quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

IMAGENS DA CONTEMPORANEIDADE

ECONOMIA E ÉTICA

Uma boa parte (considerável) das pessoas do mundo,  "são mantidas vivas mediante o que a estrutura da nossa economia define, com mais do que uma insinuação da condenação que toda anormalidade merece, com "transferências secundárias" - a dependência que as estigmatiza como um fardo para os assalariados, para os ativamente envolvidos na vida econômica, para os "contribuintes". Não requeridas como produtoras, inúteis como consumidoras - elas são pessoas que a "economia" com sua lógica de suscitar necessidades e satisfazer necessidades, poderia muito bem dispensar. O fato de estarem por perto e reivindicarem o direito à sobrevivencia e um aborrecimento para o restante de nós. Sua presença não poderia ser mais justificada em função da competitividade, eficiência ou quaisquer outros critérios legitimados pela razão econômica dominante.  Não há emprego suficientemente significativo para todas essas pessoas e não há muita perspectiva de, algum dia, equiparar o volume de trabalho com a multidão daqueles que o querem e o necessitam para escapar à rede de "transferências secundárias" e ao estigma a ela associado".






Bibliografia

Bauman, Zigmunt. O mal estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro/RJ, Jorge Zahar Ed. 1998.

JEFF SEID






TARDE DE PESQUISA EM GRAFFITI

GRAFFITI EM PORTO ALEGRE: ENTRE A IMAGEM E A MENSAGEM












O GRAFFITI


    Acredito agora mais do que antes que a cena do graffiti em Porto Alegre esteja madura, para que dela possamos fazer uma tentativa de análise, mesmo que superficial e preliminar.

Dentro da denominação graffiti entendo toda representaçao pictórica, letras, símbolos, signos gráficos em muros, paredes e tapumes, que são produzidos livremente ou comissionados, com o uso dos mais variados meios e técnicas (tinta spray, tinta acrílica, esmalte sintético aplicada ao suporte com pincel ou rolo), além do "pixo", e stencil; e incluo ainda a arte do lambe-lambe e sticker (cartazes, cartazetes produzidos em papel barato colados em muros e adesivos de pequenas dimensões, produzidos com técnicas como serigrafia ou mesmo industrialmente e colados em muros, tapumes, paradas de ônibus, ou outros suporte visíveis). Incluo todos no fenômeno graffiti, pois esses sinais, signos,  representações são pensadas e construidas para chamar atenção e transmitir uma mensagem específica.

Do ponto de vista da quantidade dos produtores do graffiti, isto é, com relação ao seu número posso dizer que felizmente existem muitos coletivos e artistas individuais trabalhando na cidade e região metropolitana; (cidades vizinha que compõem a grande Porto Alegre). 

Em materia de cores há artistas que usam apenas o preto e o branco e outros que usam uma paleta de cores que os aproxima da arte pop. 
Quanto aos motivos, assuntos ou temas veijo ainda maior variação, existem artistas e coletivos engajados politicamente em apresentar assuntos relevantes do cenário político nacional produzindo uma crítica social contundente e relevante, usando uma estética irônica, satírica e com muito humor. 
Outros trazem uma visão histórica com uma reflexão profunda e densa sobre os problemas sociais brasileiros aproximando esses temas ao dia-a-dia contribuindo para que o transeunte-expectador "acorde" de seu ir e vir no passeio público. Além disso, corre paralela uma discução social e politica além de antropológica e poética. E há ainda aqueles que preocupam-se em apresentar temas e realidades fantásticas descolados da vida real, com muitas cores que se justapõem e se misturam em uma clara aproximação com o surrealismo.   

Existe uma grande tendência e uma tentação, compreensível, em promover seu nome e de seu próprio coletivo, e muitas vezes isso se assemelha a gangs que demarcam seu território e seu espaço dentro desse espaço maior que é a cidade: o espaço político compartilhado, a urbis, ou seja, a ocupação simbólica da cidade contemporânea.

Há com certeza uma preocupação com o "fundo" e com o suporte (sua reação em relação ao todo do trabalho), muitos preferem pintar o fundo com uma cor antes de iniciar o trabalho prorpiamente dito. 
     Também noto uma preocupação com a tridimensionalidade; muitos artistas-graffiteiros estudam diligentemente a representação das figuras e sua composição no espaço pictórico do suporte (muro, parede, tapume, porta). Além disso há aqueles que também estudam perspectiva tradicional para melhor apresentar o assunto plástico escolhido. 
    O estilo é livre e despojado com uma grande influencia local advinda do autodidatismo dos artistas que trabalham em Porto Alegre. 
Tal é a expressão do graffiti de Porto Alegre que um evento anual a XVII do "Meeting Of Style", ou M.O.S ocorreu na cidade em 17 de março de 2014 e provavelmente terá sua realização anual aqui na cidade a partir de então.            
    Segundo a organizadora do evento, Fabiana Menini do Instituto Trocando Ideias: “A arte aqui é criativa, inovadora e, ao mesmo tempo, tem muita influência local, a imagem da natureza é tão presente quanto a da realidade social”, avalia. O artista percebe a influência da cultura multirracial brasileira como uma realização do que o Meeting of Styles representa: “É como a Europa, cheia de influências diferentes, só que mais sujo, mais real. E Porto Alegre é uma cidade relaxada, tranquila”.



















