ALICE OSEMAN nasceu em 1994 em Kent, Inglaterra, e é escritora e ilustradora. Pode ser encontrada encarando a tela do computador por horas a fio, questionando a falta de sentido da existência, ou fazendo de tudo para não ir parar num emprego em um escritório. Além de escrever e ilustrar Heartstopper, Alice é autora de romances para o público jovem.
O elenco de "Heartstopper" apresenta os protagonistas Joe Locke, como Charlie Spring, e Kit Connor, como Nick Nelson. E juntando-se a eles estão William Gao como Tao Xu, Yasmin Finney como Elle Argent, Corinna Brown como Tara Jones, Kizzy Edgell como Darcy Olsson, Sebastian Croft como Ben Hope, Cormac Hyde-Corrin como Harry Greene, Tobie Donovan como Isaac e Rhea Norwoodcomo Imogen. E aí, algum nome já conhecido?
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Um pouco mais sobre a autora
Alice Oseman nasceu na cidade de Catham, Inglaterra, em 1994. Ela estudou em Rochester Grammar School e se graduou em Literatura Inglesa na Durham University.
A sua estreia na literatura ocorreu em 2014 ao lançar o romance Solitaire, que narra as histórias de Tori Spring, uma adolescente extremamente pessimista e que, um dia conhece Michael, um rapaz bastante otimista.
A história explora sentimentos como relacionamentos homoafetivos, amizade, transtornos alimentares e dúvidas existenciais.
Oseman expandiu o seu universo literário e publicou dois spin-offs de Solitaire em e-books, são eles “Nick and Charlie” e “This Winter”.
Em 2016, Alice Oseman publicou “Radio Silence”, protagonizado pela Frances Janvier. A história mostra Janvier envolvida em sua admissão em Cambridge, uma das universidades mais tradicionais e conceituadas do Reino Unido.
Mais uma vez a autora mostra que tem domínio ao explorar conceitos como a representatividade, conflitos existenciais e amizade.
Já no livro “I was born for this” a escritora mantém o foco na história de uma banda e nos ardorosos fãs adolescentes, enquanto no livro “Loveless” ela traz um texto mais intimista, baseado nas suas experiências quando frequentou a universidade (Rafael H. 2022).
Ordem dos Livros de Heartstopper
1) Volume 1 – Dois garotos, um encontro (2017)
2) Volume 2 – Minha pessoa favorita (2019)
3) Volume 3 – Uma viagem a Paris (2020)
4) Volume 4 - (2021)
Curiosidades
1) Filmada na Inglaterra
"Heartstopper" foi filmada totalmente na Inglaterra. As gravações aconteceram por volta de Herne Bay, uma vila costeira localizada no distrito de Canterbury, em Kent. Ao contrário do que muitos fãs acreditam, nem a Truham Boys School e nem a Higgs Girls Schoolexistem na vida real. A autora Alice Osemanse inspirou no colégio Rochester Grammar School, instituição só para meninas onde estudou, para criar os dois.
2) Referências na vida real
E não são só as escolas de "Heartstopper" que são baseadas na vida real. Na verdade, Oseman admitiu em entrevista ao Sean Z que costuma pegar elementos da sua vivência como uma pessoa queer e colocar na história. "Muita coisa de 'Heartstopper' vem da minha própria vida - eu frequentei uma escola só para meninas em uma cidade conservadora no sudeste da Inglaterra e o mundo de 'Heartstopper' e as pessoas nele são todas inspiradas na vida que tinha lá."
Truhan Boy’s Grammar School
Casa de Nick Nelson
3) Autora escreveu e produziu o seriado
Além de ser a grande criadora e mente brilhante por trás de "Heartstopper", Alice Oseman também escreveu e produziu o seriado da Netflix. Isso significa que tivemos a escritora dando bastante pitaco, o que ajudou a série a manter a fidelidade.
4) A autora aparece no filme
Alice Oseman chegou a aparecer mesmo em "Heartstopper". Ela fez uma pequena participação no final da primeira temporada, quando Nick (Kit Connor) e Charlie (Joe Locke) estão dando um passeio. Ela é vista sentada na fila de assentos próxima a eles no vagão do trem.
Alice Oseman, a autora
5) Adolescentes reais
Mais um ponto interessante de "Heartstopper" é que o seu elenco é formado por atores com idades bem próximas aos personagens que eles interpretam. Isso significa que temos uma produção mais real, sem que haja adultos de padrões inalcançáveis fingindo que são adolescentes.
