UNIÃO DE FRAQUEZAS FAZ SURGIR UM GOVERNO DE EXTREMA DIREITA
https://youtu.be/AFzj_TOod68
As formas dos capitalismo
Um ou dois dias antes do relatório da OXFAN,a imprensa noticiou que, um empresário estadunidense declarou que foi isso mesmo, ele deu golpe mesmo, (no caso auxiliou no golpe da Bolívia) , porque ele quer pegar o lítio do subsolo da Bolívia. E pasmem, o lucro desse empresário só na crise da pandemia do coronavírus, foi maior do que o PIB da Bolívia. Ora, Ora, é o capital cada vez mais se concentrando nas mão de poucos. E não é por vontade das próprias pessoas que o capital se concentra, é pelo fato de que os negócios só se tornam possíveis quando alguns poucos detiverem a maior parte do capital.
Essa organização social capitalista, extremamente competitiva entre si, leva a nossa realidade atual. Gestores colocados no poder pelo voto popular, legislam em prol do capital e não de quem cedeu, através do voto, poder, para ter voz nas casas parlamentares. Ao final e ao cabo, o povo fica sem voz e o capital em fase final de acumulação acaba cooptando tudo. E assim acabamos chegando a um regime coercitivo, pois nada pode barrar a concentração do capital.
Gostaria de ilustrar esse meu ponto de vista usando exemplos do nosso cotidiano. Usarei para isso exemplos da arte e da realidade para ilustrar essa argumentação.
Percebe-se isso em filmes e na própria realidade. Meu primeiro exemplos vem da arte. Como primeiro exemplo trago o filme: "Eu Daniel Blake" um filme dirigido por Ken Loach, de 2016, no qual o protagonista, Daniel Blake (Dave Johns), após sofrer um ataque cardíaco e ser desaconselhado pelos médicos a retornar ao trabalho, inicia sua busca dos benefícios a que tem direito, concedidos pelo governo a todos que estão nesta situação. Entretanto, ele esbarra na extrema burocracia estatal, instalada pelos próprios representantes, quem recebeu a chancela do voto popular para estar lá e defender o povo. Sua, por assim dizer desgraça, é maximizada pelo fato dele ser um analfabeto digital, como aliás quase todos nós, pois não sabemos como funcionam os meandros do governo, os caminhos para chegar a um beneficio, um direito, assegurado pela lei. Ora, chamo atenção aqui "para nossa ingenuidade" de pensar que o direito nos salvará ou salvará o povo, os trabalhadores, da "vontade do capital".
Pois é o capital o sujeito no capitalismo e não nós, meros seres humanos, peões, que podem ser usados e descartados quando o mecanismo do capital não mais necessitar de nós.
Outro exemplo, para ficar no campo da arte, é o filme de ficção intitulado Elysum, do diretor Neill Blomkamp; a historia se passa no ano de 2154. Nesta época, já ocorreu a concentração máxima do capital, e a população humana vive em Elysium, que é um cilindo de O'Neill, uma especie de estação espacial, no qual é recriada um habitar artificial, semelhante a um paraíso terrestre, disponível apenas para os mais ricos do planeta. Neste lugar não existe sofrimento ou doenças, pois toda doença ou ferimento são curados instantaneamente, bastando entrar numa máquina médica chamada "Med-Bay". O resto da população ainda está na Terra, um planeta superpopuloso, pós-capitalista, pós-apocalíptico decadente, governada por milícias auxiliados por robôs que patrulham todos os espaços e enxergam tudo e, desta forma, "mantem a ordem" segundo leis ditadas pelos ricos de Elysium, que ainda continuam explorando o planeta.
Outro exemplo que ofereço é de uma realidade que surgiu há pouco no mundo e em nossas vidas: os trabalhadores de aplicativos. Um capitalista, bilionário, num centro do primeiro mundo recebe mensalmente milhões de dólares oferecendo um serviço cujo trabalho é executado por outro ser humano em qualquer parte do mundo. Esse trabalhador, não tem patrão, não seguro saúde, não tem aposentadoria, não tem salário, em síntese ele trabalha para sobreviver. Esses trabalhadores estão submetidos pelo capital, via contrato jurídico. É uma atividade correlata à escravidão, só que sem o senhor de escravo nem capitão do mato, para arrebanhar os dissidentes do trabalho. Esses entregadores de aplicativos como iFood, Rappi, Glovo e Uber Eats passam o dia rodando a cidade para ganhar menos de R$ 50,00 segundo relatos postados em grupo da categoria nas redes sociais. Nos dias bons, os ganhos podem passar de R$ 100,00.
Esses exemplos lapidares nos mostram que essas pessoas, poderíamos dizer estão num mundo paralelo, nem podemos dizer que estão no modo de vida feudal nem mesmo no escravismo, nem num meio termo fordista. Estariam num esquizo-fordista (fordismo dividido entre os donos ou acionistas do app e o produtor de bem de consumo e o entregador), onde o criador ou acionista de um app como o uber, rappi, ifood, etc criaram e desenvolveram um aplicativo e permitem o seu uso mediante pagamento; (somente para se ter uma ideia a Uber lucrou U$ 50 bilhões em 2018. Pergunta: quais dos motoristas da Uber ou Cabify ficou milionário? Nenhum. E o Brasil já é o segundo maior mercado da Uber no mundo, com um lucro anual de R$ 3,76 bilhões.
Essas pessoas, no caso dos trabalhadores de aplicativos, estão propensos a acreditar no pastor, num líder oportunista que diz que vai varrer a corrupção, vai escorraçar e matar comunistas, pois estes ameaçam o lucro, a liberdade e família tradicional. Esses trabalhadores, são boas pessoas, mas estão alijadas do processo de evolução do pensamento e dos comportamentos. Isto porque ou não tem formação para alcançar as mudanças culturais que ocorreram na sociedade nas duas ultimas décadas ou por falta de estudo formal mesmo (por não terem feito uma faculdade etc).
Esse líder do baixo clero, então, vai unir essas fraquezas para chegar ao poder. Não por amor aos desvalidos ou consciência de classe. Mas para unir o capital desses grupos (capital politico e econômico).
O mundo atual é pródigo em exemplos. Ao norte temos um clássico, "alt-right" que celeremente se move para criar uma distração, um inimigo imaginário, um estratagema para enganar a população, o trabalhador, que cai como uma presa na armadilha do canto da sereia do capital. Um conflito está sendo gestado para arrebatar as mentes, e arrebanhar indivíduos ao seu mantra "America first" dizendo assim: quem melhor do que eu para livrar a todos desse inimigo que querem impedir nossos ganhos, nosso modo de vida, roubar nossas ideias?
Mais ao sul, outros que criaram e usam o inimigo número um dos conservadores cristofascistas (Dorothee Steffensky-Sölle 1929-2003), para, com uma agenda comportamental arrebanhar apoiadores para essa cruzada com Deus pela família. E é triste constatar que isso só é possivel devido aos estágios primitivos de pensamento politico em que se encontram grande parte dos trabalhadores.
Ora, apenas por meio da forma extrema do capital e via subjetividade jurídica, se pode chegar ao ápice dessa forma cristofascista. Porém, não sem danos a todas as instituições que estão coladas a esta forma politica de gestão.




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