INÍCIO

15 junho 2025

ORGULHO DE HISTÓRIAS LGBT

COLTON HAYNES SEM SEGREDOS 


Artigo original em inglês AQUI.
Por Jason Sheeler, maio de 2022.

Colton Haynes diz que escrever seu novo livro de memórias “quase me matou”. Depois de uma overdose e tentativa de suicídio, recuperando-se do alcoolismo, do vício e de um distúrbio alimentar, e depois superando o abuso sexual na infância, o ator de Arrow e Teen Wolf, de 33 anos (2022 ano do artigo), conquistou o direito de falar sobre como enfrentar a morte. Mas hoje em dia, Haynes está mais voltado para enfrentar a verdade, a sua própria, como diz à revista People exclusivamente na edição desta semana: "Sei que hoje estou tão doente quanto meus segredos." Com a publicação de Miss Memory Lane, ele não tem mais nada. “Eu precisava me livrar das coisas que segurei por tanto tempo”, reconhece.

Criado na pobreza nos arredores de Wichita, Kansas, por uma mãe solteira com problemas de abuso de substâncias, um pai inflamável que voltava de vez em quando e ao lado de um irmão mais velho, atlético, com quem brigava por vale-refeição, Haynes sonhava em ser o homem Kate Moss.





























“A ilusão foi minha primeira droga”, diz ele.

Colton Haynes é sincero ao dizer adeus à mãe: “Chorei tanto que vomitei”
No ensino médio, ele frequentava aulas durante o dia e à noite dançava como go-go boy em um bar gay (um emprego garantido com uma identidade falsa).

“Quando eu soube que algo iria me chamar a atenção que eu queria, não havia nada que me impedisse de usar meu corpo ou de fazer o que pudesse para me ajudar a conseguir o amor que eu precisava”, diz ele.

Depois de enviar fotos para uma agência de modelos de Nova York, ele começou a conseguir trabalho. Ele nunca desfilou em Paris, mas apareceu em quatro catálogos da Abercrombie & Fitch.

Para assinar com sua agência de modelos, ele fingiu ser mais alto. “Eu prendi roupas íntimas em pequenos rolos e enfiei-as em botas grandes demais para mim”, lembra ele. "Eu só queria ser o que todo mundo queria que eu fosse."

O primeiro trabalho de Haynes em Hollywood foi como operador de sexo por telefone. “Foi um ótimo dinheiro”, ele ri, depois brinca: “Talvez eu faça isso de novo!”

Voltando sua atenção para a atuação, ele participou do reality show da MTV The Hills como modelo em uma sessão de fotos da Teen Vogue.

Depois de ter aulas de atuação, Haynes começou a fazer testes e rapidamente encontrou um obstáculo.

"Disseram-me: “Meu Deus. A aparência dele, você sabe, ele parece uma estrela, mas seus maneirismos e o modo como ele fala são muito gays”. Ele entao se submeteu a aulas de movimento “para endireitar meus maneirismos e trejeitos gays” e voltou a entrar no armário.

O problema é o seguinte: tudo funcionou.







Haynes logo foi escalado para Teen Wolf e se tornou uma daquelas jovens estrelas assediadas em shoppings e eventos da MTV. Ele deixou o programa por causa de negociações contratuais (atualmente está filmando a reinicialização do filme (Teen Wolf) e foi escalado para uma série chamada Arrow.

Várias vezes ele diz que tentou se assumir, mas agentes e empresários o incentivaram a não fazê-lo.

Ele desenvolveu um vício em Adderall (para perder peso e ficar acordado) e Xanax (para relaxar). Ele deixou Arrow em sua terceira temporada. Um colapso surgiu no horizonte.

Colton Haynes confirma que é gay: “Demorei tanto para chegar a este ponto, mas estou indo muito bem”. Haynes se assumiu publicamente em 2016. Ele diz que os papéis secaram repentinamente: "Hoje só me oferecem papéis como o de “melhor amigo gay”.