Além disso os atores não só interpretam como pertencem a minorias LGBTQIA+, e no elenco encontramos um ator transexual Elle Argent (Yasmin Finney), atrizes lésbicas, assexual, queer, o que dá mais colorido à história, e a torna mais fiel e representativa. Corinna Brown como Tara Jones, uma estudante de Higgs que faz amizade com Elle Argent. Kizzy Edgell como Darcy Olsson, namorada de Tara e amiga de Elle.
6) Menção à personagens da obra original
Há até uma menção bem indireta a um personagem do graphic novel que não chegou a dar as caras no seriado. Aled Last, um dos amigos de Charlie nos quadrinhos, não apareceu na produção da Netflix porque a autora de "Heartstopper" não queria ignorar sua história no romance "Radio Silence". É exatamente esse livro que Isaac (Tobie Donovan), personagem criado para série, está lendo no 5º episódio, quando ele, Nick, Charlie, Tao Xu (William Gao) e Elle Argent (Yasmin Finney) vão jogar boliche.
7) Referência às HQ
E essa não é a única referência às HQs presente na série. De vez em quando conseguíamos capturar um ou outro “easter egg”, presentes desde os nomes dos episódios até no efeito de animação que aparecem em vários momentos e cenas iguais às da obra original (Maturana, 2022).
[Easter egg (media) is a term used to describe a message, image or feature hidden in a video game, film, or other that's usually an electronic medium. It's those little sneaky hidden messages in your favourite film that you love to spot and makes you go “ahhhh, clever!”.(easteregg)]
Vídeos do seriado capturados dos episódios
Minha vida amputada
Para muitos de nós, que nasceram antes de 1990 nossa existência “HEARTSTOPPER” nos foi “roubada”.
Quem viveu há pelo menos há 30-40 anos atrás, no Brasil, sabe que essa interpretação da vida em sua plenitude desde a infância e adolescência era impossível e improvável.
Mesmo com o relacionamento consensual entre indivíduos do mesmo sexo tendo sido tirada do rol de doenças.
Foi apenas em 17 de maio de 1990 que a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o “homossexualismo” da CID-10. A partir de então substituiu-se o referido termo por “homossexualidade”, uma vez que no contexto médico o sufixo “ismo” remete à uma pirolitos ou doença (como reumatismo, raquitismo etc.)
Por isso isso tem-se que consolidar sempre cada dia mais e mais esses direitos, que vieram da luta de pessoas que viveram em outras épocas e que tinham claro que essa limitação não era vida.
Veja o governo atual (2018-2022). Tentou a todo custo empurrar de volta para o armário toda a uma classe que mesmo sendo minoria (nem tão pequena assim), constitui uma amputação da vida e da diversidade do viver humano. Esse governo conseguiu muito diga-se a bem da verdade. Não devia ter conseguido nada. A verdade é, viver uma vida olhando para o futuro da humanidade, um futuro que supere o os milênios de histórias de morte e discriminação, está longe ainda. O passado ainda insiste em brotar dos subterrâneos e espalhar sua opressão sempre que possível, aumentando a infelicidade bruta do ser humano. A vida progressista é muitíssimo difícil. Essa é a verdade. Mas nós portamos essa tocha essa chama, um legado de tempos imemoriais que sempre aflorou, sempre esteve latente pois faz parte da essência do ser humano.
Agora estava pensando no que vc disse (...”se eu pudesse ser o eu de hoje na minha escola”…) e lembrei que mais um ponto interessante de "Heartstopper" é que o seu elenco é formado por atores com idades bem próximas aos personagens que eles interpretam. Isso significa que temos uma produção mais real, mais próxima da vida, como a arte deve ser; sem que haja adultos de padrões inalcançáveis (morfológicos, psicológicos, físicos etc…) fingindo que são adolescentes. Essa imposição de padrões também geram uma carga de sofrimento, pois inalcançável.
A HISTÓRIA
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1. MEET
O estudante da Truham Grammar High School, Charlie Spring, está em um relacionamento secreto com Ben Hope. Em sua nova classe, Charlie é designado para se sentar ao lado de Nicholas “Nick” Nelson, um jogador de rugby por quem ele desenvolve sentimentos. Eles se tornam amigos, embora Charlie não tenha certeza da sexualidade de Nick. Nick o convida para se juntar ao time de rugby e ele aceita. Depois de ver Ben beijando uma garota e perceber sua própria infelicidade no relacionamento, Charlie diz a Ben que não quer mais se encontrar. Mais tarde, Charlie relutantemente se encontra com Ben novamente, que o beija à força. Nick segue Charlie até a biblioteca bem a tempo de evitar a aproximação abusiva de Ben sobre Charlie. Ao repelir, tirando Ben de cima de Charlie, ele diz para o Ben vazar dali. Charlie surpreso, pergunta se Nick tinha ouvido o papo entre ele e Ben. Enquanto isso, uma das amigas de Charlie, Elle Argent, se muda para a escola só de garotas Higgs depois de se assumir como uma mulher trans.
