INÍCIO

19 outubro 2020

QUARENTENA

 

Subjetividade do direito I 


Subjetividade do direito II



Sociedade da ignorância


O que usamos para medir

Na Arcádia 















https://youtu.be/60ItHLz5WEA
Alan Walker 





02 outubro 2020

DISCE UT SEMPER VICTURUS, VIVE UT CRAS MORITURUS

Disce ut semper victurus, vive ut cras moriturus

“Aprenda como se voce fosse viver para sempre; 
viva como se voce fosse morrer amanhã.”






Caro tibus I

Caro tibus II


Noctem lux eliminat


Summum bonum 



Lemas favoritos do relógio de sol 
Aqui estão alguns: 

Sejam tão fiéis um ao outro quanto este mostrador é ao Sol. 
Que outros falem de tempestades e chuvas, eu falo de horas ensolaradas da manhã. Estou calado sem o Sol. 
Hoje é o amanhã de ontem. 
Envelheça junto comigo; o melhor ainda está por vir. 
Entre as flores eu conto as horas. 
Aproveite o dia. Curta o momento. 
O beijo do Sol para perdão, o canto dos pássaros para alegria; a pessoa está mais perto do coração de Deus em um jardim do que em qualquer outro lugar da terra. Nossa última hora está escondida de nós para que possamos aproveitar a todas elas. 
O tempo para ser feliz é agora. O lugar para ser feliz é aqui.


Favorite Sundial Mottos


Be as true to each other as this dial is to the Sun.
Let others tell of storms and showers, I tell of sunny morning hours.
I am silent without the Sun.
Today is yesterday’s tomorrow.
Grow old along with me; the best is yet to be.
Amidst the flowers I tell the hours.
Carpe Diem.
The kiss of the Sun for pardon, the song of the birds for mirth; one is nearer God’s heart in a garden than anywhere else on earth.
Our last hour is hidden from us so that we watch them all.
The time to be happy is now. The place to be happy is here.




Fonte 



















30 setembro 2020

A VIDA NO SUL DO MUNDO

A VIDA NO SUL DO MUNDO 
Depois do golpe e durante a pandemia


Dominantes dominados 

O que restou para nós?

I ask why 










 

MARIÁTEGUI E A CRÍTICA À BURGUESIA DEPENDENTE

A HISTÓRIA REVELA  AS CLASSES DOMINANTES DOMINADAS.
A BURGUESIA NÃO É VÍTIMA DO IMPERIALISMO
MAS UMA SÓCIA MENOR DO IMPERIO QUE ACEITA 
MANTER O POVO COMO UM TODO NA DEPENDENCIA 
DOS PAISES RICOS. 



"Até que ponto a situação das repúblicas latino-americanas pode ser assimilada à dos países semicoloniais? Sem dúvida, a condição econômica destas repúblicas é semicolonial, e, à medida que crescer seu capitalismo e, conseqüentemente, a penetração imperialista, este caráter de sua economia tende a se acentuar. Mas as burguesias nacionais, que vêem na cooperação com o imperialismo a melhor fonte de lucro, sentem-se suficientemente donas do poder político para não se preocuparem seriamente com a soberania nacional. Estas burguesias na América do Sul, que ainda não conhecem – com exceção do Panamá – a ocupação militar ianque, não estão predispostas de forma alguma a admitir a necessidade de lutar pela segunda independência, como supunha ingenuamente a propaganda aprista. O Estado, ou melhor, a classe dominante, não sente falta de um grau mas amplo e certo de autonomia nacional. A revolução da Independência está demasiado próxima, relativamente, seus mitos e símbolos demasiado vivos, na consciência da burguesia e da pequena burguesia. A ilusão da soberania nacional conserva-se em seus principais efeitos. Pretender que nesta camada social surja um sentimento de nacionalismo revolucionário, parecido com o que, em condições diferentes, representa um fator da luta antiimperialista nos países semicoloniais avassalados pelo imperialismo nas últimas décadas na Ásia, seria um erro grave." 
(José Carlos Mariátegui: Ponto de Vista Antiimperialista)



https://youtu.be/efWveV10CyE




José Carlos Mariátehui (1894-1930)

