INÍCIO

12 abril 2025

BAUHAUS 106 ANOS

BAUHAUS 106 ANOS
1919-2025


Escola Bauhaus em Weimar, 1919.

O edifício Bauhaus em Dessau projetado por Walter Gropius. Foi o mais duradouro dos três locais ocupado pela escola Bauhaus (1925–1932).

Reconhecido Patrimônio pela UNESCO

O emblema da Bauhaus, desenhado por Oskar Schlemmer, foi adotado em 1922.

ESCOLA BAUHAUS
106 ANOS
12 ABRIL 1919/2019

Escola de Bauhaus foi uma escola de arte alemã fundada na cidade de Weimar, no início do século XX, em 12 de abril de 1919. 

Arquitetos, escultores, pintores,... devemos voltar ao trabalho manual... 
Estabelecermos, portanto, uma nova irmandade de artesãos, livres daquela arrogância que divide as classes sociais e que procura erguer uma barreira intransponível entre os artesãos e os artistas.
“Criemos uma nova guilda de artesãos, sem as distinções de classe que erguem uma barreira de arrogância entre o artista e o artesão.” 
(Walter Gropius)

O manifesto da Bauhaus (1919)

O surgimento da Bauhaus significou um marco que revolucionaria para sempre a arte, o design moderno e a arquitetura.

WALTER GROPIUS

“O objetivo final de toda atividade plástica é a construção! Ornamentá-la era, outrora, a tarefa mais nobre das artes plásticas, componentes inseparáveis da grande arquitetura. Hoje elas se encontram em singularidade autossuficiente, da qual só poderão ser libertadas um dia através da consciente atuação conjunta e coordenada de todos os profissionais. Arquitetos, pintores e escultores devem conhecer e compreender de novo a estrutura multiforme da construção em seu todo e em suas partes; então suas obras se preencherão outra vez do espírito arquitetônico que se perdeu na arte de salão.

As antigas escolas de arte não eram capazes de criar essa unidade, e como poderiam, já que a arte não pode ser ensinada? É preciso que elas voltem a ser oficinas. Esse mundo de desenhistas e artistas deve, por fim, tornar a orientar-se para a construção. Se o jovem que sente amor pela atividade plástica começar, como outrora, pela aprendizagem de um ofício, o “artista” improdutivo não ficará condenado futuramente ao exercício incompleto da arte, pois sua habilidade será preservada para a atividade artesanal, onde poderá prestar excelentes serviços.

Arquitetos, escultores, pintores, todos devemos retornar ao artesanato, pois não existe “arte por profissão”! Não existe nenhuma diferença essencial entre o artista e o artesão. O artista é uma elevação do artesão. A graça divina, em raros momentos de luz que estão além de sua vontade, inconscientemente faz florescer arte da obra de sua mão, entretanto, a base do “saber fazer” é indispensável para todo artista. Aí se encontra a fonte primordial da criação artística.

Formemos, portanto, uma nova corporação de artesãos, sem a presunção elitista que pretendia criar um muro de orgulho entre artesãos e artistas! Desejemos, imaginemos, criemos juntos a nova construção do futuro, que juntará tudo numa única forma: arquitetura, escultura e pintura que, feita por milhões de mãos de artesãos, se elevará um dia aos céus como símbolo cristalino de uma nova fé vindoura.”

Ela surgiu com uma proposta de inovação nas artes clássicas modernas e como uma reação não só ao Expressionismo amplamente difundido na época, mas ao modo de como a arquitetura/arte/design eram ensinadas. Na ideia de Walter Gropius ele tensionava unir beleza e funcionalidade em um único projeto. (educamaisbrasil)

BAUHAUS

O nome “Bauhaus” deriva da união das palavras alemãs Bau, construção, e Haus, casa. Ironicamente, apesar do nome e do fato de o seu fundador ser um arquitecto, a Bauhaus não tinha um departamento de arquitectura nos primeiros anos da sua existência.

Walter Gropius (1883-1969) fundador e diretor da Escola de 1919 a 1928.(1)

As suas propostas e declarações de intenções compartilhavam da ideia de uma necessária reforma do ensino artístico como base para uma posterior transformação da sociedade burguesa da época, de acordo com o pensamento do seu fundador. 

primeira fase (1919-1923) foi idealista e romântica; a segunda fase (1923-1925), muito mais racionalista, e na terceira e última fase (1925-1929) alcançou o seu maior reconhecimento, coincidindo com a sua mudança de Weimar para Dessau. 

Em 1930, sob a direção de Mies van der Rohe, transferiu-se para Berlim, onde mudou completamente a orientação do seu programa de ensino tornando-se mais ao gosto dos fascistas.


