NEOLIBERALISMO E “MORTE ANTECIPADA”
Márcio Pochmann
Filho de pai escocês, que era mineiro de carvão, o economista do mainstream neoliberal e ganhador do Nobel em 2015, Angus Deaton expõe a sua mea culpa, oferecendo uma crítica mordaz ao próprio neoliberalismo.
Tem questionado as teorias da chamada “revolução da credibilidade”, sobre as quais parcela dos profissionais assumidos do "mercado" e porta-vozes do dinheiro impulsionaram e impulsionam graves e profundas consequências sobre a vida e mortes para milhões de pessoas no mundo.
A identificação das “mortes por desespero” na meia-idade que tem atormentado e avançado sobre a população estadunidense, colocou o professor emérito da Universidade de Princeton em destaque ao questionar o quanto a formação e práticas profissionais em economia têm se distanciado do estudo sobre o bem-estar da população.
A diferença de A. Deaton em relação aos que professam o receituário neoliberal é que ele mudou as próprias opiniões mediante a conscientização acerca da dominância dos mercados e do dinheiro e seus efeitos negativos para a classe trabalhadora.
Em grande medida, a crítica foca a forma imprudente com que o neoliberalismo busca aliviar as restrições ao fluxo de capital especulativo em todo o mundo, o que tem favorecido a prevalência de crises financeiras e a elevação da desigualdade em favos dos ricos, poderosos e privilegiados nas últimas três décadas. O erro econômico gerado pela globalização neoliberal, com ênfase na livre circulação de bens, capitais e empregos, produziu, em consequência, a epidemia de "mortes por desespero".
Na maioria das vezes, a perda da vida antecipada é levada pelo alcoolismo, overdoses de opiáceos e suicídio que se generaliza no quotidiano da classe trabalhadora americana submetida à realidade rebaixada do padrão de vida. Contribuiu para isso, o desemprego e a precarização laboral banalizadas pela perda do sentido da vida imposta pelo abandono do antigo sonho almejado do "American way of life".
No estudo de A. Deaton, que comparou a esperança de vida dos formados no ensino superior com o restante da população estadunidense, tornou evidente a queda na expectativa de vida do andar de baixo da sociedade. No ano de 2021, por exemplo, os formados nas faculdade dos EUA viviam, em média, 8,5 anos a mais do que aqueles com nível de escolaridade inferior, enquanto em 1992, a diferença era de apenas 2,6 anos.
Em apenas três décadas, a queda na expectativa de vida da população trabalhadora com menos escolaridade declinou 3,3 vezes se comparada com a do segmento de nível universitário. A diminuição da expectativa de vida nas comunidades que foram ficando para trás diante do avanço da desindustrialização estadunidense revelou o quanto o triunfalismo da recuperação econômica desde a recessão da COVID 19 se mostrou falsa.
Além de defender o fim da fixação do dinheiro como medida do bem-estar humano, A. Deaton acredita que a reindustrialização reforça o movimento sindical e a sociedade organizada em torno da defesa do salário mínimo, combate à pobreza e permite os cuidados com a saúde da população que mais precisa.
A retomada do estímulo fiscal como resposta à economia neoliberal, ditada como evolução darwiniana da competição pela sobrevivência, assume a centralidade, pois do contrário, as mortes antecipadas tendem a continuar. E o que dizer sobre a classe trabalhadora brasileira?
Fonte
https://x.com/marciopochmann?s=21&t=qvn2gjel3c-_i6Y1GISK9w
HOJE NA HISTÓRIA
Modern Priests of Antinous commemorate his death on 28 Oct, but many scholars say 22 Oct, 23 Oct, 24 Oct or 30 Oct was when he "plunged into the Nile" (Hadrian's words) in October of 130 AD.
The important thing is that Antinoos truly lived.
He is not a myth or a legend.













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