José Carlos Mariátegui La Chira (Moquegua, 14 de junho de 1894 – 16 de abril de 1930, Peru) foi um escritor, jornalista, sociólogo e ativista político peruano. Autodidata, Mariátegui destacou-se como um dos primeiros e mais influentes pensadores do marxismo latino-americano no século XX. Autor prolífico apesar de sua morte prematura, era também conhecido em seu país como El Amauta (do quéchua: hamawt'a, "mestre"). Seu livro mais conhecido internacionalmente - e um dos dois que publicou em vida - é Sete Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana, no qual traçou uma história econômica do Peru sob a perspectiva materialista. 
Segundo Michael Löwy, "José Carlos Mariátegui é não somente o mais importante e inventivo dos marxistas latino-americanos, mas também um pensador, cuja obra, por sua força e originalidade, tem um significado universal", guardando afinidades com grandes pensadores do marxismo ocidental, como Gramsci, Lukács, Walter Benjamin e Georges Sorel. Segundo Löwy, o núcleo da sua singular interpretação do marxismo, é irredutivelmente romântico - o que, do ponto de vista da ortodoxia stalinista, era uma heresia. Em artigo de 1941, Vladimir Myasishchev, denunciou o "populismo" e o "romantismo" de Mariátegui, para demonstrar que seu pensamento era estranho ao marxismo. Como exemplo deste "romantismo nacionalista", Myasishchev citava as teses de Mariátegui sobre a importância do coletivismo agrário inca para a luta socialista moderna no Peru.
Nos Sete ensaios, Mariátegui examina a situação econômica e social do Peru, de um ponto de vista marxista. A obra é considerada como o primeiro documento de análise da sociedade latino-americana. O livro parte da história econômica do Peru e prossegue apresentando o "problema indígena", que o autor liga ao "problema agrário". Os demais capítulos são dedicados à educação, à religião, ao regionalismo e à centralização, assim como à literatura. Na mesma obra, Mariátegui responsabiliza os proprietários de terras pela situação econômica do país e pelas condições de vida miseráveis dos indígenas da região. Ao mesmo tempo, observa que o Peru teria ainda numerosas características das sociedades feudais e defende a ideia de que a transição para o socialismo poderia ocorrer através das formas de coletivismo tradicionais, praticadas pelos indígenas. Mariátegui foi redator do jornal El Tiempo. Fundou o Partido Comunista do Peru e a Confederação Geral dos Trabalhadores do Peru.

Em vida, Mariátegui publicou apenas dois livros (La escena contemporánea e 7 ensayos de interpretación de la realidad peruana), deixando inacabados e inéditos dois outros (El alma matinal e Defensa del marxismo), publicados em 1950 e 1955, respectivamente, embora, em grande parte, já tivessem sido publicada pela imprensa. Todos os seus livros, além da sua abundante produção jornalística (artigos, conferências, ensaios e uma novela), escritos ao longo de apenas sete anos (1923-1930), foram editados e publicados após a sua morte, por iniciativa de sua viúva e seus filhos.


