INÍCIO

28 dezembro 2021

ARTE DE 1945 a 2021

ARTE DO SÉCULO XIX E XX

O mar está levemente encrespado e pequenas ondas quebram na praia arenosa. O senhor Palomar está de pé na areia e observa uma onda. (...) O senhor Palomar vê uma onda apontar na distância, crescer, aproximar-se, mudar de forma e de cor, revolver-se sobre si mesma, quebrar-se, desfazer-se. A essa altura poderia convencer-se de ter levado a cabo a operação que se havia proposto e ir-se embora. Contudo, isolar uma onda da que se he segue de imediato e que parece à vezes suplantá-la ou acrescentar-se a ela e mesmo arrastá-la é é algo muito difícil, assim como separá-la da onda que precede que parece empurrá-la em direção à praia, quando não dá até mesmo a impressão de voltar-se contra ela como se quisesse fechá-la. Se então considerarmos cada onda no sentido de sua amplitude, paralelamente à costa, será difícil estabelecer até onde frente que avança se estende contínua onde se separa e se segmenta em ondas autônomas, distintas pela velocidade, a forma, a força, a direção. 
(Ítalo Calvino, Palomar, p7;1994)


Impressionismo

o impressionismo é um gênero da pintura francesa, ainda do final do século XIX, mas que marca um passo importante para as transformações nas artes visuais ocorridas na primeira metade do século XX. O início do movimento dá-se no ano de 1874, marcado por uma exposição coletiva em Paris. As obras caracterizadas pelo estilo foram realizadas até o princípio do século XX. 
O impressionismo desdobra-se e influencia outros campos de atuação artísticas, dentre os quais se destacam a escultura e a música impressionista. 

Características
 
• As pinturas registram uma coloração móvel que implica uma sutil transformação por conta da incidência da luz; 
• As imagens não têm contornos claros, pois são uma impressão na visão do artista e do apreciador (fruidor), i.e., figuras sem contornos nítidos; 
• O contraste entre luz e sombra é obtido por meio de cores complementares e não pelo efeito claro-escuro dos movimentos tradicionais; 
• As tonalidades de cores não são elaboradas por misturas na paleta do pintor, mas na própria aplicação na tela, por meio de pequenas e múltiplas pinceladas (misturas das tintas diretamente na tela, com pequenas pinceladas).
• Registro das tonalidades das cores que a luz do sol produz em determinados momentos;
• Sombras luminosas e coloridas;

Renoir, Rosa e azul, (As Meninas Cahen D’Anvers, 1881) MASP.

Édouard Manet, (1863). Le Déjeuner sur l'herbe.

Renoir (1875) Mulher com sombrinha no jardim.

Renoir (1881), Le Déjeuner des canotiers.

Claude Monet, série de nenúfares realizada entre 1914 e 1926, 
no jardim de sua casa.

Claude Monet, A Ponte Japonesa sobre a Lagoa de Ninféias em Giverny (1920-1924) MASP.

Claude Monet, A canoa sobre o Epte (1890), MASP.

Oscar Claude-Monet pintando as Ninféias em Giverny

Principais artistas
  
Édouard Manet (1832-1883)
Édouard Manet (1832-1883)
Alfred Sisley (1839-1899)
Camille Pissarro (1830-1903)
Edgar Degas (1834-1917)
Pierre-Auguste Renoir (1841-1919)
Claude Monet (1840-1926)


Cubismo analítico e sintético

Cubismo analítico
O cubismo analítico, movimento artístico originário nas artes plásticas cujos precursores são trabalhos de Paul Cézanne (1839–1906) na primeira década do século XX. Entretanto, a formatação do estilo se dá, de fato, entre os anos de 1907 até 1912 com a junção dos trabalhos de Pablo Picasso (1881-1973) e Georges Braque (1882-1963).

Cubismo Analítico (1909) é caracterizado pela desestruturação da obra em todos os seus elementos. Decompondo a obra em partes, o artista registra todos os seus elementos em planos sucessivos e superpostos, procurando a visão total da figura, examinado-a em todos os ângulos no mesmo instante, através da fragmentação dela. Essa fragmentação dos seres foi tão grande, que se tornou impossível o reconhecimento de qualquer figura nas pinturas cubistas. A cor se reduz aos tons de castanho, cinza e bege.
No cubismo analítico há a representação dos objetos por meio da subversão do plano de perspectiva, ou seja, a sobreposição de distintos pontos de vistas perspectivos na retratação de um mesmo objeto.

