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17 maio 2020

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IDEIAS


 

VEXILOLOGIA

VEXILOLOGIA 

A vexilologia é o estudo das bandeiras, estandartes e insígnias e das suas simbologias, usos, convenções etc. 
Este termo foi criado por Whitney Smith, dos Estados Unidos, com vasta obra publicada sobre o assunto.

A bandeira com a cruz gamada hindu tremula no grande encontro de peregrinação (kumbh mela) Simhasth, na cidade de Ujjain, em Madhya Pradesh (Índia). No hinduísmo, a suástica representa a ideia de deus, Brama. Se gira para a direita (em sentido horário, como a nazista), simboliza a evolução do universo encarnada pelo deus criador Brama. Por outro lado, no sentido anti-horário representa a involução do universo, obra do deus destruidor Shiva. Os círculos correspondem aos quatro pontos cardeais, símbolo de estabilidade. 


A suástica é um símbolo de paz, prosperidade e boa sorte para quase 2,3 bilhões de pessoas, um terço da humanidade. A maioria delas se encontra na Ásia, onde é um emblema sagrado para o budismo, o hinduismo, e o jainismo, o odinismo é outro exemplo. Isso pensava o monge budista T.K. Nakagaki quando, em abril de 1986, recém-chegado aos Estados Unidos, elaborou uma cruz gamada de crisântemos para celebrar o aniversário de Buddha e a colocou em seu templo de Seattle (Costa Oeste). Seus companheiros entraram em pânico. “Não pode fazer isso”, gritaram. Foi o momento de seu despertar. A última vez que a utilizou no Ocidente.

Por isso é importante estudar vexilologia, para entender seu contexto, seu design, para entender os símbolos e também entender sua influência nos povos, governos e no mundo. (matéria do Jornal El Pais). 


VEXILOLOGIA 

O estudo de bandeiras, ou vexilologia, foi formalizado pelo estudioso e estudante de bandeiras Whitney Smith em 1961, com a publicação do The Flag Bulletin. Durante sua vida, Smith organizou várias associações e reuniões de bandeira, incluindo o primeiro Congresso Internacional de Vexilologia (ICV), a Associação Vexilológica da América do Norte e a Federação Internacional de Associações Vexilológicas (FIAV). 

O nome dessa “ciencia” provém de vexillum, nome dos estandartes utilizados no exército romano, mais o sufixo grego logia, estudo. 

A palavra vexillum é um derivativo da palavra latina velum, que significa vela (de navio, barco), o que confirma as evidências históricas (de moedas e esculturas) de que a palavra vexilla era literalmente "pequenas velas": estandartes semelhantes a bandeiras. 

No vexillum romano, o tecido ou pano era pendurado em uma barra horizontal suspensa em um mastro ou cajado. O que é muito diferente da maioria das bandeiras modernas nas quais o "guindaste, puxador" do tecido (parte amarada nos cordões) é afixado diretamente a um mastro vertical. O portador de um vexillum era conhecido como vexillarius ou vexillifer. 

Assim como no caso das cores regimentais ou bandeiras dos primeiros regimentos ocidentais modernos, o vexillum era um símbolo precioso da unidade militar que representava e era ciosamente defendido em combate. Era o principal estandarte de alguns tipos de unidades, especialmente cavalaria; no entanto, era considerado menos importante que a Aquila de uma legião, ou águia, e pode ter representado uma subdivisão de uma legião. 

Uma Aquila (latim para "águia") era um símbolo de destaque usado na Roma antiga, especialmente como o estandarte de uma legião romana. Um legionário conhecido como aquilífero, o "portador da águia", carregava esse estandarte. Cada legião carregava uma águia.

Reconstrução moderna de uma Aquila 
levada pelas legiões romanas 


No entanto, isso não está totalmente claro nas fontes sobreviventes (ver vexillatio). O único vexílio militar romano existente é datado da primeira metade do século III d.C. e está alojado no Museu Pushkin de Belas Artes. É um pedaço quase quadrado de pano de linho grosso com a imagem da deusa Victoria e mede 47×50 cm. A borda inferior tem os restos de uma franja. O vexillum foi anexado uma vez a um pedaço de madeira de junco (?) (reed wood). 
Não se sabe a qual unidade militar o vexilum pertencia. O vexillum foi encontrado no Egito pouco antes de 1911, mas sua procedência exata também não é clara. 

