HISTÓRIA NATURAL DA HOMOAFETIVIDADE
Nicholas Nelson e Charlie Spring
(Kit Connor e Joe Locke, HEARTSTOPPER Netflix)
Ao médico austro-húngaro Karl Maria Kertbeny (1824–1882) se deve a criação dos termos “homossexual” e “heterossexual” em 1869.
A palavra heterossexual é composta por duas outras palavras, hétero, do grego, héteros significando diferente, e a palavra latina para sexo.
Kertbeny publicou os termos em um panfleto anônimo, argumentando contra uma lei antisodomia prussiana.
Mais tarde em 1886, Richard von Krafft-Ebing usou os termos em seu livro Psychopathia Sexualis, provavelmente emprestando-os de Kertbeny.
O livro de Krafft-Ebing foi tão popular que os termos heterossexual e homossexual se tornaram os mais aceitos para designar orientação sexual.
O historiador e filósofo Michel Foucault argumentou que as identidades homossexuais e heterossexuais não surgiram até o século XIX. Esses termos como os conhecemos hoje, são uma construção do século XIX, uma vez que essa característica sempre existiu e é descrito em virtualmente todas as espécies de mamíferos.
Nicholas Nelson e Charlie Spring (HEARTSTOPPER Netflix)
Os termos “homossexual e heterossexual” surgiram no século XIX, em um contexto médico e científico que buscava classificar comportamentos sexuais. Sua criação está ligada ao estudo da sexualidade humana como um campo de conhecimento científico, mas também refletia as normas sociais da época.
1. A CRIAÇÃO DOS TERMOS
Homossexual
O termo “homossexual” Foi cunhado pelo médico, escritor e ativista Karl-Maria Kertbeny (1824–1882) em um panfleto anônimo de 1869, defendendo a descriminalização das relações entre homens na Prússia. Esse termo foi popularizado pelo psiquiatra Richard von Krafft-Ebing em sua obra “Psychopathia Sexualis” (1886), que associava a homossexualidade a uma “degeneração” neurológica.
Antes disso, termos como “pederastia” (na Grécia Antiga) ou “sodomia” (na Idade Média) eram usados, mas com conotações morais ou legais, não como identidade.
Heterossexual
O termo heterossexual surgiu como contraponto ao termo “homossexual” na mesma época, tendo sido criado por K.M. kertbeny (1869). Foi usado pela primeira vez pelo médico Karl Friedrich Otto Westphal em 1869, definindo a atração pelo sexo oposto como a norma. Antes do século XIX, não havia uma palavra específica para a heterossexualidade, pois ela era considerada o padrão implícito.
Contexto histórico
Os termos “heterossexual” e “homossexual” não eram usados com frequência no final do século XIX, e não existia ou não era necessário uma definição dos papéis sexuais ou orientações de gênero. Por volta de 1890, Richard von Krafft-Ebing e Albert Moll reintroduziram esses termos no dicionário médico. O dicionário médico Dorland, de 1901, definiu a heterossexualidade como “um apetite anormal ou pervertido em relação ao sexo oposto”.
Na década de 1980, as feministas Adrienne Rich e Monique Wittig cunharam o termo “heterossexualidade compulsória”.
O pesquisador Michael Warner criou o termo “heteronormatividade” em 1991.
Significação dos termos
“Homossexual ou gay” é o termo usado para descrever pessoas que se sentem atraídas pelo mesmo sexo. “Heterossexual” é um termo que se refere a pessoas que se sentem atraídas pelo sexo oposto.
