INÍCIO

08 julho 2014

A CHAVE DA IMAGEM

A CHAVE DA IMAGEM 


Algo de valor bem guardado.
Guardião de um tesouro.
União e libertação, entrar e sair, trancar e destrancar, a tensão entre a procura e a descoberta, restrição e libertação, guardião da entrada e a quele que abre o caminho. Chaves únicas para fechaduras complexas e a chave mestra que é como uma lei universal. A chave que abre todas as portas. 
Guardião da chama da arte, do conhecimento transmitido desde as cavernas até nossos dias. 
A sabedoria guardada 
Um grande amor cultuado em silêncio 
Cumplicidade, quando amigos ou quando duas ou mais pessoas compartilham a cópia de uma chave para abrir a mesma fechadura. Compartilhar um conhecimento, uma arte. 
A capacidade de interpretar, de explicar, de guardar. Uma metáfora. 
Possui a chave para decodificar a mensagem. O texto, o mundo, a paisagem a imagem. 
Iniciação, poder de abrir as portas do conhecimento, de interpretar sinais e signos. 
Sinal de fidelidade e lealdade
Responsabilidade quanto a uma realidade, à um conhecimento ou à uma arte.
Uma conjunção que encontra analogia com o ato sexual.
A chave para todos os enigmas. 
A chave é mercurial.   










FOTOGRAFIA ALTERNATIVA - CIANOTIPIA


CURSO DE FOTOGRAFIA ALTERNATIVA

Descrição

Este minicurso visa levar o artista a entender os princípios básicos da química da fixação da imagem sobre um suporte qualquer sobretudo papel, seus fundamentos lógicos e seu relacionamento com a luz UV do Sol e de lâmpadas, e sua preservação via fixador químico (quando necessário). Procura-se apresentar as técnicas históricas da Cianotipia e Marrom de Van Dyke, bem como o uso em conjunto de ambas as referidas técnicas. Exemplos e aplicações práticas são discutidos, com o apoio de imagens de artistas do passado e contemporâneos, além das próprias imagens produzidas pelos alunos.

Ementa 

Histórico das técnicas, produção da emulsão para impregnar o suporte (papel ou tecido), produção de imagens artísticas (registro, índice e ícone), viragens e avaliação. 



Lista do material necessário para cianotipia: 

1) Balança de precisão.

2) SOLUÇÃO A: 
10 gramas de ferricianeto de potássio. Diluir em 100 ml de água destilada.

3) SOLUÇÃO B: 
25 gramas de citrato férrico amoniacal (citrato de amónio férrico) (verde). Diluir em 100 ml de água destilada. 

4) Água  destilada ou deionizada.(água da torneira também serve)

5) Colheres de plástico para dosar.

6) Copo de Becker (ou um copo graduado).

7) 3 frascos de vidro para misturar (opcional pois será levado pronto) 

8) Colheres de plástico (opcional).

9) Luvas de borracha (opcional).

10) Avental.

11) Jornal para a prensa.

12) Pano de limpeza.

13) Pincéis chatos e macios.

14) Prendedor de roupa de plástico.

15) Varal.

16) Papel canson 200g ou 300g (melhor desempenho) (o mesmo usado para aquarela).

17) Fotolito (impresso em negativo) ou folhas de vegetais ou objetos para fotogramas. 

18) 1 placa de vidro para  impressão do contato.

19) uma tábua (mdf ou eucatex) fina do mesmo tamanho da placa de vidro.

20) Luz do sol (melhor) ou lâmpadas UV. 

21) clips "Cis Binder" para papel. 

SOBRE O VIVER - BUDISMO

ATTADIPA

ATTADIPA é um termo budista de profundo significado. ATTADIPA SUTTA: ser um refúgio, uma ilha dentro de si mesmo. Devemos (no budismo) ser refúgio dentro de nós mesmos , o DHAMMA (verdade do Buddha) deve ser meu refúgio. Devemos procurar a fonte última das coisas e realidades na impermanencia das cinco SKAHANDAS ou KHANDHAS (do sânscrito: monte, massa, agregado, tronco de uma árvore) que são as cinco funções ou aspectos que formam o ser sensciente, mas Buddha diz que nenhum entre eles (5) é o EU ou MEU. 
São elas: 
1) FORMA, 
2) SENSAÇÃO, 
3) PERCEPÇÃO, 
4) IMPULSOS (volição) 
5) CONSCIÊNCIA. 
Assim, devemos examinar os cinco aospectos pois são eles a fonte de todo sofrimento do ser humano.  

WORLD CUP - BRASIL 2014





IMAGENS COMUNS - 2014
























DIARIO VISUAL - IMAGENS COM SIGNIFICADO











IMAGENS 2014





Política


Ucrânia: laços indiscretos entre 
EUA e neo-nazistas

Publicado 25/02/2014 às 01:26


Politicas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram senador americano John McCain de falar num comício do partido; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse um encontro amigável com líder da agremiação
Obcecada com vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus


Por Max Blumenthal, no Alternet | Tradução Cauê Seignemartin Ameni


Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, este fim-de-semana, as demonstrações de extremistas fascistas e neo-nazistas assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas. Desde o início dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a polícia ucraniana e exigir a expulsão do corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich, as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza étnica de seu país.
Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-americanos [escravocratas] foram fixadas dentro da prefeitura de Kiev ocupada. Manifestantes içaram bandeiras da SS nazista e símbolos do poder branco sobre a estátua tombada de Lenin. Depois que Yanukovich fugiu do palácio estatal de helicóptero, os manifestantes destruíram a estátua dos ucranianos que morreram lutando contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Saudações nazistas e o símbolo do Wolfsangel tornaram-se cada vez mais comuns na praça Maiden. Forças neo-nazi estableceram “zonas autonômas” em torno de Kiev. Um grupo anarquista chamado União Ucraniana Antifascista tentou juntar-se aos manifestantes de Maiden, mas encontrou dificuldades, com ameaças de violência das gangs neo-nazis itinerantes da praça. “Eles disseram que os anarquistas são gente como judeus, pretos e comunistas. E nem havia comunistas entre nós, foi um insulto”, ”, disse um integrante do grupo.
“Está cheio de nacionalistas aqui — incluindo nazistas”, continuou o antifascista. “Eles vieram de toda Ucrânia, e são cerca de 30% dos manifestantes.”

Um dos “três grandes” partidos políticos por detrás dos protestos é o ultra-nacionalista Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, que clama pela “libertação” de seu país da “máfia judaico-moscovita”. Após a condenação, em 2010, de John Demjanjuk, um vigilante dos campos de extermínio que teria participado da morte de 30 mil pessoas no campo de extermínio nazista de Sobibor, Tyahnybok propôs à Alemanha  declará-lo um herói que “lutou pela verdade”. No parlamento ucraniano, onde o Svoboda detém inéditos 37 assentos, o vice de Tyahnybok, Yuiy Mykhalchyshyn, cita com frequência Joseph Hoebbels. Ele próprio fundou um thinktank originalmente chamado de Centro de Pesquisa Política Goebbels. Segundo Per Anders Rudling, acadêmico especialista em movimentos neofascista na Europa, o auto-intitulado “nacional socialista” Mykhalchyshyn é o principal elo entre a ala oficial do partido Svoboda e as milícias neonazistas, como o Right Sector. 
Right Sector é um grupo nebuloso, que se auto-intitula “nacionalista autônomo”. Seus membros são identificados pelo jeito skinhead de trajar, estilo de vida ascético e fascínio pela violência nas ruas. Armado com escudos e porretes, o grupo ocupou as linhas de frente das batalhas nas manifestações deste mês, enchendo o ar com seu tradicional canto: “A Ucrânia, acima de tudo!”. Em um vídeo-propaganda recente [veja abaixo], o grupo prometeu lutar “contra a degeneração e o liberalismo totalitário, pela tradição moral nacional e os valores familiares.” Com o Svoboda ligado a uma constelação de partidos neofascistas internacionais por meio da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Right Sector promete levar seu exército de jovens desiludidos a “uma grande Reconquista Europeia”.

