Plato wrote that same-sex lovers were more blessed than ordinary mortals. But then he changed his mind, describing the act as 'utterly unholy' and 'the ugliest of ugly things'. So why were the ancient Greeks so confused about homosexuality, asks James Davidson.
SPARTA, 610 BC. A group of teenage girls are carrying a plough through the night, like a team of oxen. Teenage girls, involved in some kind of ritual, processing towards a mountain ridge. They are singing a beautiful song, a work of art, full of obscure allusions and some familiar names from ancient myths: Helen's devoted twin brothers, Castor and Pollux, "Aphrodita", the goddess of love, the dangerous, teasing Sirens. But now the girls seem to be calling out to each other, strange, old-fashioned names: "Wianthemis", "Philulla", "Astaphis", "Hagesichora". And they are flattering each other - "lovely Wianthemis". No, something more than that. Flirting. "If only Astaphis were mine, if only Philulla were to look in my direction". Hints, even, of sexual jealousy: ". . . but I mustn't go on, for Hagesichora has got her eye on me."
SPARTA, 610 a.C. Um grupo de meninas adolescentes carregam um arado durante a noite, como um time de bois. Garotas adolescentes, envolvidas em algum tipo de ritual, caminhando em direção a um cume da montanha. Eles estão cantando uma bela canção, uma obra de arte, cheia de alusões obscuras e alguns nomes familiares, conhecidos dos mitos antigos: os irmãos gêmeos devotados de Helena, Castor e Pollux, "Afrodita", a deusa do amor, as perigosas e provocadoras sereias. Mas agora as meninas parecem estar chamando umas às outras, nomes estranhos e antiquados: "Wianthemis", "Philulla", "Astaphis", "Hagesichora". E eles estão se lisonjeando - "adoráveis Wianthemis". Não, algo mais que isso. Flertar. "Se ao menos Astaphis fosse meu, se ao menos Philulla olhasse na minha direção". Dicas, até mesmo, de ciúmes sexuais: "... mas não devo continuar, pois Hagesichora está de olho em mim".
Another location: the island of Santorini, an odd part-circumference of rock. A hard sound, chink, chink. Metal chipping out stone. High on a precipitous altar-dotted promontory, a man is surrounded by a small crowd of youths. They are watching him, as the sweat pours off him, chiselling strange, old-fashioned letters into the lava. "In this place, as Apollo is my witness, Crimon had sex with the son of Bathycles..." He has nearly finished his inscription now, one more - unexpected - word... "A-D-E-L-P-H-E-O-N, his brother."
Outro local: a ilha de Santorini, uma estranha circunferência parcial de rocha. Um som duro, fenda, fenda. Metal lascando pedra. No alto de um promontório dotado de um altar-precipício, um homem está cercado por uma pequena multidão de jovens. Eles o observam, enquanto o suor escorre dele, cinzelando estranhas, antiquadas letras na lava. "Nesse lugar, como Apollo é minha testemunha, Crimon fez sexo com o filho de Bathycles ..." Ele quase terminou sua inscrição agora, mais uma palavra inesperada ... "A-D-E-L-P-H-E-O-N, seu irmão."
Ganymede and Zeus.
Fast-forward a couple of hundred years. Athens in the age of Plato. A big city. A solemn trial. A man accused of attempted murder. He begins to tell his side of the story, how he got into a fight with some worthless creature called Simon. "You see we both lusted after the boy Theodotus..." he explains to the august judges. They nod sympathetically, as if all is now clearer.
The secret of Greek homosexuality has only ever been a secret to those who neglected to inquire. The Greeks themselves were hardly coy about it. Their descendants under the Roman empire were amazed to read what their ancestors had written centuries earlier, drooling in public over the thighs of boys, or putting words into the mouth of Achilles in a tragic drama, as he remembered the "kisses thick and fast" he had enjoyed with his beloved Patroclus. The Romans certainly noticed what they called the "Greek custom", which they blamed on too much exercising with not enough clothes on. Christians mocked a people who worshipped gods who kidnapped handsome boys like Ganymede, or who, like Dionysus, promised a man his body in exchange for information about how to get into the underworld. Nor was it forgotten in the Middle Ages, when Greek Ganymede became a codeword for sodomitical vice.
Avanço rápido de algumas centenas de anos. Atenas na era de Platão. Uma grande cidade. Um julgamento solene. Um homem acusado de tentativa de assassinato. Ele começa a contar seu lado da história, como ele entrou em uma briga com alguma criatura inútil chamada Simon. "Você vê que nós dois cobiçamos o garoto Teodoto ..." ele explica aos augustos juízes. Eles acenam com simpatia, como se tudo estivesse mais claro agora.
O segredo da homossexualidade grega só foi um segredo para aqueles que deixaram de perguntar. Os próprios gregos dificilmente eram tímidos quanto a isso. Seus descendentes sob o império romano ficaram surpresos ao ler o que seus ancestrais escreveram séculos antes, babando em público sobre as coxas dos meninos ou colocando palavras na boca de Aquiles em um drama trágico, ao se lembrar dos "beijos grossos e rápidos" ele desfrutara com seu amado Pátroclus. Os romanos certamente notaram o que chamavam de "costume grego", que culparam por se exercitar demais com roupas insuficientes. Os cristãos zombavam de um povo que adorava deuses que sequestraram garotos bonitos como Ganimedes, ou que, como Dionísio, prometeram a um homem, seu corpo em troca de informações sobre como entrar no submundo. Nem foi esquecido na Idade Média, quando o grego Ganimedes se tornou uma palavra-código para o vício sodomítico.
At the end of the 17th century the great classicist Richard Bentley knew well enough that the Greek word for a male "admirer", erastes, indicated a "flagitious love of boys". And in 1837, when Moritz Hermann Eduard Meier was asked to contribute a book-length article on the subject to a giant encyclopaedia of arts and sciences, he made no bones about it: "The spiritual elements of this affection were always mixed with a powerfully sensual element, the pleasure which had its origin in the physical beauty of the loved one." And yet there was always another side to the story. We hear of laws that punished men who "mixed with" or even "chatted" with boys. Xenophon, who knew Sparta better than anyone, says that the Spartan lawgiver had laid down that it was shameful even "to be seen to reach out to touch the body of a boy". Slaves called "pedagogues" - paidagogoi - were employed by Athenians to protect their sons from unwanted attention, and by Plato's time there were some people who had "the audacity to say" that homosexual sex was shameful in any circumstances. Indeed Plato himself eventually made so bold. At one time he had written that same-sex lovers were far more blessed than ordinary mortals. He even gave them a headstart in the great race to get back to heaven, their mutual love refeathering their moulted wings. Now he seemed to contradict himself. In his ideal city, he says in his last, posthumously published work known as The Laws, homosexual sex will be treated the same way as incest. It is something contrary to nature, he insists, and although there won't be laws against it, nevertheless a propaganda programme will encourage everyone to say that it is "utterly unholy, odious-to-the-gods and ugliest of ugly things".
No final do século XVII, o grande classicista Richard Bentley sabia muito bem que a palavra grega para um "admirador" do sexo masculino, erastes, erasta, indicava um "amor flagrante pelos meninos". E em 1837, quando foi solicitado a Moritz Hermann Eduard Meier que contribuísse com um artigo de um livro sobre o assunto para uma enciclopédia gigante de artes e ciências, ele não se preocupou com isso: "Os elementos espirituais desse afeto, carinho, afeição, sempre foram misturados a um elemento poderosamente sensual, o prazer que teve sua origem na beleza física do ente querido, amado". E, no entanto, sempre havia outro lado da história. Ouvimos falar de leis que puniam homens que "se misturavam" ou até "conversavam" com garotos. Xenofonte, que conhecia Esparta melhor do que ninguém, diz que o legislador espartano havia declarado que era vergonhoso até "ser visto tentando tocar o corpo de um menino". Escravos chamados "pedagogos" - paidagogoi - eram empregados pelos atenienses para proteger seus filhos da atenção indesejada, e na época de Platão havia algumas pessoas que tinham "a audácia de dizer" que o sexo homossexual era vergonhoso em qualquer circunstância. De fato, o próprio Platão acabou se tornando tão ousado. Certa vez, ele escreveu que os amantes do mesmo sexo eram muito mais abençoados do que os mortais comuns. Ele até deu a eles uma vantagem (headstart: começar na frente) na grande corrida para voltar ao céu, seu amor mútuo "refazendo" (refeathering their moulted wings: re-colocando as penas nas asas) mudadas (em braços?). Agora ele parecia se contradizer. Em sua cidade ideal, ele diz em seu último e mais longo trabalho (diálogo) publicado postumamente, conhecido como As Leis, (Νόμοι, Nómoi; Latim: De Legibus) o sexo homossexual será tratado da mesma maneira que o incesto. É algo contrário à natureza, ele insiste, e, embora não haja leis contra isto, no entanto, um programa de propaganda incentivará todos a dizer que é "absolutamente, totalmente profano, odioso aos deuses e das coisas feias o mais feio".
