INÍCIO

07 julho 2011

ESTÉTICA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO

 ESTÉTICA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, direito previsto magistralmente pela constituiçcão brasileira, encontra seu limite quando em choque com outro, que é o da DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, (princípio máximo do estado democrático de direito) e que está acima de qualquer outro direito. Logo, o homem, mesmo podendo dizer (expressar) uma ideia, é prudente calar, se essa fala ferir a dignidade da pessoa humana. 
Todavia artistas sempre estão em uma zona limite, num território de fronteira  e assim abrem aos poucos um novo modo de pensar, e um novo caminho, i.e., ampliam nosso horizonte com suas reflexões estéticas. Contudo a arte não fala ou destroi o ser do outro, ela o amplia e informa com um novo modo de perceber as relações entre os homens e entre estes e o mundo.

BREVE HISTÓRICO
O homem para os povos antigos, era um ser bruto que devia ser educado, tinha uma parte imaterial, a  alma, (psyché) que não estava dentro do corpo ela passava pelo corpo de acordo com os demônios (daemons) de cada um. E por isso o homem era assolado pelos demônios, e por isso também, um ser amigo podia se transformar em inimigo de uma hora para outra e um ser bruto tornava-se amável; vindo dai a expressão "estar com o demônio no corpo". Em síntese, o homem era um ser imprevisível; disso tudo advém a grande valorização da amizade entre os  homens antigos, para que pudessem irmanar-se e não temer uns aos outros mesmo estando entre iguais, dada a sua natureza brutal e animalesca. Demônio é o movimento da alma que se contagia pelos demônios dos outros, seja pela distância (proximidade física) seja pela influência dos deuses, seja pela magia ou pela feitiçaria. Só no cristianismo a alma é trancafiada no corpo para que possa ser salva, pelos sacrifícios do próprio corpo. Uma ideia nunca imaginada pelos gregos antigos.

Para a filosofia grega, o homem era um animal político e dai um ser social, como dizia Aristóteles, cujo ser era a cidadania, o fato de pertencer à uma cidade-Estado, que estava em íntima conexão com o Cosmos. Para os gregos o homem não estava fora da natureza ele não via a natureza e o mundo como vemos hoje (de um lugar privilegiado) para o homem grego, o seu ser estava em fluxo com a natureza, ele não se via diante do mundo, mas esta no meio do movimento do mundo, esta dentro de um fluxo que vai do caos ao cosmos. Ele esta entre dois registros distintos o caos e o cosmos. Sintetizando, o homem grego não consegue entender-se fora desse fluxo que é o mundo. Para os gregos os humanos estão no meio dcaos e do cosmos e nem os deuses estão no cosmos (a ordem absoluta); e asseveravam que a matemática é mais perfeita que os deuses.
Esquema I.: Este esquema mostra que, para o homem grego, a existência é um fluxo e ele está em meio a esse fluxo ascendente (ou descendente). O centro do mundo humano é a natureza (physis)