2. CRUSH
Charlie desabafa com Nick sobre seu relacionamento com Ben, a quem Nick condena. O amigo de Charlie, Tao Xu, assume que Nick é heterossexual e diz a Charlie para abandonar seus sentimentos por Nick, mas Charlie se recusa. Tao diz a ele que Nick tem uma queda por uma garota chamada Tara Jones, que é amiga de Elle no Higgs. No entanto, Elle logo descobre que Tara está em um relacionamento homoafetivo com Darcy Olsson. Enquanto está na casa de Charlie, Nick tenta segurar a mão de Charlie enquanto ele dorme e começa a questionar sua sexualidade. E isso o enche de dúvidas e questionamentos e a pesquisas na internet.
3. KISS
Nick é convidado para a festa de aniversário de 16 anos de seu amigo Harry Greene, um garoto valentão, do time de rugbi. Nick convida Charlie, que aceita. Tao começa a ficar com ciúmes da paixão de Charlie, o que vem fazendo com que sua amizade se torne mais distante. Harry e seu grupo tentam arranjar um encontro para Nick com Tara, e Charlie vai embora por motivo de ansiedade. Tara se assume para Nick, que rompe sua amizade com Harry depois que ele tira sarro de Charlie. Imogen Heany, uma das amigas de Nick, diz a Nick que gosta dele. Charlie diz a Ben para deixá-lo em paz. Nick e Charlie se encontram novamente em uma sala isolada, onde se beijam; Nick fica pasmo e deixa Charlie depois que ouve Harry procurando por ele no corredor da casa de festa. Embora com o coração partido, Charlie fica surpreso ao ver Nick à sua porta no dia seguinte em meio à chuva.
4. SECRET
Charlie pede desculpas pelo que aconteceu no dia anterior (por ter deixado Charlie sozinho depois do beijo, por medo de ser exposto em seu grupo de amigos). Nick o beija, explicando que ele ainda está inseguro (closeted) e precisa de tempo para se entender (e pensar num modo de não viver uma vida dúbia e opressiva consigo mesmo); Charlie diz que ele ainda não precisa declarar nada publicamente. Depois de um jogo de rugby, Tao e Elle escutam (sem querer) e ouvem Nick relutantemente concordando com seus amigos, em um encontro com Imogen (sob pressão dos colegas do time). (A decisão de sair ou permanecer no armário é considerada profundamente pessoal para Nick, e a saída permanece controversa na cultura de hoje).
5. FRIENDS
Nick está prestes a cancelar o encontro com Imogen quando ela revela que seu cachorro morreu, e Nick volta atrás em seu plano ( de não se encontrar com ela) por simpatia. Charlie convida Nick para sua festa de aniversário em um fliperama, que acontece no mesmo dia do encontro de Nick com Imogen. Todavia, Nick decide passar um tempo com Charlie. Lá no fliperama, Tao decide contar a Charlie sobre sua espionagem (sem querer depois do jogo). Nick ouve Tao contando o encontro que aconteceria entre ele e Imogen. Depois, esclarecendo a verdade para Charlie antes de admitir explicitamente seus sentimentos por ele, ao que Charlie retribui. No dia seguinte, Nick se encontra com Imogen e explica que não gosta dela romanticamente, mas como amiga. Imogen diz que entende e eles continuam amigos.
6. GIRLS
Nick faz pesquisas na internet, responde questionários em sites, e acha que pode ser bissexual; Charlie diz a ele tem o tempo que quiser, que não se apresse, mas Nick se assume para Tara e Darcy, que de cara sugerem um encontro duplo. Depois que Elle revela que tem sentimentos por Tao, o grupo secretamente faz um encontro triplo, na esperança de aproximar Elle e Tao. No encontro, Elle percebe suas intenções e os confronta, dizendo que não quer mais mudanças em sua vida e quer proteger sua amizade com Tao, embora esteja feliz com Nick e Charlie. Nesse dia, há um concerto orquestral que une as duas escolas: Truham e Higgs; Tara sai com raiva por causa de comentários homofóbicos de algumas meninas da orquestra, e Darcy a segue. Elas acabem ficando presas numa sala que só abre pelo lado de fora, Charlie e Nick percebem o desaparecimento delas e saem correndo para procurá-las, abrem a porta, Eles se abraçam e voltam bem a tempo para a apresentação.
