INÍCIO

20 março 2022

EQUINÓCIO DE OUTONO


EQUINÓCIO DE OUTONO
OU 


Equinócio é um termo astronômico, que é definido como o instante em que o Sol, em seu caminho na eclíptica, (sua órbita aparente) como visto da Terra, cruza o equador celeste. O equador celeste é a linha do equador terrestre projetada na esfera celeste.

O Sol só estará sobre nossas cabeças ao meio-dia se estivermos entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio (incluindo essas duas linhas imaginárias) e, mesmo assim, em determinadas datas. Contudo, curiosamente, neste exato momento, não importando a hora do dia em que você esteja lendo este texto, em algum ponto da Terra entre os trópicos, o Sol está a pino (no zênite). Isso ocorre porque, sendo a Terra esférica e os raios solares paralelos, sempre haverá um ponto em nosso planeta onde a incidência da luz do Sol é vertical. Dito isto, chegamos a conclusão de que no dia do equinócio o sol estará a pino na linha do equador e inclinado em todos os outros pontos do planeta. 

O Equinócio Vernal dá-se por volta do dia 21 de março, marcando o início da Primavera no hemisfério norte do planeta e o outono no hemisfério sul, assim como o Equinócio Outonal que dá-se por volta dos dias 22 e 23 de Setembro, marcando a entrada do outono no hemisfério norte e a primavera no hemisfério sul.

Simulação dos equinócios e solstícios. 
(gf)

O Sol cruza o equador celeste nos chamados equinócios: equinócios de Primavera e de Outono. 

No seu ponto mais baixo durante o ano o Sol está a 23.5º acima do equador i.e., Solstício de Inverno, e no seu ponto mais alto está 23.5º abaixo do equador i.e., Solstício de Verão, isso no hemisfério sul. Hoje o Sol na eclíptica interceptou o equador celeste no ponto vernal (à zero grau, na constelação de Peixes).

É este movimento que é responsável pela existência das estações e também pelo fato de o Sol bater em diferentes momentos do ano num ou doutro lado da sua casa. 

No meu caso, por exemplo, minha casa está quase alinhada L-O. O Sol nasce na janela do meu quarto passa pela janela da dá-la e se põe à oeste na janela do escritório. Ao longo de todo ano tenho raios de Sol entrando em casa. Todavia, nos meses de inverno quando o sol passa pelo meridiano o tamanho da área iluminada é relativamente maior. Isso se dá porque o sol está no hemisfério norte, i.e., sua altura no céu ao meio dia é menor em relação ao horizonte. 

Equinócios e solstícios. 

Simulação dos equinócios e solstícios terrestres. 


Solstício e equinócios então são fenômenos celestes ou astronômicos, que estão relacionados com o início de cada uma das quatro estações do ano em nosso planeta. Para mim que moro na região sul (sul do Brasil) as estações são bem pronunciadas. 

Como o sol em seu novembro parente no céu ao longo do ano, cruza duas vezes pelo equador celeste, isso faz com que ocorram dois equinócios: o equinócio de primavera e o equinócio de outono e dois solstícios, o solstício de verão e o solstício de inverno.

Tanto os solstícios como os equinócios acontecem em consequência do eixo de rotação da Terra ser inclinado 23,5° em relação ao plano da eclíptica. 
E como o eixo da Terra aponta sempre para a Estela polar (α UMi, α Ursae Minoris, Alpha Ursae Minoris, comumente chamada de Estrela do Norte ou Estrela Polar, polo norte celeste) e para estrela sigma do Oitante (σ Octans, no polo sul celeste), o deslocamento faz com que os diferentes hemisférios sejam iluminados de forma desigual ao logo dos 365 dias. 

À medida que a Terra ao se deslocar em sua órbita e como o seu eixo é inclinado, um hemisfério recebe mais luz e calor do Sol do que o outro hemisfério no verão. 