Características

• Utilização de abstrações geométricas;
• Subversão e sobreposição de perspectivas (das visualidades do objeto, de características estruturais não visuais do objeto e de características ambientais e de uso do objeto: trompe l’oeil);
• Claro e escuro perdem função de representar profundidade ou relevo;
• Coloração de austeridade em que predominam os tons ocres e transições do preto ao branco passando pelos tons de cinza.

Principais artistas

Pablo Picasso (1881–1973);
Georges Braque (1882–1963);
Juan Gris (1887–1927);
Robert Delaunay (1885–1941);
Fernand Léger (1881–1955).


Cubismo sintético
Também parte de inovações da dupla de autores Pablo Picasso e Georges Braque. A partir de 1912, os artistas incorporam, nas telas, materiais como areia, tapeçaria, folhas de jornal, camurça, papéis de embrulho, entre outros, por meio da cola. Esta técnica chama-se papier collé ou colagem, que são outras maneiras de nomear o cubismo sintético.

Cubismo Sintético (1911) reagindo à excessiva fragmentação dos objetos e à destruição de sua estrutura. Basicamente, essa tendência procurou tornar as figuras novamente reconhecíveis. Também chamado de Colagem porque introduz letras, palavras, números, pedaços de madeira, vidro, metal e até objetos inteiros nas pinturas. Essa inovação pode ser explicada pela intenção dos artistas em criar efeitos plásticos e de ultrapassar os limites das sensações visuais que a pintura sugere, despertando também no observador as sensações táteis.

A ideia de sintético deve-se ao fato de os artistas apropriarem-se de qualquer coisa ao seu alcance. O mundo entra na obra de arte sob o crivo e deleite dos artistas. As obras têm características tridimensionais e contornos de sombras reais, colocando-se como híbridas entre a pintura e a escultura.

Características

• Apropriação e integração, na obra de arte, de tudo que está ao alcance das mãos do artista;
• Sobreposição do próprio deleite do artista sobre os demais planos já sobrepostos no cubismo analítico: trompe l’esprit;
• Elementos tridimensionais como relevo, textura e sombra na feitura das obras;
• Temática leve, tendo como objeto cenas do cotidiano e/ou artefatos comuns.

Pablo Picasso, Guernica, 1937.

Braque, Vilino e cântaro, 1910.

Braque, Violino e cachimbo e cotidiano, 1913.

Braque, Porto na Normandia, 1909.

Kurt Schvitters, The Hitler gang, 1944.


Principais atistas

Pablo Picasso (1881-1973);
Georges Braque (1882-1963);
Kurt Schwitters (1887-1948);
Henri Matisse (1869-1954);
Robert Motherwell (1915-1991).

Pablo Picasso (1881-1973) viveu 92 anos e pintou desde muito jovem até próximo à sua morte. Podemos notar as fases pelas quais passou: a Fase Azul, entre 1901-1904, que representa a tristeza e o isolamento provocados pelo suicídio de Casagemas, seu amigo, são evidenciados pela monocromia e também a representa a miséria e o desespero humanos; a Fase Rosa, entre 1904-1907, o amor por Fernande origina muitos desenhos sensuais e eróticos, com a paixão de Picasso pelo circo, iniciam-se os ciclos dos saltimbancos e do arlequim. Depois de descobrir as artes primitivas e africanas compreende que o artista negro não pinta ou esculpi de acordo com a tendência de um determinado movimento estético, mas com uma liberdade muito maior. Picasso desenvolveu uma verdadeira revolução na arte. Em 1907, com a obra Les Demoiselles d’Avignon começa a elaborar a estética cubista que, como vimos anteriormente, se fundamenta na destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade, essa tela subverteu o sentido da arte moderna com a declaração de guerra em 1914, chega ao fim a aventura cubista.