As políticas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram o senador americano John McCain, de falar num comício do partido, ao lado de Tyahnybok; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse de um encontro amigável com o líder do Svoboda, em fevereiro. Ansioso por se defender de acusações de anti-semitismo, o dirigente hospedou recentemente o embaixador israelense da Ucrânia. “Eu gostaria de pedir aos israelenses que respeitassem também nossos sentimentos patriotas”, Tyahnybok observou. “Provavelmente, todos os partidos do Knesset [parlamento de Israel] são nacionalistas. Com a ajuda de Deus, deixe-nos ser assim também.”

Numa conversa telefônica vazada com o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, Nuland revelou seu desejo de que Tyahnybok permaneça “do lado de fora”, mas que se consulte com Arseniy Yatsenyuk, o preferido dos EUA para substituir Yanukovich, “quatro vezes por semana.” Em 5 de dezembro de 2013, na Conferência da Fundação EUA-Ucrânia, Nuland destacou que Washington havia investido 5 bilhões de dólares para “desenvolver habilidades e instituições democráticas” na Ucrânia, embora não tenha acrescentado nenhum detalhe.

“O movimento da praça Maiden incorporou os princípios e valores que são os pilares de todas as democracias livres”, proclamou Nuland.

Duas semanas depois, 15 mil membros do Svoboda realizaram uma cerimônia com tochas na cidade de Lviv, em homenagem a Stepan Bandera, colaborador nazista da Segunda Guerra Mundial e então líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), pró-fascista. Lviv tornou-se o epicentro das atividades neo-fascistas na Ucrânia, com os dirigentes eleitos do Svoboda liderando uma campanha para renomear o aeroporto (em homenagem ao líder fascista) e a antiga Praça da Paz. Isso, eles já conseguiram. Ela honra, agora, o Batalhão Nachtigall, rememorando um grupo, ligado à OUN-B, que participou diretamente do Holocausto. “Paz’ é um resquício dos estereótipos soviéticos”, explicou um deputado do Svoboda.

Reverenciado pelos nacionalistas ucranianos como legendário lutador da liberdade, a verdadeira história de Bandera foi infame, na melhor das hipóteses. Depois de participar da campanha para assassinar ucranianos que defendiam a pacificação com os poloneses, durante a década de 1930, as forças de Bandera determinaram-se a limpar etnicamente a Ucrânia ocidental dos poloneses, entre 1943 e 1944. No processo, mataram mais de 90 mil poloneses e muitos judeus, a quem o seguidor mais destacado de Banderas, o “primeiro ministro” Yaroslav Stetsko, estava determinado a exterminar. Bandera aferrou-se à ideologia fascista mesmo nos anos do pós-guerra, defendendo uma Europa etnicamente pura e totalitária, enquanto o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), ligado a ele, travava uma luta armada sem futuro contra a União Soviética. O banho de sangue só cessou quando agentes da KGB o assassinaram em Munique, em 1959.

As conexões da Direita

Muitos membros sobreviventes da OUN-B fugiram para a Europa Ocidental e para os EUA – por vezes, com ajuda da CIA –, onde forjaram silenciosamente alianças políticas com elementos da direita. “Você tem que entender, nós somos uma organização subterrânea. Nós passamos anos em silêncio, alcançando posições de influência”, disse um membro ao jornalista Russ Bellant, que documentou o ressurgimento do grupo nos Estados Unidos, em seu livro de 1988, Velhos nazistas, Nova Direita, e o Partido Republicano.

Em Washington, a OUN-B reconstitui-se sob a bandeira do Comitê do Congresso Ucraniano para os EUA [Ukrainian Congress Committee of America (UCCA)], uma organização composta por “frentes 100% OUN-B”, segundo Bellant. Em meados da década de 1980, o governo Reagan ligou-se a membros da UCCA. O líder do grupo, Lev Dobriansky, serviu como embaixador nas Bahamas, e sua filha, Paula, teve um posto no Conselho de Segurança Nacional. Reagan recebeu pessoalmente Stetsko, o líder banderista que supervisionou o massacre de 7 mil judeus em Lviv, na Casa Branca, em 1983.

“Seus problemas são nossos problemas”, disse Reagan para o colaborador nazista. “Seu sonho é o nosso sonho.”

Em 1985, quando o Departamento de Justiça lançou a cruzada para capturar e processar os criminosos de guerra nazistas, a UCCA agiu rapidamente, pressionando o Congresso a travar a inciativa. “A UCCA também tem desempenhado um papel de liderança na oposição de investigações federais dos supostos criminosos de guerra nazistas, desde o início da relação entre as entidades, no final dos anos 1970”, escreveu Bellant. “Alguns membros da UCCA têm muitas razões para se preocupar. Elas remontam a 1930.”

Ainda hoje uma força lobista ativa e influente em Washington, a UCCA não parece ter abandonado sua reverência pelo nacionalismo banderista. Em 2009, no 50º aniversário da morte de Bandera, o grupo proclamou-o “um símbolo de força e justiça para seus seguidores”, que “continua inspirando a Ucrânia hoje em dia”. Um ano depois, o grupo homenageou o 60º aniversário da morte de Roman Shukhevych, o comandante do Batalhão Nachtigall da OUN-B, que massacrou judeus em Lviv e Belarus, chamando-o de “herói” que “lutou pela honra e justiça…”

De volta a Kiev em 2010, o então presidente Viktor Yuschenko concedeu a Bandera o título de “Herói Nacional da Ucrânia”, marcando o ponto culminante dos seus esforços para construir uma narrativa nacional anti-russa capaz de “higienizar” o fascismo da OUN-B. (A esposa de Yuschenko, Katherine Chumachenko, atuou no governo Reagan e foi ex-funcionária da Heritage Foundation, claramente identificada com a direita “neoconservadora”). Quando o Parlamento Europeu condenou a proclamação de Yuschenko como uma afronta aos “valores europeus”, a afiliação ucraniana da UCCA no Congresso Mundial reagiu com indignação, acusando a UE de “reescrever a história da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial”. Em seu site, a UCCA tentou rotular os registros históricos da colaboração de Bandera com os nazistas como “propaganda soviética”.

Após a derrubada de Yanukovich neste mês, a UCCA ajudou a organizar comícios em todas as cidades dos EUA, em apoio aos manifestantes. Quando centenas destes marchavam pelo centro de Chicago, alguns agitavam bandeiras da Ucrânia, enquanto outros orgulhosamente carregavam as bandeiras vermelhas e pretas da UPA e OUN-B. “Os EUA apoiam a Ucrânia!” eles gritavam.

Fonte




***


Encontrei esse artigo de 2013, que mostra que a homofobia existe em todo lugar e no skate não seria diferente. Entretanto por serem sempre discriminados por todos e taxados como vagabundos ou preguiçosos imaginava que haveria uma solidariedade entre excluídos mas imaginei erroneamente. Passo a reproduzir aqui o artigo que me chamou a atenção.



Beijo de skatistas gays causa polêmica em capa de revista


Genilson Coutinho,
11/11/2013


A revista “Vista” – queridinha dos amantes do skate – publicou sua próxima edição com sua capa com ilustração de uma cena com dois rapazes possivelmente se beijando atrás de um skate, com cores do arco-íris, estampando os seus rostos. Na página do Facebook, a publicação disse que esta capa é um marco na história do skate nacional, pois quebra barreiras e tabus. Mas nem tudo é uma belezura assim, pois muitos praticantes do esporte não curtiram tal capa da publicação e está acontecendo um intenso rebuliço e debate sobre o tema naquela página.