For these and other reasons there has long been debate about the true nature of this Greek custom - what the Greeks called eros, a "passionate life-churning love", or philia, "fond intimacy". Was it essentially sublime or sodomitical? A source of anxiety or a cause for celebration? Sometimes the Greeks seemed to approve of it wholeheartedly, even to suggest that it was the highest and noblest form of love. And other times they seemed to condemn it. Sometimes the ideal seems to be a spiritual, passionate but unconsummated "Platonic" love, like that much praised by Plato's Socrates. It was this notion that allowed Ganymede, ancient mascot for the vice unmentionable among Christians, to appear on the doors of St Peter's in Rome, where, amazingly, he remains, or as the emblem of "piety" in Christian picture-books. So popular were such prints of Ganymede in the Catholic Baroque that Rembrandt painted a harsh rejoinder. Instead of sublimely rising, his Ganymede is kicking and screaming, dragged off in incontinent terror. But the image of an idealised non- sexual same-sex love was still powerful enough at the end of the 19th century for Oscar Wilde to think it a good idea to invoke the Greek example - "that deep spiritual affection that is as pure as it is perfect" - in his defence when charged with sodomy. Some members of the audience in the courtroom clapped and cheered, although there was nothing very spiritual about the sensual love unblushingly described by poets such as Aeschylus, Theocritus and Solon - as Wilde knew better than anybody.
A number of solutions have been proposed over the years to account for these apparent contradictions. Meier and others appealed to changes over time. First they identified in the distant past - the age of heroes - a rather extreme form of buddydom, comrades-in-arms like Achilles and Patroclus in Homer's Iliad, not lovers in the modern sense, nor in any other sense either, just extremely good friends. When later more homosexually inclined Greeks added kisses - and more - to the relationship, they had simply misunderstood what Homer intended. The origins of the true (in)famous Greek Love should be placed, these scholars suggested, about 100 years later, in the years before 600BC, in a virile and passionate and educational appreciation of youthful male beauty that was very quickly "corrupted" or "poisoned" by sensuality and indeed sex.
In 1907, however, Erich Bethe turned this narrative on its head. He had heard rumours of some strange homosexual customs discovered by missionaries in Papua New Guinea; boys there were inseminated as part of an initiation rite in order to help them grow into men. Perhaps this is how Greek homosexuality started, he said, with primitive tribes like the Dorians (cultural ancestors of the Spartans) in the second millennium BC using buggery to transmit manly essence into the younger members of the tribe, a quasi-magical ritual. This, he suggested, was what was being commemorated in the recently rediscovered rock inscriptions on Santorini, a Dorian colony. Crimon was calling upon the god Apollo himself to bear witness to "a holy act in a holy place" - a kind of "marriage". From the Dorians the ritual spread throughout Greece, but the magical essence of the act was lost along the way and buggery was supplanted by something more educational. Bethe's gross analysis was not very popular with his peers, and a pantheon of classicists lined up to dismiss his theories.
Then in 1963, Kenneth Dover, a distinguished scholar, was reading the Observer. A student of Plato, Aristophanes and early Greek poetry, Dover had long been troubled by the "Problem in Greek Ethics". His attention was drawn to an article about double standards in modern sexual morality - how boys were encouraged to pursue girls, and only added to their reputation if they managed to score, whereas girls were encouraged to resist their advances or else be condemned as "whores". Suddenly he realised that "practically everything said during the last few centuries about the psychology, ethics and sociology of Greek homosexuality was confused and misleading". The key point, he decided, was that human beings have always had very different attitudes towards the passive and the active roles in sex. Sex is an intrinsically aggressive act, he suggested, a victory for the penetrator. Hence, if you changed the genders in ancient Greek texts you discovered exactly the same kind of double standard the author of the Observer article had noted. "Admirers" (erastai) - whom Dover assumed were "active" - were encouraged to score and were even seen as more manly the more notches they collected on the bedpost, whereas for their poor beloveds (eromenoi) - whom he assumed were sexually "passive" - the sexual act was intrinsically humiliating and degrading. No wonder the Greeks were in two minds about homosexuality.
This solution to the problem was not in fact original to Dover. AE Housman had suggested something similar in an article he wrote in 1931. But Housman's observations, which alluded (tellingly) to his experience of the macho homosexual attitudes of the "plebs of Naples", were tucked away in a German academic journal, and were in Latin. Dover's, on the other hand, were published in paperback in his Greek Homosexuality (1978), and not merely in plain English but even in the coarser variety: "Fuck you", "I'll be fucked". Although Dover had advertised the aim of his book as "modest and limited", a mere launching-pad "for more detailed and specialised exploration", his modern solution to the age-old problem was gratefully received by academics in every field, not least when Michel Foucault, the French post-structuralist historian of sexuality, gave it a glowing review, creating the impression that this methodologically old-fashioned Oxford don was some kind of pioneer of post-modern studies.
Making up for lost time, classicists rushed to re-interpret, even to re-translate, their texts into more graphically sexual terms, as if afflicted by a kind of "sodomania". Pericles, for instance, had asked Athens's warrior-citizens to behave like erastai of their city, ie to act like her self-sacrificing and besotted devotees. After Dover, this exhortation sounded more dangerous. Modern commentators now worried that Pericles was telling Athenians "Sod Athens!" and wrote long articles trying to explain how this could be possible.
The reason Dover's solution to the problem was embraced so eagerly was that it was so neat. It was not just that the weird old Greeks were transformed into something much more familiar - with a 1960s sexual morality and even the same modes of swearing - but that Dover seemed to have provided a compelling answer to the question of how they could be so "gay" in the first place. They were not really being sexual at all but "pseudo-sexual". Greek homosexuality was like adolescent horseplay, frat-house initiations or prison rape. It was like male monkeys presenting rumps to their superiors (This was also a time when Desmond Morris's The Naked Ape and its sequels were topping international bestseller lists). The only difference was that these human apes had taken this universal gesture of sexual domination a little further than their primate cousins.
There were problems with this neat theory, however. In the first place, there was little positive evidence to support it. It was not just that Dover's translations were sometimes simply wrong - the Greeks did not in fact go around saying "fuck you", as Housman, for one, could have told him - nor that the ancient Greeks talked of sex not as an act of aggression, but rather as a "conjoining" or "commingling" (if a father dreams of having sex with his absent son it is auspicious, says one ancient writer, reassuringly, since it means they will soon be reunited).
The main problem was that the Greeks did not seem terribly concerned with the ins and outs of sexual positions at all, details which for Dover were critical. Like the Victorians, the Greeks were being coy, he suggested: their silence on the matter only proved its importance. All this lovey-doviness was simply a cover for their true anxiety about "homosexual submission". He decided he would have to supply his own more detailed texts, "translating" the innocent-sounding discussions in Plato's Symposium, for example, into something more graphic: "Acceptance of the teacher's thrusting penis between his thighs or in his anus is the fee which the pupil pays for good teaching".
Was it possible that the Greeks had got the relationship between Achilles and Patroclus so badly wrong, that a peculiarly same-sex-loving culture had simply chanced upon a passionate same-sex relationship at the heart of its foundational text? Surely that was more than fortuitous. Indeed some lines in the Iliad had seemed so overheated to later generations that they had excised them as inauthentic additions, not because they indicated homosexual love, but because they implied a particularly degenerate and extreme kind of passion that was considered unworthy of the dignity of warriors and inappropriate to the grandeur of the epic genre. And if Homer's Greeks knew nothing of homosexuality, how had it managed to spread so far and so fast and so variously in the space of a couple of generations? And then, of course, there was the question of the girls. How did lovely Wianthemis, Astaphis and Philulla fit into this gestural homosexuality of penetration and domination? What of Sappho and the lady-loving ladies of Lesbos? All-in-all, Dover's solution caused more problems than it solved.
So how do we begin to make sense of this truly extraordinary historical phenomenon, an entire culture turning noisily and spectacularly gay for hundreds of years? When I first embarked on the research for my book The Greeks and Greek Love I was not expecting any easy answers, but I did not expect it would be quite as hard as it turned out to be, and take so long as it ultimately did. In fact, it was 10 years later that I finally felt ready to write a conclusion, and it was the longest chapter in the book. I started to think of the phenomenon as a great big Gordian knot at the heart of Greek culture, tying lots of things together but extremely difficult to unravel - "The knot was made from the smooth bark of the cornel tree, and neither its end nor its beginning was visible." Alexander the Great had dealt with that particular knot by slicing right through it with a single blow. But the first lesson I learned about my own particular knot was to stop looking for a single neat solution to a homogeneous phenomenon.
"Ancient Greece" was in fact a constellation of hundreds of rivalrous micro-states, with their own calendars, dialects and cults, and their own local versions of Greek homosexuality. These revealed very different attitudes and employed very different practices: "We Athenians consider these things utterly reprehensible, but for the Thebans and Eleans they are normal." Part of the problem (for the Athenians) was that the men in these communities seem not only to have engaged in public "marriages" but that in these places same-sex couples fought together in battle and slept with each other afterwards, a clear reference to the famous "Sacred Band" or "Army of Lovers".
But there was more to it than that. The males of Elis, in particular, the guardians of Olympia - the holiest shrine in Greece - seem to have got it on together in a particularly "licentious" way. Unfortunately none of our sources could bring himself to say what was so licentious about it: "I will not say it", "I pass over it". There are hints, however, that their sexual transactions were shockingly "straightforward" and did not involve any preliminary courting; and one particularly illustrious Elean, Phaedo, a member of the aristocracy, was said to have served as a male prostitute in his youth, "sitting in a cubicle", waiting to serve whoever walked in. Was this a garbled allusion to the "sanctioned lust" of Elis?
The "peculiar custom" of the Cretans, on the other hand, involved an abduction and a tug-of-war over a boy, a two-month-long hunting expedition, lavish gifts, the sacrifice of an ox and a great sacrificial banquet, at which the boy formally announced his acceptance or not of "the relationship". Thereafter he got to wear a special costume that announced to the rest of the community his new status as "famed". Our evidence for this elaborate ritual comes from a general account of the Cretan "constitution". When the sources compare and contrast Athenian homosexuality with, say, Theban or Spartan homosexuality, they are not referring to undercover reportage - "My night spent with the Army of Lovers: The secrets of the Sacred Band revealed"; nor to surveys of contemporary attitudes - "Do you think it is A. shameful; B. quite shameful; C. not very shameful at all to be seen to reach out to touch the body of a boy?" They are talking rather of specific visible practices and institutions, repeatedly referred to as "customs", "laws", or even "legislation made by lawgivers".
