quarta-feira, 7 de setembro de 2011

ESCRITO DE ARTISTA SOBRE DANIEL SENISE


 
ESCRITO DE ARTISTA SOBRE DANIEL SENISE

Os experimentos de Daniel Senise apresentam uma maneira de encararmos o espaço, não como velocidade, mas como elemento constitutivo e que contém nossas vidas, também como um elemento cognitivo de apreensão do mundo. 
A arte em todos os tempos é como uma narrativa sobre esse “espaço” onde se dão as ações e que poderíamos de chamar de “espaço sagrado”, onde nascemos vivemos, interagimos e por fim voltaremos. Ele fala então da onipresença do “espaço” na vida social de cada um de nós.
O modo como ele o faz (sua apresentação e representação) e até mesmo sua escolha (do assunto espaço) talvez decorra de sua formação em Engenharia.
 Sua produção, ao apresentar uma discussão acerca do espaço, i.e., como este é representado, abre a possibilidade da existência de um espaço ideal, que se efetiva somente na geometria, no mundo do imaginário, uma espécie de tela multidimensional de nossa imaginação.
Eu penso que esta seria a sua maior contribuição, o de contrapor o real ao ideal, mostrando enfaticamente uma construção do real que se dá apenas no espaço pictórico, todavia esse espaço ideal é “construído” com restos, vestígios dos espaços reais.
 Em suas experimentações podemos notar uma mistura de perspectiva renascentista e colagem cubista, estas referências e a técnica que escolheu (pintura) o enraízam fortemente na história da arte. Tornando as próprias obras de Daniel Senise um eco desse movimento hoje.
Assim, ele organiza o mundo. Como afirma Paglia (1992) “a arte é a arma mais eficaz contra o fluxo da natureza. Religião, ritual e arte começaram como uma coisa só. A arte por mais minimalista que seja jamais é simples projeto. É sempre um reordenamento ritualístico da realidade. Ela continua, dizendo também que a arte é ordem, mas essa ordem não é necessariamente justa, bondosa ou bela; pode ser arbitrária, dura e cruel.
Desta forma, a arte instaura uma ordem no caos do universo, apresentando a realidade pasteurizada pela idéia. Ela serve para conhecer, ela elabora hierarquias cognitivas, categoriza o mundo para apreendê-lo.
Daniel Senise ao mostrar o espaço ele não o faz apresentando um espaço amorfo, pelo contrário ele recorre a uma técnica desenvolvida pelos gregos para representar o mundo. E o mundo esta em constante transformação, em ruído, em um caos de múltiplas informações. Mas a arquitetura traz o silencio. Justamente para ressaltar esse ruído ctônico, presente em tudo.
Suas obras mesmo quando apresentam uma arquitetura familiar trazem junto um silencio grave e profundo (Farias).
Porque o espaço? A meu ver essa preocupação com o espaço, aponta outra (ou esta contida em outra) de âmbito mais abrangente e histórica, qual seja: a justificação do pensamento abstrato, i.e., baseada na apreensão do mundo real.  Essa preocupação de fundo cognitivo fala sobre a maneira da apreensão do mundo, de como nos aproximamos dele e como o “representamos” em nossas idéias. Ela não é uma simples apresentação de um espaço, esse ato (de mostrar) desencadeia no fruidor (no que olha) lembranças. Logo o espaço se torna vivo de alguma forma, pois se torna parte de nos mesmos.



Referências

Paglia, Camille. (1992). Personas Sexuais. A arte e decadência de Nefertite a Emily Dickinson. Companhia das Letras, São Paulo, SP. Pp 665

IMAGENS COTIDIANAS



IMAGENS SINTÉTICAS

THE IMAGENS THAT TELL US HISTORIES


 
NO SHOPPING DE MEIAS



THE WORKER

OS MATERIAIS DE JOSEPH BEUYS

Os materiais de Joseph Beuys

Os materiais de Joseph Beuys(1921-1986)(1921-1986) são retirados do cotidiano. Falam de um mundo de restos, de sobras, de destruição. Suas escolhas estão fortemente relacionadas com a realidade da Alemanha do Pós-Guerra e sobretudo com o elemento biográfico.
Beuys, segundo ele conta, foi abatido durante a última grande guerra (WWII),  no Fronte da Criméia, quando pilotava um avião Stuka das Forças Armadas Alemãs. Beuys foi recolhido pelos membros de uma tribo tártara e cuidado por eles. Embalsamado em gordura animal e recoberto de feltro, progressivamente reaquecido e reconduzido à vida, Beuys conservou na lembrança este acontecimento. Sem dúvida é esta a lembrança que devemos ter em mente ao encontrarmos materiais como o feltro e a gordura animal em seus trabalhos.