Obras
La escena contemporánea. Obras completas, Vol. 1. Ed. Amauta.
7 ensayos de interpretación de la realidad peruana, Obras completas, Vol. 2. Ed. Amauta.
El alma matinal y otras estaciones del hombre de hoy, Obras completas, Vol. 3. Ed. Amauta.
La novela y la vida. Siegfried y el profesor Canella, Obras completas, Vol. 4. Ed. Amauta..
Defensa del marxismo, Obras completas, Vol. 5. Ed. Amauta.
El artista y la época. Obras completas, Vol. 6. Ed. Amauta.
Signos y obras. Análisis del pensamiento literario contemporáneo, Obras completas, Vol. 7. Ed. Amauta.
Historia de la crisis mundial. Conferencias pronunciadas en 1923. Obras completas, Vol. 8. Ed. Amauta.
Poemas a Mariátegui (compilação com prólogo de Pablo Neruda). Obras completas, Vol. 9. Ed. Amauta.
José Carlos Mariátegui, por María Wiesse, Obras completas, Vol. 10. Ed. Amauta.
Peruanicemos al Perú, Obras completas, Vol. 11. Ed. Amauta.
Temas de nuestra América, Obras completas, Vol. 12. Ed. Amauta.
Ideología y política, Obras completas, Vol. 13. Ed. Amauta.
Temas de educación, Obras completas, Vol. 14. Ed. Amauta.
Cartas de Italia, Obras completas, Vol. 15. Ed. Amauta.
Figuras y aspectos de la vida mundial. Tomos 1, 2 e 3 Obras completas, Vol. 16, 17 e 18. Ed. Amauta.



Fontes








28 setembro 2020

DESENHOS DIÁRIOS


O mundo é obscuro lá fora

Fatia de bolo de frutas

Um dia de vento 


Fatia de bolo

Mesoderm caricia

Splancnodesejos

Panamphibiomorpho

Myxiniforme I

Nimphaptera

Nimphaptera II

Notocorda de Eros



Neurocorda















 

13 setembro 2020

SOU TRABALHADOR

 Sou trabalhador

Sou trabalhador, portanto, classe média. Primeiramente quero deixar claro aqui que não sou fascista, nem cristofascista nem de extrema direita. Em meu humilde pensamento, acredito que existam na república forças que defendem o pais contra ataques externos, e que essas forças não devam se misturar com a política. 

Existe uma "Carta" que rege nosso proceder nessa sociedade, devemos segui-la, e defendê-la a todo custo, dos ataques internos, Essa carta se chama "Constituição Cidadã de 1988. Eu a vi nascer. Eu participei como jovem universitário, que era,  dos debates com meus colegas do CA.  Eu vi nossa Constituição Cidadã ser promulgada em 1988. 

Desde então Essa Carta Cidadã regula a minha existência. Eu a defendo e a enalteço sempre. Ela é a norma que, se cumprida totalmente o único resultado é a felicidade do nosso povo. 

Desde 1988 ela vem sendo atacada constantemente. E se pararmos para pensar devemos chegar a conclusão inequívoca de quem quer abolir a nossa Constituição ou modificá-la não é o Povo, são grupos que representam interesse que não constam nela. Comparados com o povo trabalhador são minoria mas tem o peso e o poder do capital ao seu lado. 

Assim, as Forças, i.e., as Instituições que corporificam e defendem a Pátria devem segui-la e defendê-la ao pé da letra: e se abster de participar do debate político.  

Eu, com milhões e milhões de outros trabalhadores, sei que minha felicidade passa pelo cumprimento total da Constituição. Em tudo que faço sempre penso que o que estou fazendo está, em última análise, contribuindo para a felicidade de todos. Como Ela (nossa Constituição) regula todos os aspectos da nossa vida em sociedade, então, se eu fizer bem o meu trabalho, estarei contribuindo para chegarmos a essa felicidade que ela promete em suas linhas e letras vivas. 

E filosoficamente só podemos evoluir como sociedade, aperfeiçoando a carta que nos rege; e não voltando ao passado e reeditando regras já testadas. O direito deve contribuir para a felicidade geral, pois esta baseado na nossa Carta Maior. A sociedade deve evoluir sempre com o fim último de promover o bem estar e a felicidade do povo.  

As leis a meu ver também evoluem, vejamos por exemplo o Código de Hamurábi (conjunto 282 leis criadas por Hamurábi, sexto rei da Suméria, da primeira dinastia babilônica, no século XVIII a.C., na Mesopotâmia). 