Design as a tool for social change 
Design como ferramenta de mudança social

Para cumprir com essa proposta, a instituição mesclou ensinamentos na área das artes plásticas, arquitetura, design, tecelagem, metalúrgica, artesanato, etc. Mas, como os objetos desenvolvidos pelos alunos tinham um design mais arrojado, diferente de tudo o que já havia sido exposto na época, Bauhaus se destacou como a primeira escola de design do mundo. 

Várias características específicas são identificadas nas formas e formatos da Bauhaus: formas geométricas simples como triângulos círculos, quadrados, retângulos e esferas, sem decorações elaboradas. Edifícios, móveis e fontes tipográficas geralmente apresentam cantos arredondados, às vezes paredes arredondadas ou canos cromados curvos. Alguns edifícios se distinguem por suas características retangulares, por exemplo, sacadas salientes com grades planas e grossas voltadas para a rua e longos bancos de janelas. Alguns contornos podem ser definidos como uma ferramenta para criar uma forma ideal, que é a base do conceito arquitetônico.


Cross disciplinary collaboration
Colaboração interdisciplinar 

A frase dita pelo arquiteto norte-americano Louis Sullivan consegue traduzir bem as características da instituição:

A forma segue a função


CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA BAUHAUS

1) União da arte, o artesanato e a tecnologia, principalmente por surgir em uma era industrial;
2) Peças, objetos, produtos muito bem elaboradas, pensadas não só na estética, mas principalmente na sua funcionalidade. A ideia era sempre fazer um bom design, produzindo em massa, com preços acessíveis para a todos;
3) Foco na funcionalidade das obras sem perder o conforto, além de nunca deixar o aspecto artístico de lado, resultando em obras que são modernas atemporais;
4) Outro conceito importante era a manualidade, conceito manual para tudo que era produzido.
5) Objetos e produtos (design, artesanato, arte, arquitetura) deviam democráticos.

HISTÓRIA DA BAUHAUS

A Escola de Bauhaus teve início a partir da união de duas escolas já existentes: "A Escola de Artes e Ofício" e a " Belas Artes de Weimar", essa última para o ensino das artes e a primeira para a instrução de ofícios. 

A proposta inicial da escola era promover uma integração das artes plásticas com o artesanato, com arquitetura e todas disciplinas que envolviam a criatividade e a criação de produtos, i.e., design. 

Do grupo de artistas interessados em realizar esse trabalho, o que mais se destacou, tornando-se fundador do projeto e diretor da escola, foi o seu próprio fundador: o arquiteto Walter Gropius (1883- 1969). 


A escola surgiu logo após a Primeira Guerra Mundial, momento em que o mundo vivia uma fase industrial e o país precisava produzir em escala para atender as necessidades da população. 

Após a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e o estabelecimento da República de Weimar, um espírito liberal renovado permitiu um aumento da experimentação radical em todas as artes, que havia sido suprimida pelo antigo regime. Muitos alemães com visões de esquerda foram influenciados pela experimentação cultural que se seguiu à Revolução Russa, como o construtivismo. 
Tais influências podem ser exageradas: Gropius não compartilhava dessas visões radicais e disse que a Bauhaus era inteiramente apolítica. Apesar disso, floresceu na escola um espírito inovador, progressista, com um viés socialista em grande parte de seu corpo docente e discente. 

Tão importante quanto foi a influência do designer inglês do século XIX William Morris (1834–1896), que argumentou que a arte deveria atender às necessidades da sociedade e que não deveria haver distinção entre forma e função. Assim, o estilo Bauhaus, também conhecido como Estilo Internacional, foi marcado pela ausência de ornamentação e pela harmonia entre a função de um objeto ou edifício e seu design.

Diante disso, Gropius buscou estabelecer um vínculo entre artistas, comerciantes (artesãos) e indústrias. 

Sob esses aspectos, a Escola de Bauhaus inovou a Arte Moderna, destacando-se como um movimento (Movimento Bauhaus) que demonstrava interesse na produção em escala industrial, mas sem abrir mão da beleza e funcionalidade em cada projeto.

A partir do momento em que estimulou a produção de objetos com prioridade para um resultado final (funcionalismo), a Escola de Bauhaus rompeu com os ensinos clássicos da arte. 

Com ela, foi possível aproximar o mundo da arte com o mundo da industrialização, já que na escola os artistas aprendiam de tudo um pouco, desde o desenho do projeto até a sua fabricação final.