These local institutionalised practices covered all stages of same-sex loving, from courting to coupledom to sex. Athenian same-sex courting meant literally following a boy around or writing "so-and-so is beautiful" in a public place. Thousands of examples of such "kalos-acclamations" survive, signed by hundreds of different hands.
And, in the archaic period at least, there seems to have been an equally formulaic sexual practice when one's wooing got a result - "Athenian homosex", what they called diamerion, or "between-the-thighs" sex, ie "frottage". Spartan homosex, on the other hand, meant sex with one's cloak on: "everything except the dirty deed itself": a fragment from a vase shows the great Spartan hero Hyacinthus engaged in precisely this bizarre sexual act with his lover the winged wind-god Zephyr, hovering with him above the horizon. Was this what our well-informed source was alluding to when he claimed that the Spartan "lawgiver laid down that it was shameful to be seen to reach out to touch the body of a boy"? Doubtless there was a great deal of same-sex loving on Crete, fumblings, fondnesses and passionately devoted relationships, that did not involve a tug-of-war, two months of hunting and the sacrifice of an ox. So we need to make a further distinction between "Cretan homo-sexuality"in all its customary, disruptive and expensive glory, which may have occurred only once or twice a month, and "homosexuality in Crete", the latter, by its very undisruptive and unspectacular nature, much more frequent, but also much more elusive and certainly very difficult now to reconstruct.
Another important principle was to recognise that the same words can be used to mean different things. This is especially important when we come to the question of age. Often "boy" (pais) refers specifically to the formal age-grade of Boys, ie those who have not yet been certified as 18, following two physical examinations, performed first by their local parish and then by the Council of Athens. Those who failed this examination were sent "back to Boys", and the council fined the parish that had allowed his candidature to go ahead. In Athens these under-18s were vigorously protected, rather like the young women in a Jane Austen novel, although their younger sisters would have been expected to be married by the age of 15. These were the Boys who were escorted to the gymnasium by the slave paidagogoi and followed around at a distance by a pack of admirers. "A guard of his honour" is how one source describes it, trying to explain the contradictory custom.
Only those in the age-grade above, "18" and "19", a group usually referred to as Striplings (meirakia) or Cadets (neaniskoi), were allowed to exercise alongside them. But even they were forbidden from "mixing" with the Boys or even from "conversing" with them. A number of ancient sources testified to the existence of such strictures, but it was nice nevertheless when, in 1949, an inscription from a Macedonian gymnasium confirmed them: "Concerning the Boys: none of the Cadets may enter among the Boys, nor chat to the Boys, otherwise the gymnasiarch shall fine and prevent anyone who does any of these things." These rules were only relaxed during the festival of Hermes - a kind of holy sports day, it would seem.
So far so consistent. The problem is that the sources can also use this same term "boy" more informally, to refer to the next age-grade up, ie that of the Striplings and Cadets, the under-20s, who were not so well-protected. Indeed, suddenly released from the watchful gaze of their chaperones, empowered by citizenship and a long-awaited inheritance from their often long-dead fathers (Greek men were middle-aged when they married their teen-brides), but still immune from the obligation to fight wars in foreign parts, these Striplings seem to have made the most of their new-found autonomy. They seduced married women of their own age while their husbands were away fighting battles or on business trips, squandered money on dice or fast horses or on courtesans with expensive tastes, or, indeed, finally said "oh, alright then" to one of the pack of persistent erastai
Often the sources make it clear that the "boys" they are referring to are in fact 18 or over: "There was this boy or rather a sweet little Stripling, and this boy had lots of admirers . . ."; "Cleonymus, of the age-grade just out of Boys . . .", "Agathon a somewhat recent Stripling . . ." But they don't always take such precautions, and we have to read carefully to clarify which kind of "boy" they are talking about.
But sometimes images revealed a different picture, ie they showed under-18s in the gymnasium being sexually abused not only by Cadets but even, very occasionally, by mature men. There are only a handful of such images, produced in the decades around 480BC, but they have been endlessly reproduced in books so that they seem rather more plentiful. Some have thought such images must indicate yet another about-turn in sexual attitudes. But the abused Boys start to appear at exactly the same time that we start to see the first images of the slave-chaperones whose job it was to protect them. There is a more economical solution to this particular contradiction, for these images are showing precisely what the laws proscribed, ie they are reflections not of reality but of anxiety.
Finally of course we need to acknowledge that our sources are not there for our benefit, to tell us what was going on, like radio commentators at a social gathering, but that we are eavesdropping on a debate about what Greek homosexuality was and what it should be. This debate seems to have become particularly intense in the 4th century, and the vast majority of our information about it comes from three men, writing in the decades around 350 BC, and almost certainly acquaintances: Plato, Xenophon and Aeschines. It seems clear that what provoked so much debate at this time was the development of a flourishing market for handsome boys, slaves, male prostitutes and the cithara-boys, who sang to the lyre and danced at parties. It was this challenge that our authors were responding to, wondering what the difference was in the end between the love-smitten guests at a dignified symposium and the cithara-boy hired to entertain them, between a politician who had had many admirers and a common whore. Athenian homosexuality, with all its highly patterned practices, was suddenly threatened with a highly visible doppelganger, which replaced the discourse of "admirers", "beloveds" and "gracious favouring" with a world of clients, contracts, prices and tricks. Greek Love was confronted for the first time with a rather too vivid image of sheer homosexual lust.
The sex-market had one other consequence. It made it clearer that some men were rather more devoted to handsome boys than others, going well beyond the call of duty, prepared to spend large amounts of money on them and indeed to get into fights over male slaves, while remaining immune to the charms of courtesans - men like Misgolas "always surrounded by cithara-boys, devoted to this thing like one possessed", or Ariaeus "always accompanied by handsome Striplings". A new type of person was beginning to emerge - the homosexual himself.
The Greeks and Greek Love by James Davidson is published by Weidenfeld and Nicolson on November 29.
FONTE
IV
HOMOEROTISMO NA GRÉCIA ANTIGA: HOMOSSEXUALIDADE E BISEXUALIDADE, MITOS E VERDADES
LUIZ CARLOS PINTO CORINO
Os principais mitos relacionados à homossexualidade do homem grego chegaram até nós por meio dos antigos romanos, que chamavam o relacionamento entre dois homens de “amor à grega”, mesmo vivendo eles em uma sociedade muito mais libertina que a dos próprios gregos.
A literatura ocidental incorporou esse conceito e nos foi passada a idéia de que na Grécia Antiga todo dia era dia de orgia, uma verdadeira Sodoma e Gomorra, idéia essa totalmente equivocada.
Sir Kenneth Dover, em seu estudo magistral sobre a homossexualidade grega, concluiu que, na Grécia Antiga, as relações homoeróticas supriam as necessidades de ralações pessoais de uma intensidade não encontrada no casamento ou entre pais e filhos.
As mulheres eram encaradas como intelectual, física e emocionalmente inferiores; os homens tendiam a se reunir em grupos em que se formavam pares.
Plutarco, ao discorrer sobre o assunto, afirmou: “o verdadeiro amor não tem lugar no Gineceu; e eu afirmo que não é amor o que vocês sentem pelas mulheres ou pelas moças. Seria tão absurdo como chamar de amor o que as moscas sentem pelo leite, as abelhas pelo mel e os cozinheiros pelas carnes e iguarias que preparam” (Sobre o Amor, 750 a. C.). Disse ainda: “com efeito, o Amor é o que vos liga a almas jovens e bem-nascidas que através da amizade vos conduz a virtude...”.
O relacionamento sexual entre dois homens era visto de forma diferente em Esparta e Atenas. Em Esparta, uma sociedade guerreira, os casais de amantes homens eram incentivados como parte do treinamento e da disciplina militar. Essas práticas dariam coesão às tropas. Em Tebas, colônia espartana, existia o Pelotão Sagrado de Tebas, tropa de elite composta unicamente de casais homossexuais. Eram extremamente ferozes, pois lutavam com muita bravura para que nada acontecesse a seus parceiros. Em campo de batalha eram quase imbatíveis. Assim, podemos ver que a homossexualidade dos espartanos em nada influenciava sua condição de homens e guerreiros.
No séc. V a. C., Atenas destacava-se em todos os campos do conhecimento. Surgem personalidades marcantes como Péricles na política, Sófocles no teatro, Aristófanes na comédia, Tucídides na história, Fídias na escultura e Sócrates na filosofia. Atenas mostrou sua hegemonia no mundo grego e se transformou em verdadeiro foco de atração.
O grau de desenvolvimento político com sua pulsante democracia, as condições privilegiadas da economia, as oportunidades oferecidas aos indivíduos para participar ativamente da vida da cidade, foram fatores importantes no florescimento intelectual de Atenas.
Nessa época existia em Atenas um bairro chamado Cerâmico (Κεραμεικού),
com ruelas estreitas, muradas altas e escuras. A vida ali era intensa, dia e noite, de dia com o comércio, pois ali funcionavam as principais oficinas de muitos artífices (artistas da época), e a noite funcionavam cantinas e bordéis. Em Cerâmico, a prática da prostituição era liberada, tanto a feminina como a masculina, praticada por jovens que a usavam para sobreviver, mas às vezes também por jovens de boa família que a praticavam como vício. Como exemplo, temos a história de um jovem ateniense chamado Timarco, de grande beleza e de boa família, que começou a se prostituir nas ruas de Cerâmico e no porto de Pireu (Πειραιάς) que fica 12 km do centro de Athenas. Ele buscava o prazer puro e simples. Era um “devasso”, chegando a ter dois amantes ao mesmo tempo. Ao chegar à idade adulta entrou na política, no entanto foi atacado por Ésquines em um discurso que se tornou célebre.
