INÍCIO

26 junho 2021

O MITO DE PROMETEU

O mito de Prometeu

...furtou o brilho longevisível do infatigável fogo em oca férula


Vejam-se os versos de Hesíodo, em que são introduzidos os mitos de Prometeu e Pandora em Os trabalhos e os dias:


Oculto retêm os deuses o vital para os homens; 
senão comodamente em um só dia trabalharias 
para teres por um ano, podendo em ócio ficar; 
acima da fumaça logo o leme alojarias, 
trabalhos de bois e incansáveis mulas se perderiam. 
Mas Zeus encolerizado em suas entranhas ocultou, 
Pois foi logrado por Prometeu de curvo-tramar; 
Por isso para o homens tramou tristes pesares: 
Ocultou o fogo. E de novo o bravo filho de Jápeto 
Roubou-o do tramante Zeus para os homens mortais 
Em oca férula, dissimulando-o de Zeus frui-raios. 
Então encolerizado disse o agrega-nuvens Zeus: 
“Filho de Jápeto, sobre todos hábil em tuas tramas, 
apraz-te furtar o fogo fraudando-me as entranhas; 
grande praga para ti e para os homens vindouros! 
Para esses em lugar do fogo eu darei um mal 
e todos se alegrarão no ânimo, 
mimando muito este mal.(7)



Este mal será Pandora,(8) que, sendo dotada de encantos mil, no entanto, leva aos homens o mal da curiosidade. Zeus, o “agrega-nuvens” de invencíveis desígnios, ordena a Hermes colocar neste belo corpo de mulher, “espírito de cão e dissimulada conduta”.(Cândido, s/d)


Algumas características do mito de Hermes, com efeito, já podem ser vistas aqui. Hermes é o “Mensageiro Argifonte”, “arauto dos deuses”, a quem Zeus ordena colocar em Pandora, “mentiras, sedutoras palavras e dissimulada conduta”. Hermes aparece como “ínclito Argifonte/ veloz mensageiro dos deuses”. 

Foi Hermes quem deu a este mal o nome de “Pandora, porque todos os que têm Olímpia morada deram-lhe um dom, um mal aos homens que comem pão”. 

E foi ele quem levou a Epimeteu o “presente”. Irmão de Prometeu, Epimeteu, cujo nome significa “reflexão tardia”, ou “aquele que conhece depois” em oposição a Prometeu, o previdente, aceitou o presente, abrindo, assim, o caminho para todos os males que sofrem os humanos sobre a terra. Epimeteu, pois:

...não pensou no que Prometeu lhe dissera jamais dom 
do Olímpio Zeus aceitar, mas que logo o devolvesse 
para mal nenhum nascer aos homens mortais. 
Depois de aceitar, sofrendo o mal, ele compreendeu. [Epimeteu] 
Antes vivia sobre a terra a grei dos humanos a recato dos males, dos 
difíceis trabalhos, das terríveis doenças que ao homem põem fim; 
Mas a mulher, a grande tampa do jarro alçando, 
Dispersou-os e para os homens tramou tristes pesares. ................................................................ 
Mas outros mil pesares erram entre os homens; 
plena de males, a terra, pleno, o mar; 
doenças aos homens, de dia de noite, 
vão e vêm, espontâneas, levando males aos mortais, 
em silêncio, pois o tramante Zeus a voz lhes tirou.

Com os mitos de Prometeu e Pandora, Hesíodo procura uma explicação para os incontáveis sofrimentos humanos na terra. É, nesse contexto, que Hesíodo apresentará o mito das cinco raças segundo o qual os homens que, originalmente viviam como deuses, acabam por degenerar ao estado de sofrimento em que se encontram.