Notemos como os materiais carregam em si os aspectos formais da obra. Geralmente, em Beuys, a cor é somente a cor do ma terial. Não há processo de coloração das obras.
Ao nos depararmos com suas obras, somos levados a crer que há algo muito importante presente em suas escolhas, tais como:  feltro, mel, cobre, cera, gordura animal, terra, palha, asfalto, madeira, rochas, ouro e tantos outros materiais. Essas escolhas podem estar nos indicando algo da ordem do imaterial, de uma energia dispendida ou condensada, conduzida ou acumulada a partir de trabalho humano.
Para Beuys a arte é uma atividade criativa fundadora de novos movimentos nas vivências do homem, e em Beuys, os materiais são eles mesmos, no sentido de que não constituem matéria-prima para a criação de outra forma específica.
Suas características essenciais entram em relação, a partir da sua presença em um mesmo recinto. O material nos permite experimentar sensações de estranhamento e identificações com determinadas realidades e é esta a incógnita que move todo pensamento na obra de Beuys. Em Beuys, alguns materiais são condutores de energia: cobre, zinco, ferro, chumbo (metais), permitindo sua transmissão. Outras substâncias atuam como isolantes, como o ar, o vidro, a madeira, o feltro. Como vemos os materiais utilizados por Beuys o são não somente em função de seus aspectos, mas em função de suas propriedades físicas. Não é apenas a aparência que está em jogo, mas todo um arcabouço de informações que se depreende do material utilizado pelo artista como também de relações estabelecidas entre eles, i.e., entre a escolha do material, a ideia (plasmada na relação entre os materiais) e a forma usada para expressar essa ideia. 

FONTE:
(Este texto é uma adaptação minha de Luís Carbogim do artigo "FORMAS E FORMULAÇÕES POSSÍVEIS ENTRE A ARTE E A VIDA: Joseph Beuys e Kurt Schwitters" de Elida Tessler).

O QUE É ARTE DO PONTO DE VISTA DE JOSEPH BEUYS VISTA A PARTIR DE UMA DE SUAS OBRAS

O que é a arte do ponto de vista de Joseph Beuys 
como vista em uma de suas obras.

Joseph Beuys, 1972. Vassoura de prata e vassoura sem pelos
 
Joseph Beuys é um artista alemão nascido no inicio do sec. XX. Em suas conceituações importam também as significações dos materiais nas representações de suas obras, utilizando materiais naturais como cobre, feltro, mel, madeira, gordura, entre outros, procurando unidade entre cultura, civilização e vida natural. Na figura (acima) “Vassoura de prata e vassoura sem pelos, 1972”  (com as especificações – vassoura ( madeira, crina de cavalo) com 1 mm de prata, 139x51cm – vassoura (cobre maciço) com feltro, 130x51cm); podemos notar que ele usou também do significado da prata, da madeira, do cobre e da crina do cavalo. Os elementos prata e cobre são metais bons condutores de energia, enquanto o feltro é um isolante.
Para exemplificar a questão da idéia da arte em Beuys escolhi a obra "Vassoura de prata e vassoura sem pelos" em que a partir de objetos cotidianos e materiais nobres (prata e cobre) Beuys ativa uma gama de conceitos ao conceber e apresentar essa obra.
Uma vassoura de prata e uma vassoura de madeira tem a mesma forma; no entanto, tem a mesma função social, ie., limpar o chão; sua simples justaposição lado a lado já demonstra o caráter questionador da arte, onde poderiamos nos questionar sobre o porquê do uso de uma vassoura de prata e outra de cobre e sem pelos?
Um possível caminho essa questão seria voltar o nosso olhar para o mundo através de parâmetros sociais, politicamente engajados, como o conceito de trabalho humano, esforço, limpeza, gasto de energia vital humana; o que conduziria-nos aos conceitos de valores das hoas trabalhadas, leis trabalhistas etc; outra alternativa seria olharmos para o material usado na confecção destes objetos, a saber: a  prata, o cobre eo feltro. A prata e o cobre conduzem muito bem a energia, enquanto o feltro é um pobre condutor. A prata é um metal nobre usado frequentemente para a confecção de jóias e talheres, e quase nunca para fazer vassouras, um objeto tido como marginal de uso cotidiano para tarefas não nobres.  Já o cobre além de ser usado para dar liga a prata (em jóias) é o elemento principal para a confecção de fios de alta voltagem, implicando-o na transmissão de energia em todo mundo. Onde existe uma fonte produtora de energia elétrica, ali existirá uma grande demanda para o uso do cobre. E seu uso primário é na transmissão de energia de um local para outro. O conceito aqui é o da transmissão, condução da energia. Posso ver ai que para Beuys o trabalho humano também é plástico, e esta imbuido de uma aura artística de apresentação, de condução de energia de ativação de um espaço seja este espaço abstrato (espaço do pensamento com as questões da justiça social) seja do espaço físico mais trivial (uma sala onde nos encontramos, vivenciamos, compartilhamos o tempo).
Observando esta e outras obras de Joseph Beuys, pode-se notar que suas influências vão desde Nietzsche (no que concerne ao humano e ao super-humano), à antroposofia (no sentido dado por Steiner que a apresenta como: “um caminho para se trilhar em busca da verdade que preenche o abismo historicamente criado desde a escolástica entre fé e ciência”), da botânica (proteção a natureza) à revolução francesa (igualdade entre todos os seres humanos), o que culmina em sua visão de mundo engajada politicamente no qual ele afirma sempre através de suas obras que “a revolução somos nós”, ou “todos ser humano é um artistas”, assim, enfatizando que a transformação social seria a maior obra de arte humana necessariamente coletiva e essencialmente plástica.
Nossa energia como seres humanos é transmitida a tudo que tocamos e fazemos e desse modo impregnamos o espaço com essa aura plástica do nosso trabalho, e com nossa presença.
A arte vista através dessa obra, me remete ao que ele pensava como essência para os metais (prata e o cobre): elementos de condução. Desta forma, os metais estão a meio caminho da plasticidade que apresenta a gordura ou cera que elevando-se mesmo que pouco a temperatura se fundem e voltam a solidificar-se se a temperatura diminui, e o trabalho humano que transforma o mundo. Nossa vida, como a arte deve ser plástica e gerar plasticidade, assim como a arte mostrada na concepção de Beuys.


SEMANTICA ESTRUTURAL UM DISCURSO FUNDADOR


SEMANTICA ESTRUTURAL UM DISCURSO FUNDADOR

Vamos iniciar com Eni Orlandi pensadora que analisou a questão do discurso de fundação. Segundo essa pesquisadora, há elementos essenciais em um discurso fundador que estão presente sempre, são eles:
Devem funcionar com referência básica no imaginário constitutivo (no caso de uma nação); estabilizarem-se como referência na construção da memória (nacional); inventar um passado inequívoco e empurrando um futuro pela frente e que dão a sensação de estarmos dentro de uma história de um mundo conhecido.
Devem ecoar e reverberar efeitos de nossa história em nosso dia-a-dia, em nossa construção cotidiana de nossos laços sociais, em nossa identidade histórica. E deve instaurar uma nova ordem de sentidos. Assim, o que caracteriza um discurso fundador é que ele cria uma nova tradição de sentidos que produzem uma nova ordem de significados. Nesse sentido um discurso fundador instala uma nova filiação, desautoriza sentidos anteriores e pelo seu próprio surgir produz uma nova memória. Todavia, um discurso fundador não surge do nada, ou seja ele tem uma genealogia, uma filiação.
Na ciência os traços são: A) deve funcionar como referência básica para elaboração teórica e para a compreensão de um dado domínio da realidade fundando assim, discursos ou uma discursividade (instala condições para a formação de outros discursos)
B) estabelecer uma identidade teórica para um dado grupo de pesquisadores, dando a eles o sentimento de pertença a um projeto de construção do conhecimento, o que significa que outros discursos vão apontá-lo como fundador. C) Deve necessariamente desautorizar uma tradição anterior de sentidos, o que quer dizer que se constitui em oposição a uma dada tradição anteriormente aceita, logo se constrói numa relação de conflito com o processo dominante de sentido; produzindo ai uma ruptura, um deslocamento.  D) Deve estabelecer uma relação particular com o que veio antes, com uma dada filiação, re-significando o que foi dito antes, e dessa forma instalando uma nova filiação. Assim, segundo Greimas, a resistência dos lingüistas em relação às pesquisas sobre significação são:
1) retardamento  histórico dos estudos semânticos 2) as dificuldades próprias à definição do seu objeto de estudo e 3)  a onda de formalismo (formalismo behaviorista) que distinguia forma de conteúdo. Desta forma Greimas funda uma nova ordem, através de seu discurso fundador e define qual o projeto semântico que será construído e qual o novo sítio de significância que está a erigir. Para isso,:
1) Radica-se na verdadeira tradição saussuriana
2) Fundamenta-se no principio da imanência
3) Nega o formalismo que preconizava que a lingüística nada podia dizer sobre o conteúdo
4) Estabelece uma semântica científica concebida como a união pela relação de pressuposição recíproca, de duas metalinguagens: uma linguagem descritiva ou translativa e uma linguagem metodológica.
Desta forma, diz ele que uma semântica geral deve se capaz de descrever qualquer conjunto de significantes não importando a forma pela qual se apresente e independente da língua natural que possa servir. Para concluir pode de ver aqui que Greimas esta elaborando na verdade, não um projeto semântico, mas um projeto semiótico.
 

O QUE É ARTE CONTEMPORÂNEA?

