O DESENHO NO TEMPO
A HISTÓRIA DO DESENHO
Feliz mês do Orgulho
“O lugar mais erótico de um corpo não é lá onde o vestuário se entreabre? Na perversão (que é o regime do prazer textual) não há "zonas erógenas" (expressão aliás bastante importuna); é a intermitência, como o disse muito bem a psicanálise, que é erótica: a da pele que cintila entre duas peças (as calças e a malha), entre duas bordas (a camisa entreaberta, a luva e a manga); é essa cintilação mesma que seduz, ou ainda: a encenação de um aparecimento-desaparecimento” (Barthes, 1996:16).
Afinal o que É o Desenho? O desenho é uma forma de expressão visual (“erótica”) que utiliza linhas, traços, formas, texturas, volumes e planos para representar objetos, ideias ou emoções. o desenho pode ser:
• Artístico (representação criativa ou de observação, como retratos ou paisagens);
• Técnico (preciso e funcional, como projetos de arquitetura ou engenharia);
• Abstrato (formas não figurativas, explorando conceitos ou sentimentos).
Etimologia da Palavra Desenho
A palavra vem do latim designare, que significa marcar, traçar, designar (composto por: de- (para fora) + signare, assinalar, marcar). Essa raiz também deu origem a termos como:
• Design (em inglês e português, ligado à concepção de projetos);
• Disegno (em italiano, usado no Renascimento para arte e planejamento).
No português medieval, desenho surgiu no século XIII, inicialmente com o sentido de plano, projeto ou intenção, evoluindo para a acepção artística no século XVI.
No Renascimento, artistas como Leonardo da Vinci e Michelangelo elevavam o desenho (disegno) à base de todas as artes, considerando-o tanto um exercício técnico quanto um meio de estudo científico por exemplo esboços anatômicos do corpo humano ou de outros seres vivos.
O desenho, como forma de expressão da alma humana, passou por uma evolução extraordinária desde os primeiros traços rupestres até as técnicas digitais de de IAs (“inteligência artificial”) contemporâneas.
Essa jornada reflete mudanças culturais, filosóficas, técnicas e tecnológicas ao longo dos séculos. Vamos explorar essa trajetória em etapas marcantes, que, longe de ser absoluta e definitiva, é mais preliminar e resumida, apenas para termos uma ideia de seu caminho no espaço e no tempo.
1. Pré-História: Os Primórdios do Desenho (40.000 – 3.000 a.C.)
Desenhos rupestres (ex.: Caverna de Lascaux, Chauvet, Altamira)
Técnica: Pigmentos naturais (carvão, óxidos), traços simples e figurativos.
Função: Ritualística, narrativa de caça, simbolismo religioso.
Arte rupestre abstrata (ex.: símbolos geométricos na África e Austrália).
Atualmente se sabe de registros mais antigos, por exemplo, o exemplo mais antigo de arte rupestre figurativa foi descoberto na ilha de Sulawesi, na Indonésia, por cientistas australianos e indonésios (nature, 2024). A pintura de um porco selvagem e três figuras humanas tem pelo menos 51.200 anos, mais de 5.000 anos que a arte rupestre que até então era considerada a mais antiga. A descoberta é do tempo em que os humanos modernos mostraram pela primeira vez a capacidade de pensamento criativo.
2. Antiguidade: Arte Narrativa e Simbólica (3.000 a.C. – 476 d.C.)
Egito e Mesopotâmia:
Hieróglifos e baixos-relevos (desenhos estilizados com leis de frontalidade).
Grécia e Roma
Pintura em vasos (figuras negras e vermelhas, proporções mais realistas).
Cânone de Policletos.
Mosaicos e afrescos (perspectiva rudimentar, como em Pompeia).