Heterossexualidade Compulsória: Conceito e Impactos
Heterossexualidade compulsória (frequentemente abreviada como “comphet”) é a teoria de que a heterossexualidade é imposta e normalizada pela sociedade patriarcal, alonormativa e heteronormativa. O termo foi popularizado por Adrienne Rich em seu ensaio de 1980, “Heterossexualidade Compulsória e Existência Lésbica”. Segundo Rich, as ciências sociais e a literatura perpetuam a crença de que mulheres em todas as culturas possuem uma preferência inata por relacionamentos românticos e sexuais com homens (sexo oposto). Ela argumenta que a atração feminina por homens nem sempre é natural, mas sim socialmente enraizada e condicionada1. A comphet descreve a ideia de que a sociedade é majoritariamente heterossexual e marginaliza identidades queer, perpetuando a homofobia e desigualdades legais contra a comunidade LGBTQ+.2 (WP)
Conceito e Terminologia
Adrienne Rich defendia que a heterossexualidade não é natural ou inerente aos seres humanos, mas uma “instituição política” que sustenta a dominação patriarcal dos homens sobre as mulheres. Segundo ela, até a literatura feminista opera sob um paradigma heterossexual, falhando em reconhecer que instituições como o casamento são construções sociais internalizadas e reproduzidas1. Essa estrutura define padrões para relacionamentos e exclui quem foge deles.3 (WP)
Rich escreveu o ensaio para combater o “apagamento lésbico” na literatura feminista, esclarecendo que seu objetivo não era dividir, mas convocar feministas heterossexuais a enxergarem a heterossexualidade como uma instituição opressora a ser desmantelada4. Ela as incentivava a direcionar sua atenção para outras mulheres, propondo que a “existência lésbica” é uma extensão natural do feminismo. (WP)
Existência Lésbica e Continuum Lésbico
Rich introduz o termo “existência lésbica” (em vez de lesbianismo) para descrever não apenas uma identidade sexual, mas um modo de vida que desafia conscientemente o patriarcado. O conceito reconhece a presença histórica, atual e futura de lésbicas. Já o “continuum lésbico” amplia essa ideia para incluir amizades, solidariedade e qualquer relação emocionalmente íntima entre mulheres, não apenas vínculos românticos ou sexuais, ressignificando o termo “erótico”1. Essa visão dialoga com a definição de Audre Lorde sobre o erotismo. (WP)
O Erotismo como Resistência
A. Lorde desvincula o “erótico” do contexto sexual, aproximando-o do significado original de “eros” (amor em todas as suas formas). Para ela, o erótico é a capacidade das mulheres de experimentar “alegria profunda” ao conectarem-se com seus desejos mais autênticos, energia criativa e vínculos significativos. Essa experiência é perigosa para o patriarcado, pois levaria as mulheres a buscar realização em todas as áreas da vida, rompendo com a priorização dos desejos masculinos5. (WP)
Heterossexualidade Compulsória como Estrutura
A comphet age sobre os indivíduos desde o nascimento, pressupondo que todos são heterossexuais até prova contrária. Por isso, Sandra Lipsitz Bem argumenta que minorias sexuais passam por um “desenvolvimento identitário mais complexo”, investigando sua autoimagem em contraste com a sociedade6. Para elas, a orientação sexual torna-se base fundamental da identidade e dos relacionamentos7.
Críticas Interseccionais
Katerina Deliovsky amplia o debate, afirmando que a estrutura ocidental não só impõe heterossexualidade, mas também “relações dentro da mesma raça”, propondo o termo “heterossexualidade compulsória branca”. Isso se reflete em estereótipos racistas (como homens negros “agressivos” ou asiáticos “femininos”). Deliovsky ressalta que, quando Rich fala em “comphet” como garantia dos direitos masculinos, refere-se, na verdade, aos “homens brancos”. A manutenção dessa norma serve não apenas ao conforto masculino, mas à preservação da branquitude, como visto nas leis antimiscigenação. Mulheres brancas também são cúmplices desse sistema racista, que as beneficia8 parcialmente.(WP)
Nota: A tradução adaptou termos como comphet (heterossexualidade compulsória) e “continuum” (sem tradução para preservar o conceito).
Manifestações do Poder Masculino
A teoria afirma que a “dominação masculina” em uma sociedade patriarcal é um fator central na imposição da heterossexualidade compulsória às mulheres1. Para atender às necessidades dos homens, a heterossexualidade exige que eles forcem as mulheres a entrar em relacionamentos heterossexuais e no casamento dentro de uma estrutura patriarcal9. Kathleen Gough argumenta que existem oito características do “poder masculino” em sociedades arcaicas e contemporâneas:
1. Rejeição da sexualidade das mulheres
2. Imposição da sexualidade masculina sobre as mulheres
3. Exploração do trabalho feminino
4. Controle ou privação das mulheres sobre seus filhos
5. confinamento físico das mulheres
6. Usar as mulheres como objetos em transações masculinas
7. Negação da criatividade das mulheres
8. Impedir o acesso das mulheres ao conhecimento e conquistas culturais10.
Essas características combinadas criam uma cultura em que as mulheres são convencidas de que a heterossexualidade e os relacionamentos heterossexuais são inevitáveis por meio do “controle da consciência”, especialmente quando associado ao “apagamento lésbico”1.
