O SILÊNCIO DOS CONIVENTES
Um dia eu li na revista Grifo que a mídia e a imprensa toleram o ”genocida”. A entrevistada diz que “Bolsonaro foi um personagem tolerado, tratado (pelos meios de comunicação) no máximo como um sujeito estranho, esdrúxulo.
Acherontia atropos L. 1758 (Lepidoptera; Sphingidae9º)
A mídia como um todo até hoje trata essa pessoa como se fosse um outro político qualquer, dando espaço em suas grades e muitas dessas mídias o defendem é o veem como modelo.
Um ser desqualificado
Vinte e oito anos como parlamentar insignificante que nunca apresentou um único projeto de interesse da população, tem a mesma consideração que um político do PSOL, PT ou outro partido do parlamento. A entrevistada da revista Grifo continua dizendo-nos que não é possível que uma pessoa que cotidianamente ataca o os jornalistas e o próprio jornalismo, ataca as liberdades, ataca as instituições, ataca a verdade dos fatos, ataca a ciência (sic!) ataca tudo o que é da Humanidade seja tratado como mais um excêntrico.
Ele não é um excêntrico. Ele é um fascista. É um ser desqualificado que foi produzido é moldado por “uma certa instituição” para tomar o poder, por meio de métodos ilegítimos, “Fake News”, e desencadear uma aceleração nas “reformas” neoliberais mas que mantivessem seus privilégios. E foi o que vimos na reforma da previdência, o pobre, o trabalhador não se aposentam mais, enquanto as Forças Armadas nada sofreram.
Ele representa tudo de ruim que deve ser combatido; não é exemplo para ninguém em nenhum lugar do planeta, em nenhum momento da história. Ele é o tipo de pessoa à qual deveríamos combater ferrenhamente; é o mau exemplo a ser apontado para as crianças. Jamais, deveria ter espaço, e muito menos voz. Como exemplos cito os convites que recebeu, para falar na Sociedade Judaica e em Lojas da Maçonaria. Um festival de preconceitos, de crimes, discriminação e ódio.
Agora que a contestação está chegando, e está chegando muito tarde e com pouca intensidade. A contestação deveria ter começado há 28 anos atrás, a cada vez que ele mentia, ou distorcia os fatos ou . Mesmo as ofensas que ele dirigiu a jornalistas no tal “cercadinho” são coisas impensáveis. Mas a imprensa tolerava, tolera ainda, pela função que ele exerce nas reformas neoliberais.
A elite e os pequenos burgueses em sua totalidade pensa como ele. É deseja essa figura abjeta para implementar uma necropolítica ultraneoliberal privatista rentista superconcentradora de riqueza.
Nunca houve, não há e nunca existirá qualquer possibilidade de que tomemos como real ou verdadeira qualquer palavra ou ideia que venha dele ou de seu entorno. A mídia o maquiou como ser humano e o trata com normalidade nunca efetivamente o colocando em seu devido lugar. É isso só pode ser explicado porque a mídia compartilha as mesmas crenças e opiniões. A mídia é fascista.
Essa pessoa é fascista, que deveria ter sido tratado como um fascista desde sempre e em toda ocasião que tivesse visibilidade. Lembre-se que outros fascistas como Hitler e Mussolini também receberam da mídia da época essa atitude condescendente, e até mesmo apoio. Mesmo jornais como The New York Times, até muito próximo do início da Segunda Guerra Mundial, mantinha opinões pro-Hitler, ou silenciava sobre seus atos. A imprensa se aliou a Hitler, se aliou a Mussolini, assim como se aliou a Bolsonaro. Apesar dessas posições críticas em relação a ele, não há justificativa para esse tratamento como se fora “coisa normal”.
Toda vez que apareciam situações e falas desprezíveis e absurdas que faziam alusão morte, ao extermínio do diferente principalmente extermínio da esquerda, a mídia calou.
Devido a agenda neoliberal da elite e dos acionistas da mídia hegemônica, jornalistas e grupos de defesa dos direitos humanos e da democracia que porventura integram jornais ficam em uma posição difícil: chamar a atenção para essa “absurdice” era ir contra o desejo dos donos do capital. Na concepção dessas pessoas estavam correndo o risco de jogar a favor de ideias progressistas. Optaram então pelo silêncio de 28 anos. Optar pelo silêncio, por não dizer nada, não apontar o absurdo que foram e continuam sendo; silenciar a respeito de que ter filha mulher é “dar uma fraquejada”, é sim fascismo e desumano.