2.1. Cânone de Policleto
Os gregos viam a arte como um meio de expressar não somente um ideal de beleza, mas também questões morais como a bondade e as virtudes. Assim, uma estátua não devia apenas representar uma pessoa especificamente, mas era, principalmente, um símbolo dos valores de sua sociedade. Foi Polikleitos de Argos (470 a 405 a.C.) quem consagrou a palavra “cânone”, que, ainda hoje, é compreendida como uma norma para reger a elaboração de uma figura humana, quer seja em escultura ou em desenho. Policleto escreveu um tratado com o nome Cânone, que significa “regra” e, depois, esculpiu uma estátua à qual deu o mesmo nome. Nem o seu tratado nem sua estátua sobreviveram, mas foram inúmeras vezes citados na literatura antiga e moderna. A repercussão de suas ideias influenciou toda a arte grega e, hoje, só é possível conhecer as suas esculturas através das cópias romanas de seu trabalho. Acredita-se que as inúmeras réplicas de uma de suas estátuas, atualmente conhecida como “Doríforo”, seja aquela à qual ele deu o nome de “Cânone” (Barroso, 2019) (figura abaixo).
Cânone de Polikleitos. Linha inclinada mais grossa: eixo tenso ou eixo de tensão; linha inclinada fina: eixo relaxado ou de relaxamento.(WP)
O Cânone de Polikleitos é um tratado artístico e teórico desenvolvido pelo escultor grego Policleto de Argos (século V a.C.), que estabeleceu um sistema de proporções ideais para a representação do corpo humano na escultura clássica grega. Além de um texto escrito (hoje perdido), o cânone foi materializado em sua obra mais famosa, o Doríforo δορυφόρος (Portador da Lança, lanceiro), considerada a encarnação perfeita desses princípios.
2.1.1. Princípios básicos do Cânone de Policleto
1. Proporções Matemáticas
O corpo humano deveria ser dividido em partes simétricas e proporcionais, seguindo uma razão numérica precisa.
Exemplo: A altura total do corpo equivaleria a 7 ou 8 vezes a altura da cabeça (dependendo da variação do cânone).
2. Contraposto (Chiásmo)
Postura dinâmica em que o peso do corpo se apoia em uma perna (perna de sustentação), enquanto a outra fica relaxada (perna livre).
Os braços seguem o movimento oposto: se a perna direita está tensa, o braço esquerdo está ativo (e vice-versa), criando um ritmo harmonioso.
3. Equilíbrio entre Tensão e Relaxamento
Músculos e articulações refletiam a distribuição de peso, evitando rigidez.
4. Beleza Idealizada
Não era uma cópia fiel da natureza, mas uma perfeição calculada, combinando traços de vários modelos.
Doríforo
Doríforo, de Polikleitos, a esquerda e sua proporção de sete cabeças, comparada com o Apoxymenos de Lysippos a direita, cuja proporção era de oito cabeças.
(Fonte: Richard Tobin, The Canon of Polykleitos, American Journal of Archaeology, Vol. 79, No. 4. (Oct., 1975), pp. 307-321.) (1)
Doríforo (portador da lança), cópia em mármore do original de Polikleitos.
Policleto, do grego antigo: Πολύκλειτος, Polykletos, foi um escultor grego antigo, ativo no século V a.C. Ao lado dos escultores atenienses Fídias, Míron e Praxíteles, é considerado um dos escultores mais importantes da antiguidade clássica. O catálogo do século IV a.C. atribuído a Xenócrates (o "catálogo xenocrático"), que era o guia de Plínio em questões de arte, o classificava entre Fídias e Míron. Ele é particularmente conhecido por seu tratado perdido, o Cânone de Policleto (um cânone de proporções corporais), que estabeleceu sua base matemática para uma forma corporal masculina idealizada. Nenhuma de suas esculturas originais sobreviveu até os dias atuais, mas acredita-se que muitas obras em mármore, principalmente romanas, sejam cópias posteriores.
Descrição da escultura Doríforo
Estátua de um jovem atleta segurando uma lança (original em bronze, conhecida por cópias romanas em mármore).
Aplicação do Cânone:
Cabeça: 1/8 da altura total.
Rosto: Dividido em três partes iguais (testa, nariz até sobrancelha, queixo).
Ombro-quadril: Inclinação oposta (chiásmo).
Como vimos pelas características e princípios básicos, o cânone de Polikleitos conferia às esculturas uma proporção equivalente a sete cabeças humanas. Posteriormente, no século IV a.C., o escultor Lisipo, que também teorizou sobre escultura, instituiu o cânone de oito cabeças, dando, assim, maior elegância às suas imagens. Hoje em dia, não há um rigor na observância dos cânones, podendo ser usada a proporção que melhor transmita a intenção do autor. Nas histórias em quadrinhos, principalmente, utiliza-se o cânone de nove ou mais cabeças para dar um aspecto de monumentalidade e poder aos personagens que desempenham papéis de heróis.
