INÍCIO

29 abril 2020

A IMAGEM DE UMA HISTÓRIA OCULTA


MINHA HISTÓRIA PARTICULAR


i. 


Eu vivi num mundo que para mim iniciou em 1980 ao som de Rita Lee com Lança perfume, e tardes de estudo no meu colégio Margarida Lopes em Camobi, onde estudei da quinta série à oitava A. 
Meus melhores amigos estavam na sétima A e depois foram para oitava A comigo. 

Eram tardes dos jogos de voleibol, das leituras de Alfred Hitchcock, cujo conto deu nome a um saque de vôlei particular que ficou famoso o “com açúcar e veneno” da turma sétima A. 

Meu mundo era um mundo onde fazíamos a mais linda festa junina, onde meus melhores amigos se reuniam no clube ECGRC (Esporte Clube Grêmio Recreativo Colonial). Meu mundo tinha uma bandeira que era branca com uma borda dourada uma faixa vermelha ascendente da esquerda para a direita cujo centro tinha uma bola de futebol, mas que eu dizia ser o mundo. Nesse mundo tinha reunião todas as quintas-feiras a noite, para decidirmos democraticamente o que seria feito com o dinheiro arrecadado. E todo mês planejávamos expedições de geologia pelas montanhas do meu bairro, para coletar rochas e colecionar grandes aventuras. Tomávamos banho de rio e explorávamos cachoeiras em Três Barras, e as trilhas índias no Perau Velho. 

Meu mundo era o mundo da ciência, da pesquisa, dos experimentos, da discussão aberta de todos os assuntos, de todos os temas... Era um mundo de dedicação à sociedade e ao bem-estar dela, senão jamais teríamos feito um projeto para despoluir um córrego que saia de um posto de combustível próximo ao nosso clube.



 Amigos que ficaram em algum lugar no passado.Ficou apenas essa folha mimeografada com seus nomes e seus aniversários. 

Eu sou produto desse tempo. Nasci em 1965, na ditadura de Umberto Castelo Branco, em 1972, entrei na escola no governo do ditador Emilio Garrastazú Médici. Em 1980 na sétima série ainda era o ditador Joao Figueiredo (1979-1985). E eu não sabia de nada. Era um perfeito alienado. Para me defender eu uso o argumento da idade. O que um adolescente pode saber? Então vivia eu naquele limbo de felicidade, na borda da felicidade dos outros. 

Minha casa era a mais simples que alguém pode imaginar, onde faltava tudo. Só não faltava o amor dos meus pais e alimento, embora fosse somente o necessário. Em 1980 quando eu estava na sétima série, fundamos, Everton R.B., o Thelmo A.D, e eu, um clube chamado ECGRC, em um depósito na propriedade do meu grande amigo Everton R.B. (No início o Clube funcionava numa casa de madeira no topo de uma colina que tinha uma rua de terra em frente. Tinhamos uma sala com uma mesa e uma cozinha onde fazíamos experimentos químicos. Inicialmente com três pessoas, convidamos alguns amigos e colegas do colégio e que moravam próximo para participar, e em algum momento inicial já eram dez pessoas (Everton, Thelmo, Eu, Lauricio, Roberto, Alexandre Lencina Fagundes, Jader L. F., Joao K., Emerson K., Altemir P., Gerson luis M., Roberto D., Rogério Perrando. No primeiro ano até o final do segundo, O Clube, como era chamado, foi administrado pelo “Conselho dos Três”, todavia depois de alguma discussão, houve eleições livres e diretorias foram formadas. Nessa época sempre que se reuniam três pessoas do Clube já se constituía uma instancia para decisões. 

Esse mundo idílico ganhou um grande impulso em 1982, quando entramos (Thelmo e eu) no Colégio Agrícola de Santa Maria, hoje Escola Politécnica da UFSM. E depois de me formar em Técnico Agropecuária, entrei para a faculdade de Biologia.

Coletávamos espécimes botânicos, e procurávamos fósseis de répteis do Triássico da formação Santa Maria, nas sangas da Alemoa, no Km 3 na estrada que liga o meu ex-bairro ao centro da cidade, conhecíamos todos os afloramentos de siltito e arenito Botucatu da região de Santa Maria, e explorávamos depósitos do quaternário nos cortes da ferrovia que passava em Camobi. Nesse mundo eu cantava Menina veneno, e Voo de coração do Ritchie e em 1984 eu me apaixonei pelo Legião Urbana. Conheci muita gente, fiz amigos, e nos formamos em 1985 (Thelmo e eu), nesse mesmo ano houve eleições para presidente e foi eleito Tancredo Neves, que não pode tomar posso por motivo de saúde, vindo a falecer um mês depois e assumiu o seu vice o Sr. José Sarney. 

