A PALAVRA E SEUS LIMITES
Do latim parábola, do grego antigo: παραβάλλω παραβολή, parábolo, parabolḗ: colocar lado a lado, justapor, justaposição, comparação, analogia, conjunção (astr.), divisão (mat.).
A palavra negro.
O negro da noite,
Lista negra
O mercado negro
Humor negro
Serviço de negro
Magia negra
Passado negro
Ovelha negra
O pretos da África se chamavam “negros”?
Ou esse nome foi dado por quem os escravizou?
Então, por que usar o nome, a palavra que diminui e deslegitima?
Negro é sinônimo de escravidão.
Negro é a deslegitimação do ser humano.
Quando os africanos chegaram na América não haviam negros.
Ao chegar se tornaram negros escravos.
Foram desumanizados, reificados, coisificados, transformaram-se em mercadoria.
Imagine que não existia nenhuma lei que os brancos obedecessem sobre como tratar escravos e nenhum poder aquém você pudesse recorrer quando se sentisse injustiçado, abusado, torturado.
Se você se identificar como negro, você reforça a imagem do escravo, do subalterno, do sub-humano.
Ao se identificar como desumanizado, você aceita que sua origem é a escravidão. Naturaliza a violência contra o humano baseado somente na cor da pele. Você aceita que não há nada superior que possa salvá-lo, tirando-o dessa situação na qual foi colocado.
A palavra atualiza o status quo de sempre. A palavra torna quem é designado por ela, na coisa.
Aristóteles já dizia que:
“Pois quando conseguirmos dar conta de tudo aquilo que a acompanha ou da maioria, de acordo com o modo como nos aparece, (o termo não é usado aqui em sentido técnico, mas sim no seu sentido etimológico, verbo mostrar-se, aparecer) conseguiremos também, então, pronunciar-nos corretamente acerca da essência de uma coisa: o ponto de partida de toda a demonstração é, com efeito, o que uma coisa é, de forma que as definições das quais palavra e coisa se tornam um. A desconstrução faz-se necessário diariamente.
E a construção de uma nova realidade, de inclusão de igualdade de fraternidade.
A palavra limita. Mas que o limite seja o limite do universo.
A sociedade escraviza toda vez que mata jovens negros, toda vez que alguém é discriminado, toda vez que paga mal, que explora a força viva e transforma em matéria humanizada, e não transfere o devido “valor” ao ser humano que o produziu. Precisamos evoluir como sociedade, precisamos ser humanos.
Bibliografia
Diccionario griego-español, ed. by Francisco Rodríguez Adrados and others (Madrid: Consejo Superior de Investigaciones Científicas, 1989-).

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