7. BULLY
Nick convida Charlie para o cinema com seus amigos, mas é inesperadamente recebido por Harry e Ben, que supostamente não foram convidados, e intimidam Charlie. Uma discussão culmina com Charlie sendo chamado de bicha e Nick lutando contra Harry. No estacionamento, Ben se aproxima de Charlie e afirma que Nick não se importa com ele para, que Nick não tem sentimento nenhum por ele, só para fazê-lo se sentir mal, para magoá-lo ainda mais. Tao se sente culpado por piorar involuntariamente a situação de Charlie atacando Harry verbalmente, mas como Charlie continua a ignorá-lo, ele briga com Harry e confronta Charlie por não ter contado a ele sobre seu relacionamento com Nick.
8. BOYFRIEND
Harry é suspenso pela luta e a amizade de Charlie com Tao ainda está tensa. Deprimido, Charlie abandona o rugby e ignora Nick. Tao e Nick conversam e descobrem que querem que Charlie seja feliz. Tao se reconcilia com Charlie, que também confronta Ben por ser desagradável. Nick explica em particular para Charlie que ter conhecido ele mudou sua vida e pede para não terminar, e eles se beijam. Em um encontro à beira-mar, Nick revela seu plano de se assumir e declarar publicamente seu relacionamento, o que deixa Charlie muito feliz. Mais tarde naquele dia, ele se assume para sua mãe Sarah, que aceita sua suposta bissexualidade. (WP).
❤️💖❤️
ELENCO
Kit Connor como Nicholas "Nick" Nelson, um popular jogador de rugby do 11º ano da Truham Grammar School sentado ao lado de Charlie na aula de forma.
Joe Locke como Charles "Charlie" Spring, um estudante do 10º ano da Truham Grammar School que foi recentemente revelado.
William Gao como Tao Xu, o melhor amigo protetor de Charlie.
Yasmin Finney como Elle Argent, amiga de Charlie e Tao que se transferiu para Harvey Greene Grammar School for Girls (apelidada de Higgs) depois de se assumir como transgênero.
Corinna Brown como Tara Jones, uma estudante de Higgs que faz amizade com Elle Argent.
Kizzy Edgell como Darcy Olsson, namorada de Tara e amiga de Elle.
Tobie Donovan como Isaac Henderson, um membro introvertido do grupo de amigos de Charlie, Tao e Elle.
Jenny Walser como Victoria "Tori" Spring, irmã mais velha de Charlie.
Sebastian Croft como Benjamin "Ben" Hope, o primeiro namorado de Charlie.
Cormac Hyde-Corrin como Harry Greene, um garoto popular no time de Rugby que é um valentão.
Rhea Norwood como Imogen Heaney, uma das amigas de Nick de Higgs, que tem uma queda por Nick.
Fisayo Akinade como Mr Ajayi, um professor de arte que cuida de Charlie.
Chetna Pandya como treinadora Singh, professora de educação física e treinadora de rugby que cuida de Charlie.
Stephen Fry como a voz do diretor Barnes, o diretor da Truham Grammar School
Olivia Colman como Sarah Nelson, mãe de Nick.
Visitando a Wikipédia podemos encontrar todos eles!
Kit Connor as Nicholas "Nick" Nelson, a popular year 11 rugby player at Truham Grammar School seated next to Charlie in form class Joe Locke as Charles "Charlie" Spring, a year 10 student at Truham Grammar School who was recently outed William Gao as Tao Xu, Charlie's protective best friend Yasmin Finney as Elle Argent, Charlie and Tao's friend who transferred to Harvey Greene Grammar School for Girls (nicknamed Higgs) after coming out as transgender Corinna Brown as Tara Jones, a Higgs student who befriends Elle Kizzy Edgell as Darcy Olsson, Tara's girlfriend and a friend of Elle’s Tobie Donovan as Isaac Henderson, an introverted member of Charlie, Tao, and Elle's friend group Jenny Walser as Victoria "Tori" Spring, Charlie's older sister Sebastian Croft as Benjamin "Ben" Hope, Charlie's first boyfriend Cormac Hyde-Corrin as Harry Greene, a popular boy on the Rugby team who is a bully Rhea Norwood as Imogen Heaney, one of Nick’s friends from Higgs, who has a crush on Nick Fisayo Akinade as Mr Ajayi, an art teacher who looks out for Charlie Chetna Pandya as Coach Singh, a P.E teacher and the Rugby Coach who looks out for Charlie Stephen Fry as the voice of Headmaster Barnes, the Headteacher of Truham Grammar School Olivia Colman as Sarah Nelson, Nick's mother.
Kit Connor – Nick Nelson Joe Locke – Charlie Spring William Gao – Tao Xu Yasmin Finney – Elle Argent Corinna Brown – Tara Jones Kizzy Edgell – Darcy Olson Tobie Donovan – Isaac Henderson Jenny Walser – Tori Spring Sebastian Croft – Ben Hope Cormac Hyde-Corrin – Harry Greene Rhea Norwood – Imogen Heaney Fisayo Akinade – Mr Ajayi (art teacher) Chetna Pandya – Coach Singh Olivia Colman – Sarah Nelson (Nick’s Mother) Georgina Rich – Jane (Charlie’s Mother) Joseph Balderrama – Julio Spring (Charlie’s Father)
Normalmente parece que toda produção voltada ao público adolescente, ao menos no mainstream, precisa pesar a mão na hora de retratar suas angústias, dramas, suas dúvidas, inseguranças e seu cotidiano com a desculpa de buscar um retrato realista da juventude.
E quando a trama ainda apresenta um teor ligado ao público LGBTQIA+, a carga geralmente é ainda maior.
Não sei ao certo se usam esse pretexto para, como se diz coloquialmente, “tirar o corpo fora” se eximir, tornar(-se) isento; dispensar(-se), desobrigar(-se), com a situação, ou sua explicação ou para afirmar peremptoriamente que “esse tipo de pessoa” é produto de uma família desajustada, que fala obscenidades, uma constelação familiar indecorosa, escabrosa, antimoral, vergonhosa. De um agrupamento de parentes que são contrário à decência e ao pudor. De uma comunidade ou vizinhança, indecente, corrupta, impudica, depravada, despudorada, devassa, escandalosa, enfim de indivíduos lascivos, libertinos, vivendo num mundo libidinoso, licencioso, pervertido, um tipo safado, quase uma escória da sociedade. Ou ainda por pouca pesquisa fundamentada, o que não condiz com autores de livros e com as muitas expertise e especialidades que assessoram, escrevem, dirigem e produzem os filmes. Seria por ingenuidade? Seria talvez por discriminação pura e simples? Não quero crer nessa explicação. Talvez então por má-fé, ou por preconceito, onde então deixariam ver suas crenças arraigadas, do tipo: vejam é nesse ambiente que surge, vive e se propaga esse “tipo”, são esses comportamentos que geram essas pessoas, sugerindo subliminarmente que uma higiene societal possa então livrar o mundo desse “empecilho”.
Como via de regra o mundo apresentado e onde essas histórias e personagens surgem são escuros, desregrados, decadentes, sujos, sem cores vibrantes, sem nada que indique alegria ou luminosidade, nada que indique humanidade… Não sei em qual explicação acreditar. Difícil saber.
Dito isso, é revigorante a chegada de Heartstopper ao catálogo da Netflix, que chega mostrando que histórias assim podem trazer todos estes problemas, mas de uma maneira saudável e otimista.
Novamente aqui, encontramos uma volta a desse mundo caótico. Desta vez, pelo voz do articulista. Ele salienta que, embora não estejam nas cenas, nem na história original, no livro, nas HQs, de onde essas histórias foram retiradas, isso não significa que o mundo que produziu tais personagens, não seja imundo, decadente, corrupto e depravado, em síntese, um mundo que não pertence e não tem nada a ver com a heteronormatividade. Longe disso. Mas que mesmo trazendo esses “problemas”, eles são edulcorados, aromatizados, coloridos artificialmente, de forma que se torne um atrativo ao universo que importa, i.e., o mundo heteroafetivo, da heyeronormalidade. De forma que se torne edificante saudável e otimista. Note a palavra “saudável”. Ele quer dizer: de forma boa, benigna, salutar, aprazível, afável, até aprazível. Mas mesmo vendo isso, essas histórias saíram de um mundo malsão, enfermo, mórbido, morboso, pestífero, molesto, deletério, mazelado, doentio, morbígeno. Que depuradas, são saudáveis e otimistas.