Em dezembro, no hemisfério sul da Terra, em virtude da inclinação do eixo do planeta, é este hemisfério que recebe mais luz e calor.  É quando acontece o solstício de verão, no primeiro dia da estação mais quente do ano, dia 21 de dezembro. neste dia o sol está a pino na cidade de São Paulo. Essa é a distância máxima q o Sol pode chegar ao sul. E aí está o trópico de Capricórnio. 

O oposto está acontecendo com o hemisfério norte, nesse mesmo momento, em dezembro. A  posição do planeta Terra em sua órbita deixa esse hemisfério inclinado mais afastado do sol. É o primeiro dia do inverno, i.e., o solstício de inverno. 


AEQUINOX

Há épocas do ano em que tanto o hemisfério sul e o hemisfério morte recebem a mesma quantidade de luz do sol. É quando acontecem os equinócios. Por esse motivo, no dia dos equinócio o dia e a noite têm a mesma duração.


Movimento da Terra ao redor do Sol e suas posições nos equinócios e solstícios para o hemisfério sul (Bedaque & Bretones, 2020) (esquema feito por mim segundo diversas fontes)

A palavra equinócio vem do latim, aequinoctium, aequus, igual e nox, noite, e significa "noites iguais", ocasiões em que o dia e a noite tem a mesma duração. Ao medir-se a duração do dia, considera-se que o nascer do sol (alvorada, aurora) é o instante em que metade do círculo solar está acima do horizonte, e o pôr do sol (crepúsculo ou ocaso) o instante em que o círculo solar está metade abaixo do horizonte. Com esta definição, o dia e a noite durante os equinócios têm igualmente 12 horas de duração.

Depois do dia em que acontece o equinócio de outono, o número de horas com luz, i.e., os dias vão diminuindo e as noites vão aumentando, até chegar ao dia em que acontece o solstício de inverno, que é a noite mais longa do ano. A partir desse dia os dias vão aumentando até chegar a primavera, onde as horas de luz (dia) são iguais as horas sem luz (noite). E continuam aumentando até o solstício de verão. 

Movimento da Terra ao redor do Sol e sua posição nos equinócios e solstícios para o hemisfério sul.

Afélio e periélio da Terra para 2022. 
(OAL

No solstício de verão o número de horas com luz (dia) é maior do que o número de horas sem luz (noite). Depois dessa data, a noite começa a aumentar dia após dia até ficarem com a mesma duração novamente.

Assim, quando no hemisfério sul acontece o equinócio de outono, no hemisfério norte acontece o equinócio de primavera.


Diferença entre solstício e equinócio

O solstício e o equinócio são fenômenos astronômicos que dão início às estações do ano. 

Enquanto o solstício acontece em junho e em dezembro, dando início ao inverno e ao verão, respectivamente, o equinócio acontece em março e em setembro, dando início ao outono e à primavera respectivamente.

Como a Terra possui um eixo de inclinação em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol, as datas em que esses fenômenos ocorrem são invertidas nos dois hemisférios. Por exemplo, quando é Equinócio de Outono no Hemisfério Sul, será Equinócio de Primavera no Hemisfério Norte. O mesmo é válido para as ocasiões em que ocorrem os Solstícios.

Posição do sol durante os equinócios. 

Posição do nascer do sol durante os solstícios. 

Isso acontece porque no solstício de verão, o eixo da Terra está virado para o Sol, por isso, está mais quente, e começa o verão. 

No solstício de inverno, o eixo da Terra está mais afastado do Sol do que em qualquer outro dia do ano, por isso, está mais frio, e começa o inverno.



Nos equinócios, a inclinação do eixo da Terra faz com que ambos hemisférios recebam a mesma quantidade de luz pois o eixo está inclinado lateralmente; assim, os a duração do dia e da noite é igual. 



Por esse motivo, os dois hemisférios recebem a mesma proporção de luz do sol. No equinócio de primavera começa a primavera, e no equinócio de outono inicia o outono.




