Silenciar, sobre as atitudes dele, processado pela deputada Maria do Rosário, por dizer em plenário que ela não merecia nem ser estuprada, alvo de grupos de homossexuais e LGBT, que o acusam de homofonia, além de ter se pronunciado no plenário da Câmara Nacional, em favor de torturadores e da ditadura militar (Piauí). Silenciar sobre isso é acolher o fascismo.
O silêncio seletivo da mídia permitiu que a fala desse genocida se espalhasse, e fosse encarada como legítima e normal.
Não há como um ser humano apoiar essa pessoa ou essa família. Ela são sim de extrema-direita, são sim fascistas que desejam uma sociedade dócil, manipulável, que possam explorar a seu bel-prazer para sempre. Devido ao silêncio seletivo da mídia e o fascismo-escravocrata que perpassa as instituições a Constituição Cidadã de 1988 vem sendo sistematicamente atacada e os valores e direitos nela constantes vão se tornando borrados e indistintos, quando deveriam ser luminosos e bússola para nosso povo.
Referências
Escólios
I
TÊMIS
Têmis ou Themis é uma divindade grega por meio da qual a justiça é representada e definida, no sentido moral, como o sentimento da verdade, da equidade e da humanidade, colocado acima das paixões humanas.
A imagem de Themis, deusa da justiça, é definida com uma mulher segurando na mão direita uma espada e na mão esquerda uma balança
Como a deusa da justiça, da lei e da ordem, é a protetora dos oprimidos. Na qualidade de deusa das leis eternas, era a segunda das esposas divinas de Zeus, e costumava sentar-se ao lado do seu trono para aconselhá-lo.
Teria partido dela o conselho ao deus para proteger-se com a Efígie (Aigis), a fim de vencer a luta contra os gigantes. Dizia-se a respeito de Têmis que ela teve a idéia de provocar a Guerra de Tróia para livrar a Terra do excesso de população (KURY, 1999, p. 372). Era filha do Céu (Urano) e da Terra (Gaia) , portanto é filha do Espírito e da matéria. Mãe das Horas, que regiam as estações do ano, e das Moiras. Por suas virtudes e qualidades, Têmis foi respeitada por todos os deuses. Sua grande sabedoria só era comparável à de Minerva. Suas opiniões eram sempre acatadas. Mais do que a Justiça, Têmis encarna a Lei. Seu casamento com Zeus exprime como o próprio deus pode ser submetido a ela, que ao mesmo tempo é sua emanação direta. Tradicionalmente é representada cega ou com uma venda aos olhos para demonstrar sua imparcialidade.
Numa visão mais moderna, é representada sem as vendas, significando a Justiça Social, para qual o meio em que se insere o indivíduo é tido como agravante ou atenuante de suas responsabilidades. Os pratos iguais da balança de Têmis indicam que não há diferenças entre os homens quando se trata de julgar os erros e acertos. Também não há diferenças nos prêmios e castigos: todos recebem o seu quinhão de dor e alegria. Ela foi aceita entre os deuses do Olimpo. Simboliza o destino, as leis eternas, divinas e morais; é a justiça emanada dos deuses, assim nos seus julgamentos não há erro. Ela carrega as tábuas da lei, que desempenham o papel de ordem, união, vida e princípios para a sociedade e para o indivíduo, e uma balança que equilibra o mundo segundo leis universais entre o caos e a ordem. (GRIMAL, 1997, p. 435).
II
Temis, filha do Céu e da Terra, ou de Urano e de Titéia, era irmã mais velha de Saturno e tia de Zeus.
O significado de seu nome é: “aquela que é posta, colocada”. Empunha a balança, com que equilibra a razão com o julgamento
Temis criou as leis divinas que regem tudo. Em geral, possui tinha três subsistências; deusa da ordem natural, deusa da ordem moral e a deusa de profecia.