Assim, durante o período da Raça de Ouro, os homens viviam como deuses, sem males, doenças, “morriam como tomados pelo sono”, tudo aí era abundante... Cobertos pela terra, tornaram-se, por Zeus, “...corajosos, ctônicos, curadores dos homens mortais.” Já, na Raça de Prata, “bem inferior”, os homens eram desmedidos, sem devotarem-se aos deuses, foram ao cabo, transformados em “hipoctônicos, venturosos pelos mortais, segundos”, apesar de honra os acompanhar. Durante a existência da Raça de Bronze, eram guerreiros invencíveis, que, entretanto, sucumbiram pelas próprias mãos até o “gélido Hades; anônimos”, vivendo sem a luz do sol. Em seguida, Zeus fez ainda uma quarta “...mais justa e mais corajosa raça divina de homens heróis e são chamados semideuses, geração anterior à nossa na terra sem fim”, a Raça dos Heróis. Por fim, gerou-se a Raça de Ferro, que corresponde à forma atual do humano. Aí, diz Hesíodo, os homens “nunca durante o dia cessarão de labutar e penar e nem à noite de se destruir; e árduas angústias os deuses lhes darão.” Mas, continua, bens a esses males “estarão misturados”. Mas, ímpios, invejosos, ciumentos, ingratos, desrespeitosos acabarão por ser destruídos por Zeus. Os imortais “...tristes pesares vão deixar aos homens mortais. Contra o mal força não haverá!”.(Cândido, s/d)

Aos homens, entretanto, honestos, cabe o recurso ao trabalho. E Hesíodo será o poeta que cantará os feitos do homem trabalhador, em uma nítida atmosfera comercial e pacífica, diferente daquela sugerida pelos poemas homéricos. Hesíodo fará, pois, um grande elogio do trabalho. Ele exorta seu irmão, Perses, com o qual se encontrava em atrito, a seguir o mesmo caminho, deste modo:


Mas tu, lembrando sempre do nosso conselho, 
Trabalha, ó Perses, divina progênie, para que a fome 
Te deteste e te queira a bem coroada e veneranda 
Deméter, enchendo-te de alimentos o celeiro; (...) 
Por trabalhos os homens são ricos em rebanhos e recursos e, 
trabalhando, muito mais caros serão aos imortais. 
O trabalho, desonra nenhuma, o ócio desonra é! 
Se trabalhares para ti, logo te invejará o invejoso 
porque prosperas; à riqueza glória e mérito acompanham. 
Por condição és de tal forma que trabalhar é melhor, 
dos bens de outrem desvia teu ânimo leviano e, 
com trabalho, cuidando do teu sustento, como te exorto. ............................................................ 
Doar é bom, roubar é mau e doador de morte; 
pois o homem que dá de bom grado, mesmo doando muito, 
alegra-se com o que tem e em seu ânimo se compraz.








A mitologia grega nos brindou com uma herança inestimável de contos sobre deuses poderosos, heróis corajosos, aventuras épicas de uma realidade fantasiosa, como o mito de Prometeu. Ao longo dos anos, milhares de livros foram escritos acerca da mitologia grega.


Contudo, pesquisadores apontam que nem mesmo essa quantidade de volumes é capaz de registrar a totalidade dessas histórias. Por conseguinte, um desses contos mitológicos trata da figura de Prometeu, um rebelde que roubou o fogo e irritou o deus Zeus. Como resultado, ele foi castigado com tortura sem fim e acorrentado ao topo de uma montanha.

A mitologia grega fala de duas raças de seres que vieram antes dos humanos: os deuses e os titãs. Prometeu era descendente do Titã Jápeto e da ninfa Ásia e irmão de Atlas. O nome Prometeu significa ‘premeditação’. Além disso, Prometeu é uma figura muito famosa na mitologia grega por ter realizado uma grande proeza: roubar o fogo dos deuses para dar à humanidade. Ele é retratado como um indivíduo esperto e benevolente, e até mesmo mais sábio que os deuses e os titãs.

