domingo, 10 de abril de 2016

MONOGRAMA DA IRMANDADE DO CAMINHO

Sobre o monograma 

O monograma esta composto por três elementos gráficos: as letras Gamma, Phi, Tau. Cada uma das quais com um significado especifico, mostrado a seguir. Eu o chamo da IRMANDADE DO CAMINHO. Esse nome pareceu-me apropriado no sentido de que quem esta a caminho esta a procura de algo, esta em processo, movendo-se em direção ao seu fim ou objetivo.
  


Τ Φ Γ

τέχνη - Φιλοσοφία - 
techne - philosophia - gnosis
Arte - Harmonia - conhecimento






Τ (Ταυ = Tau)


É a XIX letra do alfabeto grego, e é derivado dos fenícios (como todo o nosso alfabeto). É também a última letra do alfabeto hebraico. É o símbolo da vida e da ressurreição (nos tempos antigos). Na Bíblia o Tau era colocado no homem para distinguir, assinalar, aqueles que lamentam o pecado. O símbolo da cruz é também conectado ao Χ, χ (chi) e ao Tau. Foi adotado por Francisco de Assis e é considerado o símbolo da ordem Franciscana (não só devido ao amor de Francisco de Assis pela cruz e por essa letra grega que lembra a cruz de Cristo, mas também por ser um símbolo muito antigo que significa a união do céu (o divino) com a terra (o terreno, o homem). No sistema matemático grego a letra Tau representa o número 300. 
Na Bíblia, (em Ezequiel. 9, 1-7), há uma passagem que relata o uso dessa letra: “E a glória de Deus de Israel se levantou do Querubim sobre o qual estava, e passou para a entrada da casa e chamou ao homem vestido de linho branco, que trazia o tinteiro de escrivão à sua cintura. E disse-lhe o Senhor: passa pelo centro de Jerusalém e marca com um T (tau) as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem na cidade". 
O Tau é a mais antiga grafia da forma de cruz e significa: verdade, palavra, luz, poder e força da mente direcionada para o bem. Horizontalidade e verticalidade, Criador e criatura, Deus e homem.
É o selo de Deus, é voltar nosso olhar para "o que está em cima, acima" sem esquecer o que está embaixo, abaixo. Para os antigos é o sopro criador que anima nossas criações como aspiração e inspiração. 
Assinalar pode significar também, segundo alguns, marcar, lacrar, fechar hermeticamente dentro de um segredo, é confirmar um testemunho, um selo de autoridade. 
Outro significado que a tradição nos legou e que se tornou conhecido na idade média, é a saber: o Tau como finalidade última, meta, caminho seguro, propósito correto, ponto de equilíbrio entre de forças contrárias equidistantes. A linha vertical significa o superior, o que é leve, o que está acima, o absoluto, a origem da luz, o espírito absoluto, enquanto a linha horizontal significa a matéria, a materialidade e o peso (a matéria bariônica) o Telúrico, a Terra, o humus, o homem, o corpo, o soma. 
Ainda na Bíblia podemos relacionar também outra imagem interessante para o Tau, é a serpente de bronze que Deus ordenou que Moisés fizesse e a fixasse numa haste vertical. O povo vociferando contra Moisés e contra Deus, dizia: você nos tirou do Egito para que morrêssemos nesse deserto, sem pão e sem água. Deus então mandou serpentes que picavam as pessoas e muitos foram picados e morreram. Vieram falar com Moisés arrependidos de terem pecado (contra Deus e contra Moisés) e Deus ordenou que a Moisés fizesse uma serpente de bronze e colocasse sobre uma haste (estaca, vertical) e todo aquele que fosse picado e olhasse para a serpente seria curado (vitória sobre a morte).  A sabedoria, nesse caso, salvaria a pessoa picada pela serpente.  Ora, esse símbolo é um poderoso e antigo símbolo da sabedoria no Oriente médio e na região do mar Egeu e por isso um símbolo telúrico, do que é da terra. A serpente é o símbolo da sabedoria por excelência, corporificação da sabedoria representado pela deusa Sophia. A serpente é também símbolo da regeneração e imortalidade e quando na forma circular, Ouroboros (οὐρά = cauda + βόρος = devorar) "aquele (serpente) que devora a própria cauda" (οὐροβόρος ὄφις) simboliza O TODO, a eternidade, o ciclo da evolução (voltar-se sobre si mesmo), o universo, Universum, isto é, o que se dirige para o uno e o único - versus unum. (o "universum" é o que se descobre e oferece para fruição) (Heidegger, 2002). Contém a ideia de movimento, ciclicalidade, autorreflexão, continuidade, autofecundação e em consequência o eterno retorno. Podemos pensar que a serpente ao morder sua cauda, rompe com a evolução linear, voltando-se sobre si mesma (autorreflexão), sobre suas tentativas e erros, e instaura uma nova dimensão do ser-no-mundo: o ser que deseja saber e progride através da experiência (empírica) em tireção à luz (sabedoria), representada agora pelo círculo luminoso do sol. Especialmente no sentido de algo re-criando-se a si mesmo (Phoenix: fênix).
Essa interpretação evoca a "roda da existência" um símbolo solar, todavia imperfeito, mas em direção ao conhecimento e deste à sabedoria. 
Geralmente em textos alquímicos a imagem do Ouroboros vem acompanhado das palavras "Hen to pan", i.e., "o um é o todo" (Έν το παν: "εν το παν και δι΄ αυτού το παν και εις αυτό το παν") que pode significar o "novo" nascimento (do iniciado) a ressureição, através da morte do que existia antes. 
Segundo C. Young o Ouroboros tem um significancia arquetípica para a psyche humana. (Um "estado de amanhecer" da consciência humana). Assim, o significado do Tau esta associado ao da serpente sobre uma haste vertical, um sinal que distingue, riscos, verticais e horizontais do desenho na terra, no papel no espaço.
A letra Tau é também a primeira letra da palavra techné (ê) (τέχνη = téchne), arte, técnica: conhecimentos dos principios, o saber fazer e saber porque se esta fazendo. Esta associada a episteme (Ἐπιστήμη) conhecimento ou crença verdadeira justificável; palavra oriunda do verbo  epistomai (ἐπίσταμαι) saber (que segundo Platão contrasta com Doxa (δόξα) (glória, orgulho) senso comum ou opinião; originaria do verbo dokein (δοκεῖν): aparecer, parecer, aceitar. A arte  então é uma expressão essencial do homem, que busca um caminho de expressar uma ideia.  
(O homem marcado com o Tau é o "Beatus vir qui implevit desiderium suum ex ipsis: non confundetur cum loquetur inimicis suis in porta"), abençoado o homem que tem esse desejo (de sabedoria) não será confundido (com seus inimigos) quando fala no portão (da cidade)



