INÍCIO

08 março 2020

A IMAGEM DE UM SONHO LÚCIDO: HYPNEROTOMACHIA POLIPHILI

HYPNEROTOMACHIA POLIPHILI


Hypnerotomachia Poliphili, ubi humana omnia non nisi somnium esse docet. 

Atque obiter plurima scitu sane 

quam digna commemorat.



Hypnerotomachia Poliphili  

do grego: 
ὕπνος = hýpnos = sono + ἔρως = érōs = amor 
e μάχη máchē = luta, de Poliphilo.



Primeira edição (1499) aberta, mostrando os elementos do design gráfico


A primeira edição desta obra tem um layout de página elegante, com ilustrações refinadas em xilogravuras em estilo renascentista. Hypnerotomachia Poliphili apresenta uma enigmática e misteriosa alegoria na qual o principal protagonista, Poliphilo, persegue seu amor, Polia, através de uma paisagem onírica. No final, ele é reconciliado com ela pela "Fonte de Vênus", mas como em todo sonho, Polia, o objeto de seu amor, desaparece quando o sonhador acorda-se do sono.


SINOPSE

O livro narra uma história onde Poliphilo, passa uma noite cheia de sonhos inquietos porque sua amada, Polia, o evitou. Neste sonho Poliphilo é transportado para uma floresta selvagem, onde ele se perde, encontra dragões, lobos e donzelas e uma grande variedade de formas arquitetônicas clássicas e renascentistas. Ele escapa e ao sentir-se seguro adormece mais uma vez.
Ele então acorda em um segundo sonho, um sonho dentro do primeiro sonho (um sonho lúcido ou meta-sonho). Ele é então levado pelas ninfas para encontrar a rainha (das ninfas), e lá é convidado a declarar seu amor por Polia, o que ele faz. Ele é então dirigido por duas ninfas para três portões, um ao lado do outro. Ele escolhe o terceiro, e ao abri-lo descobre sua amada. Eles são levados por mais algumas ninfas para um templo para noivarem. Ao longo do caminho, eles se deparam com cinco procissões triunfais celebrando sua união. Eles são então levados para a ilha de Cythera por uma barcaça, na qual Cupido é o contramestre. 
Em Cythera, eles veem outra procissão triunfal celebrando sua união. A narrativa é interrompida e assumida por uma segunda voz, enquanto Polia descreve a erotomania de Poliphilo do seu próprio ponto de vista.

Em seguida, Poliphilo retoma sua narrativa (de um quinto do livro). Polia rejeita Poliphilo, mas Cupido aparece para ela em uma visão e a obriga a voltar e beijar Poliphilo, que caiu em um desmaio mortal aos seus pés. O beijo dela o revive. Vênus abençoa seu amor, e Poliphilo e Polia estão finalmente unidos. Como Poliphilo está prestes a tomar Polia em seus braços, Polia desaparece no ar e Poliphilo acorda.






Polia beija Poliphilo e ele volta a vida

O rapto de Europa  

A autoria desta obra enigmática e misteriosa de que se tem noticia é desconhecida. Este livro é um raro exemplo de incunábulo do renascimento; foi editada por Aldus Manutius, o primeiro impressor profissional da Itália, no ultimo mês do ano de 1499, em Venezia
Embora de desconheça seu autor, há suspeitas de que tenha sido escrito por Francesco Colonna, um monge dominicano. 
Esta obra de arte é ilustrada com xilogravuras. As imagens, verdadeiras obras de arte em si, emprestam ar de vivacidade ao texto, alem de aumentar seu mistério. Desconhece-se também o autor dessas imagens em Xilo.

Dentro de um sonho, o jovem Poliphilo, procura por sua amada, a ninfa Polia. Para alcançar seu destino, ele precisa passar por misteriosas florestas, cidades e labirintos, presenciando todo tipo de cena bizarra e deparando com deuses, ninfas e outros seres mitológicos e arcades.


Além da sua qualidade gráfica, o que torna o livro tão célebre é o fato de ser um dos mais incompreensíveis de todos os tempos. Escrito em várias línguas (latim, grego, hebraico, árabe e hieróglifos egípcios) ao mesmo tempo, a narrativa mistura pesadelos, aventuras, passagens eróticas, tudo em meio a comentários sobre literatura, arquitetura, música, política e vida cotidiana.

O autor do livro é anônimo. No entanto, um acróstico formado pela primeira letra elaboradamente decorada no inicio de cada capítulo do italiano original diz "POLIAM FRATER FRANCISCVS COLVMNA PERAMAVIT", que significa "o irmão Francesco Colonna amava muito a Polia". 
Apesar dessa pista, o livro também foi atribuído a Leon Battista Alberti e, mais cedo, a Lorenzo de Medici. O próprio Aldo Manutius alegou que o nome do autor era Francesco Colonna porém um homonimo do monge contemporaneo dele. Seria um um rico governador romano de um passado distante. Sobre a identidade do ilustrador desta obra não ha ainda nenhuma pista confiável.

O assunto do livro está dentro da tradição (ou gênero) do romance. Segue as convenções do amor cortês, que em 1499 continuaram a fornecer material temático envolvente para os aristocratas do Quattrocento. O Hypnerotomachia Poliphili também se baseia no humanismo renascentista, onde arcanos e escritos misteriosos são uma demonstração do pensamento clássico, cujo centro era o homem.

O texto do livro está escrito em um italiano latinizado bizarro. Sem nehuma explicação, o texto está cheio de palavras baseadas nas raízes latinas e gregas. O livro, no entanto, também inclui palavras do idioma italiano e ilustrações que incluem palavras em árabe e hebraico. Além disso, Colonna inventaria novas formas de linguagem quando as disponíveis para ele fossem imprecisas ou limitadas. O livro também contém alguns usos dos hieróglifos egípcios, mas eles não são autênticos. A maioria deles foi extraída de um texto antigo de origem duvidosa chamado Hieroglyphica.


O Hypnerotomachia Poliphili, é ambientado em 1467 e consiste em uma série de cenas preciosas e elaboradas envolvendo o personagem-título, Poliphilo ("amigo de muitos(as) (coisas)" das palavras gregas polloi, que significa "muitos" e "philos", que significa "amigo"). Nessas cenas, Poliphilo vagueia por uma terra dos sonhos bucólico-clássica em busca de seu amor, Polia ("muitas coisas"). O estilo do autor é elaboradamente descritivo e inigualável no uso de superlativos. O texto faz referências frequentes à geografia clássica e mitologia, principalmente a título de comparação.



O Hypnerotomachia é há muito tempo procurado por ser um dos mais belos incunábulos já impressos. A tipografia é famosa por sua qualidade e clareza. Seu tipo romano, cortado por Francesco Griffo, é uma versão revisada de um tipo que Aldus havia usado pela primeira vez em 1496 para o De Aetna de Pietro Bembo. Pensa-se que o tipo seja um dos primeiros exemplos da fonte romana e, em incunábulos, é exclusivo da Aldine Press. 
O tipo foi revivido pela Monotype Corporation em 1923 como "Poliphilus". 
Em 1929, Stanley Morison dirigiu outro renascimento da versão anterior do tipo de Griffo. Foi chamado "Bembo".

O Hypnerotomachia Poliphili é ilustrado com 168 xilogravuras requintadas,  finamente cortadas, mostrando o cenário, as configurações arquitetônicas e alguns dos personagens que Poliphilo encontra em seus sonhos. Eles retratam cenas das aventuras de Poliphilo e as características arquitetônicas sobre as quais o autor rapsodiza, em um estilo de arte de linha simultaneamente forte e ornamentado. Isso se integra perfeitamente ao tipo, um verdadeiro exemplo de arte tipográfica.

As ilustrações são interessantes porque esclarecem, e lançam uma nova luz sobre o gosto do homem renascentista nas qualidades estéticas das antiguidades gregas e romanas. 


O psicólogo Carl Jung admirava o livro, acreditando que as imagens dos sonhos pressagiavam sua teoria dos arquétipos. O estilo das ilustrações em xilogravura teve grande influência nos ilustradores ingleses do final do século XIX, como Aubrey Beardsley, Walter Crane e Robert Anning Bell. 
Em 1592, em uma edição de Londres, "R. D." (que se acredita ser Robert Dallington) traduziu parcialmente o Hypnerotomachia Poliphili. 
Aqui, recebeu o título inglês mais conhecido, The Strife of Love in a Dream (Batalha de amor em sonho). 



EROTOMANIA
Erotomania consiste na convicção delirante de uma pessoa que acredita que outra pessoa, geralmente de uma classe social mais elevada, está secretamente apaixonada por ela. A erotomania, também conhecida como síndrome de Clérambault, ganhou esse nome após um estudo publicado pelo psiquiatra francês Gaëtan Gatian de Clérambault (1872–1934) sobre o assunto (Les Psychoses Passionelles, 1921).
O indivíduo que sofre dessa síndrome pode também acreditar que ele e a outra pessoa, supostamente apaixonada por ele, se comunica secretamente através de métodos sutis como gestos de postura, arrumação de determinados objetos da casa, etc., ou, se a outra for uma pessoa de imagem pública, através de indícios ou pistas na mídia. A outra pessoa geralmente tem pouco ou nenhum contato com o indivíduo que sofre da síndrome, que frequentemente acredita que o outro (o objeto do delírio) iniciou a relação fictícia. A erotomania está no espectro de esquisofrenia.

CYTHERA  
Κύθηρα, também transliterado como Cythera, Kythera e Kithira, é uma ilha na Grécia situada em frente ao extremo sudeste da península do Peloponeso. É tradicionalmente listado como uma das sete principais ilhas Jônicas, embora esteja distante do grupo principal. Administrativamente, pertence à unidade regional das Ilhas, que faz parte da região da Ática, apesar da distância das Ilhas Sarônicas, em torno das quais o restante da Ática está centralizada. A ilha está estrategicamente localizada entre o continente grego e Creta, e desde os tempos antigos até meados do século XIX esta em uma encruzilhada de comerciantes, marinheiros e conquistadores. Como tal, teve uma história longa e variada e foi influenciada por muitas civilizações e culturas. Os primeiros registros arqueológicos datam de antes do sec. VIII. O povo dessa ilha comercializava com o angito Egito e com a Mesopotâmia. Esse longo passado e seu relacionamento com muitos povos reflete-se em sua arquitetura (uma mistura de elementos tradicionais, egeus e venezianos), bem como nas tradições e costumes, influenciados por séculos de coexistência das culturas grega e veneziana.