Na mitologia grega, os humanos foram criados em cinco etapas diferentes. Os Titãs criaram a primeira raça de humanos e Zeus e os outros deuses criaram as quatro gerações seguintes. Esta é a versão mais comum da mitologia grega, sobre a criação da humanidade. Entretanto, há outro relato que inclui Prometeu como uma figura central. Ou seja, na história, Prometeu e seu irmão Epimeteu, cujo nome significa ‘pós-pensador’, foram incumbidos pelos deuses a criar à humanidade.

Como Epimeteu era muito impulsivo, ele criou os animais primeiro, dando-lhes dons como força e astúcia. Porém, foi Prometeu quem ficou responsável por criar os humanos, utilizando os mesmos dons usados por seu irmão, na criação dos animais. Dessa forma, Prometeu criou o primeiro homem, chamado Phaenon, de argila e água. Ele teria criado Phaenon à imagem e semelhança dos deuses.

O mito de Prometeu diz que Zeus e o herói tinham opiniões diferentes quando se tratava da raça humana. Para esclarecer, o pai de Zeus, o titã Kronos, tratava a raça humana como igual, atitude que seu filho não concordava. Após a derrota dos Titãs, Prometeu seguiu o exemplo de Kronos, sempre apoiando os humanos. Inclusive, em uma ocasião, Prometeu foi convidado a participar de um ritual que os humanos realizavam em adoração aos deuses, isto é, um ritual onde sacrificavam um animal.

Ele escolheu um boi para o sacrifício e o dividiu em duas partes. Assim, Zeus escolheria qual seria a parte dos deuses e qual seria a parte da humanidade. Prometeu disfarçou as oferendas, ocultando as melhores partes da carne sob os órgãos do animal. Zeus escolheu o sacrifício que incluía apenas ossos e gordura. O engano foi planejado por Prometeu para beneficiar os humanos com as melhores partes do boi. Então, Zeus ficou bastante zangado com o engano, mas teve que aceitar a sua má escolha.

Não foi só a ‘brincadeira’ com o sacrifício do boi que irritou Zeus. Na mesma linha, o conflito entre Zeus e Prometeu começou quando o filho de Jápeto, ficou ao lado dos humanos, indo contra o pensamento de Zeus. Em retaliação ao tratamento dado à raça humana por Prometeu, Zeus negou à humanidade o conhecimento sobre a existência do fogo. Então, Prometeu, num ato heroico, roubou o fogo dos deuses para dar à humanidade.

Prometeu entrou no território de Hefesto, o deus do fogo, e roubou o fogo de sua forja, escondendo a chama em um caule de erva-doce. Em seguida, Prometeu desceu do reino dos deuses e entregou o presente do fogo à humanidade.

Zeus ficou furioso, não apenas por Prometeu ter roubado o fogo dos deuses, mas por ter destruído, para sempre, a subserviência dos humanos. Por fim, a vingança de Zeus foi cruel. Ele capturou Prometeu e fez com que Hefesto o acorrentasse a um penhasco com correntes de ferro inquebráveis. Zeus então chamou um abutre para bicar, arranhar e comer o fígado de Prometeu, diariamente, por toda a eternidade. Todas as noites, o corpo imortal de Prometeu se curava e ficava pronto para ser atacado novamente pelo abutre, na manhã seguinte. Durante toda a sua tortura, o herói nunca se arrependeu de se rebelar contra Zeus.

Prometeu permaneceu acorrentado e torturado por milhares de anos. Os outros deuses intercediam a Zeus por misericórdia, mas ele sempre recusava. Finalmente, um certo dia, Zeus ofereceu liberdade ao herói se ele revelasse um segredo que só ele conhecia.

Prometeu, então disse a Zeus que a ninfa do mar, Tétis, teria um filho que se tornaria maior do que o próprio Deus do Mar, Poseidon. De posse da informação, eles arranjaram para que ela se casasse com um mortal, e dessa forma, para que o seu filho não representasse nenhuma ameaça ao poder deles.