Lysippus de Sicyon
Lysippos em grego antigo, Λύσιππος, foi um escultor grego do século IV a.C. Juntamente com Escopas e Praxíteles, ele é considerado um dos três maiores escultores da era clássica grega, marcando a transição para o período helenístico. O estudo de Lysippos enfrenta desafios devido à dificuldade de identificar seu estilo nas cópias que sobreviveram. Ele não apenas tinha uma grande oficina e muitos discípulos em seu círculo próximo, mas também se entende que havia um mercado de réplicas de seu trabalho, produzidas fora de seu círculo, tanto durante sua vida quanto posteriormente nos períodos helenístico e romano. A estátua Jovem Vitorioso (ou Bronze de Getty), que ressurgiu por volta de 1972, tem sido associada a Lysippos.
Jovem Vitorioso, também conhecida como Atleta di Fano, Lysippos di Fano ou Bronze Getty, é uma escultura grega de bronze, feita entre 300 e 100 a.C., nas coleções do Museu J. Paul Getty, exibida na Getty Villa em Pacific Palisades, Califórnia. O Jovem Vitorioso foi encontrado no verão de 1964 no mar próximo a Fano, na costa adriática da Itália, preso nas redes de um barco de pesca italiano. No verão de 1977, o Museu J. Paul Getty adquiriu o bronze. Bernard Ashmole, arqueólogo e historiador da arte, foi convidado a inspecionar a escultura pelo marchand de Munique Heinz Herzer; ele e outros estudiosos a atribuíram a Lísipo, um prolífico escultor da arte grega clássica. A pesquisa e a conservação do Jovem Vitorioso datam das décadas de 1980 a 1990 e baseiam-se em estudos em bronzes clássicos realizados por especialistas em estudos do Mediterrâneo Antigo em colaboração com o Museu Getty.
Lysippos nasceu em Sición por volta de 390 a.C., e trabalhou com bronze em sua juventude. Tem sido afirmado que aprendeu sozinho a arte da escultura, tornando-se mais tarde o líder da escola de Argos e Sición. Segundo Plínio, o Velho, ele produziu mais de 1.500 obras, todas em bronze. Comentadores destacaram sua graça e elegância, bem como a simetria (symmetria: equilíbrio coerente) de suas figuras, que eram mais esbeltas do que o ideal representado por Polikleitos e com cabeças proporcionalmente menores, dando-lhes uma impressão de maior altura. Ele era famoso por sua atenção aos detalhes, como as pálpebras e unhas dos pés. Um de seus pupilos, Chares de Lindos (Χάρης ὁ Λίνδιος, Χάρητος, antes de 305 a.C – c.280 a.C.), construiu o Colosso de Rodes, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
Durante sua vida, Lysippos foi o escultor pessoal de Alexandre, o Grande; na verdade, ele foi o único artista que o conquistador considerou digno de representá-lo. Um epigrama de Posídipo, anteriormente conhecido apenas pela Antologia de Planudes (APl 119), mas também encontrado no recentemente descoberto Papiro de Milão (65 Austin-Bastianini), toma como inspiração um retrato em bronze de Alexandre:
Lysippos, escultor de Sición, mão ousada,
artífice astuto, há fogo no olhar do bronze
que moldaste à imagem de Alexandre. Não se pode censurar
os persas: pode-se perdoar o gado por fugir de um leão.
De modo semelhante, um epigrama de Asclepíades (APl 120) diz:
Lysippos esculpiu a ousadia de Alexandre e toda a sua forma.
Quão grande é o poder deste bronze! O rei de metal
parece fitar Zeus e estar prestes a dizer:
“Coloquei a Terra sob meus pés; a ti, Zeus, cabe o Olimpo.”
Lysippos é creditado com a representação clássica de um Alexandre inspirado e divino, com cabelos desalinhados e lábios entreabertos, olhando para o alto uma expressão que ficou conhecida como o “olhar lisipiano”. Um belo exemplo, uma cópia romana do período imperial encontrada em Tivoli, está conservada no Museu do Louvre.
Hermes Azara, uma cópia romana de um busto de Alexandre encontrada em Tivoli, atribuída a Lysippos (Museu do Louvre).
