quinta-feira, 13 de novembro de 2014

A POLÍTICA E A OBRA


A POÉTICA DE UMA ESTÉTICA

A inteligência e a beleza

Como sabemos a inteligência é uma faculdade que nos permite "ler o mundo" e se baseia sobretudo num processo de escolha. Isso implica que a verdadeira inteligência está no detalhe, na explicação de porque escolhemos o que escolhemos. 
Deste modo, numa escolha entre diferentes alternativas devemos confiar apenas em nossa inteligência e não nos deixar levar pela aparência, pelo impulso, pelo "canto da sereia", que cada alternativa apresenta. 
Usarei como exemplo a escolha de gestores públicos (presidentes, governadores, senadores e deputados federais e estaduais) que no fundo serão os executores de uma obra, visível para todos, que é a própria sociedade e sua subsistência. 
Esses escolhidos pelo escrutínio público irão "produzir" ou continuar uma produção de um mundo e de uma visão de mundo. Logo, a poiesis envolve uma escolha "política". 
Nesse esquema de "produção de uma obra" "de um mundo" a inteligência tem um papel de pedra angular. 
Dentre as muitas correntes político-filosóficas existentes, e a grosso modo pode-se agrupá-las, a meu ver, em duas grandes linhas: "direita" e "esquerda", devemos escolher uma. Num processo de escolha democrática através do voto, devemos optar por um desses lados ou partidos que os representam. Os partidos políticos têm em suas formulações filosóficas-ideológicas elementos de ambos os lados (D e E) em maior ou menor grau). 
Assim, a inteligência em si, não está em somente identificar o fascismo neoliberalismo, o "peleguismo" elitista, onde ele se encontra e onde sabemos que está, muito menos onde ele se manifesta. A inteligência está em perceber no discurso de quem fala do lugar da inclusão, da bondade, daquele lugar que quer o "bem comum", mas que está deslocado, falando de um outro lugar. Para usar uma linguagem biológica que conheço: mimetizando-se do bem comum, da salvaguarda da liberdade, mas que na realidade está articulando um pensamento conservador e elitista, até mesmo totalitário. 
Do lugar que me encontro é fácil ver "o lado de dentro das casacas". 
A inteligência reside nesse momento, e sobretudo em ver o que está escondido por trás de um discurso, de um desejo, de uma ideia de bem comum. 
Existem tantas palavras, discursos, quanto desejos que beneficiam somente uma parcela, uma parte da sociedade e não o todo ou a maioria que realmente necessita.
Esses discursos são aspirações oportunistas que aparecem sob diferentes disfarces. A maioria não percebe essas imposturas do poder (elitista) e é aí que está a arte de "ver" (ver dentro). 
Dependemos somente dessa característica: a inteligência para localizar a origem do discurso, sua genealogia. 
A inteligência como sabemos, é um pensamento discursivo, e está baseada na quantidade de informações que dispomos para que possamos tomar uma decisão, para que possamos escolher, do contrário estaremos escolhendo alguém com um discurso mas com uma prática diversa. 
A escolha foi feita, os executores-gestores da obra iniciarão sua execução, espero que a estética final da obra seja algo de belo que possa ser mostrado e apreciado por todos. 

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