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23 abril 2024

ELIZABETH LEE MILLER

ELIZABETH “LEE” MILLER
(April 23, 1907 – July 21, 1977)

Elizabeth "Lee" Miller, Lady Penrose (April 23, 1907 – July 21, 1977), was an American photographer and war photojournalist, in the WWII. 
She was a fashion model in New York City in the 1920s before going to Paris, where she became a fashion and fine art photographer.

Lee Miller nasceu em 1907, nos Estados Unidos e numa família supostamente comum, pai, mãe e dois irmãos. Mas não tão comum assim, porque o pai era fã de fotografia e não só ensinou a arte para a filha, como a usava como modelo em fotos bastante controversas – o pai fotografava a jovem nua. Um ponto triste de sua história é que, aos 7 anos, ela foi estuprada e contraiu gonorreia. A história oficial é que foi um marinheiro desconhecido quando ela estava visitando a casa de amigos, mas tem quem diga que o pai foi o responsável. Pouca gente sabia do caso até a morte de Lee.

Assim, a infância de Miller foi marcada por uma série de acontecimentos infelizes e traumáticos. Na tenra idade de sete anos, ela foi abusada sexualmente por um amigo da família (a outra versão é de que foi o seu próprio pai), e contraiu gonorreia. 

Esta experiência traumática exigiu anos de tratamentos dolorosos e teve um impacto profundo na sua vida. Apesar dessas dificuldades, a resiliência e a determinação de Miller brilharam. Ela teve dificuldades acadêmicas, sendo expulsa de quase todas as escolas que frequentou, mas isso não a impediu de seguir sua paixão pela arte.

No final da adolescência, Miller mudou-se para Paris para estudar iluminação cênica e figurino. Ao retornar a Nova York, ela ingressou em um programa experimental de teatro no Vassar College, mas logo encontrou sua vocação na Art Students League de Nova York, onde estudou desenho vivo e pintura. Sua carreira de modelo começou de forma bastante acidental, quando ela foi salva de um carro que se aproximava por ninguém menos que Condé Nast, editora da Vogue. No entanto, sua carreira de modelo foi interrompida quando uma fotografia dela foi usada em um anúncio da Kotex sem seu consentimento.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Miller tornou-se correspondente de guerra credenciada da Vogue, tornando-a a primeira fotojornalista a seguir a 83ª Divisão de Infantaria do Exército dos EUA enquanto esta avançava nas linhas de frente. Suas fotografias e reportagens foram publicadas na Vogue entre 1944 e 1945. Apesar da dura realidade da guerra, o trabalho de Miller caracterizou-se pela sua qualidade surrealista, proporcionando uma perspectiva única sobre os acontecimentos da época.

Miller’s early life was marked by a series of unfortunate events. At the tender age of seven, she was sexually assaulted by a family friend, which resulted in her contracting gonorrhea. This traumatic experience required years of painful treatments and had a profound impact on her life. Despite these hardships, Miller’s resilience and determination shone through. She struggled academically, being expelled from almost every school she attended, but this did not deter her from pursuing her passion for art.

In her late teens, Miller moved to Paris to study stage lighting and costume design. Upon returning to New York, she joined an experimental drama program at Vassar College, but soon found her calling in the Art Students League of New York, where she studied life drawing and painting. Her modeling career began quite serendipitously when she was saved from an oncoming car by none other than Condé Nast, the publisher of Vogue. However, her modeling career was cut short when a photograph of her was used in a Kotex advertisement without her consent.

During World War II, Miller became an accredited war correspondent for Vogue, making her the first female photojournalist to follow the 83rd Infantry Division of the U.S. Army as it advanced on the front lines. Her photographs and reports were published in Vogue between 1944 and 1945. Despite the grim realities of war, Miller’s work was characterized by its surrealistic quality, providing a unique perspective on the events of the time.

Esta é uma fotografia de Lee Miller na banheira de Hitler em seu apartamento, coincidentemente no mesmo dia em que Hitler tirou a própria vida. Miller admitiu que depois de tirar essa foto, ela tomou banho e dormiu na cama de Hitler. Miller era uma modelo que desistiu da carreira para seguir no fotojornalismo como fotógrafa de guerra da Vogue no início da Segunda Guerra Mundial. Ela utilizou a fotografia surrealista de guerra com o objetivo de contextualizar os eventos que estavam ocorrendo.