INCUNABULA

Existem dois tipos de incunábulos na impressão: o livro de blocos, impresso a partir de um único bloco de madeira esculpido ou esculpido para cada página, empregando o mesmo processo que a xilogravura na arte (eles podem ser chamados xilográficos); e o livro tipográfico, feito com peças individuais do tipo móvel de metal fundido em uma prensa de impressão. Muitos autores reservam o termo incunábulos apenas para este último tipo. 



A disseminação da impressão para as cidades do norte e da Itália garantiu uma grande variedade nos textos escolhidos para impressão e nos estilos em que apareceram. Muitos tipos iniciais foram modelados em formas locais de escrita ou derivados de várias formas européias de escrita gótica, mas também alguns derivados de scripts documentais (como a maioria dos tipos de Caxton) e, particularmente na Itália, tipos modelados em scripts manuscritos e caligrafia empregada por humanistas. 



As impressoras se reuniam em centros urbanos, onde havia estudiosos, eclesiásticos, advogados e nobres e profissionais que formavam sua principal base de clientes. As obras-padrão em latim herdadas da tradição medieval formaram a maior parte das primeiras obras impressas, mas, à medida que os livros se tornaram mais baratos, começaram a aparecer obras vernáculos (ou traduções para vernáculos de obras-padrão).

Além da sua qualidade gráfica, o que torna o livro tão célebre é o fato de ser um dos mais incompreensíveis de todos os tempos. Escrito em várias línguas (latim, grego, hebraico, árabe e hieróglifos egípcios) ao mesmo tempo, a narrativa mistura pesadelos, aventuras, passagens eróticas, tudo em meio a comentários sobre literatura, arquitetura, música, política e vida cotidiana.

Primeiro incunábulo conhecido com ilustrações. 
Ulrich Boner's Der Edelstein, impresso por Albrecht Pfister, Bamberg, 1461.



ADENDUM 
Em 1999, uma primeira tradução completa em inglês do musicólogo Joscelyn Godwin foi publicada. No entanto, sua tradução usa linguagem moderna e padrão, em vez de seguir o padrão do texto original de cunhar e emprestar palavras.

HYPNEROTOMACHIA POLIPHILI

























30 janeiro 2020

A IMAGEM DA TEMPERATURA HUMANA - ESTAMOS FICANDO MAIS FRIOS (LITERALMENTE)


Diminuição da temperatura do corpo humano nos Estados Unidos desde a Revolução Industrial




A temperatura corporal humana considerada “normal” foi estabelecida em 1851, com o trabalho do médico alemão Carl Reinhold August Wunderlich. 

Ele mediu a temperatura das axilas de mais de 25 mil pessoas, e chegou ao valor de 37º C. 


Médico alemão Carl Reinhold August Wunderlich, em 1851 estabelece o padrão da temperatura normal humana em 37º C



Deste modo, o valor da temperatura humana (equivalendo a 37º C, tem sido aceito como padrão na medicina por órgãos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).


uma equipe de pesquisadores da Universidade Stanford/USA, discordando desse valor e argumentando que poderá estar desatualizado, delineou um experimento para mostrar essa afirmação. 

Os pesquisadores analisaram então três conjuntos de dados de períodos distintos: 

um amostra de soldados da Guerra Civil norte-americana (1861 a 1865), 

uma amostra da década de 1970 

e outra amostra dos anos 2000 e 2010. 

Totalizando 677.423 amostras de pessoas diferentes (e épocas) diferentes.

A comparação entre as três medições revelou que os homens de hoje têm uma temperatura média 0,59º C menor do que a dos homens que nasceram na primeira metade do século 19. As mulheres também estão mais frias: -0,23º C, em média. 

Em vez de 37º C, a nova temperatura padrão é de 36,62º C para homens, para as mulheres, o valor é ligeiramente maior. 





FUNDAMENTAL PRINCIPLES. 

§ 1. Two facts justify the physician in using the thermometer everywhere, tlie invariabilit}'- of the temperature in healthy persons, and its variations in disease. 

§ 2. The average temperature taken at the axilla, or in any other artiticial cavity, is 98.6° F. = 37° C.=Zero- health of the medical thermometer (see second part) ; and higher by some tenth of a degree in the natural cavities. [In England the Norme is 98.4° F. ; in France, 36.9° C, where Brecliet had the glory of establishing it. Till these discrepancies shall be demonstrated to correspond, or not, to important facts of race or climate, we have no right to infirm them, but we fiave to signalize the necessity of their final verification as one of the most important objects of the future investigations on thermometry.— E. S.] 

§ 3. The temperature of healthy persons is almost constantly the same ; its oscillations in the course of a day seldom exceed 1° Cent.=^° Fahr. (unusual conditions excepted). " The maintenance of a normal temperature under varying conditions, or, in other words, a constant temperature in any individual, is a proof of a sound constitution." 

§ 4. A normal temperature does not necessarily indicate health ; " but all those whose temperature either exceeds or falls short of the normal range, are unhealthy."

§ 5 The range of temperature in severe diseases is between 35° C.=95° F. and 42.5° C.=108.5° F., and very falls below 33° C. = 91.4° F., or rises to 43°C.= 109.4° F., though in rare cases it has reached 44.75° C.= X 112.55° F.
§ 6. Deviations from the normal course of temperature never occur without causes or fixed "laws ; " that is the foundation of " Pathological Thermometry." We sometimes fail to discover these laws, because in disease, more than in health, the temperature of the body is the result of mutually antagonistic factors.

§ 7. Influences which in no way disturb the temperature of the healthy, derange that of the sick, even if tliey hardly aftect his sickness. " Mobility of temperature under the action of external influences is, therefore, a sign ^ of some diseased condition of the body." Therefore the discovery of abnormal temperatures in men previously healthy is a means of discovering or confirming the existence of a latent disease.

§ 8. Alterations of temperature may be confined to special regions, whilst the rest of the body remains almost normal; they seldom exceed 1° C. = 1.8 — 2° F. ; but are accompanied by other obvious phenomena more useful for the diagnosis than the local abnormality of temperature.

§ 9. The general temperature is the " expression " of several processes, some tending to the production of heat, others to its exhalation. However varied is the combination of these processes, their thermal result, or the specific heat of the body, remains the same in health ; and its variations in disease, though not absolutely trustworthy, are yet the safest standard by which to estimate the condition of the whole body. Variations of temperature coincide with other functional and structural disturbances not so easy to measure, and often appear long before other morbid alterations can be recognized.

§ 10. The heat of the whole body may be normal. 



Measurement and Evaluation of Body Temperature: Implications for Clinical Practice

Märtha Sund-Levander

Evaluation of body temperature is one of the oldest known diagnostic methods [6, 7] and is still an important sign of health and disease, both in everyday life and in medical care. Increased body temperature is associated in the first place with infectious disease and fever [8] and the accompanying feelings of illness. In general, the individual can describe feelings of illness and discomfort, but in conditions where individuals are unable to explain themselves, the nurse has to interpret the clinical signs and rely on objective measurements. This is especially important when assessing elderly individuals [9], as atypical presentation of infection are common in this age group [10]. Before the 17th century, the humoral theory, established by Galen in the second century A.D., dominated medical thinking [7], and the interpretation of symptoms and explanations of disease were closely related to philosophy and religion [11]. Evaluation of body temperature rested on objective and subjective feelings of warmth, i.e. physicians used touch as their principal criterion for evaluating body heat [12]. The discovery of the circulation of the blood emphasised the use of natural sciences in medicine and clinicians started to use the pulse rate to diagnose fever [13]. This remained to be the most important tool even when the first thermometers were available in the late 18th century. A that time, the improved scientific knowledge of human anatomy and physiology, attributed to the introduction of autopsy [14], and new technical knowledge [9] increased the interest in objectively observing the patient [12, 15] and thus the possibility to differentiate between health and disease using biological parameters in terms of what was considered normal and abnormal. The first comprehensive report on body temperature related to normality was published in 1868 by the German physician Wunderlich [16], who established the use of thermometers in medical practice [17]. Wunderlich measured axillary temperature in patients and declared the normal body temperature to be 37.0°C with a range of 36.2°C to 37.5°C. He defined temperatures above 37.5°C as “the territory of fever” and > 38.0°C as fever [18]. Today there is a general acceptance of normal body temperature as a range rather than a fixed temperature, although there is still widespread confusion in the assessment and evaluation of body temperature in adults [19], especially in elderly individuals [20-22]. A recently performed systematic review of the literature [23] found that the range in normal body temperature was 33.2°C to 38.2°C and that few studies reported average values of body temperature equal to or above 37.0°C, i.e. the rectal temperature in six studies and the ear temperature in one study [20, 24-28].



Decreasing human body temperature in the United States since the Industrial Revolution


Myroslava Protsiv, Catherine Ley, Joanna Lankester, Trevor Hastie, Julie Parsonnet



Stanford University, School of Medicine, United States; 

Jan 7, 2020





Abstract 

In the US, the normal, oral temperature of adults is, on average, lower than the canonical 37°C established in the 19th century. We postulated that body temperature has decreased over time. Using measurements from three cohorts—the Union Army Veterans of the Civil War (N = 23,710; measurement years 1860–1940), the National Health and Nutrition Examination Survey I (N = 15,301; 1971–1975), and the Stanford Translational Research Integrated Database Environment (N = 150,280; 2007–2017)—we determined that mean body temperature in men and women, after adjusting for age, height, weight and, in some models date and time of day, has decreased monotonically by 0.03°C per birth decade. A similar decline within the Union Army cohort as between cohorts, makes measurement error an unlikely explanation. This substantive and continuing shift in body temperature—a marker for metabolic rate—provides a framework for understanding changes in human health and longevity over 157 years.

