INÍCIO

05 abril 2026

PASSAGEM

PASSAGEM

Um paraíso particular


Todos seres, passageiros
Passageiros do tempo
Passageiros dessa matéria
Passageiros desse espaço

Nada é permanente 
Nada exceto a energia inextinguível 
e o movimentos dos átomos 
 a singularidade dos momentos 
 
Não há nada além-hyle
Ela que criou a ideia 
Essa adaptação única  
Que se espelha no Sol
A fagulha dada pelos deuses 
ao barro que se tornou homem. 

Somos todos, seres, passageiros
do tempo que não espera nem perdoa.
Passageiros da matéria, leves e pesados
e do espaço que nenhum deus moldou.

Nada é permanente, nem a dor,
nem a alegria que julgamos dona.
Apenas a energia inextinguível
Movimento auto-inflingido
E campos elétricos

Movimento dos átomos no vazio,
singularidade dos momentos indizíveis.
Não há trono no céu, não há resposta:
há um breve instante 
 De aproximação e afastamento.

Não há nada além da hyle
matéria que engendrou ideia.
O espírito foi a centelha de luz
que encarou o barro.

Essa adaptação única que somos
capaz de se espelhar no próprio Sol
não foi concedida por nenhum deus,
foi acaso, acerto,  erro… tentativao.

A fagulha que os antigos atribuíram
aos deuses que inventaram para o medo
é só o fogo que os neurônios produziram
quando a carne aprendeu o seu segredo.

O barro que se fez homem não rezava.
Ele suava, lutava, procriava, errava.
Não havia um arquiteto que o olhava:
havia a noite fria, póe ele se levantava.

Plantamos deuses como plantamos espantalhos
para espantar a vastidão do vazio.
Monstros de nossos pesadelos 
 quando o vento sopra, vemos os galhos:
não há ninguém lá além das leis imutáveis.

A salvação não é um dom que desce.
É uma ponte que a mão humana estende.
Nenhum rebento 
Nemini datus, Nemini natus
somos nós que curamos nossas chagas.

Quando a morte decompor essa matéria
e o tempo apagar nossos nomes 
como dilui as rochas, 
não haverá juízo, 
nem nada no fim da estrada.
Só o que fizemos
com as próprias mãos, enfim.


(Escrito em 05/4/2026)





















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