Também destacamos a obra Guernica que foi mostrada pela primeira vez na Exposição Internacional de Paris, em 1937. Foi concebido e executado com grande rapidez em seu estúdio em Paris. Picasso pretendia que seu quadro fosse uma denúncia contra a s mortes que estavam destruindo a Espanha na terrível Guerra Civil (1936-39), e contra a perpétua desumanidade do Homem. A motivação imediata do quadro foi a destruição de Guernica, capital da região basca, no dia da feira da cidade, 26 de abril de 1937. Em plena luz do dia, os aviões nazistas, sob as ordens do general Franco, atacaram a cidade indefesa. De seus 7 mil habitantes, 1654 foram mortos e 889 feridos.

Georges Braque (1882-1963, 81 anos) Foi um pintor e escultor francês que juntamente com Pablo Picasso inventaram o Cubismo. Braque iniciou a sua ligação as cores, na empresa de pintura decorativa de seu pai. A maior parte da sua adolescência foi passada em Le Havre, mas no ano de 1889, mudou-se para Paris onde, em 1906, no Salão dos Independentes, expôs as suas primeiras obras no estilo de formas simples e cores puras (fauvismo, fovismo). No Outono de 1907, conheceu Picasso com quem se deu quase diariamente até que em 1914 devido a Grande Guerra se separaram. Braque foi mobilizado e ferido na cabeça em 1915, tendo sido agraciado com a Cruz de Guerra e da Legião de Honra. Durante dois anos, devido ao ferimento esteve afastado da pintura.

Robert Delaunay (1885-1941), pintor francês o seu caminho no movimento cubista, o levaria a uma redescoberta da cor e do ritmo espacial, que daria à sua pintura algo de composição musical. Quando em 1912, pintou seus “Discos simultâneos”, uma nova vertente surgiu no cubismo, à qual o poeta Apollinaire daria o nome de orfismo. AS fontes da pintura de Delaunay são as mesmas de Braque, ou seja, a lição cezanniana, que estão evidentes na séria de “Villes”, suas primeiras telas cubistas. Nelas, ele abdica das cores vivas que marcaram sua pintura anterior. Ele cria um novo repertório de signos (ou objetos figurativos). Como Léger, ele chega rapidamente a uma linguagem abstrata, que se aproxima do decorativo, mas de que ele se afasta imprimindo em sua pintura a preocupação de expressar o dinamismo da vida moderna. A partir de 1912, Delaunay recorre à cor como seu meio de expressão. Interessa-se pela lei dos contrastes simultâneos de Chevreul, que servirá de pretexto para suas “frases cromáticas” e outras obras, fundadas na exploração daqueles contrastes.

Kurt Schwitters (1887-1948) considerado por vezes dadaista e outras cubuista, fez da collage e da assemblage as bases do seu trabalho.
Nos seus trabalhos ele dissolvia os seus objects trouvés em formas abstratas ao mesmo tempo que lhes permitia uma função ilustrativa. Os seus merz, como ele mesmo os chamava, não são nunca coisas anódinas ou apenas decorativas. 
Com talento, conseguia espaço para a ironia e até a intervenção política.
Ao contrário de alguns dos seus parceiros dadaístas, Kurt Schwitters é um artista, verdadeiro. A sua arte merz, cujo objetivo era sempre o resultado estético, não partilhava com Dada “o irracionalismo e a alietoriedade”.
Kurt Schwitters defendia que a arte devia ser a cura do seu tempo, devia relativizar as ideias dominantes e desestabilizar a estrutura vigente.
O seu trabalho, embora não totalmente engajado politicamente no sentido restrito, era político no sentido da crítica social e da estética, através da blasfémia de usar lixo para profanar os cânones da arte burguesa. 
O seu cepticismo libertário foi sempre consequente, contra todas as regras e consensos. Schwitters fugiu do nazism em 1937, quando da exposição de “arte degenerada” e morreu exilado na Inglaterra em 1948.



Surrealismo

O surrealismo é um movimento artístico liderado pelo escritor, poeta e líder de movimento, André Breton (1896-1966) a partir do Manifesto Surrealista (o primeiro) do ano de 1924. Tem o apogeu da manifestação de sua intensidade entre os anos de 1924 e 1929.

