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02 agosto 2024

FASCISMO É EXTREMA DIREITA

FASCISMO É EXTREMA DIREITA







Raizes do fascismo

Um estudo dos escritos dos diversos autores do século XX me esclareceu e demonstrou que o caráter autorirario e desumanizante do fascismo é um e o mesmo com os métodos e escopo da extrema direita = fascismo atual. 

Desse modo podemos dizer que são gêmeos xifópagos, cuja raiz é o ultranacionalismo autoritário e o culto a um líder que salvará a sociedade. 

Como uma ilusão de ótica da politica, a forma e o conteúdo do fascismo do início do séc. XX, e o atual  são o mesmo fenômeno. Ambos são descarga da violência sobre os corpos dos trabalhadores, nesse momento do capitalismo de máxima acumulação do capital. 

É urgente e necessário, dissecar, tanto histórica quanto moralmente, e é um dever de homens civilizados examinar seu passado, especialmente os episódios da emergência fascista , i.e. de extrema-direita, e reconhecê-lo hoje. 

Muitas vezes é difícil e desconfortável aceitar o facto de que, na altura em que surgiu, o fascismo era popular, seus líderes eram adorados e sua ideologia celebrada como revolucionária (Turner, 1975). Mesmo sendo uma ideologia que sempre foi de encontro a todos os princípios morais e éticos e eram diametralmente opostos ao humanismo.

Sabemos o que o fascismo de ontem se propunha alcançar e o que prometia que a vida seria. “O Povo” como o conhecemos como um conjunto de modos alternativos de ser do humano, seria abolido e em troca teríamos uma massa dócil e privada do pensamento crítico. Um rebanho fácil de manipular. 

O fascismo é uma ideologia política ultranacionalista e autoritária caracterizada por poder ditatorial, repressão e aniquilação da oposição por via da força e forte arregimentação da sociedade e da economia. 

Como outrora, hoje também podemos enumerar as várias características em comum entre “os fascismo” do início do século XX e do início do século XXI, que como vimos são a mesma coisa. Entre as características temos: 

1) nacionalismo extremo, 
2) desprezo pela democracia eleitoral 
3) desprezo pela liberdade política e económica, 
4) crença numa hierarquia social natural,
5) crença no domínio das elites,
6) desejo de criar uma comunidade do povo em que os interesses individuais sejam subordinados aos interesses da nação (aniquilação total da liberdade). 

Há também um interesse renovado no estudo académico sério do fascismo e da extrema direita, alimentado pela persistência da ideologia extremista num mundo pós-Guerra Fria, em que a ideologia deveria definhar, entretanto, esse nefasto sistema de crenças persiste e nunca foi combatido (Davies and Lynch, 1966), como o foi a ideologia da esquerda. Porque será? A resposta é clara, e está articulada e amalgamada ao capitalismo. Os métodos do fascismo surgem no interior do capitalismo. 

A década de 1990 testemunhou o renascimento da visibilidade do etnonacionalismo e violência genocida associada, por exemplo, na Bósnia ou em Ruanda; a influência de ex-“neofascistas” na Alleanza Nazionale (AN) italiana: a proeminência da Frente Nacional (FN) na França, do Freiheitliche Partei Osterreichs (FPO) na Áustria, do National Demokratische Partei Deutschlands (NPD) na Alemanha, e Svoboda, Pravyi Sektor (Setor de Direita) e outros grupos formaram desde 2014 suas próprias milícias armadas, muitas das quais passaram a integrar forças regulares ucranianas como a Polícia de Patrulha para Operações Especiais da Ucrânia e a Guarda Nacional da Ucrânia, empregadas contra os separatistas pró-Rússia, na Ukrania. Estas tendências vão além da Europa: poderíamos incluir a ascensão do nacionalismo hindu na Índia, tal como reflectido na ascendência do Partido Bharatiya Janata e do Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), (Davies & Lynch, 1966) ou a proeminência de alguns dos grupos de milícias mais violentos e conspiratórios nos EUA, além de partidos de extrema direita no Brasil. 

Em qualquer nível que olhemos, todos estes são chamados de “extrema direita”, tal como o fascismo; é necessário chamar a coisa pelos seu nome e reconhecer sua raiz: todos estão ligados a Adolf Hitler ou Benito Mussolini e à ideia de capital como meio para o poder. 

Oposto ao liberalismo, ao marxismo, ao socialismo e ao anarquismo, o fascismo posiciona-se na extrema-direita do espectro político tradicional. Sua posição encerra um significado essencial: é o “topos” da violência por excelência e a anulação de tudo que nos faz humanos. 

Devemos sublinhar o fato de que o fascismo ou extrema direita, representa, corporifica e é a abolição da democracia e da política como jogo de interesses composto por pesos e contrapesos, uma vez que o fascismo não reconhece nada além dele mesmo. 

Hoje a ideologia fascista representa o traço de união entre os impulso genocida do outro, do diferente; e a deturpação do cristianismo especialmente a ideologia do poder na igreja neopentecostal. Se no passado o fascismo usou aspectos da religiosidade pagã e o culto a pureza da raça, hoje está apoiado na visão corrompida do cristianismo especialmente os neopentecostais. 

Todo esse arcabouço cruento tem sua origem nas crises do capitalismo tardio ou de máxima acumulação. Assim o fascismo só pode existir e ser um modo de operar do e para o capitalismo. 



Fonte


Davies, Peter and Lynch, Derek. (1966). The Routledge companion to fascism and the far right.

 

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