In1851, the German physician Carl Reinhold August Wunderlich obtained millions of axillary temperatures from 25,000 patients in Leipzig, thereby establishing the standard for normal human body temperature of 37°C or 98.6 °F (range: 36.2–37.5°C [97.2- 99.5 °F]) (Mackowiak, 1997; Wunderlich and Sequin, 1871). A compilation of 27 modern studies, however (Sund-Levander et al., 2002), reported mean temperature to be uniformly lower than Wunderlich’s estimate. Recently, an analysis of more than 35,000 British patients with almost 250,000 temperature measurements, found mean oral temperature to be 36.6°C, confirming this lower value (Obermeyer et al., 2017). Remaining unanswered is whether the observed difference between Wunderlich’s and modern averages represents true change or bias from either the method of obtaining temperature (axillary by Wunderlich vs. oral today) or the quality of thermometers and their calibration (Mackowiak, 1997). Wunderlich obtained his measurements in an era when life expectancy was 38 years and untreated chronic infections such as tuberculosis, syphilis, and periodontitis afflicted large proportions of the population (Murray et al., 2015; Tampa et al., 2014; Richmond, 2014). These infectious diseases and other causes of chronic inflammation may well have influenced the ‘normal’ body temperature of that era.

The question of whether mean body temperature is changing over time is not merely a matter of idle curiosity. Human body temperature is a crude surrogate for basal metabolic rate which, in turn, has been linked to both longevity (higher metabolic rate, shorter life span) and body size (lower metabolism, greater body mass). We speculated that the differences observed in temperature between the 19th century and today are real and that the change over time provides important physiologic clues to alterations in human health and longevity since the Industrial Revolution. 

The question of whether mean body temperature is changing over time is not merely a matter of idle curiosity. Human body temperature is a crude surrogate for basal metabolic rate which, in turn, has been linked to both longevity (higher metabolic rate, shorter life span) and body size (lower metabolism, greater body mass). We speculated that the differences observed in temperature between the 19th century and today are real and that the change over time provides important physiologic clues to alterations in human health and longevity since the Industrial Revolution.

In men, we analyzed: a) 83,900 measurements from the Union Army Veterans of the Civil War cohort (UAVCW) obtained between 1862 and 1930, b) 5998 measurements from the National Health and Nutrition Examination Survey I cohort (NHANES) obtained between 1971 and 1975, and c) 230,261 measurements from the Stanford Translational Research Integrated Database Environment cohort (STRIDE) obtained between 2007 and 2017 (Table 1). We also compared temperature measurements in women within the two later time periods (NHANES, 9303 measurements; and STRIDE, 348,006 measurements).
Fig. 1

Body temperature measurements by age as observed in three different time periods: 1860–1940 (UAVCW), 1971–1975 (NHANES 1), and 2007–2017 (STRIDE).

(A) Unadjusted data (local regression) for temperature measurements, showing a decrease in temperature across age in white men, black men, white women, and black women, in the three cohorts. (B) Coefficients and standard errors from multivariate linear regression models for each cohort including age, weight, height, ethnicity group and time of day as available. Yellow cells are statistically significant at a p value of < 0.01, orange cells are of borderline significance (p0.05), and remaining uncolored cells are not statistically significant. (C) Expected body temperature for 30 year old men and women with weight 70 kg and height 170 cm in each time period/cohort.



In both STRIDE and a one-third subsample of NHANES, we confirmed the known relationship between later hour of the day and higher temperature: temperature increased 0.02°C per hour of the day in STRIDE compared to 0.01°C in NHANES. The month of the year had a relatively small, though statistically significant, effect on temperature in all three cohorts, but no consistent pattern emerged. Using approximated ambient temperature for the date and geographic location of the examination in UAVCW and STRIDE, a rise in ambient temperature of one degree Celsius correlated with 0.001 degree (p

We explored whether chronic infectious diseases—even in the absence of a diagnosis of fever—might raise temperature in the UAVCW cohort, by assessing the temperatures of men reporting a history of malaria (N = 2,203), syphilis (N = 465), or hepatitis (N = 24), or with active tuberculosis (N = 738), pneumonia (N = 277) or cystitis (N = 1,301). Only those currently diagnosed with tuberculosis or pneumonia had elevated temperatures compared to the remainder of the UAVCW population [37.22°C (95% CI: 37.20–37.24°C) and 37.06°C (95% CI: 37.03–37.09°C), respectively compared to 37.02 (95% CI: 36.52–37.53)].

One possible reason for the lower temperature estimates today than in the past is the difference in thermometers or methods of obtaining temperature. To minimize these biases, we examined changes in body temperature by birth decade within each cohort under the assumption that the method of thermometry would not be biased on birth year. Within the UAVCW, we observed a significant birth cohort effect, with temperatures in earlier birth decades consistently higher than those in later cohorts (Figure 2). With each birth decade, temperature decreased by −0.02°C. We then assessed change in temperature over the 197 birth-year span covered by the three cohorts. We observed a steady decrease in body temperature by birth cohort for both men (−0.59°C between birth decades from 1800 to 1997; −0.030°C per decade) and women (−0.32°C between 1890 and 1997; −0.029°C per decade). Black and white men and women demonstrated similar trends over time (Figure 3). 
Fig. 2 
Temperature trends within birth cohorts of the UAVCW, 1860–1940 (black and white men). 
(A) Smoothed unadjusted data (local regression) for temperature measurement trends within birth cohorts. The different colors represent different birth cohorts (green: 1820s, blue: 1830s, orange: 1840s). (B) Coefficients (and standard errors) from multivariate linear regression including age, body weight, height and decade of birth (1820–1840) (these coefficients do not correspond to the graph as here the trajectories are approximated by linear functions). Only the three birth cohorts with more than 8000 members are included. * and ** indicate significance at the 90%, and 99% level, respectively. (C) Expected body temperature (and associated 95% confidence interval) for 30 year old men with body weight 70 kg and height 170 cm in each birth cohort. These values derive from the regression models presented in B.
Fig. 3
Modeled body temperature over time in three cohorts by birth year (black and white ethnicity groups).
(A) Body temperature decreases by birth year in white and black men and women. No data for women were available for the birth years from 1800 to 1890. (B) Coefficients (and standard errors) used for the graph from multivariate linear regression including age, body weight, height and birth year. All cells are significant at greater than 99% significance level.


DISCUSSION

In this study, we analyzed 677,423 human body temperature measurements from three different cohort populations spanning 157 years of measurement and 197 birth years. We found that men born in the early 19th century had temperatures 0.59°C higher than men today, with a monotonic decrease of −0.03°C per birth decade. Temperature has also decreased in women by −0.32°C since the 1890s with a similar rate of decline (−0.029°C per birth decade). Although one might posit that the differences among cohorts reflect systematic measurement bias due to the varied thermometers and methods used to obtain temperatures, we believe this explanation to be unlikely. We observed similar temporal change within the UAVCW cohort—in which measurement were presumably obtained irrespective of the subject's birth decade—as we did between cohorts. Additionally, we saw a comparable magnitude of difference in temperature between two modern cohorts using thermometers that would be expected to be similarly calibrated. Moreover, biases introduced by the method of thermometry (axillary presumed in a subset of UAVCW vs. oral for other cohorts) would tend to underestimate change over time since axillary values typically average one degree Celsius lower than oral temperatures (Sund-Levander et al., 2002; Niven et al., 2015). Thus, we believe the observed drop in temperature reflects physiologic differences rather than measurement bias. Other findings in our study—for example increased temperature at younger ages, in women, with increased body mass and with later time of day—support a wealth of other studies dating back to the time of Wunderlich (Wunderlich and Sequin, 1871; Waalen and Buxbaum, 2011).

Resting metabolic rate is the largest component of a typical modern human’s energy expenditure, comprising around 65% of daily energy expenditure for a sedentary individual (Heymsfield et al., 2006). Heat is a byproduct of metabolic processes, the reason nearly all warm-blooded animals have temperatures within a narrow range despite drastic differences in environmental conditions. Over several decades, studies examining whether metabolism is related to body surface area or body weight (Du Bois, 1936; Kleiber, 1972), ultimately, converged on weight-dependent models (Mifflin et al., 1990; Schofield, 1985; Nelson et al., 1992). Since US residents have increased in mass since the mid-19th century, we should have correspondingly expected increased body temperature. Thus, we interpret our finding of a decrease in body temperature as indicative of a decrease in metabolic rate independent of changes in anthropometrics. A decline in metabolic rate in recent years is supported in the literature when comparing modern experimental data to those from 1919 (Frankenfield et al., 2005).

Although there are many factors that influence resting metabolic rate, change in the population-level of inflammation seems the most plausible explanation for the observed decrease in temperature over time. Economic development, improved standards of living and sanitation, decreased chronic infections from war injuries, improved dental hygiene, the waning of tuberculosis and malaria infections, and the dawn of the antibiotic age together are likely to have decreased chronic inflammation since the 19th century. For example, in the mid-19th century, 2–3% of the population would have been living with active tuberculosis (Tiemersma et al., 2011). This figure is consistent with the UAVCW Surgeons' Certificates that reported 737 cases of active tuberculosis among 23,757 subjects (3.1%). That UAVCW veterans who reported either current tuberculosis or pneumonia had a higher temperature (0.19°C and 0.03°C respectively) than those without infectious conditions supports this theory (Supplementary file 1). Although we would have liked to have compared our modern results to those from a location with a continued high risk of chronic infection, we could identify no such database that included temperature measurements. However, a small study of healthy volunteers from Pakistan—a country with a continued high incidence of tuberculosis and other chronic infections—confirms temperatures more closely approximating the values reported by Wunderlich (mean, median and mode, respectively, of 36.89°C, 36.94°C, and 37°C) (Adhi et al., 2008). 

Reduction in inflammation may also explain the continued drop in temperature observed between the two more modern cohorts: NHANES and STRIDE. Although many chronic infections had been conquered before the NHANES study, some—periodontitis as one example (Capilouto and Douglass, 1988)— continued to decrease over this short period. Moreover, the use of anti-inflammatory drugs including aspirin (Luepker et al., 2015), statins (Salami et al., 2017) and non-steroidal anti-inflammatory drugs (NSAIDs) (Lamont and Dias, 2008) increased over this interval, potentially reducing inflammation. NSAIDs have been specifically linked to blunting of body temperature, even in normal volunteers (Murphy et al., 1996). In support of declining inflammation in the modern era, a study of NHANES participants demonstrated a 5% decrease in abnormal C-reactive protein levels between 1999 and 2010 (Ong et al., 2013).

Changes in ambient temperature may also explain some of the observed change in body temperature over time. Maintaining constant body temperature despite fluctuations in ambient temperature consumes up to 50–70% of daily energy intake (Levine, 2007). Resting metabolic rate (RMR), for which body temperature is a crude proxy, increases when the ambient temperature decreases below or rises above the thermoneutral zone, that is the temperature of the environment at which humans can maintain normal temperature with minimum energy expenditure (Erikson et al., 1956). In the 19th century, homes in the US were irregularly and inconsistently heated and never cooled. By the 1920s, however, heating systems reached a broad segment of the population with mean night-time temperature continuing to increase even in the modern era (Mavrogianni et al., 2013). Air conditioning is now found in more than 85% of US homes (US Energy Information Administration, 2011). Thus, the amount of time the population has spent at thermoneutral zones has markedly increased, potentially causing a decrease in RMR, and, by analogy, body temperature.

Some factors known to influence body temperature were not included in our final model due to missing data (ambient temperature and time of day) or complete lack of information (dew point)(Obermeyer et al., 2017). Adjusting for ambient temperature, however, would likely have amplified the changes over time due to lack of heating and cooling in the earlier cohorts. Time of day at which measurement was conducted had a more significant effect on temperature (Figure 1—figure supplement 4). Based on the distribution of times of day for temperature measurement available to us in STRIDE and NHANES, we estimate that even in the worst case scenario, that is the UAVCW measurements were all were obtained late in the afternoon, adjustment for time of day would have only a small influence (

In summary, normal body temperature is assumed by many, including a great preponderance of physicians, to be 37°C. Those who have shown this value to be too high have concluded that Wunderlich’s 19th century measurements were simply flawed (Mackowiak, 1997; Sund-Levander et al., 2002). Our investigation indicates that humans in high-income countries have changed physiologically over the last 200 birth years with a mean body temperature 1.6% lower than in the pre-industrial era. The role that this physiologic ‘evolution’ plays in human anthropometrics and longevity is unknown.



OTHERS 






A temperatura do corpo humano está esfriando?
Um novo estudo constata que a temperatura caiu, em média, nos últimos 150 anos. 

Karen Weintraub on January 17, 2020 

For the eLife study, she and her colleagues compared temperatures from three different data sets: a total of 83,900 measurements from the Union Army Veterans of the Civil War (UAVCW) cohort, collected between 1862 and 1930; 15,301 measurements from the National Health and Nutrition Examination Survey I (NHANES I), collected between 1971 and 1975; and 578,222 measurements from the Stanford Translational Research Integrated Database Environment (STRIDE), collected between 2007 and 2017. Figures for women were not available from the earliest data set but were collected from the two later cohorts, and the research showed that body temperature for men and women decreased steadily across the time periods. 

Philip Mackowiak, an emeritus professor of medicine at the University of Maryland School of Medicine, who was not involved in the new study, says data from as far back as the Civil War is inherently suspect. “That’s not to say that what [the new study] found is not valid. It could be, but you just don’t know,” he says, because there are so many variables that could not be controlled for in the data set, such as whether soldiers and veterans were healthy when tested, where the thermometer was placed and what kind of instrument was used. 

Even Wunderlich’s established 1851 result is questionable, Mackowiak says, because although he had a large database of patients, it is hard to know whether he measured temperature consistently or how he analyzed such a volume of information long before the invention of computers. And “the body is composed of a whole host of temperatures,” Mackowiak adds. The liver is the hottest part, and the surface of the skin is the coldest. Plus, he says, “there’s no ‘normal’ temperature; there’s a range of temperatures,” with people running hotter later in the day than they do in the morning. Women also have higher temperatures on average than men, in part because they rise with ovulation. 

Parsonnet agrees that the Civil War data set has some limitations, such as where caregivers took the temperatures and whether they were careful or simply filled in 98.6 degrees F because that’s what they knew normal temperature was supposed to be. Those concerns were tempered, she says, by the fact that she and her team found a similar annual drop in temperature between the 1970s cohort and the current one. The effect was still present when examined by the soldiers’ and veterans’ year of birth rather than when the temperature was obtained, suggesting that the type of thermometer or the caregiver’s attitude could not explain the change. And within the data set, the researchers found the expected variation by age, weight and height, suggesting that the values were not random. 

Even with the data’s limitations, the findings are compelling, according to Frank Rühli, founding chair and director of the Institute of Evolutionary Medicine at the University of Zurich, who says he reviewed the paper for eLife but was not involved in the research. “Human body temperature data going back that far—roughly 150 years—is very interesting,” he says. “It allows us to see short-term alterations of physiological traits in humans, which is quite rare.” 

All the experts agree on one thing: a fever is still a fever. Lowering the average for normal body temperature does not mean that the standard for a fever—generally considered more than 100 degrees F for adults—should be changed, Mackowiak says. “Temperature can be helpful in determining whether or not you’re ill and, based on its level, how ill you might be,” he says. For patients, a bacterial infection plus a lower than normal temperature could be an even more ominous sign than a higher than normal one, he says. Following a rise or fall in temperature can also indicate whether you are getting better or how you are responding to medication, he adds, though “how you feel is the most important thing.” 

The new study probably should not change the definition of fever, Rühli says. “But the variety of what is looked at as being normal should probably be adjusted.” 

09 dezembro 2019

UMA IMAGEM PARA O NEOLIBERALISMO: A PERMANÊNCIA DO HORROR

NEOLIBERALISMO BRASILEIRO: 
A PERMANÊNCIA DO HORROR 



"Este sistema aplicado no Chile está fracassado. E este fracasso está se estendendo aos poucos países que, de 1981 até hoje, privatizaram parcialmente ou totalmente seus sistemas de Previdência, o futuro nos mostrará claramente esse fracasso."








De 1981 a 2014, trinta países privatizaram total ou parcialmente seus sistemas de previdência social obrigatórios (figura 1). Quatorze países são da América Latina: Chile (primeiro a privatizar em 1981), Peru (1993), Argentina e Colômbia (1994), Uruguai (1996), Estado Plurinacional da Bolívia, México e República Bolivariana da Venezuela (1997), El Salvador (1998), Nicarágua (2000), Costa Rica e Equador (2001), República Dominicana (2003) e Panamá (2008); Outros quatorze são da Europa do Leste e da antiga União Soviética - Hungria e Cazaquistão (1998), Croácia e Polônia (1999), Letônia (2001), Bulgária, Estônia e Federação Russa (2002), Lituânia e Romênia (2004), Eslováquia (2005), Macedónia (2006), República Checa (2013) e Armênia (2014); E mais dois países da África - Nigéria (2004) e Gana (2010). Até 2018, dezoito países fizeram a re-reforma, revertendo total ou parcialmente a privatização da sua previdência social: República Bolivariana da Venezuela (2000), Equador (2002), Nicarágua (2005), Bulgária (2007), Argentina (2008), Eslováquia (2008), Estônia, Letônia e Lituânia (2009), Estado Plurinacional da Bolívia (2009), Hungria (2010), Croácia e Macedônia (2011), Polônia (2011), Federação da Rússia (2012), Cazaquistão (2013), República Tcheca (2016) e Romênia (2017) (Figura 1). A grande maioria dos países se afastou da privatização após a crise financeira global de 2008, quando as falhas do sistema de previdência privada tornaram-se evidentes e tiveram que ser corrigidas.

(Fonte: Escritório Internacional do Trabalho, dezembro de 2018).

TROUXE AQUI ALGUNS ITENS LEVANTADOS A PARTIR DAS OBSERVAÇÕES FEITOS PELA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO, NOS PAÍSES QUE SOFRERAM ESSA REFORMA DESUMANA QUE LEVA A BARBÁRIE. TUDO PELA CONCENTRAÇÃO DO CAPITAL NA MÃO DE POUCOS. 

(a) As taxas de cobertura estagnaram ou diminuíram: os defensores da privatização argumentaram que as contas individuais obrigatórias teriam maior rentabilidade e, assim, melhoraria o cumprimento das obrigações e aumentaria a propensão para contribuir. Porém, a maioria dos países registrou uma diminuição nas taxas de cobertura dos regimes contributivos. Na Argentina, as taxas de cobertura caíram mais de 20 por cento. O similar foi observado no Chile, Hungria, Cazaquistão e México; enquanto em outros países como Bolívia, Polônia e Uruguai, a cobertura se estagnou. 

(b) As prestações previdenciárias se deterioraram: A mudança do tipo de plano de benefício definido para contribuição definida teve um sério impacto negativo na suficiência das prestações, com taxas de substituição muitas vezes abaixo dos estândares da OIT, resultando em sérios protestos sociais, demonstrando a impopularidade das privatizações. Na Bolívia, as pensões privadas correspondem em média a apenas 20 por cento do salário médio durante a vida ativa do trabalhador. No Chile, a mediana das taxas de substituição futuras é de 15 por cento e apenas 3,8 por cento para os trabalhadores de baixa renda. A deterioração do nível das prestações sociais resultou em aumentos da pobreza na velhice, comprometendo o objetivo principal dos sistemas de previdência, que é a garantia de renda suficiente para a idade avançada, e exigindo, como consequência, um apoio público significativo.

(c) A desigualdade de gênero e de renda aumentou: a privatização quebrou o contrato social consagrado na seguridade social. Os programas de seguro social bem concebidos são redistributivos por duas razões principais: (i) por incluir uma transferência de renda dos empregadores para os trabalhadores e (ii) são destinados a redistribuir daqueles com maior renda para aqueles com menor renda ao longo da vida, e de pessoas saudáveis capazes de trabalhar para pessoas doentes, portadoras de deficiência ou incapacitadas de trabalhar, como as mulheres durante sua maternidade. Os componentes redistributivos dos sistemas de previdência social foram suprimidos com a introdução de contas individuais. As contribuições do empregador foram eliminadas. Como a aposentadoria privada é resultado de poupança pessoal, as pessoas de baixa renda ou que tiveram sua vida profissional interrompida - por exemplo por causa da maternidade e das responsabilidades familiares - obtiveram poupanças muito reduzidas e consequentemente terminaram com aposentadorias baixas, aumentando assim as desigualdades. Na Bolívia, por exemplo, a proporção de mulheres idosas que recebem uma aposentadoria caiu de 23,7 por cento em 1995 para 12,8 por cento em 2007; na Polônia, a proporção das mulheres em risco da pobreza atingiu um rércorde histórico de 22,5 por cento em 2014.

(e) Custos administrativos elevados: os custos administrativos dos fundos de previdência privados eram muito elevados e, em consequência, geraram rendimentos e aposentadorias mais baixos. Os administradores de fundos privados precisam cobrir diversos custos de gestão que não ocorrem nos sistemas públicos, tais como as taxas administrativas, taxas de gestão de investimentos, taxas de custódia, taxas de garantia, taxas de auditoria, taxas de publicidade e taxas jurídicas, entre outras, que - em conjunto - reduzem os ativos acumulados (e consequentemente as aposentadorias) em um período de 40 anos em até 39 por cento na Letônia, 31 por cento na Estônia e 20 por cento na Bulgária.

(f) Governança frágil - captura das funções de regulação e supervisão: A captura do regulador é a situação em que uma agência reguladora, criada para defender o interesse público, age em benefício de determinados grupos de interesse econômico do setor que devia ser objeto de regulação. Em geral, a gestão, supervisão e regulamentação dos fundos privados foram fracas; os laços estreitos entre os políticos e o setor financeiro, bem como a escassez de pessoal qualificado de alto nível na regulamentação dos mercados financeiros, contribuíram para a seleção de reguladores que já atuavam no setor, acomodando assim os interesses privados. Além disso, em muitos países, como o Estado Plurinacional da Bolívia e a Polônia, o envolvimento dos parceiros sociais na supervisão dos fundos de pensão privados foi excluído, prejudicando assim a supervisão em vigor.

(h) Quem se beneficiou das poupanças de aposentadoria das pessoas? O setor financeiro. E esta é uma questão séria para o desenvolvimento nacional. Em muitos países, as reservas da previdência na fase acumulativa foram usadas para o desenvolvimento nacional, como foi feito na Europa. No entanto, o uso de fundos de previdência para investimento público nacional em geral se perdeu nos sistemas privatizados de capitalização, que investiram as poupanças individuais em mercados de capitais buscando retornos elevados, sem colocar as metas nacionais de desenvolvimento como prioridade. As experiências de privatização nos países em desenvolvimento mostram que o setor financeiro, os administradores privados e as empresas comerciais de seguros de vida são, aparentemente, quem mais se beneficia da poupança previdenciária das pessoas - muitas vezes são os grupos financeiros internacionais que detêm a maioria dos fundos investidos. De fato, na maioria dos países, os regulamentos nacionais de investimentos não incluem quaisquer restrições ao investimento dos fundos de previdência no exterior, mesmo em países com extrema necessidade de investimentos sociais e econômicos, por exemplo na Armênia, Bulgária, Croácia, República Tcheca, Estônia, Lituânia, Romênia e Eslováquia. Em outros casos, alguns limites são indicados: no Chile, os administradores de previdência privada podem investir até 80 por cento de seus ativos - correspondendo a 56 por cento do PIB do Chile - em mercados externos.




TRABALHADOR CONTRIBUI, 

E QUEM LUCRA É A ADMINISTRADORA DE FUNDOS E PENSÕES
(OU SEJA OS BANCOS)
VEREMOS ESSE LUCRO DOS BANCOS NO PRÓXIMO ANO. QUANDO VOCÊ SE APOSENTAR LHE RESTITUIRÃO UMA MISÉRIA. 



"Último informe da OIT (Organização Internacional do Trabalho): dos 30 países que privatizaram parcial ou totalmente seus sistemas nas últimas três décadas, 18 voltaram para um sistema público devido ao completo fracasso da privatização".








ECONOMIA POLÍTICA LIBERAL E NEOLIBERAL



A Sociedade Mont Pèlerin (Société du Mont Pèlerin, ou Mont Pelerin Society) é uma organização internacional fundada em 1947, composta por filósofos, economistas e políticos de diversos países, reunidos em torno da promoção do liberalismo e de seus valores e princípios. A sociedade defende a liberdade de expressão, livre mercado e os valores políticos de uma sociedade aberta, sendo orientada por um ideário liberal ou, segundo seus críticos, neoliberal. Entre seus fundadores, incluem-se Friedrich Hayek, Frank Knight, Bertrand de Jouvenel, Karl Popper, Ludwig von Mises, George Stigler e Milton Friedman.

Esta sociedade foi fundada após uma conferência internacional organizada por Friedrich Hayek, na localidade de Mont-Pèlerin, próxima às cidades de Vevey e Montreux, na Suíça, e recebeu o nome do local desse seu primeiro encontro, mas não tem sede. Seus membros provêm dos vários continentes e pertencem a diversas correntes do pensamento liberal. Entre seus membros efetivos, inicialmente 50 e hoje em torno de 600, encontram-se oito ganhadores do "Prêmio de Ciências Económicas em Memória de Alfred Nobel": Gary Becker, George Stigler, James Buchanan, Maurice Allais, Milton Friedman, Douglass North e Ronald Coase, além do próprio Hayek.
Do Brasil, o diplomata brasileiro José Osvaldo de Meira Penna foi integrante da entidade há algumas décadas, assim como Henry Maksoud. Os outros membros brasileiros são Henri Chazan, Margaret Tse, Leonidas Zelmanovitz, Cândido Prunes, José Luiz Carvalho, André Burger, Paulo Ayres, Márcio Chalegre Coimbra e Ricardo Gomes.Sidney Maga

Em sua "Declaração de Objetivos", em 8 de abril de 1947, os estudiosos estavam preocupados com os perigos enfrentados pela civilização, afirmando o seguinte:

Em grandes extensões da superfície da Terra, as condições essenciais da dignidade e liberdade humanas já desapareceram. Em outros, eles estão sob constante ameaça do desenvolvimento das tendências atuais da política. A posição do indivíduo e do grupo voluntário é progressivamente prejudicada por extensões do poder arbitrário. Mesmo a posse mais preciosa do homem ocidental, a liberdade de pensamento e expressão, é ameaçada pela disseminação de credos que, reivindicando o privilégio de tolerância quando estão na posição de minoria, buscam apenas estabelecer uma posição de poder na qual possam suprimir e obliterar todos os pontos de vista, exceto os deles.
O grupo também declarou que é "difícil imaginar uma sociedade em que a liberdade possa ser efetivamente preservada" sem o "poder e iniciativa difundidos" associados à "propriedade privada e ao mercado competitivo" e achou desejável, entre outras coisas, estudar os seguintes assuntos:

1. A análise e exploração da natureza da crise atual, a fim de levar a outras pessoas suas origens morais e econômicas essenciais.

2. A redefinição das funções do Estado para distinguir mais claramente entre a ordem totalitária e a liberal.

3. Métodos para restabelecer o Estado de Direito e assegurar seu desenvolvimento de tal maneira que indivíduos e grupos não estejam em posição de invadir a liberdade de terceiros e os direitos privados não podem se tornar uma base de poder predatório.

4. A possibilidade de estabelecer padrões mínimos por meios não contrários à iniciativa e ao funcionamento do mercado.

5. Métodos de combate ao mau uso da história para promover credos hostis à liberdade.

6. O problema da criação de uma ordem internacional propicia à salvaguarda da paz e da liberdade e permitindo o estabelecimento de relações econômicas internacionais harmoniosas ".
O grupo "procura não estabelecer uma ortodoxia meticulosa e dificultadora", "realizar propaganda" ou alinhar-se com algum partido. O objetivo é facilitar "a troca de pontos de vista [...] para contribuir para a preservação e melhoria da sociedade livre".



"NEW DEAL", ESTADO PROVIDÊNCIA, 
ESTADO DE BEM-ESTAR SOCIAL



A crise do liberalismo econômico com a quebra da bolsa de valores de Nova Yorque, em 1929, exigiu a intervenção do Estado sobre a economia. Esse evento da quebra da bolsa ameaçou os princípios do liberalismo clássico ao deflagrar uma das maiores crises até então presenciadas na história do capitalismo. Crise esta que se espalhou como um incêndio pelo mundo todo. Nesse fundo histórico surge o plano econômico chamado de "New Deal", desenvolvido pelo então presidente dos USA Franklin Delano Roosevelt. Esse plano tinha o objetivo de recuperar e reformar a economia estadunidense, além de auxiliar os trabalhadores desempregados, pela Grande Depressão. 


Franklin Delano Roosevelt (1882-1945)

Eleito presidente em 1932, Franklin Delano Roosevelt tinha como seu máximo desafio reerguer a maior economia da época. Inspirados pelos princípios do economista John Maynard Keynes, um grupo de economistas do governo propôs então o chamado "New Deal". Desta forma, esse plano foi implementado nos Estados Unidos entre os anos de  1933 e 1937.



Franklin Delano Roosevelt e ministros 
Cartaz mostrando que o governo oferecia empregos 

NEW DEAL 1933-1937



ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL

O “Estado de Bem-estar Social” (do inglês, “Welfare State”), ou estado providência, é uma perspectiva de Estado para o campo social e econômico, na qual a distribuição de renda para a população (despossuída), bem como a prestação de serviços públicos básicos, são considerados como uma forma de combate às desigualdades sociais. Combate este realizado pelo estado, através de politicas públicas que que visam devolver a dignidade ao ser humano.