André Breton então participante do Dadaísmo, rompeu com o líder do movimento dadaísta Tristan Tzara. Com isso, lançou em Paris, em 1924, o Manifesto Surrealista, que trouxe para o mundo um novo modo de encarar a arte. 

Segundo ele, o termo surrealismo é: 
Surrealismo, s.m. Automatismo psíquico puro pelo qual se propõe exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de toda preocupação estética ou moral.

André Breton pai do surrealismo

Embora o Manifesto de André Breton seja o que finalmente teve maior circulação, não é tecnicamente o primeiro, já que duas semanas antes, Yvan Goll publicou o primeiro número da revista Surrealism, a qual foi publicada em 1º de outubro de 1924 e continha também um Manifesto do Surrealismo. 
O movimento surrealista já havia sofrido rupturas, mas com o ato desta publicação foi marcada uma primeira divisão de águas entre o grupo em torno de Yvan Goll e o de André Breton e seus amigos. Com a publicação do segundo manifesto, a polarização no movimento adquire um claro conteúdo político.

Yvan Goll, Surréalisme. 
Manifeste du surréalisme, Volume 1, Number 1, 
October1/1924, capa by Robert_Delaunay.


A partir de 1929, com o segundo manifesto, o surrealismo torna-se mais abrangente e difundido, mas sem a mesma intensidade das originais demandas. 



A obra do poeta Arthur Rimbaud (1854 - 1891), em especial Saison en enfer (1873) é a principal influência dos artistas fundadores do surrealismo. Tal movimento é tomado por motivação política e revolucionária, porém acreditando que a revolução não se daria por meio da luta de classes organizada ou por partidos políticos mas iniciar-se-ia, de fato, com a revolução da sensibilidade. A revolução dos desejos, dos sentidos, do inconsciente conduzi a uma revolução moral, econômica e política, por consequência. O movimento surrealista compreende artistas dos mais diversos gêneros e práticas e tem importantes desdobramentos, até meados da década de 1940. Em todos os campos artísticos os surrealistas trabalham com a realidade, por vezes distorcendo-a, ora transformando-a, ou ainda, pervertendo-a. O sonho, o delírio, a imaginação descontrolada, a aleatoriedade e o não senso são elementos essenciais ao surrealismo. A ideia é despertar para uma outra realidade levando a experiência aos limites que esta impõe. 

Grupo de artistas surrealistas nos anos 30: da esquerda para a direita: 
Tristan Tzara, Paul Éluard, André Breton, Hans Arp, Salvador Dali, Yves Tanguy, Max Ernst, René Crevel e Man Ray.

Giorgio de Chirico, Praça d'Itália (1913), é uma pintura metafísica, precursora do surrealismo.


Características

• Livre expressão do pensamento;
• Influência das teorias psicanalíticas de Sigmund Freud;
• Criação de uma realidade superior à realidade imposta pela sociedade burguesas da época, como se esta realidade estivesse acima do realismo;
• Valorização do inconsciente e dos sonhos, da fantasia, da loucura e da reação automática;
• Utilização de elementos abstratos e formas que se baseavam na fantasia e na dimensão do imaginário;
• Escrita/produção automática: permite ao artista a ação criativa por impulso, sem planejamento, sem racionalismo, somente o fluxo criativo;
• Materiais fantásticos, fantasmáticos e oníricos como base para as criações;
• Arte como meio para a revolução da sensibilidade e do inconsciente (freudismo), para aí sim alcançar a transformação social-econômica-política (marxismo).

Resumindo
pensamento livre; expressividade espontânea; influência das teorias da psicanálise; criação de uma "realidade paralela"; criação de cenas irreais e valorização do inconsciente.