Hermes de Atalante, uma cópia romana em mármore de um bronze perdido atribuído a Lysippos (Museu Arqueológico Nacional de Atenas).
*Δ*
2.1.1.1. O Cânone de Policleto
Polikleitos ou Policleto, em grego antigo, Πολύκλειτος, foi um dos mais importantes escultores gregos do século V a.C., conhecido por seu tratado artístico chamado "O Cânone" (Κανών), no qual estabeleceu princípios matemáticos e proporções ideais para a representação do corpo humano na escultura. Infelizmente, o texto original se perdeu, mas suas ideias foram transmitidas por autores antigos, como Galeno e Plínio, o Velho, e podem ser observadas em suas obras mais famosas.
Princípios do Cânone de Policleto
1. Simetria e Harmonia (Symmetria)
• Policleto acreditava que a beleza surgia da proporção exata entre as partes do corpo.
• Ele estabeleceu relações matemáticas entre os membros, como a cabeça correspondendo a 1/7 da altura total do corpo (mais tarde ajustado para 1/8 por Lisipo).
2. Contraposto (Chiastic Balance)
• Sua técnica de contraposto (ponderação do peso do corpo) criava uma postura natural e dinâmica, como visto no Doríforo.
• O peso repousa sobre uma perna, enquanto a outra fica relaxada, gerando um ritmo harmonioso nos músculos e ombros.
3. Perfeição Idealizada
• Seu estilo buscava um equilíbrio entre realismo e idealização, evitando tanto o excesso de detalhes naturalistas quanto a rigidez arcaica.
Obras Referenciais
• Doríforo (c. 440 a.C.)
• Considerada a encarnação do Cânone, esta escultura (conhecida por cópias romanas) mostra um atleta segurando uma lança, com proporções perfeitas e postura em contraposto.
• Plínio descreveu-a como “a escultura que os artistas chamam de Cânone” (Historia Naturalis 34.55).
• Diadúmeno (c. 430 a.C.)
• Representa um atleta amarrando uma faixa na cabeça, também seguindo os princípios de proporção e movimento equilibrado.
Referências Textuais Antigas
• Galeno (De Temperamentis 1.9) menciona que Polikleitos “aperfeiçoou a arte através de números”, definindo beleza como proporção.
• Plínio, o Velho (História Natural 34.55-56) destaca sua busca pela “perfeição simétrica” e sua influência na escultura clássica.
• Cícero (Brutus 70) compara seu estilo ao de Fídias, notando sua precisão técnica.
Comparação com Lisipo
Enquanto Policleto valorizava corpos robustos e cabeças maiores (1:7), Lysippos (séc. IV a.C.) alongou as proporções (1:8) e introduziu maior dinamismo, como visto no “Apoxyómenos”.
Apoxiomenos, Αποξυόμενος, e significa, aquele que limpa; em grego antigo; de ἀποξὐω/apoxyô, raspar, arranhar, uma obra em bronze do escultor Grego Lysippos, datado de 330 a.C., do período clássico da arte grega, e dentro deste, no período pós-clássico, quando se inicia a ruptura com o “ideal clássico de beleza”. É um dos temas convencionais da escultura votiva grega antiga. Representa um atleta, pego no ato familiar e cotidiano de raspar suor e poeira do seu corpo, após a luta ou exercícios com o pequeno instrumento curvo que os gregos chamam de stlengis e os romanos de strigil.
Cópia romana em mármore de um Diadumeno de Polikleitos,
Museu Arqueológico Nacional de Atenas.
Estátua de bronze de um atleta de Éfeso limpando seu estrígil;
cópia do século I d.C. de um possível original de Polikleitos.
Apolo do "tipo Mântua", cópia romana em mármore baseada em um original grego do século V a.C. atribuído a Polikleitos, Museu do Louvre.
Cópia romana em mármore de um Diadumeno de Polikleitos,
Museu Arqueológico Nacional de Atenas.
Influência e Legado
Escultura grega: Influenciou Fídias e Lisipo (que revisou o cânone para proporções mais esbeltas).
Renascimento: Artistas como Da Vinci e Michelangelo estudaram cópias romanas do Doríforo.
Padrão ocidental: Base para academias de arte até o século XIX.