This is a photograph of Lee Miller in Hitler's bathtub in his apartment, coincidentally being the same day Hitler took his own life. Miller admitted that after taking this picture, she took a bath and slept in Hitler's bed. Miller was a model who quit to pursue a career in photojournalism as a war photographer for Vogue as WWII broke out. She utilized surrealism photography of the war with the aim of providing context to events that were occurring.

Lee Miller, a female American combat photographer, taking a bath in Hitler's bathtub in his Munich apartment on April 30, 1945, shortly after she'd photographed the Dachau concentration camp. (Colorised).

Lee miller and David scherman: the photographers who took bath in hitlers apartment.

Lee Miller photographed by Man Ray circa 1930. Lee Miller was a photographer in her own right along with being a talented artist and model. She is known as Man Ray’s muse.




Segundo Antunes (2016-18), em 16 anos de trabalho, Lee Miller produziu um variedade de trabalhos fotográficos que continua sem paralelos, unindo os mais diversos gêneros: as imagens surrealistas, a fotografia de moda, viagem, retratos e correspondência de guerra.

Ela tornou-se modelo profissional em 1927, literalmente por acidente: quase foi atropelada numa rua na cidade de Nova York, mas foi salva pelo editor da Vogue na época, Condé Nast. Assim, nos dois anos seguintes, tornou-se a modelo mais requisitada da cidade até que, em 1928, apareceu em um comercial de absorvente, o que foi uma polêmica gigante para a época e meio que acabou com a carreira da modelo.


Miller, porém, já estava interessada em outros assuntos. Embarcou para Paris em 1920, e foi, sem encontro marcado, atrás de Man Ray. Para quem não sabe, Man Ray é um artista surrealista muito renomado que atuava em várias áreas, mas principalmente pintura e escultura.

Lee fotografada por Man Ray.


Conta-se que ela teria chegado em um café onde o artista Man Ray estava, se apresentou e disse que gostaria de trabalhar com ele. Man Ray estava partindo para uma viagem de férias para Biarritz, também na França, e Miller respondeu: eu também vou. Os dois começaram então um romance e uma parceria prolífica de trabalho em fotografia. Lee aparece em diversos trabalhos de Man Ray como modelo. Mas dizer que Lee Miller era simplesmente a musa de Man Ray é reduzir muito sua importância.

Para começar, ela tinha seu próprio estúdio de fotografia em Paris. Era uma artista excepcional e, ao mesmo tempo, uma mulher muito liberal e independente, o que chocava até mesmo os artistas mais moderninhos daquela época. Ela era amiga pessoal de Picasso, Paul Éluard, Jean Cocteau. Junto com Ray, criou a técnica de solarização, que dá as fotos esse ar meio iluminado, meio fantasmagórico, um aspecto melancólico e misterioso.

Existe uma suspeita de que vários dos trabalhos de fotografia que são creditados a Man Ray são, na verdade, de autoria de Lee Miller.

Em 1932, Miller abandonou Man Ray e voltou para Nova York. O artista ficou tão desolado que produziu uma de suas obras mais famosas: “Object to be destroyed” um metrônomo com somente o olho de Lee recortado de uma fotografia. Enquanto isso, ela abriu um estúdio de fotografia com o seu irmão, que era seu assistente.

Na cidade, participou de duas exposições importantes e também tinha como clientes celebridades de Hollywood e artistas da época. Dois anos depois, ela abandonou o estúdio, se casou com um empresário egípcio e mudou-se com ele para o país. Ela não trabalhou oficialmente no seu período no Cairo, mas algumas das fotos de viagem que tirou enquanto viveu lá são consideradas o melhor do seu trabalho surrealista, visto que ela transformava as paisagens em formatos modernistas e ambíguos.

Em 1937, Miller já estava cansada da vida no Egito. Separou-se e voltou para a Europa e foi viajar e viver com o pintor surrealista Roland Penrose. 
Ela morava em Londres com ele, quando começaram os bombardeios na cidade, na Segunda Guerra Mundial. Ignorando os pedidos para voltar aos Estados Unidos, ela continuou na cidade. Passou, então, a fazer fotos de moda para a Vogue, combinando as roupas e modelos glamourosas com os cenários de destruição pós-bombardeios.


