quinta-feira, 24 de julho de 2014

MEDUSA E SUA TRAGÉDIA

     MEDUSA E SUA TRÁGICA BELEZA

 
         



Perseu decapita a Medusa 


MEDUSA E SUA TRÁGICA BELEZA

I. A origem  

Medusa do grego: Μέδουσα |Médousa| que significa "guardiã, "protetora" (do verbo Μεδειν proteger, comandar) era a serva e sacerdotisa da deusa Athená (Athena (do grego: Αθηνά, ou Aθηναία, |Athenaia|; conhecida como Palas Atena (Παλλάς Αθηνά) deusa da guerra, do processo civilizatório, civilização, da sabedoria, das artes, da habilidade e da justiça).
A jovem sacerdotisa era a mais bela e desejada do templo deusa, todos os homens e mesmo alguns deuses a desejavam, mas a beleza da sacerdotisa estava fora do alcance de todos, pois ela decidiu dedicar sua vida e todos os seus dias a deusa. 

[Outra versão do mito apresenta Medusa como um monstro ctônico do sexo feminino, juntamente com mais duas outras Górgonas, perfazendo uma trindade, sendo as três filhas de Fórcis e Ceto.    
Fórcis (do grego: Φόρκυς, οσPhorcys) um deus marinho primordial dos misteriosos perigos das profundezas filho de Pontus (Titã do mar) e Gaia (deusa mãe Terra); cf. Hesíodo na Teogonia. De acordo com os Hinos Órficos Fórcis, Cronos e Rhea eram os filhos mais velhos de Oceanus e Tethys. 
Em mosaicos helenisticos-romanos que chegaram até nós, Forcis é representado como um tritão com cauda de peixe com braços semelhantes à pinça (do grego χηλή: chelas = quelas de um carangueijo) e pele vermelha.  
Ceto ou Keto (do grego Κητώ, uma deusa marinha primordial, irmã de Phorcys, com quem se casou e teve como prole: Medusa e as Górgonas, entre outros. Ceto, segundo o mito, era extremamente bela e teve filhas igualmente belas, porém terríveis, perigosas e odiadas pelos deuses.]

Posseidon (Ποσειδῶν), deus e senhor dos mares, tormentas e terremotos, apaixonou-se pela jovem ao vê-la servindo a deusa de toda civilização. 
Ele em vão tentou seduzi-la, mas a jovem não consentiu. Mas o deus das profundezas marinhas num arroubo de poder e força a subjugou a sacerdotisa.  E ali mesmo dentro do templo a violentou a virgem sacerdotisa.  
(Há uma versão que relata ter sido consensual, mas eu pergunto: há como repelir ou não aceitar a investida de um deus olímpico, com todo seu poder aterrorizante? Com certeza a mais bela donzela sacerdotisa, Medusa, fora violentada por Posseidon dentro do próprio recinto do sagrado templo. Que sacerdotisa cometeria tal sacrilégio por vontade própria?) 
Ela fora vítima de um estupro, deliberadamrnte executado por um deus. 
Agora, com sua vida desgraçada e arruinada, não poderia mais continuar servindo a deusa Athená e tampouco poderia casar-se (porque não era mais virgem). 
Para a deusa Athená, a vítima deveria ser exemplarmente punida e ficou do lado do deus Posseidon (entidade masculina).
Em nenhum momento o mito mostra alguma misericórdia da deusa para com sua sacerdotisa mais amada.  Provavelmente era esperado que a jovem resistisse até a morte ao ataque do senhor dos mares, Posseidon. 
Enfurecida Athená transformou o lindo  cabelo da donzela em serpentes horripilantes e deixou seu rosto desfigurado, tão horrível de se contemplar que a mera visão do seu rosto, transformaria em pedra, instantaneamente, qualquer ser vivo que o visse. Para a deusa essa punição foi "justa e merecida". 
A nova aparência de Medusa será a de um cadáver humano (um morto-vivo).  
Athená a amaldiçoou a a castigou, arranhando seu rosto, sua pele rachou e ressecou, seus cabelos sedosos transformaram-se em serpentes venenosas. 
Agora ela olha com seus terríveis olhos ao redor.... Ela vislumbra o mundo de dentro de uma carcaça. Nada pode fazer a nao ser seguir seu destino. 
Ela agora petrifica com seu semblante, com sua face e seus outrora doces olhos todo aquele que dirigir seu olhar a ela. 
A Medusa se torna um monstro, um monstro chamado Górgona (do grego Γοργών, Γοργώ: Gorgón, Gorgó) [ΓοργώΓοργούσ, pl. Γοργόνεσi.e.,  A Górgona, ou seja, a amarga, a desgostosa; a que dá sorrisos amargos; cruel; raivoso, irado; terrível; satânico]. 