Em entrevista a “Vice”, o fotógrafo Fernando Martins Ferreira, que realizou esta edição da “Vista”, falou que “eu imaginava que pudesse ter alguma repercussão negativa porque o pessoal do skate cobra uma determinada conduta. Especialmente da mídia. Mas o que me surpreendeu mais foi o grau da repercussão. O skatista se acha muito diferente, muito à parte da sociedade, mas reproduz doutrinamentos exatamente iguais a todo mundo. Ele é extremamente homofóbico e machista”.

O fotógrafo ainda complementou: “a homossexualidade é um tabu enorme no skate. Só se conversa sobre o assunto pejorativamente. É algo, aliás, muito comum: ver skatistas homofóbicos julgando a todo tempo quem é ou pode ser gay. A capa da Vista é somente uma sugestão. O que as pessoas veem está na cabeça delas. Despertar para isso já é uma conquista”.



Fonte



GRAFFITI GIF


GIF é a sigla para Graphics Interchange Format, um tipo de imagem muito usado na internet para compartilhar pequenas animações. Graffiti é uma inscrição ou um desenho feito em pisos, paredes, portas, etc. GIF-iti é um GIF feito de graffiti.
O objetivo do GIF-iti, projeto criado pelo artista INSA, é exagerar o caráter efêmero do graffiti nas ruas, já que assim que um desenho fica pronto, outro começa a ser feito por cima. Mais que isso, é dar nova vida a ele no universo online, onde o GIF imortaliza cada estágio da obra. O making off de um dos GIF-itis pode ser conferido no vídeo abaixo, que traz uma parceria de INSA com a banda Portugal. The Man. (Maio, 2014) (catracalivre).


MONSTER PIES



Sinopse

Em Monster Pies (2013), dirigido por Lee Galea, acompanhamos Mike (Tristan Barr), um adolescente introspectivo e solitário que encontra um inesperado elo emocional com Will (Lucas Linehan), um novo aluno transferido para sua escola.

Os dois são designados para um trabalho escolar sobre Frankenstein, de Mary Shelley, um romance clássico sobre criação, rejeição e identidade. À medida que desenvolvem o projeto, que transforma-se num curta em stop motion intitulado Monster Pies, a amizade dos dois evolui para algo mais íntimo e complexo.

Mike, reprimido e tímido, encontra em Will um espírito livre que parece entender sua sensibilidade e o peso de suas inseguranças. No entanto, a descoberta e aceitação do próprio desejo vêm acompanhadas da hostilidade de um ambiente escolar homofóbico, de famílias disfuncionais e de expectativas sufocantes.

À medida que o vínculo entre eles se aprofunda, o filme equilibra momentos de ternura e inocência com uma crescente sensação de tragédia. 
O desfecho, trágico, melancólico e simbólico, traz uma perda devastadora que redefine a vida de Mike e o deixa confrontando a solidão, o luto e a lembrança do primeiro amor.

Significado psicológico e simbólico

Como Estudioso do cinema, eu diria que Monster Pies funciona menos como uma narrativa tradicional e mais como uma metáfora visual do crescimento emocional e da alienação juvenil, imposta pela sociedade, mesmo a sociedade escolar, bem como a sociedade como um todo.

1. O “monstro” interior

O título é uma referência direta à tarefa de escola, mas, simbolicamente, os “monstros” são os próprios protagonistas, jovens que se percebem diferentes, deformados aos olhos de uma sociedade que não os aceita. Uma sociedade ela mesma monstruosa e excludente. 
Assim como a criatura de Frankenstein, Mike e Will são frutos de um mundo que os criou, uma sociedade hipócrita, conservadora e preconceituosa, mas os rejeita por não se encaixarem em normas sociais e sexuais.

2. Identidade e vergonha

A psicologia do filme gira em torno do conflito entre o eu verdadeiro e o eu socialmente aceitável.
Mike, em especial, vive em repressão constante, tentando esconder o que sente, evitando olhar diretamente para seu desejo. Essa repressão gera sintomas típicos da adolescência marginalizada: ansiedade, isolamento e culpa.

3. A idealização do amor

A relação entre Mike e Will representa o primeiro amor como rito de passagem. É doce, mas também doloroso, pois está envolto na impossibilidade. 
A idealização de Will por parte de Mike, quase como um herói libertador, acaba expondo o medo de abandono e a vulnerabilidade emocional.

4. O luto e a culpa

O desfecho do filme confronta Mike com a perda e a culpa do sobrevivente, uma experiência psíquica profundamente traumática. A ausência de Will o obriga a lidar com o vazio, as lembranças que ficaram e perceber que parte do que amava estava também dentro de si. Amar-se a si mesmo. 
A sequência final sugere que, ao continuar o projeto de Monster Pies, Mike tenta “reviver” Will, tal como Frankenstein tenta reviver sua criação. É o cinema (ou a arte) como mecanismo de cura e reconstrução do eu.


A título de conclusão cinematográfica

Monster Pies é um drama de baixo orçamento, mas com enorme força emocional e autenticidade estética. Lee Galea filma com uma sensibilidade que lembra o realismo emocional do cinema independente australiano, usando luz natural, planos contemplativos e uma trilha sonora que reforça o clima de memória e perda. No fundo, é um filme sobre ser visto, ser aceito como se é, e ser amado quando se pensa e se acredita ser monstruoso, uma história de aceitação, juventude e o poder redentor (e doloroso) do amor.




















11 outubro 2013

ONDE CORPO QUANDO MENSAGEM - TCC Artes Visuais - UFRGS - Antonio Paim


UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
INSTITUTO DE ARTES 
CURSO DE BACHARELADO EM ARTES VISUAIS

ANTONIO CARLOS PAIM


ONDE CORPO QUANDO MENSAGEM

   
UFRGS 
Porto Alegre 
2012





ANTONIO CARLOS PAIM

Trabalho de Conclusão apresentado à Comissão de Graduação do Curso de Artes Visuais - Bacharelado em Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como requisito parcial e obrigatório para obtenção do título de Bacharel em Artes Visuais .
................................................................................
Orientador: Prof. Dr. Paulo Silveira



ONDE CORPO QUANDO IMAGEM


 
Porto Alegre, em 03 de janeiro de 2013. 


_______________________________________ 
Prof. Dr. Paulo Silveira –– Orientador 
_______________________________________ 
Profa. Dr. Maria Lucia Cattani -– Banca examinadora 
_______________________________________ 
Prof. Rodrigo Nuñez –– Banca examinadora


AGRADECIMENTOS

Quando parei para escrever estes agradecimentos muitos nomes de amigos, colegas e conhecidos povoaram minha lembrança, entretanto optei por registrar aqui aqueles que agiram ex corde1, sinceramente, sem nada esperar. Devo agir como diziam os antigos: Quod Dei Deo, quod Caesaris, Caesari2. 

Ao meu orientador Dr. Paulo Silveira, um pensador meticuloso, que empregou seu talento de maneira tranqüila e jovial na orientação deste trabalho. 

Aos meus professores, verdadeiros mestres, que me proporcionaram todas as condições para que eu chegasse até este ponto. Obrigado pela dedicação, pela atenção e pelo tempo que compartilharam comigo seu conhecimento e amor pela arte. 

Aos meus amigos: Wagner Schmitzhaus, Mateos Moraes, Antonio Carlos Rowe de Barros, Adalberto Portoalegre, pela presença constante; obrigado pela compreensão e pelo carinho. 

Aos amigos Artistas Fotógrafos: Luiz Eduardo Robinson Achutti e Adalberto Portoalegre por multiplicarem o conhecimento dividindo-o sempre com todos. 

Aos meus chefes pela compreensão. 

Aos meus colegas das Ciências da natureza, e amigos: Profª. Maria Helena Gravina e Prof. Luis Carlos Gomes; a todos, pelas agradáveis discussões acadêmicas na hora do almoço, pela presença, carinho e constante incentivo. 