OUTRAS FONTES E LEITURAS 


SIGNIFICADO DO EQUINÓCIO NO TEMPO
(Textos retirados da internet) 

YULE
Quem disse que o dia mais curto do ano não pode ser celebrado? Em algumas partes do mundo, durante o Solstício de Inverno do Hemisfério Norte, festeja-se o Yule, também conhecido como Festival das Luzes. Nessa tradição, de origem germânica/escandinava, os participantes comemoram o início do inverno acendendo velas, fogueiras e tochas, em homenagem ao começo de um novo ciclo! (UFMG)

MABON
Durante o Equinócio de Outono, em certas regiões do planeta, determinadas culturas celebram o Mabon, conhecido por ser uma homenagem aos alimentos colhidos durante a estação. De acordo com os costumes, esse é o momento de agradecer pela fartura frente ao inverno que está por vir.


Esfinge


Tais eventos foram muito bem observados por várias culturas e civilizações antigas que deram a esse fenômeno uma importância muito especial, como momentos preciosos para integrar-se com as forças da natureza e do cosmos. Esta tamanha importância é vista  pelos numerosos monumentos e construções erguidas com sincronia matemática em relação as características dos equinócios.
A grande esfinge Egípcia por exemplo foi deixada de forma que seu olhar direciona-se para a posição do sol nascente quando está no equinócio de primavera. Seu corpo de Leão associa-se ao signo que representa o próprio sol, o astro rei dos céus.

Stonehenge




Os monumentos celtas de Stonehenge e Newgrange apresentam engenharia alinhada com a projeção do Sol no ponto do equinócio vernal, representando que o Sol (princípio masculino) fecunda a Terra (princípio feminino) trazendo vida em abundância.

Kukulcan



A pirâmide maia de Kukulcán possui suas faces alinhadas com os pontos cardeais. Durante os equinócios de primavera e outono, grandes esculturas de serpentes emplumadas que guarnecem a escadaria Norte, criam sombras que parecem mover-se dando a sensação de estarem vivas.
Muitos outros povos como os Sumérios e Babilônios aproveitavam estes momentos do início e final de cada estação para realizar cerimônias de agradecimento as divindades por tudo o que lhe era concedido, em especial em relação aos alimentos e a agricultura, base para a sobrevivência e prosperidade do povo.

Semelhantemente a cultura Judaica em sua tradição Birkat Hahama afirma que Deus criou o Sol ao quarto dia colocando-o no céu no equinócio de primavera. Este dia é considerado importante para as criaturas abençoarem a Deus por suas obras.

Culturas mediterrâneas celebravam a entrada da primavera como o retorno de Perséfone, que antes disso permanecia com Hades no submundo (as trevas). Sua volta representa o retorno da fertilidade da natureza para a renovação de todas as coisas. Perséfone é a deusa das ervas, das flores, frutos e perfumes, foi também chamada de Karpophoros, que em grego significa frutífera, e Praxidikê, que significa executora da justiça. Isso significa que a mesma força que vêm para fazer as coisas frutificarem vêm também para dar uma oportunidade à humanidade de acertar as contas ou karmas pendentes. O momento preciso dos equinócios representa também quando a balança encontra-se no ponto de equidade (gnose).

Texto da super interessante 

É possível ao homem enxergar, a olho nu, uma divindade? Para os maias, a resposta era sim. Nos dias dos equinócios de primavera e de outono, o próprio deus Kukulkan se fazia visível por um instante, sob a forma de uma cobra. Seu surgimento era o ponto alto de complexos e sangrentos rituais que os sacerdotes conduziam entre os séculos 10 e 13 d.C. na cidade de Chichén Itzá, com o objetivo de agradecer o auxílio do deus ou de pedir sua proteção para campanhas militares. Hoje a civilização maia desapareceu, mas Kukulkan continua visitando Chichén Itzá. E não há nada de sobrenatural. No momento do equinócio, a luz do Sol incide sobre a balaustrada da principal escadaria de um templo em forma de pirâmide dedicado ao deus. O ângulo dos raios solares faz com que se projetem sobre a face sul do templo as sombras contíguas de sete triângulos isósceles, e o resultado é uma única sombra contígua com 33 m de extensão, que se liga a uma cabeça de cobra esculpida em pedra.