A escola focou nos detalhes das artes consideradas “menores”, como a escultura, cerâmica, artesanato, tecelagem, marcenaria e metalúrgica. 

Entretanto, a Bauhaus também abriu espaço para cursos de teatro, dança e fotografia. Isso, portanto, foi o que a definiu como um grande centro de apresentação de novas tendências artísticas modernas.

Entre as principais características da Escola de Bauhaus, estão:

• Artesanato integrado ao processo de criação da arte;
• Incentivo ao construtivismo;
• Produção da obra em qualquer escala e para qualquer tipo de público;
• Estímulo ao hábito de pensar, idealizar e projetar o processo produtivo por inteiro;
• Uso de materiais inovadores (madeira, aço, vidro).

Além disso, a Escola de Bauhaus era formada por um grupo bem diversificado de artistas industriais, pintores, engenheiros, arquitetos, artesãos e designers. Juntos, eles trabalharam neste desfio de renovação cultural, em que os projetos poderiam ter formas úteis, mas sem abrir mão da sua estética. O trecho extraído do Manifesto de Bauhaus explica o que foi esse processo de renovação cultural:

Arquitetos, escultores, pintores, todos devemos retornar ao artesanato, pois não existe "arte profissional". 

Não há nenhuma diferença essencial entre artista e artesão, o artista é uma elevação do artesão, a graça divina, em raros momentos de luz que estão além de sua vontade, faz florescer inconscientemente obras de arte, entretanto, a base do "saber fazer" é indispensável para todo artista. Aí se encontra a fonte de criação artística.

Na instituição, os alunos eram estimulados tanto ao ensino formal artístico como ao ensino integrado com o artesanato. Diversos motivos ajudaram a elencar a Escola de Bauhaus como a maior escola de arquitetura e design no mundo. Um deles foi a união de profissionais das mais diversas áreas e o outro foi o enfrentamento da produção em larga escala na área de design.

Artistas

Dentre os artistas que fizeram parte do quadro de docentes da Escola de Bauhaus, destacaram-se: 

• Wassily Kandinsky (1866-1944): artista plástico russo
• Marcel Breuer (1902-1981): designer e arquiteto húngaro
• Oskar Schlemmer (1888-1943): pintor alemão
• Gerhard Marcks (1889-1981): escultor alemão
• Johannes Itten (1888-1967): pintor e escritor suíço
• Walter Gropius (1883-1969): arquiteto alemão e fundador da escola
• Paul Klee (1879-1940): pintor e poeta suíço
• Josef Albers (1888-1976): designer alemão
 •Laszlo Moholy-Nagy (1895-1946): design e pintor húngaro

Fim da Escola de Bauhaus

O auge da Escola de Bauhaus aconteceu no mesmo período em que Adolf Hitler assumia o poder. 
A partir daí a instituição começou a ser perseguida, pois os nazistas acusaram a escola de ideias pouco heterodoxas de arte, além de seu modernismo radical. O prefeito de Weimar então corta os fundos públicos que mantinham a escola e seu staff não vê alternativa a não ser mudar-se para outra cidade. 

Diante disso, a escola precisou mudar de cidade, saindo de Weimar e indo para Dessau, onde o governo era de esquerda. Os gestores da cidade doaram um grande terreno para a construção da escola e seus edifícios foram erguidos em tempo recorde, com alunos e professores trabalhando em sua construção. Assim, pela primeira vez eles poderiam estar num prédio totalmente projetado por eles e que atendia plenamente as funções que desejavam. 

Depois disso, em 1925, a escola mudou novamente, só que dessa vez para Berlim, onde começou a sua terceira fase e amadureceu em termos estruturais e pedagógicos.  Contudo, a perseguição pelos nazistas continuou 

com a escola sendo acusada de ser mantenedora de professores e  alunos judeus, propagar ideias comunistas e concepções artísticas “degeneradas. 
No entanto, mesmo agindo dessa forma, os nazistas não deixaram de usar os produtos desenvolvidos pela Bauhaus pela sua praticidade, inovação e funcionalidade, nada como a velha hipocrisia da extrema direita como sempre.

Assim, a escola teve que fechar suas portas, desta vez permanentemente. Todavia o legado da Bauhaus continuou sendo espalhando pelo mundo. Walter Gropius, Ludwig Mies Van der Hohe, Joseph e Anni Albers foram para os EUA, enquanto outros se espalharam pelo mundo, propagando o ideal de ensino da Bauhaus. 

Alguns alunos formados pela escola e até mesmo alguns professores passaram a trabalhar para clientes nazistas e para o nazismo como um todo, apesar dos ideais progressista, inclusivos e libertários propalados e constante em sua grade curricular. 