Às colegas e amigas de viagem: Profª. Dra. Silvana Pineda e Cristina Kaszuba pelo convívio, pela luta diária, pelo exemplo de cidadania e solidariedade e pela força inestimável. 

1- Ex corde: De coração 
2 - Quod Dei Deo, quod Caesaris, Caesari: Dai a Deus o que é de Deus, e a Cesar o que é de Cesar.


RESUMO 

Este trabalho de conclusão de curso apresenta a imagem do corpo como mais um objeto de arte do cotidiano. A percepção do corpo humano no dia-a-dia pode ser também condição prévia de uma verdadeira experiência estética. 
Imagens fotográficas de atividades cotidianas e banais dos meus amigos são produzidas, e escolhidas. Essas imagens corriqueiras como as de um álbum familiar, são descontextualizadas tornadas sem tempo ou espaço destituídas de seu espaço cênico e de sua história através de programas de edição de imagens. 
Destituídas de seu entorno, retiradas de seu contexto original que narram fatos aliadas a imagens oriundas da tecnologia de perscrutar o corpo humano (como radiografias), elas são coladas, justapostas a elementos efêmeros retirados da natureza como, por exemplo, flores, e insetos (borboletas e moscas). Agora elas contam uma nova história. Uma nova assemblagem, um novo cenário e contexto é produzido e pensado para desencadear a estesia do olhar, sem, no entanto se resolver no simples ato de ver. Quando tudo é retirado do homem este se aproxima da natureza, da dissolução, da decomposição. 
Essa aproximação entre as imagens, baseadas em referentes cotidianos, agora destituídos de vínculos com o real e ressignificados dialogam entre si através de um viés da duração, do tempo, o que aproxima esse conjunto das vanitas. 
A imagem do corpo passa da representação de um ser (ontos) com sua história de vida e memória, para ser uma obra de arte bidimensional, com duração e significado diverso da do corpo físico, orgânico e biológico, veiculando outra mensagem; a mensagem da finitude e da brevidade da vida. 
Desta forma a imagem fotográfica retirada de seu contexto original, colada, justaposta e em novo diálogo entre si, agrega outro significado ao conceito de corpo, um significado simbólico, podendo ser fonte de reflexão sobre a vida e sobre a morte. 


Palavras-chave 
Corpo. Fotografia. Imagem pessoal. Identidade. Registro. Memória.



PAIM, Antonio Carlos. Onde corpo quando mensagem. Porto Alegre, 2012, 31 f. Trabalho de Conclusão do Bacharelado em Artes Visuais – Curso de Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da UFRGS. Porto Alegre, 2012

 

SUMÁRIO
Página
1. Introdução.......................................................................................
8
2. O processo criativo.........................................................................
10
3. Protocolos para produção das emulsões......................................
11
4. Resultados......................................................................................
13
5. O corpo sua imagem, vanitas e lembranças...................................
18
6. Considerações finais.......................................................................
27
7. Referências......................................................................................
29
8. Apêndice (Portfólio)..........................................................................
31






ONDE CORPO QUANDO MENSAGEM
ANTONIO CARLOS PAIM


With photography, I like to create fiction out of reality. I try and do this by taking society's natural prejudice and giving this a twist. (Martin Parr)

Todo individuo possui uma tensão interior tonos (τόνος) maneira de ser ou estrutura héxis (ἕξις) no mineral; natureza (φίσις) no vegetal, alma psiché (ψυχή) no animal e inteligência nous (νος) no homem. Em outras palavras todo indivíduo é um corpo, sôma (σώμα) e o mundo apenas contém corpos. (Jean Brun, O estoicismo)


1. Introdução

O presente projeto constitui-se em um processo de experimentação e descoberta. Experimentação pela apropriação da fotografia e seus resultados específicos. Descoberta por provocar o olhar com imagens banais. E essa nova dimensão dada à imagem pode conduzir a uma nova mensagem, que surge entre a vista “ordinária” e a visão “extraordinária” (Greimas, 2002, p. 33). Como diz Lyons em Silveira (2004):

[...] um fazedor de imagens [...] não é um ingrediente anônimo na sociedade, e suas observações são observações importantes para outras pessoas, não apenas para satisfazer algo em termos desse público, mas para provocar algo nesse público, fazê-lo ver mais do que viu antes. 

O projeto utilizará linguagem especifica da fotografia e técnicas a ela relacionada (processos fotográficos históricos, fotografia digital, fotogravura) pela minha paixão por esse meio de expressão. A apresentação final será uma instalação fotográfica.
Os procedimentos fotográficos (sejam eles: alternativos, digitais ou tecnologias a partir da fotografia serigrafia por exemplo) permitem ao mesmo tempo registrar, bem como, a partir do registro ressignificar e descontextualizar imagens e torná-los mais ou menos abrangentes, dando-lhes um novo status, que ultrapassa sua relação imediata (índice) com o referente (ícones e símbolos). Além disso, as imagens pertencem todas ao meu passado e à minha história, i.e., fazem parte da minha memória.
Minha produção plástica consiste em uma série de fotografias coloridas e em preto e branco em grandes formatos de momentos vividos em grupo de amigos. Optei por colocar fotos de diferentes épocas da minha vida e em diferentes ocasiões. As fotos foram descontextualizadas de seu entorno imediato para tentar aproximar as imagens ao conceito de corpo, vida e natureza e na tentativa também de gerar uma nova atmosfera. O que torna a imagem mais subjetiva uma vez que perde seu caráter de registro de uma atividade em particular para aproximar essa imagem a outro conceito o de natureza, da vida e da morte. A imagem assim descontextualizada alude então a outro universo onde os corpos são ícones e símbolos de sua própria duração. As imagens assim ressignificadas passam a ser a lembrança de algo que foi. Mas onde mesmo? O que estava fazendo eu nesse momento? Por que meus amigos estavam posando naquele instante? Onde estavam? Quem é o sujeito da imagem?  
Agora descontextualizados, a fotografia aponta para uma morte iminente (da fotografia e do registro)? Agora a lógica figurativa da representação óptica é substituída pela lógica da simulação, caracterizada por um espaço sem lugar determinado, sem substrato material, totalmente liberto do real; e mesmo que com “um pé” no real, ela é totalmente construída, fabrica e faz advir mundos (Rouillé, 2009 29 a 71). No seu ambiente natural onde estavam seriam mais um no meio do mundo seriam anônimos; agora que foram tirados do seu contexto original são embelezados por essa nova situação e adquirem uma nova duração fora do tempo e do espaço inicial. É necessário estudar esse corpo agora isento da cena onde estava inserido, para definir que imagem ele representa e porque tem essa forma e esta nessa pose ou estado. Todo corpo tem milhares de anos. O objeto a ser fotografado e que de fato foi fotografado não é esse objeto fotografado; é agora um objeto problema.