Quando Constantino abraçou o cristianismo,, uma figura ou emblema de Cristo, tecida em ouro sobre tecido púrpura, foi substituída pela cabeça do imperador. Esse padrão ricamente ornamentado era chamado labarum. O labarum ainda é usado hoje pela Igreja Ortodoxa no culto de domingo. A procissão de entrada do cálice, cujo conteúdo logo se tornará santa comunhão, é modelada após a procissão dos padrões do exército romano. 

Mesmo após a adoção do cristianismo como religião do Império Romano (315 d.C.), a águia continuou a ser usada como símbolo pelo Sacro Império Romano e pelo Império Bizantino. Particularmente a águia de duas cabeças, apesar de ter uma forte ligação com símbolos pagãos, e ela mesmo ser um simbolo pagão, tornou-se muito popular entre os cristãos. 

Uma pessoa que estuda as bandeiras é chamada vexilologista, e arte de desenhar bandeiras é chamada vexilografia. 
Quem tem como hobby colecionar ou é um admirador geral de bandeiras é um vexilófilo. 

A FIAV (Federação Internacional das Associações Vexilológicas) coordena várias associações de entusiastas deste campo do conhecimento. A cada dois anos esta organização promove congressos de vexilologia. 

Whitney Smith, que reconhecidamente criou o termo "vexilologia" em 1957, escreveu: [enquanto] o uso de bandeiras remonta aos primeiros dias da civilização humana, o estudo desse uso de maneira séria é tão recente que o termo por isso ... não apareceu em impressões até 1959. 

Antes desse período, o estudo das bandeiras e estandartes era geralmente considerado parte da heráldica. O envolvimento na vexilologia inclui trabalho acadêmico em áreas como sociologia, história e design, profissional ou não, contribuições da indústria das bandeiras e interesse daqueles simplesmente apaixonados por bandeiras. 

O ICV e as reuniões vexilológicas locais geralmente cobrem uma ampla gama de interesse em bandeiras. Desde 1969, um Congresso Internacional de Vexilologia é organizado a cada dois anos sob os auspícios da FIAV; os trabalhos apresentados em um ICV são publicados posteriormente como Anais deste Congresso. 

“Há muita semiótica escondida no uso das bandeiras que age sobre o inconsciente. Triunfam porque com certeza provocam grandes emoções em muitos países. Quando a identidade está em perigo, a pessoa se apoia na bandeira”, explica José Enrique Ruiz-Domènec, professor de história na Universidade Autônoma de Barcelona e autor, entre outros, do ensaio de referência: Europa. Las claves de su historia (RBA). 

José Manuel Erbez, bibliotecário da Universidade de La Laguna e secretário da Sociedade Espanhola de Vexilologia (a ciência que estuda as bandeiras), por sua vez, explica que “no final do século XVIII e início do XIX surge a necessidade de identificar a nação com um símbolo, e dessa forma surge a enorme carga simbólica das bandeiras”. “Antes tinham mais a função de identificar objetos e comunidades com o rei, como indicar o barco do monarca”, prossegue. “Quando a bandeira passa a identificar uma coletividade ela começa a ter uma carga simbólica mais forte e mais emocional. As pessoas continuam precisando se identificar com um grupo, e a bandeira é um símbolo enorme: é uma forma simples de expressar uma ideia muito complexa.” 

Embora as bandeiras tenham começado a se disseminar na Idade Média, como continuação da heráldica, os brasões dos nobres, pelos quais eram reconhecidos, tornaram-se representações dos territórios que governavam, sua origem é muito mais antiga. 

“Os gregos não tinham insígnias”, explica Óscar Martínez, tradutor da Ilíada que acaba de publicar “Héroes que miran a los ojos de los dioses” (da Edaf, não disponível em português; em tradução livre, Heróis que olham nos olhos dos deuses), uma história da Grécia antiga. “Quando Homero fala sobre os gregos, não menciona nenhuma bandeira, tampouco por parte dos troianos. 
Mas Xenofonte conta que os persas portavam bandeiras, especialmente para identificar o rei.”

No caso das legiões romanas, as insígnias inicialmente tinham como função facilitar a movimentação das tropas no campo de batalha, mas no final se tornaram elemento fundamental de identificação. “Uma legião que perdia o estandarte da águia se dissolvia”, explica Martínez. 
Em Bizâncio, os corredores das disputas em quadrigas se dividiam entre azuis e verdes, e a defesa das cores era tão selvagem que às vezes descambava para revoltas como a de Nika, que provocou a morte de milhares de pessoas no ano 532. 