Claro que todos aqueles clichês de séries teen estão presentes: A trama mostra o meigo Charlie (Joe Locke) e o astro do rúgbi Nick (Kit Connor) se conhecendo no colégio. Mas logo essa amizade improvável começa a se transformar em romance. A partir daí, a dupla e seu círculo de amigos precisam encarar essa jornada de autodescoberta e aceitação, apoiando uns aos outros e aprendendo a ser eles mesmos.
A produção, uma adaptação quase que literal da graphic novel homônima de Alice Oseman, se mostra uma grata surpresa ao levantar temas como bullying e aceitação dentro de um formato convidativo, gentil e quase que didático (mas sem cair na pieguice). E tudo isso servindo como complemento de uma verdadeira história de amor, onde o público acaba sendo fisgado pela mensagem que a vida pode num primeiro momento se mostrar temerosa quando você não se encaixa no que a maioria da sociedade diz ser o normal, mas no fim ela pode se tornar gratificante e acolhedora.
(??????????)
Mas nada disso se sustentaria se não fosse a monstruosa química entre Joe e Kit, os astros de Heartstopper. A dupla entregou um casal de protagonistas extremamente apaixonante e que encanta toda vez que preenchem a tela. Enquanto Locke, em seu primeiro trabalho na televisão, apresenta um Charlie todo inseguro e tímido por meio de sorrisos contidos, Connor faz de Nick encantador, um verdadeiro príncipe que, mesmo confuso com seus sentimentos num primeiro momento, acaba optando por sempre agir pelo certo.
Além disso, ambos são rodeados de personagens tão interessantes que potencializam a narrativa. Tao e Elle, os melhores amigos de Charlie e que são respectivamente interpretados por William Gao e Yasmin Finney, formam uma rede de proteção e alento ao jovem, uma vez que também passaram por dilemas como o bullying sofrido por Tao e a transição de Elle para uma mulher trans, o que a obrigou a trocar de colégio.
Um outro ponto positivo é a agradável participação surpresa da premiadíssima Olivia Colman no papel de Sarah Nelson, a mãe de Nick. A atriz tem pouco tempo de tela, mas traz em seus olhos todo o acolhimento e cumplicidade que é exigido diante das situações.
Para não falar só bem da série, a única ressalva aqui seria as (curtas) participações de Tobie Donovan na pele de Isaac e de Jenny Walser como Tori. O amigo calado de Charlie e a irmã mais velha do garoto bem que poderiam ter mais tempo de tela, mas nada que um segundo ano não possa resolver. Até mesmo um aprofundamento na jornada do “vilão” Ben (interpretado por Sebastian Croft) seria bem-vindo.
Então é possível uma segunda temporada? Honestamente, seria um crime da Netflix desperdiçar um universo de personagens tão bem apresentados e um elenco tão diverso e cativante. É sabido que há mais histórias a cerca de Charlie e Nick, então uma obra assim tem todo o potencial de se expandir e ganhar futuras sequências.
Em suma… Heartstopper é sobre o amor em sua mais pura essência e em suas diversas ramificações, sem amarras e parâmetros. É sobre se aceitar, celebrar o diferente e mostra que produções LGBTQIA+ podem trazer doçura, carinho e entendimento. Um verdadeiro encontro irresistível e necessário.
A série britânica "Heartstopper" é o que pode ser chamado de case de sucesso. Em sua semana de estreia foi vista por 14,5 milhões de horas, segundo a Netflix, e alcançou a sétima posição entre as séries de língua inglesa mais vistas na plataforma. Além disso, obteve 100% de críticas positivas da imprensa especializada e 99% do público em geral no site "Rotten Tomatoes".
E como em todo bom hit, é possível identificar alguns fatores que fizeram o romance entre os adolescentes Charlie (Joe Locke) e Nick (Kit Connor), e seu diverso grupo de amigos e amigas (diverso como en todo grupo real), caírem nas graças da audiência. Uma história de amor possível de ser real, ausência de panfletagem e ativismo, mostra a força das meninas, clima luminoso, atores jovens, aproximação da estética do HQ, e “feel good movies”.
Uma história de amor para toda família
Se em 2018 o longa "Com Amor Simon" foi considerado um marco por ser um filme de temática gay para todos os públicos, "Heartstopper" leva este conceito para muito mais além. Ainda que a trama central se concentre entre dois jovens homens, outras letrinhas são representadas, com histórias sobre bissexualidade e identidade de gênero. Tudo com uma sensibilidade e leveza poucas vezes vistas nas produções audiovisuais.
