INÍCIO

22 setembro 2022

EQUINÓCIOS E SOLSTÍCIOS

EQUINÓCIO  DE PRIMAVERA

A. Paim MSc. BSc. M.M.

Hoje inicia a primavera as 22h 04 min.  Um dia especial para a terra e para o hemisfério sul do planeta, indica que dias mais longos e mais quentes estão à frente. 

Normalmente nunca paramos para pensar sobre o calendário. Entretanto, há nessa aparentemente simples disposição de dias e meses ao longo do ano muito conhecimento da física do nosso planeta em sua viagem pelo espaço ao longo de um ano. 

Inclinação do eixo da terra e o equinócio 

Atualmente, o calendário, que usamos é o calendário Gregoriano, que foi elaborado com base no tempo em que o nosso planeta gasta para dar uma volta completa em torno do Sol, i.e., o tempo gasto pelo planeta para completar os 360° de sua órbita ao redor do centro de massa . Esse movimento, denominado de translação, tem uma duração aproximada de 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 56 segundos. 

Há mais de 430 anos que o mundo ocidental é regido por esse calendário, que é considerado uma das grandes conquista científicas da civilização.

Este calendário ficou conhecido como “Calendário Gregoriano”, graças ao príncipe italiano, Ugo Boncompagni, (7/I/1502 - 10/IV/1585), cardeal da Basílica de São Sisto Vecchio, em Roma. Ugo Boncampagni, foi eleito Papa e escolheu seu nome  em homenagem ao grande reformador da igreja Católica, o Papa Gregório I (590–604), tornando-se assim, Gregório XIII, (Latim: Gregorius XIII).

Ugo Boncompagni, Papa Gregório XIII, 
(7/I/1502 - 10/IV/1585)

Tornou-se o 226º Papa da Igreja Católica Apostólica Romana, e desta forma, o chefe da Igreja Católica e regente dos Estados Papais a partir de sua escolha em 13 de maio de 1572 até sua morte em 1585. 

Gregório XIII é mais conhecido pelo comissionamento da equipe de matemáticos e astrônomos que reformou o calendário vigente, na época o calendário Juliano, criando o calendário gregoriano, do que pela promoção da contra-reforma e pelos investimentos pesados na cultura e nas universidades.

O calendário utilizado até então era o calendário juliano, um legado de Júlio César, datado da Roma antiga, praticado desde cerca do ano de 45 a.C. Embora este calendário tenha passado por alguns ajustes, seja para tentar corrigir desvios de datas móveis, seja para render homenagens a imperadores romanos que passaram a emprestar seus nomes a alguns meses. 

A solução adotada por Gregório XIII foi sofisticada por dois motivos: ela remediava o estrago já feito, ao retirar dez dias e, assim, ajustar novamente a contagem humana de forma correspondente à natural; e prevenia nova desordem, ao melhorar a regra, já adotada, do ano bissexto. 
O ano bissexto, que correspondia ao acréscimo de um dia a mais no calendário de tempos em tempos, foi criado com o calendário juliano. Esse acréscimo foi necessário pois já se tinha conhecimento de que o ano não tinha exatamente 365 dias, mas um pouquinho a mais, assim, acrescentando-se um dia a mais de vez em quando, corrigia-se essa contagem.

A questão da contagem correta do tempo vinha sendo levantada pelos astrônomos e matemáticos desde o século II d.C. Oficialmente, o primeiro a apontar problemas no calendário juliano foi o famoso astrônomo, geógrafo, cartógrafo e matemático Cláudio Ptolemeu (90-168). Na era medieval, o respeitável monge Beda (673-735) também estudou o tema. E há registros de que o frade e filósofo inglês Roger Bacon (1220-1292) seja outro que tenha se debruçado sobre essa questão. No ano de 1267, ele chegou a alertar o papa sobre um erro em relação ao equinócio da primavera" (Maerki in bbc, 2022).