Imperfectivel por definição, o homem todavia, pode aperfeiçoar-se e o que permite ao homem aperfeiçoar-se é a técnica e as artes. Levando em conta que os gregos inventaram a arte e criaram um vocábulo para ela é a Tekhné. E o que significa esse termo? Para os gregos tudo que é humano e tudo que é divino é passivel de arte. Assim, a guerra, a escultura, a cerâmica, a medicina, a fala (oratória), o amor, a casa, a agricultura, todas as atividades humanas é passível de ser arte. Deste modo, não é a atividade em si, mas a maneira de se executar, o modo que lançamos mão de uma atividade é que a torna arte. Logo, saber amar (apropriadamente, adequadamente), saber cuidar de uma casa, saber falar aos demais (oratória) etc., havia para cada atividade uma arte. Tudo então pode ser melhorado por meio da técnica (arte), que era a melhoria, o cuidado, a ARETÉ, excelência, toda atividade humana era passível de arte.
Arte era então fazer algo bem, de forma a mostrar a excelência (tanto no produto como no fazer) isto é Tekhné, arte. 
Ora, em sua origem tekhnè, i.e., a técnica e a arte são indissociáveis. Era um SABER e um FAZER, mas não se resumia somente a isso, era SABER FAZER COM EXCELÊNCIA. Desde que esse "saber fazer" seja colocado num sentido, numa vertente do aprimoramento. A técnica é então o que aprimora o modo de ser humano no mundo.
Assim, mesmo possuindo a arte (capacidade de fazer algo magistralmente) o homem nunca era bom (supremamente bom) e Aristóteles ja dizia em sua Ética a Eudemo, que  ninguém pode ser chamado de bom enquanto estiver vivo. O homem só pode ser chamado de bom depois de morto. (Isso devido a sua natureza mutável, imprevisível, vulnerável).
Hoje nossa maneira de conceber o mundo é radicalmente diferente, enquanto a ontologia grega (o modo de ser do mundo) estava baseado na concepção de fluxo ascedente e descendente (do caos ao cosmos ou do cosmos ao caos) ou seja o centro era a natureza de acordo com o esquema ja mostrado acima. 
Na idade média o centro era Deus, existia um Deus que tinha criado tudo e que regia tudo zelosamente e ao qual deveríamos prestar contas a todo momento e que a todo momento estava a nos vigiar e julgar. A ontologia medieval tira toda a beleza da natureza e a coloca em um ser abstrato, nele estaria a beleza absoluta a bondade absoluta, a inteligência absoluta e a verdade absolutas e incorruptíveis. Muito disso foi uma emprestimo do pensamento de Platão (que no mito da caverna coloca o SER das coisas no mundo das idéias onde estão as formas absolutas de todas as realidades), logo, no mundo não existe beleza apenas um simulacro da beleza ideal. 
Na modernidade surge uma outra estruturação de mundo com uma cabeça e um olho privilegiado. O mundo é algo perante o qual a pessoa se posiciona. O homem esta no centro. E  ninguém mais me observa julgando os meus atos, e se tiver alguém me observando esse alguém não é superior a mim. Toda vida espiritual esta encerrada na cabeça de cada um. Cada um de nós é livre para pensar ou aderir a ideia ou formatação do mundo que achar melhor ou mesmo desenvolver uma concepção alternativa. E tudo inicia com René Descartes, pela primeira vez se sistematiza e se articula a moderna concepção do mundo, do PONTO DE VISTA DO ORGANISMO, do ponto de vista do indivíduo. Para ele Deus ja era apenas um hálibi. Nesse momento particular se fortalece o empirismo, que é a doutrina pela qual todo o conhecimento se origina dos sentidos; pelos sentidos conhecemos o mundo, tomamos ciência do mundo, do universo. A origem de todo o nosso conhecimento nos veio pelos sentidos, nos foi dado pelos sentidos. Esse material sera então trabalhado pela razão.



PEQUENO GLOSSÁRIO 
Physis (φύσις), segundo os filósofos pré-socráticos, é a matéria (hylé) que é fundamento eterno de todas as coisas e confere unidade e permanência ao universo, o qual, na sua aparência é múltiplo, mutável e transitório. A palavra physis também tem um significado de desenvolvimento de algo ou um vir a ser que inclui o nascimento o crescimento e a morte.

Cosmos (κόσμος), segundo os filósofos antigos era a ordem, organização, beleza e harmomia é um termo que designa o universo, que pode ser previsto (os eclipses, as mares as fazes da lua, as órbitas dos planetas...). O cosmo é a totalidade de todas as coisas deste Universo ordenado, desde as estrelas, até os átomos.

Caos ( χάος) é o estado inicial da prima materia da qual tudo foi criado, um estado confuso (rude indigestaque moles massa informe e caótica. Ovidio).