O papel do juiz é equilibrar justiça com compaixão. Garantir uma distribuição de poder que fornece limites justos que incentivam as pessoas a assumir a responsabilidade por suas ações.
Diz a fábula que ela queria guardar sua virgindade, mas que Zeus obrigou-a a desposá-lo, e que a tornou mãe de três filhas, a Equidade, a Lei e a Paz.
Considera-se também a Temis como a mãe das Horas e das Parcas. No Olimpo, essa deusa estava sentada ao lado do trono de Zeus; auxilia ao deus com os seus conselhos que são todos inspirados pela prudência e pelo amor da justiça.
Preside ou assiste às deliberações dos Imortais. Zeus a encarrega das mais difíceis e importantes missões. Olhavam-na como a deusa da justiça, cujo nome lhe deram.
Desde a sua origem teve templos onde se divulgavam os oráculos. No monte Parnaso, de sociedade com Telus (a Terra) possuía um oráculo; cedeu-o mais tarde a Apoio dos Delfos. Predizia o futuro não somente aos homens, mas também aos deuses.
Foi ela quem revelou o que as Parcas ordenaram sobre o filho que de Tetis devia nascer. Impediu que Zeus, Netuno e Apoio desposassem essa nereida de quem estavam apaixonados, porque ela devia ser mãe de um filho mais forte que o pai.
III
OS OLHOS ABERTOS DE THEMIS, A DEUSA DA JUSTIÇA
Themis, a deusa grega da Justiça, filha de Urano e Gaia, sem venda, era representada portando uma balança na mão direita e uma cornucópia na esquerda. Símbolo da ordem e do Direito divino, costumava-se invocá-la nos juramentos perante os magistrados. Por isso, consideravam-na a Deusa da Justiça.
A venda foi invenção dos artistas alemães do século XVI, que, por ironia, retiraram-lhe a visão. A faixa cobrindo-lhe os olhos significava imparcialidade: ela não via diferença entre as partes em litígio, fossem ricos ou pobres, poderosos ou humildes, grandes ou pequenos. Suas decisões, justas e prudentes, não eram fundamentadas na personalidade, nas qualidades ou no poder das pessoas, mas na sabedoria das leis.
Hoje, mantida ainda a venda, pretende-se conferir à estátua de Themis a imagem de uma Justiça que, cega, concede a cada um o que é seu sem conhecer o litigante. Imparcial, não distingue o sábio do analfabeto; o detentor do poder do desamparado; o forte do fraco; o maltrapilho do abastado. A todos, aplica o reto Direito.
Mas não é essa a Justiça que eu vejo. Vivo perante uma Justiça que ouve falar de injustiças, mas, por ser cega, não as vê; que, sufocada pelo excesso da demanda, demora para resolver coisas grandes e pequenas; condenando-se pela sua própria limitação. Uma Justiça que, pobre e debilitada pela falta de recursos, não tem condições materiais de atualizar-se. Uma Justiça que quer julgar, mas não pode.
Essa não é a minha Justiça.
Minha Justiça não é cega. É uma Lady de olhos abertos, ágil, acessível, altiva, democrática e efetiva. Tirando-lhe a venda, eu a liberto para que possa ver.
Por não ser necessário ser cego para fazer justiça, minha Justiça enxerga e, com olhos bons e despertos, é justa, prudente e imparcial. Ela vê a impunidade, a pobreza, o choro, o sofrimento, a tortura, os gritos de dor e a desesperança dos necessitados que lhe batem à porta. E conhece, com seus olhos espertos, de onde partem os gritos e as lamúrias, o lugar das injustiças, onde mora o desespero. Mas não só vê e conhece. Age.
A minha, é uma Justiça que reclama, chora, grita e sofre.
Uma Justiça que se emociona. E de seus olhos vertem lágrimas. Não por ser cega, mas pela angústia de não poder ser mais justa.
Bibliografia:
GRIMAL, Pierre. Justiça. In:. Dicionário da mitologia grega e romana. 3. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997. p. 435.
KURY, Mário da Gama. Têmis. In:. Dicionário de mitologia grega e romana. Rio de Janeiro: J. Zahar, 1999. p. 372.
26/VI/2023 mês do orgulho e de luta por uma humanidade melhor



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