2. O Processo criativo

Meu processo criativo vem de longa data, quando recolho imagens de amigos desde que eu entrei no ensino formal, ou quando recorto e coleciono imagens de jornal e revistas.
Essa coleção de momentos (baseados em fotografias) que eu mesmo produzi, agora passam a fazer parte do trabalho agora apresentado. Mesmo nos momentos de lazer eu fotografo com o celular ou com uma câmara digital ou mesmo uma câmara analógica ou uma câmara estenopeica (pinhole). As fotografias são então colocadas em pastas no computador ou em um arquivo físico (pastas) se forem analógicas (base química). Desse arquivo de fotos selecionei algumas para constituir parte dessa instalação. As fotos foram escolhidas levando em conta: a forma do corpo dos modelos (amigos e conhecidos) e se da natureza formas simples como um crânio ou uma flor ou uma radiografia, sem muitos elementos. E mesmo as fotografias onde aparecem figuras elas foram tratadas digitalmente (Photoshop) para retirar todo o entorno (o cenário da fotografia) deixando somente a imagem do corpo à amostra. Algumas das imagens depois de editadas foram impressas em grande formato, outras foram então impressas através de métodos fotográficos históricos (alternativos), como a cianotipia e marrom de Van Dyke. 
As imagens selecionadas para o projeto foram capturadas em diferentes momentos e locais e com diferentes tecnologias e todas são relacionadas ao corpo. Essas imagens, mesmo tendo acontecido em um tempo definido ou estando relacionadas a uma historia, foram descontextualizadas e complementadas através de colagens e justaposição o que amplia seu alcance conceitual e abre outra chave de interpretação.
A lógica criativa consistiu então no desenvolvimento de uma nova camada de realidade, a partir das fotografias (digitais e analógicas) e suas transformações, recortes e apagamento de sua história, o que produziu novos significados. Desta forma, o percurso para a criação dessa instalação fotográfica, o corpo como memória, passou por alguns momentos, a saber:
- aquisição e seleção das imagens de amigos e colegas em atividades cotidianas e de lazer.
- recorte e descontextualização dessas imagens (esta etapa foi realizada via programa de editoração de imagens, obtendo então novas imagens).
- produção de novas imagens através da colagem de imagens escolhidas.
- impressão em transparências (negativos e positivos) de algumas dessas imagens para os processos alternativos de fotografia (marrom de Van Dyke, cianotipia, serigrafia e fotogravura).
- impressão em papel e em tecido (canvas) em impressora jato de tinta (ploter, para as fotos de grandes formatos).
- reconstrução ou assemblagem constituindo um políptico formando uma instalação.
Mesmo formando um políptico instalável as imagens presentes apresentam autonomia como obra única, podendo ser reagrupadas de outros modos. 
3. Protocolos para produção das emulsões

Há inúmeros métodos históricos para sensibilizar um suporte para que este receba e fixe uma imagem. Testei alguns métodos entre eles cianotipia, marrom de Van Dyke, papel salgado e papel albuminado. Dentre estes optei basicamente por usar dois destes métodos cujos resultados se aproximavam mais com o que eu queria mostrar, a ação do tempo. Com vistas a esse fim usei basicamente o método da cianotipia e marrom de Van Dyke cujo resultado lembravam mais a passagem do tempo, o envelhecimento. As duas tabelas a seguir mostram os protocolos para a produção das emulsões para cada um dos processos usados (Webb e Reed 2000, p. 63 a 78).
Emulsão para Cianotipia
Solução A
10 g
Citrato férrico anoniacal (sal verde)
50 ml
Água destilada
Solução B
4,0 g
Ferrocianeto de potássio
50 ml
Água destilada
Ambas as soluções devem ser misturadas na mesma proporção na hora de sensibilizar o papel para receber o negativo que produzirá a imagem.




Emulsão para Marrom de Van Dyke
Solução A
10g
Citrato férrico amoniacal verde
35ml
Água destilada
Solução B
2g
Ácido tartárico em pó
35ml
Água destilada
Solução C
4g
Nitrato de prata
35ml
Água destilada
Fixador
25g
Hiposulfito de sódio
250ml
Água destilada (+- 45°) até dissolver o hipossulfito
250ml
Água destilada (fria) 
(ou fixador normal em solução 1/15)
Preparo
Adicionar a solução A em B e misturar bem então adicionar a solução C (solução de prata) gota a gota para não aglutinar. Conservar em vidro âmbar (escuro) na ausência de luz. Podendo ser guardado por vários meses.
No caso da foto ser produzida com marrom de Van Dyke, deve-se lavar a foto em água fria por cinco minutos (a imagem primeiramente de cor laranja se transforma em marrom) e depois colocar em um banho com fixador por cinco minutos o que fixa o nitrato e escurece o marrom; depois da fixação, lavar a foto por 30 minutos. No caso da cianotipia a foto somente necessita ser lavada até a coloração amarela desaparecer.
 Esse tratamento histórico acrescentou uma dimensão do tempo às fotos que apesar de serem obtidas por métodos atuais voltaram a ser impressas em processos antigos (alternativos).
Essa dimensão temporal dada às fotos é importante, sobretudo para ressaltar seu caráter de memória e como são métodos pouco sensíveis promovem um apagamento o que torna as fotos sem muitos detalhes como as fotos digitais. E isso se equipara a memória, que seleciona certos aspectos relevantes e o resto fica nublado, como que levemente apagado embora indelevelmente registrado, porém sem o detalhamento dos fatos que ocorrem no presente.
As imagens que faço são de amigos que dividem comigo a paixão pelos exercícios, a vida na academia, o atletismo ao ar livre; estas apresentam certo viés narrativo ou de narração onde as seqüencias podem contar uma historia ou mesmo sugerir conceitos e também fazem parte da minha memória. Elas suscitam mais do que contam, o que aproxima o fruidor de uma espécie de voyeur espreitando algo que esta prestes a acontecer ali em sua frente ou que esta acontecendo in loco, de acordo com sua imaginação.

4. Resultados

Como resultado produzi oito fotografias em grande formato ( 160 x 137cm; 224 x 137cm; 135 x 62 cm (2); 135  x 67 cm; 125 x 124; 135 x 73 cm e 86 x 68 cm) que foram impressas em algodão (canvas) em ploter jato de tinta mineral e 22 fotografia menores (15 fotos no tamanho de  29,7 x 42 cm, sete fotos no tamanho de 42,0 x 59,4 cm e uma de 56,5 x 47,0 cm) em processos alternativos cianotipia e marrom de Van Dyke.
Essa seqüencia de fotografias se constitui num pequeno recorte da vida cotidiana; da minha própria vida e de meus amigos com os quais divido momentos de lazer na praia, no parque ou na academia, caminhando, na busca de um corpo ideal, que aumente sua duração natural, que permaneça.  
Essas imagens passariam despercebidas ou nem seriam imagens. Assim, através dessa descontextualização e de uma nova construção e colagem, eu mudo a mensagem incluindo-as no horizonte da arte. Essas imagens podem agora seguir outro caminho diferente de seus referentes físicos e despertar no olhar o sentido da paixão, entendida como em Aristóteles daquilo tudo que faz variar o juízo e de que seguem sofrimento e prazer (Novaes, 2002 p. 19, Greimas, 2001, p. 37).
Essa descontextualização das imagens e sua justaposição com elementos como fotografias de crânios, e radiografias do meu próprio crânio e tórax, além de fotos de borboletas e moscas, aproxima o corpo humano vivo, da natureza que é o fim último de todos os corpos. Na perda dos elementos cênicos não encontraríamos no que resta nem Deus, ou a beleza muito menos o amor, mas a sordidez primeva da decomposição, da morte (Paglia 1992, p. 37).
Essa nova contextualização (menção tácita do fim, da morte) que a sociedade atual faz questão de esconder traz de volta a reflexão: exercitamo-nos porque tentamos evitar a dissolução na natureza ou porque a natureza (a morte) é o único dado definitivo e certo em nossa vida, e tentamos nos esconder na forma íntegra? Dito de outra forma: estamos ganhando tempo ou perdendo tempo?
Essa maneira de mostrar o corpo como uma metáfora do que é mais certo e inexorável, confere uma característica irônica ao ato de “se manter em forma”.
Esse modo de mostrar as imagens como retiradas da natureza criada e a sua aproximação da natureza última (a qual é representada pelas flores, pelas radiografias, pelas borboletas pelas plantas e pelas moscas e pelo crânio na instalação) leva a imaginar uma seqüência de momentos no tempo; e isso nos conduz a pensar no modo como se contam histórias, historias de vidas particulares e historia de lugares.
Histórias têm inicio meio e fim, não necessitando aparecer nessa ordem, como bem sabemos. Assim, mesmo podendo ser deslocadas de seu espaço original, elas ainda mantêm uma relação entre si, que agora sobrepostas com outras imagens levam a entrever conceitos (como a morte, a transformação, a natureza e as relações que mantemos com nosso próprio corpo e com os corpos dos outros) que não estavam antes explícitos.
Minhas imagens do cotidiano evidenciam um olhar sobre o banal e ordinário, ressignificando-o. A leitura (de um texto ou imagem) é um "ato de espreitamento", uma viagem de nômade, sem paradas obrigatórias: o telespectador lê a paisagem de sua infância na reportagem da atualidade ou numa fotografia, pois ler "é constituir uma cena secreta", lugar onde se entra e se sai à vontade; ou, como concluiu poeticamente Marguerite Duras: "Talvez se leia sempre no escuro... a leitura depende da escuridão da noite. Mesmo que se leia em pleno dia, fora, faz-se noite em redor do livro" (Cruvinel, 2004 p. 01), o que poderia bem ser aplicado á leitura da imagem fotográfica.
Necessitamos que o mundo nos seja narrado constantemente. Ler (e lemos imagens) tal como ver e escrever, não é viver o que personagens vivem, mas imaginar o que eles sentem imaginar o que foi vivido, o que foi encenado. E assim entreabrir uma nova porta para o mundo, construir uma nova ideia sobre a beleza, sobre a fealdade, sobre o desejo, sobre a vida e a morte.
Estas fotografias se inserem no mundo narrando uma história, mesmo que veladamente. Elas representam um recorte da vida do modelo que foi retratado, colocando o observador como um voyeur a espiar a vida do outro, misturando-os (fruidor e modelo-imagem) mesmo que por alguns momentos naquela obra que se desvela ali ante de seus olhos.
Essa abordagem tem três distintos caminhos, o primeiro é constituído pelas fotos no qual emprego um viés fotojornalístico, onde meus amigos são transformados em imagem sem o saber, eles não estão esperando serem fotografados. Em outra, o modelo tem ciência e percebe que tem alguém olhando e por isso pode mudar seu comportamento e por último estão as imagens posadas de amigos e conhecidos que se deixam dirigir para a produção de uma determinada imagem.
Esta transformação, descontextualização e ressignificação de atos cotidianos como, por exemplo: exercitar-se numa academia, caminhar na calçada, ou no parque, passear na praia, andar de bicicleta, descansar são situações que embora aparentemente gratuitas e fortuitas passam a ser significativas na construção do olhar estético. Também as imagens são um aparecimento, entendido como um olhar a tal ponto compenetrado no ordinário que, atravessando-o e perpassando-o, é o próprio extraordinário que se expõe na dimensão do ordinário.
Assim, as imagens, como um aparecimento, desencadeiam a reflexão sobre o ordinário da minha existência. Toda imagem pode ser definida como uma ocorrência, nesta cidade, em algum momento no tempo, um “aconteceu” um “isto foi!” ou um “isto foi encenado” em algum lugar, num espaço heterotópico (Silvano, 2001, p. 83 a 107).