Curiosidade
Policleto esculpiu outra obra, o Diadúmeno, Atleta amarrando a faixa, para demonstrar como o cânone se adaptava a posturas diferentes.
Resumindo: O Cânone de Polikleitos foi a “fórmula matemática da beleza” na Grécia Antiga, sintetizando harmonia, movimento e idealismo.
P.S.: o cânone de Polikleitos também influenciou o desenho em suportes planos até hoje, tanto é verdade, que nas escolas de arte ainda ensinam a proporção de Polikleitos para a construção de um desenho harmônico e belo.
3. Idade Média: O Domínio do Sagrado (séculos V–XV)
Iluminuras medievais (manuscritos ilustrados, como o Livro de Kells).
Arte bizantina e gótica: Figuras hieráticas, desenhos simbólicos (ex.: ícones religiosos).
Técnicas: Uso de pena e nanquim, pigmentos minerais.
4. Renascimento: A Revolução da Perspectiva (séculos XV–XVI)
Leonardo da Vinci, Michelangelo e Dürer elevaram o desenho a estudo científico.
Anatomia humana: Esboços detalhados (ex.: Homem Vitruviano).
Perspectiva linear (Brunelleschi, A Última Ceia).
Ferramentas: Lápis de grafite (século XVI), papel mais acessível.
5. Barroco e Rococó: Dramatismo e Ornamentação
(séculos XVII–XVIII)
Desenhos preparatórios para pinturas (ex.: esboços de Rubens).
Gravura em metal (Rembrandt, Goya).
Ilustração botânica e científica (Maria Sibylla Merian).
6. Século XIX: Realismo, Impressionismo e a Fotografia
Romantismo (Delacroix, Géricault): Emoção e movimento.
Realismo (Daumier, Courbet): Crítica social e observação direta.
Fotografia (1839): Redefiniu a função do desenho, que migrou para o expressionismo (Van Gogh, Toulouse-Lautrec).
7. Século XX: Abstracionismo e Experimentação
Vanguardas
Cubismo (Picasso, Braque): Fragmentação geométrica.
Surrealismo (Dalí, Miró): Desenho automático e subconsciente.
Pop Art (Lichtenstein, Warhol): Traços inspirados em HQs e publicidade.
Quadrinhos e ilustração: Disney, Osamu Tezuka (mangá).
8. Século XXI: A Era Digital
Softwares: Photoshop, Procreate, Illustrator (desenho vetorial).
Tablets e canetas digitais (Wacom, iPad Pro).
NFTs e arte generativa (arte algorítmica, inteligência artificial).
Principais Mudanças na Técnica
O desenho evoluiu de registro primal a ferramenta de revolução visual, adaptando-se a cada era. Hoje, mistura técnicas ancestrais com inovações digitais, provando que, independentemente do meio, a necessidade humana de expressão gráfica permanece universal.
51 mil anos
(Fonte: bbc)
32 mil a 20 mil anos
19-20000 anos
13000 a 11000 anos
BRASIL
O Beijo. Pintura rupestre do Parque Nacional da Serra da Capivara, datada de 13000 anos.
Desenhos de 11200 anos. Parque estadual Monte Aelgre, Serra da Lua.
Estado do Pará.(diariodofb).
O Parque Estadual tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico.
O Parque Estadual Monte Alegre (PEMA) é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral do Estado do Pará, apresenta grande importância pelo seu peculiar ecossistema e relevante beleza cênica. Criado pela Lei Estadual n°. 6.412, de 09 de novembro de 2001, teve seus limites retificados pela Lei Estadual n° 7.692, de 3 de janeiro 2013. O PEMA está localizado no Município de Monte Alegre, na porção noroeste do Estado do Pará, na Mesorregião do Baixo Amazonas, Microrregião de Santarém, e apresenta uma área total de 36,78 Km² (3.678 ha).
O Parque apresenta um complexo de serras (Serra da Lua e Serra do Ererê), vales, cavernas (Gruta do Pilão e Gruta Itatupaoca), além da presença de diversos sítios arqueológicos com pinturas rupestres (no parque encontra-se o sítio arqueológico mais antigo da Amazônia Sul Americana com pinturas rupestres datadas em 11.200 anos a.p.). A Unidade possui algumas particularidades: uma estrutura geomorfológica (Domo de Monte Alegre-caracterizado por um conjunto de relevo acidentado); tem sua vegetação representada, em sua grande maioria, pela formação de Cerrado ou Savana; um solo arenoso (intimamente ligado às influencias das rochas) e uma fauna diversificada (1).