Ésquines, Αἰσχίνης, Aischínēs; 389–314 a.C.
Timarco foi um orador e estadista ateniense, aliado a Demóstenes. Viveu no século IV aC. Em 345 a.C., Demóstenes e Timarco acusaram Ésquines de ter sido corrompido por Filipe II da Macedônia.
Através de brilhante oratória, no discurso entitulado "Κατὰ Τιμάρχου, Contra Timarco", Ésquines contra-argumentou que Timarco não tinha direito a voz devido à sua depravação, por ter sido o erômenos de muitos homens na cidade portuária de Pireu quando jovem. Juntamente com as acusações de prostituição e desperdiçar sua herança, que Ésquines acusa Timarchus, e pelas quais estava sendo julgado, o discurso contém acusações de "suborno, bajulação, tráfico de influência, peculato e perjúrio".
Teria Ésquines apresentado provas que não deixassem dúvidas de todos "esses crimes"? Eu duvido.
Os estudiosos modernos criticaram a falta de evidências de Ésquines no discurso Contra Timarchus, por exemplo, apontando que ele não tem evidências de que algum dos amantes de Timarchus o tenha pago. De fato, observa-se que ele nem consegue produzir uma única testemunha que testemunhe que Timarchus teve qualquer relação sexual com os homens em questão, embora em seus discursos Aeschines diga que os assuntos de Timarchus eram bem conhecidos pelos júri.
Esse é um notável uso do comportamento de uma pessoa ou do preconceito, contra Timarco. Usando o preconceito e o conservadorismo dos jurados, fazendo-os pensar que se relacionar com A ou B fizesse dele um mau cidadão. Esse é um bom exemplo de homofobia já no inicio da historia do ocidente.
O argumento foi aceito e Timarco foi punido com a Atimia, i.e., teve caçados seus direitos de cidadão (direitos cívicos). A atimia era uma dura punição para as faltas cometidas contra a cidade, equivalente a um exílio na própria terra. O homem era declarado atimos (literalmente, sem honra ou valor) e como punição ficava impedido de integrar os tribunais ou falar nas assembleias. Também era afastado da religião, pois a sentença o proibia de entrar nos santuários da cidade e oferecer sacrifícios aos deuses. Nos tribunais, não podia ser aceito sequer como testemunha, muito menos apresentar queixa. A pena poderia ser aplicada contra quem tentasse impor a tirania sobre a cidade. Também podia servir como punição por suborno, ofensas militares, falso testemunho ou falsa acusação.
Demóstenes nos conta que essa condenação destruiu a carreira política de Timarco. Esse comentário é interpretado por Pseudo-Plutarco na obra "As vidas de Dez Oradores", como indicação de que Timarco teria se suicidado. Essa interpretação é contestada por alguns historiadores.
Desde então, em alguns círculos, seu nome passou a adjetivar devassidão, por exemplo, fulano é um Timarco.
O discurso contra Timarco, Κατὰ Τιμάρχου, é considerado importante devido às citações às muitas leis atenienses. Como conseqüência de seu ataque bem-sucedido a Timarchus, Éschines foi absolvido da acusação de traição.
Em outra situação, o escritor Sófocles caminhava por Cerâmico e agradou-se de um jovem que vendia seu corpo no local (que fazia programa naquela rua). Foram os dois para um canto sombrio das muralhas. Depois desse breve encontro, o jovem apossou-se do manto de Sófocles e deixou em seu lugar seu pequeno manto de adolescente. Sófocles teve que usar essa roupa curtíssima para ir para casa. Ao atravessar Atenas nesses trajes, foi motivo de riso e o fato causou grande rumor na cidade.
Σοφοκλῆς, Sophoklês 497-406 a.C.
O filósofo cínico Diógenes também foi testemunha de outro caso: viu certo dia Demóstenes num prostíbulo e, apesar do esforço deste para se esconder, tomou-o pelo braço, levou-o até a rua e o mostrou-o aos transeuntes: “Vejam aqui o chefe do povo ateniense!”. Para evitar ser reconhecido, Demóstenes, o maior representante da eloquência ática costumava frequentar esse lugar vestido de mulher. A sociedade e a lei ateniense permitiam a prostituição masculina, mas proibiam seus praticantes de ocupar cargos públicos, pois acreditava-se que se um homem vendesse seu corpo, não hesitaria em vender os interesses da cidade.
Δημοσθένης, Demosthenes 384 - 322 BC
Existe, um exemplo mais antigo da técnica de afresco grego, o "Túmulo do Mergulhador", que é o único exemplo de pintura grega com cenas figuradas que datam dos períodos orientalista, arcaico ou clássico a sobreviver por inteiro. Entre os milhares de túmulos gregos conhecidos dessa época (aproximadamente 700-400 a.C.), este é o único a ser decorado com pintura em afrescos mostrando seres humanos.
Na Grécia antiga, o simpósio era uma importante festa social para beber; e os lados longos do túmulo do mergulhador são pintados com homens reclinados em sofás bebendo, claramente em um banquete ou symposium. Alguns dos homens estão pedindo vinho a um escravo, que é retratado em um dos painéis da tumba com uma cratera enfeitada. Em um dos painéis do Simpósio, os homens são representados com instrumentos musicais, possivelmente tocando as músicas de Eros para ajudar na jornada do falecido para o próximo mundo. No outro painel do Simpósio, há um ar sensual ou uma certa sexualidade entre duas figuras masculinas que se olham ansiosamente um para o outro. As cenas podem representar o próximo mundo em que o prazer governa e o falecido renascerá. A tampa do túmulo do mergulhador mostra um jovem mergulhando no oceano da morte, que simboliza a passagem da vida para a morte. No último painel da extremidade, há um cortejo composto por um jovem nu com uma capa azul curta, procedida por um flautista e seguida por um pedagogo apoiado em uma bengala.
Paestum faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO que cobre a região de Cilento, que era a fronteira entre as colônias gregas de Magna Grécia e os povos etruscos e lucanianos indígenas. A rica herança cultural pode ser vista nos afrescos das pinturas do túmulo de Paestum, que sobreviveram em condições notáveis. Imagens do Museu Arqueológico Nacional Paestum.
V
PRÁTICAS HOMOAFETIVAS NA ARTE DOS ANTIGOS GREGOS
Tentar precisar a origem da homossexualidade seria um esforço inútil e muito provavelmente a encontraríamos na gênese do próprio gênero homo. Todavia, é na Grécia Antiga que o homossexualismo alcança um status único em toda a sua história, um profundo grau de institucionalização, simbolismo e virtualidade. Não só figurava como uma prática aceita, mas como rito de passagem, um privilégio social que harmoniza a educação dos melhores homens e perpetra o Pedagogo como Pederasta. Dias (2010, p. 32) apresenta um recorte sobre o relacionamento homoerótico na Antiguidade aludindo a deuses, reis e heróis, ele afirma que:
Na Grécia, o livre exercício da sexualidade fazia parte do cotidiano de deuses, reis e heróis. O mais famoso casal da mitologia grega era formado por Zeus e Ganimedes. Lendas falam do amor de Aquiles por Pátroclo e dos constantes raptos de jovens por Apolo. Até hoje, se indaga sobre o caráter e a importância de tais práticas, se perversão admitida, instituição pedagógica ou ritual iniciatório, sendo questionado se tais hipóteses seriam excludentes entre si. A bissexualidade estava inserida no contexto social, e a heterossexualidade aparecida como preferência de certo modo inferior e reservada à procriação. Vista como uma necessidade natural, a homossexualidade restringia-se a ambientes cultos, como manifestação legítima da libido, verdadeiro privilégio dos bem-nascidos. Não era considerada uma degradação moral, um acidente ou um vício. Todo indivíduo poderia ser homossexual ou heterossexual, dois termos, por sinal, desconhecidos na língua grega. Nas Olimpíadas, os atletas competiam nus, exibindo sua beleza física. Era vedada a presença das mulheres nas arenas, por não terem capacidade para apreciar o belo. Também nas representações teatrais, os papéis femininos eram desempenhados por homens travestidos ou mediante o uso de máscaras (DIAS, 2010, p. 35).
Os gregos consideravam o amor por adolescentes um elemento essencial de sua cultura já desde os tempos de Homero. A pederastia (paidos + erastes) grega, idealizada desde a época arcaica, era uma relação entre um jovem adolescente (erômeno: o amado) e um homem adulto (entre 18 e 25 anos) que geralmente não pertencia a sua família próxima, (o erastes: o amante). Surgiu como uma tradição aristocrática educativa e de formação moral. A origem da pederastia é bem anterior ao período clássico, abrangendo quase toda a Grécia e sua história, variava de local dentro da Grécia mas mesmo assim era amplamente difundia.
Etimologicamente o termo significa “amante de meninos”: παιδεραστής, composto de παῖς, "criança", e ἐράω, "amar". Em sentido mais amplo, a palavra refere-se ao processo de educação dos jovens, parte integrante da Paidéia. Inicialmente, a palavra significava simplesmente “criação de meninos”, mais do que o componente de amor erótico entre adolescentes e homens adultos. Segundo Werner Jaeger, era o “processo de educação em sua forma verdadeira, a forma natural e genuinamente humana”, envolvendo uma complexidade de ritos e formação que compunham a plena concepção do ser homem grego.
