucleares, e isso não é uma bravata vazia. A Ucrânia ainda possui tecnologias nucleares soviéticas e meios de disparo de tais armas, incluindo aviação, bem como mísseis táticos operacionais Tochka-U, também de design soviético. É apenas uma questão de tempo. Será muito mais fácil para a Ucrânia adquirir armas nucleares táticas do que para outros estados. [...] Não podemos deixar de reagir a este perigo real. Os patronos ocidentais podem contribuir para o aparecimento de tais armas na Ucrânia para criar outra ameaça ao nosso país. [...]
Em 1990, quando a questão da unificação alemã estava sendo discutida, a liderança soviética recebeu a promessa dos EUA de que não haveria extensão da jurisdição da OTAN ou presença militar uma polegada a leste. E que a unificação da Alemanha não levaria à expansão da organização militar da OTAN para o Leste. [...]
A Rússia cumpriu todas as suas obrigações, incluindo a retirada de tropas da Alemanha, dos estados da Europa Central e Oriental, e assim deu uma grande contribuição para superar o legado da Guerra Fria. Propusemos consistentemente várias opções de cooperação, inclusive no formato do Conselho Rússia-OTAN e da OSCE, sem contrapartidas. [...]
Há apenas uma resposta: não se trata de nosso regime político, não se trata de outra coisa, eles simplesmente não querem um país independente tão grande como a Rússia. Esta é a resposta para todas as perguntas. Esta é a fonte da tradicional política americana em relação à Rússia. Daí a atitude perante todas as nossas propostas no domínio da segurança.
Hoje, uma olhada no mapa é suficiente para ver como os países ocidentais “cumpriram” sua promessa de impedir que a OTAN se movesse para o leste. Eles apenas trapacearam.
Recebemos cinco ondas de expansão da OTAN uma após a outra. Em 1999, a Polónia, a República Checa, a Hungria foram admitidas na Aliança, em 2004 - Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Eslováquia e Eslovénia, em 2009 - Albânia e Croácia, em 2017 - Montenegro, em 2020 – Macedônia do Norte.
Como resultado, a Aliança, sua infraestrutura militar chegou diretamente às fronteiras da Rússia. Esta se tornou uma das principais causas da crise de segurança europeia, teve o impacto mais negativo em todo o sistema de relações internacionais e levou à perda da confiança mútua.
A situação continua a se deteriorar, inclusive na esfera estratégica. Assim, na Romênia e na Polônia, como parte do projeto norte-americano de criação de um sistema global de defesa antimísseis, estão sendo implantadas áreas de posicionamento para antimísseis. É sabido que os lançadores localizados aqui podem ser usados para mísseis de cruzeiro Tomahawk - sistemas ofensivos de ataque.
Além disso, os Estados Unidos estão desenvolvendo o míssil universal Standard-6, que, além de resolver os problemas de defesa aérea e defesa antimísseis, pode atingir alvos terrestres e de superfície. Ou seja, o sistema de defesa antimísseis dos EUA supostamente defensivo está se expandindo e novas capacidades ofensivas estão surgindo.
As informações que temos dão todas as razões para acreditar que a entrada da Ucrânia na OTAN e a subsequente implantação das instalações da OTAN ali é uma questão de tempo. Em tal cenário, o nível de ameaças militares à Rússia aumentará drasticamente, muitas vezes. E chamo especial atenção para o fato de que o perigo de um ataque repentino ao nosso país aumentará muitas vezes.
Deixe-me explicar que os documentos de planejamento estratégico americanos (documentos!) contêm a possibilidade de um chamado ataque preventivo contra sistemas de mísseis inimigos. E quem é o principal inimigo dos EUA e da OTAN, também sabemos. É a Rússia.
Nos documentos da OTAN, nosso país é declarado oficial e diretamente a principal ameaça à segurança euro-atlântica. E a Ucrânia servirá de trampolim para tal ataque. [...]
Muitos aeroportos ucranianos estão localizados perto de nossas fronteiras. Aeronaves táticas da OTAN estacionadas aqui, incluindo portadores de armas de alta precisão, poderão atingir nosso território até a profundidade da linha Volgograd-Kazan-Samara-Astrakhan. A implantação de meios de reconhecimento de radar no território da Ucrânia permitirá à OTAN controlar rigidamente o espaço aéreo da Rússia até os Urais.
Finalmente, depois que os Estados Unidos romperam o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, o Pentágono já está desenvolvendo abertamente toda uma gama de armas de ataque terrestres, incluindo mísseis balísticos capazes de atingir alvos a uma distância de até 5.500 quilômetros.
Se esses sistemas forem implantados na Ucrânia, eles poderão atingir objetos em todo o território europeu da Rússia, bem como além dos Urais. O tempo de voo para Moscou para mísseis de cruzeiro Tomahawk será inferior a 35 minutos, mísseis balísticos da região de Kharkov - 7-8 minutos e armas de ataque hipersônicas - 4-5 minutos. Isso é chamado, diretamente, "faca na garganta".