Exemplo de montagem alternativa no piso da sala 54 do IA/UFRGS, para uma ideia aproximada do tamanho do políptico produzido.

O trabalho dialoga com o tempo atual inserindo-nos no universo da imagem do qual já somos parte, a partir de uma aceitação tácita de nossa condição como seres humanos dotados de corpo, imagem e duração. O trabalho também dialoga com a contemporaneidade no momento que apresenta uma visão intrinsecamente relacionada à existência de seu autor como uma espécie de trabalho auto referencial.
 Essas imagens estão a nossa volta produzindo um prazer visual, fazendo da imagem um dos meios de interpretação do mundo relacionando-a própria vida cotidiana.
O presente trabalho dialoga com alguns artistas fotógrafos como Alair Gomes, Duane Michals e Barbara Kruger, mas também com teóricos considerando as ideias contidas em suas obras como: Philipe Dubois (O ato fotográfico), Susan Sontag (Sobre a fotografia), André Rouillé (A fotografia entre o documento e a arte contemporânea), Françoise Soulages (Estética da fotografia – perda e permanência).
No Brasil as discussões sobre as imagens tendo como foco a fotografia foram principalmente desenvolvidas por Annateresa Fabris (O desafio do olhar, Fotografia e artes visuais no período das vanguardas históricas), sendo que atualmente as discussões em pauta nos cursos de pos-graduações em arte têm gerado teses de doutorado tais como o trabalho de L.E.R. Achutti (Fotoetnografia), Alexandre Santos (A fotografia como escrita pessoal: Alair Gomes e a melancolia do corpo-outro), bem como o trabalho de Paulo Silveira (A página violada) e o capítulo relativo ao uso da fotografia em livros.
Assim, o projeto apresenta um viés da historia da fotografia (William Henry Fox Talbot, pelos métodos alternativos ou históricos de fotografia), além da fotografia e processos artísticos contemporâneos, tal com Luiz Monforte (A fotografia pensante; no uso de processos alternativos fotográficos) e processos que tem a fotografia como base para sua existência como serigrafia e fotogravura.
No tocante a arte, o uso da fotografia (através de métodos como ampliação, reenquadramento de imagens, descontextualização, ressignificação bem como o uso de métodos alternativos de fotografia como marrom de Van Dyke, e cianotipia, separados ou juntos, justapostos (colagens), podem fazer da imagem uma transcrição pessoal da natureza, uma aproximação com outros conceitos que não sejam apenas o registro de uma cena. Isso posto, a nova imagem será capaz de evocar sentimentos no expectador-fruidor.
Com a fotografia é possível realizar infinitas montagens e gerar novos significados possibilitando novos entendimentos do que é apresentado, como também salientar a incapacidade de uma imagem dar conta do real; esse fato torna a fotografia extremamente útil e heurística na arte contemporânea. Essa ontogênese da forma na epifania das imagens corporais estabelece o imediatismo de nossa percepção estética (Jeudy 2002, p. 34), o que é muito interessante para veicular uma reflexão sobre temas caros ao homem e a arte (vida e vanitas).
Os conceitos teóricos estão relacionados à imagens, memória, transformação, fotografia, registros, símbolos e vestígios.




5. O corpo, sua imagem, vanitas e as lembranças.

O mito de Pigmalião nos diz que ele desacreditando das mulheres esculpiu uma estatua representando a mulher mais lindo do mundo. A deusa Afrodite compadecida do rei escultor transformou a estátua em uma mulher viva. Esse mito mostra que o corpo humano é o objeto fundamental da arte. Todavia, o mesmo mito nos faz pensar em dois pontos importantes: 1) que em vez de ser o duplo de si mesmo, o corpo esculpido é sobretudo a expressão soberana de uma alteridade composta até a quintessência das intenções do seu autor; e 2) que a vida da estátua não faz esquecer a morte de onde ela vem; saída das trevas que já a tornavam tão bela, ela acede à vida, conservando em si os mistérios de sua origem (Jeudy, 2002, p.32,33) o simulacro da morte não simula mais torna-se corpo em si (pura imagem) e 3) a beleza. 








O corpo e o crânio: na radiografia estão representados os seios nasais e as vias aéreas por onde entra o ar em nosso corpo. (59,4 x 42,0 cm).