Aretê (ἀρετή) aretê, "adaptação perfeita, excelência, virtude") é uma palavra de origem grega que expressa o conceito de excelência, ligado à noção de cumprimento do propósito ou da função a que o objeto ou o indivíduo se destina. Era também a coragem e a força de enfrentar todas as adversidades da vida; era por isso uma virtude a que todo o ser humano aspirava. 
A raiz da palavra é a mesma de aristos, que originou aristocracia, que significa habilidade ou superioridade, e era constantemente usada para denotar nobreza. O termo era aplicado para qualquer coisa, a excelência de uma chaminé bem feita, a excelência de um touro para cruzar, a excelência de um objeto utilitário e a excelência de um homem indicando o cidadão exemplar e o herói. Traduzido para nossos dias seria como dizer: "seja o melhor que voce pode ser em todas as situações."

Estética, (αισθητική, aisthésis) percepção, sensação; o qual deriva por sua vez do αἰσθάνομαι (aisthanomai, que significa “eu percebo, sinto, senso"). 
Palavra grega, usada por Alexander Baungarten (um filósofo racionalista) para designar o estudo das sensações, (evidentemente empíricas, que tem sua origem nos sentidos) que nos provoca o mundo e o mundo inclui o nosso próprio corpo. 


REFERÊNCIAS 

Vazquez, Adolfo Sanchez. Convite a estética. Rio de Janeiro. Ed. Civilização Brasileira, 1999.

Heidegger, M. Heráclito. Ed. Relume Dumara, 2002

Rosenfield, Kathrin, H. Estética. Ed. Zahar. 2006

16 junho 2011

A VIDA REAL E A VIDA DESEJADA

Novamente estarei indo a Brasília com minhas colegas e amigas (que vão na quinta-feira a tarde) para representar meus colegas de trabalho (professores federais no CM). Eu amo sempre quando sou solicitado para fazer algo pelo grupo ou pela comunidade; foi assim quando em 2003 eu pertenci a diretoria da APROFCMPA, o fiz pelo amor e pelo desejo de ver sempre felizes todos os que estão ao meu redor, e por considerar que o trabalho não deve ser um fardo e sim um grande prazer para quem executa. Por entender que o governo não esta olhando como deveria para o professor aquele que forma novas gerações. Aquele que dá forma aos valores mais caros da sociedade e da humanidade em geral como ser solidário, tolerante com as difereças, não discriminar, amar as pessoas com as quais dividimos esse mundo e o tempo, cooperar por uma causa elevada, amor a vida e a paz, entre tantos outros valores que tentamos preservar na alma dos nossos alunos. A arte esta ai na caminhada, no processo de cada dia chegar em casa e ver que apesar de termos dado apenas um passo estamos a caminho. No bom caminho, no caminho que leva a realização como pessoa, como grupo e como nação. 

02 junho 2011

AMOR É FOGO QUE ARDE SEM SE VER

Amor é fogo que arde sem se ver

 LUÍS VAZ DE CAMÕES 

(1524-1580)

 

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

 

 

LUÍS VAZ DE CAMÕES (1524 - 1580)

Eu cantarei de amor tão docemente



Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns têrmos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprêzo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho e arte. 



  My song of Love I will so sweetly sing

 
My song of Love I will so sweetly sing,
     In such fair concord of concerted phrase,
     That twice a thousand chances Love displays
Shall breasts unmovèd with emotion wring.

I'll so do Love new Life to all shall bring,
     Limning nice secrets in a thousand ways,
     Soft angers, sighs that yearn for bygone days,
Foolhardy daring, Absence and her sting.

Yet, Ladye, of that honest open scorn
     Shown by your aspect, rigorously bland,
          I must content me saying minim part:

To sing the graces which your gest adorn,
     Your lofty composition marvel-plan'd,
          Here lack me Genius, Lere, and Poet-art.






26 maio 2011

CONVITE À ESTÉTICA - O CÔMICO


UNIVERSIDADE FEDERAL DO 
RIO GRANDE DO SUL
INSTITUTO DE ARTES VISUAIS
FILOSOFIA DA ARTE
ESTÉTICA

 CONVITE À ESTÉTICA
O CÔMICO 



1. O CÔMICO NA VIDA REAL

O cômico é facilmente identificado em nosso dia-a-dia seja na:  comicidade de um gesto, de um aceno, em uma situação ou uma confusão de idéias ou palavras.
É identificado pela situação prazerosa e pelo riso que provoca.