Bibliografia
DIAS, Maria Berenice. Manual do Direito das Famílias. 6. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010.
DOVER, Kenneth James. A homossexualidade na Grécia Antiga. Trad. Luís Sérgio Krausz. São Paulo: Editora Nova Alexandria, 2007.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: a vontade de saber. 17. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1988.
VI
A HOMOSSEXUALIDADE NA GRÉCIA ANTIGA
E SUAS REPRESENTAÇÕES NA ARTE
Artigo de Julia Cavalcante de Andrade, Julia Guimarães Alves e Rachel Lucas Monteiro
Introdução
É importante ressaltar de início que a sociedade grega não distinguia entre desejo e comportamento sexual com base no gênero de seus participantes. É, portanto, impossível conceber a ideia de duas sexualidades distintas: a hetero e a homossexualidade. Tampouco, é possível referir-se a uma bissexualidade. Para o grego antigo, tais demarcações são inexistentes, há apenas uma única tendência do desejo: “por aqueles que são belos qualquer que seja o seu sexo” (FOUCAULT, Michael). Para os propósitos desse trabalho, contudo, tais demarcações serão utilizadas. E, ainda, o termo homossexualidade deve ser entendido, a menos que especificado o contrário, como a relação entre dois homens.
O amor homossexual na Grécia Antiga teve seus aspectos muito explorados por filósofos e poetas, como Heródoto, Platão, Ateneu, dentre outros, foi representado em diversas pinturas de cerâmicas e encontra-se presente, ainda, em alguns mitos da civilização.
A forma mais difundida e socialmente significativa da relação sexual íntima entre membros do mesmo sexo ocorria entre adultos e adolescentes, conhecida como pederastia.
Não se conhece precisamente sobre as relações homossexuais envolvendo mulheres na sociedade grega, porém existem exemplos que datam de 630-560 A.C na Grécia, época da poetisa Safos, da Ilha de Lesbos, que escreve obras que são considerados uns dos primeiros documentos acerca da lesbianidade. Seus poemas sobre o amor sexual, emocional e platônico entre ela e outras mulheres e a sua propagação através dos séculos, deram origem ao termo que designa o relacionamento entre duas mulheres.
Um jovem nu toca o aulo para um banqueteiro: taça ática de figuras vermelhas do Pintor de Euaion, c. 460–450 a.C.
A maior parte dos vestígios pictóricos que sobrevivem da Grécia Antiga se encontra na vasta produção de vasos que possuíam funções tanto decorativas quanto utilitárias. Foi apenas após os períodos Protogeométrico e Geométrico, que as cerâmicas gregas passaram a retratar figuras humanas, aderindo também à representação de temas românticos e eróticos, tanto homossexuais quanto heterossexuais. É do período clássico, portanto, que datam a maioria das cerâmicas encontradas.
Dentre esses temas, os motivos mais comuns em vasos são geralmente interpretados como o cortejo de jovens por homens ou, em casos menos frequentes, por outros jovens. É comum a representação de homens mais velhos oferecendo presentes a um mais novo – entre os presentes oferecidos são vistos lebres, veados, coroas, flores, mantos, e até mesmo bolsas de moedas, sugerindo que a linha divisória entre a doação de presente e a prostituição pode ser tênue. A conquista também ocorria através da demonstração de habilidades, principalmente habilidade musical. A progressão do mero cortejo ao contato físico é retratada em grande variedade: toques no queixo, nos ombros, nas nádegas e carícias no órgão genital.
Muitos dessas cerâmicas incluíam também pequenos registros enaltecendo a beleza do garoto ou jovem, nomeando-o ou não, representado na pintura. Não sendo tão comum, contudo, esses tipos de inscrições em objetos com representações femininas, possível indicador de que a expressão de admiração pela beleza masculina era mais comum na sociedade grega.
Desenvolvimento
Como já estabelecido, os desejos sexuais na Grécia, não eram delimitados pelos gêneros aos quais se dirigiam. Para os gregos, não se tratava de classificar os prazeres como bons ou maus, permitidos ou interditados; a moral sexual grega era medida na intensidade dos prazeres – ou seja, a preocupação consiste em manter-se num equilíbrio; o cidadão grego deveria ser mestre de seus desejos – e na conformidade destes às normas sociais.
Acadêmicos alegam que esta sociedade era altamente polarizada em parceiros – tanto em relações hetero quanto homossexuais – “ativos” e “passivos”, o ”penetrador” e o ”penetrado”. Polarização esta que era associada com os papeis sociais de dominação e submissão. O papel de dominação era assumido pelos cidadãos gregos – por definição homens livre e maiores de idade nascidos na Grécia – enquanto o de submissão era assumido pelas mulheres, os escravos, as prostitutas, jovens rapazes e estrangeiros. Assim, de acordo com este ponto de vista, qualquer atividade sexual onde um homem penetrasse um inferior social seu era tida como normal, enquanto ser penetrado por este, era considerado potencialmente vergonhoso.
O papel ativo estava associado com a masculinidade que por sua vez estava associada a status sociais mais elevados e a idade adulta, enquanto o papel passivo era associado a feminilidade, ligada a status sociais mais baixos e a juventude. Tais características, ainda, eram baseadas nas ideias de calor corporal. Segundo Richard Sennett:
“Na Grécia, acreditava-se que ‘macho’ e ‘fêmea’ constituíam dois pólos de um continuum corporal (…). Detendo-se sobre a visão helênica, Laqueur afirma que ela, ‘no mínimo, estabelece tamanha correspondência entre os sexos, que os limites entre macho e fêmea são de grau, e não de espécie (…) o corpo tem um único sexo’. Precariamente aquecidos, fetos masculinos tornam-se homens afeminados; fetos femininos excessivamente aquecidos dão origem a mulheres masculinizadas.” (Senett, 2003).
Ainda, as relações extraconjugais, ao menos teoricamente, eram direito apenas do homem. O status do homem livre era, por essência o de pertencimento apenas a si próprio, “o casamento não o liga sexualmente.” (Foulcault, 1984). A esposa – e mulheres no geral -, por outro lado, ocuparia seu lugar em relação ao marido; um lugar de submissão, que presta serviço ao homem:
“As cortesãs, nós as temos para o prazer, as concubinas, para os cuidados de todo o dia, as esposas, para ter uma descendência legítima e uma fiel guardiã do lar.” (Foucault apud Demóstenes)
Existem, contudo, poucos registros a respeito de como as mulheres viam tais práticas extraconjugais.
Em Atenas, o ato de pederastia era um rito de passagem para a vida adulta e formação moral para os jovens, que combinava sua preparação para o futuro e o amor metafísico, só conhecido entre dois homens.
Prato grego sec V ou IV
O menino mais novo (denominado também como o amado ou erômeno), que teria entre 12 e 18 anos, era conquistado por seu amante (o homem mais velho, chamado de erastes, ou erasta), que normalmente não fazia parte de sua família. O amante tinha o papel de educar, proteger, amar e agir como um exemplo para seu amado, e mesmo depois de alguns anos e terminadas as relações sexuais entre ambos, com a maioridade do amante, permaneciam os laços de amizade.
“O seu objetivo não é o de aproveitar-se da imprudência de um jovem amigo e seduzi-lo para deixá-lo depois, e, rindo-se da sua vitória, correr em busca de outro qualquer; unem-se com o pensamento de não separar-se mais e de passarem toda a vida com o que amam”. (Platão, IV a.C.)
Apesar de serem aceitáveis as relações de pederastia que aspiravam a formação do jovem – caracterizada como um amor celestial e metafísico – a pederastia carnal, que amasse mais o corpo que a alma, era muito mal vista pela sociedade clássica. É homem vicioso o amante que ama o corpo: “seu amor não poderá ser duradouro, pois ama algo que não dura”, “porém o amante de uma bela alma permanece fiel por toda a vida (…).” (Pausânias)
Quanto às práticas sexuais, no caso da pederastia, incluíam tanto penetração anal (o jovem assumindo o papel de passivo) quanto penetração interfemural (fricção do pênis entre as coxas, junto da genitália).
Em Esparta, a pederastia também fazia parte da educação, sendo recomendado aos jovens da aristocracia que tivessem amantes do mesmo sexo. O hábito mais usual era a pederastia na qual os mais velhos deviam ensinar aos mais jovens os métodos do sexo.
Nos ginásios, local de convívio social e treinamento de atletas espartanos, era mais comum a formação de relações entre jovens de idades mais aproximadas. Porém, ainda nesses casos, a diferença entre os papeis do erasta e do erômeno tinha a idade como fator decisivo. Vários registros pictóricos retratam tais situações, como:
Como iguais, os dois jovens normalmente não assumiam os papéis típicos de dominação e submissão:
Fragmento de taça ateniense (550-525 a.C.) – Louvre, França
“Sexo entre homens habitualmente ocorria com ambos os parceiros de pé. Assim, abstendo-se mutuamente da penetração, os amantes masculinos eram iguais, a despeito de sua diferença de idade. Nessa posição, diz Aisquines, fazem amor como concidadãos, na superfície do corpo, cujo valor equivale às superfícies do espaço urbano.” (Senett, 2003)
No exército, o estabelecimento de relações eróticas entre seus membros era estimulada pelos comandantes que acreditavam que, com isso, o exército se fortaleceria; jamais um amante abandonaria o outro no campo de batalha. Nesses casos, o papel de ativo era assumido por aquele de fisionomia mais “máscula”, enquanto o papel de passivo era representado pelo mais “afeminado”:
“Baseados na fisiologia do corpo, os gregos distinguiam claramente "efeminação" do que chamamos "homossexualidade". Corpos masculinos "frágeis" (em grego, malthakoí) agiam como mulheres e "desejavam intensamente ser submetidos por outros homens a um papel feminino (isto é, receptivo), no intercurso sexual". Eles pertenciam às zonas de calor intermediário, entre os muito machos e as muito fêmeas. (Senett, 2003)
Homens afeminados, durante o ato sexual, comportavam-se como mulheres: “a mulher freqüentemente inclinava-se, oferecendo suas nádegas a um homem de pé, ou ajoelhado, atrás dela” (SENNETT, Richard), curvando-se e, assim, subordinando-se.