A combinação de conhecimento arquitetônico, matemático, geométrico e astronômico com devoção religiosa não era exclusividade maia. Na verdade, os arqueólogos encontraram tantos exemplos em culturas da Pré-História, da Antiguidade e da América Pré-Colombiana que acabaram criando uma área específica. Mas o maior legado da arqueoastronomia, que é o estudo da cultura astronômica dos povos do passado, parece consistir em mudar as idéias que temos sobre nossos ancestrais. (super)

O círculo de pedras de Stonehenge, na região de Salisbury, no sul da Inglaterra, é o mais famoso monumento arqueoastronômico do mundo. O lugar foi concebido de tal forma que um observador em seu interior poderia determinar, com bastante exatidão, a ocorrência de datas significativas como os solstícios e equinócios, eventos celestes que anunciam as mudanças de estação. Para isso, bastaria que se posicionasse adequadamente entre os mais de 70 blocos de arenito que o compunham e observasse na direção certa.

A descoberta do significado astronômico dos alinhamentos das pedras, feita nos anos 1960, surpreendeu os arqueólogos ao mostrar o grau de conhecimento que possuíam os povos neolíticos que iniciaram a construção de Stonehenge quase 3 mil anos antes de Cristo.

Astronomia oral
Qual a origem do interesse do homem pré-histórico pelo movimento dos astros? Alguns teóricos apostam no surgimento das primeiras sociedades agrícolas, que aconteceu há cerca de 10 mil anos. "A vida dos povos agrícolas está ligada ao ciclo das estações. O homem pré-histórico precisava demarcar o tempo para saber quais eram as melhores épocas para colheita e semeadura, e a observação do céu nasce daí", explica o historiador Johnni Langer, estudioso de monumentos arqueoastronômicos .

Se a observação do Sol ajudava a identificar a mudança das estações, a da Lua era igualmente importante, pois suas fases exercem grande influência em vários eventos naturais, ligados ou não ao crescimento de plantas (acredita-se que na Pré-História até a menstruação das mulheres acompanharia o ciclo lunar).

Uma ferramenta de osso encontrada num abrigo na região da Dordogne, na Franca, é apontada como evidência de que o homem já registrava as fases da Lua 30 mil anos atrás. Ou seja, os construtores de Stonehenge eram na verdade os herdeiros de muitos milhares de anos de observação e registro da movimentação dos astros.

Igualmente espantoso é pensar que toda a acumulação e transmissão dessas informações, num processo que levou gerações, foi feito por povos que não conheciam a escrita. "Para nós isso parece surpreendente, mas basta lembrar que todo o sofisticado saber náutico e astronômico dos vikings (que viveram entre os séculos 7 e 10 d.C.) era transmitido de forma oral", diz Langer.

divulgação
English Heritage
Templo
A partir das ruínas de Stonehenge que subsistiram (esq.), é possível imaginar qual tenha sido sua aparência original (acima)
A morada dos deuses

O uso da astronomia como ferramenta agrícola, porém, é insuficiente para explicar o percurso que leva de uma ferramenta de osso à pirâmide de Kukulkan, construída já durante a Era Cristã. Com o tempo, a observação do céu ganhou importância por outras razões.

"Acho que a astronomia se desenvolveu tanto na Antiguidade porque as pessoas estavam basicamente buscando por ordem", diz o americano David Aveni, um dos maiores especialistas em arqueoastronomia em atividade. "Nessa busca perceberam que, entre todas as partes da natureza, o céu e os seus eventos eram os mais previsíveis, os mais regulares, os mais confiáveis. O céu se tornou a morada dos deuses, e a idéia da perfeição celestial, algo que todos valorizavam, e que os levava a construir templos e pirâmides", explica.