Segundo o autor, o efeito cômico surge de algo que se espera intensamente que se resume em um exagero, uma expectativa frustrada pela brusca irrupção do inesperado ou também uma contradição entre o grande esperado e o que por ser ínfimo não se espera. (Vázquez, 1999).
Assim, no fundo do cômico se mostra uma contradição um conflito entre o real (que da a si próprio um valor supremo) e o valor que esse real tem (que sempre é menor do que apregoa).

O cômico também desvaloriza algo a que se dá um grande valor: o miado forte e estridente de um gato em meio a uma cerimônia oficial desvaloriza a solenidade do ato. Ora, na base do cômico se acha essa contradição que expõe a verdadeira dimensão de algo, i.e., entre o que algo vale realmente e o que pretende valer. Desse modo, o que parecia profundo se mostra superficial; o nobre vulgar; o rico, pobre; o pleno, vazio; o elevado, mesquinho.
EM SUMA O QUE FUNDA A COMICIDADE É A PRETENSÃO DE VALOR, NÃO O VALOR REAL. DESTE MODO, NA BASE DO CÔMICO ESTA UM EMPENHO DE DESVALORIZAÇÃO. E essa desvalorização do real ou do pretensamente real é um fenômeno social.
“Chaplin disse certa vez que um pobre nunca ri dos apuros ou desgraças de outro; mas que em troca, não esconde o riso quando vê o rico em uma situação complicada. Uma pessoa mal vestida pode fazer rir em um meio social e não em outro; se estar mal vestido revela falta de gosto ou vaidade, isso pode ter resultado cômico; se o traje fora de moda ou espalhafatoso é conseqüência da miséria em que vive aquele que o exibe, já não suscita riso, mas sim compaixão e até mesmo protestos”. (Vázquez p.271).
Desta forma, o cômico se reveste de um papel crítico, ou seja, critica a sociedade vigente ou dominante (esta por sua vez baseada na seriedade e em seu pretenso valor).


2. O CÔMICO NA ARTE

1) O cômico na arte requer uma representação realista do real, representação que deforma a realidade para produzir o efeito cômico
Rococó - idealiza a realidade
Arte abstrata - desaparecimento da realidade

2) Comicidade imaginada, inventada ou criada - não suscita o riso

3) O efeito do cômico na arte vem sempre acompanhado do prazer estético que produz o objeto (que suscita esse efeito) ao ser contemplado. A Linha que separa o estético e o não estético (na vida real e na arte) passa pelo papel da contemplação do objeto ou acontecimento e da natureza que o efeito provoca.


3. VARIANTES DO CÔMICO

De acordo com a caracterização do cômico (como uma contradição um conflito) vemos que as diferenças substanciais entre suas manifestações diversas mantém certa unidade e ocasionalmente se entrelaçam.
Isto se deve à maior ou menor profundidade da contradição que está nas próprias entranhas do cômico;
À maior ou menor radicalidade de sua desvalorização do fenômeno em questão e, em consequência, à maior ou menor dureza da crítica que provoca ou da intensidade, mais alta ou mais baixa do riso que suscita. 
  


O HUMOR

Ex.: Cervantes - Don Quixote

Desvalorização do real (uma forma de crítica);
Chamada de atenção pela inconsistência interna do objeto;
Ao marcar assim sua distância em relação à realidade, o quixotismo é colocado em questão, mas isso não significa que nada dele vá restar de pé.
Ao mesmo tempo em que o objeto é apresentado desvalorizado, e sem consistência, isso não faz o objeto desaparecer; sua atração ou simpática não desaparece para nós.
O objeto é apresentado de tal modo que algo dele sobra, e esse algo é o que compartilhamos.
O humorista nos convida a nos desdobrarmos a desvalorizar e valorizar, a criticar e tolerar, ao distanciamento e ao compadecimento. Desta forma rimos como cúmplices não para destruir (porque mesmo sabendo que os ideais de fidalguia sejam incompatíveis com os tempos modernos somos cúmplices de sua generosidade e combatividade).
O humor, como o cômico em geral, é crítica compreensiva e compassiva. Uma crítica que ao mesmo tempo em que desvaloriza e afunda o que se apresenta tão elevado, abre os braços para que esse afundamento não seja total.