Em se tratando de homossexualidade feminina, por sua vez, uma suposta tribo de mulheres guerreiras que teriam habitado as margens de um rio na Ásia Menor, chamada Amazonas, cujas normas permitiam relações heterossexuais somente uma vez por ano objetivando a procriação. Dos nascidos destas relações, as meninas eram mantidas na tribo e os meninos ou eram mortos ou enviados às tribos de seus pais. As relações sexuais entre as Amazonas tinham fundamentos religiosos segundo os quais o sexo entre mulheres desenvolveria nessas mulheres guerreiras aquelas qualidades essencialmente consideradas masculinas.
Na ilha Lesbos, a poetisa Safo, constrói belos versos que enalteciam a homossexualidade feminina. Era reconhecida e elogiada por sua beleza por renomados como Platão e Sócrates, sendo que, grande parte de sua obra foi destruída pelos posteriores cristãos, que acreditavam tratar-se de grave ameaça à moralidade, da qual se intitulavam guardiões. Safo e suas alunas tornaram-se símbolo de independência sexual feminina.
Sapho
Conclusão:
Apesar do que poderia-se presumir, a vida sexual dos gregos, seja em relações homossexuais ou heterossexuais, era influenciada por diversos protocolos sociais, que indicavam desde a escolha do parceiro, até a consumação do ato sexual. E mais do que isso, sua vida sexual era assunto público, passível de ser discutido politicamente quanto à sua moralidade.
Diversos de seus hábitos sexuais entrariam em atrito com as concepções atuais, assim como escandalizaram a mentalidade cristã – o primeiro texto de que se tem notícias punindo severamente quaisquer práticas homossexuais aponta para o início do século VI d.C., cuja lei é de autoria de um imperador cristão. A homossexualidade foi tratada nos mesmos termos que o adultério: sujeita à pena de morte.
É inegável que algumas de suas práticas, como a da pederastia são e devem ser condenáveis – a sexualização precoce de jovens muito lhes é prejudicial ao desenvolvimento físico e mental – ou ainda sua visão condescendente que rebaixava a mulher e os aspectos ligados ao feminino. Contudo, é também no mínimo curioso o quanto a Antiguidade possuía da liberdade sexual – pelo menos referindo-se à sexualidade masculina – que muitos lutam para alcançar hoje.
Bibliografia:
DOVER, K.J. Greek Homossexuality. Cambridge: Havard University Press, 1989.
MICHAEL, Foulcault. Históra da Sexualidade (vol 2): O uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1984.
SENNETT, Richard. Carne e Pedra. Rio de Janeiro: Editora Record, 2003.
ULLMAN, Reinholdo. Amor e Sexo na Grécia Antiga. Rio Grande do Sul: EDIPUCRS, 2005.
Trabalhos acadêmicos:
FERNANDES, Thiago. Desvendando a Homossexualidade na Grécia e Roma Antiga Através da Pintura e Literatura, 2014.
Autoras:
Julia Cavalcante de Andrade, Julia Guimarães Alves e Rachel Lucas Monteiro
VII
Os gregos antigos e o prazer homoerótico
VIII
HOMOAFETIVIDADE NO MUNDO GREGO
Cabeça de uma mulher da Glyptothek de Munique, identificada como "provavelmente" uma cópia do retrato imaginativo de Sappho do século IV a.C. feita por Silanion.
Uma das primeiras imagens sobreviventes de Safo, de c. 470 aC. Ela é mostrada segurando uma lira e palheta, e se virando para ouvir Alcaeus.
X
A PEDERASTIA ATENIENSE NO PERÍODO CLÁSSICO: UMA PROPOSTA DE ANÁLISE DO BANQUETE DE PLATÃO E DE XENOFONTE.
(neresluana@gmail.com)
* Aluna bolsista do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás, nível Doutorado. Orientanda da Professora Doutora Ana Teresa Marques Gonçalves – UFG.
http://www.sbpcnet.org.br/livro/63ra/conpeex/doutorado/trabalhos-doutorado/doutorado-luana-neres.pdf
Palavras-chave: Pederastia, Banquete, Platão, Xenofonte.
1 - Introdução
O presente trabalho tem por objetivo apresentar os primeiros resultados obtidos na pesquisa intitulada “A pederastia ateniense no período clássico: uma proposta de análise do Banquete de Platão e de Xenofonte”, desenvolvida junto ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás desde Março de 2009, nível doutorado. Nosso objeto trata-se de um relacionamento homoerótico praticado entre os aristocratas atenienses durante o período clássico grego, que abrange os séculos IV e V a.C. Denominada Pederastia, o homoerotismo masculino ateniense era praticado pelo parceiro mais velho, o erastés1 , que no grego clássico significa “amante” e pelo jovem, o erómenos, palavra que significa “apaixonar-se por”. Tanto erastés quanto erómenos são oriundos do verbo erán, que significa “amar” (DOVER, 1994: 34).
O termo pederastia também decorre do verbo erán, acrescido do prefixo paides que significa “menino”, “criança”. Entretanto, é importante ressaltar que a pederastia ateniense não é o mesmo que “pedofilia”, por não deter o teor pornográfico e depreciativo que esta última possui. Podemos traduzir o termo pederastia (paiderastein) no diálogo platônico como “amor pelos jovens” (Platão. O Banquete, 211.b.6).
O erastés deveria ser um homem adulto, cidadão com papel ativo na sociedade. O erómenos era um jovem de idade variante entre 12 e 18 anos2, filho de cidadão, que tinha o direito de “escolher” seu erastés, já que cabia a ele aceitar ou não o convite dos candidatos que se apresentassem no momento propício para o início da pederastia. Devemos elucidar que as relações pederásticas ocorriam somente entre os eupátridas3 e futuros eupátridas de Atenas e que era uma atividade predominantemente do círculo aristocrático, principalmente aquele que freqüentava os ginásios e os banquetes (MOSSÉ, 2004: 223). Esta exclusividade tem uma explicação: nem todos os homens livres tinham vocação para exercer plenamente a vida política, nem se dedicarem à conquista de belos rapazes, mas somente os eupátridas ricos. Todavia, analisando a obra platônica, observamos que Sócrates fora erastés de diversos jovens, sem, contudo, ser detentor de grandes posses.
A principal questão que norteia nossa análise encontra-se na compreensão da pederastia em Atenas enquanto uma instituição políticopedagógica, que visava à formação do futuro cidadão ateniense e que poderia ocorrer durante os banquetes aristocráticos.
Por se tratar de um relacionamento que era acompanhado de perto pela sociedade a fim de que seus participantes não comentessem hybris4 e não desviassem o foco do relacionamento pederástico, de que forma poderia ocorrer em um espaço destinado à suspensão momentânea da ordem? Para buscar respostas para esta questão, optamos pela análise do diálogo platônico O Banquete (Symposión)5 e elegemos ainda o diálogo de Xenofonte com o mesmo título para observaremos, através dos discursos elaborados pelos convivas dos banquetes descritos pelos autores e da análise historiográfica, os seguintes itens:
- Questões referentes à conduta dos envolvidos na pederastia;
- As delimitações identitárias dos mesmos, o tempo pretendido para tal relação;
- O banquete (symposión) enquanto espaço para a realização da pederastia;
- O tratamento concedido àqueles que transgrediam as normas;
- A relação entre a formação pederástica do jovem e sua atuação na Assembleia (Ecclesia) enquanto cidadão ativo na sociedade.
- Os reflexos do envolvimento da cidade de Atenas na Guerra do peloponeso na tradição educacional dos jovens eupátridas.
Outra questão levantada acerca das relações entre erastés e erómenos encontra-se na compreensão dos critérios de seleção da temática amorosa por Platão e por Xenofonte em suas respectivas obras. Enquanto o amor entre homens e jovens constitui-se como objeto principal no symposión platônico, Xenofonte o discute juntamente com outros assuntos, dentre os quais, a dança e o vinho. Todavia, isso não significa que o Amor não tenha importância no Symposión xenofontiano.
Notas
1 Existem diversos trabalhos onde erastés aparece escrito como “erasta” e erómenos como “erômeno”, como uma forma de tornar tais verbetes mais próximos da Língua Portuguesa tais nomes. Todavia, optamos por utilizar neste capítulo os termos em seu original grego.
2 Não há nos trabalhos historiográficos um acordo no que diz respeito à faixa etária do erómenos, uma vez que há autores que delimitam a idade deste entre 12 e 18 anos, enquanto outros a estendem até os 20 anos. No presente trabalho foi adotada a faixa etária apresentada por Nikos A. Vrissimtzis para a designação da idade do mancebo envolvido na pederastia por acharmos os argumentos do autor muito pertinentes (VRISSIMTZIS, 2002: 104)
3 Cidadãos no período clássico eram considerados apenas os homens nascidos em Atenas e filhos de pais provenientes de famílias atenienses, os chamados eupátridas. Claude Mossé afirma que o nascimento era a principal via de acesso à comunidade cívica, mas que também existia outro meio de aquisição da cidadania. Este consistia na concessão do privilégio de se tornar cidadão a um estrangeiro que tivesse sido aprovado por pelo menos seis mil atenienses em voto secreto na assembléia. Mas essa atribuição possuía um caráter excepcional (MOSSÉ, 1993: 43).