Principais artistas

Literatura e poesia
André Breton (1896 – 1966);
Louis Aragon (1897 - 1982);
Georges Bataille (1897 - 1962);

Dramaturgia
Antonin Artaud (1896 – 1948);

Artes visuais
Pablo Picasso (1881 - 1973);
René Magritte (1898 - 1967);
Frida Kahlo (1907 - 1954);
Salvador Dalí (1904 - 1989);
Juan Miró (1893 - 1983).
Giorgio De Chirico (1888-1978)


Arte da Performance

Performance é um termo utilizado a partir dos anos de 1960, para designar uma prática artística ao vivo, com ou sem público e de cunho multidisciplinar, normalmente envolvendo encenação, dança, música, declamação e expressão corporal. 
Difere do happening (acontecimento), pois é menos improvisado e mais pré-elaborado e também porque não visa a interação com o público, necessariamente. 
Além de performance e happening, outros dois termos aparecem associados a esse tipo de arte: body art (arte corporal); e live art (arte ao vivo). 
Todo esse campo plural caracteriza-se por uma arte antiespetacularização e “[...] rompe com os padrões aristotélicos de representação, com a narrativa e linearidade.” (RAMIREZ, 2017, p. 101), de modo a se associar e receber forte influência do Teatro da Crueldade de Artaud. 

O grupo Fluxus, atuante entre os anos de 1960-70, é um movimento artístico libertário criado na Alemanha, pioneiro no campo da performance. 
O grupo visa a produção multiartística, mesclando elementos do cinema, da música, da literatura, artes cênicas e visuais com valores que se opunham aos valores burgueses, às galerias de arte e ao individualismo. 

Outro importante artista para o estabelecimento da arte performática foi o estadudinense Allan Kaprow (1927 – 2006). Em suas performances plásticas ele deixa sentir e mover o corpo de acordo com os impulsos sensíveis do ambiente, com a temperatura, com os ruídos, com os odores que o iam trespassando. 

Principais artistas

Allan Kaprow (1927-2006); 
George Maciunas (1931 - 1978); 
Joseph Beuys (1921 - 1986); 
Nam June Paik (1932 - 2006); 
Ben Vautier (1935 --); 
Yoko Ono (1933 --); 
John Cage (1912 - 1992); 
Marina Abramović (1946 --); 
Marta Minujín (1943 --).


Instalação

Instalação é o nome dado a determinada prática artística, a partir dos anos 1960, quando o labor criativo dá-se sobre um ambiente específico: uma galeria, um espaço público, uma sala de aula etc. 
Esse ambiente é composto e transformado por meio de assemblage. Tal construção envolve concepção multiartística contendo conotações visuais, táteis, sonoras, odoríferas e até palatáveis. 

Algumas experimentações da primeira metade do século XX são consideradas precursoras das instalações, tais como Merzbau (1923) de Kurt Schwitters (1887 - 1948) e Sixteen miles of string (1942) de Marcel Duchamp (1887 - 1968).

No campo da instalação, parte central da fruição dá-se pelo fato do espectador ser colocado dentro da obra de arte e poder experimentá-la não com um de seus sentidos, mas com todos ao mesmo tempo e não como um espectador de fora, mas como parte da obra enquanto a experimenta. 

As instalações podem ter caráter efêmero ou duradouro, podem ser feitas exclusivamente para um espaço ou serem concebidas para serem desmontadas e montadas em outros espaços. 
Alguns outros termos confundem-se e se associam com a arte de instalação, tais como land art, work in progress e intervenção urbana. 

Principais artistas

Christo Vladimirov Javacheff (1935 --); 
Jeanne- -Claude Guillebon (1935 – 2009); 
Anish Kapoor (1954 --); 
Frans Krajcberg (1921 – 2017); 
Rachel Whiteread (1963 --); 
Joana Vasconcelos (1971 --).


OS MOVIMENTOS ARTÍSTICOS A PARTIR DE 1945 



Posteriormente, esse espaço abrigaria exposições de muitos dos pintores americanos mais importantes da década de 1940. A situação dos exilados surrealistas era regida por vários fatores. Por exemplo, os antigos e polêmicos argumentos políticos perderam a relevância numa época de conflito armado. Nova York representava um território novo e desafiador para suas atividades, e os surrealistas começaram a conquistar adeptos entre artists americanos.

Como dissemos anteriormente, os Estados Unidos sempre receberam de braços abertos a arte européia de vanguarda. Nova York tinha uma tradição de vanguarda intermitente que remontava ao Armory Show de 1913, e, ainda antes da Primeira Guerra Mundial, às atividades de Alfred Stieglitz, que organizara uma serie de exposições de artistas como Rodin, Matisse, Picasso, Brancusi, Henri Rousseau e Picabia em uma pequena galeria situada na Quinta Avenida, n° 291. Durante a Primeira Guerra Mundial houve um grupo ativo de dadaístas na cidade, entre os quais Marcel Duchamp (1887-1968), Picabia e Man Ray (1890-1976), mas a Depressão da década de 1930 gerou um processo de introversão na arte americana. Críticos americanos, como Barbara Rose em seu livro clássico American Art since 1900, sublinham a importância crucial desse período de introspecção e isolamento para os artistas americanos. Eles apontam sobreefeitos do Projeto de Arte Federal (ou WPA), a metudo para OS

dida tomada pelo governo americano para dar apoio aos artistas vitimados pelas condições econômicas predominantes na época. Rose afirma que, "ao não fazer distinção formal entre o Projeto ajudou a infundir respeitaarte abstrata e figurativa'3,

bilidade à arte abstrata, e que o esprit de corps criado pelo esquema entre os artists perdurou até a década de 1940. Contudo, em 1939, a arte americana tinha pouca importância em relação à vanguarda européia, embora alguns émigrés famosos como Josef Albers (1888-1976) e Hans Hofmann (1880-1966), por meio de sua atividade docente, já preparassem o terreno para a mudança que estava a caminho, Albert lecionava no Black Mountain College, na Carolina do Norte, e Hofmann, na Art Students' League, em Nova York, e em suas próprias escolas na 8th Street e em Provincetown, Massachusetts.

Porém, não foram esses os responsáveis pelo estímulo decisivo, mas sim os surrealistas recém-chegados. Sem sua presença em Nova York, o expressionismo abstrato provavelmente nunca teria nascido.

Arshile Gorky (1904-48) foi o personagem principal da transição, o vínculo mais importante entre o surrealismo europeu e O que viria a seguir. Gorky nasceu na Armênia em 1904 e só chegou aos Estados Unidos em 1920. Sua obra inicial (realizada em condições de extrema pobreza) evidencia uma progressão constante através dos estilos modernistas básicos, típica de um artista consciente de seu isolamento em um ambiente provinciano. Ele absorveu as lições de Cézanne e, mais tarde, do cubismo. Na década de 1930, sob a influência de Picasso, já buscava o surrealismo. Então veio a guerra e ele começou a fazer explorações mais corajosas. De modo geral, a tradição surrealista dava a impressão de oferecer ao adepto duas opções. Uma delas era o estilo meticulosamente detalhado de Magritte (1898-1967), do qual a Exhibition of Painting [Exposição de pintura] é 4 apenas um exemplo, ou de Salvador Dalí, como na representa- 3 ção perspectivista estonteante do Cristo de São João da Cruz. Mesmo nas pinturas de Dalí em que as distorções são mais VIOlentas, os objetos, até certo ponto, retêm sua identidade. A outra opção era o estilo biomórfico de artistas como Miró (1893-1983) ou languy (1900-55), no qual as formas apenas sugerem uma semelhança com objetos reais, geralmente partes do corpo humano seios, nádegas, órgãos sexuais 5 como demonstra A rapidez do sono, de Tanguy. Gorky adotou este último método e aplicou-o com audácia cada vez maior.

3. Rose, American Art Since 1900, pp. 127 ss,

… (p22)

No fundo, há dois tipos de pintura expressionista abstrata, e não apenas um. O primeiro, caracterizado nas obras de Pollock, Franz Kline (1910-62) e Willem de Kooning (1904-97), é vigoroso e gestual. Pollock e De Kooning são muito envolvidos com a figuração. O segundo, representado por Mark Rothko, é mais puramente abstrato e mais tranqüilo. A obra de Rothko, em particular, serve para justificar por que Harold Rosenberg usou 0 adjetivo"mística" ao descrever a escola. Rothko era estrangeirO, como vários outros importantes artistas americanos do pósguerra Gorky, De Kooning e Hofmann, por exemplo. Veio da Rússia para Os Estados Unidos em 1913, com apenas 10 anos. Começou como expressionista, sofreu a influência de Matta e Masson e seguiu o modelo padrão com uma exposição na Art of This Century Gallery em 1948. Aos poucos sua ora tornou-se mais simples e, por volta de 1950, abandonou 0 elemento figurativo. Orange, Yellow, Orange [Laranja, amarelo, laranja], de 1969, mostra alguns retângulos de espaço posicionados sobre um fundo colorido. As bordas são indefinidas e sua posição espacial é, portanto, ambígua. Os retângulos flutuam em nossa direção, ou na direção oposta, em um espaço raso que também encontramos em Pollock e que deriva, em última análise, dos experimentos espaciais dos cubistas. Nas pinturas de Rothko, as relações de cores determinam uma suave pulsação rítmica enquanto interagem dentro do retângulo e desse espaço. A pintura tornase ao mesmo tempo um foco para as meditações do espectador um véu diante de um mistério.

O ponto fraco da obra de Rothko (seu ponto forte é a a sutileza cromática) surge na relativa rigidez e monotonia da fórmula de composição. A imagem central imponente tornou-se uma das marcas registradas da nova pintura americana, uma das características que a diferenciavam da arte européia.

Rothko foi um artista verdadeiramente brilhante que, aprisionado em uma camisa-de-força, exemplifica a estreiteza de foco que muitos artistas modernos se impuseram.

A lição é reforçada pela obra de Adolph Gottlieb (1903-74), um artista que se assemelha a Rothko em muitos aspectos. Ele, como Rothko, também evoca ou até memo representa uma paisagem genérica em pinturas como The Frozen Sounds Number 1 [Os sons congelados número 1]. Além disso, está vinculado a Motherwell porque é retórico, por "retórico", em pintura, refiro-me ao uso deliberado de formas vagas, expansivas, generalizadas.

O interesse em Freud levou Gottlieb a buscar uma arte que ele deliberadamente preencheu com símbolos cósmicos.

A semelhança entre o estilo mais característico de Gottlieb e as pinturas feitas por Joan Miró no final da década de 1930 merece ser investigada. Miró também aprecia os símbolos cósmicos, mas os pinta com mais leveza e nitidez, sem dar muita ênfase a seus significados mais profundos.

A obra de Gottlieb parece pedir que eu confie na existência de um significado importante, significado esse que não é inerente à cor ou à pincelada.

É preciso reconhecer o símbolo e estabelecer o vínculo histórico. Tenho a impressão de que as limitações que vejo na obra de Rothko e Gottlieb manifestam-se também nos primeiros trabalhos de Philip Guston e em toda a obra de Franz Kline. Guston (1913-1980) incorporava os aspectos desestruturados do expressionismo abstrato, uma vez que, na maioria das vezes, suas pinturas não passavam de uma profusão exuberante de tinta e cor suave; até que, no final da vida, mudou de direção e passou a pintar em um estilo "caricaturesco" e sujo, fazendo uma ponte entre a arte pop e o neo-expressionismo.

The Clock [O relógio] (1956-1957) é um exemplo dessa fase inicial, suavemente lírica, de sua obra.

Como Rothko, Kline foi em busca de um limite que, no fim, se revelou estéril, e a doutrina expressionista abstrata agilizou esse encontro. Ao contrário da obra de Rothko, a de Kline ( gestual e tem vínculos técnicos com a de Pollock. O que ele fez com mais freqüência foi criar na tela algo parecido com um ideograma chinês exageradamente ampliado, ou com uma parte dele, como em Chief.

O efeito desses ideogramas fortes e grosseiros dependia do contraste austero de pinceladas pretas sobre um fundo branco.

A tinta parece ser usada apenas por motivos de largura e escala: na maioria das pinturas, existe muito pouco que a tinta nanquim e o simples papel não poderiam ter transmitido.







Bibliografia

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Caderno de artes da profa. Glenda

Estilos escolas e movimentos artísticos ocidentais. Clássico, Moderno e Contemporâneo. 

Movimentos na arte do sec. XX


Cubismo 

Surrealismo

DeChirico

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Kurt Schwitters

Expo: Francis Bacon em 2024, e Claude Monet em 2025 ambas no MASP 

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