A SÁTIRA

Quando o objeto ou fenômeno revela sua inconsistência ou nulidade até o ponto de deixar que se perca toda a simpatia ou atração por ele, e o riso que provoca não esta tingido de ternura, porém bem mais por indignação ou ira, estamos no âmbito da sátira.
Desvalorização radical do objeto levando a conclusão de que não pode subsistir; nosso riso é um voto por sua aniquilação.
Objetos de sátira:
Despotismo
Corrupção moral, social ou política
Vícios públicos ou privados de todo tipo
A prepotência
A burocracia... etc.

Na sátira a crítica é demolidora (pois o objeto não só revela sua inconsistência, mas sua negatividade) por isso quer-se que seja destruído. Crítica que traz entranhada uma condenação promove a repulsa a antipatia e a desaprovação.


A IRONIA

Como todo cômico revela a inconsistência de um fenômeno e é uma forma de crítica.
A ironia é uma crítica oculta que é preciso ler nas entrelinhas, e quanto mais oculta mais sutil e talvez mais profunda.
O vício aparece como tal (como o vício que é) ao apresentar-se como virtude; a mediocridade se revela exatamente quando o medíocre pretende comportar-se como gênio. O elogio irônico, longe de enaltecer, rebaixa.
Na ironia a critica permanece oculta por trás da exaltação do elogia ou da felicitação. Diz mais do que diz ou diz menos do que pensa. Ou então faz um rodeio para afirmar o que no fundo nega.

 FONTE

VÁZQUEZ, A. S. (1997). UM CONVITE A ESTÉTICA. Civilização Brasileira





















DITADURA BRASILEIRA - DECLARADA MEMÓRIA DO MUNDO PELA UNESCO

Documentos da ditadura brasileira viram "memória do mundo"
anúncio foi feito ontem, em Paris, pela Unesco 
26/05/2011

Os documentos oficiais sobre a ditadura militar brasileira (1964-1985) foram considerados hoje como "memória do mundo", um programa da Unesco –semelhante ao que identifica edificações e locais classificados como patrimônio da humanidade.

Essa decisão da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) visa a proteger todos os papeis e arquivos produzidos pelo governo brasileiro, em todos os seus níveis, sobre a ditadura militar. Foram incluídos na lista, entre outros, os documentos já disponíveis no Arquivo Nacional (nível federal) e os do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

No seu comunicado oficial ontem (25.mai.2011) a Unesco diz que estão relacionados os papeis da "rede de informação e contrainformação do regime militar" brasileiro.

O processo que resultou na decisão da Unesco levou cerca de dois anos para ser concluído. O próprio governo brasileiro fez o requerimento da inclusão dos arquivos da ditadura militar na categoria de memória do mundo.

Há dois aspectos intrigantes nessa notícia.

Primeiro, que até hoje não se sabe exatamente se todos os arquivos da ditadura militar foram de verdadeiramente revelados.

Segundo, o fato de o Brasil não ter até hoje uma lei de direito de acesso a informações públicas. Embora seja necessário reconhecer que existiu nos últimos anos um esforço de alguns setores dos governos federais e de vários estaduais para resgatar a memória do período de 1964 a 1985.

O projeto de Lei de Acesso está empacado no Senado. Ontem (25.mai.2011), uma manobra regimental do presidente da Casa, José Sarney (PMSD-AP), impediu mais uma vez o texto de ser votado.

Para que a Lei de Acesso seja aprovada é preciso uma decisão do Palácio do Planalto: priorizar as ações de sua base de apoio. A atual crise política envolvendo o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, fez com que esse tema ficasse em segundo plano.


Fonte

12 maio 2011

JAIR BOLSONARO: O DEPUTADO CONTRA OS PRINCIPIOS DA CONSTITUIÇÃO

 Jair Bolsonaro: o deputado contra uma sociedade livre, justa e solidária.

