domingo, 3 de março de 2013

EPIGRAPHYLE





EPIGRAPHYLE1



A matéria a lâmina "ὕλη" a madeira

os seus veios o peso a gravidade o metal (μέταλλο) a meta 
seu brilho
o traço a força o sulco a maravalha o resto 
a mancha a tinta
(a)forma a figura a imagem
a maravilha a ideia 
o símbolo o sentido as camadas dos significantes 
o movimento a linha o abandono
o desejo da forma 
de dar forma 

formas informadas de desejo paixão 
a dor a escuridão a falta que significa 
a luz o claro o escuro 
ausência que permanece presente 
ferida ferimento ponta seca 
mordente que transforma os fótóns em noite



1- Epigraphyle 
Do grego:  επιγραφή +  ὕλη
Επι =  epi = sobre
Γραφή = graphē = escrita (epigraphé)= inscrição 
ὕλη= floresta, madeira, materia
(epi + graphe + hyle = escrever sobre madeira, inscrição sobre a materia (em geral))

O PRESENTE QUE PASSA

O PRESENTE QUE PASSA

Em geral procuramos alguém com quem dividir nosso tempo e nossa existência no mundo. Todavia, colocamos padrões tão altos que geralmente nem nós mesmos alcançaríamos tais virtudes. Certa vez conversando com amigos um deles piadisticamente falou que procurava um amor que fosse forte, grande, alto, "gostoso", sincero, honesto o tempo todo, trabalhador, generoso, humilde, rico e famoso e que o amasse para sempre, não tendo nem olhos nem pensamentos para outra pessoa. E eu pensei comigo mesmo que tal sujeito só poderia morar entre o castelo da Rapunzel e a casa da vovó de Chapeuzinho vermelho, na floresta; ajudaria o Papai Noel na época de empacotar os presentes e auxiliaria os sete anões em sua mina, colhendo diamantes. 
As pessoas reais tem qualidades e defeitos, freqüentemente mais defeitos do que suas contraparte, as virtudes, moram em lugares reais em São Paulo, Porto Alegre ou no Rio de Janeiro, ou em outra localidade mapeável e não em contos de fadas. 
Nem mesmo nós teríamos todos esses atributos para oferecer à nossa cara-metade, alma-gêmea, parceiro ou companheiro. 
Talvez se desencarnados de noso corpo, passássemos por nós mesmos na rua, nosso corpo e seu "modus vivendi" nem chamaria atenção, nem talvez despertasse em nós o desejo de se aproximar e conhecer... 
se nos víssemos como "um outro"  o noso gosto não se interessaria por nosso próprio corpo, tão vulgares ou medianos que somos.
Assim, não devemos colocar padrões tão excelsos, tão elevados pois corremos o risco de nunca encontrar alguém que tenha tais qualidades. Uma vez que a perfeição não existe nesse mudo e que essa palavra é um ideal, não existirá a pessoa que eu procuro como uma coleção de virtudes e nenhum vício.
Quero aceitar os erros, defeitos e as idiossincrasias do outro e valorizar tudo o que ele tem de bom, de humano, de virtuoso e solene, e me aproximar não para tentar mudar as pessoas mas conviver e tolerar. A arte esta precisamente ai nesse ponto: saber que perfeição só existe como um ideal, para mostrar que possibilidades existem e que o que temos é o presente real que passa ante nossos olhos.

MEU TESTAMENTO

 MEU TESTAMENTO E MEUS DESEJOS FINAIS



Eu Antonio Carlos Paim MSc; BSc (Biologia e Arte), na posse integral de minhas faculdades mentais, e após ter repetidamente examinado minha consciência perante o mundo, o tempo, e o universo, eu tive certeza de que minhas forças e meu corpo, não são mais os mesmas dos anos de juventude. Isto posto, desejo compartilhar com todos, como sempre fiz, minha última vontade:

I- Que meus cadernos contendo os meus escritos ficassem juntos (sei que não são lá tão importantes, mas são o registro de uma vida vivida com o peso da discriminação, reprovação e bulling, sempre no horizonte). Gostaria de ter feito ou encontrado pessoas para juntos fazer ou construir uma modesta fundação dedicada à Ciência e e Arte, ao livre pensamento, ao livre desejo, e ao livre comportamento; todavia não consegui.  Gostaria que os livros permanecessem juntos e que fizessem parte de uma casa-biblioteca-ateliê-fundação, e que assim servissem a todos interessados em ciência e arte (de todo tipo) e onde encontrariam espaço para planejar obras artísticas e experimentos científicos com pessoas que cedessem tempo de suas vidas à orientar tais projetos. (SCIARSVIAS)

II- Meus cadernos de anotações da minha fase artística contendo as obras que descrevi, pudessem ser construídas (em diferentes épocas, por diferentes pessoas) em parceria ou individuais. Que minhas obras de desenho, pintura gravura e fotografia constituísse um núcleo para incentivar pessoas a conceber, executar e apresentar para a comunidade suas ideias de arte do cotidiano. Que minhas coleções de objetos corriqueiros, como os esqueletos de folhas de plantas, coleções de moedas e cédulas, coleção de dados, coleção de palavras de jornais, de recortes eróticos, pudessem ser continuados e pudessem constituir obras de arte contemporâneas coletivas ou mesmo individuais. Assim, também meus materiais para produzir Arte e Ciência pudessem constituir um ateliê-laboratório para quem desejasse produzir arte ou ciência pensada no contexto contemporâneo.

III- Gostaria de doar todas as minhas roupas para uma instituição de caridade que se preocupa com jovens.

IV - Esta casa-biblioteca-ateliê-fundação poderia servir como repositório de materiais de outros artistas e livres pensadores da comunidade, servindo assim de ponto de partida para estudos da criatividade e local de criação de novos paradigmas em Ciência e Arte.

V- E no fim dessa aventura existencial desejo que meu corpo seja cremado envolto no manto branco com as palmeiras que simbolizam para mim a praia, o mar a margem, e o outro lado da vida. Nada disso é pesaroso ou triste ou terrível, é simplesmente uma volta ao seio da Matéria (ὕλη hylê, mut, mater, mãe) que constituiu meu corpo animado e para onde voltarei feliz como quando vim participar da matéria viva. 

Queridos irmãos e amigos, quero agradecer sua compreensão para comigo e expressar a maravilha que foi dividir esse mundo e esse tempo com todos; mesmo que eu não morra agora nem amanhã ou depois, esses são os meus desejos finais.

Et veniam peto pro omnibus defectibus mei.

Antonius Carolus Paim

In die Dominus, 11/ii/MMXIII A.D. 02h49min. Portualacrensis urbe, Terra Brasilis