Entenda os alinhamentos

a. Nascer do Sol no solstício de verão e Nascer do Sol no solstício de inverno 
b. Posição mais ao sul onde a Lua nasce 
c. Pôr-do-sol no solstício de inverno 
d. Posição mais ao norte onde a Lua se põe
e. Pôr-do-sol no solstício de verão 
f. Nascer do Sol no solstício de verão 
g. Nascer da Lua no equinócio 
h. Nascer do Sol no equinócio

A construção
1- A construção de Stonehenge começou por volta de 3.000 a.C. Primeiro foi cavado um fosso circular e foram cavadas 56 covas, onde se colocavam postes de madeira 
2- Entre 2950 e 2400 a.C. começaram a ser colocadas as primeiras toras de madeira em seu interior 
3- Após 2.400 chegaram as pedras. 80 blocos de 4 toneladas cada foram trazidos de uma pedreira a 32 km de distância. No interior foram colocados trilitos - dois blocos verticais e uma trave
Keystone

Ciência em cores
Ao lado, uma tabela registrando os movimentos de Vênus, que é identificado pela imagem do terrível deus Kukulkan
Em seu livro "Conversando com os Planetas", Aveni especula sobre como as mudanças observadas nos astros poderiam ter originado as figuras da mitologia. O Sol, embora sujeito a variações de intensidade luminosa, era, de todos os objetos no céu, o mais constante e mais confiável. Tamanha regularidade parece sugerir a idéia de um deus justo e sóbrio. Já a Lua era cheia de fases e mudava de aparência periodicamente. Não seria essa a indicação de uma divindade com personalidade feminina?

O fato de ambos regularmente sumirem no horizonte poderia levar à crença num mundo inferior. Um antigo texto egípcio indaga: "o que acontece no mundo inferior? O que Re (o Sol) diz às almas quando se encontra com elas todas as noites? Por que caminhos ele passa?"

Vênus, a luz mais brilhante depois do Sol e da Lua, era adorado por diversas culturas. Era chamado de Ishtar na Caldéia, Nabu na Babilônia, Kukulkan para os maias. Durante vários dias no ano, Vênus surge no céu pouco antes do nascer do Sol, e relativamente próximo a ele - como se estivesse, digamos, anunciando a chegada do astro-rei, ou da própria manhã. E entre os títulos atribuídos ao planeta na Antiguidade estavam o de Estrela da Manhã, Proclamador, Portador da Luz.

O planeta também periodicamente desaparece do céu, durante períodos que variam entre um dia e quatro semanas. Talvez por isso, mitos maias e sumérios contavam como a divindade associada a Vênus tinha feito uma viagem ao mundo inferior. O mito sumério chegava a dizer que em seu caminho para o mundo inferior, a deusa Inanna "passava por sete portões".

Como sete era o número de objetos em movimento no céu (cinco planetas visíveis, o Sol e a Lua), cada um, acreditavam os maias, situado numa concha esférica entre as estrelas, essa poderia ser a origem do total de portões que separava o firmamento do tal mundo inferior.

Planetários antigos 

O acúmulo de conhecimento astronômico e o surgimento da mitologia levaram a importantes mudanças sociais. "As pessoas que observavam os astros e registravam a passagem do tempo começaram a usar o poder sobre a observação astronômica para exercer influência social. São os primeiros sacerdotes", explica Langer. "Pela observação da Lua, eu posso fazer uma tabela de previsão de eclipses, e convencer os outros de que sou um homem poderoso", exemplifica Aveni.

O conhecimento astronômico era usado para legitimar o poder dos governantes. Uma das formas eram os rituais destinados a mostrar a ligação das elites com os deuses. Para isso são concebidos os grandes monumentos arqueoastronômicos. "Muitas vezes nós pensamos neles como observatórios, mas o mais correto é compará-los a planetários", explica Aveni. São grandes cenários, onde os grandes dramas rituais são encenados periodicamente. Essa visão explica, por exemplo, as várias referências ao calendário solar que existem na estrutura da pirâmide de Kukulkan (veja na página anterior). A pirâmide é antes um símbolo do que uma ferramenta de observação.

Brasil 

O Brasil também possui pelo menos uma estrutura arqueoastronômica. Fica em Monte Alto, no interior da Bahia, a 500 km de Salvador. São 260 blocos rochosos (há indícios de que existiram mais), agrupados a uma distância de cerca de 3 m uns dos outros, no formato de um semicírculo de aproximadamente 1 km de extensão. A sua existência foi anunciada pela primeira vez numa publicação científica brasileira em 1922, mas não despertou interesse nos centros de pesquisa arqueológica.