Em 1344, o papa Clemente VI (1291-1352) chegou a delegar a importantes astrônomos de seu tempo a tarefa de repensarem uma forma melhor de reorganizar o tempo e sua contagem.
Seu sucessor, Inocêncio VI (1282-1362), também encarregou especialistas de estudarem a questão. No Concílio de Constança realizado entre 1414 e 1418 foram organizadas comissões para pensar a reforma. (Maerki in bbc, 2022)
Esses estudos acabaram por apontar um erro escandaloso no calendário juliano, especialmente no que se refere à determinação da Páscoa. 

Nos anos 1476, papa Sisto IV (1414-1484) chamou o matemático, astrólogo e astrônomo Johannes Müller von Königsberg (1436-1476), mais conhecido como Regiomontanus, para Roma, a fim de encomendar a ele um plano para solucionar o calendário. Todavia, ele morreu logo após sua chegada, segundo contam historiadores, provavelmente assassinado. Não conseguiu, portanto, ajudar o papa na empreitada da reformulação. A necessidade de um ajuste também foi debatida no quinto Concílio de Latrão, realizado entre 1516 e 1517.
O papa Leão X (1475-1521) chamou muitos para trabalharem na resolução desse problema. Desta época, há cartas trocadas entre os astrônomos Paolo di Middelburg (1446-1534) e Nicolau Copérnico (1473-1543) debatendo e buscando alguma solução para ajustar a contagem dos dias (Maerki in bbc, 2022).

A Páscoa é uma celebração cuja data é móvel, sempre foi assim e segue sendo desta forma até hoje. Entretanto, obedece a uma lógica, é celebrada no primeiro domingo depois da primeira lua cheia seguinte ao equinócio da primavera no hemisfério norte. Isso implica em duas consequência: a primeira que a Páscoa sempre ocorreria entre o fim de março e o fim de abril, a segunda: que sempre deveria acontecer na primavera.

Mas o descompasso estava ficando tão grande entre o calendário natural e o oficial que no ritmo que as coisas caminhavam, ia chegar ao ponto em que a Páscoa seria celebrada no verão. E isso poderia começar a atrapalhar o restante do calendário, encavalando as datas móveis com as datas fixas importantes, por exemplo.

Havia o contexto geopolítico da época, no sentido de que o século XVI era o momento em que a toda poderosa Igreja Católica tinha sua hegemonia ameaçada pelo contexto da Reforma Protestante (Maerki in bbc, 2022).

Foi um século bastante complicado para a Igreja Católica, quando ela teve que enfrentar a reforma luterana, a reforma calvinista e a reforma anglicana". Assim, para fazer frente a essas separações de parte da igreja, e dentro do que ficou conhecido como contrarreforma, a Igreja Católica buscava recuperar espaço.
Este foi o debate central do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563. E acabou sendo também uma espécie de linha-mestra do pontificado de Gregório XIII, que ficou no poder entre 1572 e 1585. O Papa Gregório XIII foi um papa bastante fiel às inovações do Concílio, porque via essa atitude de mudança como uma demonstração de poder da Igreja. Assim, o interesse no processo de ajustar o calendário, reunia forças política e espiritual e demonstrava a capacidade da Igreja Católica de dialogar com os avanços científicos da época (Maerki in bbc, 2022).

A história nos lembra que a Igreja por um lado assumia uma postura anti-intelectual, ao criar uma lista de livros proibidos, o “Index Librorum Prohibitorum ou Index Expurgatorius” por exemplo; mas, por outro, via espaço para crescer na área intelectual, puxando para si o protagonismo de debates importantes, a partir de sua visão de mundo. E a reforma do calendário entra nesse processo (Maerki in bbc, 2022).

Após estudar detalhadamente as passagens do sol pelo meridiano nas diferentes épocas do ano e os solstícios e equinócios os pesquisadores aconselharam o papa Gregorius XIII a fazer alterações no calendário.
 
Ao término desse estudo o papa emite a  bula “Inter Gravíssimas” que passou a prever, em seu nono parágrafo, três regras complementares para determinar o ano bissexto. Estas normas são vigentes até os dias hoje.

De quatro em quatro anos o ano é bissexto, mas de cem em cem anos não é ano bissexto, contudo de 400 em 400 anos é ano bissexto, e as últimas regras prevalecem sobre as primeiras. Em outras palavras, são bissextos todos os múltiplos de 400: ano 1600 foi bissexto, ano 2000 foi bissexto, ano 2400 será bissexto. E são bissextos todos os múltiplos de quatro, exceto se também for múltiplo de 100 mas não de 400. Por isso o ano de 1900 não foi bissexto, e 2100 também não será bissexto. Com essa fórmula, o ano do calendário ficou matematicamente ajustável ao natural, ou seja, ao fato de que a Terra leva 365,2425 dias para dar a volta completa em torno do Sol.

O grande motivo da reforma foi a discrepância entre as datas relativas ao dia da Páscoa, início das estações do ano e natal; e outras datas moveis que estavam defasadas. 

O início das estações do ano estavam defasadas bem como a duração média do ano no Calendário juliano era muito longa, pois tratava todos os anos de 365 dias e 6 horas de duração, enquanto os cálculos mostraram que a duração média real de um ano é um pouco menor (365 dias, 5 horas e 49 minutos). Como resultado, a data do equinócio vernal caiu lentamente (ao longo de 13 séculos) para 10 de março (ainda inverno no Hemisfério Norte), enquanto o cálculo da data da Páscoa ainda seguia a data tradicional de 21 de março.

Esse período de quase 366 dias, é dividido, dependendo da região geográfica em quatro estações: Primavera, Verão, Outono, e Inverno. Dividindo essas estações, existem datas muito especiais, os famosos Equinócios e Solstícios, que são celebrados em diversas culturas ao redor planeta desde a era do bronze, inicialmente como datas sagradas pela humanidade.

EQUINÓCIO 

A palavra equinócio tem sua origem no latim: aequus, que significa igual e nox, noite, que juntas significam noites iguais (o período da noite é igual ao período diurno, i.e., número de horas de escuridão é igual ao número de horas de luz). 

Equinócios e solstícios 

Precessão dos equinócios 

Movimento de translação 

Como podemos explicar esse fenômeno?

Podemos explicar esse fenômeno como sendo o cruzamento do Sol, ao realizar a sua órbita, com a linha do equador, sendo dessa forma, o ponto onde a elíptica solar cruza com o equador celeste. No equinócio, a incidência maior da luz solar se dá sobre a linha do equador de modo que essa luz fica distribuída igualmente entre os hemisférios Norte e Sul, e a duração do dia e da noite ficam iguais (12 horas de luz e 12 horas de escuro). 

Podem ocorrer dois eventos equinocias durante o ano. O primeiro em março, denominado equinócio de outono, no hemisfério sul, que neste ano (2022) ocorreu no último dia 21 de março e o outro em setembro também chamado de equinócio de primavera, que ocorrerá por volta do dia 22 de setembro. 
Assim, de um ponto de vista místico-espiritual, apenas duas vezes por ano, o caminho do Sol (espiritual, a luz que salva) cruza o caminho da Terra material, onde as 24 horas do dia são divididas igualmente entre as Trevas e a Luz. Temos, nesses dois dias o chamado sincronismo cósmico entre dia e noite em perfeito processo de equilíbrio entre Trevas e Luz. Segundo a astrologia, o ano realmente começa quando o Sol chega no grau 0, em Áries, no equinócio de outono aqui em nosso hemisfério (equinócio de primavera no Hemisfério Norte).

Equinócios e solstícios. 

Nos equinócios, podemos dizer que o período diurno tem a mesma duração do período noturno, ou seja, as 24 horas de um dia são divididas igualmente em duas partes. O fenômeno ocorre quando os raios solares incidem diretamente sobre a Linha do Equador, fazendo com que os dois hemisférios do planeta recebam a mesma quantidade de luz e de escuridão. No total, são dois por ano, sendo eles o Equinócio de Primavera e o Equinócio de Outono.
 
Já nos Solstícios, ocorre o contrário. A distribuição da luminosidade ao redor do globo não é uniforme, tendo como consequência dias maiores que noites, ou vice-versa. Quando acontece um Solstício de Verão, temos o dia mais longo para um determinado hemisfério e, analogamente, quando há um Solstício de Inverno, tem-se a noite mais longa.

“A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos”. (Jean Jacques Rousseau, 28 de junho de 1712 – 2 de julho de 1778)




Fonte















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