O que também acabou: o endosso de seu conteúdo de marca, no qual ele confiava. “A única coisa que me ofereceram depois que me assumi foi ser o rosto do [aplicativo de encontros queer] Grindr”, diz ele.

Depois de alguns meses de namoro, ele se casou com o famoso florista Jeff Leatham em 2017 e pediu o divórcio seis meses depois.

Em 2018, Haynes sofreu uma overdose. Uma garrafa de Oxycontin, uma garrafa de Xanax, uma garrafa de tequila. Ele acordou em um hospital de Los Angeles.

“Tinha tubos saindo de todos os buracos do meu corpo”, lembra ele. “Eu não conseguia ver com meu olho esquerdo.”

Chorando, ele reconhece que foi uma tentativa de suicídio. “Minha mãe havia morrido (no início daquele ano) de alcoolismo.” Haynes diz que eles se tornaram muito próximos. “Meu pai se matou com Oxycontin. Eu decidi não ser nada parecido com meus pais.”

Haynes agora está sóbrio. Ele também está armado com uma nova perspectiva, um livro de memórias e um papel no filme de reinicialização de Teen Wolf enquanto retorna a Hollywood e volta à vida pública.

É claro, observa ele, algumas coisas não melhoraram: “Cite um ator principal, protagonista romântico masculino que seja abertamente gay? Não acho que Hollywood tenha mudado.”

Uma coisa também não mudou em Haynes: ele me mostra a elevação dos sapatos que está usando e brinca: “Hoje tenho um metro e oitenta e dois”.












UMA VIDA NO CAPITALISMO

Colton Lee Haynes nasceu em Andale, Kansas, em 13 de julho de 1988. É ator, modelo e cantor norte-americano, mais conhecido por interpretar Roy Happer na série Arrow. 

No dia 05 de maio de 2016, assumiu publicamente a sua homossexualidade numa entrevista para a Entertainment Weekly.

Haynes está em um relacionamento com o florista Jeff Leatham. Eles ficaram noivos no dia 11 de março de 2017, Haynes oficializou o noivado em um post no Instagram. Casaram-se em 27 de outubro de 2017, em Palm Springs, trocaram votos na frente de 120 convidados em uma cerimônia noturna oficializada pela amiga de longa data do casal, Kris Jenner. Em maio de 2018, Haynes pediu o divórcio após um casamento de seis meses com Leatham, mas o casal se reconciliou antes de seu primeiro aniversário de casamento. No entanto, em agosto de 2019, divorciaram-se por acordo.(WP)

O que vemos nessa história muito superficialmente, contada pelo autor da entrevista, é que Colton Haynes tem sofrido desde sua infância. Uma infância de ausências, faltas, necessidades básicas e abusos. Ele não tem memórias de infâncias que sejam de um período longo de estabilidade e felicidade, brincadeiras e descobertas como boa parte de nós possui. 
Claro todos temos problemas, mas a infância é geralmente um período onde brincamos, aprendemos limites e valores, entramos para a escola, fazemos amizades, mas para uma menino que se reconhece gay, cedo na vida, porque se nasce gay, ninguém escolhe ser gay. Esse período essencial da vida, pelo que parece e pelo que foi relatado na entrevista, foi para Colton, muito triste e sombrio. 

Eu acredito que sua história pessoal e de sua família teria sido totalmente outra se não houvesse a pobreza. Tudo fica pior sem nenhuma rede de suporte, como país (com problemas que todos tem) mas que fossem presentes e preocupados em criar e conduzir o desenvolvimento dos filhos de forma mais adequada. 

Assim, a falta de comida, o básico de um ser humano, o básico para qualquer ser vivo, diga-se, é devido ao modelo capitalista que produz pobreza e exacerba a desigualdade. 

