O artigo de Miriam Leitão que exige de Lula a diversidade identitária na composição do novo governo e a austeridade de gastos públicos é ilustrativo da relação identitarismo e neoliberalismo.
A mera distribuição de cargos políticos a partir da paridade identitária nada altera a política de desigualdade neoliberal, uma vez que esta desigualdade é estrutural.
A representatividade no poder deve resultar de melhoria real da realidade de classe das identidades marginalizadas ao longo da modernidade/colonialidade brasileira. Para que isso ocorra os aparatos geradores de desigualdade devem ser desmontados o que implica na supressão ou superação do capitalismo.
Essa “modernidade/colonialialidade” brasileira, autoritária, conservadora e retrógrada levou à ascensão da extrema-direita no país.
A elite econômica ou “o mercado” deseja total liberdade para explorar a vida do trabalhador, e poder para influenciar decisões políticas mais eficazmente. Esse movimento visa concentrar toda a riqueza gerada tanto pela classe trabalhadora quanto pela classe média.
Nesse processo de concentração e acumulação desenfreado, a precarização e à consequente extinção da classe média e dos pequenos burgueses não é somente uma consequência mas um projeto. O que é um corolário óbvio, pois não deve haver riqueza, segurança e estabilidade exceto nas mãos da elite.
O capitalismo não promete nada. Ele constitui-se apenas num modo de produção de acumulação de capital e, também, uma formação da subjetividade social.
O capitalismo não acumula riqueza. Ele transforma a produção social de riqueza em capital (abstrato). portanto, a riqueza não se realiza como bem comum. A produção social da riqueza (forças vivas) transforma-se em trabalho morto (capital).
A esperança de que possuindo um meio de acumular riquezas e o livre mercado trariam segurança progresso e estabilidade é uma falácia.
A classe trabalhadora já se encontra totalmente precarizada mas não se revolta sobretudo pela catequização que vem sendo feita por igrejas neopentecostais cristofascistas acólitos que são da necropolitica engendrada pelo capital.
O problema do capitalismo informacional não está na empobrecimento da classe média e dos trabalhadores, mas, essencialmente, na precarização da vida. Trata-se de uma vida isolada, sem amparo social, vazia do bem comum. Uma vida fascista, vazia de alegria, de sensibilidade e acuidade intelectual.
Nesse sentido, os pobres vivem melhor do que a classe média, pois estão distantes da vida fascista.
O que o governo B. instaurou no Brasil nos últimos quatro anos e que assanhou a parte autoritária e conservadora da população, foi um governo fascista e tirano que não responde a ninguém desejando que não houvessem instâncias acima dele que pudessem controlá-lo. Essa atitude, de um governo eleito democraticamente, que se apossa compadre para acabar com a democracia devia ser proibida historicamente e comiserada ilegal e criminosa pois constitui-se em retrocesso.
Mas, o golpe perpetrado por agentes do estado em 2016 iniciado em 2013 nas jornadas de junho que deu palco à extrema-direita e lhe serviu de combustível, deve ser estudado mais detidamente para se localizar e tipificar o papel de cada agente e grupo.
Pois como diz Foucault “o fascismo está na cabeça”, assim, o fascismo é o desdobramento natural do capitalismo como formação social. Somente a vida livre da subjetividade capitalista, diga-se, livre da mediação do capitalismo e de seus mecanismo, pode assegurar uma sociedade livre do fascismo.
Uma vida não fascista demanda viver além dos aparatos de dominação do capital. Esses aparato como historicamente já conhecemos, levaram ao surgimento do fascismo histórico e do neoliberalismo uma versão edulcorada do fascismo renascido nos tempos atuais em diversas partes do mundo eufemisticamente chamado de extrema-direita.
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