Φ (Φί  = Phi)

O phi é a XXI letra do alfabeto grego. É símbolo da proporção áurea, também chamada de "Divine proportion", Sectio Divina, Sectio áurea, "goldem mean, golden cut", razão extrema e média e divina proporção: (1.618...), embora φ (phi) seja mais comum. É um número irracional cujo nome é atribuido  em homenagem ao escultor Phidias
Φειδίας (c.480 - 430 a.C), grande escultor, arquiteto e pintor, responsável pelas esculturas do Parthenon. É considerado um dos maiores escultores da Grécia clássica, devido as obras como: estátua de Zeus em Olímpia (umas das sete maravilhas do mundo antigo), a deusa Athena na Acrópole (estátua de Athena Parthenos na "Sala da Virgem") dentro do Partenon além da estátua Athena Pronachos uma estátua colossal feita em bronze que estava entre Athena Parthenos e o Propileu que era o portão monumental que servia de entrada para a Acrópolis na cidade de Athenas.
No sistema numérico grego equivale ao número 500. O número Phi é também adotado para descrever a sequencia de Fibonacci, que descreve uma equação matemática descoberta por Leonardo de Pisa ou L. Pisano (Pisa 1170-1250), mais conhecido como Fibonacci, e que pode ser aplicado à distribuição de elementos florais em girassois e também esta ligado a proporção áurea. O Phi esta ligado a proporção e a beleza. Desde Euclides os gregos sabiam que em um retângulo, havia uma proporção que tornava o objeto ou estrutura arquitetônica construida de grande apelo visual, ou seja transparecia hamornia e beleza. Essa proporção é a divisão de seu lado maior pelo lado menor que deve ser igual a 1,618.
A letra phi foi escolhida não somente por estes significados que por si só ja são grandiosos o suficiente, mas tambem por ser a primeira letra da palavra FILOSOFIA (Φιλοσοφία) que significa "amor pelo saber" ou "amigo da sabedoria". É o estudo de problemas fundamentais relacionados a existência, à verdade, aos valores morais e estéticos, a possibilidade do conhecimento e a linguagem. Os primeiros pensadores ocidentais nos deixaram esse legado, duvidar de tudo criteriosamente e assim, construir o conhecimento do mundo e de a nosso próprio respeito. Buscamos sempre a harmonia (phi) em tudo: nos desenhos no plano e no espaço, assim como em nossa vida para que a arte seja parte de nosso cotidiano.




