INÍCIO

17 julho 2022

O FASCISMO

I. Notas sofre filosofia política. 

1. O Fascismo que se avizinha

Eu não tenho nenhum gosto pelo horror. Nem mesmo no cinema, onde sempre me pareceu o primeiro passo para a degradação e para a barbárie. Catarse? A catarse tem as costas largas. (...) Todos aqueles que foram espancados, feridos, mutilados, assassinados, vilipendiados, violados, torturados, mesmo literalmente crucificados, têm direito, na sua carne martirizada, a esta consideração mínima: o respeito pelo anonimato, em vez do veoyeurismo das boas almas.

Jacques Julliard - O Fascismo que se avizinha

Jacques Julliard - O Fascismo que se avizinha



2. DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO 

Fragmentos Filosóficos
1947
(Dialektik der Aufklärung – Philosophische Fragmente)

Theodor W. Adorno 
&
Max Horkheimer

No sentido mais amplo do progresso do pensamento, o esclarecimento tem perseguido sempre o objectivo de livrar os homens do medo e de investi-los na posição de senhores. Mas a terra totalmente esclarecida resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal. O programa do esclarecimento era o desencantamento do mundo. Sua meta era dissolver os mitos e substituir a imaginação pelo saber. Bacon, “o pai da filosofia experimental”1, já reunira seus diferentes temas. Ele desprezava os adeptos da tradição, que “primeiro acreditam que os outros sabem o que eles não sabem; e depois que eles próprios sabem o que não sabem. Contudo, a credulidade, a aversão à dúvida, a temeridade no responder, o vangloriar-se com o saber, a timidez no contradizer, o agir por interesse, a preguiça nas investigações pessoais, o fetichismo verbal, o deter-se em conhecimentos parciais: isto e coisas semelhantes impediram um casamento feliz do entendimento humano com a natureza das coisas e o acasalaram, em vez disso, a conceitos vãos e experimentos erráticos; o fruto e a posteridade de tão gloriosa união pode-se facilmente imaginar. A imprensa não passou de uma invenção grosseira; o canhão era uma invenção que já estava praticamente assegurada; a bússola já era, até certo ponto, conhecida. Mas que mudança essas três invenções produziram – uma na ciência, a outra na guerra, a terceira nas finanças, no comércio e na navegação! E foi apenas por acaso, digo eu, que a gente tropeçou e caiu sobre elas. Portanto, a superioridade do homem está no saber, disso não há dúvida. Nele muitas coisas estão guardadas que os reis, com todos os seus tesouros, não podem comprar, sobre as quais sua vontade não impera, das quais seus espias e informantes nenhuma notícia trazem, e que provêm de países que seus navegantes e descobridores não podem alcançar. Hoje, apenas presumimos dominar a natureza, mas, de facto, estamos submetidos à sua necessidade; se contudo nos deixássemos guiar por ela na invenção, nós a comandaríamos na prática”.2



1) Voltaire, Lettres philosophiques X1l, Oeuvres completes. Ed. Garnier. Paris, 1879. Vol. XXII, p. 118.

2) Bacon, In Parisse of. Knowledge. Miscellaneous Tracts upon Human Philosophy. The Works of Francis Bacon. Ed. Basil Montagu. Londres, 1825. Vol. l, pp. 254 sg.


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