4 Os gregos em geral possuíam uma grande preocupação em relação ao seu autocontrole, repudiando o que eles chamavam de hybris, geralmente traduzido por “desmesura”, “agressão” ou “violência”. Dover acrescenta que tal vocábulo, no caso especificamente sexual, denota a apropriação por parte de um homem adulto ou de um jovem para relações sexuais contra sua vontade, ou seja, “estupro”. (DOVER, 1994: 56).
5 Symposión em grego significa “reunião de bebedores”. O plural da palavra symposión aparece muitas vezes na literatura grega como simposia, dependendo do caso em que o substantivo está flexionado.
2 - Material e métodos
Por se tratar de uma pesquisa cujo recorte espaço-temporal encontra-se na Antiguidade Clássica, utilizamos o Método Qualitativo6 para a análise da documentação por nós selecionada por acreditarmos ser esta a melhor ferramenta para o exame de nossa documentação. Até o presente momento já realizamos a leitura sistemática das fontes antigas, estabelecendo uma comparação entre o modo pelo qual a relação entre erastés e erómenos aparece na obra platônica com aquela apresentada por Xenofonte em seu diálogo. Tendo consciência de que toda obra está imbuída dos interesses de quem a registrou, tentamos contrabalancear a visão de Platão e Xenofonte, haja vista ambos terem sido discípulos de Sócrates e possuirem visões peculiares acerca da pederastia neste período. Identificamos que em Platão a temática erótica permeia todo diálogo, enquanto em Xenofonte esta contitui-se em apenas um dentre diversos outros assuntos abordados, tais como a bebedeira, o riso e a dança. Todavia notamos que nas duas obras é latente a idéia de que “o amor dirigido à alma é o mais elevado e privilegiado por um kaloskagathos7 ”. Ou seja, o amor deveria estar pautado sempre no autocontrole, no equilíbrio, na temperança (sophrosine).
6 Método onde o pesquisador procura (re)interpretar fenômenos a partir da análise de conceitos e do exame de documentos (NEVES, 1996).
7 Kaloskagathos (Kalós kai agathos): Junção de dois adjetivos – Kalós (belo) kai (e) Agathos (bom), que na literatura grega antiga, aparece para identificar cidadãos que fossem bons e que apresentassem a beleza de sua conduta e não necessariamente a beleza física.
3 - Resultados e discussão
A pederastia ateniense suscitou diversas interpretações ao longo de século. O seu conteúdo e significado na sociedade ateniense do período clássico representou algo bastante distinto de sua conceituação no mundo atual, e por essa razão, fomos motivamos a buscar uma compreensão mais aprofundada do assunto. Pautados numa discussão teórica acerca dos conceitos de “imaginário” e também de “identidades”, procuramos compreender o papel social desempenhado pela pederastia, salientado as características identitárias do grupo que a praticava e sua repercussão no imaginário social de Atenas durante o período clássico. Na medida em que fomos realizando a leitura sistemática de nossas fontes e da bibliografia selecionada, reforçamos as problemáticas apresentadas em nosso projeto e identificamos outras relacionadas à importância que os banquetes gregos possuíam na vida pública e privada do homem ateniense clássico. Segundo Oswyn Murray os banquetes eram fortemente ritualizados e essa ritualização definia a comunidade como um todo, ou um grupo dentro dessa comunidade (MURRAY, 1994: 202). Sua liturgia dividia-se basicamente em duas partes: a primeira, chamada de deipnon e o posterior, o symposión. O deipnon é caracterizado por se consumir rapidamente pratos pouco sofisticados, sem muita conversação ou bebida, convertendo-se, muitas vezes, na única refeição que as hetairas8 fariam durante todo o dia. O symposión é constituído por ritos religiosos, divertimentos, música e dança, tudo regado a muito vinho, que deveria ser consumido gradativamente para que não se atingisse a bebedeira rapidamente. Conceitos importantes tais como homoerotismo, homossexualismo, homossexualidade, imaginário, identidade e memória, dentre outros, têm sido definidos para a nossa análise da pederastia praticada durante os banquetes. Discutimos com a historiografia tradicional e com os mais recentes trabalhos publicados pelo mundo. Destacamos os trabalhos de Henri Marrou9, Werner Jaeger10, Kenneth James Dover11, Félix Buffière12, Michel Foucault13, David
8 Hetaira: palavra grega que significa “companheira”. Eram prostitutas de luxo que geralmente acompanhavam os homens importantes em banquetes e outras festividades onde mulheres da sociedade não poderiam comparecer (VRISSIMTZIS, 2002: 93).
9 MARROU, Henri Irénée. Da Pederastia Como Educação. In: _________. História da Educação na Antiguidade. São Paulo: EPU, 1990. p. 51 – 65.
10 JAEGER, Werner Wilhelm. Paidéia: Formação do Homem Grego. São Paulo: Martins Fontes, 1986.
11 DOVER, Kenneth James. A Homossexualidade na Grécia Antiga. São Paulo: Nova Alexandria, 1994.
Halperin14, Paul Ludwig15, David Cohen16, dentre outros, a fim de que sejam suscitadas e discutidas as principais linhas de pensamento acerca das relações entre erastés e erómenos em Atenas no período clássico.
12 BUFFIÈRE, Félix. Éros Adolescent: La pédérastie dans la Grèce Antique. Paris: Belles Lettres, 2007.
13 FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade II: O Uso dos Prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 2003.
14 HALPERIN, David M. One Hundred years of homosexuality: and other essays on Greek. New York; London: Routledge, 2008.
4 – Conclusões
Apesar de nossa pesquisa encontrar-se em fase de desenvolvimento, concluímos até o presente momento que os banquetes possuíam grande importância na comensalidade do ateniense do período clássico eram festividades destinadas apenas aos indivíduos do sexo masculino. Logo, convertiam-se em um ambiente propício para o exercício da pederastia, pois estava repleto da masculinidade necessária para o florescimento do amor entre erastés e erómenos. Além do mais, tais encontros poderiam celebrar a vitória de um amigo em algum concurso esportivo ou de poesias, ou ainda, constituir-se em um espaço de discussão política, versando-se nestes encontros sobre diversas temáticas relacionados a polis.
5 - Referências bibliográficas
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B – OBRAS DE REFERÊNCIA:
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15 LUDWIG, Paul. Eros and Polis: desire and community in Greek political theory. New York: Cambridge University Press, 2006.
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XI
IMPÉRIO ROMANO
WARREN CUP
XII
A HOMOSSEXUALIDADE EM PLATÃO
Leia o artigo original na Revista Lado A
Symposium de Platão. Anselm Feuerbach; Google Cultural Institute.
Platão nasceu na Grécia, em 427 antes de Cristo, viveu oitenta anos e escreveu inúmeras obras, sob forma dialogada, em que Sócrates corresponde, geralmente, ao principal interlocutor. No diálogo “O banquete”, Platão trata do amor, mediante os diálogos dos partícipes de uma ceia, que intervém sucessivamente, cada qual expondo a sua teoria a respeito. Assim, manifestam-se (pela ordem) Faidros, Pausânias, Erixímacos, Aristófanes, Agatão (o anfitrião), Sócrates e Alcebíades.
Recorte da obra: A escola de Athenas de Rafael Sanzio. Detalhe de Platão, apontando para cima, o mundo das ideias (hiperurânia) e Aristóteles mostrando as coisas existentes, a realidade.
Busto de Platão
Resenho aqui os argumentos dos intervenientes relativos à homossexualidade, desiderato para o qual servi-me da tradução publicada em 1952, pela Companhia Espasa-Calpe, de Buenos Aires, na Coleção Austral. Há inúmeras traduções em português, publicadas no Brasil, pelo que, o leitor interessado facilmente acederá ao texto original.
A antigüidade grega, a que pertenceu Platão, caracterizava-se pelo politeísmo, crença em inúmeros deuses, a cada um atribuindo-se a responsabilidade por certos fenômenos, como o deus Amor, responsável pelo sentimento de afeição entre as pessoas; assinalava-se, ainda, pela bissexualidade masculina, em que aceitavam-se as relações sexuais de homens com mulheres e com homens, e pela pederastia, relacionamento entre o erastes e o erômenos: aquele, mais velho de 25 anos, procurava um moço de entre 12 e 15 anos (o erômenos), a quem, sob a aprovação dos respectivos pais, servia de amigo e educador até os seus 18 anos, quando a relação passava a ser de amizade, exclusivamente, sem conteúdo sexual que, de resto, não compreendia penetração anal e sim o coito interfemural (fricção do pênis entre as coxas, junto da genitália).
A assim chamada homossexualidade grega encarnava um costume altamente moral de finalidade educadora; a intimidade física entre o erastes e o erômenos verificava-se no âmbito de uma relação, antes de tudo, formadora do caráter do mais moço, em que o mais velho desempenhava um papel significativo na transmissão de valores. Nada disto se reproduziu nas demais sociedades, ao longo da história, e não se reproduz nas sociedades homofóbicas: longe de encarnar uma simples forma de satisfação genital, a pederastia grega encarnou uma elevada espécie de relacionamento humano que muitos autores verberaram por ignorarem o seu aspecto educador ou, mais provavelmente, por entenderem-no como licença institucionalizada à penetração anal (o que, na verdade, não o caracterizava).