A Heterossexualidade como Dependência
A heterossexualidade é usada para tornar as mulheres dependentes dos homens para satisfazer seus desejos e necessidades11. As “Radical Lesbians” argumentavam que a orientação heterossexual só pode existir em uma sociedade de dominação masculina e que, para alcançar sua autorrealização, as mulheres devem “fortalecer umas às outras”, em vez de se conformarem com a opressão masculina12. Além disso, a heterossexualidade feminina pode mascarar uma “busca por poder através dos homens”, e não necessariamente atração sexual, já que a socialização masculina “associa poder e dominância à atração sexual3.
A autora Victoria Brownworth também escreveu que a “eliminação das lésbicas e da sexualidade lésbica da história” é “semelhante ao apagamento de toda sexualidade feminina autônoma: o desejo sexual das mulheres sempre foi visto, discutido e retratado dentro do construto e da perspectiva do olhar masculino”
Por que foram criados os termos Homossexual e heterossexual?
Esses termos foram criados dentro da área médica de “classificação médica”: no século XIX, a sexualidade passou a ser estudada como um traço psicológico e biológico, não apenas moral.
Controle social: A medicina da época via a heterossexualidade como “natural” e a homossexualidade como um “desvio” a ser tratado.
Movimentos de resistência: Mais tarde, ativistas gays do século XX reivindicaram o termo “homossexual” para lutar por direitos, apesar de sua origem patologizante.
Críticas e Evolução
No final do século XX, termos como “gay”, “lésbica” e “queer” ganharam força para fugir do estigma médico.
Hoje, “heterossexual” ainda é usado como norma, enquanto “homossexual” tem sido substituído por linguagem mais afirmativa em muitos contextos.
2. HOMOAFETIVIDADE
Homoafetivo é um termo utilizado para descrever relações amorosas entre pessoas do mesmo sexo. É o mesmo que homossexual, mas é uma expressão que enfatiza o aspecto emocional e afetivo dessas relações. A palavra foi criada para diminuir a conotação pejorativa dada aos relacionamentos homossexuais. Tornou-se uma expressão jurídica para garantir direitos e tratamento igualitário nos casos de união ou casamento de casais do mesmo sexo. O uso da palavra homoafetivo visa destacar o afeto, o amor e o compromisso presentes nas relações entre pessoas LGBTQIA+, incentivando uma visão positiva e inclusiva da diversidade afetiva e sexual.
A homoafetividade é a capacidade de desenvolver sentimentos de afeto, amor e atração por pessoas do mesmo sexo. O conceito tenta ser mais abrangente ao ir além da orientação sexual, e abordar dimensões emocionais e afetivas das relações entre pessoas LGBTQIA+. O termo tenta valorizar a profundidade das conexões emocionais e o compromisso mútuo nessas relações. Foi criado pela desembargadora e jurista Maria Berenice Dias, que defende que o afeto é o fator mais relevante na atração que uma pessoa sente por seu parceiro. Segundo a Desembargadora, a homoafetividade é um vínculo criado pela afetividade, pelo carinho e pelo desejo de estar com o outro em uma convivência harmônica. Por isso, a palavra é usada principalmente em contexto jurídico e sociais, especialmente quando relacionado com a união de casais homoafetivos.(Teodoro, s/d).
Homoafetividade e Transexualidade encontraram terreno fértil entre os Gregos e sobretudo entre os Deuses Olímpicos, um reflexo da sociedade helênica, onde o amor, o afeto, a dor da perda, e a identidade no mundo antigo foi tema de inúmeras e memoráveis histórias.
A mitologia grega é repleta de narrativas que desafiam as normas de gênero e sexualidade, revelando uma visão muito mais fluida e diversa do que muitas sociedades posteriores supuseram. Entre os deuses olímpicos, encontramos histórias de amor homoafetivo, transformações de gênero e expressões de identidade que ecoam questões contemporâneas.
1. Zeus e Ganimedes: Homoerotismo Divino
Um dos exemplos mais conhecidos é o mito de Zeus e Ganimedes, um jovem troiano de extraordinária beleza. Zeus, assumindo a forma de uma águia, raptou Ganimedes e o levou para o Olimpo, onde o tornou seu amante e copeiro dos deuses (Homero, Ilíada XX, 232-235; Apolodoro, Biblioteca III, 12.2). Essa relação não era vista como escandalosa, mas sim como um símbolo de admiração e desejo divino.