Desenhos de 11200 anos. Parque estadual Monte Aelgre, Serra da Lua.
Estado do Pará.(diariodofb).
Desenhos de 11200 anos. Parque estadual Monte Aelgre, Serra da Lua.
Estado do Pará.(diariodofb).
Diâmetro do círculo pintado: aproximadamente um metro.
Desenhos de 11200 anos. Parque estadual Monte Aelgre, Serra da Lua.
Estado do Pará.(diariodofb).
Desenhos de 11200 anos. Parque estadual Monte Aelgre, Serra da Lua.
Estado do Pará.(diariodofb).
Desenhos de 11200 anos. Parque estadual Monte Aelgre, Serra da Lua.
Estado do Pará.(diariodofb).
Parque Nacional da Pedra Pintada. Estado do Pará.
5000 anos
Pintura rupestre de uma arara, feita em ocre vermelho, aprox. 5000 anos.(WP)
Sítio Arqueológico do Lajedo da Soledade, Chapada do Apodi,
Rio Grande do Norte, Brasil.
(Fonte: WP)
500 anos
CONTEMPORANEIDADE
Paul Cadmus
Atualidade
Desenhos feitos por AI
Não acredito que as máquinas, ou as “inteligências artificiais” possuam inteligência, como a dos humanos, a ponto de imaginar como relatado desde Aristóteles no De Anima, todavia suas “supostas criações” impressionam.
DESENHO DE OBSERVAÇÃO
Como aproveitar ao máximo uma aula de desenho de observação?
O desenho de observação (ou drawing from life) é uma técnica artística na qual o artista observa um modelo do mundo real, como uma pessoa, um objeto ou uma cena, e cria uma imagem a partir da sua experiência direta e em primeira mão, em vez de usar uma fotografia ou outra fonte pré-existente.
Este método ajuda o artista a desenvolver habilidades de observação aguçadas, a compreender a forma tridimensional e as relações espaciais, e a capturar com precisão os detalhes sutis do tom, da luz e da anatomia.
Aspectos-chave do desenho de observação
• Observação Direta: O cerne do desenho de observação é a observação direta, usando os próprios olhos para perceber o modelo.
• Compreensão Tridimensional: Aprende-se a interpretar a profundidade e o volume reais dos modelos, que se perdem quando vistos numa superfície plana, como uma fotografia.
• Desenvolvimento da Acuidade Visual: Esta prática aperfeiçoa a capacidade de ver e diferenciar vários tons, cores e texturas em tempo real, tal como existem no ambiente.
• Captura de Movimento e Vida: Ao desenhar modelos vivos ou cenas dinâmicas, é possível captar as nuances do movimento, do gesto e da expressão de uma forma que uma fotografia estática não consegue.
• Construção de Competências Fundamentais: É um método crucial de formação clássica em arte, especialmente para o desenho de figura e retrato, pois ensina os artistas a observar e registar com precisão a informação visual da realidade.
• Flexibilidade e Intuição: Trabalhar a partir da observação permite um processo artístico mais intuitivo e flexível, já que a obra de arte pode evoluir e mudar à medida que o artista observa e interage com o modelo.
Porque é diferente de desenhar a partir de uma foto?
• Ilusão vs. Realidade: Uma foto apresenta uma ilusão do mundo real numa superfície plana, o que é uma experiência diferente da profundidade tangível e tridimensional de um modelo vivo.
• O Papel da Câmara: Uma câmara achata uma cena numa única perspetiva e pode introduzir distorção, o que não é a mesma forma como o olho humano percebe e interpreta um modelo.
• Profundidade de Compreensão: As fotos carecem da informação visual abrangente e do contexto que a observação direta de um modelo do mundo real proporciona, dificultando aos iniciantes a verdadeira compreensão daquilo que estão a desenhar.
Fonte






























































































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