(Fonte: Antunes, 2016)

Em 1942, ela tornou-se uma das 5 mulheres creditadas como correspondentes de guerra das forças armadas dos Estados Unidos, fazendo cobertura fotográfica e escrevendo para a revista Vogue. Que não só recebia suas fotos, sempre muito próximas da realidade, mas também pelos textos onde contava sobre suas experiências no front de guerra. Ela acompanhou as campanhas militares do Dia D, na Normandia, e a liberação da França. (Antunes, 2016)

Chegou a um ponto em que era a única mulher no front a fotografar a insanidade da guerra, incluindo o primeiro uso de napalm da história.

O primeiro uso estratégico registrado de bombas incendiárias de napalm ocorreu em um ataque da Força Aérea do Exército dos EUA em Berlim em 6 de março de 1944, usando bombas incendiárias americanas AN-M76 com carga de PT-1 (Pyrogel). Usos posteriores de napalm pelas forças americanas ocorreu no teatro de operações do Pacífico, em 1944 e 1945, onde o Napalm foi usado como arma tática contra bunkers, túneis e outras fortificações japonesas, especialmente em Saipan, Iwo Jima, Filipinas, e Okinawa, onde tropas japonesas profundamente escavadas se recusavam a se render (Hubert e Hubert, 2020)

Lee Miller esteve em Viena em 1945, para fotografar a cidade destruída pela guerra e a triste realidade dos hospitais infantis. Em Budapeste, cobriu a população sem teto e a execução do ex-primeiro-ministro fascista, Lazlo Bardossy. (Antunes, 2016)

Todavia, sem dúvida, seu trabalho mais comovente e marcante são dos horrores dos campos de concentração de Buchewald e Dachau. Ela foi uma das primeiras pessoas que, junto com o exército, testemunharam as condições de terror dos campos. Você pode ver várias das fotos nessa reportagem do The Guardian (aqui).

Junto com seu fotógrafo parceiro, David E. Scherman, correspondente da revista Life, fez uma de suas fotos mais icônicas, um retrato dela na banheira do apartamento de Adolf Hitler, em Munique. (Antunes, 2016).

Ela voltou para a Inglaterra e continuou trabalhando para a Vogue por dois anos, mas como fotógrafa de moda e celebridades. Miller começou a sofrer com síndrome de estresse pós traumático, devido às cenas que viu durante a guerra. Na época, a doença não era conhecida e os médicos definitivamente não sabiam como tratar. A fotógrafa começou a beber muito e tinha momentos de melhora, como quando seu filho Antony nasceu, mas vivia tendo recaídas. (Antunes, 2016).

Nos anos 1950 e 1960, viveu com a família numa fazenda que era uma meca para os artistas da época, a Farley Farm. Picasso, Man Ray, Henry Moore, Eileen Agar, Jean Dubuffet, Dorothea Tanning, e Max Ernst eram presenças constantes (se você não souber quem são, uma pequena olhadinha no Google confirma a importância desse pessoal para a arte moderna). Além da fotografia, que continuou sendo parte da vida de Lee Miller, nesse período ela também se especializou na cozinha e tornou-se uma chef gourmet.

Ela morreu de câncer, em 1977, aos 70 anos. Seu filho segue trabalhando para que o legado da mãe seja lembrado. Ele conta que descobriu escondidos em casa várias caixas com fotos e textos da mãe, alguns trabalhos nunca publicados. Criou o site Lee Miller Archives, onde suas fotos estão disponíveis, é curador de exposições e escreveu a biografia The Lives of Lee Miller. (Antunes, 2016).






Lee Miller, em 1943, ao lado de outras correspondentes de guerra que trabalhavam na Europa para o Exército dos EUA: da esq. para a dir., Mary Welsh, Dixie Tighe, Kathleen Harriman, Helen Kirkpatrick, Lee Miller e Tania Long (USA Army Archive).

A vida de Elizabeth “Lee” Miller será vivida no cinema 










Fonte



















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