(Fonte das imagens: http://www.sul21.com.br)


Bibliografia 








terça-feira, 9 de dezembro de 2014

IMAGEM DE UM ADEUS AO AMOR

ADEUS AMOR

"Chegando ao fim desta minha vida de pecador, enquanto, encanecido envelheço como o mundo à espera de perder-me no abismo sem fundo da divindade silenciosa e deserta", rápido relato esses acontecimentos que construíram o que sou.
Até onde me lembro a primeira vez que me apaixonei eu tinha 12 anos eu vivia com a menina na cabeça, povoando todos os pensamentos e imagens. Escrevi seu nome na última folha do meu caderno dentro de um coração... quando descobriram, cantaram bem alto "apaixonado, apaixonado" e ela descobriu-se objeto do meu amor... Do amor de um estranho.  Contudo, meu sentimento não era o que ela esperava e ela me espancou no anfiteatro da quadra de esportes da escola, e meu amor terminou ali, com meus ferimentos e o sangue que escorreu, coagulando em uma crosta que virou uma casca. Fiquei na rua até tarde para ninguém em casa me ver ferido. E chegando em fui direto para o banho na tentativa de apagar em mim o vestígio de um erro de uma falha minha. No outro dia, para meus colegas, disse que tinha escalado um barranco onde a linha do trem passava perto da escola e chegando ao topo despenquei lá de cima indo parar no fundo entre as pedras e espinhos; e todos ficaram contentes, rindo da minha coragem em escalar algo tão alto e perigoso. Para minha mãe disse que tinha sido numa partida de futebol uma bolada do time adversário que inclusive entortou meus óculos e me derrubou no cimento da quadra. 
Na segunda vez, ela era a rainha do baile da escola, Karol e eu tínhamos a mesma idade mas sua beleza era como uma montanha inexpugnável inatingível para um pobre mortal. E como todos sabem as garotas preferem meninos mais velhos e cheios de marra nessa idade. Passei um ano idolatrando aquela imagem de pele clara, cabelos lisos e lindas curvas, que dançava na quadra nas aulas de educação física. Dividíamos a mesma sala e fazíamos trabalhos de história juntos, ela escrevia  enquanto viajando no tempo imaginava-a como Cleópatra. 
Eu, o seu César, atravessando o Mediterrâneo tomava-a nos braços e seu amor e todos os tesouros do Egito antigo fluíam para a cidade eterna. Seu perfume ainda lembro, ela embarcou para uma viagem onde, depois soube, tornou-se modelo na capital. Apenas a possibilidade e um sonho distante e platônico restou em neu coração adolescente.  
Na terceira vez que me apaixonei não disse nada. Eu tinha 15 e ele 16. Era todo inteligente, curioso, sensível, afetuoso... Era o tipo de garoto que todas as mães querem como filho. Ele jogava futebol e eu basebol e nadávamos juntos toda ssegunda na piscina do colégio. Ele me ensinou a nadar borboleta, logaritmos e binômio de Newton e íamos juntos a todas as festas. Um dia muma festa no interior, lá pelas duas horas da manhã ele chegou para mim e disse que tinha beijado na boca pela primeira vez. Ela, uma menina morena de cabelos cacheados, linda e de olhos negros era minha melhor amiga. Comprimentei abrançando-o. Sai da festa dizendo que estava com dor de cabeça de tanto beber. Chorei muitas noites em silêncio soluçando e abafando o som da minha tristeza no travesseiro. Os dias tornaram-se noites e as noites pareciam eternas com sua soturna ausência da luz do sol do meu verão e o silêncio era um medonho redemoinho de desconhecidos e torturantes olhares. A proximidade virou distância e a distância virou caminhos para outras direções. 
A terceira vez eu tinha 25 e ele 18 durou algum tempo mas meu coração já estava cheio de rachaduras, crônicas dores e, mesmo a cola desse novo amor não foi suficiente para manter juntas as partes que importavam. Ele partiu e acho que chorei no banheiro olhando no espelho as lágrimas salgadas rolarem pelo meu rosto. 
Alguém disse que a vida é um longo adeus a tudo que amamos. Ahhh o verbo amar ... Está sempre colocado no início.  No princípio era Deus. Se Deus é amor, o verbo também é  amor; e estando o amor ligado à vontade, esta é a energia que guia minhas atitudes e decisão. 
Ora, sendo o amor pleno conhecimento da verdade, resulta então que o amor é a única verdade que importa e que é responsável por nossa vida interior. 
Nunca mais amei, talvez porque a vida me deu outros caminhos ou me senti vazio desse sentimento. Quem sabe se algum dia saberei a causa? 



