quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

TARDE DE PESQUISA EM GRAFFITI

GRAFFITI EM PORTO ALEGRE: ENTRE A IMAGEM E A MENSAGEM












O GRAFFITI


    Acredito agora mais do que antes que a cena do graffiti em Porto Alegre esteja madura, para que dela possamos fazer uma tentativa de análise, mesmo que superficial e preliminar.

Dentro da denominação graffiti entendo toda representaçao pictórica, letras, símbolos, signos gráficos em muros, paredes e tapumes, que são produzidos livremente ou comissionados, com o uso dos mais variados meios e técnicas (tinta spray, tinta acrílica, esmalte sintético aplicada ao suporte com pincel ou rolo), além do "pixo", e stencil; e incluo ainda a arte do lambe-lambe e sticker (cartazes, cartazetes produzidos em papel barato colados em muros e adesivos de pequenas dimensões, produzidos com técnicas como serigrafia ou mesmo industrialmente e colados em muros, tapumes, paradas de ônibus, ou outros suporte visíveis). Incluo todos no fenômeno graffiti, pois esses sinais, signos,  representações são pensadas e construidas para chamar atenção e transmitir uma mensagem específica.

Do ponto de vista da quantidade dos produtores do graffiti, isto é, com relação ao seu número posso dizer que felizmente existem muitos coletivos e artistas individuais trabalhando na cidade e região metropolitana; (cidades vizinha que compõem a grande Porto Alegre). 

Em materia de cores há artistas que usam apenas o preto e o branco e outros que usam uma paleta de cores que os aproxima da arte pop. 
Quanto aos motivos, assuntos ou temas veijo ainda maior variação, existem artistas e coletivos engajados politicamente em apresentar assuntos relevantes do cenário político nacional produzindo uma crítica social contundente e relevante, usando uma estética irônica, satírica e com muito humor. 
Outros trazem uma visão histórica com uma reflexão profunda e densa sobre os problemas sociais brasileiros aproximando esses temas ao dia-a-dia contribuindo para que o transeunte-expectador "acorde" de seu ir e vir no passeio público. Além disso, corre paralela uma discução social e politica além de antropológica e poética. E há ainda aqueles que preocupam-se em apresentar temas e realidades fantásticas descolados da vida real, com muitas cores que se justapõem e se misturam em uma clara aproximação com o surrealismo.   

Existe uma grande tendência e uma tentação, compreensível, em promover seu nome e de seu próprio coletivo, e muitas vezes isso se assemelha a gangs que demarcam seu território e seu espaço dentro desse espaço maior que é a cidade: o espaço político compartilhado, a urbis, ou seja, a ocupação simbólica da cidade contemporânea.

Há com certeza uma preocupação com o "fundo" e com o suporte (sua reação em relação ao todo do trabalho), muitos preferem pintar o fundo com uma cor antes de iniciar o trabalho prorpiamente dito. 
     Também noto uma preocupação com a tridimensionalidade; muitos artistas-graffiteiros estudam diligentemente a representação das figuras e sua composição no espaço pictórico do suporte (muro, parede, tapume, porta). Além disso há aqueles que também estudam perspectiva tradicional para melhor apresentar o assunto plástico escolhido. 
    O estilo é livre e despojado com uma grande influencia local advinda do autodidatismo dos artistas que trabalham em Porto Alegre. 
Tal é a expressão do graffiti de Porto Alegre que um evento anual a XVII do "Meeting Of Style", ou M.O.S ocorreu na cidade em 17 de março de 2014 e provavelmente terá sua realização anual aqui na cidade a partir de então.            
    Segundo a organizadora do evento, Fabiana Menini do Instituto Trocando Ideias: “A arte aqui é criativa, inovadora e, ao mesmo tempo, tem muita influência local, a imagem da natureza é tão presente quanto a da realidade social”, avalia. O artista percebe a influência da cultura multirracial brasileira como uma realização do que o Meeting of Styles representa: “É como a Europa, cheia de influências diferentes, só que mais sujo, mais real. E Porto Alegre é uma cidade relaxada, tranquila”.



















(Fonte das imagens: http://www.sul21.com.br)


Bibliografia 








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