As bandeiras da forma como as conhecemos e usamos hoje estão relacionadas ao nascimento dos Estados modernos. “Há duas bandeiras fundamentais, que nascem de revoluções das quais surgem Estados nacionais: a bandeira norte-americana e a bandeira francesa”, explica Ruiz-Domènec. 

São bandeiras que representam a vontade popular”.

“A bandeira tricolor francesa simboliza a revolução que se levanta contra a Flor de Lis da monarquia (A flor de lís é claramente simbólica, pois é o símbolo da Casa Real de Bourbon, representava a monarquia que oprimia o povo através de impostos cada vez mais pesados), enquanto a norte-americana encarna o nascimento de um Estado durante a guerra de Independência, contra os tributos e desmandos do rei George III. Por isso estes dois exemplos são bandeiras incombustíveis, com um peso simbólico muito grande no imaginário coletivo, e por isso, tiveram muita influência no desenho de bandeiras posteriores.” 

George William Frederick, George III da Inglaterra 

Também foi duque e príncipe-eleitor do Eleitorado de Brunsvique-Luneburgo no Sacro Império Romano-Germânico até sua promoção a Rei de Hanôver em 12 de outubro de 1814. George foi o terceiro monarca britânico da Casa de Hanôver. Sua vida e reinado foram marcados por disputas políticas no parlamento e uma série de conflitos militares principalmente contra a França, que a Grã-Bretanha acabou derrotando na Guerra dos Sete Anos. 
Porém, logo muitas das suas colônias na América do Norte foram perdidas na Guerra de Independência dos Estados Unidos. Outras guerras começando em 1793 contra a França revolucionária e napoleônica concluíram-se com a derrota de Napoleão Bonaparte na Batalha de Waterloo em 1815. 


ORIGEM DAS BANDEIRAS 

Segundo alguns artigos a origem das bandeiras remonta à Idade Média, quando os exércitos aliados, para não se confundirem uns com os outros, usavam um pedaço de pano hasteado num estandarte, com as cores e sinais de identificação do batalhão ou companhia envolvida. Assim evitavam o temido fogo amigo. As bandeiras têm suas origens nas insígnias, sinais distintivos de poder ou de comando usados desde a antiguidade e que poderiam ser figuras recortadas em madeira ou metal, ou pintadas nos escudos. 

A substituição dos signos figurados de material rígido por tecidos pintados em cores vivas foi feita pelos romanos, com seu vexillium, vexillum (estandarte), uma tendência que se acentuou durante a Idade Média.

O unico vexillum romano existente datado do terceiro século AD. Museu de Belas Arte Pushkin, Russia. 


Reconstituição moderna de um vexillum romano da cavalaria 

O documento mais antigo de regulamentação do uso das bandeiras de que se dispõe está incluída nas Siete Partidas do rei Afonso X, o sábio (1252-1284), especificando as diferenças entre o estandarte privativo de um príncipe, os pendões, os hierárquicos dos comandantes militares, as flâmulas de cada regimento, etc. Com as modificações trazidas pelo tempo, esse ainda é basicamente o procedimento usado até hoje: em todos os países o uso das bandeiras obedece à regulamentação rigorosa quanto à forma, cores e maneira de hastear. 

No caso das bandeiras nacionais, a simbologia pode ou não observar as convenções heráldicas: a da República França, por exemplo, limita-se exibir as cores nacionais, mas a do Reino Unido tem um significado heráldico na medida em que se combina a cruz vermelha de São Jorge, padroeiro da Inglaterra, com a branca de Santo André, padroeiro da Escócia, e a vermelha de São Patrício, padroeiro da Irlanda. 

O estudo da vexilologia, isto é, da história e do simbolismo das bandeiras, é uma disciplina auxiliar das ciências sociais, justamente por revelar elementos muito significativos sobre a formação de cada caráter nacional. 


