INÍCIO

22 dezembro 2018

A IMAGEM DA POESIA

A IMAGEM E A POESIA


Seria muito bom se em todo lugar que fossemos existisse poesia.
Você viveria poesia todo dia, e todas as suas ações seriam poéticos momentos vividos intensamente.
Todas nossas ações produziriam objetos poéticos. 
Mas você leva dentro a chama dessa “poiesis”, esse ímpeto de poetizar o mundo e todas as relações nas quais você entra.
A imagem não está somente a serviço da memória, mas também é um enigma que nos desafia a cada instante a decifrá-la, como uma esfinge no caminho... 
A maioria passa ao largo não a vê, como se ela estivesse numa outra dimensão...
O poder e a força da imagem está em em seu desafio...
Ela é formada por camadas de significado que demandam olhos vivazes e desejosos, olhos que procuram em meio ao mistério... 
Exige disposição para adentrar e se perder no pântano caudaloso dos significados flutuantes...
O desvelamento dessas camadas conduz (por tentativa e erro) a outros horizontes, e o eu expectador-decifrador se aprofunda em outra camada e nunca chega ao fim...
É um “reductio ad absurdum”... uma imagem “narrativa em abismo”, uma imagem “Mise en Abyme” necessita do conteúdo e do que a contém para que possa ser entendida... 
Os outros horizontes a colocam em perspectiva, e suas camadas de significados ocultos as colocam em suspense... no tempo e no espaço.
Toda a realidade e todas as realidades locais e particulares compõem-se de muitas camadas depositadas pelo tempo e pelo próprio espaço onde ela está enraizada.  
Toda imagem é um recorte repleto de camadas estratificadas não visíveis, latentes, de significados que apenas intuímos que estejam ali...
A poesia poderá aparecer se você conseguir observar, 
se você procurar, 
se você inquirir, ir além das aparências dadas. 
A poesia se esconde, ela não se entrega facilmente. 
Mas ela chega quando nos encontrarmos empenhados na procura de explicações para o que vemos, vivemos e fazemos.

Dodecaedro (Wikipedia)




O PLANO DOS SENTIDOS



Estou sempre à procura de um plano.
O plano na linguagem do cinema, é um trecho do filme rodado ininterruptamente, um conjunto ordenado de fotogramas ou imagens fixas, limitado espacialmente por um enquadramento e temporalmente por uma duração. Em matemática um plano é uma figura geométrica primitiva, bidimensional formada pela reunião de infinitas retas, perpendiculares a uma reta dada, dispostas lado a lado. Esses significados do plano são unívocos.
E determina o lugar no espaço que me encontro.
Estou à procura de um ponto de vista.
A procura do “ponto de fuga”, que na prática é dado pelo ponto onde está a pupila do meu olho e onde chegam as infinitas retas de luz vindo do espaço ao redor.
Esse ponto é de onde eu me posiciono para entender o mundo.
Esse lugar me circunscreve e a minha realidade particular, específica e histórica.
Esse ponto de vista é um território onde a imagem flui.
Estar ali e olhar é fincar uma bandeira, é delimitar uma região e um espaço.
É o território conquistado pelo meu entendimento, por uma ideologia, por um pensamento filosófico, um olhar. 
Na realidade da imagem suporte e ideia, fato fugaz e registro de uma ação, movimento e lembrança se originam num único ato seminal de vontade de entender, um desequilíbrio entre o senso comum que já não explica mais e a busca pelo significado... 
Esse ato gera um universo de significações, o eterno mistério dos ícones, mas não é somente isto, ele impulsiona a perseguir mais e mais o sentido do real.









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