Para ilustrar a ideia de que a permanência da imagem e seu significado pode-se recordar o conto de Ítalo Calvino “A aventura de um fotógrafo” no qual ele relata a história de Antonino Paraggi, fotógrafo dominical que desprezava a fotografia até que ele se apaixonou por uma moça e começaram a viver juntos. Surgiu em Antonino a necessidade de registrar fotograficamente sua amada e assim, ele comprou toda sorte de equipamentos, montou um laboratório e fotografou sua amada à exaustão, esgotando todas as imagens possíveis. Ela não suportou tal assédio e o largou. Desesperado, começou a fotografar a ausência dela. Começou então, metodicamente, a fotografar a destruição, a valer-se das imagens já prontas, do referente que adere e quer ser desesperadamente o sujeito imagem. Fotografava fotografias já feitas e as destruía com a mesma compulsão. Este é o ponto: tornar explícitas as relações com o mundo que cada um de nós traz consigo, e que hoje tendemos a esconder, a tornar inconscientes, apagadas, supondo que desse modo vão desaparecer.
O ponto aqui é a transformação e o desaparecimento características notáveis da memória, muitas vezes envolta em brumas. Dizemos que a natureza é bela ou que essa ou aquela pessoa é linda, mas o que é bonito na natureza se limita a fina película do globo sobre o qual vivemos, já reconhecia Paglia (1992, p. 17) é só arranhar essa fina camada que surgirá a feiúra daimônica da natureza, seus processos de transformação, dissolução, putrefação, decomposição enfim a morte.
Por isso os antigos gregos atribuíram um papel importantíssimo a uma titânide especial, Mnemósine, filha de Urano (o céu) e Gaia (a Terra). É ela que preserva do esquecimento. Mnemósine teve nove filhas com o fortíssimo Zeus, as Musas, estas mantém com seu canto ininterrupto toda a realidade longe do não-ser, inclusive a noite e a morte.  Dizem elas: “sabemos muitas mentiras dizer símeis aos fatos e sabemos, se queremos, dar a ouvir (ver) revelações” (Hesíodo, versos 27-28). As imagens têm o poder de lembrar fatos, vidas, vivências, histórias; existe na imagem bela e oculta nela o principio que como sendo um ser composto um dia de decomporá. Mas sua presença, pela lembrança ira permanecer, pela palavra-imagem. Essas imagens fora do espaço ou num espaço irreconhecível, porque elas mesmas são um lugar de luta e tensão entre o ser (representar o ser) e o deixar de ser.
Optei por registrar o melhor ângulo, a melhor imagem e não imagens escuras e esquálidas, para lembrar como Nicolas Poussin: et in Arcadia ego... na Arcádia a terra do idílio, também lá, encontramos a morte. Na imagem e pelo olho tomamos conhecimento do que é sensivelmente visível, mas também pode ser pelo olhar chegamos à reflexão (Novaes 2002, p. 11).
Nas imagens assim dispostas pode-se dizer que há um poder ontofânico, um poder que faz aparecer o ser, e perdura até hoje desde os tempos imemoriais. Esse poder originariamente das palavras agora é dividido com a imagem. A imagem e a palavra se equivaleriam nessa justaposição, colagem assemblagem. As revelações que as Musas sabem dar a ouvir e ver são des-velações, pois retiram fatos e seres do reino noturno (pois pensamos que não existem para nós neste momento) e fundam essa pura imagem (a morte) como manifestação e presença.  
Além do duplo e da morte, aliando a história de Pigmalião à de Antonino existe a beleza e o sentimento afetivo (ou lembrança desse sentimento, sua memória) que são elementos a considerar. Como Pigmalião eu construo um corpo a partir de uma imagem, e como Antonino eu fotografo insistentemente esse corpo e algumas das fotos foram fotos de fotografias usando para isso os métodos históricos. Aliado a essas fotografias do querer presentificar cada momento está a figura da morte a espreitar de dentro da própria imagem. Já encontramos na Vulgata latina, no livro do Eclesiastes, versículo 2: vanitas vanitatum et omnia vanitas (vaidade de vaidades, tudo é vaidade), a origem da reflexão sobre a razão de todas as atividades humanas.
Esses elementos como crânios e radiografias positivadas dialogam ou aproximam a instalação fotográfica ora apresentada, do gênero de pintura muito conhecido na história da arte como vanitas, gênero de pintura de natureza morta, que floresceu nos séc. XVI e XVII na Europa, principalmente nos países baixos. A esse tipo de arte esta associada à ideia de efemeridade da vida, e uma mensagem enfática de que todos somos mortais e passageiros memento mori (lembra de tua mortalidade, lembra-te que és mortal) na qual são aliadas flores (menos usual) esqueletos e crânios.

Parte de uma foto mostrando uma radiografia de um crânio com uma flor em seu interior (detalhe). (29,7 x 42,0 cm).

Exemplo desse motivo pode ser encontrado na arte latino-americana especialmente mexicana onde a “santa morte” tem um lugar de destaque na cultura. Um antigo hino dos estudantes usado na Europa intitulado Gaudeamus igitur (que trata da brevidade da vida) foi cantado por centenas de anos pelos estudantes que se preparavam para uma vida pública após a saída das universidades (letra e música anônima). 

Gaudeamus igitur
Juvenes dum sumus.
Post jucundam juventutem
Post molestam senectutem
Nos habebit humus...
Alegremo-nos, portanto,
Enquanto somos jovens.
Depois de uma vida agradável,
Após uma velhice doentia,
A terra nos acolherá...

Alegro-me mesmo sabendo que tenho uma duração finita. E exercito-me mesmo sabendo que a forma se deteriora como em todos os corpos.
Desta forma, mesmo se tratando de imagens ordinárias, cotidianas e, portanto banais, levam-nos a perceber outra dimensão da vida e dos nossos próprios desejos. Quando desejamos esquecer que somos finitos, o desejo chama-se então carência, um vazio que tende para fora de si mesmo em busca de preenchimento (Novaes, 2006, p. 23) (da vida, da história) com momentos efêmeros (festas, amigos, cotidianos encontros).
As imagens apresentadas lembram ou dialogam ou tem uma relação estreita com as obras fotográficas de Alair Gomes e Duane Michals. Esses artistas investigam o universo do cotidiano e das situações diárias da existência humana, o que aproxima todos os seres humanos. Todavia deixam a figura no seu habitat natural, no seu espaço cênico ou criam um espaço novo e fantasioso ou idílico para as figuras.
Esses artistas fotógrafos mostram o corpo humano, masculino envolto numa aura de romantismo e hedonismo e até mesmo envolta num erotismo que leva ao expectador-fruidor a pensar que esse corpo não tem fim nem duração no tempo. Eu quero mostrar a duração do corpo e sua finitude.
Ora, corpo todos temos, e todos já posamos para fotos. Todos nós já nos tornamos objetos do olhar de alguém e de alguma lente voltada em nossa direção. Há que equacionar esses pontos todos ao mesmo tempo: o mistério da origem do corpo (e do olhar objetificante, reificante, da lente), a duração (o problema da morte) e o problema da beleza.
Apresentar o seu corpo ao outro (artista ou não) como objeto de arte é o início de um prazer estranho de desapropriação. Não precisamos interpretar o corpo, contudo precisamos interpretar uma fotografia do corpo. Como isso é possível? Como se dá esse mistério de acréscimo? Algo completo, o corpo, ao ficar incompleto (fotografia) é acrescido de algo que não esta no modelo, ou não é pressuposto pelo corpo de outrem. Que mistérios há nessa passagem? Segundo Jeudy (2005, p.39) o modelo se esquiva de sua transfiguração como objeto de arte, visto que seu corpo já o é. Pois o corpo que adota uma imobilidade e se mostra, é visto como um objeto de arte.
Na história de Pigmalião e Galatéia, a deusa não transforma um corpo vivo em estátua (objeto de arte); Pigmalião não faz de uma mulher viva um objeto de arte. Ele concebe uma estátua e ardentemente deseja que esta ganhe vida. Eu, tendo convivido com as pessoas a partir das quais essas imagens foram geradas, as concebo agora em outro plano (da memória) e sendo então apenas imagens descoladas de seus significantes adquirem outra vida e fazem parte de outra história, passando a integrar a memória de outras pessoas.
Questiono-me por que o corpo tem sido o centro de tanta atenção, sendo encontrado nu, ou virtualmente nu em revistas, nos jornais, televisão, comerciais e outdoors. Por que muitos escritores, filósofos, artistas, e fotógrafos estão profundamente preocupados com esse assunto? É a urgência da vida em épocas de doenças como câncer, DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), genocídios, guerras civis, é também o esvaziamento da vida promovido pela tecnologia ou é um fenômeno da moda? O pensamento cartesiano binário: vida-morte, macho-fêmea, masculino-feminino, jovem-adulto, natureza-cultura, tem sido posto a prova a todo momento. Com as obras Your body is a battlegroud ou We are not what we seem Barbara Kruger ilustra bem esses questionamentos.