Em 1971 o historiador Luís Galdino resolveu ver de perto a notícia dada 50 anos antes. Encontrou o círculo lá, tal como anunciado. "Descobri também as ruínas de uma construção que diferem de tudo o que se conhece do período colonial. Acho que é obra indígena", diz. Primeiro, Galdino aventou a possibilidade de que o alinhamento se destinasse a rituais de fertilidade. Em 1996 a arqueóloga Maria Beltrão, do Museu Nacional, foi a Monte Alto acompanhada por dois pesquisadores com formação astronômica. O estudo revelou que o alinhamento tem cerca de 4 mil anos e que reproduz a disposição das estrelas entre o Grande quadrado de Pégaso e as Plêiades, numa certa data do ano. Sua função seria marcar a passagem do ano, com cada bloco de pedra sinalizando a passagem de um dia.



Um universo pulsante



Vista aérea Nazca
Algumas das linhas mais extensas e definidas podem ser vistas até em fotos de satélites. Mas o significado das grandes figuras de animais continua obscuro. 

Aveni também tem se dedicado a estudar outra famosa estrutura arqueoastronômica, as linhas de Nazca. Após estudar o posicionamento de 800 linhas em relação ao relevo da região, ele concluiu que elas derivam de certos ponto centrais (veja acima), os quais eram colinas próximas a cursos de água. Aveni crê que as linhas determinavam uma rede de trilhas no deserto, percorrida pelos antigos indígenas em rituais ligados à aquisição de água, e que talvez ocorressem quando o Sol estava em certas posições do céu durante o ano.

Essa mistura de Sol, água e ritual pode soar bizarra aos nossos ouvidos, mas aqui se encontra um ponto-chave. Para interpretar corretamente o saber astronômico dos nossos antepassados, é preciso lembrar que ele estava atrelado a uma visão de mundo muito diferente. Em seu livro, Aveni lembra que "maias, egípcios e babilônios acreditavam viver num universo animado, um ambiente interativo, pulsante. E as pessoas tinham um papel ativo a desempenhar. Elas conversavam com as estrelas, escutavam os planetas, faziam encantamentos, escutavam o oráculo. Viam-se como mediadoras de um grande discurso universal". É esse grande discurso, escrito com pedras, mitos e astronomia, que continua nos maravilhando até hoje.












Animações Astronômicas

Abaixo estão disponibilizadas alguma animações feitas para fins didáticos.

Esfera celeste 3D (MOV 12.6 MB)

Aparência da constelação de Órion devido à mudança de perspectiva (MP4 6,6 MB)

Movimento própria das estrelas de Centauro e Cruzeiro do Sul (MP4 10.4 MB)

Movimento aparente do Sol sobre a eclíptica (MP4 3.2 MB)

Movimento da Terra visto do Sol (MP4 2.1 MB)

Precessão do equinócio (movimento da Terra como um pião) (MP4 1.6 MB)

Órbita da Terra ilustrando as estações do ano (GIF 3.2 MB)

Pêndulo de Foucault no polo norte (referenciais inercial e não-inercial) (MP4 2.5 MB)

Variação da iluminação da Terra ao longo do ano (GIF 9.3 MB)

Órbita da Lua e relação com as fases (GIF 4.2 MB)

Simulação (exagerada) de oscilações Solares (GIF 1.6 MB)

Movimento do Sol em relação ao baricentro do Sistema Solar entre 1950 e 2050 (GIF 9.2 MB)

Ilustração do efeito Doppler (MOV 8.1 MB)

Movimento próprio da Estrela de Barnard em 60 anos(GIF 190 KB)

Rotação de um Pulsar e o efeito de farol (MP4 748 KB)

Animação do movimento de um sistema binário e deformação do espaço curvo (MP4 1.7 MB)

Animação de um elipsoide triaxial 3D (p.ex., uma galáxia elíptica) (GIF 4.9 MB)

(Gastão B. Lima Neto)
IAG/USP





Nenhum comentário: