ADOLESCÊNCIA
Segundo Eltink e Nunes (2020), a adolescência começou a ser vista como uma fase distinta do desenvolvimento humano a partir do século XIX, em 1904, quando Granville Stanley Hall (1844-1924) publicou, pela primeira vez, um estudo sobre esse período da vida. Hall apresentou a adolescência como uma etapa marcada por “tempestade e estresse”.
A adolescência pode ser definida como uma etapa de transição do desenvolvimento entre a infância e a vida adulta, marcada por significativas mudanças cognitivas, físicas, psicológicas e sociais. Destacam-se alguns aspectos tais como: mudanças hormonais, a separação progressiva dos pais e ao mesmo tempo uma maior aproximação com o grupo de amigos (socialização), a procura por si mesmo, a capacidade de desenvolver pensamentos totalmente abstratos e hipotético-dedutivos, emergência de preocupações metafísicas e éticas, atitudes sociais reivindicatórias, dentre outros. Essas mudanças orientam o adolescente ao êxito da sua autonomia para o gerenciamento da vida adulta, sem o suporte dos pais.
É nesta fase da vida que os jovens começam a construir um projeto de vida, e preocupam-se mais seriamente com a definição de uma escolha profissional. Além disso, neste período a escola continua sendo um importante contexto de desenvolvimento do adolescente, ocupando um grande papel em sua vida, juntamente com o grupo de amigos e a família.
Por isso a série é importante, pois o universo escolar associado ao ambiente das redes tem o poder de moldar a visão do ser em formação e sua visão de indivíduo que quer ser e sua visão de feminilidade e masculinidade.
Assim, a série ADOLESCÊNCIA da plataforma NETFLIX apresenta a história de um suposto assassinato cometido por um menino branco adolescente contra uma menina sua coetânea da mesma escola.
Still da série Adolescência da Netflix.
Engana-se quem acha que a série da Netflix “Adolescência” mudou a raça do assassino, ou queira culpabilizar meninos brancos. Segundo Belic (2025), o roteirista e ator da série Stephen Graham (pai do protagonista) afirmou que a produção não foi baseada em um único caso. Ele relatou que a ideia surgiu a partir de diferentes crimes que viu em noticiários na Inglaterra e País de Gales.
Jack Thorne, também co-criador da trama, rechaçou as acusações e reforçou que o tema principal da obra é a masculinidade.
Dados populacionais referentes ao Reino Unido mostram que a maioria da população é branca e a maioria dos ataques a faca é perpetrada por crianças e adolescentes brancos (contra todas as outras etnias). A população adolescente negra e imigrante é minoria e conta com apenas 20% dos assassinatos registrados enquanto que crimes contra a vida perpetrados por adolescentes brancos são mais do que 40%, o dobro do número registrado para todas as etnias registradas.
A série trata de sexismo, machismo, cyberbullying, dentro de uma sequência claustrofóbica que mostra jovens passando pela adolescência.
Breve análise da Série “Adolescência” da Netflix
“Adolescência” (título original: “Adolescence”) é uma série dramática da Netflix que explora os desafios enfrentados por jovens na fase do desenvolvimento que chamamos de Adolescência, quando há intensa formação e interação pessoal e social, misturado ao despertar da sexualidade em meio a uma transformação orgânica (menarca, primeira menstruação, a semenarca, a primeira ejaculação entre outros fenômenos fisiológicos).
A produção da série da Netflix, aborda temas como identidade, masculinidade, pressão social, saúde mental, sexualidade e conflitos familiares, oferecendo um retrato realista e por vezes cru dessa fase delicada da vida.
Enredo e Temas Principais
A série acompanha um grupo de adolescentes em um colégio, cada um lidando com problemas distintos, como:
Identidade e Aceitação
Personagens questionam sua orientação sexual, gênero e lugar no mundo.
Pressão Acadêmica e Social
A cobrança por desempenho escolar e a necessidade de se encaixar em grupos são retratadas de forma intensa.
Saúde Mental
Depressão, ansiedade e automutilação aparecem como consequências da solidão e da falta de apoio.
Relações Familiares
Conflitos entre pais e filhos evidenciam a dificuldade de comunicação entre gerações.
Masculinidade
A ideia de masculinidade, para os meninos adolescentes, fica ao encargo de seus relacionamentos com seus coetâneos cogenéricos, e das redes sociais. Nas redes, há todo tipo de vivências e modelos, como “redil”, “Incel” muitas destas, radicalizaras e criminosas
Dados e Impacto
Segundo um relatório da “Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021)”, transtornos mentais afetam cerca de “14% dos adolescentes globalmente, um tema central na série. Ainda mais com as redes sociais que disseminam ódio e desinformação tudo fica mais complicado.
Pesquisas do “Pew Research Center (2022)” indicam que “70% dos jovens” consideram a pressão escolar um dos seus maiores estressores, refletido no enredo.
A série alinha-se com produções como “13 Reasons Why” e “Sex Education”, que também discutem problemas juvenis com franqueza.
Crítica e recepção
Pontos positivos
Elogiada por sua representação autêntica e atuações convincentes.
Controvérsias
Alguns críticos argumentam que a série romantiza certos comportamentos de risco, como o suicídio (um debate semelhante ao de *13 Reasons Why*).
Audiência
Teve alta repercussão em plataformas como Twitter e TikTok, onde jovens debateram suas próprias experiências.
Um artigo que li diz:
A série inova mais pela técnica sofisticada do cinema, conhecida como plano-sequência, do que pelo roteiro do excelente Stephen Graham. Há também de se elogiar a ótima atuação do jovem Owen Cooper.
Discordo parcialmente do articulista nessa afirmação pois o tema da série é a construção da ideia de “macho” mediada por redes sociais onde todo tipo de opiniões dos tópicas tem o poder de moldar a personalidade dos jovens que ao invés de contribuir numa formação humanista, radicaliza o adolescente.
Segundo Mezavila (2025), há vários fatores que tornam a série interessante, como a dificuldade e o despreparo que os pais têm diante da aceitação de que existe uma nova linguagem formada por emojis, símbolos, emoticons, etc.
Há mais coisas entre corações vermelhos e carinhas tristes do que pode imaginar nossa vã pré-concepção da tecnologia.
Outro fator é a relação bem estruturada no ambiente familiar, onde o pai protetor, a mãe amorosa e a irmã companheira, que não serviram de acolhimento socioafetivo e impedimento para a personagem Jaime Miller, de 13 anos, assassinar uma colega de turma com várias facadas.
A série, que foi escrita sob a ótica da cultura europeia, com um cenário de uma unidade escolar suntuosa, inacessível para noventa e cinco por cento dos jovens brasileiros, é eficiente porque traz para o debate público uma nova e poderosa linguagem universal.
O dinamismo do plano-sequência absorve tempo que poderia ser utilizado mais efetivamente para falar sobre o Involuntary Celibates, Incel, redpill, (pílula vermelha, movimento social na internet em alusão ao filme “Matrix”, que mostra a pílula azul e a pílula vermelha) que significa Celibatário Involuntário, que serve para descrever adolescentes homens, inseguros e tímidos, com dificuldade de socialização, que é a base para o cometimento do crime.
A série trata de sexismo, machismo, cyberbullying, dentro de uma sequência claustrofóbica que mostra a transição dos adolescentes do seio da família, do ambiente escolar, para as ruas sombrias das redes sociais.
É só mais um alerta para que os pais, os que possuem autocontrole, monitorem o que os filhos consomem no escurinho da alcova com cheiro de tênis e mochila.
Onde está a novidade para tanto estardalhaço? A série comercial não aponta para nenhum lugar desconhecido do comportamento da juventude contemporânea entre o oriente e o ocidente; tanto a psicóloga quanto o policial não acrescentam nada. O que há de novidade nisso? Nesse ponto concordo totalmente com ele. Há nesses dois personagens a ausência de uma certa autoridade e conhecimento que aponte para uma saída e uma abertura para esperança. No caso dessa série não há nada. A série parece apontar para um poço profundo ou uma caverna sem luz onde opinões e desinformações radicalizam as pessoas, sobretudo adolescentes, e da qual não há saída a vista, parecendo que não vale nem a pena tentar algo.
Conclusão
“Adolescência” cumpre seu papel ao trazer à tona discussões necessárias sobre a juventude contemporânea, poderíamos dizer literalmente entre a cruz e a espada.
Embora possa ser acusada de ser comercial, euro e troca, e ser uma série de sensacionalismo em alguns momentos, sua importância reside na visibilidade que dá a questões muitas vezes negligenciadas.
Esta análise destaca como a série utiliza o entretenimento para promover reflexão, tornando-se um material relevante para pais, educadores e jovens.
Referências
OMS (2021). Relatório sobre saúde mental adolescente.
Pew Research Center (2022). Pressão e estresse em adolescentes.


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