Quem é esse Sr. Bolsonaro? De onde veio tamanha tacanhice e mesquinhez? De que pocilga brotou esse anacrônico e arcaico, desajustado e fora do tempo; esse monstro? Sim, porque não pode ser chamado de humano alguém com seus pensamentos e ideias....
Certamente não teve nem pai nem mãe e muito menos educação para a cidadania, deve ter sido criado em uma caverna e por isso falta-lhe urbanidade, a tolerância e a solidariedade, virtudes que ele desconhece totalmente. Jamais votei nesse tipo de gente, que estando na casa do povo age contra a Constituição e contra a Suprema Corte quando ambas proclamam a dignidade da pessoa humana, o direito de ser como Deus o fez, o direito de persistir na busca da felicidade. A Constituição do Brasil, em sua sabedoria enaltece os princípios fundamentais e essenciais do ser humano no mundo e entre eles o Direito de Ser. A letra da constituição supera, suplanta e ultrapassa qualquer pensamento mesquinho e baixo de qualquer entidade social (seja de um individuo como o Sr. Bolsonaro ou igrejas), pois ela é a luz que ilumina e orienta o caminho para a felicidade de todos os brasileiros.
A constituição é clara quando afirma os direitos fundamentais do ser humano: o direito a vida, o direito a locomoção, o direito de ser. A aceitação do outro (do homossexual) não significa ser contra a união heterossexual. Esse senhor apenas presta um desserviço à sociedade e uma afronta descarada a Carta Magna de nosso pais, pois com seu preconceito e intolerância, esta incitando a violência entre setores que compõem a nossa sociedade. Ele se esquece da máxima que diz que está vedado ao Estado distinguir indivíduos baseado em julgamentos morais (advindos de credos ou ideologias). Ele certamente é um pobre diabo, nunca foi amado ou nunca amou outro ser humano. Pois desconhece qualquer sentimento de virtude e solidariedade. Esse senhor esta obstruindo a Constituição quando tenta impedir o direito advindo e assegurado pelo Estado à todo ser humano, qual seja: a busca de seu mais alto bem, a felicidade. Ao obstruir a função básica do estado ele se coloca frontalmente contra a Carta Magna e por isso fomenta a violência e a desintegração da sociedade, agora são os gays, amanhã serão os judeus, depois as religiões afros brasileiras e depois sabe-se-lá que outros grupos esse senhor vai perseguir. Sim, ele não esta sozinho, ele representa um bando de malditos, mal-amados e desajustados, que não evoluíram o suficiente para viver em sociedade.
Esses grupos que ainda sobrevivem de velhos ideais e antigas crenças, ultrapassadas e fadadas ao desaparecimento lento da história, pois a evolução é inexorável, ainda tentam com todas as suas forças obstar a evolução do pensamento e da sociedade. Mas eles sabem: estão atuando contra nossa Constituição.
Nossa constituição existe e deve ser respeitada, é Nela que estão inscritos e salvaguardados todos os nossos direitos e nossos deveres (para com nossos semelhantes e com o estado), e ela tem uma função precípua e digna de repudiar todas as formas de discriminação, assegurando a todos os seres humanos o direito de perseguir sua felicidade, seja como heterosexual, homossexual, bissexual ou até mesmo assexuadamente. Pois aceitar uma forma de viver não nos obriga a excluir outras formas que porventura existam. Mais uma vez devemos nos unir, todos os cidadãos brasileiros de bem, sob a luz da Constituição, para fazer desse pais um lugar feliz, um local onde todos possam levantar pela manhã e saber que se pode continuar a busca da felicidade.



P.S.:
Me admira muito esse senhor ser Deputado Federal pelo estado do Rio de Janeiro (Jair Bolsonaro - PP - RJ). Como um estado tão liberal e tão cioso de sua busca pela felicidade, de seu modo se ser, de seu povo tão alegre e feliz, seja no âmbito individuial seja no social, elegeu uma pessoa como esta para ser o representante de seu povo...