Barbara Kruger: Your body is a battleground e We are not what we seem.

Segundo Ewing (2000, p. 9-34) é urgência. O corpo tem sido considerado por escritores e artistas devido a sua reestruturação por cientistas, cirurgias plásticas (reconstruções faciais, implante silicone nos seios, peitorais e glúteos), e até mesmo pela engenharia genética como a possibilidade da clonagem humana.
Desta forma eu apresento o corpo mais uma vez para questionar esses princípios de classificação sociais que em vez de incluir, excluem.
Há argumentos de que a pornografia tem contribuído para a degradação do corpo de ambos os gêneros e que a propaganda é a glorificação de uma visão idealizada da juventude. Quero questionar, com imagens cotidianas que produzi nossos atos diários em prol de um corpo (ideal) que não existe. E que essa busca pelo corpo ideal é a fuga do conhecimento de que todos os corpos têm uma duração. Para isso as imagens banais do cotidiano são úteis para mostrar que o que existe mesmo é o nosso próprio corpo e não um corpo idealizado.
Não existe uma maneira de se igualar ao outro (ideal da publicidade) nem mesmo através da cirurgia. Somos essencialmente diferentes. Nosso pensamento geralmente é muito linear e cartesiano e descolamos do sujeito, do indivíduo suas características e as perseguimos; desta forma perseguimos objetivos inalcançáveis como ser igual a esta ou aquela pessoa especialmente pela beleza e atributos físicos.
Assim, a arte tem o papel de rearranjar e reestruturar nosso julgamento, ordenando, acomodando e fundindo tudo, desejos, conhecimento, vida e arte numa realidade só. Desta forma eu questiono o “ser do humano” e sua imagem.
Ironicamente a busca da forma é ao mesmo tempo o caminho para a dissolução na natureza, pois quando retiramos tudo que esta ao redor do humano o que sobra é a natureza (que eu represento pelas flores, pelo crânio e pelas radiografias transformadas em positivo em processos fotográficos históricos), e pelo descolamento das figuras do seu fundo e colagem em outros espaços ou sua estase em um espaço sem tempo nem ação.
A arte então desestabiliza ou pode desestabilizar ao colocar o indivíduo (o seu eu) no centro dos processos, e que modelos são para admirar não para seguir. Essa ação fixa, e a fixação esta no âmago da arte. Fixação como stasis, (στάσις, permanecer estático, parado) pois tenta dominar um aspecto incontrolável da realidade.
A arte (através da fotografia) é assim um gerador de saber, amplia o horizonte do ser humano porque aprisiona um aspecto da realidade. Promove uma espécie de transformação da visão de nosso corpo considerado comum, em criaturas de ficção radiantes de mistérios como Danto supõe para a obra de arte (Danto, 2005, p.23-72).
Roland Barthes (1984, p. 22) escreveu: “Assim que me sinto olhado pela objetiva, tudo muda: eu vou logo fazendo “pose”, fabrico-me instantaneamente um outro corpo, metamorfoseio-me antecipadamente em imagem. E Jeudy (2002, p. 46) conclui que o ato de fotografar faz-nos passar da crença no estado de sujeito ao estado de objeto e, nesse sentido, esse é um momento de experiência da morte.
Não ser mais sujeito mas saber-se um objeto nisto consiste a morte do que era anteriormente. Assim, através da transformação de sujeito em imagem fotográfica, chega-se a uma categoria estética; e ao mesmo tempo encontramos a morte e a ideia de vida (Fabris, 2006, p. 16). Como bem salientou Barthes (1984, p. 27):
A fotografia é um campo cerrado de forças. Quatro imaginários aí se cruzam, aí se defrontam, aí se deformam. Diante da objetiva, sou ao mesmo tempo: aquele que eu me julgo, aquele que eu gostaria que me julgassem, aquele que o fotógrafo me julga e aquele que ele se serve para exibir sua arte.

E continua dizendo, que não é nem um sujeito nem um objeto, mas antes um sujeito que se sente tornar-se objeto, vivendo uma microexperiência de morte, tornando-se um espectro (spectru), um fantasma, tornando-se enfim um ser “todo-Imagem”, i.e., a morte. Ora, a morte é representada na montagem como seu elemento mais homólogo o esqueleto, o crânio e as radiografias enquanto presente e corpo de futura dissolução. Essa instalação lida com o encontro, pois é colagem de elementos dispares. Cada uma das imagens escolhidas possui um profundo significado simbólico, que agora se encontram e se complementam de outra forma. É poesia no sentindo grego de produzir algo, novo ou não, significante ou não, mas, sobretudo diferente do que existia antes.
Aproximações de momentos, aproximação de extremos e de possibilidades. As imagens liberadas de seu contexto anterior fazem pensar no porque estão ali.  Aparentemente inocente e superficial sua liberação do contexto anterior, do fundo onde jaziam, as transforma em ícones ou símbolos, sendo assim alçadas agora em novo discurso; carregam nova mensagem. Fixam o olhar pela forma, detém os passos dos transeuntes diante de si (da imagem). Antes citação do mundo, agora recortadas, elas são apresentação de um novo mundo, de uma nova ideia.

6. Considerações finais

A fotografia tem uma realidade própria que não corresponde necessariamente à realidade que envolveu o assunto, objeto de registro. Ela pode contar uma história em apenas um fotograma ou narrar uma história em muitos frames, muitos recortes e subtextos (Cossoy, 2009, p. 29; Cotton, 2010, p. 139) é por isso que fotografo.
Por ser o homem o único ser vivo (até prova em contrário) que sabe de sua finitude, de sua duração, por ser um animal atormentado, produzimos e legamos a posteridade, por meio de processos de transformação da realidade, um acervo de visões de vida construído pelo uso das mais variadas linguagens (Humberto, 2000, p. 17). Minhas fotografias tentam mostrar esse universo da ironia proposto pelas fotografias cotidianas, que registro dos momentos banais em minha vida.

Exemplo de uma das fotos usando três processos unidos numa única obra.
O que remete à vanitas e a nossa morte diária. (224 x 137cm).


(2,8 x 1,9 m)
(1,7 x 2,0 m)


















Algumas das obras que foram produzidas para o TCC.

MONTAGEM DA VERNISSAGE 




























Ora, a arte por si só é libertadora por que é conhecimento. Como diz Humberto (2000, p. 27-28), é conhecimento sobre nós mesmos como indivíduo e, sobretudo conhecimento sobre os outros, na medida em que nos permite investigar o sentido da própria vida.
Dentro desta perspectiva faço uso da fotografia no sentido de produzir conhecimento sobre mim mesmo e sobre o outro bem como sobre o mundo que dividimos, conhecimento sobre o aqui e agora. Uma reflexão irônica sobre o estar vivo nesse tempo.
Esse trabalho possibilitou pensar a imagem para além do índice e ao justapor, colar, descontextualizar e ressignificar, colocar em ação outro discurso o discurso da natureza e o discurso dos desejos humanos. E abre a possibilidade de investigar mais aprofundadamente em novas séries de trabalhos o viés de ícone e símbolo que as imagens podem passar a ostentar. Além disso, uma nova perspectiva se abre na produção de imagens via fotogravura onde se usa a imagem fotográfica unida a palavras modificando seu sentido e estendendo seu alcance de imagem-acontecimento.
Por transformar essas imagens banais em imagens que questionam, imagens que zombam e às vezes podem fazer rir pelas associações, enfim imagens estéticas, essas novas perspectivas tem possibilidade de passar do tempo para um estado mais duradouro de mensagem e integrar nossa memória cultural. E isto nos faz parar e lembrar, pensar e refletir.














7. Referências

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8. Anexo (Portfólio)