Estamos agora em posição de oferecer provisoriamente três características que uma razão biopolítica teria de preencher: pôr a racionalidade a serviço da vida; a técnica a serviço das necessidades ecológicas, ecológicas entendidas não só como preservação da natureza, mas como desenvolvimento e reprodução de relações “sociais”, como diz Viveiros de Castro, entre humanos e não humanos; e a acumulação de riqueza a serviço do comum. Isto deixa claro (para percorrer agora os mesmos três itens em sentido inverso) que a valorização econômica já não é possível senão com base na apropriação social dos bens comuns; que a reprodução do mundo da vida e seu ambiente físico já não é possivel senão quando as tecnologias são diretamente controladas pelo projeto do comum; e que a racionalidade já não pode funcionar senão como um instrumento da liberdade comum da multidão, como um mecanismo para a instituição do comum.
Fonte
Michael Hardt & Antonio Negri. Bem Estar Comum. Rio de Janeiro, RJ; Editora Record Ltda. 2016.






































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