Nunca mais ela poderia interagir, encontrar, olhar nos olhos, tocar em outro ser humano. 
Ela foi banida do convívio humano para sempre. 
Se antes era desejada e a aspiração de muitos pretendentes agora ela é caçada por todos os homens, não para amá-la, mas para matá-la, decapitá-la. 

II. O fim 

Acrísio, rei de Argos (Άργος uma aldeia  neolítica depois cidade do Peloponeso), era casado com Eurídice, filha de Lacedemon, e tinha uma filha chamada Danaë. Entretanto Acrisio não tinha filhos homens. Descontente é triste por não ter herdeiros masculinos, Acrísio consultou o oráculo. O oráculo respondeu que o rei poderia se esconder no fim da terra, mesmo assim seria encontrado e morto por seu neto, filho de Danaë.  O rei então concebeu um plano para salvar a própria pele. 

Ordenou que Danaë fosse então trancada numa câmara em uma torre, (outra versão diz que foi numa câmara de bronze subterrânearea) para que, assim, não desse netos que matariam o rei. Mas Danaë  não só não morreu como engravidara. 
Uma versão do mito conta que a princesa Danae recebia visitas de Zeus. Que metamorfoseado em uma chuva de ouro, seduziu-a e engravidou-a (outra versão diz que ela foi seduzida pelo irmão e rival de Acrísio). 
Danaë deu a luz a um menino que chamou de "Perseus Eurimedon".
(Lembre-se que a chuva de meteoros Perseídas é a mais famosa que ocorre no verão, no hemisfério norte). 
Acrisio depois de algum tempo foi visitar Danaë na torre e ao ver a criança ficou chocado. Seu primeiro impulso foi de matar a mãe e o bebê, mas temendo a ira de Zeus, ordenou que ambos, mãe e filho fossem colocados num cesto e jogados ao mar para que morressem longe dali, no mar. Danaë era muito devota, pediu a Zeus e este pediu a Posseidon que protegesse Danaë e a seu filho e assim mãe e filho foram lançados na praia de uma ilha chamada Serifos são e salvos. Nesta ilha foram resgatados por um pescador chamado Dictys, que levou o menino e sua mãe ao rei local (seu irmão)que criou o menino até a idade adulta e abrigou sua mãe. O irmão de Dictys (rede de pescar) chamava-se Polydectes (aquele que recebe, aceita muitos) era a essa altura o rei da ilha. 
Polydectes logo apaixonou-se por Danaë. 
Passados alguns anos, o rei pretende desposá-la mas, temendo que o jovem filho se opusesse, e que também pudesse reclamar o trono, ordena-lhe que mate a terrível Medusa, esperando que este fracassasse e assim , não retornasse mais. 
O instinto aventureiro e destemido de Perseu parte entso em busca da cabeça do temido monstro. Dessa batalha saiu vitorioso graças à ajuda de Athená, Hades, e Hermes. Athená presenteia-o com um escudo polido como um espelho com o qual ele podia ver o reflexo da medusa e de todo o entorno. 
Hades o presenteou com um elmo que torna invisível quem dele fazer uso e Hermes ofertou suas sandálias aladas. 
Munido com essas armas ele decapitou a Medusa. 
Quando o sangue da Medusa tocou o solo formou-se instantaneamente uma criatura magnifica, o cavalo alado Pégaso; e do ventre da medusa saiu um gigante chamado Crisaor. 
[nuna versão as outras duas irmãs da Medusa perseguem Perseu, mas ele consegue escapar usando o elmo da invisibilidade dado por Hades, o que o torna instantaneamente invisível fugindo assim das Górgonas. 
Perseu ao voltar para casa com a cabeça de Medusa, depara-se com o rei, Polydectes perseguindo Danaë. 
Não podendo vencer em número o exército do rei ele mostra o rosto da medusa e essa visão petrifica a todos. 


O rei pede clemência a Perseu, dizendo: "Por favor, ó Perseu, me deixe viver, eu reconheço que tu és o mais forte e que mataste a górgona, então não me mate também". Mas Perseu vira o rosto da medusa na direção dos olhos de Polydectes que se torna em uma estátua. 
Em um torneio olímpico no qual Perseu participa em Argos, ele ao fazer um lançamento desastroso de dardo acaba acertando acidentalmente Acrisio, seu avô, sem saber que a vítima era seu avô, que estava ali prestigiando os jogos. Cumpre-se, assim, a professia que dizia que ele não escaparia da morte trazida pela mia de seu neto.  Não se foge do destino ao qual se nasce, se você vive na ignorância e na escuridão. A luz, identificada igualmente com o bem, a verdade e a beleza deve conduzir à misericórdia e ao entendimento do outro para que a vida não se torne uma tragédia. 




26/VII/2014

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