Mesmo no séc. XVIII a.C., Hamurábi criou um conjunto de leis no qual a pena não seria uma vingança desmedida, mas proporcional à ofensa cometida pelo criminoso. Ele afirmou que elaborou esse conjunto de leis "para que o forte não prejudique o mais fraco, a fim de proteger as viúvas e os órfãos e para resolver todas as disputas e sanar quaisquer ofensas." Era um Código baseada na Pena de talião, ou lei da retaliação (lex talionis; lex: lei + talio, talionis, de talis: tal, idêntico) que impunha retaliações duras como pena aos crimes cometidos pelas pessoas. 

Mesmo que o Código de Hamurábi se preocupe com a dosagem da pena, que a pena seja proporcional ao crime, podemos ver que evoluímos muito. Nossas leis são muito mais educativas e reabilitadoras e levam em consideração a dignidade da pessoa humana. 

É lá, na nossa Constituição, que está a nossa segurança, nossa legitimação ultima como seres humanos, a legitimação da nossa felicidade como povo como sociedade. Ela é a nossa identidade, e fornece um norte e um caminho para o bem viver.

Como trabalhador, não temos nada, além da minha força de trabalho, força esta proporcionada pelo membros, como trabalhadores só temos nosso corpo e nosso intelecto. Apesar de estar na classe média, não compartilho os valores da classe média como um todo. Para mim, particularmente, é mais importante a vida, do que a aparência. Do ponto de vista da classe média, não sou um cidadão de bem, da família tradicional brasileira, já que essa família pelo que vimos concentra o preconceito, o egoísmo, a exploração do outro, e todo tipo de mazela que tenta esconder, se espelhando nos valores de uma elite escravocrata e exploradora. 

Eu não tenho nada. Posses, fortunas, não tenho nem carro. O que importa para mim é ver outro brasileiro conseguindo vencer, sendo feliz, seguindo seu sonho. 

Não tenho nenhum orgulho do que os brasileiros da classe média (35% a 38% da população brasileira) estão fazendo com os outros 64% ou 61%  da população. Esses mais de 60% que não estão na classe média, Esses sim são os que carregam o piano, o peso o fardo da existência. Carregam o peso para que a elite e a classe média possam viver bem. 

São estes os que mantém o pais. Estes são os trabalhadores, (assumindo que 1% detém mais do que o dobro da riqueza do pais) e 30 a 35% pertence a classe média os outros 64% estão no limbo, sem água, sem luz, sem moradia, sem saneamento básico, sem educação sem saúde. 

Por isso não compartilho nenhum valor com a classe média. Que se acha elite mas é assalariada. São empresário mas trabalham para aplicativo, se acham empreendedores. 

Tenho dívidas. Tenho sonhos. Poucos sonhos, confesso. Pois sei que ter sonhos no Brasil não leva a lugar nenhum. Mas incentivo aqueles que tem seu sonhos e seus projetos de vida. Por isso só a resistência aos representantes da elite, sejam eles da direita ou da extrema direita, eles não me representam em nada.

Só a luta diária contra o avanço do neoliberalismo pode justificar a existência do trabalhador. Não é o trabalho que legitima o humano. Isso foi uma construção da modernidade. Então vamos lutar juntos por esse mundo que ainda esta na letra da nossa Constituição Cidadã. De lá vem um sopro de esperança que os legisladores nos legaram, ao auscultar a população na hora de escrever a Carta que nos legitima e define. Boa luta!





12 setembro 2020

A ORIGEM DO DIREITO É O CAPITAL

 A ORIGEM DO DIREITO É O CAPITAL 


Têmis ou Themis


Têmis ou Themis
Muitas pessoas não saber por que a deusa Themis é um símbolo do direito. Ela leva esse título porque na mitologia grega ela era conhecida como a deusa da justiça. Filha de Urano (céu) e Gaia (terra), Themis é tradicionalmente representada com uma venda nos olhos. Recentemente tem sido representada com os olhos descobertos como significado da Justiça Social. Ela carrega a balança, para indicar que todos devem ser julgados com igualdade, a espada e as tábuas da lei.