BANDEIRA DO REINO UNIDO 
Flag of the United Kingdom 

A bandeira nacional do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, também conhecida por Bandeira da União (The national flag of the United Kingdom is the Union Flag, also known as the Union Jack), é resultado da sobreposição desses elementos: 

A cruz de São Jorge, da bandeira da Inglaterra (vermelha, no meio, com fundo branco) 

A cruz de Santo André, da bandeira da Escócia (branca, em formato de X, com fundo azul) 

A cruz de São Patrício, que representa a Ilha da Irlanda (vermelha em formato de X, com fundo branco) 

O País de Gales, a outra nação britânica, por sua vez, nunca foi representado na bandeira do Reino Unido, tendo sido neste sentido considerado, juntamente com a Cornualha, como uma região da Inglaterra, portanto também representado na bandeira da União pela bandeira inglesa, da cruz de São Jorge. 
Os galeses, cuja bandeira oficial constitui-se em um dragão vermelho sobre fundo horizontalmente dividido entre as cores branca (metade superior) e verde (inferior), também têm sua própria cruz, a de São Davi (amarela, no meio, sobre fundo preto). 

Em 1 de maio de 1707, ocorreu a união das coroas da Inglaterra e Escócia, dando origem ao Reino da Grã-Bretanha, cuja bandeira uniu a cruz de São Jorge à cruz de Santo André. A União da Irlanda com a Grã-Bretanha, e consequente adição da cruz de São Patrício, só se realizaria em 1801, dando origem ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. 

A bandeira ficaria inalterada mesmo com a independência da maior parte da Irlanda, que tornou-se em 1922 um país reconhecidamente independente com o nome oficial de República da Irlanda, fazendo o Reino Unido alterar seu nome oficial para o atual.


O LONGO PÓS-GUERRA DE ‘DIXIE’ 

As bandeiras têm um poder enorme para unir. 
Talvez o símbolo máximo disso seja a bandeira confederada, “Dixie”, dos 13 Estados do Sul que apoiavam a escravidão. 

A chacina de Charleston, na qual um jovem supremacista branco assassinou nove afro-americanos em uma Igreja, detonou uma polêmica em torno da exibição constante desse símbolo do racismo. 

A história desse símbolo, apesar de ser significativa para as pessoas que a apoiam é um símbolo do racismo e atualmente corporifica o supremacismo branco norte-americano. Esse símbolo está associado à Confederação e, portanto, à manutenção da escravidão não só nos EUA, além disso, esse símbolo também corporifica desde meados do século XX, a oposição ao movimento dos direitos civis. Acima de tudo é hoje uma bandeira levantada pela extrema direita (alt right) que além disso representa o conservadorismo, o autoritarismo e o fascismo. 

Liberdade 

O quadro de Eugene Delacroix 
A Liberdade guiando o povo se tornou um dos símbolos da República Francesa: a liberdade é representada por Marianne, que simboliza a pátria, com a bandeira tricolor na mão. 

A Liberdade guiando o povo (La Liberté guidant le peuple) é uma pintura de Eugène Delacroix em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. Uma mulher representando a Liberdade, guia o povo por cima dos corpos dos derrotados, empunhando a bandeira tricolor da Revolução francesa em uma mão e brandindo um mosquete com baioneta na outra. A pintura é talvez a obra mais conhecida de Delacroix. 

Delacroix retratou a Liberdade, como figura alegórica de uma deusa e como uma robusta mulher do povo. O monte de cadáveres funciona como uma espécie de pedestal, do qual a Liberdade se lança, descalça e com o peito meio descoberto, ela se projeta da tela (do espaço pictórico) para o espaço (real) do espectador. Ela usa o barrete frígio que se tornara símbolo da liberdade durante a Primeira República Francesa (1789-1794). 
O próprio barrete frígio ou barrete da liberdade que é uma espécie de touca ou carapuça, originariamente utilizada pelos moradores da Frígia (antiga região da Ásia Menor, onde hoje está situada a Turquia). Foi adotado, na cor vermelha, pelos republicanos franceses que lutaram pela tomada da Bastilha em 1789, que culminou com a instalação da primeira república francesa em 1792. Por essa razão, tornou-se um forte símbolo do regime republicano. Assim, carregado de simbolismo tanto antigo quando moderno e por isso com uma grande penetração e influência em diferentes épocas. 


O barrete 
Phrygian Cap 

No século 4 a.C. (início do período helenístico), o barrete foi associado com o frígio Átis, o consorte de Cibele, cujo culto se tornou então um culto grego. 