Na Grécia antiga, a homossexualidade não equivalia ao que modernamente designa-se por este vocábulo: na atualidade, ele indica a atração de homens por homens e a sua conseqüência propriamente sexual, a penetração do pênis no reto, ao passo que na Grécia antiga a cópula homossexual considerava-se desprezível e somente se admitia entre um grego e um escravo, respectivamente nos papéis de ativo e passivo.
O advento do cristianismo provocou a censura da homossexulidade, o fim da pederastia grega, e a instauração da homofobia que por séculos vem caracterizando as sociedades ocidentais.
Autor da primeira fala do texto de Platão, Faidros, reputa o Amor como o mais antigo dos deuses e o que mais benefícios propicia aos homens, o mais apto para felicitar o ser humano e torná-lo virtuoso, durante a sua vida e após a sua morte, “pois, diz ele, não conheço vantagem maior para um jovem do que ter um amante virtuoso”. O Amor inspira o que é necessário para levar-se uma vida honrosa, a saber, a vergonha do mal e o desejo do bem: se um Estado ou um exército se compusessem apenas de amantes e de amados, não haveria povo que professasse tanto horror ao vício e apreciasse tanto a busca da virtude.
“Homens unidos assim, ainda que poucos, poderiam vencer aos demais”: nenhum deles desejaria ser observado pelo seu amante, em rendição ou em debandada; ao contrário, “preferiria morrer mil vezes a abandonar em perigo o seu bem-amado e deixá-lo sem auxílio”. Por isto, “unicamente os amantes são os que sabem morrer um pelo outro”, trate-se de homens ou de mulheres, como foi o caso de Aquiles, que defendeu Pátroclo, vingou-o à custa da própria vida e morreu-lhe sobre o corpo, abnegação pela qual os deuses tributaram-lhe mais honras do que a qualquer outro homem.
A seguir, Pausânias distingue dois tipos de amor, o popular e o celestial, dos quais o primeiro inspira baixezas, “reina entre os maus, que amam sem seleção tanto às mulheres quanto aos jovens, o corpo mais que a alma”, que aspiram unicamente “ao gozo sensual”, para cuja obtenção lhes são indiferentes os meios, contanto que obtenham os seus propósitos.
Por sua vez, o amor celestial inspira exclusivamente o amor aos homens, especificamente aos jovens, cuja inteligência principia a desenvolver-se, ou seja, os adolescentes. “O seu objeto não é o de aproveitar-se da imprudência de um jovem amigo e seduzi-lo para deixá-lo depois, e, rindo-se da sua vitória, correr em busca de outro qualquer; unem-se com o pensamento de não separarem-se mais e de passarem toda a vida com o que amam”.
Acerca das relações sexuais entre os amantes (masculinos), pondera que na Élida e na Beócia, “é bom conceder os seus favores a quem nos ama; a ninguém, jovem nem velho, isto parece mal”, enquanto na Jônia e nas regiões submetidas ao domínio dos bárbaros [os persas], tal costume reputa-se vergonhoso e proscrito, juntamente com a filosofia e a ginástica: “É porque os tiranos, indubitavelmente, não querem que entre os seus súditos surjam indivíduos de grande valor, nem amizades nem uniões vigorosas, que são as que forma o Amor”. Assim, “nos Estados em que se considera vergonhoso conceder os seus favores a quem nos ama, procede esta severidade da iniqüidade dos que a estabeleceram, da tirania dos governantes e da covardia dos governados”.
Já em Atenas, preferia-se amar às claras a fazê-lo à socapa, e aos homens virtuosos e generosos, ainda que menos bonitos; reputava-se belo conquistar-se o afeto do amante e humilhante não o obter, propósito para o qual admitiam-se todos os meios: súplicas, lágrimas, juras, baixezas, que em outras circunstâncias, seriam vexatórias, e que, no caso do amante, “quadram-lhe maravilhosamente”.
Todos, naquela cidade, achavam-se persuadidos de ser louvável “amar e ser amigo do amante”.
Não é honroso, prossegue Pausânias, concederem-se favores sexuais a um homem vicioso e por maus motivos, sendo-o, em contrapartida, fazê-lo por boas causas, a um homem praticante da virtude. É homem vicioso o amante que ama o corpo, de preferência à alma: “seu amor não poderá ser duradouro, pois ama algo que não dura”, “porém o amante de uma bela alma permanece fiel por toda a vida porque ama o que é duradouro”; por isto, os costumes induzem a que se examine a pessoa (nos seus caráter e comportamento), antes de comprometer-se com ela.
Também considerava-se decoroso um indivíduo servir sexualmente a quem o amava, retribuindo o primeiro, se desejasse adquirir conhecimento e instrução, ao segundo, se capaz, este, de infundir-lhe ciência e virtude. É honroso, destarte, amar, na busca do melhoramento pessoal, por meio da amizade, o que é “benéfico para os particulares e para os Estados e digno de ser o objeto dos seus principais estudos, pois obriga o amante e o amado a zelar por si próprios a fim de esforçarem-se por ser mutuamente virtuosos”.
Toma a palavra Aristófanes, que explica a origem da homossexualidade (masculina e feminina) e da heterossexualidade: havia, antanho, três tipos de seres humanos, dos quais, um correspondia aos homens; outro, às mulheres, e um terceiro, a uma criatura mista, masculina e feminina, denominada de andrógino.
Todos os humanos apresentavam-se como duplos, dotados de quatro braços, outro tanto de pernas e duas faces em uma só cabeça, até Júpiter desmembrá-los, transformando-os em criaturas singulares: a partir de então, cada metade procura a outra, que lhe corresponde; ao se encontrarem, copulam entre si, uma metade masculina com a feminina, ou duas masculinas ou duas femininas, o que originou, respectivamente, os heterossexuais, as tríbades e os gueis.
“Os homens procedentes da separação dos homens primitivos, buscam, de igual maneira, o sexo masculino. Enquanto são jovens amam aos homens, desfrutam dormindo com eles, com estar em seus braços e são os mais destacados dentre os adolescentes e os adultos, como se possuíssem uma natureza muito mais viril. Sem razão alguma, acusa-se-os de não terem pudor, e não é por falta de pudor que procedem assim; é porque possuem uma alma corajosa e valor e caráter viris, que buscam aos seus semelhantes, e a prova disto é que, com a idade, mostram-se mais aptos para o serviço do Estado do que os outros. Quando chegam à idade viril, amam, por sua vez, aos adolescentes e jovens, e se se casam e têm filhos, não é por seguir os impulsos da sua natureza, senão porque a lei constrange-os a tal. O que eles querem, é passar a vida em celibato, juntos uns dos outros”.
Quando um destes homens encontra outro, ou a sua metade, “a simpatia, a amizade e o amor” despontam em ambos, “de maravilhosa maneira”, sem que os prazeres voluptosos pareçam corresponder à causa disto.
Graças ao amor, prossegue Aristófanes, os homens e as mulheres serão felizes se encontrarem a sua metade e tornarem ao seu primitivo estado de união que, se correspondia ao melhor, o que mais se aproximar dele deve equivaler, necessariamente, também ao melhor.
Concluída a fala de Aristófanes, reúne-se Alcebíades ao grupo de comensais, para alarme de Sócrates, que bradou ao anfitrião: “Socorro, Agatão! O amor deste homem é-me um verdadeiro apuro. Desde que passei a amá-lo, não posso observar nem falar a nenhum outro jovem, sem que, por despeito ou zelos, entregue-se a excessos incríveis”.
Após enaltecer as qualidades de Sócrates, observa Alcebíades: “Vede o ardente interesse que Sócrates demonstra pelos belos mancebos e adolescentes e com que paixão busca por eles, e até que ponto eles o cativam”.
Supondo Alcebíades que Sócrates interessava-se pela sua beleza, acreditou que, cedendo-se-lhe sexualmente, ele comunicar-lhe-ia o seu conhecimento: tentou seduzi-lo em diversas circunstâncias, fracassadamente, até resolver expor-lhe os seus intuitos: “Penso que tu és o único amante digno de mim e parece-me que não te atreves a revelar-me os teus sentimentos. Da minha parte, posso assegurar-te que seria bem pouco razoável se não buscasse comprazê-lo nesta ocasião, como em qualquer outra em que pudesse ficar-lhe agradecido, por mim próprio, como por meus amigos. Não tenho maior empenho do que aperfeiçoar-me o quanto seja-me possível e não vejo ninguém cujo auxílio para isto possa ser-me mais proveitoso do que o teu.”
Respondeu-lhe Sócrates, ponderando-lhe que trocariam valores desiguais, o da beleza física pela aquisição da sabedoria, após o que, Alcebíades apressou-se a abraçá-lo e passaram juntos a noite. A seguir, Sócrates desdenhou-lhe da beleza e insultou-a, o que originou queixas de Alcebíades, das quais, e dos abundantes elogios que formulou a Sócrates, resultou, da parte dos comensais, a impressão de que prosseguia enamorado dele.
SOBRE O AUTOR
Redação Lado A
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Bibliografia
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Dicas para edição
https://ibdfam.org.br/artigos/327/Homoafetividade+e+o+direito+%C3%A0+diferen%C3%A7a
Homossexualidade no Olimpo
https://www.pride.com/religion/2016/9/10/20-greek-gods-who-had-same-sex-relationships
https://www.pride.com/religion/2016/9/10/20-greek-gods-who-had-same-sex-relationships
(Coletânea de artigos postado em 2015 e atualizada em 2024, repostada aqui em 02/VI/2024)















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