Cegueira 
A cegueira ou venda indica a imparcialidade da justiça. Na Grécia antiga era comum a representação de poetas e adivinhos com vendas nos olhos como uma forma de exprimir a sua sabedoria. A deusa da justiça também aparece vendada para demonstrar o julgamento das ações sem a necessidade de ver a figura da pessoa julgada. 


Espada 
Na justiça ou em outras áreas, a espada significa poder. É a arma contra a injustiça e o mal. A ferramenta também simboliza a misericórdia pelo bem e o perdão do inocente e a punição para o mal.




Recentemente ouvi uma palestra no canal TVIAB no YouTube;  O webinar Papo com o IAB sobre "Temas de Direito Constitucional e de defesa do estado democrático" foi aberto pela presidente nacional do IAB, Rita Cortez. A advogada defendeu a produção de conhecimento, destacando o centenário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “que muito tem contribuído para a ciência e a pesquisa no País”.
O jurista Lenio Streck, criticou também os desrespeitos aos ditames constitucionais que protegem os direitos fundamentais. 

“A impressão que se tem de que a Constituição Federal não trata da ciência, do meio ambiente e da educação decorre do fato de que a comunidade jurídica não faz os devidos constrangimentos junto ao Judiciário e ao Legislativo, para que ela seja integralmente cumprida”, afirmou o jurista.

Segundo o jurista "as faculdades de Direito nunca formaram tantos fascistas, como nos últimos anos", uma constatação de quem labuta na educação seja ela dentro da sala de aula ou como julgado e informando a sociedade, das normas que são princípios para bem viver em sociedade.

Parece que estamos produzindo fascistas aos borbotões, em todos os âmbitos e em todas as classes da sociedade brasileira e do mundo. Essa é a percepção que compartilho com esse jurista. Há tempos (notadamente de 2013 para cá venho refletindo sobre esse assunto. 

Tenho me feito seguinte pergunta, então, como se forma um fascista, qual o currículo, quais são os textos, que matérias, conteúdo são elegidos para tal formação. Para meu espanto, quando comparei com as minhas leituras, que fiz nos bancos escolares, desde o ensino médio e depois na faculdade com as leituras de meus colegas.  Chegamos à universidade juntos, fizemos as mesmas cadeiras, com os mesmos professores. Chego a espantosa conclusão que não há diferença significante na formação. 

Eu não soube identificar os textos, que serviram base para a formação fascista. Já que todos lemos os mesmo livros para nos formarmos na universidade, essa formação então deve estar em outro lugar. Mesmo não sabendo identificar qual a ementa do fascismo, algo fica claro, a educação tem um papel importante. Assim como a liberdade de expressão e a liberdade de cátedra dos professores. 

Está claro, em que pese o papel da educação, que a escola de qualidade contribui para a formação do homem seja ele fascista ou não. E o humanismo contribui sobremaneira para que tenhamos uma visão empática do outro e da sociedade. A educação fornece instrumentos de análise e transformação do mundo. Com educação chega-se a tecnologia e ao desenvolvimento. Com esses chega-se a uma economia planificada que provê sustento a todos os cidadãos. Quando não há educação de qualidade, todas as demais realidades que surgem com a excelência deixam de existir. Assim, se produz um homem sem cultura e ignorante. A economia vira "um campo de goytacazes"ª, uma terra de ninguém, um capo de batalha,  onde o egoísmo e a opressão é a norma; desconsiderando-se os preceitos contidos na Magna Carta.  

“As faculdades de Direito nunca formaram tantos fascistas, como nos últimos anos”, (Lenio Streck), ele classifica esse fenômeno como ”negacionismo jurídico” o comportamento dos recém-formados que reclamam do excesso de leis. 
Ora, como um cidadão pode reclamar das leis? A nós cidadãos, cabe cumprir as leis, respeitá-las, posso discordar delas mas sou obrigado a respeitá-las, e não posso reclamar, as leis estão ligadas ao que nos legitima como povo soberano, a Constituição Cidadã de 1988. 