Por volta da mesma época, o barrete aparece em representações do lendário rei Midas e outros frigões, em cerâmicas e esculturas. Em vasos pintados e outras artes gregas, o barrete frígio serve para identificar o herói troiano Páris como um não grego; poetas romanos habitualmente utilizam o epíteto "frígio" para se referir a troianos. Pode ser encontrado também nas esculturas da Coluna de Trajano, vestida pelos dácios, e sobre o Arco de Septímio Severo vestida pelos Espartanos. Os elmos militares dos macedônios, trácios, dácios e normandos do século XII possuíam a ponta virada para frente para se assemelharem ao barrete frígio. 

O barrete frígio era utilizado pelos sincretistas helenistas e romanos para representar o deus salvador de origem persa Mitra. Ele era usado durante o Império Romano pelos antigos escravos que tinham conseguido emancipação de seus mestres e cujos descendentes eram, por esta razão, considerados cidadãos do império. Este uso é frequentemente considerado a origem de seu significado como um símbolo de liberdade. 

Durante o século XVIII, o barrete frígio vermelho ganhou a significação de símbolo da liberdade, segurado acima do mastro da liberdade durante a guerra da independência dos Estados Unidos da América. Ela também foi adotada durante a revolução francesa e faz parte, atualmente, do emblema nacional da França: Marianne vestindo uma boina frígia. 

O barrete aparece no brasão de armas de diversas repúblicas latino-americanas, nomeadamente da Argentina, Nicarágua e El Salvador, bem como na bandeira do Paraguai, do estado de Nova Iorque e no selo oficial do Exército dos Estados Unidos. No Brasil, o barrete frígio surge no desenho da bandeira dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina (lei n.º 975, de 23 de outubro de 1953); nos brasões dos estados do Acre, do Amazonas, da Bahia, da Paraíba, das cidades do Rio de Janeiro e de Viamão (Rio Grande do Sul). O barrete frígio é também mostrado em certas moedas mexicanas (mais notadamente na antiga moeda de oito reales) durante o fim do século XIX até meados do século XX e escudos portugueses da primeira metade do século XX. Também é uma denominação utilizada na medicina para uma variação anatômica da vesícula biliar, devido à semelhança da sua forma. 

Nesse mosaico do final do século VI em São Apolinário Novo na cidade de Ravena (Itália), encontramos as boinas frígias (ou barretes) que identificam essas figuras como sendo os Três reis magos que "vieram do leste" (oriente) seguindo uma estrela.







Representação de barretes frígios em ilustrações, elmos, impressos pela comemoração da liberdade e como símbolo da república.


Ainda sobre a obra de Delacroix 

Ela segura pelo mastro uma bandeira tricolor, que ocupa o eixo médio da tela. A pintura tem sido vista como um marco do fim da Era do Iluminismo, já que muitos estudiosos identificam o fim da Revolução Francesa como o início da Era Romântica. 
Distinguem-se quatro outros personagens à beira da barricada. Há dois meninos de rua, um deles, usando uma boina e segurando duas pistolas, pode ter sido a inspiração para o personagem Gavroche, de Les Misérables de Victor Hugo; o outro, abaixado, quase rente ao solo, usa um boné de policial e segura uma espada. Há também um homem de cartola, o que sugere se tratar de um burguês, e, atrás dele, um proletário, usando uma boina e com um sabre na mão. Atrás, pode-se ver um estudante da prestigiosa École Polytechnique, identificado pelo tradicional bicorne. O que todos têm em comum é o olhar intenso e determinado. 
Ao longe, emergindo da densa névoa, veem-se as torres de Notre-Dame. 
A identidade do homem da cartola tem sido amplamente debatida. A sugestão de que seria um auto-retrato de Delacroix foi eliminada pelos historiadores da arte moderna. No final do século XIX, foi sugerido o diretor teatral Étienne Arago; outros têm sugerido o futuro curador do museu do Louvre, Frédéric Villot, mas não há consenso sobre este ponto. Os principais personagens se inscrevem dentro de um triângulo em cujo vértice superior está a bandeira. As cores predominantes são azul, branco e vermelho, que se destacam dos tons de cinza e marrom predominantes. A liberdade guiando o povo, pode guiá-los, pois corporifica um sentimento e porta um símbolo, a bandeira tricolor além de estar usando um barrete frígio. 

