domingo, 3 de março de 2013

O PRESENTE QUE PASSA

O PRESENTE QUE PASSA

Em geral procuramos alguém com quem dividir nosso tempo e nossa existência no mundo. Todavia, colocamos padrões tão altos que geralmente nem nós mesmos alcançaríamos tais virtudes. Certa vez conversando com amigos um deles piadisticamente falou que procurava um amor que fosse forte, grande, alto, "gostoso", sincero, honesto o tempo todo, trabalhador, generoso, humilde, rico e famoso e que o amasse para sempre, não tendo nem olhos nem pensamentos para outra pessoa. E eu pensei comigo mesmo que tal sujeito só poderia morar entre o castelo da Rapunzel e a casa da vovó de Chapeuzinho vermelho, na floresta; ajudaria o Papai Noel na época de empacotar os presentes e auxiliaria os sete anões em sua mina, colhendo diamantes. 
As pessoas reais tem qualidades e defeitos, freqüentemente mais defeitos do que suas contraparte, as virtudes, moram em lugares reais em São Paulo, Porto Alegre ou no Rio de Janeiro, ou em outra localidade mapeável e não em contos de fadas. 
Nem mesmo nós teríamos todos esses atributos para oferecer à nossa cara-metade, alma-gêmea, parceiro ou companheiro. 
Talvez se desencarnados de noso corpo, passássemos por nós mesmos na rua, nosso corpo e seu "modus vivendi" nem chamaria atenção, nem talvez despertasse em nós o desejo de se aproximar e conhecer... 
se nos víssemos como "um outro"  o noso gosto não se interessaria por nosso próprio corpo, tão vulgares ou medianos que somos.
Assim, não devemos colocar padrões tão excelsos, tão elevados pois corremos o risco de nunca encontrar alguém que tenha tais qualidades. Uma vez que a perfeição não existe nesse mudo e que essa palavra é um ideal, não existirá a pessoa que eu procuro como uma coleção de virtudes e nenhum vício.
Quero aceitar os erros, defeitos e as idiossincrasias do outro e valorizar tudo o que ele tem de bom, de humano, de virtuoso e solene, e me aproximar não para tentar mudar as pessoas mas conviver e tolerar. A arte esta precisamente ai nesse ponto: saber que perfeição só existe como um ideal, para mostrar que possibilidades existem e que o que temos é o presente real que passa ante nossos olhos.

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