INÍCIO

25 março 2020

HOMEM CORDIAL RACISTA

A FALSA IDEIA DO HOMEM CORDIAL

A origem do racismo

A Semana de Arte Moderna de 1922 e o Movimento Regionalista, de Pernambuco, foi um dos marcos de um esforço interpretativo sobre o que vem a ser o Brasil, e qual o lugar desse pais no concerto das nações. 
Nessa profusão de ideias, um livro tornou-se um marco: “Raízes do Brasil”, do paulista Sérgio Buarque de Holanda, no qual é desenvolvido o fundamental conceito de “homem cordial”.
O livro é dividido em sete partes: “Fronteiras da Europa”, “Trabalho & Aventura”, “Herança Cultural”, “O semeador e o Ladrilhador”, “O Homem Cordial”, “Novos Tempos” e “Nossa Revolução”. 
A parte em que é desenvolvido o conceito de “homem cordial” é a que mais revela as intuições de Sérgio Buarque. O conceito foi extraído de uma carta do escritor paulista Ribeiro Couto endereçada ao também escritor mexicano Alfonso Reyes. A expressão “cordial” não indica, ao contrário do que se pensa, apenas bons modos e gentileza. Cordial vem do radical latino “cordis”, cujo significado significa coração (relativo ao coração, que para muitos é a sede do sentimento, da afeição...). O homem cordial seria o homem sentimento, que em vez da razão usa a emoção e por isso não é dado ao pensamento racional e apolíneo. 
Cordial, o homem emoção. É assim que esse homem lida com os que o cercam, a saber, seus familiares, os empregados, os vizinhos, o povo. É assim que esse homem lida com o patrimônio publico, que passa ser seu.
Dai advem a corrupção; o tratamento da coisa pública como privada.
Desde que entramos na escola e começamos a estudar 
passam-nos essa ideia “totalizante”, na qual supostamente todos devemos acreditar. Esse conceito expandido de “homem cordial” e de que vivíamos numa “democracia que abrangia todas as raças e credos”. Esse conceito tem uma função primordial fazer calar qualquer voz dissonante. Assim, se cala sobre todas as mazelas que esse conceito acoberta. O racismo estrutural, a xonofobia, a misoginia, o machismo da família tradicional brasileira.

Esse, “quase sistema filosófico” que explicaria o homem brasileiro, desde sua psiqué à economia de mercado, encobre tudo isso. É um poço um sumidouro, uma cortina de fumaça para esconder a nossa verdadeira natureza. 



A classe média brasileira se olhando no espelho


A partir dos livros de Jessé Souza e de seus vídeos, fica claro que essa ideia é uma falácia, nas quais as premissas são falsas ou parciais e das quais se saca uma conclusão verdadeira, quando na verdade é falsa. 

Ao ler seus livros e ver seus vídeos, fica claro que podemos descrever a realidade como queremos que ela seja, mas somente como ela realmente é. 

E a nossa realidade nos mostra uma elite escravocrata, patrimonialista, racista, ignoraste, xenófoba, exploradora, extrativista e parasita do estado (do estado como união de todos indivíduos e de todas as riquezas que esse estamento produz). E de uma classe média que se espelha e compartilha os “valores” da elite. 

Agora fica claro que a elite extrativista brasileira e seu acólitos e capachos a classe média sempre possuíram como farol os ditames de outra nação soberana e exploradora, que impede outros povos (supostamente livres e soberanos) de se desenvolver. Mas isso é um assunto para outro momento. (31/01/20) 




Bibliografia















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