As duas imagens mais famosas da II Guerra mundial também estão relacionadas a bandeiras: a foto tirada por Joe Rosenthal em fevereiro de 1945 que mostra fuzileiros içando a bandeira norte-americana em Iwo Jima, uma das batalhas fundamentais para a derrota do Japão, e a que Yevgueni Jaldéi fez, em 2 de maio de 1945, de soldados do Exército Vermelho içando a bandeira soviética sobre o Reichstag de Berlim, nos estertores finais do nazismo. O filme Crimes Ocultos, em cartaz nos cinemas brasileiros, narra a história fictícia do protagonista dessa foto, convertido em herói na URSS.




Um dos grandes momentos da transição espanhola também tem relação com uma bandeira. Foi quando, sete dias depois de sua legalização, e em meio a acaloradas discussões internas, o Partido Comunista decidiu mostrar a bandeira espanhola bicolor junto com a do PC em todos os seus atos. 

Numa entrevista coletiva, em 17 de abril de 1977, o líder comunista Santiago Carrillo explicou, diante de uma bandeira vermelha e amarela: 

De agora em diante a bandeira com as cores oficiais do estado figurará ao lado da bandeira do Partido Comunista. Sendo parte deste Estado, a bandeira não pode ser monopólio de nenhuma fração política, e não poderíamos deixá-la para os que querem impedir o caminho pacífico para a democracia”. 

No entanto, as bandeiras marcaram e marcam a vida política espanhola, como avanço social, a bandeira do arco-íris marca o dia do orgulho gay na cidade e na Comunidade de Madri, ou como reivindicação nacionalista. 

As guerras de bandeiras na Catalunha e no País Basco pela presença da bandeira nacional nas regiões autônomas foram outra constante desde a transição. A Uefa acaba de processar o Barça pela exibição de bandeiras estreladas, independentistas catalãs, durante a final da Champions. 

Quase 40 anos depois, a aparição de Pedro Sánchez em um ato político com uma bandeira como pano de fundo continua despertando um debate interminável. “Carrillo tinha muito claro que não queria começar uma guerra de bandeiras”, explica Ruiz-Domènec, que reconhece que, diferentemente do que acontece em muitos outros países europeus, a “Espanha não conseguiu transformar a bandeira em um símbolo inclusivo”. 

Não só na França, Estados Unidos ou Reino Unido com sua célebre Union Jack: na Holanda, no Dia do Rei, as ruas se enchem de bandeiras nacionais ou laranja, a cor símbolo do país; na Dinamarca, a bandeira mais antiga do mundo, que remonta ao século XVI, ou na Itália, representação do nascimento do país unido durante o Renascimento, são símbolos que quase ninguém discute. 

José Manuel Erbez destaca, por sua vez, que “ainda que se tenha chegado a um compromisso quanto à bandeira, há uma grande parte da população que nunca a aceita. Atualmente nas manifestações de esquerda é muito raro ver uma bandeira vermelha e amarela”. 

Sua origem é, no entanto, muito anterior ao franquismo: surge em 1785, depois de um concurso, como símbolo distintivo nos barcos. Suas cores chamativas tinham um objetivo muito mais prático do que simbólico. 
Antes era uma bandeira branca com um escudo”, explica José Manuel Erbez. 
Era uma decisão acima de tudo prática, para que fosse vista de longe. Primeiro foi uma bandeira da marinha de guerra, mas logo começou a ser usada pelas unidades militares em terra e acabou por se transformar na insígnia nacional.” 


Regrinhas de vexilologia 

Existem algumas regras que devem ser seguidas na hora de criarmos, ou desenharmos uma bandeira de destaque: 

Simplicidade 
A bandeira deve ser tão simples que uma criança possa desenhá-la só usando a memória.

Simbolismo significativo 
Imagens, cores ou padrões devem estar relacionados ao que ela simboliza. Use duas a três cores básicas: use, no máximo, três cores na bandeira, que contrastam bem entre si. Use o simbolismo histórico das cores para que a bandeira tenha significado mais forte.

Sem letras ou selos 
Nunca use escrita de qualquer tipo ou selo de uma organização.

Seja diferente ou seja relacionado 
Evite copiar outras bandeiras, ou parte delas, mas use semelhanças para mostrar conexões, entre o simbolismo e o significado. 














BANDEIRAS 




Nepal

Ceuta 


Barcelona

Volgograd





























Fonte