19 abril 2011

FERNANDO HENRIQUE E AÉCIO NEVES

Fernando Henrique, Aécio Neves versus Brasil

Em virtude de fatos recentes no cenário nacional brasileiro eu me questiono sobre minhas escolhas políticas dos últimos anos...
Eu tinha o ex-presidente em grande consideração devido a sua educação (formal) e a sua atuação centrada e calma em sua vida política pregressa.
Sinto que tenho sido traído na identificação de bons princípios, princípios humanos e éticos, princípios cooperativos e não antagonistas e depreciativos do ser de outros humanos. Não é nada ético nem mesmo estético.
Fiquei profundamente decepcionado com as afirmações de um sociólogo, doutor em sociologia e pensador importante em política antidrogas. Mesmo respeitando seu passado ilustre ele me decepcionou com suas afirmações levianas sobre o povo brasileiro. Há quanto tempo ele pensa dessa maneira? O que é a categoria “povão” para ele? Estará ele empregando de forma pejorativa esse vocábulo? Será que ele sempre pensou assim? Acredito que sim, ele sempre pensou assim, somente agora ele verbalizou seus profundos e arraigados pensamentos a respeito dos membros da sociedade brasileira. Para ele um liberal, todos aqueles que devem ser cooptados ou servir de massa de manobra, ou seja, a totalidade da população brasileira deve ser o alvo da campanha de seu partido. Ele revela-se um pragmático e deixa transparecer que para ele não importam os meios para chegar a um fim. Me decepcionei profundamente com alguém a quem depositava admiração acadêmica e até certa veneração por sua vida pregressa na academia.
Já Aécio Neves foi flagrado dirigindo com carteira de motorista vencida e ainda por cima negou-se a fazer o teste do bafômetro. Ocupando uma das mais altas funções de representante do povo deveria dar o exemplo a todos que o investiram do poder que tem. Com esse ato ele afirma que nada acontece com quem tem poder, e que todos nós brasileiros estamos fadados a sermos representados pela escória da sociedade. Qualquer um que quer apenas o seu bem pode ocupar uma cadeira no senado, pois parece que não esta legislando pelo povo e para o povo, mas para si mesmo e seu bem-estar. Ele afasta minha mente do PSDB partido que eu tinha em alta estima e julgava um interlocutor à altura do diálogo. Assim, meus exemplos todos se mostram frágeis e corruptos, com vícios e o que é pior arrogantes e esnobes. Certamente ambos vieram de uma classe social abastada com tradição de muitas gerações servindo ou se servindo de sua proximidade e de seu parasitismo com o poder. Uma grande pena que as personalidades MODELARES que eu tinha se mostraram vazias, superficiais e descartáveis.
Mas isso foi bom de certa maneira; pois não há um mal que não possa trazer um bem, nesse caso o bem que esses fatos trazem é o nosso afastamento de quem quer usar o povo para seu próprio bem. “Malum quidem nullum est sine aliquo bono.”

 Referência 
http://www.yuni.com/library/latin_4.html

18 abril 2011

09 abril 2011

FOOD




BOM FIM - POA

THE FLIGHT


ECOLOGICAL FAIR IN BOMFIM

UT ROSA FLOS FLORUM...

STEM AND BRANCH


PESSOAS IMPORTANTES


ESTÉTICA: ARTE - OBJETO DE DIFERENTES DISCURSOS

A obra de arte aparece em nosso meio cercada, envolta em discursos. Cercada de falas, de manifestações e manifestos. A obra não fala por si mesma. Falam por ela por meio de reportagens, panfletos, dissertações, depoimentos, catálogos. Tanto a obra como a arte em si não existem isoladas da sociedade, ela não esta sozinha, ela aparece no meio de vários movimentos. A arte se dá no mundo histórico do qual fazemos parte (fig. 1).

 
Fig. 1:A arte é objeto de discurso. Discurso opiniático, filosófico e científico.

 
O artista não se afasta do mundo quando executa uma obra, muito pelo contrário ele mergulha profundamente no mundo, pois ele pertence a este mundo, ele esta no mundo que vivemos, portanto histórico.
Assim, podemos dividir as falas sobre a arte ou sobre os objetos que se pretendem serem objetos de arte (esculturas, cinema, pintura, literatura, performances, instalações, músicas...), em três grupos:

1) o discurso ou fala baseada na opinião (discurso opiniático),
2) o discurso filosófico e
3) discurso científico.