2. Apolo e Jacinto: Amor e Tragédia entre Homens
Apolo, deus da luz e das artes, teve vários amantes masculinos, sendo o mais famoso Jacinto (Yacinth), um príncipe espartano. O mito narra que o vento Zéfiro, também apaixonado por Jacinto, desviou um disco lançado por Apolo, matando o jovem (Ovídio, Metamorfoses X, 162-219). Apolo, inconsolável em sua dor e não podendo recusditar o jovem amado, transformou Jacinto na flor que leva seu nome. Essa história ilustra não apenas o amor homoafetivo, mas também o afeto, a dor da perda e a imortalização do amado.
3. Afrodite e Hermes: Androginia e Transformação
Embora Afrodite seja frequentemente associada ao amor heterossexual, ela também possui aspectos que transcendem o binário de gênero. Em algumas versões, ela se une a Hermes, deus mensageiro, gerando Hermafrodito, uma figura intersexo ou andrógina (Ovídio, Metamorfoses IV, 285-388). Quando o jovem Hermafrodito se funde com a ninfa Salmácis, seu corpo se torna uma mistura de masculino e feminino, simbolizando a fusão dos gêneros.
4. Dionísio e a Fluidez de Gênero
Dionísio, deus do vinho e do êxtase, frequentemente desafiava as normas de gênero. Em algumas tradições, ele é retratado como efeminado ou usando roupas femininas (Eurípides, Bacantes). Seu culto incluía rituais onde os participantes transcendiam identidades fixas, celebrando a liberdade do corpo e do espírito.
5. Tiresias: A Experiência Transgênero na Mitologia
Embora não seja um deus olímpico, Tiresias, o vidente cego, viveu tanto como homem quanto como mulher. Segundo o mito, ele foi transformado em mulher por sete anos após interferir no acasalamento de serpentes (Ovídio, *Metamorfoses* III, 316-338). Quando questionado por Zeus e Hera sobre quem sentia mais prazer sexual, Tiresias respondeu que as mulheres o experimentavam mais intensamente, o que lhe custou a visão (por revelar segredos divinos).
6. Caenis, outro exemplo de transgeneridade
Caenis, Καινίς, Kainís, é uma ninfa grega da Tessália. É dito que, após ser violada barbaramente pelo Deus Possêidon (Netuno romano), ela ficou traumatizada e carregava uma grande amargura. Possêidon tentando remediar a dor e o sofrimento da ninfa, concedeu-lhe qualquer desejo. A ninfa pede que ele a transforme em um guerreiro valoroso e invulnerável. A contragosto o deus a transforma em um homem forte e corajoso. Ao transformar-se em homem, Caenis alterou o seu nome para Caeneus, Καινεύς, Kaineús, e era de fato um guerreiro incrível, provando-se vitorioso em várias batalhas, inclusive juntando-se aos Argonautas na caçada de um javali. No casamento de Piritos (Peirithous) com Hippodamia, quando, os centauros bêbados com o vinho da festa, tentaram raptar a noiva. Um centauro em particular, Latreus, zombou de Caeneus e negou sua habilidade como guerreiro e lutador, pois percebeu sua origem feminina. Caeneus atinge Latreus com um golpe, além de matar outros centauros, permanecendo ileso. Alguns mitos dizem que Caeneus foi martelado no chão pelos centauros porque era invulnerável à suas armas. Sua alma tornou-se um pássaro de asas douradas, que subiu aos céus, ou, em outros relatos, atingiu o submundo, onde retornou à forma feminina mais uma vez.
Todas essas histórias são algumas entre tantas outras de transgêneros da mitologia Grega. Os gregos desde sua origem, assim como a maioria, senão todos, os povos originários reservavam um lugar especial para esse amor, que foi, é e sempre será uma característica humana, não devendo existir sobre ele qualquer discriminação ou desprezo.
3. OS PETROGLIFOS DE KANGJIANSHIMENJI (KANGJIANSHIMENZI)
Pessoas recatadas não deveriam se dedicar à arqueologia. O patina da antiguidade pode tornar um falo esculpido em marfim, uma estatueta de Vênus ou uma pintura de vulva na parede de uma caverna algo inestimável, comunicando-se conosco a partir de um passado distante e mudo. Mas transplante essas imagens para o mundo moderno e você terá vibradores, “Playboy” e Georgia O'Keeffe.
Ainda assim, a maior parte da arte erótica pré-histórica é abstrata e desencarnada. Ela não retrata explicitamente antigos obcecados por sexo transando loucamente por diversão e fertilidade. Mas um sítio arqueológico pouco conhecido e misterioso faz exatamente isso.
Os Petroglifos de Kangjiashimenji são esculturas em baixo-relevo em um maciço afloramento de basalto vermelho na remota região de Xinjiang, no noroeste da China. A obra inclui as primeiras, e algumas das mais gráficas, representações de cópula do mundo.