Nada de textão
Ferramenta importante na luta por direitos, os conteúdos mais panfletários, densos e extensos acabam muitas vezes sendo incorporados às produções, o que pode gerar um afastamento do público. Não é o que acontece na série, que aborda, inclusive, questões pesadas da comunidade LGBTQIA+ como bullying e transfobia de forma sutil e leve mas não menos potente.
Girl Power
Um movimento muito interessante dos oito episódios da série é a boa distribuição de tela entre os protagonistas e coadjuvantes. As histórias paralelas não ficam em segundo plano, o que faz com que tanto o romance lésbico quanto a trama da jovem trans sejam bem apresentados. Destaque também para as participações da superpremiada Olivia Colman como a mãe de Nick e Jenny Walser, que interpreta a irmã de Charlie.
Jovens que são jovens de verdade
Com 27 temporadas, a novela brasileira "Malhação" era motivo de piada constante por seus protagonistas colegiais de quase 30 anos. O mesmo acontece em muitas tramas adolescentes internacionais, mas não em "Heartstopper": grande parte do elenco tinha entre 17 e 18 anos durante as filmagens, praticamente a mesma idade dos personagens. Essa escolha que pode parecer óbvia ou desimportante faz muita diferença, pois adiciona à trama um grau de fofura significativa, com jovens um tanto desengonçados e que não sabem muito disfarçar as emoções.
Inglaterra solar, quadrinhos e boa música
Grande parte das tramas que se passam no Reino Unido tendem a seguir o clima do local, sempre muito nublado e chuvoso. Já na série a escolha é muito mais solar, com uso de tons leves e iluminados. Os efeitos de quadrinhos, inspirados no HQ escrito por Alice Oseman que originou a série, dão também um toque todo especial. A cereja do bolo, claro, é a trilha sonora composta por canções de bandas alternativas como Peace, Baby Queen, Rina Sawayama, CHVRCHES e Dayglow.
Para se sentir bem
Existe uma categoria no cinema chamada "Feel-good Movies", que em uma tradução livre significa "Filmes para se sentir bem". "Heartstopper" é uma série para se sentir bem, muito por conta dos fatores citados acima. No campo LGBTQIA+, onde a maioria das produções são muito dramáticas e tristes, é possível dizer que a série faz uma pequena revolução e pode fazer ainda mais. Alice Oseman, que além de criar o material original roteirizou a série, afirmou ao site Radio Times que o desejo é contar com quatro temporadas, dando assim ainda mais espaço para nos apaixonarmos por todos os personagens e suas histórias.
"Heartstopper", da Netflix, é clichê do primeiro ao último episódio. É um romance que, se fosse protagonizado por um garoto e uma garota, pouco teria a acrescentar, mas, por tratar da paixão de dois rapazes, encontra originalidade.
Quantas vezes as telas já foram tomadas pela garota que se esconde na biblioteca para ter paz e de repente se apaixona pelo garoto que é a estrela do time de futebol da escola?
"Heartstopper" não é diferente. Charlie sofre bullying por ter sido tirado à força do armário, e assumido por isso, sua sexualidade. Assim, por ser abertamente gay sofre pesado bullying quase que diariamente.
Às escondidas, ele mantém uma relação secreta com um colega, homofóbico e casca grossa chamado Ben. Ben, que faz parte do grupo dos jogadores de rúgbi homofóbicos e que finge ter uma namorada. (Modif. Martins, 2022)
Eis que, depois de uma briga com Ben, Charlie conhece Nick, que também faz parte do time de rúgbi, mas curiosamente não é homofóbico. Entre um trabalho em grupo e uma mensagem escrita e reescrita dez vezes antes de ser enviada, eles se apaixonam.
Nick ainda não sabe se gosta de garotos. Depois de descobrir a resposta, passa a se perguntar se é gay ou bissexual. Ciente de que nada disso importa, no entanto, logo se deixa levar pela paixão e começa a namorar Charlie.
É a partir daí que os clichês dão espaço para a originalidade. Se já é difícil apresentar à família um namorado que não corresponde aos padrões esperados, apresentar um companheiro do mesmo sexo é mais difícil ainda, o que em "Heartstopper" representa a oportunidade de ver na tela conflitos diferentes dos que estamos cansados de ver.
Enquanto em “Grease” e em “High School Musical” os galãs se questionavam se podiam cantar, com medo de manchar a reputação, em “Heartstopper” o conflito é mais profundo.