Em 1985 as meninas (Ani Lucia, Mariceli, Jocélia) entraram no clube, nesse momento o número de associados era grande. Fazíamos show de rock Rock Garage, e cobrávamos ingresso para custear as despesas, torneios de vôlei, de futebol além das festas juninas. 

Aquele mundo desapareceu, mas as vezes eu me vejo nele, quando vejo o interesse dos meus alunos pela biologia e pelas ciências naturais. 

Vibrei com Cabeça de dinossauro dos Titãs em junho de 1986, ano que entrei no curso de Biologia Licenciatura Plena da UFSM. Nesse tempo, apesar de ser um bom tempo já percebia muito a desigualdade no mundo, conheci a Ivana Cruz, no diretório de estudantes do CCNE/UFSM. 

Politicamente só houve um período em minha vida que vale a pena recordar com saudades, foi o período de 2002 a 2016 nos governos da Coalizão com o PT, onde todos os trabalhadores e todos os excluídos, e todos os marginalizados, e todas as minorias, indígenas, negros, quilombolas, LGBTQIA, passaram a existir e a ter voz. Houve realmente um renascimento em todos os setores, uma oxigenação nas estruturas há séculos mofadas e cristalizadas. 
Hoje é só dúvidas e desconhecimento. Esse mundo, o meu mundo, não existe mais.


ii.

É muito triste perceber que você vive num limbo, que o seu mundo já se foi, ruiu ha muito tempo... Você se sente sozinho e abandonado à beira da estrada, como uma casa abandonada onde outrora havia vida, risos, festas, inocência e sonho.
Agora somente decadência, egoísmo, neoliberalismo, exclusão, violência, milicianos no governo, práticas antiéticas na política, e tudo isso chega até aqui.
 
 Carlos César da Silva Alves no MEAS
(Casa do estudante em SM)

 Gustavo Link Schwartz, Eu e o Tiago B. Breier 

Eu, Carlos César da Silva Alves e mais dois amigos do curso de Engenharia Civíl da UFSM. Expedição para Uruguaiana de trem. 

1987-88 em Uruguaiana.

Dia da minha formatura na UFSM

Tilo Shüttel e eu 1994 explorando uma cachoeira em Três Barras (?)

 Tilo Shüttel 1994

Petróglifo na Ilha do Campeche, Floripa, SC

Eu no Rio 1998 

Eu 1996

  
1990

1990


1988

 Primeiro semestre de 1987- calouro da UFSM

 Cartão modelo das questões da primeira prova do vestibular da UFSM de 1986.
Nesse ano a prova do vestibular foram divididas em duas. Uma objetiva e outra discursiva com questões da área escolhida.

 Cartão modelo de respostas da segunda prova do vestibular da UFSM


 Manual do estudante que vai prestava vestibular em 1986 na UFSM

 Dilon Marcio Carle Borer

 1990 
 Gerson Luis Mainardi, Rogério Perrando, Anilucia Mainardi, Mariceli Mainardi, Alexandre Lencina, Thelmo Araújo Dariva, Altemir Paim, Everton Rodolfo Behr, Irmã do Rogério, Uma amiga da Irmã do Rogê, a mamis e eu. 

1990 
Rogério Perrando, Gerson Luis Mainardi, Thelmo Araújo Dariva, Altemir Paim, Everton Rodolfo Behr, Irmã do Rogério, Uma amiga da Irmã do Rogê, a mamis e eu. 


Edson e eu em casa, Camobi, SM.

Encontro da Juventude Masculina de Schönstatt, 
no Santuário do Tabor, em Itaara, 1990

Aidir Parizzi, Ir. Wolithceck, André Parizzi e eu. na frente do Santuário

Em frente ao Santuário Tabor 
Monte de Shönstatt
André, Rogério Perrando, André Garcia, amigos de Santo Ângelo,Marcio Buss eu (de boné), Fernando Etges 1989.


Primeiro congresso de Genética e Biologia Molecular em Caxambu, MG. 
Ivana da Cruz, Eu, Claiton H. Bau, Claúdia Rhode, Silvia Alix Kratz Correa

Edson de Freitas Mendonça e eu 
voltando de um acampamento nas montanhas, 1991

Edson de Freitas Mendonça e eu 
voltando de um acampamento nas montanhas, 1992

Edson de Freitas Mendonça e eu 
voltando de um acampamento nas montanhas, 1993

Ruínas da Estação de trem de Santa Maria, RS


CONTINUARÁ... (?)



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