Γ (Γάμμα = gámma )


Gamma é a terceira letra no alfabeto grego. No sistema matemático grego apresenta o valor 6. É a letra inicial da palavra Γνῶσις, γνῶσις (Gnōsis, Gnosis) que é o conhecimento, a sabedoria, a iluminação a partir da razão. É também o conhecimento testado pela experiência e temperado pelo juízo discernente. Também significa a abominação do preconceito, liberdade de pensamento e de expressão. Símbolo para fluidez, corrente elétrica, passagem, oscilação, para aquilo que passa, que muda. Mudança. Corresponde também a sétima letra do alfabeto latino o G, possuir ou estar a caminho do conhecimento ou Gnose. Significa então a habilidade de receber e compreender a "revelação", a luz do conhecimento.
Mas que revelação? Fica aqui um ponto para ser pensando, um ponto para reflexão. A revelação só acontece se e quando eu me tornar "o homem a caminho", "aquele que busca", que investiga, que duvida. A decisão de trilhar esse caminho do conhecimento é como uma "volta para casa", é o retorno ao universo, um virar as costas para tudo que é despresível da existência. 

A gnosis, o conhecimento interior, a voz da razão, pode esclarecer quem somos, onde estamos, o que nos tornamos e para onde vamos. A gnosis nos possibilita então, um novo nascimento. Ela é, desta forma como um desenho, uma linha que se desloca no plano da existência, num suporte formando um todo coerente. 
"Nula die sine linea" já diziam os escribas. Γνωστικισμóς (gnostikismós) aprender; o que é aprendido ao longo da existência, o conhecimento. "Docendo discimus", "ensinando aprendemos" conforme a máxima atribuída a Seneca. 
É  desse movimento dialético que é o aprender a viver pelos erros que advém o conhecimento.
É a busca do conhecimento mais produndo, o conhecer-se a si mesmo expresso no: Γνῶθι σεαυτόν = Γνώθι Σεαυτόν (gnōthi seauton) ou Γνώθι Σαυτόν usando a contração s'autón = conhece-te a ti mesmo (em Latin: nosce te ipsum), é uma das máximas Délficas que foi inscrita no pronaus do templo de Apolo em Delfos. Alguns escritos antigos afirmam que essa máxima é de autoria de Thales de Mileto (um dos sete sábios da antiguidade, um dos mais famosos geômetras gregos que propôs dois teoremas (Teorema de Thales 1, 2 e 3) muito usado em geometria elementar. Sendo uma das máximas usadas por Platão em diversos diálogos, e reconhecidamente algo extremamente difícil de se alcançar plenamente (o conhecimento total do "si mesmo" do ego, do self, do eu). O conhecimento inicia com o silêncio Σιγη (sige) aprofundando-se, Βυθος (bythos) no conhecimento do eu e do mundo; implica o reconhedimento que existe um antes do início (προαρχη = proarkhe) antes do se iniciar a pensar e um inicio propriamente dito (ἡ ἀρχή = e arkhe: o inicio) do pensamento. Com o conhecimento das origens vem a sabedoria, Sophia, Σoφíα, dai a importância da filosofia em nossas vidas.
Pela forma, o gamma maiúsculo se assemelha a um esquadro, objeto usado para construção de ângulos retos (em engenharia, arquitetura e desenho técnico). Comumente os esquadros vem em duas formas com ângulos de 90-45-45 graus e outro com ângulos de 30-60-90; combinando as duas formas colocando as hipotenusas juntas pode-se produzir ângulos de 75 graus. O esquadro esta ligado a construção do mundo e do universo, unido ao compasso. Em iluminuras medievais Deus era representando com um compasso desenhando, criando o mundo. Deus como arquiteto. Devemos lembrar que o gamma maiúsculo é a letra inicial da palavra geometria, que esta entre as mais nobre das ciências, e esta dever ser a base para a construção de um desenho de nossa vida conforme os principios humanitários e éticos. O conhecimento tem três aspectos importantes ao meu ver: o conhecimento do EU (self) conhece-te a ti mesmo, o conhecimento do outro (dos outros) como um outro EU, e por conseguinte a sociedade e por último o conhecimento do mundo, do universo. Esses três aspectos se bem investigados por cada um poderá recompensar-nos com a sabedoria, para uma vida feliz e agradável no mundo.




Além do monograma há também as medalhas, o estandarte e a bandeira, o selo e o estatuto fundador da ordem, que sera publicado aqui. 

(primeira versão publicada em 5/IV/2013)     



IMAGENS DE DOMINGO











10/IV/2016