Portanto, neste ponto de vista, o Estado é o agente que promove e organiza a vida social e econômica, proporcionando aos indivíduos bens e serviços essenciais durante toda sua vida. 

Com efeito, esse modelo de gestão pública é típico em sistemas social-democratas das sociedades ocidentais modernas e, atualmente, seus melhores exemplos podem ser encontrados nas políticas públicas da Noruega, Dinamarca e Suécia.

CARACTERÍSTICAS DO ESTADO DE BEM ESTAR SOCIAL

A principal característica do Estado de Bem-estar Social é a defesa dos direitos dos cidadãos à saúde, educação, segurança, aposentadoria, etc.; a despeito disso, o modelo mais conhecido de políticas públicas é o Keynesiano, de John Maynard Keynes (1883-1946), que rompe com a visão de livre-mercado em favor da intervenção estatal na economia.
Este sistema foi adotado pelo presidente Franklin Delano Roosevelt durante a década de 1930, como parte de seu programa de recuperação econômica, o “New Deal”, o qual, para além das grandes obras, aumentou os salários e fixou os preços dos produtos evitando a inflação e a desvalorização da moeda (US dolar).

É uma característica nos países de Estado de Bem-estar Social a estatização de empresas (principalmente em setores estratégicos), bem como a criação de mecanismos para promover serviços públicos gratuitos e de qualidade, como água e esgoto, moradia, benefícios trabalhistas, educação, saúde, transporte e lazer para toda população. 

Para tanto, o Estado necessita interferir na economia, regulando-a de modo a gerar emprego e renda, ao passo em que estimula a produção. Por conseguinte, as jornadas de trabalho são de no máximo de 8 horas, o trabalho infantil é proibido e os trabalhadores possuem direito a seguro-desemprego e Previdência Social e assistência social.

Constituição Cidadã de 1988 

Dispõe o artigo 194, da nossa Constituição Federal, que a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. 
E isso constitui-se num imenso avanço em relação as constituições anteriores. Tornando o Brasil talvez o único país com mais de 200 milhões de habitantes a dispor de um Sistema Universal de saúde pública. Já a saúde, nos termos do artigo 196, da Constituição Cidadã, “é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Enquanto a assistência social (artigo 203, Constituição Cidadã de 1988) “será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social”.
A previdência social (art. 201), por sua vez, será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; proteção à maternidade, especialmente à gestante; proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; e pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2º. 
Como pode ser visto,  todos os cidadãos, portanto, tem direito à saúde. Já a assistência fica restrita a quem dela necessitar. A previdência, por sua vez, além de ser de filiação obrigatório, tem caráter contributivo, ou seja, quem não contribuir não terá direito aos benefícios desta.

Causas do Estado de Bem-Estar Social

A principal causa que precipitou a implementação de Estados de Bem-estar Social pelo mundo foi à crise do Liberalismo, o modelo que pregava a liberdade mercado em relação ao Estado. 
Portanto, a introdução do estado de bem-estar social foi uma resposta à crise do início do século XX, da qual a Primeira Guerra Mundial e a depressão econômica 1929 (Crise de 1929) foram um sintoma.
Não obstante, este conjunto de políticas públicas foram também uma espécie de revide aos movimentos trabalhistas e ao socialismo soviético, o qual rivalizou com o modelo Capitalista durante a Guerra Fria. 
Sem espanto, era preciso demonstrar qual dos modelos proporcionava uma melhor qualidade de vida aos seus cidadãos. 
Não existe outro modo de milhões e milhões de trabalhadores pagarem por um serviço com os salários que são praticados pelas empresas na atualidade; desse modo a Constituição garante que um mínimo de serviços seja destinado a esse contingente de humanos, usando o fundo público. A exploração da força de trabalho de 95% da população tem gerado desde o inicio do sec.XX riquezas imensuráveis, e uma fração dessa riqueza deve voltar ao trabalhador via medidas de bem-estar promovidas pelo estado. Todos sabemos que não existe vagas de emprego para os sete bilhões de humanos que existem no mundo, algum nível de desemprego sempre existirá. Assim, o estado deve prover políticas publicas para amenizar a vida dessas pessoas. 

Contexto histórico

Durante a década de 1920, os Estados Unidos era uma economia favorecida e superaquecida pela demanda de produtos pela Europa em reestruturação do pós-guerra (1914-1918).
Assim, com rápido crescimento da economia estadunidense após a guerra, houve um período de grande euforia econômica, essa década ficou conhecida como "Roaring Twenties" (em tradução livre: Loucos Anos Vinte, selvagens anos vinte). Nessa década, devido a superprodução de bens de consumo e a especulação financeira, gerou-se uma bolha na economia dos Estados Unidos.Uma das causas foi que no final dos anos de 1920, os países europeus já tinham se recuperado da primeira grande guerra (WWI), o que levou a economia estadunidense ao colapso, pois não havia para onde escoar seus produtos. A seguir veja os passos que levaram à quebra da bolsa e a resseção econômica. 

EUFORIA COM O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA
AMPLIAÇÃO DO CRÉDITO
AUMENTO DO CONSUMO
SURGIMENTO DE NOVAS EMPRESAS
AUMENTO DA PRODUÇÃO
AUMENTO DOS INVESTIMENTOS NA BOLSA DE VALORES
(ESPECULAÇÃO FINANCEIRA: supervalorização das ações)
MERCADORIAS ESTAGNADAS (sem compradores internos ou externos) 
(CRISE DE SUPERPRODUÇÃO)
DESVALORIZAÇÃO DAS EMPRESAS
GRANDE FLUXO DE VENDAS DE AÇÕES 
QUEDA DA BOLSA DE NOVA YORQUE E COLAPSO DA ECONOMIA DOS USA
(CRISE DO LIBERALISMO ECONÔMICO) 

SOLUÇÃO DA CRISE


PLANO ECONÔMICO "NEW DEAL" APLICADO POR FRANKLIN D. ROOSEVELT

Por esse motivo, o presidente Roosevelt lança, em 1933, o programa de recuperação econômica para os Estados Unidos, o “New Deal”, que consistiu basicamente em investimento maciço em obras públicas, destruição dos estoques de gêneros agrícolas e na diminuição da jornada de trabalho.
Por fim, na década de 1970, o esgotamento deste modelo torna-se evidente, ao ponto de Margaret Thatcher, chefe de estado inglesa, admitir que o Estado não tinha mais condições econômicas para custear o Estado Providência, dando início a era Neoliberal no Ocidente.


O plano econômico do "New deal" apresentava quatro itens:

(I) investimento maciço em infraestrutura do pais, i.e.,  em obras públicas: o governo investiu US$ 4 bilhões (de dólares) na construção de edifícios públicos,  usinas hidrelétricas, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos, estradas e rodovias, parques públicos etc.  

(II) destruição dos estoques de gêneros agrícolas, como algodão, trigo e milho, a fim de conter a queda dos preços dessas mercadorias;
(diga-se de passagem: somente no capitalismo se poderia pensar numa ação desse tipo, havendo milhões de pessoas passando fome; mesmo em estados racionais e ditos civilizados, a única alternativa para conter a queda de preços foi a destruição e não a distribuição desses gêneros para os mais necessitados e precarizados) pela crise que não foi produzida pelos trabalhadores; 

(III) controle do estado sobre os preços e a produção, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria e o aumento da inflação; alem disso com empréstimos e auxílios a pequenas e grandes propriedades, o governo auxiliava esses produtores a pagar suas dívidas acumuladas, incentivava a variedade de gêneros agrícolas produzidos e atraía as pessoas para a zona rural, pois o êxodo rural estava em crescimento e gerando problemas sociais na zona urbana.

(IV) diminuição da jornada de trabalho para 8 horas, com o objetivo de abrir novos postos. Com a diminuição da jornada para 8 horas as indústrias necessitavam de mais mão de obra, e então contratavam mais. Além disso, fixou-se o salário mínimo (minimum wage), criaram-se o seguro-desemprego e o seguro-aposentadoria (para os trabalhadores maiores de 65 anos).

Outro importante projeto do "New deal" o "Federal Project Number One", a WPA empregou músicos, artistas, escritores, atores e diretores em grandes projetos de artes, teatro, mídia e alfabetização. Quase todas as comunidades nos Estados Unidos tiveram um novo parque, ponte ou escola construída pela agência. O orçamento inicial da WPA em 1935, foi de US$ 4,9 bilhões (cerca de 6,7 por cento do PIB de 1935). Dirigida por Harry Hopkins, a WPA forneceu emprego e renda para os desempregados durante a Grande Depressão nos Estados Unidos. Em seu ápice, em 1938, ofereceu empregos remunerados para três milhões de desempregados, homens e mulheres, bem como para jovens em uma divisão distinta, a "National Youth Administration". Entre 1935 e 1943 quando essa agência foi dissolvida. 


Essas políticas econômicas, foram adotadas quase simultaneamente por Roosevelt nos Estados Unidos e por Hjalmar Schacht na Alemanha e, cerca três anos mais tarde, foram racionalizadas pelo economista John Maynard Keynes em sua obra clássica Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.


CARACTERÍSTICAS DO ESTADO 
DE BOM ESTAR SOCIAL:


1) FORDISMO NA PRODUÇÃO, I.E., AS GRANDES PLANTAS INDUSTRIAIS REALIZAVAM ATIVIDADE ECONÔMICA, DESDE A COLETA DA MATÉRIA PRIMA, PRODUZIAM BENS, CONTROLAVAM A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PRODUÇÃO, A DISTRIBUIÇÃO DESSES BENS DURÁVEIS E DE QUALIDADE E LONGA DURABILIDADE E O CONTROLE DOS PREÇOS.

2) INCLUSÃO CRESCENTE DOS INDIVÍDUOS NO MERCADO DE TRABALHO, ORIENTANDO-SE PELA IDEIA DO PLENO EMPREGO.