Na esteira, dessa pobreza vem todos os outros males, a fome, doenças, insegurança, e a pobreza faz com que as pessoas tomem decisões em estado alterado, “na urgência” de sanar pelo menos uma de suas necessidades. Assim, na maioria das vezes as pessoas pobres são obrigadas, para sobreviver, a aceitar trabalhos que pagam muito pouco, trabalhos degradantes, a viver uma vida desprezível, para obter o básico simplesmente para sobreviver mais um dia. 

Dia desses, vi um vídeo de um senhor que comparava a renda média anual de um norte-americano como sendo um grão de arroz, e a grande maioria possui meio grão de arroz o equivalente a uma renda anual de 50 mil dólares.  Um milionário possuiria 5 grãos de arroz, (cada grão valendo 200 mil dólares). A seguir o apresentador mostra o que E. Musk teria usado para auxiliar na campanha de Trump ao governo dos EUA, o equivalente a um quilograma de arroz, depois uma pilha considerável a uns quatro a cinco quilogramas de arroz como a fortuna de Trump e por fim um monte de talvez próximo a 100 quilogramas de arroz como sendo a fortuna dos bilionários. 

É grotesco e vergonhoso que poucas pessoas possam concentrar 70% da riqueza de um país enquanto milhões no próprio país não tenham comida para um dia. Vivem em insegurança alimentar, faltam escolas, professores recebem mal, a segurança pública mata os pobres devido a proteção cada vez mais brutal contra o roubo do patrimônio desses bilionários. 

Em resumo, todos levam uma vida miserável devido a astronômica concentração de riquezas nas mãos de poucos que com isso detém o poder de influenciar políticas que os favorecem. É matam por amo milhões de pessoas necessitadas. 
É por isso que há mais histórias como a de C. Haynes acontecendo todo dia em todos os lugares neste mundo. É insano como um sistema de exploração infinita possa existir em um mundo de recursos finito. Esse sistema não se sustenta. 
É necessário uma política de redistribuição de renda e mecanismos de proteção do meio ambiente contra a sanha exploratória de poucos capitalistas egoistas que desejam subjugar tudo e todos. 
A história de vida de Colton que se desdobra ante nossos olhos e a história de Érica Hilton, que hoje é deputada federal e a história de todos nossos irmãos que moram em comunidades e favelas por todo o Brasil, México, América Latina, como em todo Continente Africano, na Ásia, na Índia, etc. 
A história de C. Haynes é a história de um sistema malogrado que produz, e distribui pobreza enquanto privatiza o espaço e a riqueza gerada pela exploração desumana do outro, concentrando a riqueza nos bolsos de poucos. 
Nada do que ele passou e do que passam 90% da população global é culpa dessa maioria explorada vivendo precariamente, é sim, culpa de um sistema de moer vidas humanas tornando-as descartáveis, sem valor e desprezíveis. 

Grande parte, para não dizer a maioria esmagadora, tenta se adaptar, se esconder, vivendo uma vida sub-humana, para não revelar sua orientação, vivendo nos interstícios, nas periferias, aceitado migalhas, e é esse comportamento que vai aos poucos destruindo seu bem estar psicológico e sua saúde mental. 
E tudo isso é planejado, é um projeto para manter tudo como está. Para que milionários, a elite, os ricos, os burgueses continuem recebendo cada vez mais tudo que o estado pode oferecer e deixar que os pobres lutem por conta própria. 

Valores elitistas propagados pela mídia, meritocracia, “conservadorismo cristofascista” neopentecostal de inspiração neoliberal, produção de inimigos imaginários, são as armas que essa elite abjeta usa para dividir e controlar as massas. 

Ninguém quer o que não é seu, ninguém quer liberdade para cometer crimes hediondos e não ser responsabilizado, as pessoas querem simplesmente viver apenas uma vida digna, sem ser transformado em coisa, sem ter que implorar trabalho para enriquecer o patrão e se matar trabalhando em uma escala 6X1. 

Quanto tempo mais os Coltons, Ericas, Joãos e Marias, pretos, pobres, periféricos aguentarão essa opressão? Quantos mais teremos que morrer diariamente para que algo seja feito?


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