É uma avaliação que pode parecer exagerada, já que a comunidade LGBTQIA+ tem sido vista em quase toda produção recente de Hollywood. Se avaliarmos tais obras a fundo, no entanto, veremos que é um tratamento superficial e estereotipado, já que em geral seus dilemas, questionamentos e modelos, são relegados a pano de fundo, e não se desenvolvem, como se o expectador fosse inteligente e empático o suficiente para se colocar no lugar do outro e tentar entender todo o peso de um modo de vida herdado que ninguém sabe de onde nem como, mas que gera no outro terror e violência. (Modif. Martins, 2022)
Embalada por uma paleta ultracolorida, “Heartstopper” é uma comédia romântica, isto é, de final feliz, sem nenhuma grande tragédia, outro destino comum para gays na ficção, só que centrada no romance homossexual.
É ainda, e talvez isso seja mais importante, distribuída no circuito mainstream, dentro de uma plataforma de streaming que chega a qualquer casa, até mesmo de uma cidade interiorana onde filmes como “Me Chame pelo Seu Nome” não chegaram ou onde nem sequer há salas de cinema.
Por mais que não seja a primeira história com esse propósito, a série, baseada nos quadrinhos de sua roteirista, Alice Oseman, encontra poucos paralelos na indústria audiovisual. Nos cinemas, “Com Amor, Simon”, que estreou em 2018, é até hoje o único filme de um grande estúdio com a mesma proposta.
O sucesso de “Heartstopper” nas redes sociais, sobretudo no Twitter, onde se tornou o seriado mais comentado da semana, reflete a carência do público por histórias com representatividade de verdade.
Reflete ainda um atraso. Não é preciso voltar muitas páginas do calendário. Qualquer jovem gay de 20 e poucos anos nunca se viu representado nas telas durante a adolescência, assim como qualquer jovem lésbica ou bissexual ainda não se vê, já que, para elas, não existe nenhum Simon ou um Charlie.
A série recebeu muitos elogios da crítica. O site agregador de críticas “Rotten Tomatoes” relatou um índice de aprovação de 100% com uma classificação média de 8.4/10, com base em 17 críticas.
O consenso dos críticos do site diz: “Um romance inclusivo contado com sensibilidade impressionante, Heartstopper é tão encantador que os espectadores não ousam pular um episódio (uma batida).”
O Metacritic, que usa uma média ponderada, atribuiu uma pontuação de 83 em 100, baseado em 7 críticas, indicando “aclamação universal”.
Revisando a série para o The Guardian, Rebecca Nicholson deu uma classificação de 4/5 e disse: “Heartstopper pode não cumprir a promessa dramática de seu título, mas esse adorável romance adolescente é no mínimo mais emocionante”.
Saloni Gajjar do The A.V. Club deu à série um A- e disse: “Felizmente, Heartstopper subverte noções, mantendo seu protagonista orgulhosamente gay: é o interesse amoroso que tem que resolver seus sentimentos inesperados, e não o contrário. A atração de Nick por Charlie o pega de surpresa (mas não desdém).”
David Opie, do Digital Spy, deu uma classificação de 5/5 e disse: “Heartstopper centra o amor queer, afirmando os sentimentos dos jovens assistindo que podem estar inseguros ou com medo de falar sua verdade.” (WP)
Nick Nelson e Charlie Spring protagonizam um casal gay adolescente.
“Não quero me separar. Eu sei que as pessoas te machucaram. E você sente que eu estaria melhor sem você, mas… eu preciso que você saiba que minha vida é muito melhor porque eu te conheci.” “Você não precisa dizer isso.” "Eu digo. E vou continuar dizendo isso até que você acredite em mim. Olha, eu não me importo em entrar em brigas ou irritar meus amigos ou qualquer coisa assim. Tudo vale a pena para estar com você. Você é a pessoa mais gentil, atenciosa, carinhosa e incrível do mundo inteiro, e se você realmente quer terminar, eu respeitarei sua decisão, mas quero que fiquemos juntos”. "Nick." “Você é minha pessoa favorita, preciso que acredite em mim.” Char: "Nick. Eu acredito em você. Eu acredito em você."
“I don’t want to break up. I know people have hurt you. And you feel like I’d be better off without you, but… I need you to know that my life is way better because I met you.” “You don’t have to say that.” “I do. And I’ll keep on saying it until you believe me. Look, I don’t care about getting into fights or pissing off my mates or anything like that. It’s all worth it to be with you. You are the kindest, most thoughtful and caring and amazing person in the whole world, and if you really want to break up, then I would respect your decision, but I want us to be together.” “Nick.” “You’re my favorite person, I need you to believe me.” “Nick. I believe you. I believe you.”
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