segunda-feira, 21 de setembro de 2015

A ARTE DE COOPERAR


ARTE DE COOPERAR

Hoje não há mais cooperação entre os artistas...
O que há são indivíduos isolados e um deserto entre artistas ilhas. 
Há algum tempo atrás (até digamos a década de 1980) existia um grande e continuo diálogo entre os artistas. Existia até cooperação na execução das obras. Ninguém sentia-se invadido ou melindrado por um amigo fazer ou auxiliar na execução de uma obra.   
Neste diálogo tudo era discutido, investigado. 
Discutiam sobre tudo do mundo, principalmente sobre a arte, seu papel e especialmente sobre o trabalho de cada um. 
Esta época foi muito importante para a produção de uma arte com sintomas universais e universalizante. Essas discussões desembocaram na época dos curadores, onde são eles que contam histórias a partir de acervos que eles investigam, discutem e mostram.  
O papel do artista ficou relegado ao de mero produtor de algo, de um objeto, um bem. 
Hoje vemos a cooptação da arte pelas grandes empresas e empresários milionários. 
Nós os artistas cedemos nossa liberdade de pensar o mudo coletivamente a outros, fazendo arte disfarçada com um arremedo de estética universal. 
Pensar é difícil e muitas vezes revela o sofrimento que vivemos. 
Nada justifica essa perda de momentos de aprendizado e aprofundamento em torno do objeto e da produção artística por parte dos artistas. É como se tivéssemos assinado uma carta não de alforria mas de escravidão perante o mercado como testemunho.
O que devemos fazer para retomar o campo das discussões em torno do fazer artístico? 
O que se espera de animais falantes é a discussão com os pares. 
Organizar pequenos grupos afins que queiram voltar a discutir a arte e que desenvolvem-se como indivíduos. Discussões  esteticamente guiadas e criticamente embasadas. 
Essa atitude humilde de que não sou dono da verdade, de que o outro pode contribuir para o enriquecimento da ideia inicial e da proposta estética do trabalho. 
ACPAIM. 

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