INÍCIO

20 junho 2022

COLÔMBIA O POVO VENCEU


Bandeira da Colômbia 

Amarelo, localizada na parte superior, ocupa a metade do tamanho total e representa a riqueza de solo. O azul, localiza-se no centro e simboliza o céu, os rios, os mares que banham território. O vermelho, situado na parte inferior, significa o sangue derramado pelos heróis nos campos de batalha pela pátria e pela liberdade.
O comprimento e a largura da bandeira devem ter uma proporção de dois a três.






VIVA O POVO COLOMBIANO 
VIVA A DEMOCRACIA
VIVA A COLÔMBIA  


 O Ocidente tem um interesse histórico na Colômbia, tanto pelo comércio quanto por sua importância geopolítica regional. Endividadas devido ao apoio financeiro durante a luta pela independência, as elites emergentes da Colômbia foram empurradas para relações comerciais e políticas desiguais com o Reino Unido e os Estados Unidos. A situação era tão grave que o líder da independência Simón Bolívar reclamou uma vez que essa relação havia gerado um “caos de horrores, calamidades e crimes… e a Colômbia é uma vítima cujas entranhas estão sendo rasgados em pedaços pelos abutres”.


Duzentos anos depois, suas palavras ainda são válidas. Grande parte do PIB anual do país continua sendo desviado para pagar dívidas históricas com o Ocidente, e a economia continua a servir aos interesses de alguns, mas particularmente dos capitalistas ocidentais. E embora a Colômbia seja amplamente entendida como economicamente explorada e politicamente subjugada pelo governo e interesses empresariais dos EUA, a Europa também tem suas digitais nesses problemas: o Reino Unido tem mais de 100 corporações multinacionais no país, entre elas ninguém menos que a British Petroleum, que assinou um acordo multimilionário com o Ministério da Defesa da Colômbia para ajudar a proteger seus interesses comerciais.

O próprio governo do Reino Unido gastou dezenas de milhões em apoio às forças militares e policiais do país, apesar de décadas de violações dos direitos humanos. Quando a polícia colombiana e os assassinos de direita trabalharam juntos para matar e reprimir jovens manifestantes, foi exposto que as forças militares e policiais do Reino Unido lhes ofereceram treinamento e apoio. Além disso, embora a União Europeia (UE) há muito pretenda apoiar uma solução pacífica para o conflito, seus Estados membros continuam a fornecer financiamento e treinamento para o violento Estado colombiano. A Espanha, como o Reino Unido, ignorou o terrível histórico de direitos humanos do país e continua a alimentar a guerra interna do país ao lado do Estado, fornecendo-lhes equipamentos militares modernos, principalmente aeronaves.

Em 2017, a nação dominada pelo conflito tornou-se o primeiro parceiro latino-americano da OTAN. Este movimento foi justificado com base na cooperação de segurança. Mais recentemente, para evitar a suposta influência chinesa e russa, os congressistas de direita norte-americanos Marco Rubio e Bob Menendez propuseram uma cooperação militar ainda mais consolidada com a América Latina. Semanas depois, a Colômbia assinou a Lei de Aliança Estratégica EUA-Colômbia, cujo principal objetivo era a provisão de “benefícios adicionais nas áreas de comércio de defesa e cooperação em segurança”.

As elites colombianas e seus aliados ocidentais desconfiam com razão do Pacto Histórico nesse sentido. Sua postura pró-paz e antimilitarista ameaça seus interesses, não apenas na Colômbia, mas em toda a região.

UMA NOVA COLÔMBIA 

Por muitas décadas, a esquerda da Colômbia imaginou uma Nova Colombia, uma Colômbia que finalmente superou os legados coloniais sobreviventes e a violenta exploração capitalista das massas. O Pacto Histórico, com toda a sua importância histórica, ainda não pode dar origem a esse ideal. O que ele pode fazer é preparar o terreno. É a única esperança que os colombianos têm para uma solução pacífica para o conflito em curso. E a própria coalizão – composta por comunistas, socialistas, social-democratas, liberais e ativistas negros e indígenas – é um exemplo vivo da Nova Colômbia.

O ideário democrático liberal no qual muitos depositaram suas esperanças nas décadas anteriores, culminando na constituição de 1991, provou ser infrutífero na prática. À medida que isso fica mais claro para a população, o Estado responde com repressão gratuita. Com o apoio de poderosos aliados estrangeiros, a classe dominante da Colômbia fará tudo o que estiver ao seu alcance para frustrar a transição. Para que o Pacto Histórico chegue ao poder em maio, ele precisa ganhar mais espaço no eleitorado e estar pronto para enfrentar a máquina do Estado: guerra de informação, fraude eleitoral e agressões violentas de militares e paramilitares.

A Colômbia tem uma chance histórica de acabar com décadas de guerra e opressão de forma pacífica e democrática. Cabe a nós mobilizar o povo – e a classe dominante aceitar a inevitabilidade, eventualmente, de uma Nova Colômbia.


CARLOS CRUZ MOSQUERA doutorando e professor associado na Queen Mary, University of London. Especialista em análise  do "poder civil" da União Europeia na América Latina e seu papel na manutenção do status quo neoliberal na região.




Fonte 

https://jacobin.com.br/2022/03/a-esquerda-esta-finalmente-em-ascensao-na-colombia/
















Nenhum comentário: