INÍCIO

12 março 2022

DOIS ANOS DE PANDEMIA

DOIS ANOS DE PANDEMIA
11/III/2020
11/III/2022

O pico da variante Ômicron levou a um recorde de casos de covid-19 em todo o mundo no início desse ano (janeiro de 2022), e a queda da curva que se seguiu  a esse pico no Brasil traz o que a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) considera uma janela de oportunidade para o controle da pandemia, que completou dois anos ontem 11/março/2022.  

(Imagem: ARTE MIGALHAS)

Com menos casos e internações, diminui a pressão sobre os sistemas de saúde e crescem as chances de bloquear a transmissão do vírus e a formação de novas variantes aumentando a cobertura vacinal.

"Em um momento em que há muitas pessoas imunes à doença, se houver uma alta cobertura vacinal completa, há a possibilidade de redução do número de casos, diminuição de internações e redução de óbitos, como também se poderá bloquear a circulação do vírus", destaca o boletim do Observatório Covid-19 da Fiocruz no início de fevereiro ao prever a queda de casos confirmada nas últimas semanas.

Segundo o pesquisador Rafael Guimarães, que integra o observatório, a previsão de uma situação mais confortável, porém, ainda não significa o fim da pandemia. "A gente entende que o Brasil deve entrar em uma fase mais otimista", afirma ele.

"Temos uma redução dos casos novos, gradativamente uma descompressão do sistema de saúde, uma menor ocupação dos leitos, e a gente vai ter também uma redução dos óbitos."

Para aproveitar esse momento promissor, ele destaca que o país precisa avançar na vacinação e reduzir a desigualdade nas coberturas vacinais, que se dá tanto entre estados, como entre municípios e até entre populações dentro de cada cidade.

"O que a gente precisa pensar é que toda política pública deve ter por princípio minimizar as iniquidades que acontecerem em cada escala geográfica. 

É preciso uma política coordenada do governo federal para reduzir as iniquidades entre estados. Os estados precisam ter essa leitura para reduzir a desigualdade entre os municípios, e os municípios, para reduzir entre os bairros. E tudo isso tem que acontecer de forma coordenada."

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, ainda é difícil dizer se a queda do número de casos, proporcionada pela imunidade das vacinas somada aos anticorpos adquiridos pelas pessoas infectadas pela Ômicron recentemente, vai ser o suficiente para indicar o fim da pandemia.

Ele ressalta que a expectativa de um cenário mais positivo depende de não surgir uma nova variante de preocupação capaz de causar uma nova onda de contágio.

Citada no mundo exemplo por sua capacidade de rastreio de casos, a Coreia do Sul registrou na semana passada o maior número semanal de mortes por covid-19 desde o início da emergência sanitária, ultrapassando mil óbitos em sete dias pela primeira vez, segundo a OMS.

Até janeiro de 2021, o país não havia registrado mais de 10 mil casos de covid-19 em um único dia nenhuma vez, entretanto, em março, esse patamar diário já chegou a 300 mil. 

A situação no país asiático se agravou mesmo com 86% dos 50 milhões de coreanos vacinados com duas doses ou dose única.

A Organização Mundial da Saúde também monitora o surgimento de uma nova variante, que combina estruturas genéticas da Delta e da Ômicron, e por isso foi chamada de Deltacron. Para o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, a pandemia está longe de acabar.


Endemia requer estabilização

Os pesquisadores apontam que a transição da pandemia para a endemia depende da estabilização do número óbitos em um patamar baixo e entre em uma trajetória previsível, mesmo que haja períodos recorrentes de maior circulação, como no caso do Influenza A. 

A partir dessa estabilização, autoridades de saúde pública passam a ter condições de se programar para a demanda por atendimento.

O infectologista Júlio Croda (FIOCRUZ) reiterou a importância da vacinação contra a Covid-19, para todas as faixas etárias, e afirmou que a dose de reforço “deve ser a prioridade número um no Brasil”.

“A prioridade número um no Brasil é a dose de reforço, e lógico imunizar as crianças. 

Qualquer dose de vacina protege, duas ainda mais, três doses têm uma proteção muito elevada contra a internação e óbito”, afirmou.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro publicou em seu perfil no Twitter que o Ministério da Saúde estuda rebaixar a situação da covid-19 no Brasil para endemia, o que significa que a doença passaria a ser considerada parte do cotidiano, como outras doenças já acompanhadas pelos sistemas de saúde. 

Em nota divulgada no mesmo dia, o Ministério da Saúde confirmou que já estava adotando as medidas necessárias para reclassificar o status da covid-19 no Brasil que, atualmente, é identificado como pandemia.

O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo ressalta, no entanto, que a situação de pandemia é internacional, afeta todos os continentes, e por isso foi declarada pela Organização Mundial da Saúde

“Quem vai definir o final da pandemia não é nenhum país, é a própria OMS, que declarou a pandemia", afirma. 

"Um país pode decretar o fim do estado de emergência, tirar as medidas restritivas, suspender o uso de máscara, levantar barreiras, todavia quem declara o fim da pandemia é a OMS a partir de dados que ela monitora no mundo inteiro”, compete somente a ela essa função. 








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