sábado, 1 de setembro de 2012

O MITO DE PYGMALIÃO

O MITO DE PYGMALIÃO

Gostaria de contar aqui uma antiga história que talvez seja bem conhecida de todos, é a hístória de um rei artista chamado de Pygmalião. A história ficou conhecida como o mito de Pygmalião. 
Pygmalião rei de Chipre e escultor era capaz de ver muitas coisas ruins e deplorávsis nas mulheres de seu tempo, chegando ao ponto de odiá-las. Resolveu então ficar solteiro abraçando uma vida celibatária. Assim, em sua solidão decidiu que ocuparia seu tempo esculpindo com toda a sua virtuose e perícia, uma mulher em mármore que de tão bela, nenhuma outra mulher viva se aproximaria desse modelo.
O rei talhou então talhou no mais fino mármore um corpo magnífico, objeto de seus sonhos, à imagem daquilo que ele imaginava ser o objeto perfeito de seu desejo (Jeudy, 2002).
Era, de fato, a representação ideal, perfeita de uma donzela que ao ser vista dava a impressão de pulsante vida, mas que não se movia por modéstia ou pudor. A sua arte era tão perfeita, que parecia um produto da natureza.
Pygmalião admirava cada vez mais a sua obra definitiva e com tempo, acabou por se apaixonar pelo produto da sua criação e muitas, vezes, acariciava a estátua, como se para confirmar se estava viva ou não. E muitas vezes ele olhava incrédulo para a sua criação, não acreditando que fosse de pedra.
Acariciava-a, oferecia-lhe presentes do agrado das jovens apaixonadas, como conchas brilhantes, pedras polidas, pequenos pássaros e flores de várias cores, miçangas e âmbar. Vestiu-a com roupas adornou-a com jóias em seu pescoço e em seus dedos. Nas orelhas, colocou brincos e fios de pérolas sobre os seios. E mesmo vestida guardava o mesmo encanto de quando estava despida. Deitou a estátua num sofá, e chamou-a de sua mulher, colocou-lhe sobre a cabeça uma almofada, feita das mais suaves penas, como se ela conseguisse sentir-lhe a sua suavidade.
Na ilha (Chipre) havia um templo e festivais em honra a deusa Afrodite, num desses festivais, Pigmalião após cumprir os rituais para a deusa e tão atormentado pelo desejo que implorou a Afrodite, que lhe permitisse encontrar uma mulher igual à estátua. A deusa ouviu a súplica e, comovida bondosamente atendeu em parte o pedido. Não encontrando a deusa, mulher que pudesse ser comparada a estátua feita por Pigmalião, transformou esta em uma mulher viva. 
Quando o rei-escultor regressou ao seu palácio, sentou-se ao lado da escultura e beijou-lhe os lábios e estes estavam quentes, ao acariciar a pele sentiu a suavidade da pele de uma jovem e respondia ao toque de seus dedos. Até mesmo as veias quando pressionadas retomavam sua forma arredondada. Esta mesmo viva! E outra vez beijou com paixão e ardor os lábios do objeto do seu desejo. Ele lembrou-se do pedido e agradeceu à deusa por tamanha graça. A estátua abriu timidamente os olhos e ruborizada fitou-o longamente nos olhos. Ele a chamou de Galatéia e tiveram dois filhos o primeiro, menino, chamou-se Paphos e a segunda uma menina, chamou-se Metharme... 
 
O mito nos mostra que o corpo humano é o objeto fundamental da arte. Todavia, o mito nos faz pensar em dois pontos importantes: 1) que em vez de ser o duplo de si mesmo, o corpo esculpido é sobretudo a expressão soberana de uma alteridade composta até a quintessência das intenções do seu autor; e 2) que a vida da estátua não faz esquecer a morte de onde ela vem; saída das trevas que já a tornavam tão bela, ela acede à vida, conservando em si os mistérios de sua origem (Jeudy, 2002). Ficamos por enquanto com essas duas grandes questões que por si só ocupariam toda nossa vida em sua reflexão. 
 
Em seu livro "O corpo como objeto de arte" Henry-Pierre Jeudy relata um romance (Le chef-d´œuvre inconnu) de Balzac onde este fala do modelo. O pintor para chegar a forma, deveria descer a fundo na intimidade da forma, perseguir com amor e perseverança suficiente os seus desvios e fugas. A beleza é algo sério e difícil, que não se deixa capturar assim, sendo preciso esperar seu melhor momento, espreitá-la, sitiá-la e enlaçá-la estreitamente para forçá-la a se entregar. Ora essa passagem ja diz muito sobre o que seja a beleza... 
É ela um aspecto apreendido apenas pelo intelecto capaz de reconhecê-la, detectá-la... não que somente alguns possuam a capacidade de reconhecer a beleza passando em sua frente... mas melhor a capturam aqueles que refletem sobre a forma que cotidianamente envolvem-nos... por estar tão próxima é ela distanta para evadir-se do nosso horizonte. 
Pygmalião reconheceu e refletiu sobre a beleza e a deusa retirou da escuridão a animação daquela forma fria e vazia de sentimento para tornar-se bela em vida. Ora a deusa deu-lhe um passado mesmo que este seja a morte e um futuro mesmo que esse seja o esquecimento e o envelhecimento a decadência. 
Mas do reino dos objetos de arte ela ascendeu a vida. Elas mesmo, bela, pode então contemplar a beleza, num gesto de auto-reconhecimento. 

OS RIOS DA FORMA
 

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