3) MONOPÓLIOS E OLIGOPÓLIOS TRANSNACIONAIS OU MULTINACIONAIS 
ERAM REGULADOS PELO ESTADO QUE ATUAVA COMO PARCEIRO E REGULADOR O QUE FOI FEITO ATRAVÉS DO FUNDO PUBLICO.




1947

Esse grupo da MPS (Mont Pelerin Society) opõe-se frontalmente ao estado de bem estar social, de estilo Keinesiano e social-democrata.
Contra a politica do New deal de Franklin Delano Roosevelt.

Atacam os encargos sociais (do governo) que tem a função regular as atividades de mercado. Para os assim chamados "neoliberais" o estado do bem-estar social destruiria a liberdade dos indivíduos e a competição, sem as quais não há prosperidade. Note que para eles o único gerador de prosperidade seria a competição, que por si só é uma falácia. 
A força política e ideológica desse grupo, deu origem a Escola de Chicago (de Economia). 

Para esse grupo a crise capitalista de 1970 (baixas taxas de crescimento econômico e altas taxas de inflação a famosa estagflação), assim, essa crise para esses pensadores, teria sido gerada pelo poder excessivo dos sindicatos e pelo poder dos movimentos operários. Essas entidades geraram demandas por melhores salários dos trabalhadores e por melhores condições de trabalho, melhor sistema de saúde, melhor educação e uma previdência que contemplasse os anos nos quais os trabalhadores não podem  mais ser explorados (velhice) (encargos sociais do estado). 
Os sindicatos e os movimentos operários, teriam diminuído a margem de lucro das empresas, o que deveria ser combatido. Pois, para eles são as empresas e não os operários que produzem a riqueza. Teriam assim destruído os níveis de lucro requeridos pelas empresas e desencadeado processos inflacionários incontroláveis (Chauí, 2019). 

Assim, eles preconizaram: 

(I) um estado forte para controlar as organizações dos operários e os sindicatos; para controlar o dinheiro público (gastos públicos com encargos sociais); cortar drasticamente os encargos sociais e investimentos na economia.

(II) criar um estado cuja meta principal seja a estabilidade monetária, contendo os gastos sociais e restaurando os nível de desemprego necessário para fornecer um estoque de mão de obra de reserva, para enfrentar greves dos sindicatos.

(III) o estado deve realizar uma reforma fiscal para incentivar os investimentos privados; diminuição dos impostos sobre o capital e as grandes fortunas e aumentar os impostos sobre a venda individual, portanto aumentando os impostos sobre o trabalho, sobre o consumo e o comércio. 

(IV) O estado deve se afastar da regulação da economia, deixando o mercado com suas regras próprias, para que ele operasse a desregulação; abolição dos investimentos estatais na produção, abolição  do controle estatal sobre o fluxo financeiro, drástica legislação anti-greve e vasto programa de privatização. 


CHILE - UK - USA (e depois por todo o planeta)

A Sociedade Mont Pèlerin (em francês Société du Mont Pèlerin, em inglês Mont Pelerin Society) é uma organização internacional fundada em 1947, composta por filósofos, economistas e políticos de diversos países, reunidos em torno da promoção do liberalismo e de seus valores e princípios. A sociedade defende a liberdade de expressão, livre mercado e os valores políticos de uma sociedade aberta, sendo orientada por um ideário liberal ou, segundo seus críticos, neoliberal. Entre seus fundadores, incluem-se Friedrich Hayek, Frank Knight, Bertrand de Jouvenel, Karl Popper, Ludwig von Mises, George Stigler e Milton Friedman.
Esta sociedade foi fundada após uma conferência internacional organizada por Friedrich Hayek, na localidade de Mont-Pèlerin, próxima às cidades de Vevey e Montreux, na Suíça, e recebeu o nome do local desse seu primeiro encontro, mas não tem sede. Seus membros provêm dos vários continentes e pertencem a diversas correntes do pensamento liberal. Entre seus membros efetivos, inicialmente 50 e hoje em torno de 600, encontram-se oito ganhadores do "Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel": Gary Becker, George Stigler, James Buchanan, Maurice Allais, Milton Friedman, Douglass North e Ronald Coase, além do próprio Hayek.
Do Brasil, o diplomata brasileiro José Osvaldo de Meira Penna foi integrante da entidade há algumas décadas, assim como Henry Maksoud. Os outros membros brasileiros são Henri Chazan, Margaret Tse, Leonidas Zelmanovitz, Cândido Prunes, José Luiz Carvalho, André Burger, Paulo Ayres, Márcio Chalegre Coimbra e Ricardo Gomes.Sidney Maga

Em sua "Declaração de Objetivos", em 8 de abril de 1947, os estudiosos estavam preocupados com os perigos enfrentados pela civilização, afirmando o seguinte:

Em grandes extensões da superfície da Terra, as condições essenciais da dignidade e liberdade humanas já desapareceram. Em outros, eles estão sob constante ameaça do desenvolvimento das tendências atuais da política. A posição do indivíduo e do grupo voluntário é progressivamente prejudicada por extensões do poder arbitrário. Mesmo a posse mais preciosa do homem ocidental, a liberdade de pensamento e expressão, é ameaçada pela disseminação de credos que, reivindicando o privilégio de tolerância quando estão na posição de minoria, buscam apenas estabelecer uma posição de poder na qual possam suprimir e obliterar todos os pontos de vista, exceto os deles.
O grupo também declarou que é "difícil imaginar uma sociedade em que a liberdade possa ser efetivamente preservada" sem o "poder e iniciativa difundidos" associados à "propriedade privada e ao mercado competitivo" e achou desejável, entre outras coisas, estudar os seguintes assuntos:

1. A análise e exploração da natureza da crise atual, a fim de levar a outras pessoas suas origens morais e econômicas essenciais.

2. A redefinição das funções do Estado para distinguir mais claramente entre a ordem totalitária e a liberal.

3. Métodos para restabelecer o Estado de Direito e assegurar seu desenvolvimento de tal maneira que indivíduos e grupos não estejam em posição de invadir a liberdade de terceiros e os direitos privados não podem se tornar uma base de poder predatório.

4. A possibilidade de estabelecer padrões mínimos por meios não contrários à iniciativa e ao funcionamento do mercado.
5. Métodos de combate ao mau uso da história para promover credos hostis à liberdade.

6. O problema da criação de uma ordem internacional propicia à salvaguarda da paz e da liberdade e permitindo o estabelecimento de relações econômicas internacionais harmoniosas ".

O grupo "procura não estabelecer uma ortodoxia meticulosa e dificultadora", "realizar propaganda" ou alinhar-se com algum partido. O objetivo é facilitar "a troca de pontos de vista [...] para contribuir para a preservação e melhoria da sociedade livre".



NEOLIBERALISMO 



Neoliberalismo é um novo conceito do liberalismo clássico. Sua principal característica é a defesa de maior autonomia dos cidadãos nos setores político e econômico e, logo, pouca intervenção estatal.
O Liberalismo surgiu no século XVIII em oposição ao Mercantilismo e às imposições aos trabalhadores em consequência da Revolução Industrial.
Seus ideais, entretanto, foram interrompidos pelo surgimento do keynesianismo, que surgiu após a Segunda Guerra Mundial e pregava ideias opostas.
Anos depois, o modelo do keynesianismo foi criticado, dando oportunidade para o regresso dos ideais do liberalismo econômico. Dado o contexto histórico, ele regressa no século XX com o nome de neoliberalismo.


NEOLIBERALISMO ECONÔMICO

O neoliberalismo econômico teve lugar a partir da década de 1970. Substituiu as medidas do modelo keynesiano, apoiando os princípios capitalistas.
Com o objetivo de estimular o desenvolvimento econômico, a ênfase principal é a não interferência do Estado na economia.
Os neoliberais defendem que a economia deve ser baseada no livre jogo das forças do mercado. Segundo eles, isso garantiria o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país. O que não é verdadeiro, temos exemplo disso vivido pelo Chile em 2019. 


CARACTERÍSTICAS DO NEOLIBERALISMO

I. Privatização de empresas estatais.

II. Livre circulação de capitais internacionais.

III. Abertura econômica para a entrada de empresas multinacionais.

IV. Adoção de medidas contra o protecionismo econômico (isso não pode ser feito uma vez que se o estado não regular esse setor o próprio estado quebra ou sucumbe frente a outros estados que produzem mais, com menos gastos, e em menor tempo). Mesmo os USA realiza um forte protecionismo no seu mercado, isso para favorecer os seus produtos, que são manufaturados internamente e assim, aumentar o lucro dos seus cidadãos.

V. Redução de impostos e tributos cobrados indiscriminadamente.


NEOLIBERALISMO NO BRASIL

No Brasil, o liberalismo foi adotado nos governos do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 1998 e 1999 a 2002 e no governo do presidente Lula 2002 a 2006 e 2006 a ). Nessa época forma implantadas reformas consideradas essenciais para modernizar o país e garantir a estabilidade econômica.
O neoliberalismo ganhou ampla aceitação nas décadas de 1980 e 1990, principalmente após o fim do socialismo no Leste europeu. Os pontos básicos do projeto neoliberal para os países americanos foram sintetizados no chamado "Consenso de Washington", em 1989.
Integrantes do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial reuniram-se para analisar as economias do continente. Além dessas organizações, também se reuniram os representantes dos Estados Unidos e de diversos países latinos americanos.
Dessa reunião resultou um conjunto de medidas para controlar a inflação e modernizar o Estado. São elas:

I. Ajuste fiscal – limitação dos gastos do Estado de acordo com a arrecadação, eliminando o déficit público. 

II. Redução do tamanho do Estado – limitação da intervenção do Estado na economia e redefinição do seu papel, com o enxugamento da máquina pública. 

(A falácia do enxugamento do estado é uma das mais citadas em debates. Em tese o estado nunca será mínimo. Pois um estado mínimo leva ao aumento da desigualdade social na população de trabalhadores, além disso, o estado pode ser minimo na saúde, educação, previdência mas nunca em segurança já que no neoliberalismo é necessário um grande contingente para evitar revoltas da população, pois se todas essas medidas forem adotadas a população trabalhadora se rebelará o que conduzirá a nação a uma guerra civil).