O arqueólogo chinês Wang Binghua descobriu os petróglifos no final dos anos 1980, e Jeannine Davis-Kimball, especialista em nômades eurasiáticos, foi a primeira ocidental a vê-los. Embora ela tenha escrito sobre as esculturas em revistas acadêmicas, elas permanecem obscuras. O Google retorna apenas alguns resultados, dependendo da grafia. Os petróglifos merecem mais atenção.
Petroglifos de Kangjianshimenji.(1)
Petroglifos de Kangjiashimenzi (2)
As gravuras rupestres (Petroglifos de Kangjiashimenzi) de 9000 a 7000 anos, retratam mulheres com torsos, quadris e pernas triangulares masculinos, adornadas com cocares e joias femininas. Os homens são menores, têm pernas finas e não usam adornos. Mycio identificou um terceiro grupo com falos masculinos, mas usando cocares femininos. Uma pintura retrata um homem excitado com o braço em volta de outro homem no mesmo estado. A dupla observa nove mulheres e dois homens dançando em círculo. Ao fundo da cena, um homem solitário se masturba.
Em outra cena, um grupo de homens e mulheres dança ao redor de uma grande figura bissexual em estado de excitação, que se prepara para acasalar com uma mulher. “A pintura é uma demonstração espetacular do sexo como uma das forças motrizes por trás da criação artística”, disse Mycio.
Viktor Mair, professor de língua e literatura chinesa na Universidade da Pensilvânia, disse que as esculturas eram “uma floresta de falos e vulvas cobertas de simbolismo sexual”.
“Uma atenção tão ostensiva e generalizada à reprodução sexual é extremamente rara em um cemitério”, disse ele. Uma leitura alternativa das figuras “bissexuais” é que elas podem ser xamãs. Outra teoria é que as figuras compostas por homens e mulheres são pessoas “de espíritos gêmeos”.
Conclusão: Um Legado de Diversidade
Esses mitos revelam que a homoafetividade, a androginia e a transexualidade não eram apenas presentes, mas “integradas à cosmovisão grega”. Enquanto a sociedade grega tinha suas próprias normas e hierarquias, os deuses transcendiam essas limitações, oferecendo um espelho para a complexidade humana. Hoje, essas histórias ressoam como “antecedentes míticos das discussões contemporâneas sobre identidade de gênero e orientação sexual”, mostrando que a diversidade sempre fez parte da experiência sagrada e humana. Encontramos todos esses exemplos na Ilíada de Homero, nas Metamorfoses de Ovídio, na Biblioteca de Apollodorus, e nas Bacantes de Eurípides.
Esses termos homossexual, heterossexual, homoafetividade e Heteronormatividade, obviamente não existiam na Antiguidade (gregos e romanos não se definiam por eles), mas foram criados para classificar e muitas vezes patologizar comportamentos. Sua história mostra como a sexualidade é uma construção social em constante transformação.
Observações
1. Mantive termos técnicos como patina e basalto, pois são comuns em português arqueológico.
2. Adaptei expressões como “screwing their brains out” para uma linguagem mais natural em português (“transando loucamente”).
3. “Playboy” e Georgia O'Keeffe permanecem sem tradução por serem nomes próprios/marcas reconhecíveis.
4. Kangjiashimenji segue a grafia original (sem tradução).
Fonte
[1] Rich, A. (1980). "Compulsory Heterosexuality and Lesbian Existence".
[2] Contextos sociológicos sobre heteronormatividade.
[3] Análises feministas sobre instituições sociais.
[4] Rich, A. (1980). Notas sobre o propósito do ensaio.
[5] Lorde, A. (1978). "Uses of the Erotic: The Erotic as Power".
[6] Bem, S. L. (1993). "The Lenses of Gender".
[7] Estudos sobre identidade LGBTQ+.
[8] Deliovsky, K. (2010). "White Femininity: Race, Gender and Power".
[9] Análises feministas sobre patriarcado e casamento.
[10] Gough, K. (1975). "The Origins of the Family".
[11] Teorias sobre dependência econômica e afetiva das mulheres.
[12] Radicalesbians. (1970). "The Woman-Identified Woman".
[3] Críticas feministas à socialização de gênero.
Notas da tradução
- Mantive termos como "male gaze"* (olhar masculino) por serem conceitos consolidados.
- Adaptei expressões como "self-realization" para "autorrealização" e "complacent in oppression" para "conformar-se com a opressão".
(Continuará…)
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