Esse texto defende a vida e trata a vida como um direito inalienável. O “direito à vida envolve o princípio da dignidade da pessoa humana, que, por sua vez, implica um meio ambiente ecologicamente equilibrado”. Se a constituição é norma, a ela só se deve uma posição: cumpri-la. Ela já contem os parâmetros para o nosso desenvolvimento e em última analise para nossa finalidade e para a nossa felicidade.

A advogada Isabella Guerra, integrante da Comissão de Direito Constitucional, em entrevista ao IABNews, destacou a competência comum atribuída pela Constituição Federal, no âmbito ambiental, à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios. “Cabe a todos, igualmente, proteger o meio ambiente e combater a poluição, preservando as florestas, a fauna e a flora, ou seja, a vida.” Ao lermos isso a primeira pergunta que atravessa nosso pensamento é: então por que o governo afrouxou todos os dispositivos legais que impedem a destruição do ambiente e o envenenamento de mananciais de água? Não é isso um ataque frontal à Constituição Federal?

O estado deve prover esses meios, está escrito na constituição. Logo, politicas públicas para educação, devem seguir a normatização que consta na Carta Magna. Ela estabelece a premissa para que seja cumprido o objetivo de todo ser  humano nesse mundo: a vida digna e a felicidade. Para que se alcance esse objetivo é necessário seguir normas. E a norma maior e a Constituição Cidadã de 1988. Assim como estabelece normas para servidores sejam eles do primeiro escalão, do Judiciário, das Forças Armadas. Ninguém esta fora de suas páginas.  

Como, então, explicar essa onda de ignorância que tomou conta do país nos últimos anos, considerando que foram "nesses últimos anos", o período onde houve maior investimento, ampliação e qualificação da educação no Brasil? 

Pela criação das IFEs pelo ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva através da Lei 3775/2008 que instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que criou os Institutos Federais de Educação. Implantou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, constituídos a partir da integração e reorganização dos CEFETs, ETFs e EAFs vinculados às Universidades Federais nos Estados e DF para formação de recursos humanos, difusão do conhecimento científico e tecnológico com suporte à produção local. 

Através da Lei 3775/2008 foram criados 38 Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia a partir da integração ou transformação de 31 Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets), 75 Unidades Descentralizadas de Ensino (Uneds), 39 Escolas Agrotécnicas, 7 Escolas Técnicas Federais e 8 Escolas vinculadas a universidades. Esses institutos, junto com as universidades, detém toda a massa crítica do país, e é responsável por toda a publicação científica e filosófica do Brasil. 

Essa onda fascista tem seus reflexos inclusive nesse ambiente universitário de livre pesquisa e livre pensamento. Ora, era para o país estar colhendo agora os frutos da valorização feita na ciência, na democracia e na cidadania, fomentada nos IFEs em em todas as escolas criadas na década passada. Mas os egressos dessas instituições não receberam formação humana nem dos seus deveres para com quem lhes custeou a estada nestes institutos e nas universidades. Faltou deontologia (do grego: δέον, deon, "dever, obrigação" + λόγος, logos, "ciência"), à luz da Constituição Cidadã. O currículo esqueceu sua formação humana e crítica. 

Eu arrisco uma hipótese sobre essa "onda" fascista, como sendo oriunda em parte da má formação política dos professores e da má formação política da classe média. E parte dessa responsabilidade deve recair sobre os partidos progressistas que no afã de "mostrar serviço" abandonou o trabalhador à sua própria sorte no que concerne a sua formação política.

Só a organização da classe trabalhadora e da classe média com um todo se pode reverter esse quadro. A formação política passa necessariamente na formação de um corpo de trabalhadores qualificados no pensamento progressista. 
   
Pensávamos anteriormente que a uma sociedade é autoritária e fascista devido a sua pouca educação e prevalência de estruturas arcaica que impedem o acesso a educação e ao conhecimento, à modernidade. Mas temos que rever tal concepção pois à luz de dados históricos de muitas sociedades no planeta, não é somente isso que esta fazendo os trabalhadores a se inclinarem para a direita e para sua própria extinção. 