III. Privatização – venda das empresas estatais que não se relacionam com as atividades específicas do Estado. 
(Essa medida leva a uma dependência do estado nacional de outras economias, que forneçam insumos estratégicos, ou seja, levara mais cedo ou mais tarde ao fim do estado. Em outras palavras, se tudo for privatizado, o estado deixará de existir, e o pais não terá poder nem como negociar com os donos do capital). 


IV. Abertura comercial – redução das alíquotas de importação e estímulo ao intercâmbio comercial, de forma a ampliar as exportações e impulsionar o processo de globalização da economia. 
(Nesse caso também deve existir uma regulação do estado, uma vez que se a economia for totalmente aberta a indústria nativa deixa de existir já que necessita de incentivos do estado para subsistir. Todos os estados nacionais atualmente praticam um protecionismo em relação as suas empresas, em maior ou menor grau). 

V. Abertura financeira – fim das restrições à entrada de capital externo e permissão para que instituições financeiras internacionais possam atuar em igualdade de condições com as do país. 
(Outra falácia que o mercado financeiro internacional quer colocar “guela a baixo” nas economias emergentes e países subdesenvolvidos. É óbvio que com esse tipo de abertura quem lucrará são as nações ditas desenvolvidas, que especulam com as comodities de países pobre e em desenvolvimento. 

VI. Fiscalização dos gastos públicos e fim das obras faraônicas. 
(Obras faraônicas inexistem na maioria dos países atuais. Obras públicas que propiciam serviços à população devem sempre ser incentivadas e recursos alocados para esse fim). 

VII. Investimento em infraestrutura básica. O estado tem por dever prover sempre a infraestrutura básica, nesse caso abrindo frentes de trabalho para seus cidadãos em todos os espaços, já que a iniciativa privada jamais faria um trabalho desses. 

VIII. Terceirização.

No Brasil, uma das críticas às medidas neoliberais implantadas é que apesar de estabilizar a economia, o neoliberalismo não resolveu os graves problemas sociais do país. Não resolveu e nem resolvera, assim como não resolveu de nenhum pais que adotou esse sistema. As medidas só iniciam a dar resultado muitos anos depois de adotas e lentamente geram um grande “fosso” entre os trabalhadores e a elite. O neoliberalismo é o principal gerador de desigualdade social. 

O Brasil tem adotado o neoliberalismo a conta-gotas. Todavia com a eleição do Bolsonaro, esse sistema produtor de desigualdade tem disso adotado aceleradamente. O neoliberalismo já foi adotado nos seguintes países: Argentina, Chile, Estados Unidos, Grã-Bretanha (Escócia, Inglaterra e País de Gales), México, Peru e Venezuela. 

Em nenhum desses países ele produziu efeitos benéficos. Os supostos efeitos benéficos só foram sentidos por uma classe especifica, qual seja, a elite (banqueiros, rentistas, especuladores). Em todos esses países citados aumentou enormemente a desigualdade social. Educação privatizada, saúde privatizada, segurança privatizada, água, esgotos, privatizados, previdência privatizada. A única classe que ainda é sustentada pelo contribuinte é a classe das Forças Armadas. Os ideólogos do neoliberalismo latino-americano já sabiam de antemão que deviam salvaguardar alguém e escolheram o braço armado pois para introduzir o neoliberalismo somente à força. Assim, as forças armadas são mantidas pelo erário público, todas as demais dependem de previdência privada e capitalização. 

O Chile foi o primeiro país do planeta a privatizar sua previdência. O maior erro de todos os tempos. Ninguém assinaria uma procuração em branco para que terceiros administrassem seu dinheiro. E foi isso que no Chile, o ditador Pinochet fez. Chile colocou em prática algo que só existia em livros teóricos de economia, e que nunca havia sido testado: cada trabalhador faz a própria poupança, que é depositada em uma conta individual, em vez de ir para um fundo coletivo. Enquanto fica guardado, o dinheiro é administrado por empresas privadas, que podem investir no mercado financeiro, cobrando por essa administração.Trinta e cinco anos depois, porém, o país vive uma situação insustentável, segundo sua própria presidente, Michelle Bachelet. O problema: o baixo valor recebido pelos aposentados. Enquanto as administradoras dos fundos e seus acionistas ficaram bilionários, o trabalhador amarga uma renda que nem possibilita sua subsistência na fase mais difícil da vida, a velhice. 
Atualmente a população chilena se revoltou contra os princípios do neoliberalismo constantes na constituição Chilena. Exigindo uma nova assembleia constituinte, já que a atual foi outorgada por um governo ditatorial e genocida. 

Cristóbal Bellolio, professor da Universidade Adolfo Ibáñez, e Claudio Fuentes, professor de Ciência Política da Universidade Diego Portales afirmam que "este é certamente um problema estrutural do sistema socioeconômico chileno". "Não é um mistério e nem é de hoje que o Chile seja um país muito desigual. Para estes professores, o aumento da passagem do metrô se soma ao aumento do custo da eletricidade, da água e da crise no sistema público de saúde. Os protestos também têm a ver com pensões (aposentadoria): o Chile discute há muitos anos uma reforma do sistema privatizado de previdência, que, para a maioria da população, é um sistema que promove a desigualdade, onde poucos (banqueiros) ganham muito e o trabalhador que investe seu dinheiro por mais de trinta anos não recebe o suficiente para sobreviver no final de sua vida. "É uma mistura que não oferece esperança de tempos melhores, que é precisamente a promessa do governo atual de Sibastián Piñera. Pelo contrário, acho que as pessoas estão percebendo agora que o tudo é está piorando". Apesar do neoliberalismo, "houve um grande crescimento da classe média, mas é uma classe média precária, com baixas pensões, altos níveis de dívida e que vive muito de crédito e salários muito baixos. É uma situação em que o dia a dia é precário, cheio de incertezas ".

O Chile foi o primeiro país neoliberal, sob o ditador Augusto Pinochet. Umas das “vitrines” do neoliberalismo, o Chile, frequentemente usado como exemplo lapidar do neoliberalismo em ação por mais tempo no planeta, está desmoronando exatamente agora. Nesse país praticamente tudo foi privatizado, não havendo fonte alguma de recursos além dos impostos da população. O país foi tratado como uma empresa que deve geral lucro. Mas os gestores esqueceram de alimentar a galinha dos ovos de ouro: o povo. Agora o povo está à mingua, o que gerou uma revolta de proporção catastrófica para o próprio neoliberalismo. O neoliberalismo mostrou o ponto onde todos que o adotam como modelo chegarão: a saber, na desigualdade extrema entre as classes. 




De acordo com o economista Kristian Niemietz, pesquisador do Institute of Economic Affairs (IEA), o ministro responsável pela mudança, 
José Manuel Piñera Echenique, teve a ideia de privatizar a previdência após ler o economista americano Milton Friedman (1912-2006), um dos maiores defensores do liberalismo econômico no século passado. Hoje, todos os trabalhadores chilenos são obrigados a depositar ao menos 10% do salário por no mínimo 20 anos para se aposentar. A idade mínima para mulheres é 60 anos e para homens, 65anos. Não há contribuições dos empregadores ou do Estado. Já os militares não estão sujeitos a essa previdência, sendo financiados pelo estado e por isso não possuem uma idade minima para se aposentar nem estão sujeitos às administradoras de fundos e pensões.
Agora, quando o novo modelo começa a produzir os seus primeiros aposentados, o baixo valor das aposentadorias estarreceu a todos: 90,9% da população recebem menos de 149.435 pesos (cerca de R$ 694,08). Os dados foram divulgados em 2015 pela Fundação Sol, organização independente chilena que analisa economia e trabalho, e fez os cálculos com base em informações da Superintendência de Pensões do governo. O salário mínimo do Chile é de 264 mil pesos (cerca de R$ 1,226.20).

J
osé Manuel Piñera Echenique (1948), membro da família Piñera e irmão do atual presidente do Chile Sebastián Piñera, é economista chileno, conhecido por seu papel na geração e implementação de reformas liberais, que ele chamou de "as sete modernizações" durante a ditadura do general Augusto Pinochet, período em que atuou como Ministro de Estado nas carteiras do Trabalho e Previdência Social e Mineração. Ele foi o criador do sistema de previdência privada (AFP), com base na capitalização individual e no "plano de trabalho".   





NEOLIBERALISMO NA EDUCAÇÃO


As aspirações neoliberais verdadeiramente surtiram efeito na educação. Isso se observa porque a escola é vista como uma empresa que deve gerar lucro e esta inserida no mercado que tem suas regras próprias.  E estamos vendo o inicio de da ideia da privatização do ensino público. 
Há uma discussão de anos (desde 1998 ou mesmo antes), onde medidas governamentais levam a uma precarização das universidades, levando a ideia de que as instituições públicas não dão lucro e não sabem se autogerir, devendo ser privatizadas.
Surgem os cursos profissionalizantes, os quais preparam o aluno para o mercado de trabalho, mas limitam a sua capacidade crítica.
Além disso, outro fato que corrobora o pensamento neoliberal é o maior número de aprovação dos alunos, apesar da sua baixa qualidade de aprendizagem e ausência de pensamento crítico.








Bibliografia



https://lucianarusso.jusbrasil.com.br/artigos/112319034/seguridade-social-e-o-mesmo-que-previdencia-social

https://en.wikipedia.org/wiki/Mont_Pelerin_Society

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Mont_P%C3%A8lerin

https://www.todamateria.com.br/neoliberalismo/

https://brasilescola.uol.com.br/historiag/new-deal.htm

https://www.estudopratico.com.br/o-que-foi-o-new-deal/

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-50130830

https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Seguridade/No-Chile-capitalizacao-traz-miseria-a-aposentadoria-e-desnacionalizacao-a-economia/63/43891

https://www.abrasco.org.br/site/wp-content/uploads/2019/03/estudo_OIT.pdf

http://www.histedbr.fe.unicamp.br/navegando/glossario/verb_c_neoliberalismo1.htm