E eles, sem dúvida, esperam implementar esses planos da mesma maneira que fizeram repetidamente nos últimos anos, expandindo a OTAN para o leste, movendo infraestrutura e equipamentos militares para as fronteiras russas, ignorando completamente nossas preocupações, protestos e advertências. [...]
Respondemos a isso de forma adequada, ressaltando que estamos prontos para seguir o caminho das negociações, mas com a condição de que todas as questões sejam consideradas como um todo, como um pacote, sem estar separado das principais propostas básicas russas.
E eles contêm três pontos-chave. A primeira é impedir uma maior expansão da OTAN. A segunda é a recusa da Aliança em implantar sistemas de armas de ataque nas fronteiras russas. E, por fim, o retorno do potencial militar e da infraestrutura do bloco na Europa ao estado de 1997, quando foi assinado o Ato Fundador Rússia-OTAN.
São precisamente estas nossas propostas fundamentais que foram ignoradas. [...]
Além disso, eles estão novamente tentando nos chantagear, estão novamente ameaçando com sanções, que, aliás, eles ainda vão introduzir à medida que a soberania da Rússia se fortalece e o poder de nossas Forças Armadas cresce.
E um pretexto para outro ataque de sanções sempre será encontrado ou simplesmente fabricado, independentemente da situação na Ucrânia. Há apenas um objetivo - restringir o desenvolvimento da Rússia. E vão fazê-lo, como fizeram antes, mesmo sem qualquer pretexto formal, apenas porque sim.
Gostaria de dizer claramente, com franqueza, na situação atual, quando nossas propostas para um diálogo igualitário sobre questões fundamentais na verdade ficaram sem resposta pelos Estados Unidos e pela OTAN, quando o nível de ameaças ao nosso país está aumentando significativamente, a Rússia tem todo o direito tomar medidas de retaliação para garantir a sua própria segurança. É exatamente isso o que faremos.
Quanto à situação no Donbass, vemos que a elite dominante em Kiev declara constantemente e publicamente sua relutância em implementar o Pacote de Medidas de Minsk para resolver o conflito e não está interessada em uma solução pacífica. Pelo contrário, está tentando organizar novamente uma blitzkrieg no Donbass, como já aconteceu em 2014 e 2015. Como essas aventuras terminaram então, lembramos.
Agora praticamente não passa um único dia sem bombardeios em assentamentos em Donbass. O grande grupo militar formado usa constantemente drones de ataque, equipamentos pesados, foguetes, artilharia e vários lançadores de foguetes. A matança de civis, o bloqueio, a zombaria das pessoas, incluindo crianças, mulheres, idosos, não param. Como dizemos, não há fim à vista para isso.
E o chamado mundo civilizado, do qual nossos colegas ocidentais autoproclamados se declararam os únicos representantes, prefere não perceber isso, como se todo esse horror, o genocídio, ao qual estão submetidas quase 4 milhões de pessoas, não existe, e só porque essas pessoas não concordaram com o golpe de Estado apoiado pelo Ocidente na Ucrânia em 2014, se opuseram à elevação ao posto de movimento estatal em direção à caverna e ao nacionalismo agressivo e ao neonazismo.
E eles estão lutando por seus direitos elementares - viver em sua própria terra, falar sua própria língua, preservar sua cultura e tradições.
Até quando essa tragédia pode continuar? Quanto tempo mais você pode suportar isso? A Rússia fez de tudo para preservar a integridade territorial da Ucrânia, todos esses anos lutou persistente e pacientemente pela implementação da Resolução 2202 do Conselho de Segurança da ONU de 17 de fevereiro de 2015, que consolidou o Pacote de Medidas Minsk de 12 de fevereiro de 2015 para resolver a situação em Donbass.
Tudo é em vão. [...]
Considero necessário tomar uma decisão há muito esperada de reconhecer imediatamente a independência e a soberania da República Popular de Donetsk e da República Popular de Luhansk.
Peço à Assembleia Federal da Federação Russa que apoie esta decisão e depois ratifique o Tratado de Amizade e Assistência Mútua com ambas as repúblicas. Esses dois documentos serão preparados e assinados em um futuro muito próximo.
E daqueles que tomaram e detêm o poder em Kiev, exigimos a cessação imediata das hostilidades. Caso contrário, toda a responsabilidade pela possível continuação do derramamento de sangue será inteiramente da consciência do regime que governa o território da Ucrânia.
Anunciando as decisões tomadas hoje, estou confiante no apoio dos cidadãos da Rússia, todas as forças patrióticas do país.
Obrigado pela sua atenção.
Procure saber mais.
Procure por fontes imparciais e críticas.
Elabore sua visão crítica mas não dogmática.
Fontes
Bytsenkoqw, Anastassia (2006). «Imigração da Rússia para o Brasil no início do século XX. Visões do Paraíso e do Inferno.»(PDF). Universidade de São Paulo. Consultado em 11 de janeiro de 2022
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