Bibliografia

ECCO, U. O nome da rosa. Rio de Janeiro, RJ, ED. Nova Fronteira, 1983. 
SCHOEPFLIN, M. O amor segundo os filósofos. Bauru, SP, EDUSC, 2004

VALIDAÇÃO SUBJETIVA

Validação subjetiva: um vício da inteligência
Carlos Orsi  (8/12/2014)

Você acha que a imprensa está dominada pela direita golpista? Ou que as redações dos jornais estão infestadas por esquerdistas subversivos? Impressionou-se recentemente com a precisão do horóscopo, ou descobriu um significado especial em um sonho? Então talvez você seja vítima de um viés cognitivo – uma espécie de vício da inteligência – chamado validação subjetiva.
O nome costuma ser aplicado à tendência que todos temos de enxergar correlações e significados “profundos” em eventos na verdade não-relacionados, sempre  que essa correlação ou significado reforçar uma crença ou hipótese que nos é cara.
Por exemplo, imagine que você acredita em sonhos premonitórios e, um dia, sonha com um pássaro machucado. No dia seguinte, um avião cai. A validação subjetiva criará a tentação de ver o sonho como uma previsão (cifrada, mas ainda assim, válida) do desastre aéreo.  Ou que você está convencido que suco de abóbora cura gripe: cada vez que você souber de alguém que melhorou depois de tomar o suco, sua crença se reforça – a despeito do fato de que a maioria das gripes acaba passando sozinha de qualquer jeito.
A produção de correlações espúrias faz da validação subjetiva uma verdadeira usina de teorias de conspiração e, o que é mais grave, de reforço de preconceitos. Ninguém está livre de cometer uma barbaridade no trânsito ou de, eventualmente, acabar fazendo uma grosseria com alguém, mas se o barbeiro e/ou grosseiro tiver a etnia, orientação sexual, cor de cabelo, roupa, classe social, etc., “errada”, o evento será registrado como mais uma prova incontestável de que “esses aí” não prestam.
Validação subjetiva muitas vezes opera em conjunto com o bom e velho viés de confirmação, a tendência de buscar ativamente, e de valorizar em excesso, informações que reforçam nossas crenças e de menosprezar ou ignorar – muitas vezes, inventando para isso desculpas as mais criativas – tudo o que as contraria. Superar esses vieses requer sangue-frio, paciência e coragem.
Sangue-frio porque, principalmente em questões muito emocionais, como de paixão política ou de preconceito arraigado, pode ser penoso resistir à tentação de ver confirmações cabais em meras coincidências.
Paciência porque nunca é fácil imaginar que o que nos contradiz pode ter tanto valor quanto o que nos reafirma, e olhar com equanimidade para uma série de afirmações que, nosso coração garante, não passam de bobagem é um teste para a tolerância de qualquer um.
E, por fim, coragem porque, neste mundo de redes sociais polarizadas, é muito mais cômodo nos aconchegarmos junto à nossa turma e, caso algum argumento do “lado de lá” chegue a nos abalar, corrermos para os braços dos colegas de convicção, que geralmente acham um jeito de desqualificar, se não o argumento em si, pelo menos a fonte, que sem dúvida é “petralha” ou “neoliberal”, “gayzista” ou “machista”, quiçá “cientificista”, etc.
Talvez esse nem seja um esforço que possa ser sustentado de modo contínuo: imagino que todo mundo navega o dia-a-dia guiado, inconscientemente, por esses vieses, que podem até ser úteis – muitas de nossas crenças são mesmo verdadeiras, afinal, e se formos duvidar sistematicamente de tudo, avaliando cada mínimo passo de modo frio e racional, talvez nos víssemos sem motivo para sair da cama pela manhã – mas de vez em quando, principalmente em questões de forte apelo emocional, quando o juízo já chega turvado, ou na hora de decidir ações ou de formar opiniões que podem vir a ter um impacto grave e duradouro, vale a pena desconfiar da intuição e das vozes amigas, respirar fundo e ampliar o foco. Isso pode poupar tempo, dinheiro e, até, salvar vidas. Carl Sagan escreveu certa vez que se esforçava para não pensar “com as tripas”.  É uma boa política.
O ASTRÔNOMO CARL SAGAN, AO LADO DE UMA RÉPLICA DA SONDA VIKING, ENVIADA A MARTE NOS ANOS 70 (FOTO: REPRODUÇÃO).


Bibliografia 

http://revistagalileu.globo.com/blogs/olhar-cetico/noticia/2014/12/validacao-subjetiva-um-vicio-da-inteligencia.html


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

IMAGENS PALAVRAS DE ADEUS

A dor de um adeus

Triste é dar adeus
E ficar pensando num possível futuro juntos... 
Há uma década ainda penso que poderíamos estar juntos e sinto saudades...
Triste é dar adeus. 
Terminar pode ser de muitas maneiras: de comum acordo, publicamente humilhado com dor e sangue, triste sozinho chorando com seu travesseiro ou com a morte. Mas em todos os casos  há uma partida e a dor que permanece e que nunca sei por quanto tempo vai durar...