O QUE É ARTE CONTEMPORÂNEA?
A arte contemporânea é uma pratica técnico-filosófico-plástica. Vejamos porque ela pode ser vista a partir dessa perspectiva. Do ponto de vista da técnica: para os antigos gregos que criaram a arte como fenômeno cultural, a arte em si já suportava uma dimensão técnica, assim, a técnica é um saber fazer, desde que esse saber fazer seja colocado num sentido de aperfeiçoamento, i.e., do aprimoramento do modo de ser humano. Por conter em si uma técnica pode conster em si um sistema de pensamentos, uma ideia? Provavelmente sim, pois, para se fazer algo e imprimir neste algo uma mensagem é necessário que esse pensamento-mensagem seja lógico-filosófico. Ora, para ser lógico-filosófico é necessário que responda perguntas, que coloque questões, que instigue o expectador-fruidor a reflexionar sobre o que a obra propõe. E por ultimo é plástica pois se vale de uma linguagem material no espaço, a ideia esta plasmada no num suporte e num determinado espaço. Por ser a arte um conceito, esta sempre em disputa, em debate, está sempre em questão. Ora, enquanto conceito poderemos afirmar que “esconde a cabeça” sendo um verdadeiro logogrifo permanente no tempo. Assim, pode ser referida também como destruidora da estética clássica, que tem o belo como centro, colocando em seu lugar outras categorias igualmente importantes. Podemos afirmar que a arte contemporânea seja uma transgressão? Sim, se por transgressão entendermos a desobediência do cânone tradicional; da maneira tradicional de mostrar uma ideia, de contar uma história. Deste modo, a arte contemporânea viola o modo estabelecido durante séculos, desde o renascimento ao inicio do século XX, que vinha sendo usada para mostrar a realidade. Também podemos afirmar que a arte dita contemporânea é um acontecimento (happening) sincronizado entre texto-contexto, imagem e som, construção e apresentação de uma nova imagem do mundo. Uma imagem digital. A arte é vida para as vanguardas. Mas hoje a arte e o artista podem ser tudo, desde que esse tudo seja legítimo, sobretudo porque tem a ver com um conceito burguês e, portanto social. Assim, ela reflete os anseios, desejos, ideias e mazelas da burguesia que a criou. Todavia, a arte deve se descolar dos ideais acadêmicos do século XIX, para alcançar sua plena função que é substituir no expectador-fruidor seu gosto convencional e assim, este, poder questionar a realidade e sua própria dimensão no mundo atual.

QUAL O SENTIDO DA ARTE CONTEMPORÂNEA?
Podemos iniciar investigando se a arte contemporânea é uma linguagem, se nela há um conteúdo e se há nela forma de expressar esse conteúdo. Ainda podemos nos perguntar se há nela uma narrativa de algo ou de um acontecimento. Ora, por analogia com a linguagem, a comunicação se dá através de um conjunto de palavras que herdamos, e através deste nos fazemos entender e entendemos as mensagens dos outros com quem interagimos. Na arte em geral e na arte contemporânea especificamente, a linguagem é menos visível para o leigo, porém ela existe e é através dela que nos chega à mensagem codificada na obra, que a faz possuidora de um sentido. Logo, se há uma linguagem esta se baseia em sinais, e esses sinais constituem um conteúdo que dá forma a mensagem. Esse conteúdo, como as palavras de um texto ou discurso, deve apresentar um significado um sentido lógico. Logo, por associação, a arte que é uma linguagem deve apresentar um significado inteligível. E, como na linguagem cotidiana, onde se aprende palavra por palavra para descrever cada realidade do mundo, na arte deve ser necessariamente igual. A arte tem um sentido tanto para o artista pensador-criador quanto para o expectador-fuidor da obra. Seguindo adiante, indagamos se ha na arte uma narrativa de algo ou de um acontecimento. Ora, a arte por si só é uma narrativa individual de como o artista (pensador-criador)  narra uma ideia ou um conceito. Assim, a obra de arte contemporânea, é em si mesma, em meu entender, uma narração de um ponto de vista individual.
Todavia se entendermos o sentido como um propósito, razão de ser, cabimento, lógica, a resposta pode ser negativa num primeiro momento. Entretanto se refletirmos mais aprofundadamente podemos notar o fio condutor de obras que abertamente mostram um não-sentido. Filosoficamente sentido é a faculdade de conhecer de um modo imediato e intuitivo, a qual se manifesta nas sensações propriamente ditas. Dessa perspectiva a arte nem sempre apresentará de maneira explicita esse sentido. Nem por isso ela deixará de apresentar uma face heurística inerente.

WHAT IS AN IMAGE?

WHAT IS AN IMAGE? (II)




GYM PICS OF THE DAY





RAFAEL M.K.

O REGRESSO DAS IMAGENS








IMAGENS SALVAS