Como recompensa, Zeus enviou Hércules para matar o abutre que atormentava Prometeu e quebrar as correntes que o prendiam. Depois de anos de sofrimento, Prometeu estava livre. Em agradecimento a Hércules, Prometeu o aconselhou a obter as Maçãs de ouro das Hespérides, um dos 12 trabalhos que o famoso herói teve que realizar.

O Mito de Prometeu deixa como lição o amor, a coragem, bem como, a compaixão pela humanidade. Além, da aceitação das consequências pelos seus atos e o desejo de sempre buscar e compartilhar o conhecimento.


Etimologicamente, herói, do grego: ἥρωςhéros talvez se pudesse aproximar do indo-europeu servä, da raiz ser-, de que provém o avéstico haurvaiti, "ele guarda" e o latim seruäre, "conservar, defender, guardar, velar sobre, ser útil", donde herói seria o "guardião, o defensor, o que nasceu para servir".

Separando-se dos seus e, após longos ritos iniciáticos, o herói inicia suas aventuras, a partir de proezas comuns num mundo de todos os dias, até chegar a uma região de prodígios sobrenaturais, onde se defronta com forças fabulosas e acaba por conseguir um triunfo decisivo. Ao regressar de suas misteriosas façanhas, ao completar sua aventura circular, o herói acumulou energias suficientes para ajudar e outorgar dádivas inesquecíveis a seus irmãos.



Jasão, tão logo abandonou a corte de Iolco, foi entregue ao grande educador de heróis, o Centauro Quirão, de que já se falou no Vol. II, p. 90. Aos vinte anos organizou a célebre Expedição dos Argonautas. Navegou com seus cinqüenta e cinco heróis através das "rochas azuis", as Ciâneas, também denominadas Simplégades, "as rochas que se fecham", chegou à Cólquida, venceu as "provas" impostas por Eetes, enganou o dragão que guardava o Velocino de Ouro e regressou com o mesmo, para disputar com o usurpador Pélias o trono que a ele Jasão cabia de direito e de fato.

Prometeu, o filantropo, vencidas tantas fadigas e renúncias, escalou o Olimpo, roubou o fogo celeste e recuperou a humanidade.


Uma representação majestosa das lutas por que passa o herói no esquema separação-iniciação-retorno é a lenda das Grandes Batalhas que travou o príncipe Gautama Säkiamüni, o Buddha, desde a renúncia às comodidades e prazeres da corte paterna até a difícil "iluminação perfeita", estado de liberação, que lhe possibilitou sair de sob a "quarta árvore" e comunicar a todos o conhecimento do caminho. 

(Buddha O problema, segundo Campbell, é que o estado de Buddha ou Iluminação, não pode ser comunicado, mas tão-somente se aponta o caminho para a iluminação. Esse tipo de doutrina da incomunicabilidade da verdade, que paira acima de nomes e formas, é básico nas grandes tradições orientais e platônicas. Enquanto as verdades científicas são demonstráveis por meio de hipóteses racionalmente fundamentadas em fatos observáveis, o mito e o ritual são apenas guias, símbolos para que se possa chegai: à iluminação transcendental, cujo passo definitivo depende de cada um individualmente em sua própria experiência silenciosa. Assim se explica que um dos termos sânscritos para designar "sábio" seja muni, o "silencioso". Sakiatnuni, um dos títulos de Gautama Buddha, significa o silencioso ou sábio (muni) do clã dos Sakya. Embora fundador de uma religião mundial, o último ponto de sua doutrina permanece oculto e, necessariamente, em silêncio.) (Brandão, 1987)

Fato, de certa forma semelhante, é registrado no Antigo Testamento, Êxodo 19-20, quando Moisés, completados três meses da partida do povo de Israel do Egito e sua penosa caminhada pelo deserto, chegou ao Monte Sinai e, sozinho, o escalou para ir falar a Javé, que lhe entregou as Tábuas da Lei e ordenou-lhe que voltasse com elas para Israel, o povo do Senhor.






Bibliografia 

Vol 1.
Vol 2.
Vol 3

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