A ideia de que a explosão fascista resulta de estrutura educacional deficitária é falsa. Devemos lembrar que o fascismo nasceu na Europa e prosperou exatamente na nação de melhor educação daquele continente: Alemanha. Ademais, o fascismo é um fenômeno de classe média, portanto de gente de amplo acesso à educação. A população da Alemanha em 1939 era de 89.503,300 pessoas e nas eleições de 1932, Hindenburg conseguiu 53,1% dos votos e Hitler conseguiu 36,7% dos votos tornando-se Reischskazler. 


Durante a década de 1920, Adolf Hitler era pouco mais do que um ex-militar bizarro de baixo escalão, que poucas pessoas levavam a sério. Ele era conhecido principalmente por seus discursos contra minorias, políticos de esquerda, pacifistas, feministas, gays, elites progressistas, imigrantes, a mídia e a Liga das Nações, precursora das Nações Unidas. Em 1932, porém, aproximadamente 37% dos eleitores alemães votaram no partido de Hitler, a nova força política dominante no país. Nas zonas rurais onde Hindenburg havia vencido em 1925, desta vez ficou bem abaixo da média e onde Hitler venceu com facilidade. Esses proprietários rurais representam um eleitorado conservador e moralista, que fazia eco às falas de Hitler. 

Ora, podemos afirmar com certa segurança que a grande maioria dos votos dados a Hitler vieram da classe média conservadora, xenófoba e racistas. O fascismo é uma resposta, com o uso de violência cruenta e em larga escala ignorância contra as promessas da modernidade que estagnaram o crescimento na Alemanha. 

Assim como na Alemanha da década de 1920, hoje os neo-fascistas atacam os centros culturais dessa modernidade (escolas, universidades, Institutos Federais de Educação) são duramente atacados. A razão acadêmica que sustenta a modernidade passa a não produzir efeitos de verdade. 

Então, paradoxalmente, pululam inclusive dentro desses espaços, estudantes e professores de Direito contra leis presentes na Constituição; estudantes e professores de História exigindo uma revisão do passado para eliminar problemas do tempo presente; estudantes e professores de Filosofia que arrastam Olavo de Carvalho para o debate filósofo a fim de superar a coerência intelectual. É o contexto de pós-verdade.

Como o fascismo é fenômeno de classe média, uma classe que utiliza o "capital cultural" a fim de ocupar espaço importante no corpo social, a crise do capital, que incrementa a desigualdade e acarreta insegurança laboral, desdobra-se no medo à modernidade, ao mundo moderno democrático que carrega liberdades individuais e culturais corporificados nos Direitos Humanos. 

Em síntese, o caos econômico e social do sistema capitalista é sublimado como problema moderno da corrupção política, dos estrangeiros roubando empregos, da violência urbana e do esbatimento da família burguesa tradicional (1).

Assim, as fontes do conhecimento moderno são objetos de ataque por meio do tal "negacionismo". Paradoxalmente, a reação fascista advém das massas educadas.
Assim, pode-se concluir que não é a educação que evita o fascismo, mas a estabilidade econômica. Que podemos observar nos efeitos do Plano Marshal; por isso foi importante este plano foi sumamente importante e o Estado do bem-estar para conter o fascismo europeu.

conversa com um amigo filósofo....

Contra o fascista as armas políticas são inúteis, pois é uma guerra que deve ser travada dentro da própria casa...

Não temos pais, irmãos, primos, vizinhos ou amigos FASCISTAS, são TODOS inimigos de guerra...




1. Um amigo filósofo em comunicação pessoal

a. campo de goytacazes (em alusão a planície costeira onde hoje esta localizada a cidade de Campos/RJ que por dezenas de anos quem tentasse se apossar das terras era dizimada pelos índios Goytaká (grandes corredores ou homem que sabe nadar).







IMAGENS MEMÓRIAS

 CÁRO CÍBUS SANGÜIS PÓTUS 


FAC VIDERE

ACASO



MEMENTUM 

NON DIVISUS

SODALES