Jeden das Seine

Jedem das Seine é uma expressão idiomática alemã em uso há vários séculos. Por exemplo, é encontrada nas obras de Martinho Lutero e contemporâneos. Aparece no título de uma cantata de Johann Sebastian Bach, Nur jedem das Seine (BWV 163), apresentada pela primeira vez em Weimar em 1715. Algumas comédias do século XIX levam o título Jedem das Seine, incluindo obras de Johann Friedrich Rochlitz e Caroline Bernstein. Uma reviravolta irônica no provérbio, “Jedem das Seine, mir das Meiste” (para cada um o seu, para mim o máximo), é conhecida no reservatório de expressões idiomáticas alemãs há muito tempo, incluindo sua inclusão na peça de Carl Zuckmayer de 1931, O Capitão de Köpenick (WP).
Em 1937, os nazistas construíram o campo de concentração de Buchenwald, a 7 km de Weimar, Alemanha. O lema Jedem das Seine foi colocado no portão de entrada principal do campo. Os portões foram projetados por Franz Ehrlich, um ex-aluno da escola de arte Bauhaus, que tinha sido preso no campo por ser comunista (WP).


Alguns Móveis e Objetos Bauhaus 

Na escola, os alunos desenvolveram diversos projetos. Muitos, inclusive, são admirados até os dias atuais, e muitos são produzidos até hoje. Os projetos eram caracterizados por apresentar formas e linhas simplificadas definidas pela função do objeto. Veja as características de alguns deles a seguir.

Cadeira Barcelona

A cadeira Barcelona faz parte da categoria de mobiliários Bauhaus. Ela foi desenhada, em 1929, pelo arquiteto Ludwig Mies van der Rohe (1886-1969) e pela designer modernista Lily Reich (1885-947). Eles a criaram para expor no Pavilhão Alemão da Feira Internacional de Barcelona.


Poltrona Barcelona

A cadeira é feita em couro, a fim de proporcionar um maior conforto, e é dividida em duas partes: uma para encosto e a outra serve como um apoio para os pés (pufe). Além disso, a cadeira permite a produção em escala industrial, atendendo a uma das propostas da escola, da democratização das obras e utensílios.

Cadeira Presidente

A cadeira presidente foi desenvolvida pelo aluno e arquiteto norte-americano Marcel Breuer (1902-1981) e destacou-se como um dos objetos mais populares da escola. Ela consiste em um móvel de design simples, com estrutura toda feita em aço e couro. Além do primeiro nome, a cadeira também era chamada pelo seu criador de "cadeira Wassily", em homenagem ao artista plástico russo Wassily Kandinsky.

Cadeira Wassily
Cadeira Wassily projetada por Marcel Breuer para mobiliar a casa do pintor Wassily Kandinsky.

Tabuleiro de xadrez de Hartwig

Da categoria de objetos Bauhaus, um dos que persistem até hoje é o tabuleiro de xadrez criado pelo escultor Josef Hartwig (1880-1955). A criação se destacou como inovadora, uma vez que o layout de cada peça indica o tipo de movimento que ela é capaz de fazer.







Tabuleiro de xadrez criado pelo escultor Josef Hartwig (1880-1955).

Chaleira de Marianne Brandt

A chaleira, criada por Marianne Brandt (1893-1983), possui um design moderno e funcional. Sua estrutura é composta por um filtro embutido, bico não-gotejante e cabo resistente ao calor, enquanto o corpo da chaleira é composto em metal, e a alça executada em ébano. Além disso, Marianne foi uma das poucas mulheres que disseminaram o conhecimento adquirido em Bauhaus.



Marianne Brandt, Coffee and Tea Service, 1924. Silver, ebony and glass. Bauhaus-Archiv, Berlin (1).

***
A Vkhutemas, uma escola técnica e de arte estatal russa fundada em 1920 em Moscou, foi comparada à Bauhaus. Fundada um ano após a escola Bauhaus, a Vkhutemas tem paralelos próximos à Bauhaus alemã em sua intenção, organização e escopo. As duas escolas foram as primeiras a treinar artistas-designers de maneira moderna. Ambas as escolas foram iniciativas patrocinadas pelo estado para fundir o artesanato tradicional com a tecnologia moderna, com um curso básico em princípios estéticos, cursos em teoria da cor, design industrial e arquitetura. A Vkhutemas era uma escola maior que a Bauhaus, mas foi menos divulgada fora da União Soviética e, consequentemente, é menos familiar no Ocidente.


Fonte 






(Atualizado em 2025)
Contunuará…

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