Vamos analisar cada um deles sucintamente, visando elaborar um conhecimento sobre esse assunto lançando alguma luz sobre esses tipos de falas ou juízos proferidos frente ao objeto artístico.

1) discurso opiniático.
Em uma sociedade livre e democrática todos podem ter uma opinião, se eu vou ao cinema com amigos eu sempre manifesto minha opinião sobre o que acabamos de ver: gostei muito do filme; não gostei nada do que eu vi; que coisa horrorosa esse filme. Nossa opinião pode ir mais longe tentando influenciar a opinião do outro. E é assim frente a todos momentos ou frente a tudo que encontramos ao longo de nossa vida (sejam objetos banais ou artísticos).
Temos o direito de dizer que não gostamos, embora, na maioria das vezes, nem saibamos por que não gostamos disso ou daquilo.
Esse juízo emitido na forma de opinião é um juízo razo, superficial (gosto, não gosto, sou contra, sou a favor...) é razo devido ao fato de não estar embasado em nenhuma reflexão sistemática, ou porque não temos formação adequada para analisar a questão com a profundidade que cada realidade merece (não somos cineastas nem críticos de cinema ou de arte). Todos nós nos deparamos ou exercemos nossa opinião nesse nível, em algum momento, e não há nenhum mal em proferir uma fala assim. 

2) Já o discurso filosófico não é opiniático porque pretende ser fundamentado; embasado em princípios lógico-filosóficos que norteiam o pensamento ao emitir um juízo sobre determinado assunto. Nosso juízo então se apresenta mais forte, pois pretende estar em continuidade reflexiva com a filosofia. A filosofia mesmo tendo 2500 anos de história, apresenta questões que ainda são fundamentais, e devido ao seu grande tempo de existência se apresenta muito mais forte que a ciência. Assim, uma fala que se pretende filosófica deve levar em conta a história do pensamento humano, e também as normas que conduzem o pensamento no caminho do juízo verdadeiro. 

3) Ora, o discurso científico esta caracterizado pela experimentação e pela pesquisa empírica sistemática. Já Descarte preconizava um meio de fazer ciência tratando cada problema em partes menores que pudessem ser postas a prova e sobre as quais não pairasse mais duvidas. Assim, o método usado pela ciência é a dúvida sistemática. Chega-se assim a um vocabulário unívoco que não deixe duvida sobre o que estamos falando, referencia estrita ao objeto de pesquisa, clareza e objetividade e eliminação de qualquer subjetividade no juízo das sentenças.
Todavia existe uma relação de tensão e complementariedade entre o discurso científico e o discurso filosófico.
Mas historicamente vemos um distanciamento do discurso filosófico do discurso científico. Esse distanciamento iniciou com Galileu, Newton e Bacon (fundador da ciência moderna como a conhecemos hoje). Esse pensamento chega ao seu extremo com o positivismo, pensamento filosófico que condena a atividade filosófica. Segundo essa doutrina é necessário retirar do mundo todo o discurso filosófico e todos devem ter formação cientifica.
Assim, definidos os três tipos de discurso podemos ver que é necessário sairmos do âmbito do discurso opiniático e nos encaminharmos em direção ao discurso filosófico, pois ele nos fornece meios de aprofundar nosso pensamento, e assim, chegar a juízos mais robustos, pois para elaborar uma opinião é necessário ter alguma formação.  

MISCELANEOUS

 PEDRINHO

 VANDERLEI


TESOUROS COTIDIANOS

GERAÇÃO 1980

 A PINTURA DA GERAÇÃO DOS ANOS 1980

 Lenilson

Leonilson

RUNNING DUO

IMAGES AND FILTERS


EXPRESSION

IN THE STREET

Uma fonte de expressão na rua...


IN THE GYM #4

IN THE GYM #3

(Model: Filippo)


IN THE GYM #2


IN THE GYM #1




(MODEL: FILIPPO)