segunda-feira, 6 de abril de 2015

IMAGENS EFÊMERAS

Contemplare et mirare

Sei que estou passando aqui
Meu tempo se foi 
Nada nem ninguém ouve meus anseios e desejos. 
Escrevo para o vento de elétrons que varre esse mundo em sua velocidade eterna. Sem rumo nem objetivo nem paradeiro. 
Contemplo cada folha de grama verde e cada rajada de vento que atinge meu corpo. Sinto-me parte desse mundo como sentiram-se os grânulos primitivos que se juntaram ao acaso no início dos tempos para formar no futuro passado esse planeta. 
Nada do que aconteça está fora do destino de todas as coisas. Mesmo que no futuro se estenda a vida nunca duraremos como as rochas ou os gases primordiais.  Soube retirar alegrias dessas simples aproximações entre os corpos e me regozijei com os encontros de todas as coisas desse tempo. Tento retirar algum sentido estético dos arranjos que o acaso me dá "qui sub his figuris vere latitas". 
"Oh memoriale mortis..." Logo vens e me arrebata como uma folha no inverno; como um floco de geada na luz fraca do distante sol que tudo anima. Veloz passou meus dias. Não tive tempo de amar as pessoas e cedo dou adeus a todas as paisagens que guardei nos olhos. Num grânulo de areia todo o "orbe terrarum" reflete-se "tus sagrado nomine"  vida um mistério que só cheguei a conhecer.  

"Fiat misericordia tua super nos" matéria tu que "tolis pecata mundi" luz nem tão perpétua do universo. Sua continuidade e duração é a mudança. 
"Mortus et sepultus sunt". 
"Ego vos ressusicitabo in die novissimo", depois de todo tempo e movimento.  Nada restará distinto. Estarei unido a tudo que mais amei, calado, sem dizer uma palavra. 
"Salve porta" 
"Gaude"



















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